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31 de out de 2014

Pensamentos contra a liberdade

Com os ânimos alterados, muitos eleitores foram às redes sociais expressar suas visões políticas nessas últimas eleições, estendendo o debate dos meios de comunicação, das mesas de bar, das padarias, das praças públicas, dos churrascos entre amigos a postagens que traziam em sua essência - de modo bastante obscuro - a expressão da liberdade trazida pelo regime político em que vivemos. Todavia, tal bombardeio de opiniões nas redes demonstrou o retrato do ser humano: racional por natureza, mas, ao não buscar o conhecimento, ignorante por oportunidade - ou ausência desta.
Não estou aqui julgando escolha política ou opção partidária, principalmente pelo fato de o desconhecimento de acontecimentos ter sido característico de eleitores com opiniões diversas - não apenas apoiadores de um único candidato -, mas busco expressar o que observei nos meses de campanha, sendo acompanhado por alguns bons debatedores e outros nem tanto. Afinal, é perceptível que houve, no que se refere ao posicionamento político, uma divisão natural do eleitorado brasileiro, sendo muitos votos decididos por meio de boatos, de histórias contadas por manipuladores e de diferentes pontos de vista da realidade - que não deixam de ser parte da verdade.
Apesar de buscar respeitar opiniões que se diferem da minha e apreciar boas conversas com argumentos consistentes que objetivam falar do bem coletivo, não me furto de dizer que é indispensável buscar entender sobre o que se quer falar antes de abrir a boca com base no que apenas um meio de comunicação disse ou o que amigos julgaram ser o correto e unicamente justo. É necessário ter contato com diferentes visões políticas, pesquisar, ler, perguntar e formar uma opinião que não repete o que o telejornal disse, mas pensa no que foi dito e questiona qual o objetivo por trás daquela notícia - muitas vezes maliciosa.
A violência contra as escolhas foi outro acontecimento que marcou essas eleições. Eu mesmo, quando expus meu pensamento político, minha opinião, fui taxado de “ignorante” por motivar meu voto, ou seja, pessoas da minha rede de amigos vieram alegar que o conjunto de saberes que eles viam em mim era negado pela escolha política que fiz – depois de analisar bastantes fatos e registros de diversas mídias do país -, demonstrando um preconceito desmedido e uma visão bastante restrita do que a mídia expõe, como se o voto em um candidato depusesse contra o intelecto do indivíduo - trazendo à tona um espírito antiquado e discriminatório em pessoas que não demonstravam ser tão intolerantes e ironicamente cegas.

Assim, o discurso de ódio que ainda  pertence a inúmeros brasileiros reflete o resultado do não-questionamento sobre o que está sendo apresentado pelos meios de comunicação, apenas absorvendo o que, para os promotores da notícia ou da mensagem, é justo e certo, formando uma opinião imprudente e repetitiva, a qual deriva dos que pedem a separação do país, dos que afirmam a morte política do país - na negação absoluta de apoiar o atual governo em busca do bem comum - ou daqueles que insistem em negar o resultado das urnas e exigir que seja tomada uma medida para calar a liberdade que se desenvolve com o exercício da cidadania no Brasil, demonstrando total desconhecimento de tempos recentes, como se quisessem perder o direito de falar o que julgam ser coerente, tentando voltar a tempos em que não se podia optar por um ou outro candidato, mas tão somente pelo desesperançoso silêncio.

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