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08/07/2009

História das cores








O chumbo foi o material mais utilizado para fazer a cor branca, desde os tempos do antigo Egito. Mas é extremamente danoso quando absorvido pelo organismo. Há registros de deformação e morte de pessoas que empregavam o composto como maquiagem. O leite foi usado como substituto na composição da cor.



Vem do carvão vegetal. Entre os ingredientes, fuligem, galhos de pessegueiro, videira e a seiva de pau-campeche, era comercializado por piratas das ilhas caribenhas. Outra alternativa era misturar todas as cores até obter o preto, um processo considerado caro na Antiguidade.



A produção de pigmentos artificiais de azul tem sido um desafio constante na história da humanidade: pela dificuldade de encontrá-lo, o azul foi em momentos diversos considerado uma cor destinada a temas nobres. Vermelho, preto e branco dominaram quase todas as representações artísticas até o início da Idade Média devido à facilidade com que as tintas podiam ser fabricadas, em comparação com a dificuldade de obter pigmento azul. É certo, no entanto, que os egípcios conheciam um pigmento dessa cor há mais de 5 mil anos, mas ele era misturado ao pigmento de uma pedra semipreciosa, o lápis-lazúli. Foi a dificuldade para chegar ao tom que fez com que os romanos durante a Antigüidade o associassem aos bárbaros - até ter os olhos azuis era sinônimo de barbárie.

No começo da Idade Média, o vermelho era a cor da nobreza, enquanto o azul era dos servos. Os tecidos eram tingidos de azul com o pigmento extraído de uma planta chamada Ísatis, ou pastel-de-tintureiro. Para conseguir a tinta, era necessário deixar a planta fermentando em urina humana. Com o tempo, perceberam que o álcool acelerava o processo - por isso, tintureiros ingeriam bebidas alcoólicas com a desculpa de que a urina já sairia rica em álcool. A expressão em alemão blau werden, literalmente traduzida como "ficar azul", significa na Alemanha "ficar bêbado".

No século VI, a técnica para obtenção do pigmento chamado azul-ultramar, feita com o lápis-lazúli, ganhou a Europa - a pedra, no entanto, chegou a custar mais que o ouro. A descoberta do caminho marítimo para as Índias, no fim do século XV, levou para a Europa o pigmento conhecido como índigo indiano, obtido com uma planta oriental. A utilização foi proibida – uma tentativa de preservar o tom produzido na região com a ísatis – e dava até pena de morte.

O pigmento azul-da-prússia foi descoberto na Alemanha, numa experiência sobre oxidação do ferro em 1704. Custava um décimo do preço da tinta feita a partir do lápis-lazúli e fez sucesso entre os pintores da época. De lá para cá, a indústria química evoluiu e possibilitou a obtenção de centenas de pigmentos mais baratos. Isso foi um fator crucial para o surgimento no século XIX, do impressionismo de artistas como Monet, que davam grande valor à cor. Mas, como muitos pigmentos desse período não possuíam uma boa resistência, vários quadros da época sofreram uma prematura descoloração.



Feito de grãos de areia que apresentam diferentes tonalidades em torno do amarelo-torrado, vermelho e marrom. As reservas de maior qualidade estão concentradas na Turquia, no sul da França e nas colinas rurais da Austrália, onde já foi um valioso material utilizado em cerimônias religiosas aborígenes, servindo inclusive como moeda de troca, base do sistema financeiro das tribos.



Responsável por um verde cintilante, o arsênio foi a primeira substância usada para decorar casas do período vitoriano. Por ser tóxico, há vários casos de mortes "sem causa" registradas na época. Demorou para que os médicos descobrissem o motivo das intoxicações. Em 1800, passou a ser consumido um verde-esmeralda, também chamado de verde-paris, mas feito de arsenito de cobre, o que agravou ainda mais a reputação do verde como a cor maldita.



Um dos mais notórios ingredientes no século XVII foi o "osso negro", retirado de múmias egípcias. No processo de embalsamento eram usados dois minerais, a goetita e a hermatita, que geravam um tom acastanhado irreproduzível. A versão de marrom "siena" e sua respectiva variação torrada "burnt sienna" vieram da areia da cidade italiana de mesmo nome. Renascentistas europeus usavam um pigmento marrom derivado de uma mistura de terra com restos de múmias egípcias. O interesse por uma cor obtida de cadáveres não era anormal. O motivo eram duas resinas utilizadas no processo de embalsamento, consideradas as principais fontes de um resplandente tom acastanhado, em voga de 1800 até a década de 1920.



Originário de cinco grandes fontes: da manga (nativa da Índia), do gamboge (fruta encontrada no Camboja que secreta uma resina que fica amarela em contato com a água), da pedra preciosa de sulfeto de arsênio chamada ouro-pigmento, do ocre e do açafrão (colhido a partir do polén de uma minúscula flor de crócus). Reza a lenda que Cleópatra espalhava açafrão sobre a pele - o que gerava um amarelo-dourado - para seduzir os imperadores Marco Antônio e Julio César. O açafrão é pouco usado por artistas contemporâneos, que limitam seu uso a pequenos detalhes, por ser muito caro. Antigamente, no entanto, o amarelo-açafrão foi utilizado como símbolo de superioridade social por diferentes civilizações. Os egípcios usavam-no para tingir faixas de linho nas mumificações, enquanto fenícios o destacavam no véu das noivas.



Mais uma substância tóxica usada desde sempre pela humanidade, que, ainda que em doses mínimas, provoca envenenamento. É o cádmio, obtido como subproduto do processamento de minérios de zinco, cobre e chumbo.
Há o registro de uma árvore nativa da península Ibérica que expele uma seiva que, em contato com o sol, se transforma em uma cor laranja-avermelhada. Já o verniz era usado pelo italiano Antonio Stradivarius para polir seus violinos, considerados os melhores instrumentos de corda já fabricados. Era um laranja-sangue feito a partir de uma seiva vermelha proveniente do dragoeiro, uma árvore exótica nativa das ilhas Canárias e da Madeira e de Marrocos. Aficionados relatam que o verniz não só embeleza os violinos como também melhora a música que eles produzem. Para valorizar sua comercialização, a origem desse laranja, batizado "sangue-de-dragão" - uma alusão ao animal que guardava o jardim das ninfas Hespérides, da mitologia grega - foi guardada a sete chaves.



Quando os espanhóis descobriram a América, levaram para a Europa muitos itens raros e exóticos, entre eles um corante que produzia uma rica tonalidade de vermelho. Era feito dos corpos secos e esmagados de um tipo de besouro originário do México. Os criadores da receita foram os astecas, que a usavam originalmente para tingir tecidos.



Entre as primeiras civilizações da humanidade, os tecidos mais caros eram batizados de "púrpura" - nome dado, na época, ao vermelho intenso. O motivo de tamanho valor era a dificuldade de extrair da natureza o pigmento para tingi-lo. Especula-se que, por volta de 200 a.C., meio quilo de tecido tingido de roxo custava o equivalente a 35 mil dólares.
Romanos, egípcios e persas são exemplos de povos que reservaram tons de lilás para uso exclusivo da família imperial e funcionários do reino. Em tempos passados, eles extraíam o vermelho de conchas de moluscos colhidos no extremo leste do mar Mediterrâneo. Mas a matança desenfreada de caracóis fez com que a América Central detivesse o monopólio até 1856, ano em que o químico inglês William Perkin tornou a cor púrpura disponível para as massas. Ele estava em casa, buscando a cura da malária, quando observou que um respingo de anilina apresentava uma "estranha e bela" cor malva. Descobriu ainda a fonte de quase todos os tons azuis esverdeados.



A cor índigo, que significa "da Índia", é feita por esmagamento das folhas da planta índigo. Urina humana era usada como fermento, mas com um adento: navios da Inglaterra chegaram a se equipar com vasos sanitários para captar o tão "valioso" material requisitado pela indústria de tingimento.



A cor-de-rosa está culturalmente relacionada ao elemento feminino. A razão desta simbologia provém, da antiguidade, atribuída à cor rosada dos lábios carnudos, seios e partes íntimas (ver simbologia da rosa) de uma mulher no ideal clássico.

Um comentário:

  1. http://ubirajarando.blogspot.com24 de setembro de 2009 03:53

    Gostei bastante do seu trabalho sobre às cores. São informações preciosas, não muito comum. Realmente não deixa de ser uma importante contribuição à cultura e, mesmo à História que deve está agradecendo pelo esforço deste blogs em mostrar de modo bem objetivo.

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