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02/10/2009

Histórico de Jogos Olímpicos





A origem dos Jogos Olímpicos na Grécia Antiga é frequentemente associada à celebração do esporte e do culto à beleza estética humana, como se estes fossem seus objetivos principais. Fala-se pouco, porém, na intenção mística e fúnebre de saudar os mortos de cada cidade. No canto XXIII da Ilíada, Homero relata detalhadamente as competições fúnebres que precederam a cremação de Pátroclo, escudeiro de Aquiles.

Num período de quatro em quatro anos, cada pólis ou cidade-estado da Grécia dedicava um dia do ano (a primeira lua cheia do verão do hemisfério Norte) para reverenciar os falecidos nesse quadriênio, e reuniam num campo os pertences dos mortos e abandonavam momentaneamente a cidade, para deixar que os espíritos passeassem entre suas lembranças de vida terrena. Isso após as sacerdotisas acenderem uma chama que os rapazes levavam até o templo do deus-patrono da cidade. Em Corinto, um dos principais portos gregos, situado no istmo que liga a península do Peloponeso ao continente, esses jogos eram chamados de Jogos Ístmicos. Em Delfos, onde havia o famoso oráculo de Apolo, eram Jogos Píticos. Em Argos eram Jogos Nemeus. Este conjunto de jogos, juntamente com os Jogos Olímpicos que se realizavam em Olímpia, perto de Elis, ficaram conhecidos como jogos pan-helénicos

Na cidade de Olímpia (que, diferentemente do que afirma o senso comum, não fica aos pés do Monte Olimpo) havia um templo de dimensões magníficas, dedicado a Zeus. Como todo deus da Antigüidade Clássica possuía variações, de acordo com o mito, a cultura e as particularidades que cada cidade-estado lhe atribuía, este Zeus era o chamado Zeus Olímpico, e junto a seu templo se realizavam os jogos esportivos idênticos aos das outras cidades. Porém era em Olímpia que os jogos atingiam sua plenitude, em organização e número de participantes, e onde desenvolveram-se como competições regulares e de extrema importância para todos os helênicos – e eram chamados Jogos Olímpicos.

Com regulamentos a princípio simples e mais tarde bem complexos e rígidos, os Jogos Olímpicos se realizaram com praticamente nenhuma interrupção, do século VIII a.C. ao V d.C. (mais de mil anos, portanto), mas com diversas modificações. Tanto que, ao serem proibidos por édito do Imperador Teodósio I, já tinham se desvirtuado em longas orgias e bacanais de pouca conotação esportiva.

Ainda assim, a festa começara como celebração dos mortos, e já atraía gigantescas procissões de gregos de várias cidades-estado. Era algo inevitável, pois, que surgissem algumas rixas ou contendas entre os peregrinos. Para distrair esses brigões e proteger a paz das celebrações religiosas, a “organização do evento” passou a promover competições esportivas simultâneas ao culto.

O registro mais antigo dos Jogos Olímpicos que chegou aos nossos dias data de 776 a.C.. Trata-se de uma inscrição num disco de pedra, encontrada nas ruinas do templo de Hera em Olímpia, que refere o acordo de tréguas e manutenção de paz durante a realização dos Jogos Olímpicos, selado entre os reis Ifitos de Ilía, Licurgo de Esparta e Clístenes de Pisa. Com o tempo, outros reinos se foram juntando a este acordo, e a partir daí os Jogos Olímpicos tornaram-se competições de paz, primeiro entre os homens, depois nações entrarem em guerra.

No entanto, as nações que havia em 1896, quando as Olimpíadas retornaram, eram diferentes demais daquelas da Antigüidade. Eram países imensos, não mais cidades, e tinham complicadas formas de escolher seus líderes, no lugar dos governos simplificados dos gregos. E possuíam identidades nacionais tão diversas quanto os gregos antigos jamais conheceriam.



- Duração: 06/04/1896 a 15/04/1896;
- Países participantes: 14 (Estados Unidos, Grécia, Alemanha, França, Reino Unido, Hungria, Áustria, Austrália, Dinamarca, Suíça, Times mistos);
- Total de atletas: 241 (todos homens);
- Total de modalidades: 9;
- Total de medalhas distribuídas: 122;
- País vencedor: Estados Unidos.


A Grécia, terra das primeiras Olimpíadas - que ocorriam na cidade de Olímpia desde o século 8 a.C.- recebeu também os primeiros Jogos da Era moderna, em 1896. Depois de 1.500 anos sem a realização dos eventos de Olímpia, o renascimento dos Jogos começou a se tornar realidade em junho de 1894, na Universidade de Sorbonne, na França.

O sonho de Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin, de reviver a Olimpíada agradou aos representantes de um congresso de educação e pedagogia, realizado no dia 23 de junho de 1894. Alguns gregos que estiveram presentes disseram ao Barão que seu país estaria disposto a ser a sede da primeira Olimpíada moderna.

Para unificar as diferentes disciplinas esportivas e promover a realização dos Jogos Olímpicos entre atletas amadores a cada quatro anos, ampliando para o mundo o que já havia ocorrido na Grécia antiga, Coubertin criou o Comitê Olímpico Internacional.

Com o projeto do primeiro evento pronto, o passo seguinte foi a viabilização dos Jogos. Sem apoio político do primeiro-ministro grego Charilos Tricoupis, a Grécia sofreu para organizar as competições. Tanto que outras cidades se oferecem para executar a empreitada de Coubertin. Entre elas, Budapeste, na Hungria, Estocolmo, na Suécia, e Paris, na França.

Em 1895, no entanto, Tricoupis foi demitido do cargo. Com parte do problema resolvido, a segunda tarefa dos organizadores dos Jogos foi buscar apoio financeiro. Com a Grécia falida, a única saída encontrada foi aceitar a ajuda de um milionário membro da comunidade grega de Alexandria, no Egito. O arquiteto Giorgios Averoff bancou a reformulação do centro de Atenas e a construção de alguns locais para a disputa dos Jogos Olímpicos.

Finalmente no dia 6 de abril de 1896, cerca de 60 mil espectadores assistem à inauguração dos Jogos, com a presença do rei da Grécia, George 1º. O estádio, construído em mármore branco no pé da Acrópole, foi levantado em um ano e meio.

Participaram 14 países e 241 atletas na primeira edição de Olimpíada. A abertura dos Jogos foi feita no domingo de Páscoa, no Panatinaico.

Os Estados Unidos, que não enviaram uma representação oficial, foram os maiores vencedores dos Jogos. Com a maioria dos integrantes da equipe da Associação Atlética de Boston, os norte-americanos ganharam 11 provas. Só no atletismo, foram nove vitórias em 12 competições. James Connolly venceu a prova de salto triplo e consagrou-se como o primeiro campeão olímpico.



- Duração: 14/05/1900 a 28/10/1900;
- Países participantes: 24 (França, Estados Unidos, Reino Unido, Times mistos, Suíça, Bélgica, Alemanha, Itália, Austrália, Dinamarca, Hungria, Cuba, Espanha, Luxemburgo, Áustria, Holanda, Noruega, Índia, Boêmia, Canadá, México, Suécia);
- Total de atletas: 997 (masc: 975 fem: 22);
- Total de modalidades: 20;
- Total de medalhas distribuídas: 262;
- País vencedor: França.


Após a realização da primeira Olimpíada, em Atenas-1896, o Barão de Coubertin pôs em prática a idéia de realizar os Jogos a cada quatro anos. Como presidente do Comitê Olímpico Internacional, o francês escolheu Paris para sediar a competição. O rei George 1º, da Grécia, tentou, no início, que Atenas se tornasse sede do evento novamente em 1900, mas depois acabou desistindo da idéia.

Diferentemente dos primeiros Jogos, quando a população de Atenas participou com entusiasmo de todos os eventos, as Olimpíadas de 1900 passaram despercebidas para os parisienses, principalmente por causa da falta de informação e organização. Além disso, os Jogos concorreram como coadjuvante diante de outro evento: Paris se preparava para organizar uma grande Feira Mundial (atual Expo), tendo a Torre Eiffel como porta de entrada da exposição industrial e tecnológica.

O acúmulo de eventos fez com que os Jogos Olímpicos acabassem sendo disputados em longos cinco meses. Para piorar e aumentar o desinteresse do público, o programa era muito confuso. O tiro, por exemplo, teve provas realizadas simultaneamente na Ilha de Seguin (a oeste de Paris), no polígono de Tiro de Vincennes e no campo de Tiro de Satory, perto de Versailles.

As péssimas condições das instalações não permitiram grandes façanhas esportivas. No atletismo, as provas foram realizadas no Racing Club da França, onde as pistas eram verdadeiros pântanos e os martelos enroscavam nos galhos das árvores. O campeão do lançamento do disco -o húngaro Rudolf Bauer- fez três fortes lançamentos que caíram no meio do público. Os esportes de quadra foram relegados a salões insalubres. A natação foi disputada no rio Sena sem que, em certas ocasiões, se tenha pensado em interromper o trânsito fluvial.

Outro fato lamentável na organização foi a cerimônia de abertura, que acabou nem acontecendo. O presidente da república francesa, Emile Loubet, fez apenas um breve discurso antes das provas da ginástica.

Nem mesmo a entrega das medalhas aos vencedores foi motivo de festa. Grande parte destes não recebeu suas medalhas, mas, sim, pequenos presentes, como pratos, guarda-chuvas ou carteiras. Alguns, inclusive, tiveram que esperar até 1912 para ganhar as respectivas premiações.

A presença de mulheres nos Jogos (em Atenas-1896 só participaram homens) causou uma grande polêmica no meio intelectual. O célebre Emile Zola defendeu a participação do então "sexo frágil", porém alguns literatos conservadores desaprovaram a inclusão das mulheres.

No contexto esportivo, a França, como era de se esperar, saiu-se como grande vitoriosa nos Jogos de Paris-1900. Como cerca de metade dos 997 competidores eram franceses, o país-sede terminou em primeiro lugar no cômputo geral de medalhas. No total, o país anfitrião conquistou mais que o dobro de medalhas dos Estados Unidos: 101 contra 48.

Uma inovação nos Jogos de Paris-1900 foi a estréia oficial dos esportes coletivos. O futebol, o pólo aquático e o rúgbi entraram pela primeira vez em Olimpíadas e acabaram ficando no programa.

- Duração: 01/07/1904 a 23/11/1904;
- Países participantes: 12 (Estados Unidos, Alemanha, Cuba, Canadá, Hungria, Reino Unido, Times mistos, Grécia, Suíça, Áustria);
- Total de atletas: 651 (masc: 645 fem: 6);
- Total de modalidades: 18;
- Total de medalhas distribuídas: 281;
- País vencedor: Estados Unidos.


A Olimpíada de Saint Louis, nos Estados Unidos entrou para a história como a pior de todos os tempos. A péssima organização do evento e o baixo desempenho dos atletas fizeram dos Jogos um espetáculo deprimente, beirando o ridículo.

Desde a escolha da cidade sede até o encerramento, os Estados Unidos decepcionaram. Contrariando o Barão de Coubertin, presidente do Comitê Olímpico Internacional, o presidente dos Estados Unidos - Theodore Roosevelt - impôs a cidade de Saint Louis, ignorando Chicago, que apresentava melhores condições para abrigar os Jogos.

Roosevelt escolheu a pequena cidade do Estado de Missouri por causa da Feira Mundial de 1904. Como nos Jogos de Paris, quatro anos antes, os Jogos Olímpicos ficaram em segundo plano.

Apenas 12 países mandaram representantes para os EUA. A interferência política fez com que Coubertin ficasse decepcionado com os organizadores dos Jogos. Apesar de todos os pedidos do presidente Roosevelt, o francês se recusou a comparecer à cerimônia de abertura daquela Olimpíada. A França também não participou do evento, que ficou ainda mais esvaziado, já que a maioria dos comitês nacionais europeus também decidiu não bancar a viagem transatlântica até os EUA.

O lado positivo da Olimpíada de Saint Louis ficou por conta da estréia do continente africano na competição, representado por atletas sul-africanos que estavam de passagem pela Feira Mundial. E, pela primeira vez nos Jogos Olímpicos, os vencedores foram premiados com medalhas de ouro, os segundos levaram a prata e os terceiros, o bronze.

Com poucos países, o número de atletas caiu quase pela metade em relação aos Jogos Olímpicos de Paris-1900. Apenas 651 participaram da Olimpíada de Saint Louis-1904, contra os 997 de Paris. Os Estados Unidos tinham a maior delegação, com 75% dos atletas participantes.

Nestas condições, os norte-americanos dominaram a competição, ficando com 85% das medalhas em disputa (recorde até hoje). Das 91 provas dos Jogos de Saint Louis, somente 42 incluíram atletas que não eram dos Estados Unidos (51 do Canadá e 105 dos outros países).

Para tentar atrair um público maior, os organizadores decidiram também realizar paralelamente os Jogos Antropológicos, uma grotesca competição de tribos indígenas que incluía os pigmeus da África, os índios cocopas do México, os moros das Filipinas e os pehuenches da Patagônia, entre outros. O triste exemplo de racismo acabou banido da Olimpíada.

A falta de organização dos Estados Unidos ficou evidente na maratona. Dos 32 corredores que se inscreveram, representando cinco países, apenas 14 conseguiram completar a prova. O percurso incluía sete morros e transitava por ruas de terra. Não bastasse o brutal percurso, a prova ainda foi disputada à tarde, sob temperatura de 32 graus.


- Duração: 27/04/1908 a 31/10/1908;
- Países participantes: 22 (Reino Unido, Estados Unidos, Suécia, França, Alemanha, Hungria, Canadá, Noruega, Itália, Bélgica, Australásia, Rússia Czarista, Finlândia, África do Sul, Grécia, Dinamarca, Boêmia, Holanda, Áustria);
- Total de atletas: 2008 (masc: 1971 fem: 37);
- Total de modalidades: 22;
- Total de medalhas distribuídas: 319;
- País vencedor: Reino Unido.


A Grã-Bretanha decidiu organizar os Jogos Olímpicos de 1908 apoiada na família real e na experiência que possuía pelos já 30 anos do Torneio de tênis de Wimbledon, um dos mais tradicionais da história.

A organização fazia inveja até para competições disputadas no século XXI. Para cada modalidade das Olimpíadas londrinas, chegaram a ser impressos e distribuídos manuais com regras em inglês, francês e alemão.

Tudo isto feito às pressas. Já que até 1906, a Itália ficaria com a sede. Naquele ano, a região de Nápoles foi castigada com a erupção do vulcão Vesúvio, e o governo italiano precisou utilizar os fundos reservados para os Jogos na reconstrução da cidade. Os ingleses deixaram Londres pronta para receber a Olimpíada em apenas dois anos.

Em 10 meses, foi construído o estádio Sheperd's Bush (conhecido também como White City), com capacidade para 70 mil espectadores. O complexo incluía também um velódromo de 660 metros, uma pista atlética de um terço de milha (536 metros) e uma piscina com comprimento de 100 metros.

Uma cidade aristocrática como Londres viu surgir diversas tradições que se mantêm até os dias de hoje no movimento olímpico. Uma delas imposta pela própria realeza. A maratona foi realizada em 42,195 km apenas para os netos do rei Eduardo VII assistirem à prova.

Outra tradição do espírito olímpico foi pronunciada no estádio, durante a abertura dos Jogos, pelo Barão de Coubertin, que imortalizou a frase que tinha ouvido de um pastor protestante da Pensilvânia: "O importante não é ganhar, mas competir".

Pela grande duração, os Jogos de 1908 foram disputados em duas fases: Jogos de Verão (atletismo, natação, ciclismo e remo) e Jogos de Outono (patinação no gelo, boxe, futebol e rúgbi). Pela primeira vez uma Olimpíada teve o desfile das delegações na cerimônia de abertura, com as bandeiras dos países. Desde então, a delegação da Grécia sempre abre a cerimônia, seguida pelo país-sede e depois pelas demais, por ordem alfabética dos países em inglês.

O início das competições ocorreu sob uma forte chuva que durou quase toda a competição. Os anfitriões britânicos, com 144 medalhas conquistadas no total, venceram uma Olimpíada pela primeira e única vez na história.

O sucesso dos britânicos, no entanto, segundo os concorrentes, esteve atrelado à parcialidade dos árbitros, todos ingleses. Após o encerramento dos Jogos, a mudança foi imediata: o COI decidiu retirar o controle da arbitragem das mãos dos futuros organizadores, designando em seu lugar as organizações internacionais de cada esporte.

- Duração: 05/05/1912 a 22/07/1912;
- Países participantes: 28 (Estados Unidos, Suécia, Reino Unido, Finlândia, França, Alemanha, África do Sul, Noruega, Canadá, Hungria, Itália, Australásia, Bélgica, Dinamarca, Grécia, Rússia Czarista, Áustria, Holanda);
- Total de atletas: 2407 (masc: 2359 fem: 48);
- Total de modalidades: 15;
- Total de medalhas distribuídas: 310;
- País vencedor: Estados Unidos.


Estocolmo foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de 1912 no congresso do Comitê Olímpico Internacional, em Berlim, no dia 18 de maio de 1909. Única candidata à sede, a cidade sueca correspondeu às expectativas, promoveu uma competição organizada e realizou a mais brilhante edição até então.

Sem nenhuma exposição comercial paralela ao evento, como em Paris-1900, Saint Louis-1904 e Londres-1908, a Olimpíada foi disputada em menos de três meses e teve um alto nível de competitividade. Com a participação de 2407 atletas de 28 países (recorde até então), os Jogos de Estocolmo-1912 tiveram 14 esportes no programa - a edição anterior contou com 22 esportes, em sua maioria já extintos.

Para abrigar as principais provas do atletismo, os suecos construíram um estádio Olímpico que mais lembrava uma fortaleza medieval, com seus tijolos de cor cinza-vulcânica. Com capacidade para 32 mil espectadores, o estádio foi planejado pelo arquiteto Torben Grut.

A boa impressão deixada por Estocolmo é vista por alguns especialistas como a grande responsável por manter aceso o movimento olímpico mesmo após a Primeira Guerra Mundial. Destruída, a Antuérpia foi o palco de 1920 sonhando em poder repetir os feitos dos Jogos suecos.

As Olimpíadas de 1912 tornaram-se também a primeira a contar com representantes de todos os cinco continentes: Europa, América, Ásia, África e Oceania.

No meio das disputas, os organizadores inovaram ao promover uma competição artística, com provas de literatura, música, pintura e arquitetura. O vencedor da literatura foi um certo Georg Horrod, que nada mais era que um pseudônimo do próprio Barão de Coubertin. Essas provas, porém, não valiam medalhas.

Outra novidade em Estocolmo foi a cronometragem eletrônica, utilizada pela primeira vez nas Olimpíadas. Foi também na capital sueca que surgiu um novo esporte, o pentatlo moderno, mescla de cinco modalidades: tiro, natação, esgrima, hipismo e uma corrida de 4.000 m, de onde sairia o "atleta perfeito". Esta Olimpíada foi também pioneira no sistema de som, instalado nas pistas e ginásios e até em algumas ruas.

A natação feminina entrou pela primeira vez nas Olimpíadas, tornando irreversível a participação das mulheres nos Jogos. O número de atletas do sexo feminino subiu de 37 para 48.

O encerramento dos Jogos de Estocolmo foi feito com um grande banquete de confraternização. O Barão de Coubertin, presidente do COI, satisfeito com o sucesso na organização, anunciou que gostaria de repetir o espetáculo em Berlim, em 1916. Porém, com a Primeira Guerra Mundial, o desejo de Coubertin precisou ser adiado. As Olimpíadas só voltaram em 1920 e ainda na cidade de Antuérpia, na Bélgica. Em Berlim, os Jogos só foram realizados em 1936.


- Duração: 20/04/1920 a 12/09/1920;
- Países participantes: 29 (Estados Unidos, Suécia, Reino Unido, Finlândia, Bélgica, Noruega, Itália, França, Holanda, Dinamarca, África do Sul, Canadá, Suíça, Estônia, Brasil, Austrália, Espanha, Japão, Grécia, Luxemburgo, Tchecoslováquia, Nova Zelândia);
- Total de atletas: 2626 (masc: 2561 fem: 65);
- Total de modalidades: 23;
- Total de medalhas distribuídas: 439;
- País vencedor: Estados Unidos.


Dois anos após o fim da Primeira Guerra Mundial, a Bélgica foi o local escolhido pelo Comitê Olímpico Internacional para sediar a sexta Olimpíadas da história. Em um cenário de destruição, a Antuérpia teve que se virar como pôde para abrigar o evento.

O mais importante para as nações participantes era ter de volta os Jogos Olímpicos, cancelados em 1916 por conta do conflito. Ao indicar Berlim como sede das Olimpíadas 1916, o Barão de Coubertin, então presidente do COI, ainda esperava contribuir para a paz na Europa e, assim, evitar o conflito.

A iniciativa, porém, não deu resultado. Quando se iniciaram as hostilidades, Coubertin fez pressão sobre os outros membros do comitê para mudar a sede dos Jogos para os Estados Unidos ou para a Escandinávia, regiões ainda não envolvidas no conflito. O COI recusou a proposta e, em 1915, quando se tornou evidente que a Alemanha não teria condições de abrigar os Jogos, a entidade anunciou o cancelamento das Olimpíadas.

O adiamento deu ao Brasil a chance de se preparar melhor para conseguir uma boa campanha na sua estréia nas Olimpíadas. Com 29 atletas, a delegação nacional chegou aos Jogos mesmo sem ter ainda um Comitê Nacional. Convidado pelo COI, através de Raul Paranhos do Rio Branco, embaixador brasileiro na Suíça, os brasileiros alcançaram um desempenho que parecia promissor, com a conquista de três medalhas: uma de ouro, uma de prata e outra de bronze.

A participação brasileira, no entanto, quase foi cancelada. Quando o navio Curvello, cedido pelo governo do Brasil, aportou na Ilha da Madeira, em Portugal, o comandante percebeu que a delegação só chegaria em Antuérpia no dia 5 de agosto. Para chegar a tempo das provas de tiro, a equipe desembarcou em Lisboa e seguiram viagem de trem.

Em cinco esportes (natação, pólo aquático, remo, saltos ornamentais e tiro), os brasileiros tiveram bom desempenho apenas no tiro. O tenente do Exército Guilherme Paraense tornou-se o primeiro atleta brasileiro - e também sul-americano - a conquistar o ouro olímpico. O paraense venceu a prova de pistola de velocidade ou tiro rápido. As armas utilizadas pela equipe brasileira na disputa foram cedidas pelos norte-americanos, já que os brasileiros tiveram seu armamento e munição furtados durante a viagem.

A medalha de prata foi conquistada por Afrânio da Costa, na competição individual de pistola livre. Nessa mesma categoria, o Brasil conquistou o bronze, só que por equipes, com Guilherme Paraense, Afrânio da Costa, Sebastião Wolf, Dario Barbosa e Fernando Soledade.

Uma das exigências dos belgas, que foram invadidos pelos alemães, para abrigar as Olimpíadas foi a exclusão dos países derrotados na Primeira Guerra, encerrada dois anos antes: Alemanha, Áustria, Bulgária, Hungria e Turquia. Dessa forma, pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos Modernos, disputas políticas impediram a participação de algumas nações.

Com pouco dinheiro para organizar o evento, os belgas construíram instalações precárias. A pista de atletismo, por exemplo, apresentava várias falhas e ficava impraticável em dias de chuva. Além disso, muitos atletas foram hospedados por famílias belgas. A competição só acabou sendo realizada graças à ajuda financeira de uma comissão de armadores navais e de vendedores de diamantes.

Apesar dos problemas, os Jogos de Antuérpia acabaram trazendo inovações. Pela primeira vez foi feito o juramento olímpico, que já tinha sido utilizado de modo experimental nos Jogos Intermediários de Atenas, em 1906. O texto original era o seguinte: "Em nome de todos os competidores prometo que participaremos nestes Jogos Olímpicos respeitando e cumprindo suas regras, com verdadeiro espírito esportivo, para maior glória do esporte e honra de nossos países".

Em Antuérpia, o texto foi modificado com a intenção de dar um tom menos nacionalista, alterando as últimas palavras. A expressão "de nossos países" foi substituída por "de nossas equipes". Em 1920, o belga Victor Boin foi o encarregado de pronunciar o juramento durante a cerimônia de abertura, com a mão direita levantada e a esquerda segurando a bandeira olímpica, em nome de todos os participantes.

Pela primeira vez, somente os Comitês Olímpicos Nacionais puderam registrar os atletas participantes. Antes de 1920, algumas associações nacionais não-oficiais enviavam representantes para as Olimpíadas.

Também em Antuérpia, apareceu a bandeira olímpica, com seus cinco anéis entrelaçados no fundo branco da paz, cada um de uma cor diferente, representando os continentes: azul (Europa), amarelo (Ásia), preto (África), verde (Oceania) e vermelho (América).

- Duração: 04/05/1924 a 27/07/1924;
- Países participantes: 44 (Estados Unidos, Finlândia, França, Reino Unido, Itália, Suíça, Noruega, Suécia, Holanda, Bélgica, Austrália, Dinamarca, Hungria, Iugoslávia, Tchecoslováquia, Argentina, Estônia, África do Sul, Uruguai, Áustria, Canadá, Polônia, Haiti, Japão, Nova Zelândia, Portugal, Romênia, Brasil, etc);
- Total de atletas: 3089 (masc: 2954 fem: 135);
- Total de modalidades: 19;
- Total de medalhas distribuídas: 378;
- País vencedor: Estados Unidos.


Paris precisou de todo o empenho do Barão de Coubertin para ser escolhida sede dos Jogos Olímpicos. O fracasso da edição de 1900 ainda estava presente na lembrança dos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), fato que os inclinava a escolher entre Amsterdã e Los Angeles. Porém, a promessa de que as duas cidades seriam as escolhidas para os Jogos seguintes acabou pesando a favor dos parisienses. Os organizadores franceses, no entanto, atrasaram no cumprimento dos prazos, fazendo com que o próprio Coubertin ameaçasse levar o evento para Lyon.

Depois disso, Paris acordou e deu início às obras para poder apagar a péssima imagem deixada em 1900. A cidade ofereceu aos mais de três mil atletas instalações funcionais da primeira Vila Olímpica e um estádio de 60 mil lugares, em Colombes, além da primeira verdadeira piscina olímpica, construída em Tourelles, na Porte des Lilás. A piscina tinha 50 m de comprimento, plataformas de largada e linhas de cortiça dividindo as raias.

Outra novidade nos Jogos foi o hasteamento durante a cerimônia de abertura de três bandeiras - do COI, da cidade-sede e da cidade designada para organizar os Jogos seguintes.

Nos Jogos de Paris, o número de países participantes chegou a 44, recorde até então. Mesmo assim, a política outra vez interferiu no esporte, e o COI não convidou a Alemanha para participar dos Jogos.

Além disso, o presidente do conselho, Raymond Poincaré, deu instruções ao consulado da França em Berlim para não conceder visto a atletas alemães que desejassem ir a Paris. Apenas um ano antes do inicio dos Jogos, a França tinha decidido invadir o Vale do Ruhr, região que pertencia à Alemanha. Outro incidente envolvendo política ocorreu quando a equipe italiana de ginástica deixou a competição cantando o hino fascista, uma prévia do que estava por vir.

Paris-24 marcou também as primeiras transmissões radiofônicas ao vivo para a Europa. Algumas dessas foram feitas de um balão em pleno ar. O evento contou ainda com a cobertura de aproximadamente mil jornalistas do mundo todo.

Os Jogos ocorreram sob calor intenso. Os termômetros chegaram a registrar até 45ºC. Na prova de 10.000 m cross country, o calor fez com que 23 dos 38 atletas desistissem. Ainda assim, o número de espectadores também foi marcante - cerca de 625.000 em toda a competição. Cambistas chegaram a revender os ingressos com lucro de até quatro vezes.


- Duração: 17/05/1928 a 12/08/1928;
- Países participantes: 46 (Estados Unidos, Alemanha, Finlândia, Suécia, Itália, Suíça, França, Holanda, Hungria, Canadá, Reino Unido, Argentina, Dinamarca, Tchecoslováquia, Japão, Estônia, Egito, Áustria, Austrália, Noruega, Iugoslávia, Polônia, África do Sul, Espanha, Índia, Irlanda, Nova Zelândia, Uruguai, Bélgica, Chile, Haiti, Filipinas, Portugal, etc);
- Total de atletas: 2883 (masc: 2606 fem: 277);
- Total de modalidades: 16;
- Total de medalhas distribuídas: 327;
- País vencedor: Estados Unidos.


Após ser preterida duas vezes pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) como sede das Olimpíadas, a cidade de Amsterdã, na Holanda, organizou os Jogos Olímpicos de 1928 mesmo com o veto da rainha holandesa, Guillermina, que considerava o evento esportivo uma manifestação pagã.

Um estádio olímpico foi construído especialmente para as Olimpíadas. Com capacidade para 40 mil espectadores, a construção tinha uma pista atlética com um piso de cinzas de 400 metros, rodeada de um velódromo de 500 metros.

Pela primeira vez na história, uma edição das Olimpíadas foi realizada sem a presença do Barão de Coubertin. Criador dos Jogos Olímpicos Modernos e então presidente do COI, o Barão afastou-se do cargo em 1925, acreditando que sua missão estava cumprida. Coubertin também estava desiludido com a crescente profissionalização do esporte, que desvirtuava o ideal olímpico pregado pelo francês, e se refugiou na Suíça.

No aspecto esportivo, os Jogos registraram o retorno dos países que não vinham sendo convidados desde 1920 por causa da Primeira Guerra Mundial (Alemanha, Áustria, Hungria, Turquia e Bulgária).

Apesar de 16 esportes inscritos, o Brasil não teve um atleta sequer participando do evento, que contou com 2.883 atletas inscritos (2606 homens e 277 mulheres).

Com a Europa em fase de recuperação do período pós-Guerra, a Holanda teve a chance de fazer um dos Jogos Olímpicos com mais novidades. A começar pela cerimônia de abertura, que ocorreu no novo estádio.

Pela primeira vez na história, pombas brancas foram soltas pelo ar para representar a paz no mundo. Junto delas foi acesa, como ainda manda a tradição, a pira olímpica. A chama foi transportada da cidade de Olímpia (Grécia) diretamente para o estádio. O revezamento da tocha, porém, só seria introduzido nos Jogos de 1936 (em Berlim).

Outra novidade foi a participação das mulheres - a quem o Barão de Coubertin sempre fizera oposição - que cresceu sensivelmente, chegando a 290 participantes. Pela primeira vez assim, o atletismo e a ginástica contaram com provas femininas.

Uma das maiores patrocinadoras do evento até hoje, a Coca-Cola apareceu pela primeira vez nos Jogos. Milhares de caixas do refrigerante foram transportadas no porão do navio que levava a delegação norte-americana. Uma gentileza da fábrica - futura patrocinadora dos Jogos - em favor do movimento olímpico.

Uma tradição, entretanto, foi mantida. Nos Jogos de Amsterdã, o COI manteve o hábito de autorizar os comitês nacionais a colocar esportes de exibição. Depois da pelota basca nos Jogos de Paris, estiveram presentes em Amsterdã o tiro ao arco, o jogo de palma, o korfball (uma variante do handebol) e o lacrosse.


- Duração: 30/07/1932 a 14/08/1932;
- Países Participantes: 37 (Estados Unidos, Itália, França, Suécia, Japão, Hungria, Finlândia, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Argentina, Canadá, Holanda, Polônia, África do Sul, Irlanda, Tchecoslováquia, Áustria, Índia, Dinamarca, México, Letônia, Nova Zelândia, Suíça, Filipinas, Espanha, Uruguai, etc);
- Total de atletas: 1332 (masc: 1206; fem: 126);
- Total de modalidades: 16;
- Total de medalhas distribuídas: 346;
- País vencedor: Estados Unidos.


A crise da bolsa de 29 fez o mundo duvidar do poderio econômico dos EUA e a economia norte-americana só começaria a se recuperar em 1933, com o New Deal do presidente Roosevelt. No esporte, porém, a resposta veio já em 1932, com os Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Apesar do crash da bolsa de valores de Nova York em 1929, não faltou dinheiro para organizar os Jogos. Graças ao patrocínio de US$ 1,5 milhão da prefeitura de Los Angeles e o apoio da iniciativa privada, várias instalações foram construídas ou reformadas. O estádio olímpico, por exemplo, teve a capacidade ampliada de 70 mil para 100 mil lugares. Construiu-se, também, um estádio hípico e o campo de futebol americano da Universidade de Pasadena foi transformado em velódromo para 85 mil espectadores.

A Vila Olímpica, inovação dos Jogos de 1924, foi construída em estilo colonial, com 700 casas pré-fabricadas erguidas sobre um campo de golfe com vista para o Pacífico. Em um detalhe hollywoodiano, a segurança da Vila foi feita por vaqueiros a cavalo.

A crise, porém, foi sentida. Somada aos elevados custos da viagem para a costa oeste dos EUA, Los Angeles-32 tiveram a menor participação de atletas desde 1908. Apenas 1332 atletas competiram, menos da metade de Paris-24 e Amsterdã-28.

A crise financeira no Brasil também fez a diferença nos Jogos. O Governo Brasileiro financiou a viagem dos atletas para Los Angeles em troca de trabalho. A delegação brasileira embarcou com 50 mil sacas de café em um navio e tinha de vender a semente pelo caminho. Quem não vendesse, não competiria.

Dos 69 atletas que foram para os Estados Unidos, 24 acabaram retornando. Além dos atletas que superaram a "eliminatória do navio", outros 13 atletas viajaram por conta própria, completando a equipe.

Entre os 58 atletas brasileiros, havia apenas uma mulher. A nadadora Maria Lenk, que se tornou a primeira atleta sul-americana a competir numa Olimpíada. Lenk participou da prova dos 100 m livre, 100 m costas e 200 m peito, na qual foi eliminada nas semifinais. A atleta aprendeu a nadar no rio Tietê e ficou conhecida no país por introduzir por aqui o nado borboleta.

Entre os homens, poucos se destacaram. O do corredor Adalberto Cardoso, por exemplo, precisou de um esforço sobre-humano para disputar a prova os 10.000 m. O navio brasileiro aportou em São Francisco e Cardoso precisou ir a pé e de carona até Los Angeles. Depois de um dia, o brasileiro chegou ao local da prova, bastante atrasado. Cardoso juntou-se aos demais atletas quando faltavam dez minutos para a largada. Com toda essa trapalhada, o brasileiro terminou a corrida em último lugar. Sua história acabou rendendo notícias nos jornais norte-americanos. O "The Los Angeles Times" apelidou o brasileiro de "O Homem de Ferro".

Nos outros países, dois grandes nomes do atletismo mundial não participaram dos Jogos: o finlandês Paavo Nurmi e o francês Jules Ladomegue. Nurmi foi proibido de participar pela Federação Internacional de Atletismo um dia antes da cerimônia de abertura, acusado de ter exigido o pagamento de um percentual sobre os ingressos vendidos nas corridas em que participava. Ladoumegues, por sua vez, foi suspenso pela Federação Francesa pelo mesmo motivo, mas esteve em Los Angeles como enviado especial do jornal "L'Intransigeant".


- Duração: 01/08/1936 a 16/08/1936;
- Países Participantes: 49 (Alemanha, Estados Unidos, Hungria, Itália, Finlândia, França, Suécia, Japão, Holanda, Áustria, Reino Unido, Tchecoslováquia, Argentina, Estônia, Egito, Suíça, Canadá, Noruega, Turquia, Índia, Nova Zelândia, Polônia, Dinamarca, Letônia, África do Sul, Iugoslávia, Romênia, México, Bélgica, Austrália, Filipinas, Portugal, Brasil, etc);
- Total de atletas: 3963 (masc: 3632; fem: 331);
- Total de modalidades: 21;
- Total de medalhas distribuídas: 388;
- País vencedor: Alemanha.


Berlin foi eleita para receber os Jogos Olímpicos de 1936 cinco anos antes, quando o nazismo ainda não tinha chegado ao poder na Alemanha. Com a ascensão do 3º Reich, porém, o Comitê Olímpico Internacional (COI) tentou tirar os Jogos dos alemães, sem sucesso. Os norte-americanos, inclusive, programaram os Jogos Alternativos em Barcelona, cancelados devido à Guerra Civil Espanhola.

Os nazistas não pouparam esforços para fazer das Olimpíadas propaganda do regime. Os melhores engenheiros do Reich projetaram o estádio Olímpico, que custou US$ 30 milhões. Todas as grandes indústrias alemãs colaboraram, visando fazer dos Jogos um momento histórico para a glória de Adolf Hitler

Um memorando secreto transmitido no dia 18 de julho de 1936 para todas as forças de segurança advertia: "O desenvolver grandioso e sem incidentes dos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim, é da maior importância para a imagem da nova Alemanha aos olhos de nossos convidados estrangeiros".

A Olimpíada de Berlim obteve grande êxito popular, com mais de três milhões de espectadores nas arquibancadas. O evento também pôde ser acompanhado por meio de uma novidade: a televisão. Além disso, o regime encomendou a Leni Riefenstahl, a cineasta oficial do Reich, a realização de um documentário oficial, chamado "Deuses do Estádio".

Berlin foi também a última Olimpíada antes da Segunda Guerra Mundial. À época, já se ouvia na capital da Alemanha rumores de uma luta que acabaria por devastar a Europa. O conflito eclodiria em 1939, e as duas edições seguintes dos Jogos, programadas para Tóquio-40 e Londres-44, foram canceladas.



- Duração: 29/07/1948 a 14/08/1948;
- Países Participantes: 59 (Estados Unidos, Suécia, França, Hungria, Itália, Finlândia, Turquia, Tchecoslováquia, Suíça, Dinamarca, Holanda, Reino Unido, Argentina, Austrália, Bélgica, Egito, México, África do Sul, Noruega, Jamaica, Áustria, Índia, Peru, Iugoslávia, Canadá, Portugal, Uruguai, Cuba, Espanha, Sri Lanka, Trinidad e Tobago, Coréia do Sul, Panamá, Brasil, Irã, Polônia, Porto Rico, etc);
- Atletas: 4104 (masc: 3714; fem: 390);
- Total de modalidades: 19;
- Total de medalhas distribuídas: 411;
- País vencedor: Estados Unidos.


As Olimpíadas de Londres, em 1948, foram a resposta do Movimento Olímpico para a Segunda Guerra Mundial, que foi de 1939 a 1945. Após um intervalo de 12 anos, um conflito mundial que deixou um saldo de 20 milhões de mortos e sem o Barão de Coubertin, que morreu em 1937, os Jogos Olímpicos só renasceram graças ao entusiasmo de alguns membros do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Após a morte Coubertin, em 1937, e do seu sucessor, o belga Henri Baillet-Latour - que faleceu ao ser comunicado da morte em combate de seu filho -, o Movimento Olímpico estava fraco. Tanto que o presidente interino do COI, o sueco Sigfrid Edstroem, convocou o comitê executivo e só compareceram à reunião o norte-americano Avery Brundage e o britânico Lord Aberdale.

Com a Guerra, as edições dos Jogos marcadas para Tóquio e Londres foram canceladas. Em 1948, Tóquio ainda não tinha condições de organizar os Jogos e deixou a disputa. Londres herdou o direito de organizar os Jogos após vencer, em fevereiro de 1946, em votação pelo correio, a suíça Lausanne e quatro cidades norte-americanas: Baltimore, Los Angeles, Minneapolis e Filadélfia.

O comitê de organização foi presidido por Lord Burghley, campeão olímpico dos 400 m com barreiras em 1924, prata em 1928 e herói de guerra como aviador da Real Força Aérea britânica, a RAF.

Muitos atletas que tinham participado dos Jogos de 1936 morreram na Guerra, entre eles campeões olímpicos como o nadador húngaro Ferenc Csik (100 m livre e 4 x 200 livre) e os alemães Carl Long (salto em distância), Wilhelm Leichum (4 x 100 m), Rudolph Harbig (4 x 400 m) e Hans Woelke (arremesso de peso).

Várias nações pediram ao COI a exclusão dos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), como já havia acontecido com os perdedores da Primeira Guerra Mundial. A Itália foi a única que competiu. A ausência de um governo reconhecido foi a alegação oficial para a Alemanha não ser convidada. Os japoneses, convidados, preferiram não ir.

A União Soviética manteve sua política de isolamento, iniciada em 1917, e não participou. Novos países comunistas, como a Tchecoslováquia, resolveram participar.

Depois de três Olimpíadas sem conquistar medalha, o Brasil finalmente voltou ao pódio com a seleção masculina de basquete, que ganhou a medalha de bronze. Foi a primeira do Brasil em esportes coletivos.

O Brasil disputou 11 modalidades e teve poucos destaques além do basquete. No atletismo, o melhor desempenho foi no salto triplo masculino, iniciando o ciclo de conquistas da prova mais vitoriosa do atletismo nacional. Hélio da Silva terminou em oitavo lugar, com 14,49 m. Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão nas Olimpíadas seguintes, não conseguiu passar das eliminatórias.

No basquete, o time masculino fez uma campanha surpreendente em Londres-48. Com sete vitórias consecutivas, a equipe perdeu apenas nas semifinais, contra a França. Na disputa pelo bronze, o time treinado por Moacir Daiuto venceu o México por 52 a 47, garantido a medalha que não era conquistada havia 28 anos.



- Duração: 19/07/1952 a 03/08/1952;
- Países Participantes: 69 (Estados Unidos, União Soviética, Hungria, Suécia, Itália, Tchecoslováquia, França, Finlândia, Austrália, Noruega, Suíça, África do Sul, Jamaica, Bélgica, Dinamarca, Turquia, Japão, Reino Unido, Argentina, Polônia, Canadá, Iugoslávia, Romênia, Brasil, Nova Zelândia, Índia, Luxemburgo, Alemanha, Holanda, Irã, Chile, Áustria, Líbano, Espanha, Irlanda, México, Coréia do Sul, Trinidad e Tobago, Uruguai, Bulgária, Egito, Portugal, Venezuela, etc);
- Total de atletas: 4955 (masc: 4436; fem: 519);
- Total de modalidades: 19;
- Total de medalhas distribuídas: 459;
- País vencedor: Estados Unidos.


A cidade de Helsinque, na Finlândia, tinha apenas 367 mil habitantes em 1952, quando recebeu os Jogos Olímpicos. Nunca uma cidade tão pequena abrigou o evento. Exemplo da grandiosidade olímpica em relação às pequenas proporções da capital finlandesa é o estádio Olímpico: com 70 mil lugares, o local poderia acolher um quinto dos habitantes da cidade sede.

Os Jogos "intimistas" marcaram o primeiro confronto entre as duas grandes potências mundiais esportivas, que dominariam o movimento olímpico desde então. Pela primeira vez desde a Revolução Bolchevique de 1917 a União Soviética esteve presente - apesar de competir em campeonatos europeus de algumas modalidades, apenas em 1951 os soviéticos pediram reconhecimento ao COI.

Com isso, os EUA tinham uma ameaça real a sua supremacia - desde St. Louis-1904, os norte-americanos só perderam os Jogos de Berlin-1936, para a Alemanha. No quadro geral de medalhas, os EUA dominaram com 40 ouros contra 22, mas a União Soviética chegou perto no número total de pódios, com 71 contra 76.

A tensão política, porém, gerou uma divisão física entre os países. As delegações dos países ocidentais foram hospedadas na Vila Olímpica de Kapylae, em uma área de 200 mil m², formada por 21 prédios que hospedavam 4.800 atletas.

As delegações da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e de seus países-satélites ficaram no litoral do mar Báltico, em Otaniemi, onde foram construídos três grupos de prédios com capacidade para 1.200 atletas.

A Alemanha voltou aos Jogos, mas apresentou um quadro político confuso. Banido de Londres-1948, o país voltou a se apresentar unido, sem distinção entre Ocidental e Oriental - apesar de não ter na delegação nenhum atleta do leste.

Além disso, os Jogos contaram com o Sarre, uma região carbonífera do sul da Alemanha, independente desde o final da Guerra. O comitê olímpico do país desapareceu em 1956, quando a região, depois de um plebiscito, voltou a fazer parte da Alemanha.

Com a maior delegação desde que estreou nas Olimpíadas, na Antuérpia-1920, o Brasil teve no evento finlandês seu melhor desempenho até então, graças ao reinado de Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo. Com título olímpico do atleta paulista, os brasileiros terminaram os Jogos na 24ª posição, com um ouro e dois bronzes.

Além do título, Adhemar quebrou quatro vezes o recorde olímpico e duas vezes o recorde mundial na prova. Favorito ao ouro, Adhemar, então com 25 anos, bateu o recorde pela primeira vez em seu segundo salto, com 16,12m. No quinto, o brasileiro alcançou sua melhor marca, 16,22m, nova marca mundial. Quando encerrou sua participação com um salto de 16,05m, o ouro já estava garantido. Ainda no atletismo, o Brasil conquistou sua segunda medalha: o bronze no salto em altura do carioca José Telles da Conceição.

A terceira medalha veio na natação: Tetsuo Okamoto chegou em terceiro lugar nos 1.500m livre, bateu o recorde sul-americano com 18min51s3 e virou o "peixe-voador".



- Duração: 22/11/1956 a 08/12/1956;
- Países Participantes: 72 (União Soviética, Estados Unidos, Austrália, Hungria, Itália, Suécia, Alemanha, Reino Unido, Romênia, Japão, França, Turquia, Finlândia, Irã, Canadá, Nova Zelândia, Polônia, Tchecoslováquia, Bulgária, Dinamarca, Irlanda, Noruega, México, Brasil, Índia, Iugoslávia, Chile, Bélgica, Argentina, Coréia do Sul, Islândia, Paquistão, África do Sul, Áustria, Bahamas, Grécia, Suíça, Uruguai, etc);
- Total de atletas: 3314 (masc: 2938; fem: 376);
- Total de modalidades: 19;
- Total de medalhas distribuídas: 327;
- País vencedor: União Soviética.


Em 1956, quando Adhemar Ferreira da Silva saltou 16,35 m na final do salto triplo, bateu um recorde que perduraria pelos próximos 48 anos. A marca não foi a melhor do mundo à época, nem mesmo a melhor da carreira do saltador. Mas foi com ela que Adhemar chegou ao bicampeonato olímpico, feito só igualado por brasileiros nos Jogos de Atenas, em 2004, pelos velejadores Torben Grael e Robert Scheidt e pelos jogadores de vôlei Maurício e Giovane.

O atleta paulista foi o único destaque do Brasil nas Olimpíadas de Melbourne. Com a distância, o alto custa da viagem e o cenário internacional incerto, apenas 48 brasileiros disputaram os Jogos. Em Helsinque-1952, a delegação verde-amarela teve 107 representantes.

Adhemar foi o único brasileiro a ganhar uma medalha em Melbourne. Como campeão olímpico em 1952, ele tinha quebrado o recorde mundial da prova em 1955, com a marca de 16,55 metros, nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México. Em 1956, o brasileiro superou o islandês Vilhjalmur Einarsson, com a marca de 16,35m. A marca, 15 cm a menos do que seu recorde pessoal, era o novo recorde olímpico.

Dois anos mais tarde, em 1958, Adhemar mostrou seu lado artístico, atuando no filme Orfeu Negro. Ele ainda foi escultor, professor de educação física, formou-se em direito e licenciou-se em relações públicas. Falava fluentemente cinco idiomas e chegou a trabalhar na embaixada do Brasil na Nigéria. Morreu no dia 12 de janeiro de 2001, aos 73 anos, vítima de diabetes.

O Brasil ainda levou outra lenda do esporte para a Austrália. Éder Jofre, o primeiro boxeador brasileiro campeão mundial, chegou perto da medalha. O paulista foi derrotado nas quartas-de-final, por pontos, pelo chileno Cláudio Barrientos, na categoria galo.

Na primeira Olimpíada do Hemisfério Sul, fora do eixo Europa-América do Norte, o Comitê Olímpico internacional violou pela primeira vez a carta olímpica. A lei australiana impôs uma quarentena de seis meses a todo cavalo procedente de outro país. O COI decidiu, então, mandou para Estocolmo, na Suécia, as provas de hipismo.

Os problemas dos Jogos, porém, não pararam aí. O contexto político internacional da época era preocupante. A intervenção franco-britânica no canal de Suez (Egito), o segundo conflito árabe-israelense, a violência na África do Norte, motivada pelas lutas pela independência, e a intervenção dos tanques soviéticos em Budapeste criaram dúvidas sobre a disputa dos Jogos.

Egito, Iraque e Líbano boicotaram os Jogos em protesto pelo conflito árabe-israelense. Israel enviou uma delegação de três atletas, por causa da convocação para servir o exército. Holanda, Espanha e Suíça não foram aos Jogos para protestar contra a invasão à Hungria. A China popular não participou por causa da presença de Formosa (atual Taiwan).

A intervenção soviética na Hungria causou tanta revolta que, no pólo aquático, membros das equipes soviética e húngara trocaram socos dentro da piscina. O jogo precisou ser suspenso quando a Hungria vencia por 4 a 0 e a polícia entrou em cena. Nesse cenário, a União Soviética terminou pela primeira vez na frente dos Estados Unidos no quadro de medalhas (98 a 74 no total).



- Duração: 25/08/1960 a 11/09/1960;
- Países Participantes: 83 (União Soviética, Estados Unidos, Itália, Alemanha, Austrália, Turquia, Hungria, Japão, Polônia, Tchecoslováquia, Romênia, Reino Unido, Dinamarca, Nova Zelândia, Bulgária, Suécia, Finlândia, Áustria, Iugoslávia, Paquistão, Etiópia, Grécia, Noruega, Suíça, França, Bélgica, Irã, África do Sul, Holanda, Argentina, Egito, Canadá, Cingapura, Formosa, Gana, Índia, Marrocos, Portugal, Brasil, Índias Britânicas Ocidental, Espanha, Iraque, México, Venezuela, etc);
- Total de atletas: 5338 (masc: 4727; fem: 611);
- Total de modalidades: 19;
- Total de medalhas distribuídas: 461;
- País vencedor: União Soviética.


A decepção de 1908, quando Roma teve de abdicar de organizar os Jogos Olímpicos por causa da erupção do Monte Vesúvio aumentou ainda mais a importância dos Jogos de 1960. Para celebrar a volta das Olimpíadas, os italianos usaram seus principais pontos turísticos para receber provas.

A chegada da Maratona, por exemplo, foi no Arco de Constantino. A competição de luta livre, na Basílica de Constantino, nas ruínas do Forum Romano, e a ginástica, nas Termas de Caracala. Tudo para lembrar que Roma recebeu as Olimpíadas da antigüidade, até a proibição do imperador Teodósio em 393.

Apesar da opção pelo clássico, Roma investiu para organizar a competição. Para construir novas instalações e infra-estrutura necessárias, o comitê organizador gastou US$ 30 milhões. O aeroporto internacional de Fiumicino, por exemplo, foi construído para os Jogos.

Os belos cenários dos Jogos marcaram também a primeira edição olímpica com transmissão mundial pela televisão. A rede inglesa Eurovision transmitiu 93 horas e 40 minutos de programação. Cerca de 100 canais exibiram imagens para a Europa, ao vivo para 18 países.

Foi também a primeira vez que uma Olimpíada foi retransmitida para os Estados Unidos. A rede ABC pagou 400 mil dólares pelos direitos, mas imagens chegavam com atraso, já que as fitas de vídeo eram enviadas de Roma para Nova York por avião.

Com Adherma Ferreira da Silva já em declínio nas pistas, mas presente na delegação, a grande estrela do time brasileiro foi a seleção de basquete do técnico Kanela, campeã do mundo de 1959. Considerada por muitos o melhor time de basquete do Brasil de todos os tempos, a seleção era formada por Algodão, Amaury, Wlamir, Mosquito, Édson, Fernando, Jathyr, Rosa Branca, Sucar, Moyses, Waldemar e Waldyr.

Embalados pelo título do ano anterior, a equipe deu ao basquete brasileiro sua segunda medalha de bronze na história com uma bela campanha. Em oito jogos, venceu seis e perdeu apenas duas vezes. Na primeira fase, o time treinado por Kanela ganhou todos os seus jogos, inclusive da poderosa União Soviética (58 a 54).

No quadrangular final, no entanto, os soviéticos deram o troco com vitória apertada (64 a 62). O resultado deu à URSS a medalha de prata. O ouro ficou com os Estados Unidos, que derrotaram o Brasil por 90 a 63.

Já sem o brilho do bicampeonato, Adhemar não chegou às finais. Sua despedida das Olimpíadas, porém, foi marcante: ele foi ovacionado pela torcida italiana após a sua última tentativa na fase classificatória no salto triplo.

Na natação, o Brasil conquistou sua segunda medalha de bronze com Manoel dos Santos, na prova dos 100 metros livre. A medalha só não foi outra por causa de 0s2. O nadador paulista liderou durante boa parte da prova, mas foi ultrapassado pelo australiano John Devitt e pelo norte-americano Lance Larson na reta final.



- Duração: 10/10/1964 a 24/10/1964;
- Países Participantes: 93 (Estados Unidos, União Soviética, Japão, Alemanha, Itália, Hungria, Polônia, Austrália, Tchecoslováquia, Reino Unido, Bulgária, Finlândia, Nova Zelândia, Romênia, Holanda, Turquia, Suécia, Dinamarca, Iugoslávia, Bélgica, França, Canadá, Suíça, Bahamas, Etiópia, Índia, Coréia do Sul, Trinidad e Tobago, Tunísia, Argentina, Cuba, Filipinas, Paquistão, Irã, Brasil, Gana, Irlanda, México, Nigéria, Quênia, Uruguai, etc);
- Total de atletas: 5151 (masc: 4473; fem: 678);
- Total de modalidades: 21;
- Total de medalhas distribuídas: 504;
- País vencedor: Estados Unidos.


Fora da Europa, nenhum país sofreu tanto com a Segunda Guerra Mundial quanto o Japão, atingido por duas bombas nucleares norte-americanas. Depois de 19 anos da bomba de Hiroshima, os japoneses usaram as Olimpíadas para provar que estavam renascendo.

Em 1964, os Jogos foram disputados pela primeira vez no continente asiático. Tóquio já tinha sido eleita como sede olímpica de 1940, mas a capital japonesa desistiu em 1937, por causa do início da guerra contra a China. Em 1959, a cidade voltou vencer as eleições do COI, para os Jogos de 64.

Foram investidos US$ 3 bilhões na construção de complexos esportivos, na infra-estrutura e no sistema de transporte da cidade, na época com mais de 10 milhões de habitantes. Grande parte desse valor veio da ajuda dos Estados Unidos, ainda em dívida com os japoneses pelos danos causados durante a Guerra.

As mais importantes construções estavam o Estádio do Judô e o Estádio Olímpico, projetado no estilo dos tradicionais templos japoneses. O último ficou lotado na cerimônia de abertura: como símbolo do renascimento japonês, o último a carregar a tocha olímpica foi Yoshinori Sakai, de 19 anos, nascido em Hiroshima em 6 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica.

Tóquio-64 também marcou o renascimento olímpico dos EUA. Após duas derrotas no quadro geral de medalhas para a União Soviética, os norte-americanos não pouparam esforços e terminaram à frente dos soviéticos em medalhas de ouro (36 a 30). A URSS, porém, conquistou mais medalhas (96 a 90).

Nos Jogos Olímpicos do Tóquio-1964, o Brasil enviou uma delegação menor do que na Olimpíada anterior, mas com alguns nomes importantes do esporte nacional. O time de vôlei, 7º colocado, por exemplo, tinha Carlos Arthur Nuzman, que 31 anos depois assumiria a presidência do Comitê Olímpico Brasileiro.

No futebol, Vicente Feola, que foi campeão da Copa do Mundo de 1958, comandou uma seleção de amadores. No hipismo, Nelson Pessoa foi quinto colocado nos saltos - seu filho, Rodrigo Pessoa, conquistaria o título olímpico em 2004.

A única medalha veio com o time de Wlamir Marques e Amaury Passos no basquete. Agora bicampeões mundiais (venceram o Mundial em 59 e 63), seleção brasileira ficou com o bronze pela segunda seguida - 3ª na história das Olimpíadas.

A equipe brasileira, treinada por Kanela, era muito parecida com a que disputou Roma-60. O núcleo era formado por Amaury, Wlamir, Mosquito, Rosa Branca, Jathyr, Edson Bispo e Sucar, além dos novatos Ubiratan, Friedrich Wilhelm Braun, Victor Mirschawka, Sérgio Machado e Edvar Simões. O time fez uma boa campanha na competição, vencida pelos EUA, com seis vitórias e três derrotas. Na disputa pela medalha de bronze, o Brasil derrotou Porto Rico por 67 a 60.

No atletismo e na natação, modalidades em que os brasileiros mantinham regularidade na conquista de medalhas, passaram em branco. Aída dos Santos foi a única brasileira na Olimpíada de Tóquio e, sem treinador, terminou em quarto lugar no salto em altura, passando da marca de 1,74m.



- Duração: 12/10/1968 a 27/10/1968;
- Países Participantes: 112 (Estados Unidos, União Soviética, Japão, Hungria, Alemanha Oriental, França, Tchecoslováquia, Alemanha Ocidental, Austrália, Reino Unido, Polônia, Romênia, Itália, Quênia, México, Iugoslávia, Holanda, Bulgária, Irã, Suécia, Turquia, Dinamarca, Canadá, Finlândia, Etiópia, Noruega, Nova Zelândia, Tunísia, Paquistão, Venezuela, Cuba, Áustria, Suíça, Mongólia, Brasil, Bélgica, Coréia do Sul, Uganda, Camarões, Jamaica, Argentina, Formosa, Grécia, Índia, etc);
- Total de atletas: 5516 (masc: 4735; fem: 781);
- Total de modalidades: 20;
- Total de medalhas distribuídas: 527;
- País vencedor: Estados Unidos.


As Olimpíadas de 1968, na Cidade do México, apresentaram o mundo a dois tipos de doping. O primeiro, natural, resultado da altitude: disputados a 2.240 metros do nível do mar, com resistência do ar menor e 30% de oxigênio a menos, os Jogos tiveram 68 recordes mundiais e 301 recordes olímpicos quebrados.

O segundo, artificial. A Cidade do México viu, pela primeira vez, o controle antidoping em Olimpíadas. Somente um atleta foi eliminado por testar positivo a substâncias proibidas - o sueco Hans-Gunnar Liljenvall, do pentatlo moderno, por excesso de álcool.

Além disso, testes de comprovação de sexo para as provas femininas foram adotados, pelas suspeitas sobre as características físicas de algumas campeãs dos países do bloco socialista. Nenhuma mulher foi desclassificada, mas muitas atletas importantes não se inscreveram para os Jogos.

O evento teve alto grau de envolvimento político, já que o ano de 1968 foi um dos mais politizados da história. No país sede, pouco antes da abertura, 300 mil estudantes e professores entram em greve e, dez dias antes da festa de abertura, tropas do governo abrem fogo contra milhares de manifestantes na Praça das Três Culturas, matando centenas de jovens.

No resto do mundo, a China vive o início da Revolução Cultural. Na Tchecoslováquia, os sonhos de liberdade são esmagados por tanques soviéticos na "Primavera de Praga". Na França, o governo enfrenta manifestos estudantis e, nos Estados Unidos, são assassinados Robert Kennedy e o líder negro Martin Luther King.

O Brasil aproveitou os primeiros Jogos disputados na América Latina para conseguir seu melhor desempenho olímpico da década. No México, foram uma medalha de prata e duas de bronze.

No atletismo, o salto triplo novamente rendeu medalha ao Brasil. Depois do bicampeonato de Adhemar Ferreira da Silva, foi a vez de Nelson Prudêncio conquistar a prata. Ele saltou 17,27m, novo recorde mundial. Na última tentativa, quando o brasileiro já saboreava a vitória, o soviético Viktor Saneyev atrapalhou a festa verde-amarela e saltou 17,39m, conquistando o ouro.

No boxe, o paulista Servílio de Oliveira conquistou a primeira e única medalha da modalidade, bronze nos meio-médios, após perder as semifinais pelo mexicano Ricardo Delgado.

A terceiro medalha veio em uma modalidade que, no futuro, se tornaria a mais vitoriosa do país em Olimpíadas, a vela. Na classe Flying Dutchmann, Reinald Conrad e Burkhard Cordes ganharam o bronze.

O Brasil esteve próximo de outras duas medalhas. No basquete, a seleção masculina foi derrotada na disputa pela medalha de bronze pela União Soviética, por 70 a 53. Na natação, José Silvio Fiolo terminou a prova dos 100 metros peito a um décimo de segundo dos soviéticos Vladimir Kosinsky e Nikolai Pankin, medalhas de prata e bronze respectivamente.



- Duração: 26/08/1972 a 11/09/1972;
- Países participantes: 121 (União Soviética, Estados Unidos, Alemanha Oriental, Alemanha Ocidental, Japão, Austrália, Polônia, Hungria, Bulgária, Itália, Suécia, Reino Unido, Romênia, Cuba, Finlândia, Holanda, França, Tchecoslováquia, Quênia, Iugoslávia, Noruega, Coréia do Norte, Nova Zelândia, Uganda, Dinamarca, Suíça, Canadá, Irã, Bélgica, Grécia, Áustria, Colômbia, Argentina, Coréia do Sul, Líbano, México, Mongólia, Paquistão, Tunísia, Turquia, Brasil, Etiópia, Espanha, Gana, Índia, Jamaica, Níger, Nigéria, etc);
- Total de atletas: 7.134 (masc: 6.075, fem: 1.059);
- Número de modalidades: 23;
- Total de medalhas: 600;
- País vencedor: União Soviética.


A Olimpíada de Munique imaginava ficar na história por seu gigantismo, mas acabou ficando marcada pela matança de 18 pessoas, entre atletas israelenses, terroristas palestinos e policiais. Pela primeira vez, o maior evento esportivo do mundo foi paralisado. Cogitou-se suspender os Jogos, mas o COI decidiu manter a programação original.

O mundo se comoveu na manhã do dia 5 de setembro, quando um grupo de terroristas palestinos da organização Setembro Negro invadiu a Vila Olímpica de Munique e ingressou nos dormitórios da delegação israelense. Duas pessoas foram assassinadas imediatamente e outras nove foram feitas reféns do grupo. Os terroristas pediram a libertação de 200 árabes prisioneiros em Israel e ameaçaram executar dois reféns a cada hora.

As competições tiveram que ser suspensas, enquanto seguiam as negociações entre os palestinos e as autoridades alemãs. A Vila Olímpica foi cercada por 4000 policiais. Com a chegada da noite, a polícia convenceu o comando a seguir para o Cairo (Egito). Dois helicópt
eros partiram com os oito palestinos e os nove reféns em direção ao aeroporto militar. Na chegada ao aeroporto, a polícia lançou um ataque que resultou em verdadeiro fracasso: morreram 18 pessoas, entre elas os nove reféns, cinco terroristas palestinos, um policial e o piloto de um dos helicópteros.

O incidente paralisou os Jogos por 34 horas. Holanda e a Noruega abandonaram a competição, mas depois desistiram da idéia. Até o presidente do Comitê Organizador dos Jogos, o alemão Willi Daume, chegou a pedir o cancelamento definitivo do evento, mas o COI decidiu continuar a Olimpíada. Em homenagem aos mortos, foi realizada uma cerimônia no estádio de Munique. A competição prosseguiu, mas sem o mesmo brilho.

Os Jogos de 1972, no coração da Baviera, marcaram o início do gigantismo nas Olimpíadas. A Vila Olímpica tinha capacidade para 16 mil pessoas. O estádio, com 75 mil m², era uma inovadora obra de arquitetura, com seu teto suspenso de lona transparente.

O país vai com quase o mesmo número de atletas da edição anterior, 89 contra 84 na Cidade do México. Participando outra vez de 13 modalidades, os brasileiros conquistam duas medalhas de bronze. No atletismo, e mais uma vez no salto triplo, o Brasil chegou ao pódio com Nélson Prudêncio. Prata na Cidade do México-1968, Prudêncio saltou 17,05 metros em Munique, contra os 17,35 metros do vencedor, o soviético Viktor Saneyev. A prata ficou com o alemão-oriental Joerg Drehmel, que saltou 17,31 metros.

No judô, o Brasil ganhou seu segundo bronze com Chiaki Ishii, na categoria meio-pesado. O atleta também disputou a categoria absoluto, terminando na sétima colocação. O japonês naturalizado brasileiro é pai de Vânia Ishii, medalha de ouro no Pan de Winnipeg-1999 e prata em Santo Domingo-2003, na categoria meio-médio. Na vela, conseguiu bons resultados com dois quartos lugares: Reinald Conrad e Burkhard Cordes (na classe Fying Dutchmann), e Jan Willen Aten, Joerg Bruder e Peter Wolfgang Metzner (na classe Star).

Na natação, o país terminou em quarto lugar no revezamento 4 x 100 metros livres e no revezamento 4 x 400 metros livres, com José Roberto Diniz Aranha, Paulo Becskehazy, Paulo Zanetti e Ruy Tadeu de Oliveira. Nos esportes coletivos, os brasileiros não foram bem. Além do futebol eliminado na primeira fase, no basquete e no vôlei, as equipes masculinas terminaram em sétimo e oitavo lugares, respectivamente.



- Duração: 17/07/1976 a 01/08/1976;
- Países participantes: 92 (União Soviética, Alemanha Oriental, Estados Unidos, Alemanha Ocidental, Japão, Polônia, Bulgária, Cuba, Romênia, Hungria, Finlândia, Suécia, Reino Unido, Itália, França, Iugoslávia, Tchecoslováquia, Nova Zelândia, Coréia do Sul, Suíça, Coréia do Norte, Jamaica, Noruega, Dinamarca, México, Trinidad e Tobago, Canadá, Bélgica, Holanda, Espanha, Portugal, Austrália, Irã, Mongólia, Venezuela, Brasil, Áustria, Bermuda, Paquistão, Porto Rico, Tailândia, etc);
- Total de atletas: 6.084 (m: 4.824, f: 1.260);
- Total de modalidades: 21;
- Total de medalhas distribuídas: 613;
- País vencedor: União Soviética.


Com a experiência recente do atentado de Munique, o Comitê Olímpico Internacional indicou a cidade canadense de Montréal confiante no renascimento dos Jogos. Cerca de 16 mil soldados protegeram a competição, mas nenhuma ocorrência grave foi registrada.

Logo após a cerimônia de abertura, porém, a paz deixou de reinar. Liderados pela Tanzânia, 22 países africanos abandonaram os Jogos por discordarem da participação da Nova Zelândia, porque a seleção de rúgbi (esporte não-olímpico) tinha realizado uma turnê pela África do Sul, excluída do torneio devido ao apartheid. Iraque, Líbano e Guiana aderiram ao boicote.

O combate antidoping do COI entrou em nova fase. Os três medalhistas em cada prova foram submetidos ao controle, além de outros escolhidos por sorteio. Foram realizados 2 mil exames, que detectaram onze casos positivos, dos quais oito de levantadores de peso. No tiro esportivo, um atleta de Mônaco de 65 anos, Paulo Cerutti, foi desclassificado por tomar anfetaminas. A polonesa Danuta Rosani, do arremesso do disco, tornou-se a primeira mulher pega no atletismo.

Na soma das medalhas, pela primeira vez os Estados Unidos ficaram em terceiro lugar no quadro geral, atrás de União Soviética e Alemanha Oriental.

No Canadá, a delegação brasileira repetiu o desempenho de Munique-1972, conquistando duas medalhas de bronze. Com uma delegação de 81 atletas, dos quais apenas sete mulheres, os brasileiros participaram de 13 modalidades.

Seguindo a tradição do atletismo, o salto triplo foi o destaque do país. Depois dos feitos de Adhemar Ferreira da Silva e Nélson Prudêncio em edições anteriores dos Jogos, foi a vez de João do Pulo subir ao pódio para levar o bronze.

João do Paulo chegou a Montreal como recordista mundial da prova, com a marca de 17,89 m do Pan do México-75. O brasileiro liderou a fase eliminatória, mas não conseguiu passar dor 16,90 m e foi superado pelo soviético Viktor Saneyev, que faturou o ouro pela terceira vez consecutiva com 17,29 m. O saltador, que faleceu em 1999, participou ainda da Olimpíada seguinte, em Moscou-1980, onde foi bronze.

O segundo bronze do Brasil foi na vela, com a dupla Reinald Conrad e Peter Ficker na classe Flying Dutchman, que por 0s4 não levaram a prata. Para Conrad, foi o segundo pódio em Olimpíadas, já que no México-1968, ele também levou bronze ao lado de Bukhard Cordes. Além disso, Cláudio Biekarck obteve o quarto lugar na classe Finn.

O futebol por pouco não aumentou a lista de medalhas, com um quarto lugar. O time comandado por Cláudio Coutinho, que seria técnico na Copa do Mundo de 1978, contou com futuros destaques de Mundiais, como o goleiro Carlos, o zagueiro Edinho, o lateral Júnior e o volante Batista. A seleção perdeu para a Polônia na semifinal e, na disputa pelo bronze, voltou a perder, para a União Soviética.

Na natação, Djan Madruga também ficou com o quarto lugar nos 400 m e 1.500 m livres.



- Duração: 19/07/1980 a 03/08/1980;
- Países participantes: 80 (União Soviética, Alemanha Oriental, Bulgária, Cuba, Itália, Hungria, Romênia, França, Reino Unido, Polônia, Suécia, Finlândia, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Austrália, Dinamarca, Brasil, Etiópia, Suíça, Espanha, Áustria, Grécia, Bélgica, Índia, Zimbábue, Coréia do Norte, Mongólia Tanzânia, México, Holanda, Irlanda, Uganda, Venezuela, Jamaica, Guiana, Líbano, etc);
- Total de atletas: 5.217 (m: 4.0641, f: 1.115);
- Total de modalidades: 21;
- Total de medalhas distribuídas: 631;
- País vencedor: União Soviética.


A Olimpíada de Moscou tinha tudo para ser grandiosa. Desde 1974, quando a escolha foi anunciada, a capital russa preparou-se para apresentar ao mundo uma Olimpíada para a glória do regime comunista. Mas, no ano olímpico, as diferenças políticas levaram a um boicote majoritário, que transformou e esvaziou o torneio.

A invasão das forças soviéticas ao Afeganistão em dezembro de 1979 fez o presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, anunciar um boicote aos Jogos. No total, 61 países aderiram ao apelo dos EUA. Com isso competições aguardadas como basquete, atletismo e natação, perderam o brilho.

Somente 80 países – o menor número desde 1956 – estiveram presentes (apenas 5.179 atletas, 4.064 homens e 1.115 mulheres). Outros, como Reino Unido, França, Itália, Austrália, Suécia e Holanda preservaram o espírito olímpico com ressalvas. A bandeira olímpica foi o estandarte utilizado por 16 delegações. Na cerimônia das medalhas, alguns países também optaram pela bandeira e o hino do COI.

Para compensar, os gastos ultrapassaram US$ 9 bilhões. A cerimônia de abertura no estádio Lênin teve 102 mil espectadores, pirâmides humanas e a mascote que ficou famosa, o ursinho Misha. Sem seus principais adversários, a União Soviética dominou com folga o quadro de medalhas.

Com a maior delegação da história até então, 109 atletas, o Brasil foi favorecido por tantas ausências e teve o seu melhor desempenho em Olimpíadas desde sua estréia, em 1920, em Antuérpia. Com duas medalhas de ouro e duas de bronze, o país termina em 17° na colocaçao final no quadro geral de medalhas - a melhor posição em todos os tempos.

Após 24 anos, os brasileiros finalmente voltaram a ganhar o ouro olímpico. E pela primeira vez em dose dupla. Na vela, Alexandre Welter e Lars Bjorkstrom ficaram em primeiro lugar na classe Tornado e Marcos Pinto Rizzo Soares e Eduardo Penido venceram na classe 470.

No atletismo, o Brasil ganhou um bronze com João Carlos de Oliveira, o João do Pulo. O saltador, que já tinha levado o bronze em 1976, obteve a sexta medalha nacional no salto triplo. Em Moscou, João do Pulo chegou a atingir 17,40 metros em uma das tentativas, marca suficiente para levar o ouro mas, oficialmente, o índice foi 17,22 m.

Essa foi a última participação de João do Pulo em Olimpíadas. No ano seguinte, o atleta teve a perna direita amputada após um acidente automobilístico. Em maio de 1999, João do Pulo morreu de infecção generalizada.

Outra medalha de bronze conquistada pelo Brasil em Moscou-1980 saiu na natação, com a equipe do revezamento 4 x 200 metros livre. O quarteto, formado por Jorge Fernandes, Marcus Mattioli, Ciro Delgado e Djan Madruga, completou a prova em 7min30s10. Nas provas individuais, o melhor desempenho foi de Djan Madruga, quarto nos 400 metros livre.

No basquete masculino, o Brasil acabou favorecido pelo boicote dos países capitalistas. Mesmo eliminada no Pré-Olímpico, foi convidada a participar dos Jogos e terminou na quinta colocação. Entre as brasileiras (15 no total), o melhor desempenho foi do vôlei, que terminou em sétimo na classificação final.



- Duração: 28/07/1984 a 12/08/1984;
- Países participantes: 140 (Estados Unidos, Romênia, Alemanha Ocidental, China, Itália, Canadá, Japão, Nova Zelândia, Iugoslávia, Coréia do Sul, Reino Unido, França, Holanda, Austrália, Finlândia, Suécia, México, Marrocos, Brasil, Espanha, Bélgica, Áustria, Portugal, Quênia, Paquistão, Suíça, Dinamarca, Jamaica, Noruega, Grécia, Nigéria, Porto Rico, Colômbia, Costa do Marfim, Egito, Irlanda, Peru, Síria, Tailândia, Turquia, Venezuela, Argélia, Camarões, Formosa, Islândia, República Dominicana, Zâmbia, etc);
- Total de atletas: 6.829 (m: 5.263, f: 1.566);
- Total de modalidades: 23;
- Total de medalhas distribuídas: 688;
- País vencedor: Estados Unidos.


Depois da debandada de Moscou, foi a vez dos soviéticos revidarem o boicote dos Estados Unidos. Mas nem a ausência da União Soviética e seu bloco de aliados socialistas, como Cuba e a Alemanha Oriental, impediu que Los Angeles obtivesse um número recorde de países participantes: 140. Os Jogos também marcaram a volta da China à competição após 32 anos de ausência.

Os Estados Unidos receberam uma Olimpíada depois de 52 anos. Bem-organizados, os Jogos de Los Angeles mostraram um show de tecnologia. Na cerimônia de abertura, o ponto alto foi quando um homem voou sobre o estádio Coliseum com uma mochila a jato.

Sem os principais rivais, os norte-americanos lideraram a competição com 174 medalhas, mais do que o triplo da Romênia, segunda colocada com 53.

Pela primeira vez, uma edição dos Jogos foi financiada pela iniciativa privada. Tudo foi colocado à venda: desde o percurso de 19 mil quilômetros da tocha olímpica paté a piscina olímpica, construída pela rede de lanchonetes McDonald's.

Após o bom desempenho em Moscou, o Brasil enviou uma delegação ainda maior para Los Angeles. Com 166 atletas, sendo 145 homens e 21 mulheres, o país dobrou o número de medalhas conquistadas, com oito no total, um recorde até então: um ouro, cinco pratas e dois bronzes.

O brasiliense Joaquim Cruz foi o único vencedor do país e de quebra estabeleceu novo recorde olímpico nos 800 m rasos, com 1min43s00, que durou até Atlanta-1996. Outra vitória emocionante foi a da seleção masculina de vôlei consagrou sua “Geração de prata”, de William, Bernard, Montanaro e Xandó, que perdeu apenas para os anfitriões e levou a medalha de prata. No futebol, a seleção foi à final pela primeira vez e também foi vice-campeã.

Na natação, o então recordista mundial Ricardo Prado estabeleceu recorde sul-americano nos 400 m medley, e levou a medalha de prata, com 4min18s45. O Brasil manteve a tradição de pódios na vela e trouxe mais pratas, com Torben Grael e Daniel Adler, na classe Soling. Outro esporte que rendeu medalhas foi o judô, com a prata de Douglas Vieira na categoria meio-pesado e dois bronzes, de Walter Carmona (médio) e de Luís Onmura (leve).

Na primeira competição onde os profissionais puderam atuar (desde que não tivessem participado de Copas do Mundo), o Brasil foi derrotado pela França por 2 a 0. Com base no Internacional, o time teve Dunga, Mauro Galvão e o goleiro Gilmar. O técnico foi Jair Picerni.



- Duração: 17/09/1988 a 01/10/1988;
- Países participantes: 159 (União Soviética, Alemanha Oriental, Estados Unidos, Coréia do Sul, Alemanha Ocidental, Hungria, Bulgária, Romênia, França, Itália, China, Reino Unido, Quênia, Japão, Austrália, Iugoslávia, Tchecoslováquia, Nova Zelândia, Canadá, Polônia, Noruega, Holanda, Dinamarca, Brasil, Espanha, Finlândia, Turquia, Marrocos, Áustria, Portugal, Suriname, Suécia, Suíça, Jamaica, Argentina, Antilhas Holandesas, Chile, Costa Rica, Ilhas Virgens Norte Americanas, Indonésia, Irã, Peru, Senegal, Bélgica, México, Colômbia, Djibuti, Filipinas, Grécia, Mongólia, Paquistão, Tailândia, etc);
- Total de atletas: 8.391 (m: 6.197, f: 2.194);
- Total de modalidades: 25;
- Total de medalhas distribuídas: 739;
- País vencedor: União Soviética.


Depois de três edições tumultuadas, a grande maioria dos países filiados ao Comitê Olímpico Internacional (COI) voltou a participar dos Jogos em Seul. Após os boicotes de africanos em Montreal-1976, norte-americanos em Moscou-1980 e soviéticos em Los Angeles-1984, a Olimpíada enfim foi disputada pelas maiores potências do esporte, com exceção de Cuba.

A maior preocupação do COI em relação a Seul era a falta de apoio popular do governo sul-coreano e a constante hostilidade com a vizinha do norte. Sob pressão, os organizadores oficializaram um convite à Coréia do Norte, que preferiu não participar. Na cerimônia de abertura, o vencedor da maratona olímpica de 1936, em Berlim, Song Kee-chung, obrigado, na época, a competir sob a bandeira do Japão, levou a tocha olímpica.

Se a organização foi impecável, um escândalo de doping manchou a Olimpíada. O canadense Ben Johnson, vencedor dos 100 m rasos com 9s79, foi desclassificado três dias depois, após um exame apontar o uso de esteróides anabolizantes. A vitória foi para o norte-americano Carl Lewis, que fez a prova em 9s92.

O único ouro do Brasil veio no judô com Aurélio Miguel, que venceu cinco combates na categoria meio-pesado. No atletismo, o então recordista olímpico Joaquim Cruz não repetiu o feito de Los Angeles e, com 1min43s90, ficou com a prata. Já Róbson Caetano levou bronze nos 200 m, com o tempo de 20s4.

A segunda prata do Brasil veio com a seleção, que repetiu o resultado de quatro anos antes. Sob o comando de Carlos Alberto Silva, o time, que teve Taffarel, André Cruz, Mazinho, Jorginho, Neto, Bebeto, Ricardo Gomes e Valdo perdeu a final para a União Soviética por 2 a 1 na prorrogação. Romário foi o artilheiro do torneio.

Na vela, vieram mais dois bronzes, com Torben Grael e Nelson de Barros Falcão, na classe Star, e Lars Grael e Clinio Freitas, na Tornado.

No basquete, a equipe masculina liderada por Oscar Schmidt ficou na quinta colocação. Na fase classificatória, contra a Espanha, Oscar marcou 55 pontos, recorde olímpico de pontos em um jogo. No vôlei, o Brasil obteve um quarto lugar no masculino e um sexto, no feminino.



- Duração: 25/07/1992 a 09/08/1992;
- Países Participantes: 169 (CEI, Estados Unidos, Alemanha, China, Cuba, Espanha, Coréia do Sul, Hungria, França, Austrália, Canadá, Itália, Reino Unido, Romênia, Tchecoslováquia, Coréia do Norte, Japão, Bulgária, Polônia, Holanda, Quênia, Noruega, Turquia, Indonésia, Brasil, Grécia, Suécia, Nova Zelândia, Finlândia, Dinamarca, Marrocos, Irlanda, Etiópia, Argélia, Estônia, Lituânia, Suíça, Jamaica, Nigéria, Letônia, África do Sul, Áustria, Namíbia, Bélgica, Croácia, Irã, Participantes Independentes, Israel, Formosa, México, Peru, Eslovênia, Mongólia, Argentina, Bahamas, Colômbia, Filipinas, Gana, Malásia, Paquistão, Porto Rico, Qatar, Suriname, Tailândia, etc);
- Total de atletas: 9.356 (m: 6.652 f: 2.704);
- Total de modalidades: 28;
- Total de medalhas distribuídas: 815;
- País vencedor: CEI.


A cidade de Barcelona esperou quase 70 anos para poder abrigar os Jogos Olímpicos. Em 1924, as Olimpíadas tinham sido prometidas à cidade espanhola, porém o fundador Pierre de Fredy, o barão de Coubertin, acabou escolhendo Paris. Em 1936, três anos após a subida do nazismo ao poder na Alemanha, os Jogos iriam novamente para Barcelona, mas a Guerra Civil Espanhola postergou o evento mais uma vez.

Depois dos Jogos de Seul, em 1988, o mundo passou por grandes transformações na sua geopolítica. O apartheid foi banido da África do Sul, o que possibilitou o retorno do país aos Jogos. Alemanha se reunificou após a queda do muro de Berlim, em 1989. A União Soviética fragmentou-se em 15 novas repúblicas no ano da véspera da competição. Voltaram as Jogos a Estônia, Letônia e Lituânia, ausentes há mais de meio século dos Jogos por causa da ocupação soviética, também participaram.

As repúblicas da antiga União Soviética desfilaram em Barcelona sob o nome de Comunidade dos Estados Independentes (CEI), mas quando subiram ao pódio os atletas tiveram içadas as bandeiras de seus próprios países. A Albânia, livre da ditadura, voltou aos Jogos após 30 anos. Cuba, Coréia do Norte e Etiópia também encerraram seu boicote. A Iugoslávia, sancionada pelas Nações Unidas pela agressão militar à Croácia e à Bósnia, foi proibida de participar das competições por equipes, mas os atletas do país puderam competir como "atletas olímpicos independentes". A chama olímpica foi acesa com uma flecha lançada pelo arqueiro paraolímpico espanhol Antonio Rebollo.



- Duração: 19/07/1996 a 04/08/1996;
- Países participantes: 197 (Estados Unidos, Rússia, Alemanha, China, França, Itália, Austrália, Cuba, Ucrânia, Coréia do Sul, Polônia, Hungria, Espanha, Romênia, Holanda, Grécia, República Tcheca, Suíça, Dinamarca, Turquia, Canadá, Bulgária, Japão, Cazaquistão, Brasil, Nova Zelândia, África do Sul, Irlanda, Suécia, Noruega, Bélgica, Nigéria, Coréia do Norte, Argélia, Etiópia, Reino Unido, Belarus, Quênia, Jamaica, Finlândia, Indonésia, Iugoslávia, Eslováquia, Irã, Armênia, Croácia, Portugal, Tailândia, Burundi, Costa Rica, Equador, Hong Kong, Síria, Argentina, Eslovênia, Namíbia, Áustria, Malásia, Moldávia, Uzbequistão, Azerbaijão, Bahamas, Filipinas, Formosa, Letônia, Tonga, Zâmbia, Geórgia, Marrocos, Trinidad e Tobago, Índia, Israel, Lituânia, México, Moçambique, Mongólia, Porto Rico, Tunísia, Uganda, etc);
- Total de atletas: 10.318 (m: 6.806, f: 3.512);
- Total de modalidades: 26;
- Total de medalhas distribuídas: 842;
- País vencedor: Estados Unidos.


Os Jogos do Centenário das Olimpíadas deveriam ter sido realizados em Atenas, na Grécia. No entanto, acabaram cedidos a Atlanta, na Geórgia, pela pressão exercida pela Coca-Cola, que tem sede na cidade. Com a participação de mais de 10 mil atletas e 197 países, os Jogos deram novo passo ao gigantismo, mas os problemas de segurança deram brecha a um episódio que abalou a competição.

Na madrugada do dia 27 de julho, uma explosão no Parque Centenário, no centro da cidade, deixou dois mortos e mais de 100 feridos. O incidente gerou uma onda ainda maior de críticas aos Jogos, já que a presença de 35 mil soldados e o FBI não impediram o ato terrorista.

O presidente norte-americano Bill Clinton prometeu tomar todas as medidas necessárias para proteger os atletas. Umas três horas após a explosão, o Comitê Olímpico Internacional reagiu através de seu vice-presidente, o príncipe Alexandre de Merode, que garantiu a continuidade dos Jogos. No dia seguinte, as competições se realizaram normalmente, após um minuto de silêncio em cada uma das instalações. Outros problemas foram o calor intenso de Atlanta e o grande congestionamento.



- Duração: 15/09/2000 a 1º/10/2000;
- Países participantes: 199 (Estados Unidos, Rússia, China, Austrália, Alemanha, França, Itália, Holanda, Cuba, Reino Unido, Romênia, Coréia do Sul, Hungria, Polônia, Japão, Bulgária, Grécia, Suécia, Noruega, Etiópia, Ucrânia, Cazaquistão, Belarus, Canadá, Espanha, Turquia, Irã, República Tcheca, Quênia, Dinamarca, Finlândia, Áustria, Lituânia, Azerbaijão, Eslovênia, Suíça, Indonésia, Eslováquia, México, Argélia, Uzbequistão, Iugoslávia, Letônia, Bahamas, Nova Zelândia, Estônia, Tailândia, Croácia, Camarões, Colômbia, Moçambique, Brasil, Jamaica, Nigéria, África do Sul, Bélgica, Argentina, Formosa, Marrocos, Coréia do Norte, Arábia Saudita, Moldávia, Trinidad e Tobago, Irlanda, Uruguai, Vietnã, Geórgia, Costa Rica, Portugal, Armênia, Barbados, Chile, Índia, Islândia, Israel, Kuait, Macedônia, Qatar, Quirguistão, Sri Lanka, etc);
- Total de atletas: 10.651 (m: 6.582, f: 4.069);
- Total de modalidades: 28;
- Total de medalhas distribuídas: 927;
- País vencedor: Estados Unidos.


A escolha de Sydney como sede dos Jogos de 2000 foi uma grande surpresa. A favorita era Pequim, na China, que tinha vencido a primeira votação com mais da metade dos votos. No segundo turno, a vitória foi da cidade australiana por apenas dois votos de diferença.

A Olimpíada australiana pode ser considerada a Olimpíada dos números. Foram batidos os recordes de atletas participantes, países, mulheres, jornalistas, voluntários, esportes, provas, medalhas, direitos de TV e espectadores. Livre de boicote e atentados, o maior problema do evento foi o fuso horário, que prejudicou o maior público mundial, o Ocidente. Os EUA, por exemplo, não transmitiram nenhuma prova ao vivo, muito também pela decisão da NBC, que detinha os direitos de divulgação.

O grande momento na cerimônia de abertura foi o desfile das delegações das duas Coréias, unidas sob uma mesma bandeira, e os atletas do Timor Leste, nação recém-desligada da Indonésia, que desfilaram sob a bandeira olímpica.

Nos Jogos de Sydney, os organizadores tiveram um cuidado especial com o meio ambiente. Pela primeira vez, grupos ecológicos como o Greenpeace acompanharam a organização. A baía de Homebush, conhecida como o maior esgoto da Austrália, sofreu uma transformação espetacular, convertendo-se em um parque natural. A Vila Olímpica também recebeu energia solar.



- Duração: 13/08/2004 a 29/08/2004;
- Países participantes: 201 (Estados Unidos, China, Rússia, Austrália, Japão, Alemanha, França, Itália, Coréia do Sul, Reino Unido, Cuba, Ucrânia, Hungria, Romênia, Grécia, Brasil, Noruega, Holanda, Suécia, Espanha, Canadá, Turquia, Polônia, Nova Zelândia, Tailândia, Belarus, Áustria, Etiópia, Eslováquia, Irã, Taiwan, Geórgia, Bulgária, Jamaica, Uzbequistão, Marrocos, Dinamarca, Argentina, Chile, Cazaquistão, Quênia, República Tcheca, África do Sul, Croácia, Lituânia, Egito, Suíça, Indonésia, Zimbábue, Azerbaijão, Bélgica, Bahamas, Israel, Camarões, Emirados Árabes Unidos, República Dominicana, Coréia do Norte, Letônia, México, Portugal, Finlândia, Sérvia e Montenegro, Eslovênia, Estônia, Hong Kong, Índia, Paraguai, Nigéria, Venezuela, Colômbia, Eritréia, Mongólia, Síria, Trinidad e Tobago, etc);
- Total de atletas: 10.625 (m: 6.296, f: 4.329);
- Total de modalidades: 35;
- Total de medalhas distribuídas: 931;
- País vencedor: Estados Unidos.


Desacreditada e ameaçada pelo Comitê Olímpico Internacional de ter seu direito de sede dos Jogos cassado, Atenas calou os críticos ao conseguir passar os 16 dias sem qualquer incidente na organização. A segurança assustava grande parte das delegações, já que os Jogos de 2004 foram os primeiros após os atentados de 11/09/2001 (em Nova York) e 11/03/2004 (em Madri).

Os problemas de atrasos nas entregas das praças olímpicas foram esquecidos na cerimônia de abertura, que remeteu à Antigüidade e explorou ao máximo o fato de os gregos terem criado a Olimpíada. O único revés ocorreu no último dia de competição, durante a maratona, para tristeza dos torcedores brasileiros. À frente na disputa masculina, Vanderlei Cordeiro foi alvo do ataque de um manifestante religioso, o padre irlandês Cornélius Horan, que furou a segurança. Com ajuda de outro espectador da prova, Vanderlei conseguiu voltar à corrida, mas demorou para retomar seu ritmo e ficou com o bronze. O maratonista recebeu também a medalha do Barão de Cobertin, e tornou-se o herói olímpico de Atenas.

O doping também chamou a atenção nos gregos. Logo antes das Olimpíadas, na véspera do dia 13 de agosto, Costas Kenteris e Ekaterina Thanou, duas estrelas do atletismo local, faltaram aos exames antidoping obrigatórios e depois sofreram um misterioso acidente de moto. Ambos não competiram e decepcionaram os fãs. No total, Atenas-2004 registrou 24 casos positivos. Para o Comitê Olímpico, resultado da rígida política de controle. O próprio presidente do COI, Jacques Rogge, já alertava que a edição grega bateria o recorde de registros.



- Duração: 08/08/2008 a 24/08/2008;
- Países participantes: 204 (China, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Coréia do Sul, Japão, Itália, França, Ucrânia, Holanda, Jamaica, Espanha, Quênia, Belarus, Romênia, Etiópia, Canadá, Polônia, Hungria, Noruega, Brasil, República Tcheca, Eslováquia, Nova Zelândia, Geórgia, Cuba, Cazaquistão, Dinamarca, Mongólia, Tailândia, Coréia do Norte, Argentina, Suíça, México, Turquia, Zimbábue, Azerbaijão, Uzbequistão, Eslovênia, Bulgária, Indonésia, Finlândia, Letônia, Bélgica, Estônia, Portugal, República Dominicana, Índia, Irã, Bahrein, Camarões, Panamá, Tunísia, Suécia, Croácia, Lituânia, Grécia, Trinidad e Tobago, Nigéria, Áustria, Irlanda, Sérvia, Argélia, Bahamas, Colômbia, Marrocos, Quirguistão, Tadjiquistão, África do Sul, Chile, Cingapura, Equador, Islândia, Malásia, Sudão, Vietnã, Armênia, Taiwan, Afeganistão, Egito, Israel, Maurício, Moldova, Togo, Venezuela, Paraguai, Paquistão, Peru, Porto Rico, etc);
- Total de atletas: 11.028 (m: , f: );
- Total de modalidades: 28;
- Total de medalhas distribuídas: 953;
- País vencedor: China.


Como os eventos do hipismo ocorreram em Hong Kong, essa foi a terceira vez na história que os Jogos foram realizados por dois Comitês Olímpicos Nacionais (CON). Em 1956, as competições de hipismo ocorreram em Estocolmo, na Suécia, enquanto que os outros eventos ocorreram em Melbourne, na Austrália. Anteriormente, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1920, disputados na Antuérpia, as últimas duas regatas da classe 12 pés da vela foram realizadas nos Países Baixos. Os Jogos de 2008 foram consagrados a Pequim pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 13 de julho de 2001. O logotipo oficial dos Jogos, intitulado Dancing Beijing, traz uma caligrafia estilizada do caracter chinês jīng (京, capital), referindo-se à cidade sede. Novos Comitês Olímpicos Nacionais foram reconhecidos pelo COI e compuseram um número recorde de nações participantes.

O governo chinês não mediu esforços para tentar realizar os maiores Jogos Olímpicos da história e investiu bastante na infra-estrutura que acercou o evento, mais de US$ 42 bilhões. Um total de 37 locais foram usados para abrigar as competições, sendo doze deles inteiramente construídos especialmente para o evento. Durante a cerimônia de encerramento, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, declarou que foram "Jogos verdadeiramente excepcionais", após mais cedo afirmar que não tinha "absolutamente nenhuma lamentação" sobre a escolha de Pequim em sediar os Jogos.

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