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05/09/2008

História de Nações



Originalmente habitado por ameríndios (aproximadamente cinco milhões), o território que hoje pertence ao Brasil, além do restante da América do Sul, já estava dividido entre duas potências européias, Portugal e Castela antes mesmo de seu descobrimento oficial. O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, foi um importante acordo para a definição da futura fronteira do Brasil, que dividia o continente de norte a sul, desde o atual estado do Pará até a cidade de Laguna (Santa Catarina), sendo muito alterada posteriormente, com a expansão portuguesa para o oeste.

A colonização jamais realizou os propósitos da empresa mercantil que impulsionou as navegações. Montada especificamente para a troca, ela operava sempre na pressuposição da existência de produção local, nas áreas com que mantinha a troca. O problema da colonização apresenta, assim, grandes dificuldades, uma vez que a estrutura econômica portuguesa não estava preparada para enfrentá-lo. A exploração da América devia aparecer, no quadro do tempo, como uma empresa extraordinariamente difícil, em primeiro lugar tinha que atrair pessoas para povoar o continente americano. Nesse sentido, os obstáculos foram tão importantes que durante o século XVI parecem ter-se refletido no controvertido problema dos degredados: tornar o Brasil destino destes parece ter sido uma das formas de vencer as naturais resistências à transplantação para uma terra que não oferecia tão poucas perspectivas. Também havia como obstáculo, penosas condições de trabalho na colônia ao lado das fraquíssimas possibilidades de enriquecimento, mas poderia ser vencido por uma retribuição alta do trabalho, no caso de se deslocarem trabalhadores assalariados.

Oficialmente, o descobridor foi Pedro Álvares Cabral, tendo avistado terra em 21 de abril e chegado à atual Porto Seguro (Bahia) em 22 de Abril de 1500. A ocupação efetiva se deu a partir de 1532, com a fundação de vila de São Vicente, por Martim Afonso de Sousa, donatário de duas capitanias, mas apenas a de São Vicente prosperara, e mesmo assim, menos que a capitania da Nova Lusitânia (Pernambuco). Todas as demais capitanias não prosperaram.

Insatisfeito, Dom João III decidiu criar um governo central para corrigir os problemas sem abolir as capitanias. Foi enviado Tomé de Sousa como primeiro governador-geral, que em 29 de março de 1549 fundou a cidade de Salvador como capital do Brasil.

Ao longo do século XVI, foi-se ensaiando a escravidão, inicialmente a dos indígenas (que não aceitaram a escravidão e foram massacrados aos milhares pelos portugueses), e a partir das últimas décadas a do africano, pois já havia muitos escravos negros em Portugal. Datam desse século as primeiras tentativas de exploração do interior.

O início da colonização portuguesa no território brasileiro foi a primeira invasão estrangeira da história do país, então denominado pelos nativos tupis como Pindorama, que significa "Terra das Palmeiras". A resposta imediata foi de longos embates, entre eles a Guerra dos Bárbaros.

Houve ainda disputas com os franceses, que tentavam se implantar na América pela pirataria e pelo comércio do Pau-Brasil, chegando a criar uma guerra luso-francesa. Tudo isso culminou com a expulsão dos franceses trazidos por Nicolas Durand de Villegagnon, que haviam construído Forte Coligny no Rio de Janeiro, estabelecendo-se em definitivo a hegemonia portuguesa.

O século XVII vê um grande desenvolvimento da agricultura, que usa a mão-de-obra escrava de Negros africanos, com culturas de tabaco e especialmente da cana-de-açúcar na Bahia, Pernambuco, e mais tardiamente no Rio de Janeiro. As expedições chamadas de Entradas e Bandeiras dos paulistas descobriram o ouro, pedras preciosas em Minas Gerais e ervas no sertão. As colônias nordestinas foram ocupadas pelos holandeses em 1624 e entre 1630 e 1654, principalmente sob o comando de Maurício de Nassau, sendo enfim expulsos na batalha de Guararapes. Nessa época foi fundado o Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi, guerreiro, que congregava milhares de negros fugidos dos engenhos de cana do Nordeste brasileiro e alguns índios e brancos pobres ou indesejáveis. Este "submundo" foi finalmente destruído, não sem uma resistência heróica e violenta, por bandeirantes portugueses comandados por Domingos Jorge Velho, tendo seu líder sido morto e decapitado (segundo a tradição não-oficial, Zumbi teria conseguido escapar).

No século XVIII, ainda que a produção do açúcar não tenha perdido sua importância, as atenções da Coroa se concentravam na região das Minas Gerais onde se tinha descoberto o ouro. Os portugueses apoderaram-se de toneladas de ouro brasileiro neste processo. Este, entretanto, esgota-se antes do fim do século.

Desde o início da colonização portuguesa o Brasil foi palco de revoltas, da resistência das nações indígenas à luta coletiva dos africanos escravizados por meio da organização dos quilombos, representada principalmente pelo Quilombo dos Palmares, que lidou com os ataques da metrópole desde sua fundação, em 1580, até seu fim, com o assassinato de Zumbi.

No final do século XVII, a insatisfação dos colonos acarreta no surgimento dos primeiros movimentos contra a Coroa Portuguesa. Parte dessas rebeliões foi gerada por insatisfação econômica, como foi o caso da Revolta de Beckman, a Guerra dos Mascates e a Guerra dos Emboabas, conflito entre 1707 e 1709 que colocou em oposição os bandeirantes paulistas e todos os demais exploradores, denominados por aqueles de "emboabas", quanto à posse das Minas Gerais. Porém, dois movimentos ficaram marcados por terem a intenção de proclamar a independência: a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana.

A Inconfidência Mineira foi um movimento que partiu da elite de Minas Gerais. Com a decadência da mineração na segunda metade do século XVIII, tornou-se difícil pagar os impostos exigidos pela Coroa Portuguesa. Além do mais, o governo português pretendia promulgar a derrama, um imposto que exigia que toda a população, inclusive quem não fosse minerador, contribuísse com a arrecadação de 20% do valor do ouro retirado. Os colonos se revoltaram e passaram a conspirar contra Portugal.

Em Vila Rica (atual Ouro Preto), participavam do grupo, entre outros, os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, o padre Rolim, o cônego Luís Vieira da Silva, o minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto e alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado Tiradentes. A conspiração pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar um país livre. A forma de governo escolhida foi o estabelecimento de uma República, inspirados pelas idéias iluministas da França e da recente independência norte-americana. Traídos por Joaquim Silvério dos Reis, que delatou os inconfidentes para o governo, os líderes do movimento foram detidos e enviados para o Rio de Janeiro, onde responderam pelo crime de inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram condenados. Em 21 de abril de 1792, Tiradentes, de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte por enforcamento. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. O corpo foi esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais. Era o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de questionar o poder de Portugal.

A Conjuração Baiana foi um movimento que partiu da camada humilde da sociedade da Bahia, com grande participação de negros, mulatos e alfaiates, por isso também é conhecida como Revolta dos Alfaiates. Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo igualitário (onde as pessoas fossem promovidas de acordo com a capacidade e merecimento individuais), além da instalação de uma República na Bahia. Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os. Tal como na Conjuração Mineira, interrogados, acabaram delatando os demais envolvidos. Centenas de pessoas foram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos e pessoas de todas as classes sociais. Destas, 49 foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a sua participação, buscando demonstrar inocência. Mais de 30 foram presos e processados. Quatro participantes foram condenados à forca e os restos de seus corpos foram espalhados pela Bahia para assustar a população.

Em novembro de 1807, as tropas de Napoleão Bonaparte obrigam a coroa portuguesa a procurar abrigo no Brasil. Dom João VI chega ao Rio de Janeiro em 1808, abandonando Portugal após uma aliança defensiva feita com a Inglaterra (que deu proteção aos navios portugueses no caminho). No mesmo ano os portos brasileiros são abertos às nações amigas, configurando, de fato, um fim à condição de colônia. Com o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves governado a partir do Rio de Janeiro, o Brasil passa a ser a única colônia do mundo a se tornar, momentaneamente, metrópole.

Isso irritou setores da sociedade portuguesa da época, e culminou na Revolução liberal do Porto, que eclode em 1820. Os liberais exigiam o regresso de Dom João VI para Portugal e a volta do Brasil à condição de colônia. Em 1821, Dom João VI retorna para Portugal e deixa seu filho, Pedro, como regente. Embora rei, D. João perde, com a Revolução, a condição de monarca absolutista, possuindo um poder simbólico. D. Pedro é convocado pelos liberais a voltar para Portugal, o que iria deixar o Brasil novamente na condição de colônia. Ele rejeita retornar (Dia do Fico) e passa uma lei na qual qualquer decisão tomada a partir de Lisboa que afetasse todo o Reino Unido deveria ser por ele ratificada a fim de valer no Brasil. Uma vez que Portugal já era então uma metrópole fraca e decadente, não mais poderiam impedir a independência do Brasil. Finalmente, a 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I declara a Independência do Brasil, às margens do Rio Ipiranga.

Após a independência de Portugal em 7 de setembro de 1822, que resultou no fim do "Brasil Colônia" (1500-1822), o Brasil torna-se uma monarquia constitucional, período denominado "Brasil Império" (1822-1889). D. Pedro I retorna a Portugal para assegurar que sua filha assumisse o trono português. Após um período regencial, D. Pedro II, aos catorze anos de idade, é coroado o segundo imperador do Brasil. A economia, que teve como base principal a agricultura – tornando-se o café o principal produto exportador do Brasil durante o reinado de Pedro II –, apresentou uma expansão de 900%. Nesse período, foi construída uma ampla rede ferroviária, (o Brasil foi o segundo país latino-americano a implantar este tipo de transporte e, durante a Guerra do Paraguai, foi possuidor da quarta maior marinha de guerra do mundo). A mão-de-obra escrava, por pressão interna de oligarquias paulistas, mineiras e fluminenses, manteve-se vigente até o ano de 1888, quando caiu na ilegalidade pela Lei Áurea. Entretanto, havia-se encetado um gradual processo de decadência em 1850, ano do fim do tráfico negreiro, por pressão da Inglaterra, além de que o Imperador era contra a escravidão.

A partir de 1870, assistiu-se ao crescimento dos movimentos republicanos no Brasil. A falta de mão-de-obra em conseqüência da libertação dos escravos foi solucionada com a atração de centenas de milhares de imigrantes, em sua maioria italianos e portugueses. Em 1889, um golpe militar tirou o cargo de Primeiro Ministro do Visconde de Ouro Preto, e, por incentivo de republicanos como Benjamin Constant Botelho Magalhães, o Marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República e enviou ao exílio a Família Imperial. Diversos fatores contribuíram para a queda da Monarquia, dentre os quais: a insatisfação da elite agrária com a abolição da escravatura, o descontentamento dos cafeicultores do Oeste Paulista e dos militares, que almejavam mais poder, e as interferências do Imperador em assuntos da Igreja. Não houve nenhuma participação popular na proclamação da República. O povo brasileiro apoiava o Imperador e, para poupar conflitos, não houve violência e a Família Imperial pôde exilar-se na Europa em segurança.

Dom Pedro II foi deposto em 15 de novembro de 1889 por um golpe militar liderado pelo republicano Deodoro da Fonseca, que se tornou o primeiro presidente de facto do país, através de ascensão militar. O país tornou-se a República dos Estados Unidos do Brasil. Entre 1889 e 1930, os Estados dominantes de São Paulo e Minas Gerais alternaram o controle da Presidência, período conhecido com República do café-com-leite. Sendo a política externa deste período caracterizada pelo isolacionismo, confirmado pela modesta participação do país na Primeira Guerra Mundial, ao lado dos aliados.
Após uma década marcada por movimentos militares e turbulência política que prenunciaram a decadência do modelo de poder deste primeiro período repúblicano; uma junta militar assumiu o controle em 1930, tendo Getúlio Vargas tomado posse pouco depois e permanecido como governante ditatorial por quinze anos (até 1945), período no qual o Brasil participou da Segunda Guerra Mundial, novamente do lado aliado. Com a volta da normalidade democrática em 1945, Vargas consegue ainda ser reeleito em 1950 e permaneceu no cargo até seu suicídio em 1954. Após 1930, os sucessivos governos continuaram com o crescimento industrial e agrícola do país e com o desenvolvimento do vasto interior brasileiro. O mandato de Juscelino Kubitschek (1956-1961) foi marcado pela campanha política cujo lema era "50 anos em 5" e foi um dos que mais rapidamente desenvolveram a indústria nacional.

Os militares assumiram o controle do Brasil em um golpe de Estado em 1964 e permaneceram no poder até março de 1985, quando caíram graças a lutas políticas entre o regime e as elites brasileiras. Em 1967 o nome do país foi alterado para República Federativa do Brasil. A democracia foi re-estabelecida em 1988, quando a atual Constituição Federal foi promulgada. Fernando Collor de Mello foi verdadeiramente o primeiro presidente eleito pelo voto popular após o regime militar. Collor tomou posse em março de 1990. Em setembro de 1992, o Congresso Nacional votou a favor do impeachment de Collor, após uma seqüência de escândalos, descobertos pela mídia. O vice-presidente, Itamar Franco, assumiu a Presidência da República. Assistido pelo Ministério da Fazenda da época, Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco implementou o Plano Real, pacote econômico que incluía uma nova moeda indexada temporariamente ao dólar, o real. Nas eleições realizadas em 3 de outubro de 1994, Fernando Henrique Cardoso tomou posse da Presidência, sendo reeleito em 1998.



A história da Etiópia está documentada como uma das mais antigas do mundo. Segundo descobertas recentes, a espécie Homo sapiens seria originária dessa região e daí se teria espalhado pelo mundo.

Junto com os países vizinhos de Eritréia, Sudão, Djibouti, Somália e Somalilândia, esta região hospedou também o reino de Axum. A origem de Axum, por sua vez, remonta ao reino de Sabá (ou Shebah), no Iêmen, referido na Bíblia, que, por volta do ano 1000 a.C., se estendia, aparentemente, por todo o Corno de África e por parte da Península Arábica.

Desde aproximadamente o século IV a.C. os gregos chamavam de "Etiópia" a todos os países com população de raça negra, sem distinguir reinos nem países. Portanto, a Etiópia, segundo os gregos poderia ser a Núbia do sul de Egito e Sudão, ou poderia ser o reino de Axum, que se concentrava nos arrededores da Eritréia e ao norte da própria Etiópia, mas não há certeza histórica sobre isso.

Fontes gregas referem que o reino de Axum era extremamente rico no século I e a cidade de Adulis (que fica no país vizinho da Eritréia) é frequentemente mencionada como um dos mais importantes portos de África. Documentos oficiais, contudo, colocam a cidade de Aksum como a capital onde se encontrava a corte da Rainha de Sabá. Esse reino tinha, no século II, direito de receber tributos de estados da Península Arábica e tinha inclusivamente conquistado o reino meroítico de Kush, no actual Sudão.

Há indicações do carácter cosmopolita desse reino, com populações judaicas, núbias, cristãs e mesmo minorias budistas.

No século X, o reino de Axum escassamente tinha acesso ao mar, sendo isolado pelas forças árabes islâmicas. Os árabes chamavam o país empobrecido e desintegrado de "Al-Habashat", que significa povo mestiçado (entre negros e árabes), e é por esse nome que a Etiópia ainda é chamada na língua árabe. "Habesh" ou "Habesha" é uma palavra usada com freqüência mesmo na Etiópia, para distinguir as pessoas cristãs do norte do país.

Esse termo deu origem ao uso do nome Abissínia pelos europeus. Abissínia era uma região no norte da Etiópia moderna que era unida por uma cultura, uma família lingüistica, uma religião (cristianismo ortodoxo) e uma raça mestiçada que consistia de vários reinos rivais, unidos e divididos por diferentes períodos da história. Isolados do mar, os reinos da Abissínia começaram a sua expansão para sul, colonizando o interior da região inteira, enquanto os povos do litoral estavam sob a influência dos povos islâmicos.

O país moderno da Etiópia foi criado no final do século XIX pela rápida expansão territorial promovida pelos reis de Abissínia, com o apoio militar das potências coloniais européias. Esse apoio, principalmente de Portugal, foi decisivo desde o século XVI para evitar a invasão muçulmana da região.

A Inglaterra utilizou os reinos de Abissínia como fonte de mercenários contra as forças muçulmanos na região, enquanto a França construía um caminho de ferro desde sua colônia portuária no Djibouti até a capital de Abissínia, Adis Abeba, para penetrar o mercado do interior do continente. Nenhuma das potências coloniais da Europa, além da Itália, tentou colonizar o país, pois, à época, era uma das regiões mais pobres e menos atrativas para colonizar, por sua topografia de difícil acesso, que não favorecia a construção de infraestruturas modernas. A Itália, sendo um dos últimos países a entrar na era do colonialismo, ficou com o que ainda estava disponível para ser colonizado. A Itália tentou invadir a Abissínia desde a Eritréia em 1896 mas não conseguiu. No início do século XX, a Abissínia foi reconhecida como o reino independente da Etiópia e foi convidada para a Conferência de Berlim, na qual as potências coloniais decidiram a partilha da África.

A seguir à Primeira Guerra Mundial, a Abissínia, na forma de Império Etíope e governada pelo imperador Hailé Selassié, integrou a Liga das Nações, e apenas perdeu a sua independência entre 1936 e 1941, quando o exército de Benito Mussolini invadiu–a dando início a segunda guerra ítalo-etíope. A Itália possuía duas pequenas colónias no Corno de África, a Eritreia e a Somalilândia, e tinha vontade de se tornar um império, aliando-se à Alemanha Nazi – mas o negus recuperou-a, com auxílio da Grã-Bretanha (onde se tinha refugiado) e da África do Sul e começou a modernizar o país. Apesar de a Etiópia nunca ter sido colonizada pelo expansionismo europeu, ela mesma foi, na sua época de ouro, colonialista e expansionista, pois colonizou grandes territórios na região no final do século XIX, que nunca haviam pertencido nem desejaram pertencer à Etiópia e que estão ainda lutando pela sua independência.

Entre 1987 e 1991 o estado etíope foi uma república comunista com o nome de República Democrática Popular da Etiópia.

Em 1961 começava a luta pela independência da Eritréia (ocupada pela Etiópia). Em 1963 Etiópia participou na fundação da Organização da Unidade Africana, que colocou a sua sede em Adis Abeba. Em 1974, o imperador foi deposto num golpe militar, liderado por Mengistu Haile Mariam, mas o governo despótico que se seguiu, de carácter marxista e dirigido por um comando militar, o Derg, não conseguiu, nem desenvolver, nem estabilizar politicamente o país e em 1991, este governo foi deposto por um movimento de guerrilha duma minoria étnica do norte do país, FLPT (Frente pela Liberação do Povo de Tigray) ou popularmente chamado "Weyane". Os FLPT apenas representam 5% do povo da Etiópia mas foram comandados por um meio-eritreu, Meles Zenawi e apoiados pelos independentistas eritreus do FLPE, Frente pela Liberação do Povo Eritreu.

Como Presidente interino e Primeiro Ministro, cargo que ocupa até hoje, Zenawi consentiu, sob pressão dos eritreus, com a independência da Eritréia da Etiópia em 1993, pondo momentaneamente fim a cerca de 30 anos de guerra. Uma Assembleia Constitutiva foi construida pelo FLPT em 1994, no ano seguinte, foi proclamada a República Federal Democrática da Etiópia. Os resultados das eleições gerais desse ano foram rejeitados por todos os observadores internacionais por violações graves dos direitos humanos e democráticos, mas mesmo assim Meles Zenawi proclamou-se Primeiro Ministro.

Em 1997 a Eritreia introduziu a sua própria moeda corrente, a Nakfa, separando a sua economia da Birr etíope. O conflito de fronteiras começou em Maio de 1998 com o assassinato de oficiais eritreus na aldeia de Badme por militares etíopes que ocupavam a zona. A Eritreia retomou a zona e a Etiópia declarou a guerra pouco depois, iniciando uma guerra aberta por cinco frentes ao longo da toda a fronteira e com bombardeamentos aéreos sobre a capital da Eritréia. Eritréia respondeu e a guerra continuou até o dia 17 de Maio (o dia das eleições na Etiópia) quando o governo etiope lançou uma grande ofensiva ocupando um quarto do território eritreu e refugiando um terço do povo, plantando minas nas terras mais férteis da Eritréia e causando o equivalente a 850 milhões de dólares de destruição à infraestrutura da Eritréia.

Meles Zenawi proclamou que ganhara as eleições da Etiópia, e tinha proibido desta vez a presença de observadores internacionais. A guerra terminou com mais de 100 000 mortos em 2000 depois da intervenção da ONU pondo uma zona desmilitarizada de 25 km ao longo do lado eritreu da fronteira com 4500 capacetes azuis da ONU. Em Abril de 2002, o Tribunal Internacional de Justiça na Haia acabou com o trabalho de delinear a fronteira entre os dois países, pondo a aldeia disputada de Badme na Eritréia e obrigando a Etiópia a compensar a Eritréia pela destruição que causou durante a sua invasão.



Os primeiros habitantes das Fiji chegaram do Sudeste Asiático muito tempo antes de as ilhas serem descobertas por exploradores europeus. As ilhas Vanua Levu e Viti Levu, as principais do arquipélago de Fiji, foram descobertas em 1643 pelo navegador holandês Abel Tasman. As outras ilhotas que compõem o arquipélago foram descobertas no século seguinte pelo explorador inglês James Cook. Os europeus só estabeleceram o primeiro posto de colonização em 1804

As ilhas ficaram sob controlo do Reino Unido em 1874, com o estatuto de colónia. Em 1970 foi dada independência ao país. O governo democrático foi interrompido por dois golpes militares em 1987, provocados por uma percepção por parte das restantes comunidades de que o governo era dominado pela comunidade indo-fijiana (indiana). Em virtude desses golpes militares Fiji é expulsa da Comunidade Britânica.

Uma constituição proclamada em 1990 garantiu o controlo do país pela população fijiana, mas deu origem a grande emigração de indianos. A perda de população levou a dificuldades económicas, mas garantiu que os melanésios se tornassem maioritários no país. Em 1992 ocorrem eleições que são vencidas pelo Partido Político Fijiano.

Uma revisão realizada em 1997 tornou a constituição das Fiji mais equitativa. Realizaram-se eleições livres e pacíficas em 1999, que resultaram num governo liderado por um indo-fijiano. Um ano mais tarde, o governo foi deposto por um golpe de estado liderado por George Speight, um nacionalista fijiano de linha dura. A democracia foi restaurada em finais de 2000 e Laisenia Qarase, que liderara um governo interino desde o golpe, foi eleito primeiro-ministro.



Muitos historiadores acreditam que as Filipinas foram colonizadas no Paleolítico, quando um povo asiático atravessou por meio de pontes de madeira o caminho que leva à região. Descobertas mais recentes parecem indicar que as ilhas podem ter sido habitadas desde a era pleitocênica.

A primeira grande corrente migratória chegou a essa região através do sul. Acredita-se que esses imigrantes eram de origem indonésio-caucasiana, possuindo um grau de civilização mais adiantado que as tribos nativas. Posteriormente ocorreram mais duas grandes correntes migratórias. Cada nova corrente sucessivamente impediu os habitantes originais a procurarem terra ao norte.

A corrente migratória seguinte, cujo apogeu foi no século XIV, veio do reino madjapahit e trouxe consigo a religião muçulmana.

Fernão de Magalhães, um navegador português a serviço do Rei de Espanha, descobriu as ilhas no século XVI, introduzindo-as ao cristianismo. Os primeiros povoados permanentes ocidentais na ilha de Cebu apareceram com a expedição de Miguel López de Legazpi em 1565. Mais tarde os espanhóis estabeleceriam a era da colonização que duraria três séculos. Foram os espanhóis que fizeram de Manila a capital da colónia (desde 1571).

O herói nacional das Filipinas, o lingüista, escritor, artista, médico e cientista Dr. José Rizal iniciou um movimento de reforma. Ao mesmo tempo, uma sociedade secreta chamada Katipunan, chefiada por Andrés Bonifácio, começou a revolução, dando aos espanhóis a desculpa que precisavam executar o Dr. Rizal, que se encontrava em exílio em Dapitan, Mindanao (sul do país). Ele foi trazido a Manila para julgamento e condenado à morte, embora não se tenha prova de sua participação na revolta.

Sua morte, porém, estimulou ainda mais essa revolução, levando o General Emílio Aguinaldo a declarar no dia 12 de Junho de 1898 a independência do país e proclamar a primeira República das Filipinas.

Naquele mesmo ano, os Estados Unidos adquiriram as Filipinas através do Tratado de Paris, levando o país a ser dominado por 48 anos. Após uma guerra por sua independência que durou cerca de três anos, houve outra pelo mesmo motivo que durou cerca de quatro anos.

Contudo, as Filipinas lutaram junto à bandeira americana contra o Japão na Segunda Guerra Mundial. A heróica batalha de Bataan ajudou a impedir o avanço das tropas japonesas em direção à Austrália. Após um breve período como um protetorado americano, os Estados Unidos tentaram mudar em 1946 o dia da independência das Filipinas para 4 de julho, dia da independência das Estados Unidos. Os americanos quiseram que os filipinos acreditassem que os Estados Unidos deram a independência filipina, mas a história não mudou; as Filipinas já obtiveram sua independência antes de os americanos chegaram no país e tiveram sua versão de independência com a força.



Se for uma informação verdadeira, o mais antigo sítio arqueológico na Finlândia seria o Wolf Cave em Kristinestad, Österbotten. Há escavações em curso e se essa medida apresenta estimativas seguramente verdadeiras, seria o único pré-glacial (Neandertal) sítio encontrado nos Países nórdicos e em cerca de 130.000 anos.

Os primeiros vestígios do homem moderno são conhecidos a partir de 8.500 a.C.e são pós-glacial. As pessoas primeiramente agiam conforme o sistema Caçador-colector. Seus itens são conhecidos como cultura Suomusjärvi e cultura Kunda.

Por volta de 5.300 a.C.a cerâmica apareceu na Finlândia. Os primeiros representantes disto pertencem ao, em inglês, Comb Ceramic culture. Suas decorações destacam-se por padrões distintos. Esse conjunto de estudos acredita que marca o início da era neolítica na Finlândia, embora a subsistência ainda era baseada na caça e na pesca. Extensas redes de intercâmbio existiram em toda a Europa durante a Finlândia e o Norte da Europa durante 5 milênios a.C.

A Idade do Bronze começou algum tempo após 1.500 a.C. As regiões costeiras da Finlândia foram uma parte da cultura Nórdica na Época do Bronze.

A questão das linhas do tempo referente à evolução e disseminação das línguas contemporâneas nessa região é controversa e novas teorias desafiadoras são introduzidas continuamente.

No momento, a presunção sobre a disseminação mais ampla diz que a Finlândia-Úgrica (ou Urálica) foi a primeira língua falada na Finlândia e que as áreas adjacentes foram durante o Comb Ceramic period, por volta do mais tardar de 4.000 a.C. Pensa-se que a língua filandesa pode ter começado a criar diferenças durante a Idade do Ferro, a contar do primeiro século d.C em frente.

As primeiras descobertas de ferro importado e lâminas de ferro e locais de trabalho aparecem em 500 a.C.

À cerca de 50 d.C, existem indicadores de intenso comércio de longa distância na litoral filandesa. Os habitantes trocavam seus produtos, principalmente peles, armas e ornamentos com os baltos e escandinavos, e também com os povos ao longo das rotas comerciais do oriente.

No início da Idade do Ferro, os finaldadeses apareceram pela primeira vez em um documento escrito quando Tacitus menciona Fenni na sua Germânia. No entanto, isso não possui clareza suficiente para comprovar que tem relação com a população finaldesa da época. O primeiro documento escandinavo que cita algo como tera dos filandeses são duas pedras, datadas, supostamente, por volta do décimo primeiro século.

A Idade do Ferro na Finlândia termina por volta de 1.150 d.C.

Durante os séculos IX e X, a cultura Viking, com o comércio, prosperou na Suécia, a qual iniciou a conquista de novas terras. A invasão dirigiu-se em primeiro lugar para oriente, na direção da Finlândia, dos Estados Bálticos, Rússia e Mar Negro.

Em 1389, os três estados escandinavos (Noruega, Suécia e Dinamarca) estavam unidos sob um único, formando a União de Kalmar, através de uma união pessoal, pela rainha Margarida I.

A União de Kalmar finalmente dissolveu-se em 1523, e Gustavo Vasa tornou-se rei da Suécia. Durante seu reinado, introduziu o protestantismo. Em 1550, o rei fundou a cidade de Helsinque, sob o nome de Helsingfors, que, por mais que dois séculos, não passou de um pequeno vilarejo de pescadores. Seguindo a política de Reforma, em 1551, Mikael Agricola, bispo de Turku, publicou sua tradução do novo testamento para a língua finlandesa.

Com a morte do rei Gustavo Vasa, em 1560, sua coroa passou para seus três filhos em perídos distintos. O rei Érico Vasa começou uma era de expansionismo, quando a coroa sueca tomou a cidade de Tallinn, na Estônia, em 1561. A guerra da Livônia foi o começo de uma era de guerras que perdurou por 160 anos. Na primeira fase, a Suécia lutou pela liderança da Estônia e da Letônia contra Dinamarca, Polónia e Rússia. O povo da Finlândia sofreu por causa de altos impostos e abusos por parte dos militares. Isso resultou na revolta das clavas de 1596, uma revolta de camponeses, que foi reprimida violentamente. Um tratado de paz com a Rússia, o tratado de Teusina, assinado em 1595, moveu as fronteiras finlandesas para leste e norte.

Uma fato notável na história finlandesa, durante o século XVI, foi o incentivo da coroa sueca à agricultura nas vastas regiões centrais da Finlândia. Isso foi feito, e uma parte do povo lapão foi expulsa. Algumas das regiões exploradas eram tradicionalmente territórios de pesca e caça dos povos carelianos, resultando, durante a década de 1580, em algumas regiões, num conflito entre colonos finlandeses e carelianos.

Entre 1611 e 1632, a Suécia. governada pelo rei Gustavo Adolfo, sofreu reformas militares que tornaram as pequenas milícias de camponeses num grande exército. A Suécia conquistou a Livônia e alguns territórios foram tomados da Rússia no tratado de Stolbovo. Em 1630, exércitos suecos-finlandeses tomaram parte na guerra dos Trinta Anos, entre protestantes e católicos, na Alemanha. A cavalaria leve finlandesa, conhecida como Hakkapeliitat teve um papel importante nesse conflito.

Entre 1637 e 1640 e entre 1648 e 1654, o conde Per Brahe foi o governante geral da Finlândia. Muitas reformas importantes foram realizadas, e muitas cidades foram fundadas. Sua administração foi considerada um período benéfico ao desenvolvimento da Finlândia. Em 1640, a primeira universidade finlandesa, a Universidade de Turku, foi fundada, proposta pelo conde Per Brahe e realizada pela rainha Cristina da Suécia. Em 1642, a Bíblia foi completamente traduzida para a língua finlandesa.

A partir da paz de Vestfália, em 1648, a Suécia passou a ser incluída entre as grandes potências européias, como o Império Sueco. As altas taxações, guerras e o clima frio fizeram a era imperial da Suécia ser uma época ruim para os camponeses finlandeses. Entre 1655 e 1660, lutaram-se as guerras do norte, levando soldados finlandeses para batalhas na Livônia, Polônia e Dinamarca.

Entre 1638 e 1654, onde hoje estão os estados americanos de Delaware e Pensilvânia, a Suécia teve colônias, onde pelo menos metade dos imigrantes eram finlandeses. Em 1676, a Suécia se transformou em uma monarquia absolutista.

Do ponto de vista religioso, o século XVII foi marcado por intensa ortodoxia luterana, havendo o fenômeno da caça às bruxas. Na regiões da Finlândia central e oriental, grandes quantidades de alcatrão eram produzidas para exportação, pois as nações européias precisavam desse material para a manutenção de suas marinhas. Devido ao surgimento de sentimentos de pré-capitalismo, a caça às bruxas nessas regiões se intensificou. Entre 1697 e 1699, mais de 30% da população finlandesa morreu por falta de alimentos, causada pelo clima.

Durante Grande Guerra do Norte, entre 1700 e 1721, a Finlândia foi ocupada por forças russas, e a região sul, incluíndo a cidade de Viborgue, foi anexada à Rússia, após o tratado de Uusikaupunki. Após esse incidente, a Suécia deixou de ser incluída entre as grandes potências. A monarquia absolutista foi abolida, e a dieta da Suécia passou a governar o país. O poder ficou dividido entre dois grandes partidos: Mösspartiet e Hattpartiet. Enquanto o Mösspartiet defendia relações pacíficas com a Rússia, o povo finlandês apoiava o Hattpartiet.

A sociedade era dividida em quatro castas ou grupos sociais: camponeses (livres de impostos), clérigos, nobres e burgueses. A Finlândia possuía menos de 470 mil habitantes (de acordo com os registros da Igreja Luterana; os católicos ortodoxos habitantes da Carélia do Norte não foram incluídos), dos quais aproximadamente 90% eram compostos de camponeses.

O Grão-Ducado da Finlândia se formou após ser assinado o tratado de Hamina, com a vitória do Império Russo na Guerra Finlandesa. O czar, como um monarca constitucional, governava a Finlândia sob o título de grão-duque. O grão-ducado teve duas capitais: Turku, até 1812, e Helsinque, a partir de 1812 (é a atual capital da Finlândia).

A Finlândia começou seu processo de independência com a deposição do czar por forças mencheviques. Após essa primeira revolução, ocorrida na Rússia, começaram a acontecer nos dois países - Finlândia e Rússia - conflitos entre as forças de direita e de esquerda. Com a revolução bolchevique na Rússia, e com o reconhecimento da independência da Finlândia por parte de Lênin, o conflito pelo controle do país se tornou uma luta armada entre os vermelhos, social-democratas apoiados pela recém-formada União Soviética, e os brancos, de direita, apoiados pelo Império Alemão. Esse conflito ficou conhecido como guerra civil finlandesa. Os brancos venceram a guerra, e a Finlândia foi anexada ao território alemão. A Finlândia teve verdadeiramente sua independência apenas após a derrota do Império Alemão na Primeira Guerra Mundial.

Com a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, formou-se a República da Finlândia e Kaarlo Juho Ståhlberg foi eleito como seu primeiro presidente, em 1919.

A recém-formada república enfrentou uma disputa pela soberania do arquipélago de Åland, que havia maioria de falantes de sueco. Como a Finlândia não queria ceder o domínios sobre as ilhas, ofereceu a elas o status de território autônomo. Como os cidadãos das ilhas eram contra essa proposta, a disputa foi levada à Liga das Nações, que decidiu que as ilhas deveriam ser tornadas províncias autônomas, dentro da Finlândia, grantindo aos cidadãos o direito de manter a língua sueca, bem como sua própria cultura e suas tradições. Ao mesmo tempo, um tratado internacional definiu Åland como um território neutro, proíbindo a instalação de forças e bases militares na região.

Após a guerra civil, muitos acidentes de fronteira ocorreram entre Finlândia e URSS. As relações com os soviéticos só melhoraram após a assinatura do tratado de Tartu, em 1920.

Surgiu, em 1929, o movimento de Lapua, de inspirações nacionalistas e conservadoras remanescentes da guerra civil, que ganhou apoio entre os finlandeses anticomunistas. Após uma tentativa fracassada de golpe de estado, ocorida em 1932, na chamada rebelião de Mäntsälä, o movimento foi banido e seus líderes presos.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo da União Soviética exigiu a entrega de bases militares e territórios finlandeses, em 29 de Setembro de 1939. Como o governo da Finlândia se opôs às exigências soviéticas, a guerra entre os países era iminente.

Ocorreu um suposto incidente, no qual o governo soviético alegou que tropas finlandesas dispararam tiros de canhão contra tropas soviéticas, matando alguns soldados. Após esse suposto incidente, o governo soviético exigiu a retirada de tropas até uma distância de 25 km da frente. A resposta finlandesa, que só retiraria suas tropas se os soviéticos fizessem o mesmo, era acompanhada por uma análise, de que os tiros teriam sido disparados do próprio território soviético.

Na manhã de 30 de Novembro de 1939 é anunciado o início das hostilidades entre os países. Até Janeiro de 1940, a guerra ficou marcada por investidas soviéticas repelidas pelo exército finlandês, mais fraco e menor que o soviético. No dia 11 de Fevereiro de 1940, a Finlândia foi afligida por ataques mais pesados, e a frente finlandesa foi finalmente derrubada.

Sabendo que as forças finlandesas não poderiam suportar os ataques por mais tempo, o presidente do conselho de defesa finlandês, Mannerheim, ordena a retirada imediata das tropas finlandesas da Linha de Mannerheim. Com a retirada finlandesa, e com a proximidade do degelo, quando os lagos e pantanos derreteriam impossibilitando a passagem de tanques e suprimentos, as forças soviéticas partem para uma ofensiva mais veloz.

Em 7 de Março de 1940, duas divisões soviéticas chegaram à margem setentrional da baía de Vyborg. Concentraram a sua artilharia nesse setor e desencadearam bombardeios. Dois dias depois, conseguiram abrir caminho entre Vyborg e Helsinque. No istmo da Carélia, uma enorme investida soviética rompeu as linhas finlandesas, abrindo uma brecha de 20 km de extensão a leste de Vyborg. Lutando com o que restava de suas forças, os finlandeses recuaram. Em 3 de Março, seis divisões russas atacam Vyborg, combatendo os sobreviventes de apenas três regimentos finlandeses, que foram finalmente derrotados.



A ocupação humana na Estônia remete-se há 11000 anos atrás, data da primeira colônia, a colônia de Pulli. Ainda existem muitas dúvidas sobre de qual etnia era esse povo. Sabe-se no entanto que na Estônia se estabeleceram os primeiros povos sedentários da Europa, atravessaram o golfo da Finlândia, quando este estava a degelar-se e, portanto, os estonianos fazem parte do grupo dos povos fínicos.

Foram achados equipamentos de pesca e caça, pertencentes a uma comunidade sedentária, datada de 6500a.C. Na Idade do Bronze e do Ferro, observou-se a consolidação do sedentarismo, com um grande crescimento cultural e econômico, com a transição para o cultivo de alimentos, típico de povos sedentários.

Com o crescimento da população em anos seguintes, surgiram os problemas de território com outros povos, como as tribos Bálticas do sul e as guerras contra a Escandinávia. Com isso, as tribos estonianas desenvolveram técnicas de navegação nada inferiores às suecas ou norueguesas, e até chegaram a conquistar, com seus piratas, a vila sueca de Sigtuna, em 1187.

A Estônia foi um dos últimos lugares da Europa Medieval a ser cristianizado. Em 1193, o Papa Celestino III organizou uma cruzada contra os pagãos do extremo norte das terras alemãs, partindo de Riga. Com a ajuda dos recém-cristãos livonianos e letões, a cruzada marchou rumo às terras da atual Estônia em 1208.

As tribos estonianas resistiram bravamente, e até saquearam, algumas vezes, os acampamentos dos guerreiros de Riga, até que em 1217, a ordem cristã dos Livônios e seus recentes aliados venceram uma grande batalha, que matou o líder dos estonianos, Lembitu. A resistência durou até 1227, quando os livônios estabeleceram a Confederação da Livônia, que compreendia as atuais Letônia e Estônia.

Tal período de 1208-1227 é conhecido como as Cruzadas Estonianas.

Em 1219, liderados pelo Rei Valdemar II, os dinamarqueses conquistaram o norte da Estônia, ganhando a batalha de Lyndanisse(Tallin), ao mando do Papa.

Em 1227, quando a ordem cristã dos Livonianos finalmente derrotou a útlima tribo estoniana, o território foi divido entre o Bispado de Ösel-Wiek, o Bispado de Dorpat e a Ordem Livoniana, salvaguardando o Arcebispado de Riga.

Em 1248, Tallinn adotou um governo baseado na lei de Lübeck e no final do século XIII aderiu a Liga Hanseática, começando assim a perda do domínio dinamarquês na região. Depois, diversos tratados foram feitos com os russos e os lituanos, e a força militar na região da Lyndanisse cresceu aumentando o poder dos vassalos da região, na sua maioria germânicos da região da Vestfália. Mas o poder dos estonianos da região também aumentou de forma que o Rei da Dinamarca aceitou tê-los como seus vassalos.

Quando a província estava dividida entre os vassalos pró-Dinamarca e vassalos pró-Livonianos, os estonianos armaram uma grande rebelião em 1343, chamada de Revolta da Noite de São Jorge. Eles renunciaram o cristianismo imposto á eles, e mataram todos os habitantes com descendência germânica (em torno de 1800) e dominaram os territórios. Depois de 2 anos de rebeliões e guerra entre a Ordem Teutônica, dinamarqueses e os estonianos, a insurgência foi controlada com a morte do último "rei" em Ösel em 1346. Logo após, os territórios do norte foram vendidos à Ordem Teutônica por 10000 marcos.


O enfraquecimento da Ordem Teutônica, devido principalmente à batalha de Grunwald contra os poloneses e os lituanos em 1410, prejudicou o domínio que a Igreja Católica tinha na região. Após uma tentativa frustrada de invasão moscovita em 1481, numa época de conquistas do principado de Moscou, os estonianos aderiram ao protestantismo durante a época da Reforma e se alinharam ao então Reino da Suécia, que também tinha aderido ao luteranismo em 1523.

Tal período foi marcado por um fortalecimento de Moscou, com a conquista das repúblicas de Novgorod e Pskov, e a subjugação dos Tártaro-Mongóis, que dominavam a região desde o século XIII. Os russos foram dominados por uma sede de imperialismo com o reinado de Ivan III e depois ainda mais com o reinado de Ivan, o Terrível, que buscou aumentar ainda mais os domínios do império e a região da Livônia era estratégica nas visões russas, por separar o terrítório russo e o Leste Europeu.

Em contrapartida, os Poloneses e os Lituanos fizeram uma aliança militar centrada na Polônia e dominava livremente esse território. Ao norte, a Finlândia já vivia sobre leis suecas desde o século XIV, enquanto a mesma vivia em leve tensão com a Dinamarca, devido à secessão da União Escandinava. Sendo assim, os russos queriam tomar a Livônia para si, mas tinham os dinamarqueses, os suecos e a união polonesa-lituana para desmantelar.

Como "terra de seus ancestrais", Moscou requereu o sudeste da Estônia como sendo seu por direito, mas a Livônia buscou ajuda do Império Sacro-Romano, que estava ocupado com uma guerra no ocidente, considerado mais importante pelo Rei Carlos V. Então, em 1558, os russos invadiram o bispado de Dorpat e avançaram, pilhando cidades e oprimindo qualquer intenção de resistência dos líderes locais. O avanço militar russo não foi bem visto pelos dinamarqueses, suecos e pelos poloneses.

Então, em 1559, os dinamarqueses mandaram tropas em favor da Livônia, comprando as terras do oeste do Bispado de Ösel-Wiek e avançando. Com esse avanço, os suecos, que tentavam manter uma relação amigável com os russos, mandaram tropas à Tallinn, que por interesses comerciais aceitou a ajuda e permitiu o domínio sueco na região, em 1561. No mesmo ano, os poloneses, ainda católicos, incorporaram o Arcebispado de Riga e a Ordem Livoniana à seus territórios. Era o fim da Livônia e o início da Guerra Nórdica dos Sete Anos (1563-1570). Nela, os dinamarqueses perderam as terras do oeste para a Suécia e forçaram os russos à abdicarem das terras conquistadas na Livônia e, então se contentaram com as fronteiras que tinham antes da Guerra.

Após a Guerra Nórdica dos Sete Anos, a Estônia estava dividida em três reinos: Os Suecos ao norte e nordeste, os Dinamarqueses nas Ilhas de Ösel e a União Polonesa-Lituana no Sul, incluindo a Letônia. Mas os reinos da Suécia e da Polônia tinham complicadas relações, devido à monarquia protestante na Suécia e os católicos na Polônia. No começo do século XVII, eles entraram em guerra aberta e os suecos dominaram a região de Tartu em 1625 e, após o Tratado de Åltmark em 1629, obtiveram domínio legal na região. Após a guerra com a Dinamarca (1643-1645), os dinamarqueses cederam a região de Ösel aos suecos, fazendo com que eles tivessem domínio de uma região parecida com a atual Estônia.

A região do norte se incorporou voluntariamente ao Reino Sueco, diferentemente da parte da Livônia, que foi ocupada e os nobres livonianos, subjugados em seus poderes. O Rei Gustavus II Adolphus, deu alguns direitos aos nobres, até estabelecer um governo central, baseado nas leis suecas.

Durante esse período a Estônia passou por um período de prosperidade, com Tallinn e Narva sendo importantes entrepostos comerciais, negociando com países como Rússia, Finlândia, Holanda, Inglaterra e Espanha. Também, na area do comércio, as relações entre Narva e as cidades russas de Novgorod, Moscou e Pskov, se estreitaram e a cidade ganhou importância, até ser transformada em capital pelos suecos na metade do século XVII.

Preocupados em passar os ensinamentos religiosos ao povo, o clero sueco resolveu abrir escolas nas vilas estonianas, que seriam ministradas pelos padres das vilas. Em algumas cidades, até alguns mestres foram empregados, mais ainda quando uma mudança nas leis, sob o reinado de Carlos XI, instituiu o pagamento dos mestres nas escolas. Durante um curto período de 4 anos, um seminário em Tallinn, treinou cerca de 160 professores para as escolas estonianas, tornando grande parte do povo capaz de ler alguns textos religiosos, fato memorável para a época.

Uma universidade foi aberta, ainda na época do Rei Gustavus II Adolphus, em Tartu, que posteriormente após as invasões russas foi transferida a Tallinn e depois em Pärnu em 1699. A Academia Gustaviana, como ficou conhecida, tinha estrutura parecida com a de academias européias, principalmente as germânicas. Inicialmente, os estudantes eram na maioria de Finlandeses e Suecos, porque a maioria dos nobres bálticos iam estudar nos impérios germânicos, mas em virtude da Guerra dos 30 anos, eles tiveram que abdicar de ir lá e começaram a frequentar a Academia na Estônia. A visita de mestres germânicos na academia em Tallinn, na década de 1630, teve forte influência na elite estoniana e nas primeiras publicações, como o primeiro jornal nacional em 1670.

Depois de uma exaustiva guerra contra o Príncipe de Brandemburgo, durante o reinado de Carlos XI, a Suécia decidiu fazer uma reforma, a Grande Redução, na qual a maioria das terras sob posse privada teriam de passar a posse da coroa sueca. Isso provocou a insatisfação dos nobres livonianos, de forma a protestarem, mas sem muitos efeitos. Cerca de 5/6 das terras dos nobres foram passados para a cora sueca, que arrendou para outros proprietários previamente definidos, os quais não tinham habilidade com fazendas e exploravam os camponeses. Ao final de seu reinado, Carlos XI, auto-proclamado "Rei dos Camponeses", declarou sua intenção de extinguir a servidão, mas só cumpriu para as pequenas possessões.

Descontentes com o Reino sueco, uma aliança formada pela Dinamarca, Rússia, Polônia e pelos Saxões se formou para conquistar o território dito "roubado dos nosso vizinhos", a Livônia e a Estônia. A Grande Guerra do Norte, assim chamada, eclodiu em Fevereiro de 1700, com a invasão dinamarquesa no norte alemão, a tomada de Riga pelos Saxões e a invasão russa em Narva. Pouco tempo após, a Rússia foi derrotada em Narva pela tropa pessoal do rei Carlos XII, que rumou ao sul para derrotar os saxões e os poloneses e, assim, permitiu a volta dos russos no norte com as conquistas de Narva e Tartu, em 1708. Mas em 1709, os russos perderam todos os seus aliados, e acuados, ofereceram paz, que não foi aceita por Carlos XII, que resolveu atacar os territórios russos. Mas a derrota em Poltava, foi decisiva para o rumo da Guerra, que foi vencida um ano depois com a conquista final de Tallinn, em setembro.

Em 1721, foi assinado o Tratado de Paz de Uusikaupunki(Nystad), que declarava a Estonia e a Livônia como posses do Império Russo.

O período do domínio russo na Estônia foi pouco movimentado, sem grandes momentos históricos. Foi mais uma época de estabilização e organização da sociedade, com a firmação das classes estonianas. Elas eram baseadas no estilo de governo alemão, com Dietas e posterior a criação do Conselho legislativo, que comandava as leis locais, e formada por nobres livonianos, suecos, germânicos e russos. Os estonianos continuavam como parte da classe inferior.

Devido a distância de Moscou, a Estônia sofria influência muito forte dos reinos germânicos do sul e sendo assim, passou por situações como a Revolta de Camponeses no começo do século XIX, o Iluminismo e os reinados iluministas e a Revolução Francesa, esta última altamente defendida pelos intelectuais da Universidade de Tartu, na sua maioria de alemães e pelos nobres, que iam estudar em universidades alemãs.

Cada vez mais, uma grande parte dos estonianos iam criando cultura suficiente para se sentir como um povo unido. Juntando os ideais da república francesa e a liderança dos intelectuais das academias estonianas, que nesse ponto já lecionavam as aulas não mais em alemão, mas sim em estoniano, o ideal nacionalista crescia mais e mais. Grupos eram formados, manifestações jornalísticas e publicações, rumaram para a criação da república estoniana.

Cada vez mais, os estonianos se aproximavam dos alemães, o que descontentava o Império Russo, que no comando do Alexandre II, ordenou várias reformas, que forçaram os bálticos a abandonarem o sistema político alemão. Após a unificação Alemã, em 1871, o poderio militar alemão começou a preocupar os russos, principalmente devido a uma inssurgência contra a russificação da Estônia e da Letônia. A russificação na Estônia nada mais era do que tirar o poder dos alemães sobre os países bálticos, e até subjugar o luteranismo, muito presente na região.

O estopim final foram as eleições municipais de 1904, em Tallinn, na qual o bloco russo-estoniano ganhou e tirou o poder dos alemães. Insatisfações surgiram por toda a Estônia, polarizada pelas manifestações moderadas no jornal Postimees de Tartu e os radicais no Tallinna Teataja, comandados por Konstantin Päts e o advogado Jaan Teemant. Os moderados queriam transformar a Estônia num parlamentarismo sob o imperador russo, enquanto os radicais queriam o desvencilhamento dos russos e começar uma revolução.

Assim, durante a Revolução de 1905 que ocorreu em várias partes do império russo, a favor da modernização e contra a então atual estagnação que acontecia. Várias revoltas aconteceram durante todo a primavera e verão, mas principalmente no dia 1º de maio. Mas foi no outono, no dia 16 de outubro, que aconteceu a maior revolta. Cerca de 3/4 de todos os operários e ferroviários pararam as máquinas e foram às ruas protestar contra as autoridades russas, quando os soldados abriram fogo em Tallinn e provocaram um massacre com a morte de 94 e algumas centenas feridas. A partir dali, todos os estados bálticos se rebelaram e o império declarou estado de guerra, convocando mais de 19000 soldados para suprimir a revolta. Com fortes repressões e a morte de quase 1000 pessoas, os líderes recuaram, mas mostraram a insatisfação dos estados bálticos com o império.

Depois da renúncia do czar Nicolau II, em 15 de março de 1917, o governo provisório russo deu um novo curso para o estabelecimento dos governos democráticos independentes. Na Estônia, os políticos locais montaram os seus partidos e indicaram um comissário para as negociações com o governo russo. Até que em 12 de abril de 1917, após pressões, o governo deu força a um governo provisório que unia a Estônia (norte da atual Estônia) e o Norte da Livônia(sul da Estônia atual). Os conselhos de operários e de soldados formavam um poder revolucionário paralelo, apenas atento ao que acontecia à Estônia naquele momento.

Alguns líderes falavam em independência completa da Rússia, mas a maioria, no momento, falava apenas em um estado autônomo. Quando a Revolução Bolchevique estorou, em 17 de outubro, e aplicaram as idéias comunistas, como a estatização de bancos e empresas na Rússia. Quando eles se preparavam para fazer o mesmo nos estados bálticos, os mesmos declararam o governo provisório como a autoridade máxima no país, em 28 de novembro de 1917, através de uma constituinte.

Eleições aconteceram, e 2/3 dos votos foram para os partidos nacionais. Os soviéticos declararam as eleições nulas, mas políticos estonianos como Konstantin Päts, Jüri Vilms e Konstantin Konik iniciaram negociações com o governo russo, após o lançamento do Manifesto para todas as pessoas da Estônia em 24 de fevereiro de 1918.

Mas na Europa, no mesmo instante, acontecia a I Guerra Mundial, e convocada pelos nobres estonianos de origem alemã, o exército alemão tomou a Letônia e a Estônia, e formaram um estado báltico germânico. Mas a tentativa falhou, em maio de 1918, França, Reino Unido e Itália retomaram o território e deram a independência de fato aos estonianos. Em 27 de Agosto, um tratado foi feito entre Alemanha, Estônia e a Rússia, reconhecendo a independência da Estônia.



As descobertas arqueológicas mais antigas na Dinamarca datam de 130 000 a.C. a 110.000 a.C., no período interglacial Riss-Würm. A região já era habitada em cerca de 12.500 a.C. e há vestígios de atividades agrícolas datadas de cerca de 3 900 a.C. Na Dinamarca, a Idade do Bronze Nórdica (1 800-600 a.C.) é marcada por túmulos que deixaram uma profusão de achados como lurs (instrumentos musicais de sopro) e o Carro Solar de Trundholm.

Durante a Idade do Ferro pré-romana (500 a.C.-1 d.C.), grupos nativos começaram a imigrar para o sul. As províncias romanas mantinham rotas e relações comerciais com as tribos da atual Dinamarca, o que é atestado pelos achados de moedas romanas na região. Há provas de uma forte influência cultural céltica neste período, tanto na Dinamarca como em grande parte do noroeste da Europa, como indica, por exemplo, o achado do caldeirão de Gundestrup. Os primeiros daneses chegaram à Dinamarca na Idade do Ferro romana (1-400).

Antes da chegada dos precursores dos daneses, procedentes da Escandinávia e falantes de uma forma primitiva do germânico setentrional, a maior parte da Jutlândia e algumas das ilhas eram habitadas por jutos. Estes últimos migraram, mais tarde, para a Grã-Bretanha, juntamente com os anglos e os saxões, de maneira a formar os anglo-saxões.

A origem exata da Dinamarca perdeu-se na história, mas uma nota breve sobre os "Dani", em "As Origens e Feitos dos Godos", do historiador Jordanes, é apontada por alguns como uma menção aos primeiros daneses. Os Danevirke (trabalhos de terraplenagem com propósito defensivo, que separavam a Jutlândia do restante do continente) foram construídos a partir do século III, em várias fases, e atribui-se a grande dimensão dos esforços de construção em 737 ao surgimento de um rei danês. É desta época o novo alfabeto rúnico e a fundação de Ribe, a mais antiga cidade da Dinamarca.

Entre os séculos VIII e X, os dinamarqueses eram conhecidos como viquingues. Juntamente com noruegueses e suecos, colonizaram, atacaram e comerciaram com toda a Europa. Os exploradores viquingues descobriram a Islândia por acaso no século IX, no caminho das ilhas Feroé, e chegaram até a "Vinland" (terra da relva/terra do vinho), hoje conhecida como Newfoundland, Canadá. Mais ativos nas ilhas Britânicas e na Europa Ocidental, os viquingues dinamarqueses conquistaram e colonizaram temporariamente partes da Inglaterra (conhecidas como Danelaw), da Irlanda e da França, e fundaram a Normandia. Conforme atestam as Pedras de Jelling, os dinamarqueses foram unidos e evangelizados em cerca de 965 por Haroldo Dente-Azul. Crê-se que a Dinamarca se tornou cristã por motivos políticos, de modo a não ser invadida pelo Sacro Império Romano Germânico. Harald ergueu seis fortalezas na Dinamarca, chamadas Trelleborg, e construiu um Danevirke adicional. No início do século XI, Canuto, o Grande, unificou a Dinamarca, a Inglaterra e a Noruega por quase 30 anos.

Ao longo da Idade Média, a Dinamarca incorporou a Escânia (Skåne, Halland e Blekinge); reis dinamarqueses governavam então partes da Estônia e os ducados do Schleswig e do Holstein (estes últimos, hoje parte integrante da Alemanha). Em 1397, a Dinamarca formou a União de Kalmar, juntamente com a Suécia e a Noruega, uma união pessoal das coroas dos três países, que mantinham, porém, uma existência nominalmente independente. A Escandinávia permaneceu unificada até a secessão da Suécia, em 1523. A Reforma Protestante chegou às terras escandinavas nos anos 1530. Após uma guerra civil conhecida como "Rixa do Conde", a Dinamarca converteu-se ao luteranismo em 1536. Naquele ano, nova união pessoal formou a Dinamarca-Noruega, após a extinção da linhagem real norueguesa devido à peste.

Seguiram-se dois séculos de guerras com a Suécia. O rei Cristiano IV atacou a Suécia durante a Guerra de Kalmar (1611-1613), mas fracassou no seu principal objetivo de forçar aquele país a voltar à união com a Dinamarca. A guerra não provocou alterações territoriais, mas a Suécia foi forçada a pagar uma reparação de 1 milhão de riksdalers de prata à Dinamarca, valor que ficou conhecido como o "Resgate de Älvsborg". Cristiano usou estes recursos para fundar diversas cidades, fortalezas e edifícios. Inspirado na Companhia Holandesa das Índias Orientais, instituiu uma correspondente dinamarquesa. Cristiano planejava reivindicar a ilha do Ceilão como colônia dinamarquesa, mas a nova companhia logrou adquirir apenas Tranquebar, na costa do Coromandel, na Índia. Durante a Guerra dos Trinta Anos, Cristiano procurou tornar-se o chefe dos estados luteranos da Alemanha, mas terminou por sofrer uma derrota acachapante na batalha de Lutter, que permitiu ao exército católico de Albrecht von Wallenstein ocupar e pilhar a Jutlândia. A Dinamarca conseguiu evitar concessões territoriais, mas a intervenção de Gustavo Adolfo na Alemanha foi vista como sinal de que o poder militar sueco estava em alta e o dinamarquês, em baixa. Em 1643, exércitos suecos invadiram a Jutlândia e, em 1644, a Escânia. Com o tratado de Brømsebro (1645), a Dinamarca cedeu Halland, a Gotlândia, as últimas porções da Estônia dinamarquesa e várias províncias na Noruega. Em 1657, o rei Frederico III declarou guerra à Suécia e avançou contra Brêmen-Verden. O resultado foi uma grande derrota dinamarquesa na qual os exércitos suecos do rei Carlos X Gustavo conquistaram a Jutlândia, a Fiônia e grande parte da Zelândia, antes de assinar a Paz de Roskilde, em fevereiro de 1658, que passou às mãos da Suécia a Escânia, Blekinge, Trøndelag e a ilha de Bornholm. Em agosto de 1658, os suecos voltaram à carga ao sitiar, por dois anos, a capital Copenhague, embora não lograssem conquistá-la. No acordo de paz subseqüente, a Dinamarca manteve a sua independência e recuperar Trøndelag e Bornholm.

A Dinamarca procurou retomar a Escânia com a Guerra da Escânia (1675-79), sem sucesso. Após a Grande Guerra do Norte (1700-21), o país conseguiu retomar o controle das partes do Schleswig e do Holstein governadas pela Casa de Holstein-Gottorp. Nas últimas décadas do século XVIII, a Dinamarca passou por um período de grande prosperidade, devido a seu status de neutralidade, que lhe permitia comerciar com os dois lados das várias guerras da época. Durante as Guerras Napoleônicas, o país tentou manter a sua postura neutra ao unir-se à Liga da Neutralidade Armada, com a Rússia, a Suécia e a Prússia. Os britânicos consideraram o fato um ato hostil e atacaram Copenhague em 1801 e em 1807, apoderando-se da marinha dinamarquesa, no primeiro ataque e, no segundo, incendiando boa parte da cidade. A ação britânica marcou o fim daquela era de prosperidade para o país. O controle britânico das vias marítimas entre a Dinamarca e a Noruega revelou-se desastroso para a economia da união e levou-a à bancarrota, em 1813. As esperanças da Dinamarca-Noruega no sentido de restaurar a união escandinava esgotaram-se em 1809, quando os estados da Suécia rejeitaram uma proposta de permitir a Frederico VI da Dinamarca suceder o deposto Gustavo IV Adolfo, entregando a coroa a Carlos XIII. O Congresso de Viena exigiu a dissolução da união dano-norueguesa, confirmada pelo tratado de Kiel (1814). A Noruega uniu-se então à Suécia, situação que perduraria até 1905. A Dinamarca manteve as colônias da Islândia, ilhas Feroé e Groenlândia. Governou também a Índia dinamarquesa (Tranquebar) de 1620 a 1869, a Costa do Ouro dinamarquesa (Gana) de 1658 a 1850 e as Índias Ocidentais dinamarquesas (as ilhas Virgens Americanas) de 1671 a 1917.

O movimento liberal e nacional dinamarquês ganhou impulso no anos 1830 e, após as revoluções européias de 1848, a Dinamarca tornou-se uma monarquia constitucional, em 5 de junho de 1849.

Após a Guerra dos Ducados em 1864, a Dinamarca viu-se forçada a ceder o Schleswig e o Holstein à Prússia, numa derrota que marcou a identidade nacional dinamarquesa. Com estes eventos, o país retornou a sua tradicional política de neutralidade que foi mantida mesmo durante a Primeira Guerra Mundial. Com a derrota alemã, as potências de Versalhes ofereceram os ducados de volta à Dinamarca mas esta, temerosa de um possível irredentismo germânico, recusou a devolução pura e simples e insistiu num plebiscito a respeito do Schleswig. Realizaram-se dois plebiscitos, um em 10 de fevereiro e outro em 14 de março de 1920. Como resultado, em 10 de julho de 1920, o Schleswig do Norte retornou à Dinamarca.

A invasão nazista da Dinamarca em 9 de abril de 1940 - cujo codinome era Operação Weserübung - enfrentou apenas duas horas de resistência militar até a rendição do governo dinamarquês. Durante a guerra, a Islândia rompeu seus laços com a Dinamarca e tornou-se uma república independente; em 1948, as ilhas Feroé ganharam o direito ao auto-governo. Após a guerra, a Dinamarca foi um dos membros fundadores da ONU e da OTAN e, em 1973, aderiu à Comunidade Econômica Européia (antecessora da União Européia). A Groenlândia ganhou o direito ao auto-governo em 1979.



Habitado inicialmente por tribos nômades que se converteram ao Islamismo por volta do século IV, o atual território do Djibouti foi conquistado pela França em 1862, em uma ação de contrapartida à presença dos ingleses em Áden, tendo a região se tornado parte da Somália Francesa em 1888. Apesar do fervor nacionalista, um plebiscito em 1967 determinou que o território continuasse sob o domínio francês, embora o seu nome tenha sido modificado para Território francês dos Afars e dos Issas.

A independência do Djibouti só seria proclamada a 27 de junho de 1977 - consagrando-se como a última colônia francesa da África a conquistar a independência - com Hassan Gouled Aptidon como presidente. O nome do país foi modificado para Djibouti, o mesmo de sua capital, e entrou na Liga Árabe.

Em 1981, o presidente Hassan Gouled Aptidon, da etnia issa, torna o país num estado de partido único ao ilegalizar todos os partidos políticos excepto a União Popular pelo Progresso (RPP). Aptidon é eleito presidente nas eleições unipartidárias de 1981 e re-eleito em 1987, 1993 e 1997.

Em 1991 o país é usado como base para operações bélicas pelas França, durante a primeira Guerra do Golfo. Nesse mesmo ano é criada a Frente pela Restauração da Unidade e da Democracia (FRUD), constituída por rebeldes afars com apoio da vizinha Etiópia. A FRUD lidera uma revolta armada e conquista o Norte do país, dando início a uma guerra civil. Em 1994 o movimento perde força e divide-se em duas facções; uma facção favorável à negociação com o governo e outra afim de continuar a guerra civil. A facção moderada da FRUD assinou um acordo de paz com o governo e torna-se num partido político, mas a facção guerrilheira prossegue a luta. Em 1997 a FRUD concorre às eleições parlamentares em aliança com a RPP, conquistando as sessenta e cinco cadeiras do parlamento.

Aptidon renuncia ao cargo de presidente em 1999, aos 83 anos de idade, e o seu sobrinho e ministro-chefe de gabinete, Ismail Omar Guelleh, é eleito seu sucessor. A facção guerrilheira da FRUD inicia negociações com o novo governo em fevereiro de 2000 com vista ao fim da guerra civil, assinando em 12 de maio de 2001 um acordo de paz pondo fim a uma década de conflito armado. O general e chefe da polícia Yacin Yaben Galab é demitido do cargo e tenta um Golpe de estado, mas é preso e condenado a quinze anos de prisão.

O presidente Guelleh foi re-eleito nas eleições presidenciais de 2005.



Tribos guerreiras caraíbas habitam a ilha de Dominica antes da chegada de Cristóvão Colombo, em 1493. O relevo acidentado da ilha retarda sua exploração pelos europeus, mas sua posição estratégica faz dela centro de disputa entre ingleses e franceses no século XVII.

Os ingleses tomam posse da ilha em 1783. Conflitos entre colonos e nativos levam à quase extinção dos caraíbas - daí a predominância atual de negros, descendentes de escravos, na população.

Dominica fez parte da Federação das Ilhas de Sotavento, de 1871 a 1939. Das Ilhas de Barlavento, de 1940 a 1958. Em 1958, Dominica juntou-se a Federação das Índias Ocidentais (West Indies Federation).

Já em 1967, torna-se um Estado livre associado ao Reino Unido, que continuava controlando a política externa e de defesa da ilha. A independência é proclamada em 1978.



Embora de origem desconhecida, os grupos indígenas que habitaram o território hoje correspondente a El Salvador, possuíam civilização avançada. Os pipiles, o mais importante dos três grupos que habitaram a região no século XV, tinham sua capital em Cuzcatlán. A parte ocidental de El Salvador era habitada pelos maias já há alguns séculos antes da chegada dos conquistadores espanhóis.

El Salvador foi descoberto por Andrés Niño, piloto da expedição de Gil González Dávila à Nicarágua (1522). Em 1524, os espanhóis chegaram ao país, comandados por Pedro de Alvarado, representante de Hernán Cortés. Após ocuparem Cuzcatlán por breve período, fundaram San Salvador em 1525 e subjugaram os pipiles. San Salvador integrou a província da Guatemala, fundada a leste do rio Lempa, em 1530. Só foi elevada à categoria de intendência em 1786, subordinada ao governo guatemalteca.

Durante o período colonial, a região fazia parte do vice-reinado da Nova Espanha (capitania geral da Guatemala), mas estava sujeita à jurisdição do comandante-geral estabelecido na cidade de Guatemala. San Salvador desempenhou importante papel no rápido processo de evolução política por que passou a América Central entre 1811 e 1840. O primeiro movimento de independência em relação à Espanha ocorreu na região ocorreu na intendência de San Salvador, liderado pelo padre José Matias Delgado e seu sobrinho Manuel Arce, em novembro de 1811. Essa tentativa e outra verificada em 1814 fracassaram. A proclamação de independência da Guatemala, em 15 de setembro de 1821, suscitou a adesão de El Salvador. Mas em fevereiro de 1823, as forças mexicanas lideradas por Agustín de Iturbide ocuparam o país. Poucos meses depois ocorreu a queda de Iturbide, e a 11 de julho do mesmo ano foi proclamada, na Guatemala, a independência das Federação das Províncias Unidas da América Central (com Guatemala, Honduras, Nicarágua e Costa Rica), que teve Arce como seu primeiro presidente. Por duas vezes, em 1832 e 1833, El Salvador tentou separar-se. A união foi extinta em 1839, e Francisco Morazán, segundo e último presidente, teve de abandonar o país. El Salvador tornou-se uma república independente.

Em janeiro de 1841 foi proclamada a república de El Salvador, e durante mais de quarenta anos a instabilidade política predominou no país. Conflitos internos entre liberais e conservadores, e uma série de choques nas fronteiras com os vizinhos, retardaram o desenvolvimento durante o século XIX. No começo do século XX, os conservadores ganharam influência política e a presidência permaneceu em mãos de famílias da elite como se fosse seu patrimônio pessoal. As agitações diminuíram durante as administrações de Francisco Durante (1836-1871) e de Rafael Zaldívar (1876-1885). A primeira parte do século XX foi um período de relativa estabilidade e a economia obteve progressos consideráveis. Entre os anos de 1885 e 1931, a sucessão presidencial tornou-se mais regular, em parte devido à estabilidade econômica proporcionada pelo aumento das exportações de café, e também em decorrência da menor freqüência de conflitos na região. O país jamais conheceu a democracia, pois cada presidente escolhia seu sucessor entre parentes e amigos.

A história de El Salvador no século XX foi regida por uma série de presidentes militares. Após a presidência de Pío Romero Bosque (1927-1931), nenhum candidato obteve a maioria dos votos populares para se tornar seu sucessor. O Congresso então escolheu Arturo Araujo, logo deposto por um golpe militar chefiado por Maximiliano Hernández Martínez, que assumiu o poder, governou despoticamente e realizou execuções em massa. O ditador se manteve no poder até 1944, e adotou medidas enérgicas, como o estabelecimento de novo sistema monetário, organização de um banco nacional, controle estatal da comercialização do café e complementação da rodovia Pan-Americana.

Uma revolta popular, em 1944, forçou a realização de eleições, com a vitória de Salvador Castañeda de Castro, que, empossado em março de 1945, governou até 1948, sendo deposto por uma junta militar. Foi criado um partido oficial, o Partido Revolucionário de Unificação Democrática, que elegeu o presidente seguinte, o major Óscar Osorio, que governou de 1950 a 1956, e proporcionou ao país uma fase de considerável progresso (hidrelétrica do rio Lempa, asfaltamento da rodovia Pan-Americana). Osorio não teve dificuldade em fazer seu sucessor, o tenente-coronel José María Lemus, que continuou a política do antecessor. Tanto Oscar Osorio, quanto José M. Lemos mostraram-se um tanto simpáticos às extremamente necessárias reformas sociais e foram mantidos em xeque por seus colegas militares mais conservadores, em comum acordo com as oligarquias civis.

José M. Lemos foi derrubado por novo golpe militar, em outubro de 1960 e substituído por uma junta militar, a qual, em janeiro de 1961, cedeu lugar a outra junta. Esta pôs na ilegalidade os partidos de orientação esquerdista, e criou, em 1962, uma constituinte em que a totalidade dos deputados pertencia ao novo Partido de Conciliação Nacional. Foi eleito ficticiamente um novo presidente, Julio Adalberto Rivera, para o período 1962-1967.

A crise econômica e a superpopulação de El Salvador obrigou mais de 300.000 salvadorenhos a emigrarem ao longo das décadas de 1950 e 1960 para a vizinha República de Honduras. Quando o governo deste país promoveu um programa de reforma agrária em 1969, muitos imigrantes, obrigados a abandonar as terras que haviam ocupado, tiveram que retornar a El Salvador. A tensão entre as populações dos dois países culminou com um grave conflito, que tomou como pretexto uma partida de futebol entre as seleções das duas nações. Somente depois da chamada "guerra do futebol", responsável por mais de cinco mil mortes, a Organização dos Estados Americanos (OEA) conseguiu uma trégua com a criação de uma zona desmilitarizada (1971).

A revolução cubana de Fidel Castro e a guerrilha de esquerda nos outros países da América Central empurraram o exército salvadorenho firmemente para a direita. Em 1972, mesmo sob acusação de fraude, o coronel Arturo Armando Molina, do PCN, foi eleito presidente e empossado. Governou até 1977, quando o partido novamente venceu as eleições com o general Carlos Humberto Romero Pena. A miséria no campo facilitou o surgimento de vários movimentos guerrilheiros de esquerda, que intensificaram-se a partir de 1979. Medidas repressivas, a campanha de terror patrocinada pela direita e a violação dos direitos humanos pelo exército durante os anos 70 e 80 foram documentadas por várias agências internacionais e o número de refugiados acarretou um grande problema.

Em 1979, uma junta cívico-militar derrubou o presidente Carlos Humberto Romero e assumiu o poder. A juntão, entretanto, não foi capaz de controlar a situação, unificar o país ou derrotar as guerrilhas, as quais controlavam parte do país. Em março de 1980, quando rezava uma missa, foi assassinado o bispo de San Salvador, Oscar Romero, uma das 22.000 vítimas da violência política naquele ano. Em dezembro, com apoio dos democrata-cristãos, de alguns setores das forças armadas e dos Estados Unidos, foi eleito presidente José Napoleón Duarte, reeleito em 1982 e em 1984. No início da década de 1980, forças de oposição entraram em luta armada com o governo. Em 1983, a guerrilha controlava diversas áreas do país, e os EUA aumentaram a ajuda militar ao governo. José Napoleón Duarte tentou sem resultado a paz com a guerrilha. Em 1987, firmou um plano de paz para a região, assinado por outros presidentes de países vizinhos. Em 1988, o vice-presidente Rodolfo Castillo assumiu em lugar de Duarte, enfermo com câncer.

Nas eleições de 1989, a Aliança Republicana Nacionalista (Arena), de extrema direita, obteve a maioria da Assembléia Nacional e seu líder, Alfredo Cristiani Burkard, sucedeu a Duarte na presidência. No ano seguinte, o grupo guerilheiro de extrema esquerda FMLN (Frente Farabundo Marti de Liberación Nacional) e o governo iniciaram negociações para a paz sob mediação da ONU. O secretário-geral da ONU, Pérez de Cuellar, empreendeu conversações de paz durante o ano de 1991. Em 31 de dezembro de 1991 foi assinado em Nova York um documento que pôs fim ao conflito. As recomendações do Secretário-geral das Nações Unidas começaram a ser implementadas com sucesso em 1992, pondo fim a 12 anos de guerra civil que custou cerca de 75.000 vidas. No fim da década de 1990, a Frente Farabundo Martí, transformada em partido político, passou a conquistar grande espaço no legislativo, rivalizando com a Arena. Nas eleições de 1994, acompanhadas por observadores da ONU, foi eleito presidente da República o candidato direitista Armando Calderón Sol (Arena) com a árdua tarefa de reconstruir a economia do país e cicatrizar as feridas da guerra civil. Em março de 1999, Francisco Flores Pérez, candidato da Arena à presidência do país, derrotou o ex-líder da guerrilha durante a guerra civil de El Salvador (1979-1992), Facundo Guardado, da FMLN. Flores tomou posse, para um mandato de cinco anos, em 1º de junho de 1999.



No final do século XIX, um tratado entre a Grã-Bretanha e os principais xeques do golfo Pérsico dá aos britânicos o controle sobre os emirados. Iniciando em 1820, a Grã-Bretanha entrou em atrito com vários líderes na área para proteger os seus navios no Golfo e no Oceano Índico.
A área ficou conhecida como "Trucial Oman" ou "Trucial States" porque houve uma trégua de guerra marítima, de acordo com as leis árabes, assinadas pela Inglaterra, em 1853 (a palavra inglesa "truce" significa trégua, suspensão temporária das hostilidades).
A partir do final da II Guerra Mundial, muitos países de dominação britânica no Oriente Médio também conquistam sua independência, os Emirados em 1971, pois neste ano, as tropas britânicas retiram-se e os sete emirados formam uma federação, com o nome de Emirados Árabes Unidos.
A Presidência é entregue ao xeque Zayed bin Sultan an-Nahyan, do emirado Abu Dhabi, enquanto o posto de primeiro-ministro fica com o dirigente de Dubay, o xeque Rashid Maktoum (sucedido após a morte, em 1990, por seu filho, Maktoum bin Rashid al-Maktoum).
Em 1981, aliam-se a países vizinhos no Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), do qual também fazem parte Arábia Saudita, Catar, Omã, Barein e Kuweit. Em junho de 1997, o CCG assina acordo com a Síria e o Egito para iniciar a criação de um mercado comum na região.



Culturas indígenas avançadas floresceram no Equador mesmo antes de a região ser conquistada pelo Império Inca do século XV. Em 1534, chegaram os espanhóis que, derrotando os exércitos incas, iniciaram a colonização européia. Nas primeiras décadas de dominação espanhola a população indígena foi dizimada pelo contágio de doenças às quais os nativos não eram imunes, tempo em que os nativos também foram forçados ao trabalho para os proprietários de terras espanhóis no sistema de trabalho de "encomienda". Em 1563, a cidade de Quito foi elevada à categoria de distrito administrativo da monarquia espanhola.

Em 1822 forças locais se organizaram e derrotaram o exército monarquista se unindo à "Gran Colômbia", república fundada por Simón Bolívar, da qual só veio a separar-se no dia 13 de maio de 1830.

O século XIX foi marcado por instabilidades, com rápidos movimentos políticos e institucionais. O conservador Gabriel García Moreno unificou o país nos anos de 1860 com o apoio da Igreja católica.

Com o aumento da demanda mundial de cacau, desde o início de 1800, produziu-se uma migração dos altiplanos em direção à fronteira agrícola da costa do Pacífico.

Em 1895, sob a liderança de Eloy Alfaro, se deflagrou uma revolução liberal nas planícies, que reduziu o poder do clero e possibilitou o desenvolvimento do capitalismo. Entretanto, o declínio do ciclo econômico do cacau produziu nova instabilidade política que culminou com o golpe militar de 1925.

Os trinta anos seguintes foram marcados por políticos populistas como o presidente José María Velasco Ibarra que, em janeiro de 1942, assinou o "Protocolo do Rio", acordo pelo qual se encerrava a rápida guerra com o Peru, iniciada um anos, no qual o Equador aceitou uma fronteira provisória que consolidou a perda de grande parte do território que antes reivindicava na Bacia Amazônica.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a recuperação do mercado agrícola e o crescimento da indústria da banana ajudaram a restabelecer a prosperidade e paz política. De 1948 a 1960, três presidentes, iniciando por Galo Praça Laço, foram eleitos livremente e completaram seus mandatos.

Num ambiente em que quase toda a América do Sul foi palco de golpes militares, o retorno de políticas populistas provocou inquietações que foram motivo de intervenções militares domésticas nos anos sessenta, época em que a descoberta de petróleo atraíram companhias estrangeiras e foi fundada a "Amazônia Equatoriana".

Em 1972, um golpe militar derrubou o regime de José María Velasco Ibarra passando a utilizar a riqueza do petróleo e empréstimos estrangeiros para custear um programa de industrialização, reforma agrária, e subsídios para consumidores urbanos.

Com o desvanecimento de ciclo econômico do petróleo, o Equador voltou a democracia em 1979, sob o primeiro presidente da Constituição equatoriana de 1979, Jaime Roldós Aguilera, candidato de uma grande frente partidária, a "Concentração de Forças Populares" ou "CFP" que obteve expressiva vitória sobre Sixto Durán Ballén do Partido Cristão Social "(PSC)".

Depois de uma discordância de liderança com Asaad Bucaram, o líder de então do CFP, Roldós, deixou a coligação para fundar com sua esposa um partido próprio denominado "Mudança e Democracia" levando condigo grande número de partidários. Com isto, o PCD, se tornou o terceiro partido em importância política .

Em 1981 ocorreu novo episódio de conflito de fronteira com o Peru, na região de Paquisha, com algumas recorrências posteriores.

Ao final de 1981 o vice-presidente Osvaldo Hurtado Larrea do partido Democracia Popular "DP" sucedeu o presidente Roldós depois que este morreu num acidente aéreo na selva amazônica.

Devido à pressão econômica da guerra sobre o mercado (particularmente do petróleo), o governo de Osvaldo Hurtado enfrentou uma crise econômica crônica em 1982, com crescente inflação, déficits de orçamento com efeitos desvalorizadores da moeda, acúmulo do serviço da dívida e parque industrial não competitivo.

Em 1984 as eleições presidenciais foram vencidas por León Febres Cordero Rivadeneira do PSC por estreita margem de votos. Durante os primeiros anos da sua administração dele, Febres Cordero orientou sua política econômica para o livre-mercado, fortaleceu o combate à produção de drogas e terrorismo, no que foi auxiliado pelos Estados Unidos da América.

Seu mandato foi prejudicado por disputas políticas dentro do governo e pelo seu breve seqüestro por elementos do exército. Em março de 1987 um terremoto devastador suspendeu a exportação de petróleo piorando assim os problemas econômicos do país.

Em 1988 Rodrigo Borja Cevallos do partido da Esquerda Democrática "ID" elegeu-se presidente, concorrendo contra Abdalá Bucaram do "POR". Sua proposta era de melhorar a proteção de direitos humanos e levou a cabo algumas reformas, notavelmente uma abertura de Equador para comércio estrangeiro. O governo de Borja concluiu também um acordo com o pequeno grupo terrorista " Alfaro Vive, Carajo " porém a continuidade de problemas econômicos no país acabou arruinando sua popularidade, permitindo que a oposição obtivesse maioria no Congresso de 1990.

Em 1992, Sixto Durán Ballén ganhou sua terceira concorrência para a presidência da república. As medidas de ajuste de macroeconômicas duras que ele impôs eram impopulares, mas obtiveram sucesso mediante iniciativas de modernização do Congresso. O vice-presidente de Durán Ballén, Alberto Dahík, foi o arquiteto das políticas econômicas de administração, mas em 1995, Dahík fugiu o país para evitar processo por corrupção impulsionado pela ferrenha oposição. Uma guerra com o Peru (chamada Guerra de Cenepa, na área do rio com este nome) estourou em janeiro e fevereiro de 1995 em função de atrito sobre as fronteiras estabelecidas em 1942 e foi solucionada Protocolo de Rio.

Abdalá Bucaram, do POR, foi eleito presidente em 1996 com uma plataforma populista prometendo reformas econômicas e sociais e o rompimento do que chamou de poder da oligarquia nacional. Durante seu curto mandato a administração de Bucaram criticou a corrupção sendo deposto em 1997 pelo Congresso sob alegação de incompetência mental, sendo nomeado em seu lugar o presidente interino Fabián Alarcón então Presidente de Congresso e líder do pequeno partido Frente de Alfarista Radical "FRA".

Em maio de 1997 a presidência interina de Alarcón foi endossada por um referendo popular. Durante a presidência de Alarcón, foi escrita a nova Constituição do país (1979) que só entrou em vigor no dia 5 de junho de 1998, depois das eleições presidenciais e de membros do Congresso de 31 de maio de 1988.

Como nenhum candidato a presidência obteve maioria, no dia 12 de julho de 1998 seguiu-se uma eleição de segundo turno entre os dois candidatos mais votados, o prefeito de Quito Jamil Mahuad do "DP" e Álvaro Noboa Pontón do Partido Cristão Social. Mahuad foi eleito por uma estreita margem de votos assumindo o cargo no dia 10 de agosto de 1998, mesmo dia em que a nova Constituição do Equador entrou em vigor.

Mahuad concluiu um acordo de paz com o Peru em 26 de outubro de 1998, mas com as crescentes dificuldades econômicas, fiscais e financeiras do país, sua popularidade foi diminuindo até quando, inesperadamente substituiu a moeda corrente indígena o sucre (homenagem póstuma de um herói venezuelano na guerra revolucionária contra a Espanha), obsoleto,pelo dólar norte-americano (política monetária chamada de dolarização)

Esta reforma monetária causou grave desassossego nas classes de baixo poder aquisitivo que tentava converter seus sucres em dólar com muita perda no câmbio enquanto as classes mais abastadas, que já possuíam grandes volumes desta moeda e já faziam negócios com ela, capitalizaram grandes lucros.

Nas manifestações populares de grupos indígenas de 21 de janeiro de 2000, em Quito, o exército e a polícia se recusaram reprimir os manifestantes e em seguida a Assembléia Nacional Constituinte, num golpe de estado semelhante aos muitos já ocorridos no Equador, instituiu uma junta de tripartite para intervir na administração do país.

Oficiais militares graduados declararam seu apoio à intervenção e, durante uma noite de confusão, depois de fracassarem as conversações, o presidente Mahuad foi forçado a fugir o palácio presidencial para sua própria segurança, encarregando por decreto, o seu Vice-presidente Gustavo Noboa como responsável pela administração.

Na manhã seguinte, Mahuad endossou Noboa como seu sucessor por uma rede nacional de televisão e o triunvirato militar, que efetivamente já dirigia o país, também o endossou.

Assim, na reunião de emergência do mesmo dia 22 de janeiro, em Guayaquil, o Congresso do Equador ratificou Noboa como Presidente da República.

A política de dolarização ainda permaneceu sob a liderança de Noboa. Embora a dolarização tenha mitigado seus efeitos e iniciado ligeira melhoria sobre a economia, o governo de Noboa foi acusado pela mantença da dolarização e descuido com problemas sociais e outros assuntos importantes da política Equatoriana.

Em 15 de janeiro de 2003, o Coronel aposentado Lúcio Gutiérrez, membro da junta militar que subverteu presidente Jamil Mahuad em 2000, assumiu a presidência do Equador com uma plataforma de combate à corrupção. O partido de Gutierrez, tendo poucos assentos no Congresso, o força a negociar com outros partidos para mudar a legislação, já tendo ensaiado algumas reformas econômicas.

Lucio Gutiérrez, deixou o poder em 2005 diante da falta de apoio das Forças Armadas e no meio de fortes protestos, o que conduziu a que seu vice-presidente, Alfredo Palacio, assumisse a presidencia em seu lugar.



A história pré-colonial da zona onde fica a Eritreia não é muito conhecida. Os primeiros vestígios de povoamento no que é hoje Eritreia têm mas de 120 000 anos de idade e se caracterizam por ferramentas de pedra encontradas nas zonas litorâneas do Mar Vermelho e pinturas nas cavernas do nordeste do país em Rora Habab.

Os primeiros povos que habitavam e ainda habitam a região são os povos nilóticos que são representados hoje pelos grupos étnicos de Kunama e Nara no oeste da Eritréia. Tinham ligações com as civilizações do Egipto e Núbia e alguns desses povos praticam ainda a sua antiga religião animista.

A segunda onda de migração consistia dos primeiros povos cuchitas de Eritreia que são representados hoje pelos grupos étnicos dos Afar e Saho. Não se sabe exatamente quando chegaram à zona que habitam hoje, mas é evidente que já moravam lá antes de chegar a próxima onda migratória. Nos documentos históricos de Egipto e seus explorações ultramarinas durante o reino do rei Suhure e a rainha Hatshepsut entre 2500 a.C. e 1500 a.C., fala-se dum reino que se chamava Punt pela costa meridional do Mar Vermelho, supostamente pela costa da Eritreia, Djibouti, Somalilândia e Somália que produzia muito olíbano e mirra.

A terceira onda de migração começou nos anos 1000 a.C. desde o sul da península da Arábia pelos povos semíticos do antigo reino de Sabá. Estabeleceram povoados e cidades pela costa da Eritreia principalmente o porto de Adulis na baía de Zula pelo Mar Vermelho. O povo de Sabá junto com os povos cuchíticos e nilóticos que habitavam a região se uniram e criaram uma civilização, o reino de Axum cuja capital (com o mesmo nome) fica ainda a 40 km ao sul da fronteira entre Eritreia e o norte da Etiópia. A herança daquela civilização Axumita na região é evidente na Eritreia não só pelo sistema alfabético dos Axumitas chamado ge'ez que ainda se usa em Eritreia para escrever principalmente as línguas Tigré e tigrina.

A língua ge'ez mesmo era a mesma dos axumitas e sobrevive ainda na igreja ortodoxa da Eritreia como língua litúrgica. O cristianismo chegou ao reino de Axum no século IV do império Bizantino. Os grupos étnicos dos Biher-Tigrinha e Tigre na Eritreia falam idiomas que são descendentes do ge'ez.

O reino de Axum deixou de existir no século X com a chegada da penúltima onda de migração à Eritreia, dos povos islâmicos Beja que ainda habitam o norte e noroeste do país (a tribo Hedareb) e dos árabes que ainda habitam a costa setentrional do país (a tribo Rashaida). Os poderes islâmicos, principalmente os árabes e logo os turcos estabeleceram relações com os reinos e sultanatos islâmicos locais que surgiram na região depois da era Axumita. No sudeste da Eritreia reinava o sultanato Adal sob os povos Afar (e Somali em Djibuti, Somália e Somalilândia), em quanto no norte e nordeste da Eritreia e Sudão, os Beja controlavam a terra como nômades guerreiros islâmicos. Os Beja usavam o idioma de Tigré (o idioma da maioria do povo) para governar a zona e chamavam o seu domínio Medri Bahri (a terra do mar), dividindo-o em 5 "condados".

O povo no altiplano da Eritreia permaneceram cristãos ficando sob influência dos reinos da Abissínia que eram herdeiros do reino Axumita. Mesmo assim o povo cristão ao norte do rio Mereb (fronteira natural entre Eritreia e Etiópia) era distinto do povo ao sul do mesmo rio. O altiplano da Eritreia se chamava então "Mereb Mellash" (que significa além do Rio Mereb em amárico, povo que então dominava a Abissínia) e também "Bahre Negash" (o reino do Mar). O povo local não reconhecia a autoridade de reis nem príncipes ou condes da Abissínia e não praticavam tanto o feudalismo. A autoridade consistia em conselhos de distritos e aldeias com as suas próprias leis enquanto a terra pertencia ao povo e à igreja.

No século XIII, durante e depois a queda da dinastia Zagwe de Abissínia, chegou a última onda de migração de abissínios ao altiplano da Eritreia, um povo cuchítico que dominara os tronos da Abissínia (adotando a sua cultura). São representados hoje em Eritreia pelo grupo étnico dos bilen que vivem no planalto que cerca a cidade de Keren.

No séculos XVI, o reino dos otomanos e seus vassalos árabes estabeleceram controle direito sob a costa setentrional da Eritreia e construíam a cidade de Maçuá (o porto principal da Eritreia) com prédios de corais. Ficaram até os finais do século XIX quando chegaram os italianos para criar a colônia da Eritreia.

A Eritreia como território foi criado pela Itália em 1 de Janeiro de 1890 e foi então que recebeu o seu nome 'Eritréia' que vem do antigo nome em latim do Mar Vermelho: Mare Erythraeum. Os italianos ficaram quase cinqüenta anos, desde os finais do século XIX até 1941. Nos últimos anos de colonização, a Itália fascista estabeleceu léis de segregação racista. Mesmo assim, esse sistema não durou muito tempo.

Pouco depois, a Itália vinha sofrendo derrotas na Segunda Guerra Mundial e perdeu também as suas colónias para os aliados, inclusindo a Eritreia que veio a ser protectorado da Grã-Bretanha desde 1941 até 1952. O período colonial na Eritreia deixou uma herança cultural, na arquitectura das cidades, na religião do catolicismo, na influência italiana do vocabulário local, hábitos e estilo de vida das áreas urbanizadas e uma herança económica e política na infraestrutura, indústria e administração modernas.

Depois de um tempo de protectorado britânico, a ONU decidiu fazer de Eritreia um país autônomo, federado com a Etiópia. O povo da Eritreia não concordava. A federação durou apenas 9 anos até 1961 quando o rei da Etiópia fechou o parlamento da Eritreia e iniciou uma campanha para exterminar toda a resistência na Eritreia contra a união com a Etiópia. A guerra pela independência começou.

O primeiro movimento que começou a lutar pela independência da Eritreia era a FLE (Frente pela Libertação da Eritreia) que era dominado por líderes islâmicos e conservadores. Por tanto tinha o apoio dos países do Oriente Médio, enquanto a Etiópia tinha um acordo de seguridade com os Estados Unidos dando-lhes uma base militar na Eritreia (então ocupada pela Etiópia). Nos anos setenta, a Etiópia experimentou uma revolução comunista e veio a receber apoio da União Soviética e os outros países comunistas. Na Eritreia, o movimento de resistência tinha muitos problemas internos, dando início a uma luta interna resultando na criação de vários movimentos rivais. Dessas surgiu o FPLE (Frente Popular pela Libertação da Eritreia), que era mais socialista e argumentava a favor dum movimento que melhor representa o povo e que podia uni-lo melhor, cristãos com muçulmanos, homens com mulheres. A FPLE ganhou a luta interna e veio a dominar a luta pela independência até o seu fim em 24 de Maio de 1991, quando os seus soldados entraram na cidade capital da Eritreia conseguindo o controle total sobre o país. Cooperando com a resistência da Etiópia contra o governo comunista desse país, derrotaram também o governo comunista da Etiópia. A FPLE decidiu então a tomar dois anos para organizar um referendo para dar o povo da Eritreia a oportunidade de praticar o seu direito de auto-determinação. Em Abril de 1993, o povo votou no primeiro referendo livre da Eritreia, decidindo a maioria pela independência. Com o resultado, o governo declarou a independência do país no 24 de Maio de 1993.

Desde a independência formal da Eritreia em 1993, até 5 anos depois, os governos da Eritreia e Etiópia tinham uma relação muito boa de cooperação e apoio mútuo, no qual Eritreia continuou a usar a moeda corrente da Etiópia e a dar o seu vizinho acesso livre aos seus portos. É possível dizer que Eritreia era então só nomeadamente independente e ainda sob a influência da Etiópia. Por tanto a fronteira entre os dois países, aínda que não era claramente delineada, não importava muito a nenhum dos dois países.

Em 1997, Eritreia estabeleceu a sua própria constituição e pouco depois a sua própria moeda corrente também (previamente o birr da Etiópia e agora a nakfa). Eritreia decidiu que para a Etiópia continuar pagando birr para serviços portuários e outros exportações da Eritreia , teriam de aceitar pagamentos da Eritreia em nakfa e com o mesmo câmbio (um nakfa por um birr). A Etiópia rejeitou a proposta e o comércio entre os dois países foi "dolarizado" pela decisão do primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi.

A fronteira da Etiópia e da Eritreia, e a própria independência da Eritreia, voltou a repentemente ser uma coisa de significado muito importante para os dois países. Em Maio de 1998, a guerra de fronteiras entre a Eritreia e Etiópia começou principalmente pela aldeia de Badme.

Depois de mais de 100 000 mortos e mais feridos e uma grande destruição na zona fronteiriça, a guerra acabou em 2000 com o acordo de paz de Argel. O acordo de Argel indica que os dois países devem deixar a ONU patrulhar a fronteira e permitir um tribunal independente determinar e delinear a fronteira. Os dois países concordaram e o Tribunal Internacional de Justiça em Haia determinou em Abril de 2002, que a aldeia de Badme pertence a Eritréia.



A população eslava original radicou-se na área onde hoje fica a Eslováquia no século V. A Eslováquia fazia parte do centro do império de Samo no século VII. O ponto mais alto do estado proto-eslovaco do século IX conhecido como Grande Morávia deu-se com a chegada de Cirilo e de Metódio e com a expansão no reinado do rei Svatopluk. A Eslováquia acabou por se tornar parte do reino da Hungria entre os séculos XI e XIV e foi, mais tarde, parte da Áustria-Hungria até 1918. Nesse ano, a Eslováquia juntou-se às regiões da Boémia e da vizinha Morávia para formar a Checoslováquia. Com a separação do país que se seguiu ao Acordo de Munique de 1938, a Eslováquia transformou-se numa república separada, embora debaixo de um controlo firme por parte da Alemanha Nazi.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a Checoslováquia foi reconstituída e passou a estar sob influência da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, de 1945 em diante.

Em 1968 ocorre a Primavera de Praga onde ocorre um breve período de tolerância política.

O fim da Checoslováquia comunista em 1989 durante a pacífica Revolução de Veludo e as eleições livres em 1990 também significaram um fim para a Checoslováquia e a criação de dois estados sucessores: a Eslováquia e a República Checa seguiram caminhos separados em 1 de Janeiro de 1993.

A Eslováquia aderiu à União Europeia a 1º de Maio de 2004.



Pesquisas arqueológicas mostram que o povoamento na região da atual Eslovénia iniciou-se há cerca de 250.000 anos. Os povos que habitaram o local deixaram rico patrimônio, como fortificações e construções, além de diversos tipos de objetos, entre estes aramas.

Os celtas chegaram à região durante os séculos IV a.C. e III a.C.. O povo celta fundou Noricum. Por volta do século I a.C., Noricum foi anexada pelo Império Romano, fundando cidades do Império no local, entre as quais algumas são Emona, Celeia e Poetovia. No século V ocorreu a divisão do Império Romano, fazendo com que o território esloveno ficasse, juntamente ao Croata, no Império Romano do Ocidente. No século VI, chegaram os Eslavos, povo que daria origem ao país. Estes fundaram o primeiro estado eslavo, o ducado de Carantania, na região da atual Carinthia.

Após o final da Segunda Guerra Mundial em 1945, A Eslovénia, juntamente com a Croácia, Bósnia e Herzegovina, Macedónia, Sérvia e Montenegro formaram a República Socialista Federal da Iugoslávia.

Em 1990, após a realização das primeiras eleições multipartidárias na Jugoslávia, a Eslovénia decidiu separar-se da Federação Jugoslava.

Em 1991, a Eslovénia foi reconhecida pela União Europeia, à qual aderiu em 1 de Maio de 2004.



A Croácia surgiu na forma de um ducado no século VII e, posteriormente, como um reino no século X. Nos dez séculos seguintes, manteve-se como um Estado distinto, com um governante (ban) e um parlamento, mas obediente a reis e imperadores de diversas potências vizinhas, em especial a Hungria e a Áustria. O período entre os séculos XV e XVII foi marcado por conflitos amargos com o Império Otomano. Incorporada à Iugoslávia durante boa parte do século XX, a Croácia recuperou a sua independência em 1991.

O território conhecido hoje como Croácia é habitado desde a Pré-História. No Paleolítico Médio, havia neandertais em Krapina. No início do Neolítico, as culturas Starčevo, Vinča, Sopot, Vučedol e Hvar espalhavam-se pela região. A Idade do Ferro deixou traços da cultura Hallstatt (proto-ilírios) e da cultura La Tène (proto-celtas).

Já no período histórico, a área foi habitada pelos ilírios e, desde o século IV a.C., também colonizada pelos celtas e pelos gregos. A Ilíria era um Estado soberano até a conquista pelos romanos, em 168 a.C. Após a queda do Império Romano do Ocidente , as províncias da Panônia (Pannonia em latim) e da Dalmácia (Dalmatia) passariam às mãos dos hunos, depois dos ostrogodos e do Império Bizantino. Os antepassados da atual população eslava da Croácia instalaram-se na região no século VII.

Tribos eslavas, dentre elas os croatas, chegaram ao que são hoje a Croácia e a Bósnia e Herzegovina no século VII. Os croatas organizaram-se em dois ducados: o Ducado Panônio, no norte, e o Ducado Dálmata, ao sul. A evangelização dos croatas foi concluída no século IX.

O primeiro governante croata a ser reconhecido pelo papa foi o duque Branimir, a quem o Papa João VIII atribuiu o título de dux chroatorum em 879.

O primeiro rei da Croácia, Tomislav, da dinastia Trpimirović, foi coroado em 925. Tomislav, rex chroatorum, uniu os ducados panônio e dálmata, estabeleceu um Estado de proporções consideráveis e derrotou o tsar búlgaro Simão I em uma das maiores batalhas da história, na fronteira dos dois reinos, na Bósnia. O reino medieval croata atingiu o seu auge durante o reinado do Rei Pedro (Petar) Krešimir IV (1058-1074).

Com a extinção da dinastia local no fim do século XI, na batalha do Monte Gvozd, os croatas reconheceram Colomano, rei da Hungria, como soberano, no que constituiu uma união pessoal, formalizada por tratado de 1102 (chamado Pacta Conventa).

As conseqüências da união pessoal incluiram o surgimento do feudalismo na Croácia e a ascensão de famílias nobres locais como a de Frankopan e a de Šubić. Nessa época, o governador das províncias da Croácia era intitulado Ban.

Os príncipes de Bribir, da família de Šubić, tornaram-se particularmente influentes, com controle sobre grandes áreas da Dalmácia, da Eslavônia e da Bósnia. Entretanto, subseqüentemente os angevinos intervieram e restauraram a autoridade real. Ademais, venderam a Dalmácia inteira para Veneza em 1409.

Quando as incursões turcas na Europa principiaram, a Croácia mais uma vez tornou-se uma área de fronteira. Os croatas viram-se travando um número crescente de batalhas e perdendo uma quantidade cada vez maior de território para o Império Otomano.

O resultado catastrófico da batalha de Mohács, em 1526 – a morte do Rei Luís II (Lajos II em húngaro), o fim da dinastia dos Jagelão (Jagelló em húgaro) e a captura ou morte de grande parte da nobreza húngara – enterrou a esperança de resistência frente ao Império Otomano, que anexou, no século XVI, a maior parte da Eslavônia, da Bósnia ocidental e a Lika. A coroa da Croácia (bem como a da Hungria) passou então à Casa de Habsburgo.

Mais tarde, no mesmo século, grandes áreas da Croácia e da Eslavônia, contíguas ao Império Otomano, foram reunidas pelo Império Habsburgo na chamada Fronteira Militar (Vojna Krajina), governadas diretamente desde o quartel-general militar em Viena. A área acabou ficando deserta e foi posteriormente ocupada por colonos sérvios, alemães e outros.

Com a queda do forte Bihać em 1592, apenas um pequeno trecho da Croácia permaneceu livre do controle otomano. O exército otomano sofreu sua primeira retirada em território croata após a batalha de Sisak, em 1593; os Habsburgos lograram, então, retomar quase todo o território perdido aos turcos, com exceção do que é hoje a Bósnia e Herzegovina.

No século XVIII, o Império Otomano foi expulso da Hungria e da Croácia. A Imperatriz Maria Teresa foi apoiada pelos croatas na Guerra de Sucessão Austríaca de 1741-1748 e posteriormente fez consideráveis contribuições aos interesses croatas.

Com a queda da República de Veneza em 1797, suas possessões no Adriático oriental tornaram-se objeto de disputa entre a França e a Áustria, com esta última levando a melhor – em 1815, a Dalmácia e a Ístria já eram parte do império, embora ficassem sob controle austríaco, enquanto que o resto do que é hoje a Croácia permanecesse sob a coroa da Hungria (que, por sua vez, pertencia aos Habsburgos austríacos).

Em meados do século XIX, veio à tona o nacionalismo romântico na Croácia, que foi usado para contrabalançar a aparente germanização e magiarização do país. O Movimento Ilírio atraiu personalidades influentes dos anos 1830 em diante e produziu efeitos importantes na língua e na cultura croatas.

Após as Revoluções de 1848 em territórios dos Habsburgos e a criação da monarquia dual da Áustria-Hungria, a Croácia perdeu a sua autonomia doméstica, apesar das contribuições de seu ban Jelačić em reprimir a rebelião húngara. A autonomia croata foi restabelecida em 1868, com o Acordo Húngaro-Croata.

Pouco antes do término da Primeira Guerra Mundial em 1918, o Parlamento croata cortou relações com a Áustria-Hungria, enquanto as forças aliadas derrotavam o exército dos Habsburgos. Em seguida, o Conselho Popular (Narodno vijeće) do Estado, imbuído de uma tradição pan-eslávica com meio século de existência, uniu-se à Sérvia e Montenegro, formando o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos.

Em 1921, a nova constituição centralizou o poder na capital Belgrado e redesenhou as fronteiras internas em favor da maioria sérvia, em detrimento dos croatas chefiados por Stjepan Radić. Os croatas passaram então a boicotar o governo do Partido Radical Popular sérvio, exceto entre 1925 e 1927.

Em 1928, Radić foi mortalmente ferido por um deputado sérvio durante uma sessão do Parlamento, o que causou mais comoção em Zagreb. Em 1929, o Rei Alexandre proclamou a ditadura e impôs uma nova constituição que, dentre outras mudanças, alterava o nome do país para Reino da Iugoslávia.

O Rei Alexandre foi assassinado em 1934, em Marselha, França, por uma coalizão de dois grupos radicais, o Ustaše croata e o VMRO macedônio. A Croácia recebeu uma certa medida de autonomia em 1939, quando de uma reorganização das províncias, mas o regime militarista em Belgrado desmoronou em 1941 e as potências do Eixo ocuparam a Iugoslávia.

A ocupação da Iugoslávia pelo Eixo em 1941 permitiu ao partido croata radical de direita Ustaše subir ao poder, formando o Estado Independente da Croácia, chefiado por Ante Pavelić. Na verdade um fantoche das potências do Eixo, o novo Estado promulgou leis raciais, estabeleceu oito campos de concentração e deu início a uma campanha de extermínio de sérvios, judeus e roma(ciganos).

O movimento de resistência antifascista surgiu no início de 1941, sob comando do Partido Comunista, chefiado por Josip Broz Tito, da mesma maneira que em outras partes da Iugoslávia. A guerrilha monarquista sérvia Četnici, por sua vez, protegia do Ustaše os aldeães sérvios e retaliava contra os croatas.

O campo de concentração Jasenovac, criado pelos Ustaše no começo da guerra, foi um dos maiores sítios de execuções em massa da Europa ocupada, no qual pereceram dezenas de milhares (segundo algumas estimativas, centenas de milhares) de pessoas.

Tanto o Ustaše como a Četnici colaboraram com o Eixo e combateram juntos contra a resistência. Em 1943, o movimento de resistência tomou novo fôlego e logrou expulsar, até 1945, todos os colaboradores nazistas, com o auxílio do Exército Vermelho. O conselho antifascista da liberação popular da Croácia (ZAVNOH), criado em 1943, formou então um governo civil provisório.

A Croácia tornou-se parte da Iugoslávia Democrática Federal em 1945, a qual era governada pelo Partido Comunista Iugoslavo, de Tito. Este, de origem croata, adotou uma cuidadosa política para administrar as ambições nacionais dos croatas e dos sérvios.

A República Socialista da Croácia integrava uma federação de seis entidades políticas. Com o novo regime comunista, a propriedade privada foi abolida e a economia baseava-se num tipo de socialismo planejado. O país passou por uma fase de reconstrução, recuperou-se da Segunda Guerra Mundial, industrializou-se e começou a desenvolver o turismo.

A constituição federal de 1963 equilibrou o poder entre croatas e sérvios, mas não evitou por completo as tensões nacionalistas: durante a Primavera Croata de 1970-71, estudantes em Zagreb organizaram manifestações pedindo mais liberdades civis e maior autonomia para a Croácia. O regime reprimiu o protesto e prendeu os dirigentes, mas o episódio levou à promulgação de uma nova constituição em 1974, que conferiu maiores direitos às repúblicas federadas.

Em 1980, após a morte de Tito, as dificuldades políticas, étnicas e econômicas acumularam-se e o governo federal começou a desmoronar. O surgimento de Slobodan Milošević na Sérvia, dentre outros acontecimentos, provocou uma forte reação negativa na Croácia, com o recrudescimento do nacionalismo e da discórdia política.

Em 1990, realizaram-se as primeiras eleições livres, vencidas por um movimento popular chamado União Democrática Croata (HDZ), chefiado por Franjo Tuđman (general do movimento croata antifascista durante a Segunda Guerra). O objetivo do HDZ era obter uma maior grau de independência para a Croácia, a que se opunham os sérvios étnicos na república e o governo central de Belgrado. A polarização política contribuiu para afastar ainda mais os dois grupos étnicos e terminou em violência.

Em meados de 1990, os sérvios das áreas de montanha, onde constituíam uma relativa maioria, rebelaram-se e formaram uma Região Autônoma da Krajina Sérvia (mais tarde, República da Krajina Sérvia), não-reconhecida. A reação da polícia croata foi barrada pelo Exército Federal Iugoslavo (JNA), controlado pelos sérvios. O auge do conflito foi a chamada "revolução das toras": os sérvios da Krajina bloquearam as estradas para os balneários turísticos na Dalmácia e começaram um processo de limpeza étnica da população não-sérvia.

Com a declaração de independência da Croácia em 1991, o JNA passou a apoiar ostensivamente as milícias sérvias dentro da Croácia. Muitas cidades croatas, como Vukovar e Dubrovnik, foram atacadas pelas forças sérvias. O Parlamento croata cortou todos os laços restantes com a Iugoslávia em outubro de 1991.

A população civil fugiu em massa das áreas de conflito armado: milhares de croatas mudaram-se da área de fronteira com a Sérvia e a Bósnia, enquanto que milhares de sérvios ocuparam a região. Em vários lugares, os militares obrigaram os civis a sair, num ato de limpeza étnica.

A cidade fronteiriça de Vukovar sofreu um cerco de três meses - a batalha de Vukovar -, durante o qual quase todos os edifícios foram destruídos e a maioria da população viu-se forçada a fugir. Os sérvios tomaram-na em novembro de 1991. Chocada com as atrocidades cometidas pelos sérvios, a comunidade internacional começou a reconhecer a independência da Croácia. Em janeiro de 1992, a maior parte do mundo reconhecia o país.

Com as ordens de cessar-fogo das Nações Unidas, os dois lados entrincheiraram-se. O JNA recuou para a Bósnia e Herzegovina, onde a guerra ainda iria começar. Ao longo e 1992 e 1993, a Croácia recebeu 700.000 refugiados da Bósnia, em geral muçulmanos.

Após uma fase de conflito em menor escala na Croácia, as forças armadas croatas lançaram em agosto de 1995 a Operação Tempestade e liberaram com rapidez a maior parte da chamada Krajina, o que causou um êxodo maciço da população sérvia. Alguns meses depois, a guerra terminou com o Acordo de Dayton.

Após a morte do Presidente Tuđman em 1999, o país passou por várias reformas liberalizantes a partir de 2000, com uma recuperação econômica e a cura de feridas de guerra. O país tornou-se membro de diversas organizações internacionais e regionais importantes e no momento negocia a sua admissão na União Européia.



Cuba era povoada por índios, que chamavam sua ilha Bohío, quando foi visitada por Cristóvão Colombo na sua primeira viagem, em 24 de Outubro de 1492, embora ele pensasse que aquela terra fosse parte do continente e pertencente aos domínios do Grande Cão (o rei da Ásia, descendente de Genghis Khan). Colombo deu àquele território o nome de La Juana, em homenagem à filha dos Reis Católicos. Apenas em 1509 Sebastião de Ocampo provou que Cuba era uma ilha, quando começou a sua colonização.

A cidade de Havana foi fundada por Diego Velázquez de Cuéllar, primeiro governador da colónia, em 1514.

Durante quatro séculos Cuba foi umacolônia explorada pela Espanha. Após o esgotamento dos metais preciosos, ainda em meados do século XVI, a partir do século XVIII a produção açucareira tornou-se a base de sua economia, baseada na monocultura extensiva e na mão-de-obra do escravo africano. No século XIX, os Estados Unidos já eram o maior comprador do açúcar cubano.

O primeiro movimento de independência de Cuba, a chamada Grande Guerra registrou-se entre 1868 e 1878, conduzido por Carlos Manuel Céspedes, um latifundiário educado na Europa, que defendia os princípios liberais do Iluminismo.

Em 10 de Outubro de 1868, a partir de seu engenho de açúcar, à frente de duzentos homens, Céspedes levantou-se contra o governo espanhol, proclamando a independência de Cuba. Entre as primeiras providências de seu governo, proclamou a liberdade de todos os escravos que se unissem ao exército revolucionário. Essa medida teve como resultado imediato o aumento do seu efetivo para doze mil homens, e a oposição dos demais latifundiários, que se viram privados, por esse meio, de sua mão-de-obra. Enquanto isso, a Espanha ampliava o seu contingente militar na ilha, e Céspedes era deposto em 1873. A resistência, entretanto, prolongou-se até 1878, quando as tropas espanholas retomaram o controle da ilha.

Nesse meio tempo, surgiu um novo líder revolucionário: José Martí. Detido aos 16 anos de idade por ter fundado um jornal revolucionário (o La Patria Libre), foi condenado a trabalhos forçados e depois deportado para a Espanha. Livre, viveu no México, na Venezuela e nos Estados Unidos, onde passou a articular uma nova revolução para a independência de Cuba. Em 1892 fundou o Partido Revolucionário Cubano, em busca de recursos para o seu projeto. Desse modo, em 1895 desembarcou em Cuba, dando início a uma nova guerra de independência, na qual pereceu, um mês após iniciado o conflito. Entretanto, mesmo após a sua morte, os combates prosseguiram até 1898, quando, com a entrada dos Estados Unidos no conflito, a luta pela independência foi abortada e Cuba passou a ser colonia dos EUA.

Em 1898, o USS Maine, um navio de guerra norte-americano ancorado em Havana, repentinamente explodiu. Sem que se soubesse de imediato qual foi a causa, a imprensa e o governo dos Estados Unidos culparam a Espanha.

Sob o pretexto da explosão do navio, foi desatada uma guerra contra a Espanha. O presidente William McKinley assinou a Resolução Conjunta em 20 de abril de 1898.

A Resolução Conjunta autorizou o presidente a usar a força para eliminar o governo espanhol em Cuba. Assim, os Estados Unidos declararam guerra contra a Espanha, passando a atacar territórios espanhóis quer no Caribe quer no Pacífico, invadindo-os.

Derrotados, os espanhóis retiraram-se e Cuba assinou com os Estados Unidos o Tratado de Paris que põe fim a dominação espanhola na ilha, que se tornou um protetorado americano, sendo nomeado um Governador-Geral pelos EUA, o General norte-americano John Brooke. O governo estadunidense começou a criar propostas econômicas que beneficiavam apenas aos EUA, como por exemplo, todos os produtos que Cuba produzia eram exportados apenas para os Estados Unidos, a preços baixíssimos, que os revendia por preços maiores.

Cuba permaneceu ocupada pelos Estados Unidos até 1902, sendo liberada depois da aprovação de uma emenda à Constituição cubana que dava o direito, aos Estados Unidos, de invadir Cuba a qualquer momento em que os interesses econômicos dos Estados Unidos fossem ameaçados. A chamada Emenda Platt permaneceu mantendo Cuba um protetorado estado-unidense até 1933.

Em 1933, um golpe militar encabeçado pelo sargento estenógrafo Fulgêncio Batista derrubou a ditadura de Geraldo Machado. Fulgêncio Batista era mulato e pela primeira vez na história cubana os afro-descendentes chegavam ao poder. Ao se tornar chefe do exército, Batista dominou a situação usando uma orientação (segundo alguns) socialista, portanto oposta às ingerências norte-americanas.

Batista foi eleito em 1940 presidente da República. Promulgou a Constituição Liberal, e em 1952 conduziu novo golpe de Estado apoiado por diversos partidos políticos dentre os quais o Partido Socialista Popular (Partido Comunista Cubano).

Após o golpe de Batista, Cuba progrediu economicamente, porém sua economia ainda era fraca e tinha forte desequilíbrio na distribuição de renda. A ilha, mesmo sendo a maior economia do Caribe, em 1958 era apenas a oitava economia entre os 20 maiores países latino-americanos relativamente ao PIB e um dos mais pobres do caribe, considerando o PIB per capita. Além disto, havia também um grande desequilíbrio entre a área rural e urbana.

A área urbana possuía forte infra-estrutura e o capital proveniente do submundo ítalo-americano (dos Estados Unidos) financiava grande parte da economia. Em 1958, havia um total de 500 prostitutas em Havana, sendo a indústria da prostituição a mais rentável da ilha.

A prostituição, a corrupção e negociatas caracterizaram a era Batista, e, pouco a pouco, a classe média afastou-se do regime.

Devido à estrutura politico-econômica seguida por Batista, começou a haver descontentamento das classes média e baixa da população cubana. Na esteira dos protestos, os jovens começaram a se mobilizar e a adquirir idéias revolucionárias descendentes do bloco soviético.

Os estudantes, liderados por José Antonio Etcheverria, criaram um Diretório Estudantil Revolucionário que patrocinou um grupo armado e atacou, em março de 1953, o palácio presidencial. Etcheverria foi morto e o diretório disperso.

Outro grupo de estudantes iniciou nova movimentação, liderados por um estudante de Direito chamado Fidel Alejandro Castro Ruz, (Fidel Castro).

Numa ação de guerrilha urbana, o grupo atacou uma guarnição militar chamada de La Moncada. Na ação, alguns dos atacantes foram mortos e Fidel Castro capturado. Julgado, foi condenado a 15 anos de prisão; libertado em seguida por interferência de alguns religiosos, viajou para o México. Lá conheceu um médico argentino comunista chamado Ernesto Guevara, conhecido como Chê.

O guerrilheiro argentino Che Guevara ajudou Fidel na formação de um movimento revolucionário chamado Movimento 26 de Julho, composto de jovens estudantes que iniciaram uma luta contra Batista que durou 25 meses.

Em 7 de Novembro de 1958, Ernesto Guevara Lynch de la Serna, Che Guevara ou el che,começou sua marcha para Havana, capital de Cuba. No dia 1 de janeiro de 1959, Batista põe-se em fuga, acompanhado por todos os dignitários de sua ditadura. Em 1959, Fidel Castro liderou a Revolução Cubana contra o ditador Fulgencio Batista. Fidel Castro não era comunista, aliás, os comunistas apoiavam Batista e não confiavam em Fidel. Fidel Castro mobiliza a juventude cubana e consegue eliminar o analfabetismo - que era de 40 % - em apenas um ano, utilizando-se de cem mil jovens nessa empreitada. Fidel Castro realizou a reforma agrária, desapropriando propriedades dos americanos, indenizados pelo valor que declararam no Imposto de Renda do exercício anterior, muito abaixo do valor real, provocando descontentamento entre os proprietários mais ricos e o que levou os EUA a considerarem o líder cubano um inimigo e tentarem derrubá-lo, treinando ex-militares de Batista para invadir Cuba. Cortaram também a compra do Açúcar Cubano. Isso obrigou Fidel a se aproximar da União Soviética e dois anos mais tarde instaurar um regime ditatorial de orientação marxista e partido único.

Entre 17 e 21 de Abril de 1961, cerca de 1500 exilados cubanos recrutados, patrocinados e treinados pela CIA dos Estados Unidos tentaram uma invasão frustrada na Baía dos Porcos. Foram rechaçados e 300 deles morreram, sendo 1200 aprisionados. Eram a maioria soldados do ex-ditador Batista e, julgados pela multidão no estádio em que foram mantidos presos, quando Fidel perguntou o que fazer com eles a multidão gritou: Paredão! Fidel Castro, entretanto, preferiu tentar trocá-los por tratores, um trator para cada 50 traidores, e devolvê-los à Miami. Não conseguiu os tratores, mas recebeu USS$ 50 milhões em alimentos e medicamentos, pela libertação dos exilados.

Devido a aproximação das relações do regime cubano com a URSS, que estava em plena Guerra Fria com os EUA, assistiu-se a um aumento de tensão entre os países provocado pelo apoio militar declarado pela URSS. Khrushchov decidiu implementar secretamente um conjunto de mísseis soviéticos em Cuba. Perante a possibilidade de Cuba possuir armas nucleares, de origem russa, que ameaçariam os EUA , Kennedy presidente dos Estados Unidos, ponderou em invadir a ilha ou bombardear as rampas de lançamento (dos mísseis). Kennedy optou por decretar um embargo naval à ilha o que impede os cargueiros russos de chegar a Cuba.

Khrushchev acabou por ceder e retirou a sua pretensão de possuir mísseis em território cubano em troca do compromisso dos EUA de respeitarem a soberania de Cuba e não invadirem a ilha e desmontar bases de mísseis na Turquia, fato que só foi divulgado recentemente nos EUA.

Inconformados com a expropiação de corporações americanas e de terras rurais de posse de americanos na ilha cubana com indenização baseada no valor declarado ao Fisco no exercício anterior, ou seja, muito inferior ao real, primeiramente, depois com o fracasso da operação na Baía dos Porcos (1961), os Estados Unidos impuseram um embargo econômico a Cuba, ameaçando cortar relações com qualquer país que fizesse comércio com Cuba. Foi quando a União Soviética entrou em cena, comprando os produtos que seriam exportados caso não houvesse embargo. Isso causou desespero aos americanos, pois ter um país, durante a guerra fria, sob a órbita de influência soviética a 120km de distância era intolerável. Os EUA mantêm o embargo econômico à Cuba até hoje, alegando desrespeito contínuo de direitos humanos pelo regime castrista.

Com o fim da União Soviética, Cuba acabou por reabrir economicamente o país para o mundo, pois já não dispunha mais do subsídio e sua economia estava em declínio. Porém, dada a força do bloqueio econômico estado-unidense, o país vive isolado economicamente, passando por muitas dificuldades.



A história de Singapura remonta há muitos anos, época em que já era um importante empório comercial dominado sucessivamente por distintos reinos marítimos. Em 1819, passou a ser um domínio britânico com o desembarque na ilha de Thomas Stamford Raffles, da Companhia Britânica das Índias Orientais. Raffles foi o obreiro da Singapura moderna e, exceptuando o período de invasão japonesa em 1942, Singapura foi colónia britânica até 1959, quando alcançou a sua autonomia e entrou na Commonwealth. Em 1963, uniu-se à federação da Malásia, da qual se separou dois anos depois para se transformar num estado independente em 9 de agosto de 1965.



Os primeiros rastros de ocupação humana da região remontam a 10 mil anos a.C. Diversos povos ameríndios, com níveis de desenvolvimento diferentes, ocupavam o território colombiano, sendo que o mais avançado deles na época da conquista espanhola era o dos chibchas. No ano em que a América foi descoberta por Colombo, 1492, estima-se que a população indígena somava 850 mil pessoas, distribuídas em diversos grupos, muitos deles hábeis artesãos que deixaram a marca de sua existência moldada em ouro, como se pode ver também em Bogotá no Museu Nacional. Nenhum deles, entretanto, deixou registros escritos, o que não permite reconstruir sua evolução com a mesma precisão que se alcançou no estudo das grandes civilizações históricas do Novo Mundo. Em San Agustín, próximo à nascente do rio Magdalena, encontraram-se vestígios de uma das mais fascinantes e menos estudadas civilizações do hemisfério Ocidental, extinta muitos séculos antes da chegada dos europeus. Conhece-se muito pouco sobre essas tribos; estima-se que a cultura de San Agustín começou a desenvolver-se no século V. Os taironas, quimbayas e calimas dominaram as artes da cerâmica e até montaram formas de governo, estabelecendo pactos políticos entre si.

Os povos das regiões planas e litorâneas organizavam-se socialmente como confederações de tribos, levavam vida muito simples e foram extintos pelos colonizadores espanhóis. Já em terras andinas havia culturas mais desenvolvidas, entre as quais se destaca a dos chibchas, que ocupavam os pontos mais altos da parte central da cordilheira Oriental, na parte alta do rio Magdalena. De cultura similar à inca, eram exímios agricultores, cultivando milho, batata e algodão. Não chegaram a formar um império unitário, mas apresentavam muitos traços culturais comuns. Atingiram grande densidade populacional na savana de Bogotá. Seu centro mais importante era Bacatá, próximo à posterior capital colombiana.

A primeira expedição européia a avistar terras da futura Colômbia foi a do espanhol Alonso de Ojeda, que em 1499 dobrou o cabo de La Vela, na península de La Guajira. Em 1502, durante sua última viagem ao Novo Mundo, Cristóvão Colombo explorou uma parte da costa do Caribe pertencente ao território dos chibchas. Depois disso, chegaram vários conquistadores espanhóis, que fundaram Darién (1510), o primeiro assentamento europeu permanente em território americano. Em 1509, o reconhecimento de toda a costa sul-americana do Caribe foi feito por Rodrigo de Bastidas, que em 1525 fundou Santa Marta. Em 1533, Pedro de Heredia fundou Cartagena, que se tornaria uma das principais bases marítimas do império espanhol nas Américas. Entre 1536 e 1539, a colonização do interior foi comandada por Gonzalo Jiménez de Ojeda (ou Gonzalo Jiménez de Quesada), que derrotou os chibchas, fundou a cidade de Santa Fé de Bogotá em 1538, e deu o nome de Nova Granada ao país, que, por suas riquezas minerais, sofreu muitos ataques de corsários e mais tarde de ingleses e franceses. Até 1539 já haviam sido fundadas todas as cidades importantes do interior colombiano.

A região foi inicialmente parte do vice-reinado do Peru. Bogotá, que antes da conquista era o principal núcleo dos reinos chibchas, transformou-se, em 1550, na audiência de Santa Fé de Bogotá, dependente do vice-reino do Peru e centro administrativo de uma região que abrangia Nova Granada, Popayán, Antioquia, Cartagena, Santa Marta, Riohacha, os llanos de Casanare e San Martín.

A partir de 1564, os presidentes da audiência de Santa Fe gozaram de poderes semelhantes aos dos vice-reis. As populações autóctones diminuíram enormemente, exterminadas pelos novos senhores das terras e por doenças por eles transmitidas, como a epidemia de varíola de 1587-1589.

As culturas indígenas se transformaram rapidamente, em contato com a civilização. O catolicismo foi imposto e predominou sobre as religiões autóctones. No século XVII, o chibcha, língua indígena que tivera o maior número de usuários, havia caído em desuso nas zonas mais povoadas do país e a miscigenação granhou forte impulso. Nas planícies do Chocó e na costa do Caribe foram instalados escravos negros, destinados à extração do ouro e ao trabalho nas plantações de cana-de-açúcar.

A Igreja Católica, com a atuação de missionários franciscanos, dominicanos e jesuítas, desempenhou importante papel na catequese e na administração. Em 1620, a Inquisição instalou-se em Cartagena, cidade que logo se tornaria um baluarte do império espanhol.

A dependência administrativa de Lima encerrou-se com a criação do vice-reino de Nova Granada, vigente primeiro durante um breve período, de 1717 a 1723, e depois, definitivamente, a partir de 1740. O vice-rei, estabelecido em Bogotá, tinha autoridade sobre a Venezuela, o Equador e o Panamá, assim como a Colômbia. A superveniência do novo status político representou o início de uma nova era. Nas décadas seguintes, a coroa espanhola procurou fortalecer o império mediante maior centralização da administração e desenvolvimento do comércio. A população aumentou e começou a consolidar-se uma nova classe social com crescente poder: a dos criollos, descendentes de espanhóis nascidos na colônia.

De 1785 a 1810, os criollos de Nova Granada não ofereceram resistência às reformas políticas e econômicas. Assim, no levante dos Comuneros (1781), os socorrenses opuseram-se às reformas, mas em 1809 propuseram medidas favoráveis ao sistema de livre comércio e à abolição da escravatura. As reformas educacionais desempenharam papel de relevo nessa modificação de perspectiva dos granadinos. Como vice-rei, o arcebispo Caballero y Góngora (1782-1788) concentrou-se principalmente na educação, modernizando os currículos e criando uma escola de minas.

Os excessos fiscais do governo espanhol provocaram, a partir de 1780, movimentos insurrecionais, que, devido as incertezas quanto ao destino do império após a invasão da Espanha pela França em 1808, se transformaram em verdadeiras rebeliões armadas em 1810.

Inspirada na Revolução Francesa e no movimento de independência das colônias norte-americanas, a população de Nova Granada se uniu à corrente revolucionária para obter a independência. O movimento de maior importância foi a Revolução dos Comuneros (1781).

Em 1810, as jurisdições de Nova Granada expulsaram as autoridades espanholas, exceto em Santa Marta, Riohacha e os atuais Panamá e Equador. O levante de Bogotá, de 20 de julho desse ano, é comemorado como a data de independência da Colômbia. A capital colombiana, a essa época, contava com cerca de 50 mil moradores. A rivalidade entre os grupos que propugnavam uma federação e aqueles que tentavam centralizar a autoridade nos novos governos provocou uma série de guerras civis, que facilitou a reconquista, pela Espanha, das Províncias Unidas de Nova Granada, entre 1814 e 1816.

As execuções e castigos praticados pelos espanhóis favoreceram a unidade dos setores libertários. Um grupo de patriotas refugiado em Casanare, chefiado por Francisco de Paula Santander, iniciou a luta armada, com apoio de Simón Bolívar. Em 1819, realizou-se o Congresso de Angostura (hoje Cidade de Bolívar, na Venezuela), com delegados de Casanare e algumas províncias venezuelanas, no qual foi proclamada a criação da República da Grã-Colômbia, formada pelo que anteriormente fora o vice-reinado de Nova Granada. No mesmo ano Bolívar invadiu Nova Granada e derrotou os espanhóis em Boyacá, em 7 de agosto. Seguiram-se as batalhas de Carabobo (Venezuela), em 1821, e de Pichincha (Equador), em 1822, também vencidas por Bolívar.

O Congresso de Cúcuta, em 1821, aprovou uma Constituição na qual se estabelecia uma forma republicana de governo e que elegeu Simón Bolívar como o primeiro presidente. Libertado o território colombiano, Bolívar concentrou sua ação no Peru, deixando Santander como vice-presidente da Grande Colômbia. Em 1826, com a expulsão definitiva dos espanhóis do continente, Bolívar regressou a Bogotá, onde suas idéias centralizadoras se chocaram com o federalismo de Santander. Bolívar tornou-se ditador, mas sucessivos atentados e revoltas, além do descontentamento de grande parte de seus antigos partidários, obrigaram-no a renunciar em 1830. Em poucos meses, o que havia sido o vice-reino de Nova Granada fragmentou-se em três Estados independentes: Venezuela, Equador e República de Nova Granada, depois Colômbia, na qual estava incluído o território do Panamá. A história política do país foi, desde então, basicamente um registro de conflitos, muitas vezes violentos, entre elementos liberais e conservadores para determinar a política de governo.

Em 1832, foi promulgada por Francisco Santander a Constituição de Nova Granada, que garantia os direitos civis e a separação da Igreja e do Estado.

A partir da guerra civil de 1840-1842 e de hostilidades entre os partidos Liberal e Conservador, instituiu-se uma federação em que o governo central teve poderes muito reduzidos. A Constituição de 1858 restaurou um governo nacional forte. A rejeição da Carta pelos liberais levou à chamada "anarquia organizada". Em 1863, depois da vitória dos liberais na guerra civil, adotou-se uma nova Constituição na qual se estabelecia a união dos Estados soberanos nos Estados Unidos da Colômbia.

Entre 1880 e 1894, os conservadores prevaleceram e retiveram o poder. Um segmento do Partido Liberal, encabeçado por Rafael Núñez, passou então a defender uma reforma constitucional e aliou-se aos conservadores. Em 1886, proclamou-se uma nova Constituição, de caráter centralizador, que estabelecia o nome do país atual, República da Colômbia. A Igreja Católica tornou-se a igreja oficial. A Carta haveria de manter-se, com modificações, durante todo século seguinte.

O presidente Rafael Núñez devolveu à Igreja Católica os privilégios cuja supressão causara uma guerra civil na década anterior. Com sua morte, novas discórdias civis ocorreram entre 1884 e 1895. Anos depois, o país se debateria na mais sangrenta das guerras civis colombianas: a Guerra dos Mil Dias (1899-1903), que deixou o país exaurido.

Em 1903, o Senado se negou a ratificar o tratado de Hay-Herrán, que estabelecia o arrendamento aos Estados Unidos de uma faixa de território do istmo do Panamá (ou centro-americano) para construírem um canal. Os Estados Unidos organizaram uma rebelião no Panamá que, depois da intervenção de tropas norte-americanas, culminou com sua independência.

O mandato do general Rafael Reyes na presidência da república (1904-1909) marcou o princípio de uma lenta recuperação econômica. Em 1914, a Colômbia reconheceu oficialmente a independência do Panamá e recebeu uma indenização no valor de 25 milhões de dólares, paga pelos Estados Unidos. O aumento do comércio exterior, com a exportação de café e o início da exploração de jazidas, conduziu a um processo de industrialização e prosperidade que seria interrompido pela crise mundial de 1929. Os preços do café, do petróleo e da banana, os principais produtos de exportação, caíram vertiginosamente, o que levou a economia do país ao colapso.

O Partido Conservador, no poder desde o final do século XIX, perdeu em 1930 a presidência da república para o Partido Liberal, que se manteve no governo até 1946. Nas eleições realizadas nesse ano, os liberais se dividiram e lançaram dois candidatos, propiciando a vitória ao conservador Mariano Ospina Pérez. Em 1948, a Colômbia firmou união econômica com a Venezuela e o Equador. Apesar de vitoriosos na eleição, os conservadores só obteriam o controle do Congresso ao impor, em 1949, o estado de sítio, que durou até 1958.

A violência estourou novamente em 1948 e passou da área urbana para a rural. Em 9 de abril, o advogado colombiano Jorge Eliécer Gaitán, líder dos trabalhadores e popular candidato derrotado às eleições presidenciais, foi assassinado em pleno centro de Bogotá. Este acontecimento, que passou para a história do país com o nome de "bogotazo", foi o mote para a maior rebelião da história da Colômbia, que duraria uma década e que fez 250.000 mortes, precipitando um governo militar entre 1953 e 1958.

Em meio a uma verdadeira guerra civil, o candidato conservador Laureano Gómez ganhou as eleições e tomou posse em 1950. Em 1953, o Partido Conservador propôs uma nova Constituição que previa a imposição de um regime totalitário ao estilo do espanhol Francisco Franco. Os liberais e os conservadores moderados se opuseram a esse projeto e uma junta militar derrubou o governo. Nomeou-se o general Gustavo Rojas Pinilla como presidente provisório; em 1954, a Convenção Constitucional o elegeu para mais um período de quatro anos e ele governou por meio de decretos. Embora louvado como paladino da justiça, Rojas Pinilla foi ainda mais arbitrário que seu antecessor. Numa tentativa de restauração do poder civil, liberais e conservadores formaram a Frente Nacional.

Um novo golpe de Estado o derrotou em 1957 e um plebiscito incorporou os acordos da Frente Nacional à Constituição, para repartir os cargos de governo e alternar os dois partidos hegemônicos na presidência. Nos anos seguintes, a impossibilidade de romper esse esquema levou muitas lideranças da oposição a aderir aos grupos guerrilheiros, que operavam no país desde o período conhecido como La Violencia (1948-1958) e adquiriram definição ideológica de esquerda nos anos 1960, sob a influência da Revolução Cubana.

Apesar da coalizão liberal-conservadora, o governo caía em períodos de semiparalisia. No ano de 1958, o presidente Alberto Lleras Camargo instituiu a reforma agrária. Em 1960, a Colômbia passou a fazer parte da ALALC (Associação Latino-Americana de Livre Comércio). Em 1962 assumiu a presidência Guillermo León Valencia. O general Rojas Pinilla foi preso em 1963 sob a acusação de conspirar contra o regime. A crise econômica levou o Congresso a conceder poderes extraordinários a Valencia. A situação continuou a agravar-se no plano político, o que culminou com a reimplantação do estado de sítio em 1965, após distúrbios estudantis.

Em 1966 começou a gestão de Carlos Lleras Restrepo, talvez a mais bem-sucedida da história colombiana. A economia recuperou-se com base num planejamento correto e em reformas políticas essenciais. Ao final de seu governo, a economia apresentava um crescimento anual de 6,9%. Na eleição de 1970, Misael Pastrana Borrero sagrou-se vencedor, derrotando o ex-ditador Rojas Pinilla. Na eleição de 1974, a presidência passou para Alfonso López Michelsen, também liberal, cujo governo enfrentou problemas econômicos. Ainda assim, em 1978 foi eleito outro liberal, Julio Turbay Ayala, contra quem se aliaram manifestações de descontentamento popular e a violência dos movimentos guerrilheiros de esquerda.

Em 1982, o candidato conservador Belisario Betancur Cuartas ganhou as eleições presidenciais de 1982. Neste mesmo ano, foram anistiados os presos políticos da guerrilha de esquerda. A campanha de pacificação nacional do presidente Belisário Betancur foi obstada pelo poder dos traficantes de tóxicos, o chamado cartel de Medellín, que em 1970 se implantara no país como poder paralelo. O ministro da justiça da Colômbia foi assassinado em 1984 por ter dado início à campanha antidroga, mesmo assim, o presidente em exercício deu um grande impulso a esta campanha que levou ao desaparecimento do seu ministro; entretanto, durante o ano de 1985, as guerrilhas recuperaram a força e a luta contra o narcotráfico foi perdendo o ímpeto. Em 1985, o país foi abalado por duas tragédias: a invasão do Palácio da Justiça por sediciosos, com a morte de mais de 90 pessoas entre seqüestradores e seqüestrados, e a erupção do Nevado del Ruiz, que levou à morte cerca de 25.000 pessoas.

Em 1986 foi o fim da Frente Nacional. O Partido Liberal venceu as eleições e o presidente Virgílio Barco Vargas declarou uma gigantesca ofensiva contra os traficantes de cocaína do cartel de Medellín, após os assassinatos de um ministro do Supremo Tribunal e do principal candidato à eleição de 1990, Luis Carlos Galán Sarmiento.

Depois de uma campanha em que foram assassinados os três candidatos presidenciais, César Gaviria Trujillo, do Partido Liberal, foi eleito presidente em 1990. Gaviria apoiou a Assembléia Constitucional, que elaborou uma nova Carta, a qual entrou em vigor em 1991. Seguiu-se um acordo com alguns grupos guerrilheiros (principalmente o conhecido M-19) para desmobilização, a fim de fazerem parte do processo político. Em julho de 1991, foi descoberto um grande campo petrolífero.

Uma campanha bombista foi levada a cabo pelos barões da droga em retaliação pelo confisco de propriedades e extradição para os Estados Unidos de membros dos cartéis. O presidente norte-americano George Bush foi um dos aliados antidroga na Colômbia, no ano de 1990. Vários cabecilhas ligados ao tráfico de estupefacientes renderam-se às autoridades e foram presos. Esta onda de prisões, incluiu o líder da cocaína de Medellín, Pablo Escobar, que conseguiu evadir-se da prisão, em julho de 1992 mas foi morto em um tiroteio quando era caçado por soldados e policiais em 1993. O estado de emergência foi declarado um ano depois com o intuito de controlar a situação.

Em 1994, Ernesto Samper Pizano, do Partido Liberal, foi eleito presidente da república. Apesar de alguns êxitos parciais na luta contra o narcotráfico, desta vez buscando desmantelar o cartel de Cali, Samper foi acusado de ter usado dinheiro fornecido por traficantes no financiamento de sua campanha eleitoral. A acusação não foi adiante por falta de provas, mas fez com que o governo dos Estados Unidos negasse a certificação de país aliado na luta contra as drogas à Colômbia e proibisse a entrada de Samper em território norte-americano. Também não tiveram sucesso suas tentativas de iniciar negociações de paz com os movimentos guerrilheiros, que durante o seu governo intensificaram suas ações e ampliaram o controle sobre regiões do interior.

Em junho de 1998, foi eleito presidente o conservador Andrés Pastrana, que fez sua campanha prometendo uma profunda reforma das instituições do Estado. Assim que foi empossado, Pastrana conseguiu que os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) aceitassem sentar à mesa de negociações para discutir a pacificação do país. Para isso, foi necessário aceitar algumas condições, como reconhecer o controle das FARC sobre vários Municípios, o que provocou resistências e protestos no seio das forças armadas regulares. Assim mesmo, Pastrana foi adiante e se deixou fotografar no meio da floresta com o veterano líder das FARC, Manuel Marulanda Vélez, conhecido como "Tirofijo" por sua lendária pontaria.

Em janeiro de 1999, um terremoto de seis graus na escala Richter sacudiu a região centro-oeste, onde se encontram os departamentos de Quindío e Risaralda. O sismo provocou a morte de pelo menos 875 pessoas e ferimentos em mais de 3 mil, deixando cerca de 400 mil desabrigados. Além das perdas humanas, o terremoto afetou a principal região produtora de café do país. O presidente Pastrana decretou estado de emergência militar para conter saques e violências nas cidades de Armênia e Pereira.



Conhecidas desde o século IX pelos árabes e persas, as ilhas Comores eram um entreposto comercial fundamental para o fluxo de minérios do Zimbábue e os portos de Áden e Dar es Salaam.

Foram colônia islâmica entre os séculos IX e XIX, inicialmente sob controle Abássida e posteriormente, Otomano. A partir do século XIX, com a desintegração dos impérios islâmicos, as ilhas foram anexadas pela França, juntamente com Mayotte e Reunião.

Em 1975, tornaram-se independentes e passaram a formar a República Federal Islâmica das Comores, com três das quatro ilhas originais do antiga colônia. Hoje integram a Liga Árabe e a Organização da Conferência Islâmica.



O Congo obteve a sua independência da França em 15 de agosto de 1960. Seu primeiro presidente foi Fulbert Youlou, forçado a deixar o governo por uma revolta, em 1963. Assume, então, a presidência Alphonse Massamba-Délbat que, em 1964, fundou um partido de índole marxista-leninista adotando uma economia planificada, de base socialista. A seguir, dá início a um "Plano Qüinqüenal" que levou a uma expansão inicial da agricultura e da indústria.

A tensão entre o governo e os militares cresce e, em 1968, o Exército dá um golpe-de-estado, liderado pelo major Marien Ngouabi, que assume o poder. Ele manteve a linha socialista, porém criando o seu próprio partido, o "Partido Congolês dos Trabalhadores" (PCT). Em 1970, o país adota a denominação de República Popular do Congo e consolida seu regime ligado ao marxismo-leninismo. Neste mesmo ano, o Exército esmaga uma tentativa de golpe contra o presidente, liderada pelo ex-tenente pára-quedista Pierre Xitonga, e executa todos os conspiradores, com exceção do ex-ministro da Defesa, Augustin Poignet, que consegue fugir. Aproveitando-se desta situação, dá início a um expurgo geral de todos os suspeitos de serem contrários ao seu governo.

O Partido Congolês do Trabalho (PCT) permanece como sendo o único legal e, em 1977, o presidente foi assassinado, assumindo o poder uma junta militar. Em 1979 passa à presidência o coronel Sassou-Nguesso, que exerce poderes ditatoriais até 1989, quando o colapso comunista do leste europeu o leva a anunciar reformas políticas e a transição para a economia de mercado. O governo mantém uma política internacional de neutralidade, relacionando-se tanto com o capitalismo como com o comunismo.

Em 1990, o PCT abandona o marxismo-leninismo. No ano seguinte, tropas cubanas estacionadas no país desde 1977, deixam o Congo. Em 1992 é votada a nova Constituição, onde está previsto um sistema político multipartidário.

Em 1993 milícias promovem ataques contra tropas do governo, cujo presidente é Pascal Lissouba. A situação persiste até 1995, com greves e motins. Sassiy-Nguesso dá um golpe de estado em 1997 apoiado por Angola (até então também em guerra civil). Em 1998 e 1999 tropas do novo governo e aliados enfrentam rebeldes orientados pelo antigo governo (Lissouba e Kolelas), deposto. Em 1999 é assinado cessar-fogo e chega ao fim a guerra civil. Na Justiça, Kolelas é condenado à morte. As perdas são estimadas em US$ 2,5 bilhões, além de 10 mil mortos.



A história da Coreia do Norte começa quando acaba a Segunda Guerra Mundial, em 1945. Neste ano os japoneses foram expulsos da península coreana e forças soviéticas e estadunidenses ocuparam a área. Os soviéticos estabeleceram-se ao norte do paralelo 38 e os estadunidenses ao sul. Formaram-se dois países divididos que reclamavam o direito sobre toda a península, cada um proclamando ser o legítimo representante do povo coreano.

A paz se mantinha fragilmente e em 25 de junho de 1950 a Coreia do Norte invadiu a Coreia do Sul e deu início a uma grande guerra, envolvendo China e União Soviética de um lado e os EUA do outro. Em 27 de julho de 1953 foi assinado um armistício entre o comandante do exército norte-coreano e um representante da ONU, criando uma zona desmilitarizada entre os dois países.

Um regime de partido único tal qual o soviético foi implantado no país e tem sido assim até hoje. A Coreia do Norte apresentava bons índices de desenvolvimento econômico e industrial durante todo o terceiro quarto do século XX, graças à ajuda da URSS e ao cenário econômico mundial, mas a partir da crise do petróleo que surgiu nos anos 1970 o país sucumbiu diante da modernização tecnológica e econômica dos países capitalistas e não mais conseguiu se reerguer. Hoje depende freqüentemente de ajuda humanitária e apresentou, em 1995, um IDH com o Coeficiente de Gini no valor de 0.766, similar ao da China nos dias atuais, e superior ao IDH do Brasil na época. Mas o país, que passa por crises sociais graves busca acordos multilaterais para se re-erguer.

Em 1994 morreu Kim Il-sung, que governara o país desde 1948. Seu filho, Kim Jong-il, assumiu o comando do partido dos trabalhadores norte-coreano em 1997, e seguindo a linha do pai, opõe-se à abertura econômica do país, inflando gastos com o setor militar, possivelmente para barganhar algo dos inimigos políticos.

O comitê provisório popular da Coreia do Norte exerce as funções de governo provisório. A lei sobre a reforma agrária de 5 de março de 1946 aboliu a propriedade feudal. A lei de 10 de agosto de 1946 nacionalizou as grandes indústrias, os bancos, os transportes e as telecomunicações. O primeiro código do trabalho foi estabelecido pela lei de 24 de junho de 1946. A lei de 30 de julho de 1946 proclamou a igualdade dos sexos. Uma campanha de alfabetização foi iniciada em 1945.

A divisão da Coreia, desde a capitulação japonesa em 1945, estabeleceu os soldados soviéticos e americanos em partes diferentes divididos pelo trigésimo oitavo paralelo, ao final de 1948. Ao sul, os Estados Unidos colocaram em prática uma administração militar direta, e uma organização de eleições em 10 de maio de 1948, que conduziu à proclamação da República da Coreia, em 15 de agosto de 1948.

Depois da Pyongyang de uma conferência, reunindo as organizações da Coréia do Norte e do Sul, em abril de 1948, as eleições legislativas (organizadas clandestinamente ao Sul) foram feitas em 25 de agosto de 1948. Em 9 de setembro de 1948, a Assembleia popular proclama a República popular democrática da Coreia à Pyongyang.

Depois de um rápido avanço das tropas norte-coreanas comandadas por Kim Il Sung, que ocuparam logo quase toda peninsula, a exceção de uma ponta à Pusan, as forças americanas e de outros países ocidentais se uniram sob a bandeira da Organização das Nações Unidas em 7 de julho de 1950 : o boicote pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (ou URSS), do Conselho de Segurança das Nações Unidas, da Organização das Nações Unidas permitiram ao Estados Unidos de considerar a Coreia do Norte como agressor e de fazer votar uma intervenção das Nações Unidas. A contra-ofensiva americana invadiu a Coreia do Norte em 26 de outubro de 1950. O armistício assinado em Panmunjeom em 27 de julho de 1953, deu trégua aos dois países, em que tecnicamente ainda estariam em guerra, pois nenhum acordo de paz foi assinado. Este armistício foi rompido em 27 de Maio de 2009, unilateralmente pela Coreia do Norte após anúncio do seu vizinho Coreia do Sul, se aderir ao programa PSI (significado "Iniciativa de Segurança contra a Proliferação"), criado pelos Estados Unidos durante o governo do presidente George W. Bush, para impedir o tráfico mundial de armas de destruição em massa.



A História da Coréia do Sul ocorreu depois do fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, as superpotências do mundo dividiram a Coreia em duas zonas de influência, seguindo-se, em 1948, a instalação de dois governos: um norte comunista e um sul influenciado pelos Estados Unidos. Em Junho de 1950 começou a Guerra da Coreia. O sul, apoiado pelos Estados Unidos, e o norte apoiado pela União Soviética acabaram por atingir uma situação de impasse e foi assinado um armistício em 1953, dividindo a península ao longo da zona desmilitarizada, próxima do paralelo 38, que tinha sido a linha de demarcação original.

A partir daí, a República da Coreia, no sul, sob o governo autocrático de Syngman Rhee e a ditadura de Park Chung Hee, alcançou um rápido crescimento económico. A agitação civil dominou a política até que os protestos tiveram sucesso em derrubar a ditadura e instalar uma forma de governo mais democrática nos anos 80. Uma reunificação das duas Coreias tem permanecido no centro da política do país, muito embora ainda não tenha sido assinado um tratado de paz com o Norte. Em Junho de 2000 realizou-se uma histórica primeira conferência Norte-Sul, como parte da "política do Sol" sul-coreana, apesar de um aumento recente de preocupação com o programa de armas nucleares da Coreia do Norte.



As populações indígenas estiveram política e socialmente isoladas até épocas muito recentes. Os antecessores da população atual se instalaram na área entre os séculos XVIII e XIX. Os exploradores portugueses chegaram no século XV e iniciaram o comércio de marfim e escravos do litoral. No século XVII estabeleceram-se diferentes Estados negros, entre os quais se destacou o dos baules por suas atividades artísticas. No final do século, os franceses fundaram os entrepostos de Assini e Grand-Bassam e, no século XIX, celebraram uma política de pactos com os chefes locais com o objetivo de estabelecer uma colônia. Em 1887 iniciou-se a penetração para o interior. A região se tornou uma colônia autônoma em 1893. Em 1899, passou a fazer parte da Federação da África Ocidental Francesa. A ocupação militar ocorreu entre 1908 e 1918, enquanto se construía a linha férrea entre o litoral e Bobo-Dioulasso, hoje pertencente a Burkina Faso.

Em 1919, a parte norte da colônia se tornou independente. Abidjan permaneceu sob jurisdição francesa durante a Segunda Guerra Mundial, embora a França estivesse ocupada pelos alemães. Em 1944, foi criado o Sindicato Agrícola Africano, que deu origem ao Partido Democrático da Costa do Marfim (Parti Démocratique de la Côte d'Ivoire). Entre 1950 e 1954, foi construído seu porto. Em 1958, foi proclamada a República da Costa do Marfim, como república autônoma dentro da Communauté française (Comunidade Francesa) e, em 1960, alcançou a independência plena.

Foi eleito presidente Félix Houphouët-Boigny, líder do Parti Démocratique de la Côte d'Ivoire--Rassemblement Démocratique Africain, até 1990 foi a única agremiação política legal no país. Com um alinhamento político pró-ocidental, a Costa do Marfim esteve em foco na década de 1970, ao tentar intervir pela via das negociações na resolução do apartheid na África do Sul.

As eleições de 1990, a primeira em que houve uma disputa real pelo poder, foram disputadas por todos os partidos políticos já legalizados, tendo o presidente Houphouët-Boigny sido reeleito para um sétimo mandato. Também em 1990 o Papa João Paulo II visitou a Costa do Marfim, onde consagrou, em Yamoussoukro, uma suntuosa basílica, oficialmente construída às expensas do presidente. Houphouët-Boigny, apesar de numerosas tentativas de golpes de estado e da instabilidade social provocada por crises econômicas, manteve-se no poder desde a independência até dezembro de 1993, quando faleceu.

O antigo presidente da Assembléia Nacional (Parlamento), Henri Konan Bedié, assumiu a presidência da República em 1993 e foi confirmado no cargo em 1995. No dia 24 de dezembro de 1999, um golpe de Estado, comandado pelo general Robert Guel (Robert Guéï), destituiu o presidente Konan Bedié, que se refugiou na Embaixada da França e depois no Togo. O general Guel convocou todos os partidos políticos para formarem um governo de transição e prometeu que o retorno à democracia seria rápido. Esse foi o primeiro golpe de estado no país desde a sua independência em 1960.

Robert Guéï foi assassinado durante um levantamento encabeçado pelo Movimento Patriótico da Costa do Marfim em 2002. Foi sucedido por Laurent Gbagbo.

A Costa do Marfim desempenha importante papel na África e dentro da Entente.

Guerra civil da Costa do Marfim (2002-2004): O norte se rebelou. 10.000 boinas azuis da ONUCM (Força de Paz da ONU na Costa do Marfim), dentre os quais 4600 soldados franceses da Licorne (operação militar francesa para a Costa do Marfim) foram posicionadas entre os beligerantes.



A Costa Rica foi descoberta e, provavelmente, batizada por Cristóvão Colombo, em sua quarta viagem à América, em 1502. Havia na região cerca de trinta mil indígenas, divididos em três grupos: güetares, chorotegas e borucas. Encontrados os primeiros indícios de ouro, usado em ornamentos indígenas, os espanhóis planejaram um núcleo de colonização sob o comando de Bartolomé Colombo, irmão do descobridor. Expulsos logo a seguir pelos indígenas, só conquistaram a região em 1530. Antes de tornar-se província da capitania-geral da Guatemala, em 1540, Costa Rica chamava-se Nova Cartago. Os limites demarcatórios foram fixados entre 1560 e 1573.

A Costa Rica tornou-se independente em 15 de setembro de 1821 e três anos depois uniu-se, por pouco tempo, ao México. Em 1824 passou a integrar a Federação Centro-Americana, dissolvida em 1838. Nessa época teve início a exportação de café para a Europa, e San José viveu um período de intenso crescimento e prosperidade. Durante a administração do general Tomás Guardia, que governou despoticamente o país entre 1870 e 1882, a Costa Rica atingiu notável desenvolvimento econômico. Incrementou-se o comércio de açúcar e café, construíram-se ferrovias e abriram-se portos para escoar a produção. As plantações de banana, controladas a partir de 1899 pela United Fruit Co., passaram a rivalizar em importância econômica com as de cana-de-açúcar e café. Em 1890 tornou-se presidente José Joaquín Rodríguez; sua eleição foi considerada a primeira inteiramente livre e sem fraudes na América Latina e inaugurou uma tradição de democracia na Costa Rica.

A voto direto foi instituído em 1913, mas o candidato à presidência mais votado não conseguiu a maioria e à Assembléia Legislativa elegeu Alfredo González Flores. Em 1917, um movimento liderado pelo general Federico Tinoco depôs o presidente constitucional e instituiu uma ditadura. Dois anos mais tarde, Tinoco foi forçado a renunciar por pressões internas e do governo estadunidense, que não reconhecera o regime. Sucederam-se presidentes eleitos até 1948, ano em que os resultados eleitorais foram contestados por grupos de esquerda, o que desencadeou a breve guerra civil que levou José Figueres Ferrer ao poder. A junta revolucionária que assumiu o governo aboliu o Exército e criou uma guarda civil, elaborou nova constituição e empossou o candidato vitorioso nas urnas, Otilio Ulate Blanco. Em 1953, José Figueres voltou ao poder, nacionalizou os bancos, impôs restrições à United Fruit e enfrentou uma invasão lançada por seus adversários exilados na Nicarágua. Figueres inscreveu seu nome na história do país com várias décadas dedicadas às reformas sociais, à abertura política para o exterior e aos ideais social-democratas.

Ao longo da década de 1980, a Costa Rica preservou seu regime político, baseado no poder civil legitimado por eleições, mas se enredou em problemas econômicos e financeiros, dos quais o mais premente foi a dívida externa. No início da década, o país gastava 50% de sua receita de exportação com as despesas financeiras geradas pela dívida. Em maio de 1986, o governo chegou a anunciar uma moratória temporária sobre os juros da dívida externa e, no ano seguinte, lançou um programa de austeridade para tentar salvar as finanças nacionais.

A posição internacional da Costa Rica, que manteve alto grau de independência em relação aos grandes blocos de poder, deu-lhe condições de atuar com bons resultados no âmbito regional. O presidente Oscar Arias Sánchez, eleito em 1986, teve papel de destaque na mediação das guerras civis na Nicarágua e em El Salvador e por seu esforço foi-lhe concedido o Prêmio Nobel da Paz em 1987. Em 1989 realizou-se em San José a primeira reunião de cúpula interamericana em 22 anos, para comemorar o centenário da democracia na Costa Rica. Em 1990 Arias foi sucedido por Rafael Angel Calderón Fournier, da oposição.



O Cazaquistão tem sido habitado desde a Idade da Pedra: o clima e o terreno da região são apropriados para povos nômades que praticam o pastoralismo. Historiadores acreditam que os humanos domesticaram o cavalo pela primeira vez nas vastas estepes da região. Embora cidades antigas como Taraz (Aulie-Ata) e Hazrat-e Turkestan tenham servido por muito tempo como importantes paradas ao longo da Rota da Seda, que ligava o Ocidente ao Oriente, uma consolidação política do território só foi iniciada com a invasão mongol do início do século XIII. Sob o Império Mongol foram estabelecidos distritos administrativos, que foram reunidos eventualmente sob o emergente Canato Cazaque.

Durante este período a vida tradicional nomádica e uma economia baseada na criação de animais continuou a dominar a estepe. No século XV uma identidade distintamente cazaque começou a emergir entre as tribos turcomanas da região, um processo que se consolidou com a aparição, na metade do século XVI, do idioma cazaque, bem como de uma cultura própria. Ainda assim, o território foi o foco de crescentes disputas entre os emires cazaques nativos e os povos de origem persa do sul. No início do século XVII, o Canato Cazaque lutava contra o impacto de rivalidades tribais, que acabaram por dividir efetivamente a população em três hordas (jüz), chamadas de "Grande", "Média" e "Pequena" Hordas. A falta de união política, estas rivalidades tribais e a diminuição da importância das rotas comerciais terrestres entre o Ocidente e o Oriente enfraqueceram consideravelmente o Canato Cazaque.

Durante o século XVIII os cazaques lutaram contra os oirates, uma federação de tribos mongóis ocidentais, dentre os quais os dzungares eram particularmente agressivos. O início do século XVIII marcou o zênite do Canato Cazaque. Durante este período a Pequena Horda participou na guerra de 1723-1730 contra os dzungares, que se seguiu a invasão, chamada de "Grande Desastre", dos territórios cazaques. Sob a liderança de Abul Khair Khan, os cazaques conquistaram vitórias importantes sobre o inimigo, no rio Bulanty, em 1726. e na batalha de Anrakay em 1729. Os cazaques também foram vítimas frequentes dos saques organizados pelos calmucos da região rio Volga.

No século XIX, o Império Russo começou a se expandir, e chegou à Ásia Central. O período, chamado de "Grande Jogo" é tido, geralmente, como aquele que vai de aproximadamente 1813 até a Entente Anglo-Russa de 1907. Os czares governaram diretamente a maior parte do território que pertence à atual República do Cazaquistão.

O Império Russo introduziu um sistema de administração e contruiu uma série de fortes e acampamentos militares, em seu esforço para estabelecer sua presença na Ásia Central durante o "Grande Jogo" contra o Reino Unido. A primeira fortificação russa, Orsk, foi construída em 1735. A Rússia colocou em prática o ensino do russo em todas as escolas e organizações governamentais, o que acabou provocar o descontentamento dos cazaques a tal ponto que, na década de 1860, a maioria da população rejeitava abertamente a anexação do território pela Rússia devido ao profundo distúrbio que a invasão causara ao estilo de vida nomádico tradicional e na economia baseada na criação de animais domésticos, e a consequente fome que estava eliminando muitas das tribos. O movimento nacional cazaque, iniciado no final daquele século, procurou preservar o idioma e a identidade nativa através da resistência aos esforços do Império Russo em assimilá-los ou reprimi-los.

Da década de 1890 em diante grandes números de emigrantes eslavos começaram a colonizar o território do atual Cazaquistão, em especial na região de Semirechye. O número de colonos aumentou ainda mais depois que a Ferrovia Trans-Aral, de Oremburgo a Tashkent foi completada em 1906, movimentação esta encorajada desde São Petersburgo pelo recém-criado Departamento de Migração (Переселенческое Управление).

A disputa por terra e água que se seguiu, entre os cazaques e os recém-chegados, causou um grande ressentimento contra o governo colonial durante os últimos anos da Rússia Czarista, com o distúrbio mais sério ocorrendo em 1916. Na "Revolta dos Basmatchi", como ficou conhecida, os cazaques atacaram aldeias russas e cossacas, matando indiscriminadamente; a vingança dos russos foi impiedosa. Uma força militar afugentou cerca de 300.000 cazaques para as montanhas ou para a China. Quando, no ano seguinte, aproximadamente 80.000 deles retornaram, foram massacrados pelas forças czaristas. Durante a grande fome de 1921-1922, milhões de cazaques morreram de inanição.

Embora tenha ocorrido um breve período de autonomia (Autonomia Alash) durante o período tumultuoso que se seguiu ao colapso do Império Russo, muitas revoltas foram reprimidas brutalmente, e os cazaques eventualmente sucumbiram ao jugo da União Soviética. Em 1920, a área do atual Cazaquistão tornou-se uma república autônoma dentro da Rússia.

A repressão soviética da elite tradicional, somada à coletivização forçada das décadas de 1920 e 1930, trouxe fome e trouxe instabilidade. Entre 1926 e 1939 a população do país diminuiu em cerca de 22%, devido à fome, violência e emigração em massa. Durante a década de 1930, diversos escritores, pensadores, poetas, políticos e historiadores cazaques de renome foram assassinados sob ordens de Josef Stalin, tanto como parte da repressão quanto como um padrão metódico de supressão da identidade e da cultura cazaque. O domínio soviético tornou-se mais firme, e um aparato comunista rapidamente procurou integrar o Cazaquistão ao sistema soviético. Em 1936 o país se tornou uma república soviética.

O Cazaquistão experimentou um influxo populacional de milhões de exilados de outras partes da União Soviética, durante as décadas de 1930 e 1940; muitas das vítimas de deportações foram mandadas à Sibéria ou ao Cazaquistão meramente por sua herança étnica ou seus credos, e foram, em muitos casos, internados nos gigantescos campos de trabalhos forçados. A República Socialista Soviética Cazaque contribuiu com cinco divisões militares aos esforços da União Soviética na Segunda Guerra Mundial. Em 1947, dois anos após o fim da guerra, a Área de Testes de Semipalatinsk, principal área de testes de bombas nucleares da União Soviética, foi fundada, próxima a cidade de Semey.

O período da Segunda Guerra Mundial marcou um aumento na industrialização e aumentou a extração mineral, para contribuir com o esforço de guerra. Na altura da morte de Stalin, no entanto, o Cazaquistão ainda tinha uma economia majoritariamente agrária. Em 1953, o líder soviético Nikita Khrushchev iniciou o ambioso projeto chamado de "Programa das terras virgens", que visava transformar as terras tradicionalmente usadas como pasto para animais domésticos numa das principais regiões produtoras de grãos da União Soviética. A política trouxe resultados duvidosos. No entanto, juntamente com as modernizações posteriores realizadas pelo líder soviético Leonid Brejnev, ela ajudou a acelerar o desenvolvimento do setor da agricultura, que permanece a fonte de renda de grande parte da população do país. Em 1959, os cazaques formavam 30% da população, enquanto os russos formavam 43%.

As crescentes tensões dentro da sociedade soviética levaram a exigências por reformas políticas e econômicas, que ocorreram na década de 1980. Um fator que contribuiu imensamente para isto foi a decisão de Lavrentiy Beria de testar uma bomba nuclear no território da República Socialista Soviética Cazaque, em Semipalatinsk, no ano de 1949. O fato teve um efeito biológico e ecológico catastrófico na região, que só foi sentido gerações mais tarde, e provocou o ressentimento da opinião pública contra o sistema soviético. Em dezembro de 1986, demonstrações de massa realizadas por jovens cazaques, chamadas posteriormente de revolta de Jeltoqsan, ocorreram em Almaty, para protestar contra a substituição do Primeiro-Secretário do Partido Comunista da República Socialista Soviética Cazaque, Dinmukhamed Konayev, por Gennady Kolbin, da República Socialista Federada Soviética da Rússia. As tropas do governo reprimiram as manifestações, matando diversas pessoas e prendendo outras. Nos últimos dias do domínio soviético, o descontentamento continuou a crescer a encontrar sua expressão, através da política de glasnost, do líder soviético Mikhail Gorbachev.

Em meio à onda de repúblicas soviéticas que procuravam por maior autonomia, o Cazaquistão declarou sua soberania como república dentro da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em outubro de 1990. Com o golpe mal-sucedido de agosto de 1991, em Moscou e o subsequente colapso da União Soviética, o Cazaquistão declarou sua independência em 16 de dezembro do mesmo ano. Foi a última das repúblicas soviéticas a declarar sua independência.

Os anos que se seguiram foram marcados por reformas significativas à economia de estilo soviético e ao monopólio político. Sob Nursultan Nazarbayev, que subiu inicialmente ao poder em 1989 como chefe do Partido Comunista do Cazaquistão e foi eleito presidente em 1991, o Cazaquistão se aproximou mais do modelo de uma economia de mercado, e vem experimentando um significante crescimento econômico desde 2000, parcialmente devido às suas grandes reservas de petróleo, gás natural e outros recursos.

A democracia, no entanto, não progrediu desde 1991. Em julho de 2007, o parlamento do Cazaquistão promulgou uma lei que concedeu ao presidente Nazarbayev poderes e privilégios vitalícios, entre eles a imunidade jurídica total e o poder de influenciar a política doméstica e externa dos futuros presidentes. Os críticos dizem que ele se tornou um "presidente vitalício" de fato. Ao longo de seus dez anos no poder, Nazarbayev censurou por diversas vezes a imprensa através do uso arbitrário de "leis contra calúnias", bloqueou o acesso aos websites da oposição (9 de novembro de 1999), baniu a seita religiosa dos wahhabi (5 de setembro de 1998), recebeu críticas da Anistia Internacional por um excesso de execuções depois de julgamentos suspeitos (21 de março de 1996) e por terríveis condições carcerárias (13 de agosto de 1996), além de recusar as exigências populares de que os governadores das 14 províncias do país fossem eleitos, em vez de serem apontados pelo próprio presidente (7 de abril de 2000).



As pinturas rupestres encontradas indicam que o Chade ou Tchad já era povoado no Neolítico e na Idade do Ferro. Os primeiros vestígios de vida humana encontrados no Tchad, do neolítico, pertencem a cavernícolas negróides que habitavam as regiões de Borku, Ennedi e Tibesti. O progressivo ressecamento do mar interior tchadiano, porém, provocou o despovoamento dessa área.

A posição do lago Tchad na convergência de estradas vindas de Trípoli, de Khartum e do Sudão ocidental, contribuiu para as migrações de outros povos desde o início da era cristã. No século VIII, fundou-se o reino de Kanem no oeste do atual Chade, mas seus soberanos foram vencidos pelos saôs e bulalas e se refugiaram no Bornu. A partir do século XI, os árabes dominaram a região e começaram a islamizar os Estados do Kanem e Bornu, mas estenderam sua influência a todas as regiões em volta do lago no século XVI, além de contribuírem para a intensificação do tráfico de escravos durante vários séculos.

Entre o século XVIII e XIX, grande parte do Chade estava sob controle dos conquistadores negros árabes Rabeh e Zubayr. No século XIX, diversos viajantes europeus, entre os quais se destacou Eduard Vogel, iniciaram a colonização com apoio dos sultões locais, que sofriam constantes ameaças dos negreiros. O pretexto do combate ao tráfico negreiro facilitou a submissão da região à França.

Após o incidente de Fashoda (1898), um acordo franco-britânico, em 22 de abril de 1900, incorporou o Tchad à zona de colonização francesa, apesar de o controle total só ter sido obtido em 1912. Em 1922, o Chade passou a fazer parte da África Equatorial Francesa, sob a administração do comissário Émile Gentil. Os franceses introduziram a influência ocidental nas estruturas tribais tradicionais, de início pela via militar e depois pela econômica e comercial.

Em 1940, foi a primeira colônia a se declarar pela França Livre. Em 1958, tornou-se em República autônomo dentro da Comunidade Francesa e uma república completamente independente em 1960, tendo como Presidente da República o líder do Partido Progressista Tchadiano, François Tombalbaye, também conhecido como N'Garta Tombalbaye. Desde então o país luta para manter a unidade entre os povos muçulmanos de língua arábica do norte, e os bantos, mais desenvolvidos economicamente, do sul e do oeste.

Em 1962 foi adotada uma Constituição pela qual se proibia a atividade política de oposição ao governo. Nesse mesmo ano, o país associou-se à Comunidade Econômica Européia. O presidente Tombalbaye confrontou-se com dois movimentos clandestinos de oposição, o de Abba Siddick, conhecido como Frolinac (Frente de Libertação Nacional), e o de Hissène Habré. Tombalbaye foi deposto e assassinado em 1975.

Félix Malloum, o novo Presidente, também teve que enfrentar movimentos de oposição, assim como as pretensões territoriais da Líbia, que ocupou uma faixa do território tchadiano em 1977. Malloum foi derrubado em 1979. Assumiu então o cargo de primeiro-ministro Hissène Habré, que obrigou Malloum a exilar-se. Em 1980, foi invadido pela Líbia, que propunha a união dos dois países. A guerra civil durou até 1987, quando a França e os EUA intervieram, o que levou à retirada da Líbia. Goukouni Ouedei tornou-se presidente de um "governo de unidade nacional". Daí em diante, a luta pelo poder centrou-se entre Ouedei e Habré, este à frente das Forças Armadas do Norte (FAN). Entre 1982 e 1995, o Chade viveu uma época de terror. A luta pelo poder esteve na origem de sucessivos massacres, fazendo milhares de mortos e de refugiados.


Em 1990, Idriss Deby foi instalado no poder mediante um golpe de Estado apoiado pela Líbia. Decidiu-se estabelecer o processo democrático, mas a Assembléia Constituinte de maio de 1992 foi adiada e houve tensões na capital, Ndjamena, sem soluções para os problemas econômicos e sociais. Uma Carta Constitucional promulgada em 1992 criou um Conselho Ministerial e um Conselho Consultivo da República, assim como aboliu o Conselho de Estado criado após o golpe. Em outubro de 1993, uma tentativa de golpe de Estado foi sufocada e seu líder foi morto.

Ante o acirramento dos conflitos políticos, uma conferência nacional foi instalada em 1993 para dar continuidade ao processo de democratização do país. Em 1995, a ação dos sindicatos e das associações de defesa dos direitos do Homem conseguiu devolver a paz ao país. Atualmente o país vive um regime político transitório em que o primeiro-ministro governa com uma Assembléia Legislativa.



A História do Chile divide-se comumente em doze períodos históricos que cobrem o intervalo de tempo compreendido entre o começo do povoamento humano no atual território chileno (c. 10500 a.C.) até os dias atuais.

De acordo com a teoria da passagem do Homem pelo Estreito de Bering através da ponte de Beríngia, durante a última glaciação conhecida com o nome de Würm pelos europeus e Wisconsin pelos americanos, o Chile – localizado na parte mais meridional da América do Sul e na zona ocidental da mesma, sobre o oceano Pacífico – foi a última região da América a ser ocupada.

A glaciação Wurm-Wisconsin durou cerca de cinquenta mil anos. Segundo os cientistas, a Ponte Terrestre de Bering teve condições de ser transitada durante quatro mil anos na primeira fase e quinze mil anos na segunda. A partir de então, o homem foi andando para o sul, até chegar ao atual território chileno.

O território atual do Chile, o menos povoado de todo o continente americano, foi habitado por diversos grupos indígenas antes da chegada espanhola. No início, estes estavam organizados em grupos tribais nômades, o que se conhece por sociedade primitiva, evoluindo logo após sua chegada para sociedades aldeãs sedentárias. Os restos arqueológicos mais antigos do país foram encontrados em Monteverde, próximo a Puerto Montt e datam de cerca de 10.500 ac. Alguns restos encontrados na cova Fell, um sítio arqueológico na Terra do Fogo (região mais austral do país), indicam que a presença humana remonta de cerca de 7.000 a.C..

As mudanças climáticas do 6º milênio antes de Cristo alteraram drasticamente os costumes dos paleoindígenas chilenos que tiveram que se adaptar a um novo contratempo: a formação do deserto de Atacama, ocasionando o desaparecimento de muitas espécies, e o oceano Pacífico delimitando as atuais costas marítimas. Estes indígenas tiveram que se adaptar a um clima muito mais quente do que estavam acostumados, motivo pelo qual muitos se deslocaram do norte para o litoral e o vale central. Assim, se formaram os principais grupos indígenos chilenos: atacamenses e aimaras na porção mais setentrional; diaguitas um pouco mais ao sul; os changos na costa setentrional; a grande família dos mapuches no vale central até o seno de Reloncaví e os tehuelches, chonos, alacalufes, onas e yámanas na Patagônia.

De alguns milhares de paleoíndios existentes em VII a. C., a população aumentou até cerca de 1.200.00 indígenas no século XV. Durante o século XV a cultura dos povos indígenas foi influenciada pela expansão do império Inca sobre o norte do atual território chileno, iniciando com o Sapa (Imperador) Inca Pachacútec, e foi culminada sob a direção dos Sapas Incas Túpac Yupanqui e Huayna Cápac. Estes últimos avançaram até o sul subjugando a povos aimaras, atacamenses, diaguitas e picunches; não conseguindo derrotar as tribos mapuches, estabeleceram finalmente a fronteira meridional do Império Inca ao norte do rio Maule.

O primeiro europeu a reconhecer o território chileno foi o português Fernão de Magalhães, na sua tentativa de circunavegação do planeta sob as ordens de Carlos I, Rei da Espanha.

Após zarpar de Sanlúcar de Barrameda em 26 de Setembro de 1519, e de reconhecer grande parte do litoral brasileiro e argentino, Magalhães descobriu o estreito que liga o Pacífico ao oceano Atlântico, em 1 de Novembro de 1520, data que a historiografia chilena considera como a do descobrimento do território do país. Em um primeiro momento, Magalhães nomeou o local de Estreito de Todos os Santos, tendo posteriormente levado o seu nome.

O primeiro explorador de grande parte do território chileno foi Diego de Almagro, sócio de Francisco Pizarro na conquista do Peru. As disputas que teve com Pizarro pela divisão das riquezas do destruído império Inca levaram-no a se aventurar nas terras do sul. Almagro partiu de Cuzco em julho de 1535. Muitos historiadores acreditam que uma das razões da viagem de Almagro eram os rumores da existência de um reino muito mais rico que o Inca ao sul, o qual poderia haver surgido de forma intencionada como forma de debilitar as investidas conquistadoras e assim permitir uma rebelião nativa.

Após percorrer o caminho do Inca (cruzando territórios correspondentes às atuais Bolívia e norte da Argentina), Almagro realizou a travessia da cordilheira dos Andes com terríveis resultados: grande parte de sua comitiva morreu durante a travessia devido à hipotermia. Após mais de nove meses, Almagro finalmente chegou ao vale de Copiapó, em 21 de março de 1536.

Almagro organizou o reconhecimento de sua governância denominada Nova Toledo (como havia sido chamado o território cedido ao conquistador por parte do monarca espanhol), sem encontrar as riquezas que tanto buscava. Um enfrentamento em Reinohuelén entre os indígenas e uma das patrulhas é considerado a primeira batalha da denominada Guerra de Arauco. Decepcionado e cansado da desastrosa viagem decide voltar ao Peru, em 1536, tomando a rota de Arequipa até Cuzco, onde se rebela contra Pizarro.

Em 1540, Pedro de Valdivia levou a cabo uma segunda expedição, com a qual se iniciou o período da conquista. Ao contrário de Diego de Almagro, tomou a rota do Deserto de Atacama.

Ao chegar ao vale de Copiapó, torna solene possessão do território, em nome do rei da Espanha e a nomeia Nova Extremadura, em homenagem à sua terra natal. Renova a marcha até o vale do Aconcágua, onde o cacique Michimalongo tentou o deter sem êxito. Em poucos meses Valdívia foi proclamado pelo cabildo como Governador e Capitão Geral da Nova Extremadura. Inicialmente rechaçou a idéia, porém aceita o cargo em 11 de junho de 1541.

Nesta primeira etapa lutou contra os indígenas do norte do país, tentando consolidar a dominação espanhola naqueles territórios; quando dispôs de mais tropas iniciou a ocupação dos territórios situados mais ao sul. Também iniciou a fundação de outras cidades: La Serena (1544), Concepción (1550), La Imperial (1552), Valvídia (1552), Villarica e Los Confines (1553).

Em 1553 o país parecia definitivamente pacificado, mas os mapuches, dirigidos por Lautaro e Caupolicán iniciaram uma insurreição, e Valdívia perdeu a vida em um dos combates. O novo governador, García Hurtado de Mendoza y Manríquez (1557), posterior vice-rei do Peru (1589-1596), reconstruiu as cidades destruídas, mas não teve sucesso em vencer a resistência dos indígenas.

Cabe destacar que em 1557 desembarcou no Chile, junto com o novo governador, seu amigo de infância, o poeta-soldado Alonso de Ercilla y Zúniga, que inspirado em toda essa sangrenta epopeia viria a ser o autor da primeira grande poesia épica americana : "La Araucana", onde retrata o heroísmo e tenacidade dos mapuches (araucanos) na defesa de suas terras, e "apresenta" o próprio Chile ao mundo, em verso heróico.

"La Araucana" viria ser reconhecida por Miguel de Cervantes, no inmortal "Dom Quixote", como uma das maiores obras escritas em verso heróico castelhano.

No governo de Rodrigo de Quiroga, em 16 de dezembro de 1575, um terremoto acompanhado de um tsunami assolou a região sul, destruindo as cidades de La Imperial, Villarrica, Valdivia e Castro. Estudos recentes calculam, a partir de descrições do fenômeno e danos produzidos, uma magnitude perto de 8,5 graus na escala Richter.

Em 1598 os mapuches se revoltam novamente e se produz o desastre de Curalaba, que quase acaba com a tentativa de colonização do Chile. As cidades ao sul do rio Biobío são destruídas, exceto Castro. Após sucessivos combates da Guerra do Arauco, se estabelece uma fronteira tácita entre a colônia espanhola e as terras sob dominação mapuche no rio Biobío, de onde se iniciaram depois perigosas revoltas.

Finalizada a etapa de Conquista, inicia-se um período que durará mais de dois séculos, durante os quais se ampliaria e consolidaria a dominação espanhola no território, apenas resistida pelos mapuches.

O Reino do Chile constituía administrativamente uma capitania-geral com capital em Santiago. O controle efetivo do território embarcado por esta se reduzia ao Vale Central até o rio Biobío. À frente da capitania se encontrava o governador e o capitão geral, assessorado pela Real Audiência, presidida pelo mesmo governador. A Audiência, além de servir de órgão de consulta do governador, tinha também as funções de tribunal de apelações do reino.

Como toda capitania-geral, Chile era uma região especial de administração, mas com base no sistema de controle recíproco de autoridades, o rei Felipe II sujeitou ao governador a vigilância do vice-rei do Peru, ao expressar em uma cédula real de 1589 que deveria "guardar, cumprir e executar suas ordens, e o avisar de tudo que ali se oferecesse de consideração". A partir de tal norma, os vice-reis entenderam que a relação entre ambos era de efetiva dependência, além de, em alguns casos, a relação do governador ser direta com o rei e em outras passar pelo vice-rei entre a capitania e o vice-reinado. Por exemplo, mediante cédulas reais, só se autorizou a vice-reis intervirem no Chile em caso de "alvoroço e tumulto"; facultou-se aos vice-reis colocar em prática táticas militares na Guerra de Arauco (defensiva) e, depois, ordenou-se diretamente ao governador do Chile implanta-las (ofensiva). Também se autorizou aos vice-reis remover o governador e, posteriormente, se negou a eles tal atribuição.

Em respeito a recursos militares e abastecimento comercial, a capitania dependeu do vice-reinado. A administração de justiça da capitania era autônoma do vice-reinado, exceto a Inquisição que correspondia a um delegado de Lima e os juízos de comércio, que dependeram do consulado de Lima até 1795. No Governo a relação foi flutuante, dependendo do período, as instruções que enviava o rei e inclusive as personalidades das respectivas autoridades (vice-reis e governadores), nunca havendo uma anexação formal da capitania ao vice-reinado. Além disso, em certos períodos, por questões estratégicas de segurança do Vice-reinado – por exemplo, diante de ameaças de corsários – os vice-reis interviam diretamente no governo do Chile, inclusive por própria iniciativa. Mesmo assim, alguns governadores se acostumaram a consultar ou pedir conselhos sobre temas urgentes ao vice-rei, devido à grande distância que os separava do rei, na Espanha. Finalmente, em 1798, por conta de uma disputa entre o vice-rei O'Higgins e o governador Avilés, o rei Carlos III declarou que o Chile era independente do vice-reinado, "como sempre deveria ter sido entendido".

A Guerra do Arauco tenderia, ao longo do período da Colônia, diversas etapas de alta beligerância e outras mais pacíficas: guerra ofensiva, guerra defensiva e parlamentos. Além disso, os governadores espanhóis tiveram que enfrentar, durante a segunda metade do século XVII, a repetidas incursões de corsários ingleses. Para a sustentação do exército se estebeleceu, em 1600, o Real Situado, uma subvenção da coroa paga com cargo ao tesouro do vice-reinado do Peru. A situação geográfica do Chile, apertado entre as principais rotas terrestres e marítimas, foi um dos inconvenientes maiores com o qual lidou a colonização do país. Isto, somado ao constante estado de guerra em que se encontrava a capitania, converteram o Chile em uma das regiões mais pobres do império Espanhol na América. Os intercâmbios com o Peru foram a base da atividade comercial da capitania; posteriormente, ainda que legalmente proibido, se estabeleceu um comércio regular com Buenos Aires.

O século XVII foi caracterizado economicamente como o século do sebo, pois este artigo, junto ao couro e o charque, se converteu no principal produto de exportação para o Peru, o que permitia a obtenção de importantes dividendos a uma economia precária, de escassa capacidade de produção em diversas áreas ao gado. O século seguinte, XVIII, foi chamado de século do trigo, já que neste século se formou uma nova estrutura social agrária, que permitiu um amplo desenvolvimento da agricultura e uma importante quantidade de exportações deste cereal ao vice-reinado. De fato, em 1687 o Chile se converteu no "celeiro do Peru", pois nesta data o país foi assolado por uma praga que afetou grande parte dos vales cultiváveis. Também se desenvolveu a mineração, com exploração de ouro, prata e cobre.

Ainda que existisse um sistema de monopólio, o contrabando se tornou ativo e de forma ostensiva durante o século XVIII, com a chegada de navios procedentes da França, Estados Unidos e Inglaterra. Apenas o estabelecimento da liberdade de comércio com a Espanha, em 1778, permitiu um intercâmbio mais contínuo com a metrópole.

Durante esse período ocorreram vários terremotos de grande magnitude. Entre outros, o ocorrido em 13 de maio de 1647, que destruiu grande parte da cidade de Santiago; o de 15 de março de 1657, que danificou completamente Concepción e gerou um tsunami; e o de 8 de julho de 1730, que voltou a danificar seriamente Santiago e Valparaíso.

No ano de 1808 o Império Espanhol vivia um crescente estado de agitação. Chegaram ao Chile as notícias da invasão napoleônica na Espanha, e o cativeiro de Fernando VII na época em que havia assumido García Carrasco como governador do Chile. Depois de um tumultuado caso de contrabando, renunciou em 1810. O militar mais antigo do Chile nesta época era Mateo de Toro y Zambrano, que assumiu interinamente o mandato. Ao mesmo tempo, havia se propagado fortemente entre os criollos o movimento juntista – trocar o governo espanhol por uma junta de notáveis que conservaria o governo enquanto durasse o cativeiro do Rei.

O governador Mateo de Toro y Zambrano aceita a convocatória em um cabildo para decidir o estabelecimento de uma junta de governo. Assim, em 18 de setembro de 1810, se forma a Primeira Junta Nacional de Governo, ficando Mateo como presidente e dando início ao período denominado Pátria Velha. Em pouco tempo se convocam e se elegem os membros do Primeiro Congresso Nacional – tendo uma ampla maioria o movimento dos moderados, que propunham uma maior autonomia, sem chegar à completa separação do Império Espanhol, enquanto os exaltados, que pregavam a independência absoluta e instantânea, ficaram com a minoria.

A priori, o governo transitório estabelecido se manteve sem intenções de obter independência. Porém, com o correr dos meses, tomou outros rumos, especialmente com a ascensão ao poder de José Miguel Carrera. São editados os primeiros textos constitucionais e leis próprias, e são criadas novas instituições, como o Instituto Nacional do Chile, a Biblioteca Nacional e o primeiro jornal chileno, a Aurora de Chile. Por vez, inicia a Guerra da Independência contra as tropas reais.

As tropas enviadas pelo vice-rei do Peru, José Fernando de Abascal y Sousa, junto aos apoiadores da Coroa que habitavam o território, finalmente derrotam as tropas patriotas na Batalha de Rancagua, em 2 de outubro de 1814, dando início à Reconquista Espanhola. Neste momento se restauram as instituições coloniais, com os governos de Mariano Osorio e Casimiro Marcó del Pont.

Com o Desastre de Rancagua, a maioria dos líderes independentistas teve que fugir para Mendoza, na Argentina. Ali foi formado o Exército dos Andes, a cargo do general argentino José de San Martín, do qual participava Bernardo O'Higgins, líder das milícias chilenas. Este Exército Libertador, que inicialmente contava com 4.000 homens e 1.200 militantes da tropa de auxílio para condução de mantimentos e munições, cruzou a Cordilheira dos Andes e em 12 de fevereiro de 1817 derrota as tropas reais na Batalha de Chacabuco, dando início à Pátria Nova.

O'Higgins foi nomeado Diretor Supremo e, em 12 de fevereiro de 1818, primeiro aniversário da Batalha de Chacabuco, declara formalmente a independência do Chile, que se confirmaria com a vitória do exército chileno na Batalha de Maipú, em 5 de abril do mesmo ano.

Sob seu governo realizaram-se diversas obras de infra-estrutura, organizou-se a Esquadra Libertadora que se dirige até o Peru, realizou-se a captura da cidade de Valdivia, que ainda se encontrava nas mãos dos espanhóis, por parte do almirante Thomas Cochrane e se promulgam duas cartas fundamentais, a Constituição de 1818 e a Constituição de 1822; O'Higgins, porém, ganha a antipatia do povo devido ao seu autoritarismo, suas tentativas de se manter no poder indefinidamente e a ordem de morte, por influência da Logia Lautarina, a Carrera e a Manuel Rodrígues. Para evitar uma guerra civil, O'Higgins renuncia em 28 de janeiro de 1823, e em julho do mesmo ano se exila no Peru.

Com a renúncia de Bernardo O'Higgins, o país entrou em um longo período de instabilidade política, que durou uma década. O general Ramón Freire, que se assume como Diretor Supremo sendo assessorado por Mariano Egaña, dedica-se a acabar com o último foco de resistência colonial em Chiloé, mas a constante desordem política em que se encontra o país é um grave obstáculo ao seu governo. Como forma de solucionar o problema, é redigida a Constituição Moralista de 1823 – porém sua complexidade gera um grande rechaço na população que, somado à crise econômica imperante, provoca a caída do governo Freire.

Em um ambiente dominado pelas disputas entre políticos, Manuel Blanco Encalada é eleito como primeiro Presidente do Chile. Seu curto governo esteve marcado pelo domínio do grupo federalista e a promulgação das Leis Federais de 1828. Mas novamente essa legislação é rechaçada e provoca o caos no país. Blanco Encalada renuncia e se estabelece uma sucessão de presidentes de curto período de governo.

Em 1828, Francisco Antonio Pinto consegue aprovar a Constituição de 1828, de linha liberal. Nas eleições, Pinto é reeleito, mas o acusam de fraude eleitoral. Além disso, o Congresso Nacional designa como vice-presidente Francisco Ramón Vicuña, cargo que deveria ser efetivado por eleição popular. Isto provocou o levante do exército, no comando de José Joaquín Prieto, que controla rapidamente o sul do Chile, dando início à Revolução de 1829.

Pinto e Vicuña renunciam aos cargos para evitar uma guerra civil, mas já é demasiado tarde. A união entre conservadores, produtores de tabaco e partidários de O'Higgins, com a Batalha de Ochagavía, produz a queda do regime liberal e se instaura um governo revolucionário sob comando de José Tomás Ovalle. Finalmente, a batalha de Lircay outorga a vitória definitiva dos revolucionários e o fim do regime liberal.

Após a vitória na Revolução de 1829, José Joaquín Prieto assumiu como Presidente da República em 1831. Com ele, o poder de Diego Portales aumentou de tal forma que este último se converteu no homem mais importante do país.

Seguindo a ideologia de Portales, de caráter autoritário - "governo obedecido, forte, centralizador, respeitado e respeitável, impessoal, superior aos partidos e a os prestígios pessoais" -, é promulgada a Constituição chilena de 1833, que entrega fortes poderes ao Presidente da República, eleito por sufrágio censitário por um período de 5 anos e reelegível por outros 5. Isso permite que o país acabe com o período de anarquia dos últimos anos, estabelecendo um período de estabilidade (só abalado momentaneamente pelas revoluções posteriores de 1851 e 1861), enraizado nas bases institucionais em que se desenvolveram os regimes posteriores, e começando a se recuperar da crise econômica.

O descobrimento de cobre em Chañarcillo e a venda de trigo para mercados externos começaram a outorgar riqueza ao país. Além disso, a rivalidade dos portos de Valparaíso e de Callao no Peru pelo domínio do Pacífico se agravou com a criação da Confederação Peru-Boliviana de Andrés de Santa Cruz. Portales, um dos mais ferrenhos inimigos desta confederação, foi um dos promotores da guerra contra a união de Peru e Bolívia. Em sua posição de Ministro da Guerra, conseguiu que o Congresso chileno declarasse guerra contra a confederação em 28 de setembro de 1836. Grande parte do povo e do exército não estava convencida da ida à guerra; porém o assassinato de Portales, em 6 de junho de 1837 foi o alicerce necessário para a participação da população na guerra e a vitória na batalha de Yungay, a mando do general Manuel Bulnes, em 20 de janeiro de 1839.

Em 1841, Bulnes é eleito como sucessor de Prieto. Durante este período, a economia do Chile segue em crescimento. Inaugura-se a Universidade do Chile e começa uma ascensão da cultura com a Sociedade Literária de 1842 de José Victorino Lastarria e Francisco Bilbao, entre outros. Também se deu início a um período conhecido como Época de Expansão, com o estabelecimento de uma colônia no Estreito de Magalhães. Ao fim de seu mandato uma tentativa revolucionária para evitar a ascensão de Manuel Montt foi aplacada pela Batalha de Loncomilla, em 8 de dezembro de 1851.

Junto ao seu ministro, Antonio Varas, Montt seguiu a linha de seu predecessor: construção de estradas de ferro, pontes e estradas; elaborou-se o Código Civil de Andrés Bello e inicia-se a colonização do sul do Chile, através da imigração alemã nas regiões de Valdivia e Llanquihue, coroada pela fundação de Puerto Montt.

Porém a estabilidade do regime conservador começou a ruir. A Questão do Sacristão deu origem a um conflito entre a igreja católica e o Estado, deixando Montt em uma encruzilhada. Diante desta situação, muitos conservadores se afastam do Presidente e se unem aos opositores do governo, dando origem à fusão Liberal-Conservadora. Antonio Varas, representando o Partido Nacional, finalmente é derrotado pela Fusão Liberal Conservadora, em 1851.

José Joaquín Pérez assume como presidente em 1861, como candidato da unidade e assim acaba o período chamado Época dos Decênios - devido à duração dos mandatos dos presidentes Prieto, Bulnes, Montt e Pérez.

Uma das primeiras situações conflitantes no seu governo foi a Guerra contra a Espanha. O reino europeu havia ocupado as Ilhas Chinca, sob jurisdição do Peru como forma de pagamento por antigas dívidas contraídas durante a Guerra da Independência, logo após a batalha de Ayacucho (1824) e reconhecida na capitulação que se acordou após a batalha. Anos depois os detentores dos bônus, tanto peruanos quanto espanhóis, pressionaram para que a dívida fosse efetivada, o que motivou a presença na costa ocidental da América do Sul da Expedição Científica - denominação utiilizada para uma forte esquadra de guerra espanhola. O pretexto da toma das ilhas foi um incidente na fazenda Malambo, que teve como resultado um espanhol morto e o Tratado Vivanco-Pareja, repudiado pelo povo peruano e que foi considerado como uma afronta à independência americana. O Chile se alia com o Peru, e finalmente no combate naval de Abtao os espanhóis são derrotados pela esquadra aliada, não sem antes bombardear o porto de Valparaíso, em 21 de março de 1866 e se livrarem do combate de Dois de Maio, em 2 de maio do mesmo ano, em El Callao.

O período de expansão iniciado durante o governo de Montt foi continuado. No norte do Chile começa a inversão e exploração de minerais (salitre e cobre) na zona de Antofagasta, sob administração boliviana. Ao mesmo tempo, o francês Orélie Antoine de Tounens declarou a independência do reino de Araucanía e Patagônia. Ainda que este estado nunca tenha se instalado de fato, gera-se no país uma idéia de controlar finalmente a região de dominação indígena. Em 1865, uma lei interpretativa da Constituição estabelece a liberdade de cultos e em 1867 começa a regir o Código de Comércio.

Em 1871 assume como presidente Federico Errázuriz Zañartu. Durante seu governo acaba a fusão Liberal-conservadora e se cria a Aliança Liberal, ao se unirem liberais com o Partido Radical. Durante o regime liberal, realizam-se diversas modificações na constituição de 1933: reduz-se o quórum das sessões das câmaras do Congresso, limitam-se as faculdades presidenciais e se flexibiliza a acusação aos ministros por parte do Congresso, que começa a ter mais atribuições. Além disso começam a se tratar as "questões teológicas" ou relacionadas com a Igreja. O Código Penal é aprovado em 1874 e a Lei de Organização e Atribuições dos Tribunais (1975), que suprime o foro eclesiático e os recursos de força.

Em 1879 os atritos diplomáticos entre Chile e Bolívia, pela administração da fronteira norte do país e dos interesses chilenos nas minas de salitre, provocam o desembarque militar em Antofagasta em 14 de fevereiro, dando início à Guerra do Pacífico, o maior conflito bélico da história do país.

Após a conquista do território de Antofagasta, o Chile rapidamente se enfrenta no mar com o Peru, aliado da Bolívia, e acaba com a conquista dos territórios de Taparacá, Arica e Tacna, em meados de 1880. A Bolívia se retira da guerra em maio deste ano e o Chile consegue entrar em Lima com a Batalha de Miraflores, em 15 de janeiro de 1881. A guerra finalmente acaba com a Batalha de Huamachuco, em 10 de julho de 1883, com a firmação do Tratado de Ancón em 20 de outubro de 1883.

A vitória chilena sobre os países aliados permite a expansão do território nacional anexando Taparacá, Arica e Tacna pelo tratado de Ancón e Antofagasta. Paralelamente, a zona de Auracania havia sofrido um processo de lenta incorporação através da construção de fortes, instalação de colonizadores, tropas miltares e a realização de parlamentos, resultando na Pacificação da Auracania em 1881. Em 1888 é também incorporada a Ilha de Páscoa. Por outro lado, o Chile renuncia ao território da Patagônia Oriental e da Puna de Atacama e os cede à Argentina com o tratado de 1881.

Os novos territórios incorporados provocaram um explosivo auge econômico no país, derivado principalmente da mineração do salitre, recuperando-se assim da crise econômica dos anos 1870. Diversas empresas européias, principalmente britânicas, instalaram-se no extremo norte do país explorando nitratos. A riqueza produzida pelo "ouro branco" sustentava cerca de 75% dos ingressos fiscais e a totalidade da economia nacional.

Entre 1883 e 1884 aprovam-se diversas leis tendendo à laicização do Estado: lei de cemitérios laicos; lei do matrimônio civil; lei do registro civil.

José Manuel Balmaceda foi eleito presidente em 1886. Aproveitando-se dos diversos dividentos da exploração do salitre, o governo de Balmacena caracterizou-se pela modernização completa do sistema econômico, educacional e sanitário, e a construção de grandes obras civis, como estradas de ferro ao longo de todo o país e o viaduto do Malleco. Durante seu governo, tratou de unificar liberais em torno de sua figura, mas a divisão se aprofundou, impossibilitando o desenvolvimento normal de sua gestão. Era comum que o congresso acusasse constitucionalmente aos ministros, paralisando o desenvolvimento normal do governo de Balmaceda. Além disso somou como inimigos os líderes conservadores, a aristocracia e os empresários do salitre.

A forte oposição a Balmaceda se concretou quando o Congresso não aprovou a Lei de Proposições de 1891. Balmaceda declarou, em 1 de janeiro, que esta lei entraria em vigência e que o Congresso não se reuniria até o mês de março daquele ano. No mesmo dia, o Congresso considerou ilegítima a atitude do Presidente e declarou a sua destituição. A Marinha chilena se uniu aos parlamentares, enquanto o exército declarou sua lealdade ao primeiro mandatário, dando início à Guerra Civil de 1891.

Em 12 de abril foi declarado um governo paralelo em Iquique, liderado por Ramón Luco e o almiranto Jorge Montt. Rapidamente, as tropas congressistas derrotaram no norte os balmacedistas. Com as batalhas de Concón (20 de agosto) e Placilla (28 de agosto), as tropas revolucionárias conseguiram entrar em Santiago. Balmaceda, refugiado na Embaixada da Argentina, suicida-se em 19 de setembro (no dia anterior finalizava-se o seu mandato), acabando com a Guerra Civil que produziu mais de 10.000 mortes.

A vitória das tropas congressistas na Guerra Civil permitiu o estabelecimento de um sistema político conhecido como República Parlamentar, dominado principalmente pela oligarquia composta pelos grandes latifundiários, a burguesia mineradora e bancária e a aristocracia chilena.

Ainda que não tenha se estabelecido um sistema parlamentar propriamente dito, o Congresso Nacional dominou a política nacional e o Presidente se converteu em uma figura praticamente decorativa, sem autoridade e subalterno à decisão das maiorias parlamentares, o que o tornava incapaz de aprovar as reformas que o país precisava. Os gabinetes ministeriais eram constantemente censurados pelo Congresso e deveriam apresentar a sua renúncia imediatamente, produzindo-se uma rotativa ministerial que impossibilitava um governo adequado. Por exemplo, o governo de Germán Riesco teve um total de 17 gabinetes e 73 ministros em um período de 5 anos.

Durante estes anos o progresso do país continuou devido à riqueza produzida pela mineração do salitre, o que permitiu a construção de algumas obras como a Estrada de ferro Transandina e o Museu Nacional de Belas Artes, em comemoração ao centenário da Independência chilena. Além disso, a economia do país teve que se sobrepor ao destruidor terremoto que assolou o porto de Valparaíso em 16 de agosto de 1906.

Internacionalmente, mediante arbitragem britânica, resolveram-se os problemas limítrofes que o país mantinha com a Argentina na zona meridional dos Andes - devido à aplicação dos critérios do divortium aquarum (divisão de águas), defendido pelo Chile, e dos mais altos cumes, sustentado pela Argentina, que não coincidiam na região. Ao mesmo tempo, ambos países, junto ao Brasil, firmam o denominado Pacto ABC para estabelecer mecanismos de cooperação e de mediação entre os estados e, de certa forma, frenar a crescente influência estadunidense na região. À época também se iniciou a Primeira Guerra Mundial, conflito no qual a posição do país foi neutra.

Contudo, ao longo das primeiras décadas do século XX, começou a se manifestar o descontentamento dos cidadãos pela má situação. A forte migração de camponeses às cidades fez com que estes se submetessem a paupérrimas condições de vida, moradia e problemas sanitários. A mortalidade em 1895 era de 31%; 30.000 pessoas morreram de varíola em 1909, e 18.000 de tifo, ao passo que o analfabetismo superava 68% da população. Além disso, as condições de trabalho tanto nas cidades quantos nas empresas de salitre eram vergonhosas. Mil pessoas morriam em acidentes de trabalho a cada ano, mas toda essa situação era minimizada e desconhecida pelos dirigentes. Como forma de melhorar a situação, a partir dos anos 1900 começou a se fazer presente a chamada Questão Social, com as primeiras greves de trabalhadores exigindo condições básicas para o seu desenvolvimento no trabalho. As primeiras reformas nesse sentido surgiram em meados dessa década: exemplo disso é que só em 1907 foi implantado o descanso aos domingos. Muitos desses protestos acabaram tragicamente pela repressão militar contra os trabalhadores, sendo a mais conhecida a Matança de Santa Maria de Iquique. A fundação de sindicatos e do Partido Trabalhador Socialista 1912 permitiu o desenvolvimento do movimento operário nacionalmente. Os protestos começaram a se tornar cada vez maiores e mais violentos, demonstrando a incapacidade da classe dirigente para enfrentar os problemas que a nova sociedade industrial demandava.

Em 1920, a união das forças populares e a classe média deu poder à oligarquia, e Arturo Alessandri assumiu como presidente. Alessandri propôs ao Congresso a adoção de leis muito avançadas no âmbito social, mas tais projetos encontraram uma forte oposição no Senado. O descontentamento pela recusa das reformas se manifestou no Ruido de Sables de 1924, realizado pela jovem oficialidade do exército que, em uma sessão do Congresso em que se debatia a remuneração parlamentar, fizeram soar suas cornetas como forma de demonstrar sua reprovação, o que foi interpretado como uma ameaça de golpe de estado. O Congresso aprova, nessa situação, rapidamente as leis sociais, crendo que os militares voltariam a seus próprios trabalhos; porém isso não aconteceu. Diante de tal situação, Alessandri sente que seu poder foi superado e apresenta a renúncia ao Congresso, asilando-se na embaixada dos Estados Unidos. O Congresso não aceita a sua renúncia, dando-lhe uma autorização para se ausentar do país por seis meses. Em 10 de setembro deixa o país, rumo à Itália.

O poder ficou a cargo dos militares, que constituíram uma Junta de Governo, que não conseguiu controlar a situação. Em 12 de setembro as forças armadas dissolvem o Congresso, após 93 anos de funcionamento initerrupto. Em 23 de janeiro do ano seguinte se forma uma nova junta. Em poucos meses, solicitou-se o retorno de Alessandri. Ao voltar, em 20 de março de 1925, depara-se com a aparição de um novo caudilho militar, Carlos Ibáñez del Campo, de seu cargo de Ministro da Guerra.

Alessandri decide realizar mudanças profundas na política nacional e cria o Banco Central de Chile, e consegue que se aprove em um plebiscito uma nova Constituição, que é promulgada em 18 de setembro de 1925. Com essa Constituição, o poder volta a ser exercido efetivamente pelo Presidente da República, dando fim ao governo parlamentar, e estabelecendo um regime presidencial.

Com a vitória do Presidencialismo, Alessandri e Ibáñez se enfrentaram em uma disputa pela liderança. O primeiro desejava estabelecer um candidato único à Presidência, cargo que Ibáñes ambicionava. Este foi apoiado por um manifesto de vários políticos promovendo sua candidatura que parecia oficial apesar da negativa manifestada por Alessandri, produzindo a renúncia generalizada do gabinete. Diante dessa situação, Ibáñez publicou uma carta aberta ao Presidente o recordando que só poderia governar emitindo decretos com a sua assinatura, já que era o único ministro do gabinete. Desta forma, o governo de Alessandri estava submetido às decisões de Ibáñez, algo que Alessandri não aguentaria: designou Luis Barros Borgoño como ministro do Interior e apresentou sua renúncia irrevogável, em 2 de outubro de 1925.

Barros Borgoño foi substituído por Emiliano Figueroa, que havia sido eleito como candidato do consenso entre os partidos políticos para enfrentar a crise política em que o país se encontrava. Contudo Ibáñez manteve-se como ministro do Interior. Figueroa não pôde controlar Ibáñez e terminou renuncioando em 7 de abril de 1927 - fato que permitiu a Ibañéz assumir a Presidência diante da disponibilidade do cargo.

Durante seu governo criaram-se diversos organismos como a Linha Aérea Nacional, a Controladoria Geral da República, Carabineros do Chile e a Força Aérea do Chile. Além disso, promulgou-se o Código do Trabalho e firma-se o Tratado de Lima, em 3 de julho de 1929, que acaba com os problemas de fronteira com o Peru.

Ibáñez teve, em seu começo, o respaldo da população. Mas com o passar dos meses começou a ter atitudes extremamente autoritárias. Centenas de políticos, incluindo Alessandri, partiram para o exílio; estabeleceram-se restrições à imprensa e o Congresso foi designado por Ibáñez com acordo dos partidos políticos, recebendo o apelativo de Congresso Termal, por conta do local da negociação (as Termas de Chillán).

O crash da bolsa de Nova Iorque deu origem, em 1929, à Grande Depressão. O governo de Ibáñez, que havia triplicado a dívida externa ao soliticar empréstimos aos Estados Unidos e o inevitável colapso da mineração do salitre, provocou uma crise sem precedentes no Chile, fazendo do país o mais afetado do mundo pelo incidente. Diante dessa situação, Ibáñez apresenta a renúncia em 1931 e deixa o governo nas mãos de Juan Esteban Montero, presidente do Senado. Nas eleições que foram convocadas para outubro, Montero derrotou com folga Alessandri, que havia voltado do exílio.

Montero, ao reassumir a presidência, enfrentou imediatamente diversas tentativas revolucionárias. A sublevação da Esquadra em Coquimbo só foi a primeira tentativa de golpe de uma série que se sucederia nos meses seguintes, conseguindo se consumar em 4 de junho de 1932.

Os líderes do golpe de estado, Marmaduke Grove, Carlos Dávila e Eugenio Matte, declararam a República Socialista do Chile. Porém esse governo durou apenas 12 dias, até que um contra-golpe acabou com essa tentativa, o que permitiria que Dávila como presidente e outros membros da junta fossem desterrados na Ilha de Páscoa. Dávila, contudo, esteve só 100 dias como presidente e, após vários mandatos interinos, Alessandri foi eleito como presidente da República.

O segundo mandato de Arturo Alessandri caracterizou-se principalmente pela recuperação do país, tanto da economia quanto da política. Para isso, Alessandri utilizou-se em várias oportunidades das faculdades extraordinárias de seu cargo e conseguiu afastar o exército da política, que no momento estava composto pela coalizão de conservadores e liberais, o Partido Radical (que cada vez tinha mais destaque), e a esquerda emergente composta pelo Partido Socialista e o Partido Comunista. Além disso, a influência das ideologias facistas que surgiam na Alemanha, Espanha e Itália foi assimilada pela juventude do Partido Nacional Socialista do Chile, liderado por Jorge González von Marées.

Ainda que no começo Alessandri governou com um gabinete pluralista, os radicais lentamente começaram a se aproximar dos partidos de esquerda, retirando-se do governo em abril de 1934. A divisão dentre o governo da direita com a esquerda e os radicais começou a se tornar cada vez mais profunda e a violência começou a reaparecer. O Massacre de Ranquil foi só uma amostra da tensão que começou a reinar nos campo e na cidade. Alessandri declarou estado de sítio em fevereiro de 1936 e fechou o Congresso, enquanto os operários se declaravam em guerra à sombra da recém fundada Confederação de Trabalhadores do Chile.

Apesar das agitações que ocorriam no país, Alessandri, junto ao ministro Gustavo Ross Santa María, estava conseguindo recuperar a derrotada economia. A mineração de salitre já estava dando seus últimos frutos e começava a ser substituída pelo cobre, enquanto a agricultura estava se recuperando rapidamente. A dívida externa foi reduzida em 31% com a compra de bônus depreciados e a indústria nacional conseguia satisfazer 70% das necessidades do país. Essa melhora permitiu a construção de obras como o Estádio Nacional e o Bairro Cívico.

Com a aproximação da eleição presidencial, os radicais começaram a se aliar com os comunistas e socialistas, formando a Frente Popular, o qual levantou a candidatura do radical Pedro Aguirre Cerda. A Coalizão elegeu Gustavo Ross como candidato presidencial, sendo detestado pela oposição, que o denominava Ministro da Fome. Porém a surpresa foi a candidatura de Ibáñez, apoiado pela Aliança Popular Libertadora e o Partido Nacional-Nacionalista.

Ross parecia ser o vencedor das eleições graças à onerosa campanha realizada e à divisão dos eleitores opositores entre Aguirre Cerra e Ibáñez. Porém um terrivel acontecimento mudaria a situação: membros das juventudes nazistas tomaram a Casa Central da Universidade do Chile em 5 de setembro de 1938. Atrincheirados no edifício, uma tropa de artilharia atacou a entrada principal, o que ocasionou a rendição dos 71 protestantes. Estes foram transferidos ao Edifício do Seguro Operário, localizado em frente ao Palácio de La Moneda, e ali foram fuzilados por carabineros. A Matança do Seguro Operário foi atribuída à oposição como ordem de Alessandri, o que provocou a renúncia de Ibáñez de sua candidatura e seu apoio a Aguirre Cerda. Finalmente em 23 de outubro o candidato da Frente Popular obteve 50,2% dos votos, contra 49,3% de Ross.

Pedro Aguirre Cerda assumiu o cargo de Presidente e levou a cabo uma política de esquerda moderada, promovendo a industrialização e diminuindo o poder da oligarquia. Diante do devastador terremoto que devastou Chillán e grande parte do sul do país em 1939, funda a Corporação de Fomento da Produção. Através do "Projetio de substituição de Importações" busca conseguir a indêpendencia econômica do país. Exemplo disso é a criação da Empresa Nacional de Eletricidade, a fundação de plantas hidrelétricas, a ENAP a cargo da primeira descoberta de petróleo em Magalhães, a Companhia de Aços do Pacífico e indústrias estatais de exploração silvoagropecuária e manufatureira. Com esse impulso, a indústria chegou a um crescimento anual de 7,5% entre 1940 e 1943.

Os bons resultados econômicos começaram a produzir mudanças na sociedade chilena e dar novos brios às cidades. Santiago, por exemplo, começou a explodir demograficamente, alcançando 1 milhão de habitantes e a cultura se desenvolveu graças aos aportes literários de Vicente Huidobro e Augusto D'Halmar. Como parte de sua vocação de educador, Aguirre Cerda iniciou a extensão da educação pública a grande parte do país, acreditando ser a única forma de superar a pobreza.

Durante estes anos as relações internacionais do país tiveram que enfrentar importantes fatos bélicos que assolavam grande parte do mundo. A Guerra Civil Espanhola produziu um massivo êxodo de espanhóis, que chegaram ao país graças às ações realizadas pelo embaixador na França, Pablo Neruda - principalmente a bordo do navio Winnipeg. Anos mais tarde, produziu-se o início da Segunda Guerra Mundial, onde o Chile, assim como na Primeira Guerra Mundial, declarou-se neutro, apesar de grande parte da população apoiar os Aliados. Por outro lado, em 1940 e por ordem de Aguirre Cerda, oficializa-se a reclamação do país sobre a Antártida e declaram-se os limites do Território Antártico Chileno.

O governo de Aguirre Cerda teve um fim abrupto devido à mortal tuberculose que o afetou, falecendo ao fim de 1941 sem terminar o mandato. Em 1942, o radical Juan Antonio Ríos é eleito como sucessor de Aguirre Cerda, finalizando a maioria dos projetos deste.

Durante seu governo, as pressões para tomar parte oficialmente na Segunda Guerra Mundial, tanto pelos Estados Unidos quanto por simpatizantes do Eixo, termina com a declaração de guerra à Alemanha e Japão, em 20 de janeiro de 1943. Um feito transcendente para a história da literatura chilena foi a premiação da poetisa Gabriela Mistral com o Prêmio Nobel, em 10 de dezembro de 1946.

A estabilidade originada nos governos radicais, com a soma das distintas forças políticas, começou a ruir seriamente durante o governo de Ríos. A crise entre a presidência e os socialistas, os comunistas, a direira e seus companheiros de partido levou Ríos a exigir a saída de todos os radicais de seu gabinete. Porém, como seu antecessor, a saúde impediu que continuasse no cargo de Presidente, falecendo em 1946.

Gabriel Gonzáles Videla foi eleito Presidente como líder da Aliança Democrática, composta entre outros pelo Partido Radical e pelo Partido Comunista (PC) liderado por Neruda. Porém, em 1947, as eleições municipais deixaram clara a ascensão do PC em pleno cenário da Guerra Fria. Diante desta situação, e sob influência da guerra fria e do macartismo norteamericano, González Videla expulsa o PC de seu governo e se converte em seu férreo opositor.

Os sindicatos mineiros de Lota e Chuquicamata, dominados por comunistas, declaram-se em greve e instala-se o estado de sítio em Santiago; nesse contexto, o Congresso aprova a Lei de Defesa da Democracia, denominada como a "Lei Maldita" por seus opositores, que proscreve ao Partido Comunista e envia seus militantes a um campo de detenção em Pisagua.

Além disso, durante o governo de Gonzáles Videla elabora-se o "Plano Serena", visando o desenvolvimento da província de Coquimbo e remodelação de La Serena, além da conquista do voto feminino. Instalam-se as primeiras bases antárticas e funda-se a Universidade Técnica do Estado.

Para a eleição presidencial de 1952, enfrentam-se Pedro Enrique Alfonso (representando o radicalismo), o centrista Arturo Matte, o socialista Salvador Allende e Carlos Ibáñez del Campo como candidato independente. O general Ibáñez aparece como a solução dos problemas da política tradicional e, com seus lemas de "O General da Esperança", "Pão para Todos" e seu símbolo da vassoura para varrer a corrupção, consegue a vitória com mais de 47%.

O populismo com que assume Ibáñez permite ao seu governo grande adesão da população, aproximando-se da esquerda. Nos seus primeiros anos apóia inclusive a fundação da Central Única de Trabalhadores, liderada por Clotario Blest e derruba a "Lei Maldita" no fim de seu mandato. Porém em 1955 a substituição de importações fracassa e a economia entra em recessão. Seu governo começa a enfraquecer devido ao pouco apoio de partidos.

Como forma de buscar uma solução ao problema econômico encarga-se à Missão Klein-Saks, uma firma estadunidense que apresenta ao presidente a única forma de solucionar os problemas: medidas liberais, como reformas no comércio exterior, supressão de subsídios, eliminação de reajustes automáticos de salários no setor público e parte do privado, modificação do estatuto do Banco Central do Chile e a criação do Banco do Estado do Chile. Estas medidas tornam-se impopulares e geram descontentamento na população. Greves ameaçam novamente a estabilidade do Governo e é proclamado estado de sítio por Ibáñez, sendo rechaçado pelo Congresso. Em 1957 enfrenta duramente a Federação de Estudantes da Universidade do Chile, pela alta nas passagens do transporte público, tendo os protestos deixando um saldo de mais de 20 mortos e graves danos materiais ao centro de Santiago.

Apesar das tentativas do Bloqueio de Saneamento Democrático, a forte decepção que produziu o populismo de Ibáñez na população permitiu a vitória do independente de direita Jorge Alessandri, filho de Arturo Alessandri, nas eleições presidenciais de 1958. Alessandri obteve cerca de 31,6%. Salvador Allende, como candidato da Frente de Ação Popular (FRAP) - aliança de esquerda - obteve 28,9%, enquanto o democrata cristão Eduardo Frei Montalva conseguiu 20,7%. Nesta eleição, o Partido Radical (cujo candidato Luis Bossay só obteve 15%) começa a perder protagonismo ante a conformação de um sistema político conhecido como "Os Três Terços" (a direita, a democracia cristã e a esquerda), e que perdurará por 15 anos. Devido ao fato de nenhum candidato ter alcançado a maioria absoluta, o Congresso teve que eleger o presidente, dando ao candidato da direita o cargo.

O engenheiro Alessandri decide pôr em prática um plano de estabilização econômica, centrado fundamentalmente na luta contra a inflação. Devido a seu caráter sóbrio e técnico, muitas de suas medidas não são populares. A idéia de Alessandri é criar um Estado que tenha a infra-estrutura para incentivar o investimento privado, deixando a idéia do "Estado Paternalista". Para tanto, deixa-se assessorar por muitos especialistas na matéria, muitos dos quais eram independentes, o que provoca certos atritos com os partidos que o apoiavam.

Durante seu governo, Alessandri teve que enfrentar os efeitos dos catastróficos terremoto e maremoto dos dias 21 de maio de 1960, com epicentro em Concepción, e 22 de maio de 1960, com epicentro em Valdivia, mas que arrasou com todos os povoados entre Chillán e Chiloé, sendo o movimento sísmico de maior intensidade registrado na história da humanidade, com 9,5 graus de magnitude na escala Richter. Estima-se que a reparação dos sinistros custou mais de 422 milhões de dólares. Apesar disso, o país vivia um momento de júbilo, com a celebração da Copa Mundial de Futebol de 1962.

Em sua gestão criou as empresas estatais Entel Chile, Enami e Ladeco, e tentou conseguir ajuda econômica estadunidense através da Aliança para o Progresso. Ademais, começa-se a materializar o projeto de reforma agrária que Alessandri via como uma forma de otimizar a exploração da terra. Este consistia em redistribuir as terras do Estado, não interferindo nos terrenos dos grandes lafundiários.

Ao se aproximarem as eleições de 1964, a Guerra Fria estava no auge e o crescimento do socialismo de Allende parecia inevitável. É assim que a figura de Eduardo Frei Montalva emerge como forma de deter a FRAP. Com seu lema de "Revolução em Liberdade", Frei consegue somar aliados a seu projeto de reformas profundas no país, sem o submeter à influência soviética, como supostamente faria Allende. Em dois anos, o Partido Democrata Cristão do Chile converte-se na principal referência política dos anos 60.

A luta entre Allendre, Frei e o candidato da Frente Democrática, Julio Durán, é praticamente voto a voto. Porém um fato conhecido como "Naranjazo" mudaria completamente o destino da eleição. A morte do deputado socialista por Curicó, Óscar Naranjo, permitiu a realização de uma eleição complementar, prévia da presidencial, e que foi utilizada por todos os partidos como uma prévia da eleição do 4 de setembro. Nesta eleição, o filho do falecido, também socialista, obteve 39,2% dos votos, frente a 32,5% da Frente Democrática e 27,7% do Partido Democrata Cristão.

Atemorizados com uma possível vitória de Allendre, os partidários da direita apóiam massivamente Frei, o qual ademais receberia apoio do governo dos Estados Unidos. A marcha da Pátria Jovem, organizada para apoiar a candidatura de Frei, converte-se em um êxito com a assistência de milhares de pessoas ao Parque Cousiño, o que seria uma prévia do resultado final da eleição. Frei obteve 56% dos votos (uma das mais altas maiorias na história eleitoral chilena) enquanto Allendre obteve cerca de 40%.

Eduardo Frei leva adiante uma política de reformismo moderado, em que se destaca a construção de milhares de moradias, modernização do aparato estatal, a reforma educacional (obrigatoriedade de oito anos), fortalecimento das organizações de base e a ampliação da Reforma Agrária. Esta última se converteu em um dos temas mais delicados já que, ao contrário do governo de Alessandri, incluem-se expropriações das grandes fazendas, o que leva a animosidades com os políticos de direita que entendem o ato como uma traição ao seu apoio à eleição presidencial.

Por outro lado, o governo inicia o processo de "Chilenização" do cobre, adquirindo a mina El Teniente e grande parte das ações de Andina e La Exótica. Além disso, constroem-se o túnel Lo Prado e o Aeroporto de Pudahuel, funda-se a Televisão Nacional do Chile e iniciam-se as escavações do Metrô de Santiago.

Porém em 1967 a Democracia Cristã começa a rachar enquanto o governo deve assumir o rechaço tanto da esquerda quanto da direira. Em 1968, as greves começam a se propagar, enquanto as reformas das estruturas políticas dos alunos da Universidade do Chile e da Universidade Católica do Chile produzem sérios conflitos entre os estudantes e o governo.

Em 1969 a crise do governo Frei se acentua, incluindo-se inclusive rumores de Golpe de Estado, o que se concretiza em 29 de outubro com o chamado "Tacnazo", liderado pelo general Roberto Viaux, que leva o Regimento Tacna às ruas de Santiago. Ainda que o evento tenha sido apaziguado e nada foi mais que um falso alarme, refletiu a gravidade da situação política em que se avizinha uma iminente vitória de Salvador Allende nas próximas eleições.

No mesmo ano surge o Movimento da Ação Popular Unitária (MAPU), como facção mais esquerdista da Democracia Cristã e se une à Unidade Popular, a nova aliança formada por socialistas, comunistas, radicais, sociais-democratas e outros grupos, tendo como propósito a chegada de Allende ao Palácio de La Moneda. Radomiro Tomic, o candidato oficial, não é considerado apto para derrotar Allende, motivo pelo qual a direita declara Jorge Alessandri candidato.

Ainda que Alessandri obtivesse a princípio um grande apoio, com o correr das semanas este começou a dissipar-se. Em 4 de setembro de 1970, a votação foi realizada: Allende obteve 36,3%, enquanto Alessandri 34,9% e Tomic, 27,9%. Como nenhum candidato havia alcançado a maioria absoluta, o Congresso teria que decidir o vencedor. Desde 1946, o Congresso havia eleito nesses casos aquele que conseguisse a maioria relativa (assim o fez em 1946, 1952 e 1958), mas muitas pessoas começaram a pressionar para que Alessandri fosse eleito.

O Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, opõe-se fortemente a uma vitória do marxismo na América Latina, motivo pelo qual idealiza junto à CIA dois planos para evitar que o Congresso elegesse Allende: o primeiro consistia em tentar convencer a Democracia Cristã para que votasse em favor de Alessandri, o qual renunciaria e chamaria a novas eleições de donde seria eleito Frei; o segundo era provocar um clima de instabilidade política em que o Exército seria obrigado a atuar. Porém o chamado Track One viu-se eliminado quando Radomiro Tomic anunciou que havia chegado a um acordo com Allende para que este assumisse, respeitando um estatudo de garantias constitucionais. Isso provoca a execução do Track Two, que consistia no seqüestro do Comandante do Exército René Schneider, de maneira tal a involucrar o Exército, para que impedisse o Congresso de eleger Allende. Tal ação foi executada em 22 de outubro de 1970, quando Scheneider tenta se defender do atentado e, nessas circunstâncias, é ferido gravemente, falecendo dias depois. Apesar do episódio, o Congresso Pleno decide em 24 de outubro designar Allende como novo presidente do Chile. Mas, o governo Nixon estava preparando outros "Tracks" para o caso de Allende tomar posse e assumir o governo da nação.

Salvador Allende, que assume em 3 de novembro, tenta construir uma nova sociedade baseada no socialismo através da democracia, uma experiência até então única no mundo. Entre suas primeiras medidas, continua o processo de reforma agrária e inicia-se um processo de estatização de empresas consideradas chave para a economia chilena. A partir de certos resquícios legais, baseados em um decreto-lei de 1932, se uma empresa detivesse certo mercado sua produção poderia sofrer intervenção do Estado, o que faz o governo da Unidade Popular incitar aos trabalhadores que detenham suas atividades e assim estatizar as empresas.

Estas medidas foram rechaçadas pela direita, o que não sucedeu com o projeto chave do Governo e que foi apoiado por todos os setores políticos do país: a nacionalização do cobre. Em 15 de julho de 1971, foi aprovado este projeto por votação unânime nas duas Câmaras. O Estado (através da Codelco Chile), tornaria-se proprietário de todas as empresas extratoras de cobre - sendo que estas receberiam indenização, restando-lhes as "utilidades excessivas" que haviam tido nos últimos anos produto dos baixos ou nulos impostos que pagavam. Assim, Anaconda e Kennecott, uma das principais empresas mineradoras, não receberam indenizações pelas minas de Chuquimata e El Tenente, respectivamente, o que dá início a um boicote ao governo de Allende liderado por Henry Kissinger ( negando empréstimos internacionais) e apoiado por algumas empresas multinacionais como a ITT, a Ford, a Pepsicola e outras. Por outra parte, o aumento drástico dos salários dos trabalhadores e o congelamento dos preços funciona e alcança-se um crescimento de 8% no PNB com baixa inflação. Neste ambiente, a Unidade Popular chega ao seu auge, com 49,73% das preferências nas eleições municipais deste ano e com um de seus referentes, Pablo Neruda, recebendo o Prêmio Nobel de literatura.

Porém, a partir do segundo ano, as reformas de Allende começam a ser paralisadas devido à violência que começa a surgir, ao boicote económico e sabotagens orientados pela administração Nixon (EUA) e à crise mundial do petróleo cujos efeitos nessa época tornaram-se notórios . A tomada de terrenos, aproveitando os resquícios da reforma agrária, termina com alguns agricultores mortos ao tentar defender seus terrenos. A sociedade começa a se polarizar e os enfrentamentos entre partidários e opositores de Allende tornam-se mais freqüentes, nascendo os panelaços. Com tal clima, a visita de Fidel Castro incita os membros da esquerda a iniciar uma revolução popular com base na luta de classes, algo oposto ao que o presidente se propunha. Economicamente, a magia do primeiro ano começa a se desfazer, surgindo os primeiros sintomas do desabastecimento.

O assassinato de Edmundo Pérez Zujovic por um obscuro grupúsculo terrorista sem vínculo com a Unidade Popular, é o estopim para a Democracia Cristã, que decide associar-se ao Partido Nacional para se opor ao governo. Uma acusação constitucional consegue derrubar o ministro do Interior, José Tohá; porém Allende consegue provocar a oposição ao colocá-lo como ministro da Defesa. Em 19 de fevereiro de 1972, a oposição tenta aprovar no Congresso Pleno uma reforma constitucional que buscava regularizar os planos estatizadores da União Popular, iniciativa dos senadores Juan Hamilton e Renán Fuentealba. Em 21 de fevereiro, Allende anuncia formulárias observações, através de vetos supressivos ou substitutivos, que finalmente chegaram por ofício em 6 de abril.

Nos partidos do governo mais ligados à ultraesquerda, aumenta o desejo de radicalizar as reformas, principalmente pelo líder do Partido Socialista, Carlos Altamirano; o Movimento de Esquerda Revolucionária intensifica seus ataques, respondendo ou sendo respondido pelos atentados do movimento de ultra-direita Pátria e Liberdade.

No âmbito econômico, o país entra em recessão e o crescimento cai. O PNB cai em torno de 25% e a dívida externa se eleva a 253 milhões de dólares. O desabastecimento, fortalecido por sabotagens (ocultamento de mercadorias) e greves de transportes financiadas pela CIA, permite a configuração do mercado negro e o governo instala as Juntas de Abastecimento e Preços (coordenadas nacionalmente pelo general Bachelet) para administrar o repasse de bens para a população. Os meios de comunicação entram em enfrentamentos verbais segundo sua tendência política. Segundo arquivos desclassificados posteriormente pelo governo estadunidense, a CIA houvera entregue apoio, mediante a contratação de publicidade, a diários opositores, como El Mercurio e aos promotores de uma greve de caminhões durante outubro de 1972, o que acaba com o ingresso de militares aos principais ministérios do país, formando-se um gabinete "cívico-militar", onde o general Carlos Prats, comandante em chefe do exército, assume como ministro do Interior.

Em 1973, as eleições parlamentares dão à Unidade Popular 43% dos votos e à Confederação pela Democracia (CODE), 55%. Allende não consegue a maioria para aprovar suas reformas nem a Confederação pela Democracia consegue os dois terços do Congresso para poder destituir o Presidente. Ainda que Allendre tratasse de conseguir um entendimento com Patricio Aylwin, presidente da Democracia Cristã, o Partido Socialista mostra-se completamente intransigente e os acordos não progridem. A violência aumente, especialmente entre os estudantes, devido ao projeto da Escola Nacional Unificada. A FEUC demonstra seu repúdio e a Federação de Estudantes Secundários (FESES) se divide. O projeto é parado graças à intervenção do Cardeal Raúl Silva Henriquez, que surge como mediador da crise.

O povo começa a ver as Forças Armadas como a única salvação para a crise que vive o país. Porém as idéias de René Schneider ("enquanto houver regime legal as Forças Armadas não são uma alternativa de poder") e a do general Carlos Prats ("enquanto subexistir o Estado de Direito a força pública deve respeitar a Constituição") estavam contra um pronunciamento militar para deter grande parte das tropas que se levantaram. Ainda que o Partido Comunista, respaldando ao presidente Allende, insistisse em manter a paz e evitar a guerra civil, Altamirano afirma que "o golpe não se combate com diálogos, faz-se com a força do povo". Enquanto as observações de Allende à reforma Hamilton-Fuenzalida foram rechaçadas em parte pelas câmaras, sem votar se insistiriam ou não no texto antes aprovado, gerando-se uma controvérsia entre o Presidente e o Congresso, enquanto à tramitação do projeto de reforma. Allende planteou a questão ao Tribunal Constitucional, que finalmente declarou-se incompetente, acolhendo a exceção formulada pela Câmara dos Deputados e o Senado. Diante dessa situação, e vencido o prazo para recorrer a um plebiscito que elucidaria a questão, Allende dita um decreto promulgatório da reforma, contendo apenas os pontos não vetados. Esse decreto não é aceito pela Controladoria Geral da República e a oposição considera tal fato como absolutamente ilegítimo.

Em 22 de agosto a câmara aprova o "Acordo da Câmara de Deputados sobre o grave quebramento da ordem constitucional e legal da República", causada pela negativa do exército em promulgar integralmente a reforma constitucional das três áreas da economia, aprovada pelo Congresso.

Em 27 de junho, Carlos Prats é insultado nas ruas e, temoroso de um ataque como o de Schneider, dispara contra o agressor, atingindo uma mulher inocente. Prats apresenta sua renúncia, que é rechaçada por Allende. No dia 29, Prats teve que enfrentar um dos momentos mais tensos, quando o coronel Roberto Souper levanta o Regimento Blindado nº 2 e se dirige ao Palácio de La Moneda. Pratz, dirigindo as guarnições de Santiago, consegue deter essa tentativa de golpe conhecida como Tanquezaço, enquanto os instigadores se refugiam e pedem asilo na embaixada do Equador, deixando um saldo de vinte mortos, principalmente civis.

Allende reconhece a crise em seu governo e decide convocar um plebiscito para evitar um golpe de estado. As facções mais radicais do governo da Unidade Popular repudiam a sua decisão. O MIR deixa de o chamar de "companheiro" e o chama de "senhor"; Allende apenas conta com o apoio do Movimento de Ação Popular Unitária, do Partido Radical e do Partido Comunista, que compartilham a "via pacífica". Diante dessa situação, Allende convocou seu ministro da Defesa, Orlando Letelier, para que convença ao Partido Socialista, o que consegue na noite de 10 de dezembro de 1973.

Desde Agosto 1973, em forma mais visível, ou desde antes, com apoio dos "Tracks" de Nixon, setores da Marinha e a Força Aérea preparavam um golpe de estado contra o governo de Allende, lideradas pelo vice-almirante José Toribio Merino e o general Gustavo Leigh. Em 21 de agosto, Carlos Prats decidiu renunciar ao posto de Comandante em Chefe após manifestações das esposas dos generais. Em seu lugar, assume Augusto Pinochet no dia 23, considerado um general leal e apolítico. Em 22 de agosto, a Câmara de Deputados havia aprovado um acordo em que se convocava os ministros militares a solucionar "o grave quebramento da ordem constitucional" (o "Acordo da Câmara de Deputados sobre o grave quebramento da ordem constitucional e legal da República").

Altamirano é advertido de um possível golpe de estado por parte da Marinha e este lança um discurso incendiário, dizendo que o Chile se converterá em um "segundo Vietnã heróico", enquanto se inicia um processo de desaforo contra Altamirano. Em 7 de setembro, Pinochet é convencido por Leigh e Merino e se une aos golpistas, enquanto ente os Carabineros, apenas César Mendoza, um general de baixa antiguidade, estava a favor.

No dia 10 de setembro, a marinha zarpou como estava previsto para participar dos exercícios UNITAS. O exército é aquartelado para evitar possíveis distúrbios no dia do processo de Altamirano. Porém a armada regressou a Valparaíso na manhã de 11 de setembro e tomou a cidade rapidamente. Allende foi alertado cerca das 7 da manhã e se dirigiu ao La Moneda, tratando de localizar a Leigh e Pinochet, o que foi impossível e o fez pensar que Pinochet estivesse preso. O general Sepúlveda, diretor dos Carabineros, assinalou que se manteriam fiéis, mas Mendoza assumiu como Diretor Geral. Por outro lado, Pinochet chegou ao Comando de Comunicações do Exército e começou a participar ativamente do golpe. Às 8h42, as rádios Mineria e Agricultura transmitiram a primeira mensagem da Junta Militar dirigida por Pinochet, Leigh, Mendoza e Merino, solicitando a Allende a entrega imediata de seu cargo e a evacuação imediata de La Moneda, ou seria atacado por tropas de ar e terra. Nesse momento, as tropas de Carabineros cercando o Palácio se retiraram.

Allende decide continuar no Palácio, enquanto às 9h55 chegam os primeiros tanques ao Bairro Cívico, enfrentando-se a franco-atiradores leais ao governo. A CUT chama à resistência nos bairros industriais, enquanto o Presidente decide dar uma última locução:

"Colocado em uma transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser cegada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Superarão outros homens nesse momento cinza e amargo onde a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrirão-se de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor." Salvador Allende, 11 de setembro de 1973

O fogo entre os tanques e os membros do GAP se inicia e, às 11h52, aviões Hawker Haunter da Força Aérea Chilena bombardeiam o Palácio de La Moneda e a residência de Allende, na Avenida Tomás Moro, Las Condes. O Palácio começa a se incendiar, mas Allende e seus partidários se negam a render-se. Perto das 2 horas da tarde, as portas são derrubadas e o Palácio é tomado pelo exército. Allende ordena a evacuação, mas se mantém no Palácio. Segundo o testemunho de seu médico pessoal, Allende disparou com uma metralhadora contra seu queixo, cometendo suicídio.

Às 18 horas, os líderes do pronunciamento se reúnem na Escola Militar, assumindo como membros da Junta Militar que governará o país, e decretam o "estado de guerra", incluindo estado de sítio.

Após derrubar o governo democrático de Allende, os membros da Junta de Governo começaram um processo de estabelecimento de seu sistema de governo. Ainda que em teoria se mantivesse vigente a Constituição de 1925, o poder que recaía na nova Junta estabelecia uma nova institucionalidade no país: o estado de guerra, onde qualquer pessoa poderia ser detida ou executada pelas tropas, mesmo na rua e sem maiores explicações.

De acordo com o Decreto Lei Nº 1, de 11 de setembro de 1973, Augusto Pinochet assumia a presidência da Junta de Governo, em sua qualidade de comandante em chefe do ramo mais antigo das Forças Armadas. Este cargo, que originalmente seria rotativo, finalmente se tornou permanente; em 27 de junho de 1974 Pinochet assume como "Chefe Supremo da Nação", em virtude do Decreto Lei Nº 527, cargo que seria substituído pelo de Presidente da República, em 17 de dezembro de 1974, pelo Decreto Lei Nº 806. Entretanto, a Junta assume as funções constituinte e legislativa em lugar do Congresso Nacional, que foi fechado em 21 de setembro.

Diante de tal situação, milhares de pessoas começaram a sofrer a repressão exercida pelo novo governo. A maioria dos líderes do governo da Unidade Popular e outros líderes da esquerda foram presos e transferidos a centros de reclusão. Cuatro Álamos, Villa Grimaldi, o Estádio Chile e o Estádio Nacional de Santiago foram utilizados como campos de detenção e tortura, assim como a Oficina Salitrera Chacabuco, a Ilha Dawson na Patagônia, o porto de Pisagua, o Buque Escola Esmeralda e outros locais ao longo do país. Três mil pessoas teriam sido assassinadas por membros da Direção de Inteligência Nacional (DINA) e de outros organismos das Forças Armadas, entre os que se destacam o general Bachelet, o cantor e compositor Victor Jara e o advogado e ministro José Tohá. Muitas dessas pessoas permenecem como desaparecidas na atualidade. Além disso, 35 mil pessoas foram torturadas sistematicamente, mais de 300 mil pessoas foram detidas por organismos do governo e outraas tiveram que se exilar em diversos países do mundo, algumas das quais foram brutalmente assassinadas em atentados explosivos no exterior, como o general Carlos Prats na Argentina e o diplomata e ex-ministro Orlando Letelier em pleno bairro diplomático de Washington (EUA). As sistemáticas violações aos direitos humanos cometidas pela ditadura de Pinochet provocaram o repúdio de diversos estados e da Organização das Nações Unidas (ONU). A esto se agrega os evidentes enriquecimentos ilícitos de Pinochet, familiares, colaboradores mais próximos e dos setores que lucraram com a ditadura.

A liberdade de imprensa no Chile acabou, salvo para jornais golpistas como "El Mercurio", similares e correlatos.

Diversos jornais de esquerda ou até independentes foram expropriados e as vezes tiveram seus locais e maquinários saqueados, destruídos e incendiados.

No âmbito econômico, o Regime Militar tenta uma "política de choque" para corrigir a crise em que havia sido assumida pelo governo, com inflação superior a 300%. Para tanto, solicita-se a ajuda de um grupo de jovens economistas engressados da Universidade de Chicago, que implantam o modelo de neoliberalismo de Milton Friedman. Os Chicago Boys aproveitaram as idéias nascidas em El Ladrillo e, seguindo as idéias de Friedman, sob a proteção e apoio da ditadura, começaram um tratamento de choque monetarista para a economia chilena: o gasto público foi reduzido em 20%, foram demitidos 30% dos empregados públicos, o Imposto de Valor Agregado (IVA) foi aumentado e os sistemas de empréstimo e financiamento de moradia foram eliminados. Como previsto, a economia depois destas medidas despencou, algo que Friedman considerava necessário para faze-la "ressurgir". O PGB e as exportações caíram em 12% e 40%, respectivamente, e o desemprego aumentou para 16%. Porém as medidas aplicadas durante esse período favorecidas pelo aumento internacional do preço do cobre (maior exportação do Chile) começaram a surtir efeito em 1977, quando a economia começou a se levantar e se deu início ao que foi o "Boom" ou o "Milagre Chileno". Nestes anos, finalizaram-se os trabalhos do Metrô de Santiago e começaram os da Carretera Austral.

Aproveitando a conjuntura na América Latina, liderada por múltiplos ditadores militares, o Chile se integrou junto a outros estados na Operação Condor, um plano de inteligência destinado à pratica do terrorismo de estado no Cone Sul, apoiado pela CIA, visando inclusive o assassinato de ex-presidentes. Um dos ideólogos deste plano foi o chefe da DINA, Manuel Contreras, um dos homens com maior poder no país durante estes anos. A proximidade que tinha com líderes de outros países permitiu que, por exemplo, o Chile acertasse posições com a Bolívia, liderada pelo general Hugo Banzer. Isso permitiu a firmação do Acordo de Charaña, uma tentativa de solucionar o problema da mediterraniedade da Bolívia e em que se reestabeleciam as relações diplomáticas, rompidas desde décadas atrás.

O ano de 1978 marca um dos anos mais críticos do governo de Pinochet. Os Estados Unidos, que o haviam apoiado no princípio do regime, tornam-se um dos seus principais detratores, devido principalmente ao atentado terrorista contra Orlando Letelier, exilado em Washington. Jimmy Carter, que assume o governo do país no ano anterior, realiza uma forte campanha junto a diversos organismos internacionais exigindo maiores liberdades civis no Chile e criticam a censura contra a imprensa e a repressão à oposição. Antes disso, Pinochet convoca um plebiscito, quando ainda não existiam registros eleitorais. De acordo com os resultados publicados pelo governo, votaram 5.349.172 pessoas: 4.012.023 votos pela opção "Sim", 1.092.226 pela opção "Não" e 244.923 foram brancos ou nulos. Porém, tais cifras foram questionadas devido às diversas irregularidades do processo.

As violações aos direitos humanos continuaram apesar da pressão internacional. Enquanto Pinochet promulga o Decreto Lei Nº 2.191, que concedeu anistia a todos os que haviam cometido feitos delituosos desde a data do golpe, em qualidade de autores, cúmplices ou encobridores, a imprensa começa a revelar o destino dos primeiros detidos desaparecidos na zona de Lonquén. No entanto, a DINA é substituída pela CNI, enquanto o cardeal Raúl Silva Henriquez encara o problema e cria a Vicaria da Solidariedade.

Neste ambiente, Gustavo Leigh manifesta publicamente suas diferenças de opinião com Pinochet. Leigh, o gestor do golpe, opoe-se ao excessivo personalismo de Pinochet e ao modelo econômico imposto. Leigh também esperava apurar os prazos para o retorno da democracia e estava contra as práticas terroristas que estava exercendo o Estado. Diante das declarações do Comandante da Força Aérea ao periódico italiano Corriere della Sera e sua recusa em se retratar, Leigh é destituído pela Junta Militar e é substituído por Fernando Matthei.

Ainda que as relações diplomáticas com os países vizinhos haviam se aproximado, foram rompidas durante 1978. A proximidade da comemoração do centenário da Guerra do Pacífico produziu efervescência no Peru (com que teve problemas diplomáticos em 1974) e na Bolívia. As tentativas de outorgar uma saída ao mar a este último viram-se acabadas pelo veto do Peru ao Acordo de Charaña, veto que poderia exercer de acordo com o estabelecido no Protocolo Adicional do Tratado de Ancón, chegando o ditador do Peru, General EP Juan Velasco Alvarado a mobilizar a 18ª Divisão Blindada do Exército do Peru ao sul, próximo à fronteira do Chile; dias depois o general EP Francisco Morales Bermúdez Cerrutti derrota o general Velasco, desmobiliza a 18ª Divisão Blindada, cujos tanques retornam aos seus quartéis e a normalidade volta à fronteira, mantendo o veto ao Acordo de Charaña. Diante de tal quadro Banzer rompe relações diplimáticas com o Chile.

Ao mesmo tempo surge com a Argentina o Conflito de Beagle. A Rainha Elizabeth II do Reino Unido abdica das ilhas Picton, Lexxon e Nueva ao Chile, as quais estavam em disputa com o país vizinho. Ambos países haviam se comprometido a aceitar o laudo britânico de 1967, porém Jorge Rafael Videla declara o ocorrido como "insanealmente nulo" e a possibilidade de guerra com a Argentina é iminente, a que se somava a possibilidade de um "quadrilhaço" (guerra com a Argentina, Peru e Bolívia).

O Chile tenta solucionar as diferenças através de uma mediação papal com Paulo VI, mas sua morte e a de seu sucessor, o Papa João Paulo I, agravam a situação. As tropas chilenas estão recrutadas em Punta Arenas e a esquadra chilena zarpa para enfrentar a da Argentina, em 22 de dezembro de 1978. Uma tempestade nas águas patagônicas evita o primeiro enfrentamento, enquanto o Papa João Paulo II apela a uma mediação entre ambos países, a qual é aceita pela Argentina. O conflito seria encerrado com o "Tratado de Paz e Amizade", firmado em 29 de novembro de 1984.

Em outubro de 1978, o Conselho de Estado (um organismo assessor à Junta, presidido por Jorge Alessandri) recebeu um anteprojeto de Constituição redigido pela Comissão Ortúzar. Em 8 de junho de 1980, Alessandri entrega um dictamen e informe elaborado pelo Conselho, contendo várias correções ao anteprojeto. A fim de analisar o projeto apresentado pelo Conselho, a Junta de Governo nomeia um grupo de trabalho que praticou suas funções durante um mês, realizando diversas modificações no texto. Finalmente, em 10 de agosto Pinochet informa que a Junta aprovou a nova Constituição e que a submeterá a um plebiscito. Os registros eleitorais, no entanto, não foram abertos, motivo pelo qual várias irregularidades teriam sido cometidas. A oposição só pôde se manifestar em um ato político liderado por Eduardo Frei Montalva no teatro Caupolicán. Em 11 de setembro de 1980 realizou-se o referendo que obteve um respaldo de 68,95% dos votos. Assim, a nova Constituição Política da República do Chile entrou em vigor em 11 de março de 1981.

Em 1981, os primeiros sintomas de uma nova crise econômica começam a ser sentidos no país. O Chile, graças ao boom, havia crescido a uma média anual de 7,5% entre 1976 e 1981; porém a balança de pagamentos alcançou um déficit de 20% neste ano e os preços do cobre caíram rapidamente. Os investidores estrangeiros deixaram de investir, enquanto o governo dizia que tudo isso era parte da recessão mundial. Os investidores nacionais e as empresas chilenas haviam aproveitado durante esse período para pedir diversos empréstimos, com base na promessa de um câmbio fixo de um dólar a 39 pesos chilenos.

A situação não pôde se sustentar e, em junho de 1982, o peso foi desvalorizado e a política de câmbio fixo se encerrou. Diante disso, os empréstimos alcançaram taxas exorbitantes e muitos bancos e empresas quebraram. O desemprego se elevou a 25% e o governo não encontrava fórmula capaz de manejar a situação. A inflação alcançou 20% e o PIB caiu em 15%. Começaram, então, a aparecer os primeiros protestos de caráter pacífico, que foram violentamente reprimidas pelos carabineros e pelo exército. Implanta-se o estado de sítio e o momento é aproveitado por diversas organizações terroristas como a Frente Patriótica Manuel Rodriguez, que decidiu iniciar a "Operação Retorno" e começar com o fim do Regime pela via armada.

Em 27 de dezembro de 1986 comandos do FPMR tentam assassinar o general Pinochet no caminho ao Cajón de Maipo. Diante do fracasso dos comandos esquerdistas, Pinochet ordena uma forte onda repressiva que termina com a morte de diversos frentistas (Operação Albânia). No mesmo período tornou-se público o assassinato de cinco professores comunistas que foram encontrados degolados, delito cometido por corpo de carabineiros, o que obrigou à renúncia do diretor geral César Mendoza, que foi substituído por Rodolfo Stange.

Com a renúnica de Sergio Fernández ao Ministério do Interior, Sergio Onofre Jarpa, seu sucessor, permite a aproximação à Aliança Democrática (composta por democratas cristãos e socialistas moderados). Graças à participação do Cardeal Francisco Fresno, partidários do governo e parte da oposição formularam, em agosto de 1985, um "Acordo Nacional para a Transição à Plena Democracia". Tal acordo foi recebido com ceticismo por setores da extrema esquerda e sérias discrepâncias ao interior da Junta de Governo.

No âmbito econômico, Hernán Büchi conseguiria produzir o "Segundo Milagre" devido a um profundo processo de privatizações de empresas públicas (LAN Chile, Entel, CTC, CAP) e a reimplantação do modelo neoliberal (substituído pelo keynesiano nos anos mais cruéis da crise). Ainda que o PIB se duplicasse nos anos seguintes, a redução do gasto social aumentaria o abismo entre ricos e pobres, fazendo do Chile um dos país com maior desigualdade na renda, e as gratificações reduziram-se a limites mínimos, entre outros efeitos. Por outro lado, a zona do Chile Central foi sacudida por um terremoto em 3 de março de 1985, tendo os edifícios de Santiago, Valparaíso e San Antonio sofrido graves danos nas estruturas.

O governo promulga em 1987 a Lei Orgânica Constitucional dos Partidos Políticos, que permite a criação de partidos políticos, e a Lei Orgânica Constitucional sobre sistema de inscrições eleitorais e Serviço Eleitoral, que permite abrir os registros eleitorais. Com estas disposições legais, abriria-se a brecha para cumprir o estabelecido pela Constituição de 1980. Segundo ela, devia-se convocar os cidadãos a um plebiscito onde se ratificaria um candidato proposto pelos Comandantes em Chefe das Forças Armadas e o General Diretor dos Carabineros, para ocupar o cargo de presidente da República no período seguinte de 8 anos.

No caso do resultado ser adverso, o período presidencial de Augusto Pinochet se prorrogaria por mais um ano, como as funções da Junta de Governo, devendo se convocar a eleição de Presidente e de Parlamentares.

No início de 1987, o país presenciaria a visita do Papa João Paulo II, que percorreu as cidades de Santiago, Viña del Mar, Valparaíso, Temuco, Punta Arenas, Puerto Montt e Antofagasta. O Sumo Pontífice seria testemunha presente da repressão durante alguns protestos, durante a cerimônia de beatificação de Teresa dos Andes no Parque O'Higgins (3 de abril de 1987). Durante sua visita, João Paulo II manteve uma longa reunião com Pinochet em que trataram do tema do retorno à democracia. Nesta reunião, o Pontífice haveria instigado Pinochet a fazer modificações no regime e inclusive haveria solicitado sua renúncia. No ano seguinte, convocou-se a realização do plebiscito, fixado em 5 de outubro.

Em 30 de agosto de 1988, os Comandantes em Chefe das Forças Armadas e o General Diretor dos Carabineros, de conformidade com as normas transitórias da Constituição em vigor, propuseram como seu candidato Augusto Pinochet. Os partidários do "Sim" estariam integrados por membros do governo e os partidos Renovação Nacional, a União Democrata Independente e outros partidos menores. Por outro lado, a oposição criou a Concertação de Partidos pelo "Não" que agrupava 16 organizações políticas opositoras ao regime, entre as que se destacavam a Democracia Cristã, o Partido pela Democracia e algumas facções do Partido Socialista. No entando, o Partido Comunista ainda estava proscrito.

Em 5 de setembro deste ano foi permitida a propaganda política após 15 anos de ditadura. A propaganda seria um elemento chave para a campanha do "não", ao mostrar um futuro colorido e otimista, contraponto a campanha oficial, notoriamente deficiente de qualidade técnica e que pressagiava o retorno do governo da Unidade Popular em caso de uma derrota de Pinochet. Ainda que a campanha do "sim" conseguisse reverter os magros resultados do começo, revitalizando sua campanha, os resultados finais entregaram a vitória à oposição: o "sim" obteve 44,01% contra 55,99% do "não".

Apesar do silêncio inicial de Pinochet (o que, segundo algumas informações, aparentemente havia pensado em não reconhecer os resultados no princípio), reconhece a vitória do "não" e afirma que continuará o processo traçado pela Constituição de 1980. Assim, chamou-se eleições para a presidência e parlamento no dia 14 de dezembro de 1989. Previamente, um plebiscito realizado em 30 de julho deste ano havia aprovado uma série de reformas à Constituição, reduzindo em parte o autoritarismo que possuía a Carta Fundamental.

Patricio Aylwin, candidato da Concertação, obteve 55,17% dos votos, frente a 29,4% de Büchi e 15,43% de Francisco Javier Errázuriz, candidato independente de centro.

Patricio Aylwin recebeu o mandato das mãos de Augusto Pinochet, em 11 de março de 1990 no novo Congresso Nacional do Chile, localizado na cidade de Valparaíso, dando início ao processo de transição à democracia.

No início de seu governo, Patricio Aylwin teve que trabalhar em um sistema que mantinha inacessíveis muitos vestígios do Regime Militar. Ainda que a Concertação tivesse obtido a maioria dos votos nas eleições parlamentares, devido ao sistema binomial e a existência de senadores designados, não se poderia fazer as esperadas reformas à Constituição e a administração local das comunas ainda estava nas mãos de pessoas designadas pelo governo militar, que foram substituídas nas eleições de junho de 1992.

Aywlin governou cautelosamente, cuidando das relações com o exército, onde Pinochet ainda se mantinha como Comandante em Chefe. O exército, ainda que houvesse deixado de participar do governo, seguia sendo um importante ator político e manifestou seu rechaço a certas medidas do governo concertacionista através de movimentos táticos como o "Exército em Enlace" e o "Boinazo", em 1991 e 1992, respectivamente.

Neste contexto, constituiu-se a Comissão Nacional de Verdade e Reconciliação, destinada a investigar e esclarecer as situações de violações dos direitos humanos durante os anos do Regime Militar. Dirigida por Raúl Rettig, a Comissão enfrentou o rechaço das autoridades castrenses. Apesar disso, o informe da comissão foi trazido ao conhecimento público através da televisão pelo Presidente Aylwin, em 4 de março de 1991, após nove meses de trabalho. No seu pronunciamento, Aylwin apresentou o resultado dos estudos, pediu perdão às famílias das vítimas em nome da Nação, anunciou medidas de reparação moral e material para estas e o desejo do Estado de impedir e prevenir novas violações aos direitos humanos.

Durantew sua gestão, Aylwin propôs criar modificações nas normas tributárias para aumentar o gasto de imposto e melhorar a distribuição de renda, no momento em que a economia chilena seguia prosperando devido ao aumento das exportações de cobre e dos produtos agrícolas. Com tanto, a pobreza em seu mandato reduziu-se de 38,75% para 27,5%. Promulga-se a Lei Indígena, que reconhoce pela primeira vez aos povos indígenas e que cria a Corporação Nacional de Desenvolvimento Indígena, organismo encarregado da promoção de políticas que fomentem o desenvolvimento integral desses povos. Igualmente, o Escritório de Planificação Nacional e Cooperação (ODEPLAN) se tranforma em Ministério de Planificação e Cooperação; cria-se o Fundo de Solidariedade e Inversão Social, para fomentar as políticas sociais, e com a promulgação da Lei sobre Bases Gerais do Meio Ambiente, que buscava estruturar um marco para a ordenação ambiental, cria-se a Comissão Nacional do Meio Ambiente, para promover o desenvolvimento sustentável e coordenar as ações derivadas das políticas e estratégias ambientais do governo.

Em 1993 foram realizadas novas eleições presidenciais e renovou-se a Câmara dos Deputados e metade do Senado. Eduardo Frei Ruiz-Tagle, filho do mandatário homônimo e também democrata-cristão, obteve 58,01% dos votos, a maior votação em eleições livres da história republicana. O segundo, Arturo Alessandri Besa, candidato da União pelo Progresso (RN e UDI), obteve só 24,3% dos sufrágios.

Frei, que assumiu em 11 de março de 1994, reiniciou as relações do país com exterior, após certo isolamento em que esteve durante o Regime Militar. A economia se expandiu ainda mais e o crescimento médio foi de 8% ao ano durante os três primeiros anos de governo, o que permitiu o início das negociações com o Canadá, Estados Unidos e México para a integração ao Nafta e o ingresso como membro associado do Mercosul. O Chile também ingressou no Grupo do Rio e no decorrer da década conseguiu resolver os últimos litígios fronteiriços com a Argentina (Laguna del Desierto e Campos de Hielo Sur).

Ademais, iniciam-se as primeiras gestões para um tratado de livre comércio e de associação com a União Européia e, em 1997, o Chile se converte em membro da APEC, abrindo sua economia até a costa da Ásia, principalmente Japão e China. A pobreza continuou com seu ritmo descendente e, em 1998, chegou a 21,7% da população. Várias obras públicas foram construídas ao longo do país e inicia-se o sistema de licitações que permitem a construção das primeiras rodovias de nível internacional do país.

Porém na metade de seu mandato tem início a crise asiática, que afetará grande parte da pujante economia chilena. Durante estes mesmos anos, o país enfrentou importantes crises ambientais: a alta contaminação atmosférica em Santiago, o terremoto Blanco de 1995 que assolou o sul do Chile, as fortes secas de 1996 que impediram a geração de hidroeletrecidade e o corte do abastecimento às principais cidades, as enchentes de 1997 na zona centro-sul e o terremoto de Punitaqui no mesmo ano.

O crescimento do Chile estancou-se (o PIB diminuiu em 1%) e o desemprego começou a aumentar, superando os 12% (em 1997, mantinha-se próximo a 5%). As decisões errôneas do ministro Eduardo Aninat e do Banco Central expandiram o efeito e a recessão se estabeleceu nos últimos anos do governo de Eduardo Frei.

Concomitantemente, uma crise política inicia-se no país devido à detenção, em Londres, de Augusto Pinochet, que em 1998 havia assumido como senador vitalício após abandonar o Comando do Exército, devido a uma ordem de captura internacional emanada do juiz espanhol Baltasar Garzón pelo assassinato e tortura de cidadãos de nacionalidade espanhola durante seu governo. A detenção de Pinochet supôs uma humilhação ao Chile, visto que em seu país não havia sequer sido processado por causa alguma. A postura oficial do governo então foi que Pinochet deveria voltar ao país para ser julgado pelos tribunais nacionais e não na Espanha ou Suíça, países que solicitam sua extradição ao Reino Unido. Os partidos de direita apoiam fortemente Pinochet, realizando manifestações contra sua detenção, nas embaixadas da Espanha e do Reino Unido e ocorrem alguns embates com simpatizantes da Concertação, cujos partidos da ala progressista apóiam a reclusão de Pinochet.

As gestões dos ministros de relações exteriores José Miguel Insulza e, posteriormente, Juan Gabriel Valdés, sofrem avanços e retrocessos. A Câmara dos Lordes revoca, em novembro de 1999, uma resolução de um tribunal que aceitava a imunidade diplomática de Pinochet como senador e ex-Presidente. A ex-Primeira Ministra Margaret Thatcher visita Pinochet, que começa a sofrer graves problemas de saúde, e confessa que o Chile havia apoiado ao Reino Unido durante a Guerra das Malvinas (1992), conflito em que o Chile era neutro, o que provocou reações de protesto por parte do governo argentino. Ainda que o governo de Tony Blair quisesse que se julgasse Pinochet, os exames neurológicos verificaram a gravidade do estado de saúde de Pinochet. Para evitar que o general morresse na Grã-Bretanha, Jack Straw, ministro das Relações Exteriores de Blair, decide liberar Pinochet em 2 de março de 2000 por "razões humanitárias". Pinochet retorna a Santiago no dia 3 e se levanta de sua cadeira de rodas, levantando sua bengala de forma vitoriosa, caminhando alguns metros na pista de aterrisagem do Aeroporto, irritando os políticos que estavam contra seu traslado.

Durante estes anos, a direita aumentou seu apoio na mão de Joaquín Lavín, prefeito de Las Condes e figura relativamente nova no âmbito político, e que consegue se aproximar do eleitorado popular. Aproveitando as deficiências dos governos da Concertação no período da crise, Lavín consegue colocar em xeque o candidato oficial Ricardo Lagos, um dos principais líderes da esquerda concertacionista durante a época do plebiscito, pré-candidato presidencial nas duas oportunidades anteriores e ministro de Obras Públicas durante o governo de Frei. Diante da forte luta para ser o nominado da Concertação frente ao democrata-cristão Andrés Zaldivar, em que Lagos havia obtido mais de 71% em eleições primárias, grande parte do eleitorado de centro havia votado em Lavín temorosos da chegada de um socialista ao governo, repetindo a experiência de Salvador Allende. Da mesma forma, muitos comunistas e a esquerda extraparlamentar temem a vitória do candidato gremialista em primeiro turno e decidem votar por Lagos, deixando de lado a candidata Democrata-Cristã, Gladys Marín. Nas eleições de 12 de dezembro de 1999, Ricardo Lagos obtém 47,96% dos votos, apenas 30.000 a mais que Lavín. Marín obtém apenas 3,92%. O segundo turno é fixado para 16 de janeiro de 2000: o comando de Lagos é refeito e integra Soledad Alvear, ex-ministra de Justiça de Frei, como coordenadora de campanha para aproximar-se do voto de centro que havia escapado para Lavín. Finalmente, Lagos é eleito com 51,3%, contra 46,7% do candidato da UDI.

Ricardo Lagos assume o governo em 11 de Março de 2000 e deve lidar com as consequências da crise asiática, da qual o país não se recupera, e do caso Pinochet. Entre suas prioridades se destacam pôr em prática a Reforma Processal Penal e a redução dos níveis de desemprego. A economia chilena não decola e as tentativas de reforma do governo de Lagos não são aprovadas no Congresso ou não têm resultados favoráveis, como a reforma da saúde.

Durante o ano de 2001, revela-se um caso de corrupção relacionado à venda de revisões técnicas em Rancagua, em que é envolvido um subsecretário do governo e alguns parlamentares da Concertação. Inicia-se, então, uma série de acusações de corrupção ao governo de Ricardo Lahos relacionadas ao Ministério de Obras Públicas (Caso MOP-GATE, principalmente) e a administação de Lagos começa a enfraquecer, especialmente após as eleições parlamentares deste ano que dão como resultado quase um empate técnico entre a Concertação e a Aliança pelo Chile.

O governo passa por sua pior crise durante o ano 2002 e começos de 2003, quando enfrenta inúmeras críticas pela administração. Porém em 2003 as cifras macroeconômicas chilenas começam a melhorar, alcançando crescimento próximo a 4%. O Chile ingressa como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, tendo que tomar uma decisão ante os planos de Washington de invadir o Iraque. Ricardo Lagos, em uma conversa telefônica, informa a George W. Bush que o Chile votará contra a proposição, o que é apoiado por grande parte da população nacional, que se opunha em validar uma invasão.

O Chile consegue fechar os acordos iniciados no governo anterior, firmando o tratado de livre comércio com a União Européia, que entrou em vigência em 1 de janeiro de 2003. Posteriormente, são firmados os tratados com a Coréia do Sul e Estados Unidos, graças às gestões de Soledad Alvear, ministra de Relações Exteriores do governo de Lagos. As exportações, graças a estes acordos, aumentam explosivamente e o Chile volta ao crescimento do governo de Frei, desfazendo-se as dúvidas que inicialmente tinha o empresariado. Mesmo assim o governo não consegue controlar as cifras de desemprego (que beiram os 8%) e a desigualdade de renda não varia substancialmente.

No início de 2004, Lagos teve que enfrentar publicamente o Presidente da Bolívia, Carlos Mesa, visto que esse exige uma saída ao mar para seu país, considerando a precária situação econômica e política que vivia o país. Posteriormente, Lagos enfrenta Hugo Chávez e Néstor Kirchner. A dura posição frente ao Presidente da Bolívia e a atitude utilizada com os outros mandatários foram reconhecidas por toda a opinião pública, nacional e internacional, e a valorização positiva de Ricardo Lagos começou a aumentar, conseguindo taxas próximas a 65% de apoio segundo diversas pesquisas. A crise que parecia pressagiar inclusive um fim abrupto do governo se dissipa e a Concertação começa a ressurgir. Os prognósticos, que davam Joaquín Lavín como vencedor das próximas eleições presidenciais, começam a variar substancialmente com a arremetida de duas ministras do governo de Ricardo Lagos, Soledad Alvear e Michelle Bachelet.

Bachelet, que havia assumido originalmente o Ministério da Saúde, passa em 2002 ao Ministério da Defesa Nacional, sendo a primeira mulher da América Latina em ostentar tal cargo. Durante sua administração, as relações civico-militares começam a se recompor após anos de deterioramento desde 1973. Sob o mandato do general Juan Emilio Cheyre, o exército reconhece as violações dos Direitos Humanos e o Governo entrega os resultados da Comissão Valech sobre tortura durante o Regime Militar. Pinochet é processado por diversos casos de violações aos Direitos Humanos, mas se isenta devido a uma "demência senil". Durante 2004, investigações nos Estados Unidos demonstrariam que Pinochet guardou vários milhões de dólares no Banco Riggs, e, em 2005, seria detido por evasão de tributos e falsificação de material público.

O governo de Lagos caracterizou-se em um amplo desenvolvimento de obras viárias, criando-se as primeiras estradas urbanas do pais, novas linhas do Metrô de Santiago, o Metrô de Valparaíso e o Metrô de Concepción, e implementando-se um novo sistema de transporte em Santiago chamado Transantiago. Na política, diminui-se o apoio à Aliança, aparentemente pelo Caso Spiniak (descoberta de rede de pedofilia no país, que supostamente envolvia políticos da direita), o que permite uma recuperação do oficialismo, demonstrado nos resultados das eleições municipais de 31 de outubro de 2004 (47,9% para Concertação e 37,7% para a Aliança na eleição de conselheiros).

As figuras das ex-ministras Alvear e Bachelet começam a aumentar seu respaldo nas pesquisas e, no princípio de 2005, ambas venceriam Lavín, o candidato da Aliança. A Concertação decide por um processo de primárias entre suas duas candidatas, enquanto na Aliança começam a surgir vozes dissidentes quanto à candidatura de Lavín, o que acaba com a indicação de Sebastián Piñera como candidato da Renovação Nacional, em 14 de maio. Diante do baixo respaldo nas pesquisas sobre as primárias, Alvear declina sua candidatura, o que faz de Bachelet a eleita como representante do conglomerado oficial.

Bachelet corre como favorita. Com o passar dos meses, Piñera começa a tomar vantagem e finalmente supera levemente Lavín nas eleições presidenciais de 11 de dezembro. Ainda que a Concertação consiga um resultado histórico (51,75%) nas eleições parlamentares e que assim tenha, desde 2006, maioria em ambas as câmaras, sua candidata à primeira magistratura não consege convocar todo o apoio dos cidadãos de Lagos e seu conglomerado, e obtém 46% dos votos. Com tais resultados, Piñera e Bachelet enfrentaram-se novamente em 15 de janeiro de 2006 no segundo turno, no qual Bachelet recuperou grande parte do eleitorado dissipado no primeiro turno, graças ao decidido apoio dos personagens do governo, sendo eleita com 53,49% das preferências. Assumiu o cargo de Presidente da República em 11 de março de 2006, convertendo-se na primeira mulher em ostentar tal cargo no país.

Michelle Bachelet pautou inicialmente seu governo pelo princípio da igualdade: na distribuição dos cargos públicos, a Presidente procurou dividir os cargos para homens e mulheres de maneira igualitária.

Em maio de 2006, sua popularidade caiu cerca de 8% em relação ao mês anterior, devido aos maiores protestos já realizados no Chile desde o fim do governo de Pinochet, em 1990, organizados por estudantes secundaristas e universitários acerca de benefícios aos mesmos e participação no estudo da nova legislação de ensino chilena. Com isso, a quase totalidade de instituições secundárias de ensino no país entraram em greve por mais de duas semanas. Próximo ao Palácio de La Moneda, sede do governo federal, ocorreram vários conflitos entre forças policiais e estudantes.



Os primeiros habitantes conhecidos datam do período neolítico. Várias escavações têm demonstrado que durante o Neolítico e a Idade do Bronze os cipriotas tinham uma cultura avançada. A história de Chipre passou pela ocupação por egípcios, assírios, persas, gregos, durante a antiguidade.

A partir de 1400 a.C., sucessivas levas de aqueus colonizaram a ilha, introduzindo a língua e a cultura grega. Colônia micênica no século XIV a.C., por volta de 800 a.C. instalaram-se os fenícios. Em torno de 670 a.C., a ilha foi ocupada pelos assírios e no século VI caiu sob domínio egípcio. Povoada desde o século VII a.C., foi exportadora de cobre e de madeira.

Foi, depois, governada pelos império persa. Foi anexada ao Império Romano em 58 a.C. e um século depois o cristianismo difundiu-se por todo o território. No século I da era cristã chegou um grande contingente de refugiados judeus, expulsos pelo imperador Adriano no ano 116. Depois da divisão do Império Romano, Chipre, com pequenas interrupções, ficou mais de 700 anos sob domínio dos imperadores bizantinos. A partir do século VII, começou a penetração dos árabes, que durante os 300 anos seguintes devastaram a ilha.

Em 1191, durante uma cruzada à Terra Santa, o rei Ricardo I Coração de Leão da Inglaterra conquistou a ilha e, mais tarde, a vendeu ao cruzado francês e rei Guy de Lusignan de Jerusalém. Imediatamente foi criada uma monarquia feudal que se prolongou até à Idade Média. Importante base para os cruzados, o reino dos Lusignan, serviu de base de ataque para as diversas Cruzadas que se aventuravam na Palestina. Algum tempo depois, os mercadores de Gênova e de Veneza passaram a controlar o comércio da ilha até o século XV. Chipre foi conquistada, em 1489, pelos venezianos e tornou-se base naval para a República de Veneza. A ilha permaneceu parte do Império Veneziano até 1571, quando caiu em mãos do Império Turco-Otomano, que restauraram o arcebispado ortodoxo, mas levaram o país a uma situação de decadência econômica e demográfica.

No início do século XIX começaram sérias revoltas na ilha. O Império Otomano manteve a ilha sob seu controle até 1878, quando foi derrotado na Guerra Turco-russa de 1877-1878. Temendo a expansão russa, A Turquia induziu a Inglaterra a administrar o Chipre.

Em 12 de Julho de 1878, os britânicos assumiram o controle do território pelo Congresso de Berlim, depois da autorização do sultão turco que continuou a ser o soberano do Chipre. A administração britânica promoveu a construção de estradas, a reforma dos portos e o desenvolvimento agrícola. Em 1914, com a Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha formalmente anexou a ilha, , o que pôs fim ao tratado de 1878. Em 1915, os ingleses cederam a ilha temporariamente à Grécia, como pagamento por sua participação na guerra em favor dos países aliados. De acordo com o Tratado de Lausanne (1923), a Turquia reconheceu formalmente a soberania britânica sobre o Chipre. Dois anos mais tarde, a ilha se tornou uma colônia britânica.

Desde o início houve uma rivalidade entre as comunidades de língua grega e as de língua turca, sendo que os primeiros desejavam a união (Enosis ou Énosis) com a Grécia. As primeiras revoltas a favor da enosis aconteceram em 1930. Depois da eleição do arcebispo Makarios III como chefe da Igreja Ortodoxa de Chipre, em 1950, a Énosis iniciou a guerra revolucionária. Makarios, líder da campanha pela enosis, é deportado para as Seychelles em 1956 depois duma série de atentados na ilha.

Após a Segunda Guerra Mundial houve muita violência civil, na qual a organização terrorista cipriota Eoka teve o papel principal. Em agosto de 1954, a Grécia tentou anexar a ilha. A Turquia afirmou sua oposição à anexação do Chipre pela Grécia, declarando que diante de sua desocupação pela Inglaterra, a ilha deveria retornar ao controle da Turquia.

As negociações realizadas em 1959 entre as diversas partes do conflito levaram a um acordo para a concessão de uma Constituição que tornasse o Chipre uma repúblicaindependente da Comunidade Britânica, cujo funcionamento fosse garantido pela Inglaterra, Turquia e Grécia.

No ano seguinte, Chipre, Grécia e o Reino Unido assinam um tratado que declara a independência da ilha, ficando os britânicos com a soberania das bases de Akrotiri e Dhekelia. A independência foi proclamada em 16 de agosto de 1960, sendo eleitos presidente o greco-cipriota Makarios, arcebispo ortodoxo; e vice-presidente, o turco-cipriota Fazil Kuchuk. A violência], entretanto, continuou.

Makarios era presidente, mas a constituição indicava que os turco-cipriotas ficariam com a vice-presidência, com poder de veto, o que dificultou o funcionamiento do estado e as relações entre greco-cipriotas e turco-cipriotas, desembocando em explosões de violência intercomunitéria em 1963 e 1967. Em dezembro de 1963, as comunidades turca e grega da ilha entraram em conflito quando o presidente propôs alterações constitucionais que pressupunham a supressão do direito da minoria turca de exercer o veto legislativo. Os turco-cipriotas pretendiam a divisão da ilha, enquanto os greco-cipriotas insistiam na existência de um Estado unido com garantias dos direitos das minorias nacionais. Em 1964 o governo era um caos e uma força de paz da ONU teve de intervir.

Em 15 de julho de 1974, a Guarda nacional do Chipre levou a cabo um golpe greco-cipriota favorável à incorporação à Grécia e derrubou o presidente Makarios. As forças turcas invadiram o território do Chipre e, um mês depois, passou a controlar militarmente o norte da ilha. Os cipriotas turcos estabeleceram um governo de facto, mas não buscaram reconhecimento como país soberano.

Conversacões em Genebra entre a Grã-Bretanha, Turquia, Grécia e as duas comunidades cipriotas fracassaram, e, apesar de Makarios poder reassumir a presidência em 1975, o Estado Federado Turco de Chipre foi formado na zona ocupada no norte do país em fevereiro de 1975, compreendendo cerca de 35% da ilha, e tendo seu próprio presidente, Rauf Denktash. O governo, entretanto, era apenas reconhecido pela Turquia. Em novembro de 1983 proclamaram a independência da República Turca de Chipre Setentrional ou República Turca de Chipre do Norte (com capital em Lafkosha, nome dado a Nicósia pelos turcos), um Estado de fato que atualmente só é reconhecido pela Turquia e pela Organização da Conferência Islâmica.

A zona sul permaneceu sob o controle grego. O governo do setor grego continuou sendo a autoridade internacionalmente reconhecida da República de Chipre. Ao longo desse processo, cerca de 20 mil greco-cipriotas abandonaram o setor sob controle turco, que eqüivale a 40% da ilha, no norte, e cerca de 50 mil turco-cipriotas saíram do sul para refugiar-se nessa área. A Grã-Bretanha manteve uma importante base para sua força aérea na zona sob controle grego, e também um importante centro de inteligência. A partir de meados da década de 1980 iniciaram-se conversações acerca da reunificação , embora nunca tenham tido sucesso.

Com a morte de Makários, Spyros Kyprianou assumiu a presidência (1977-1988). Em 1990, Chipre solicitou a admissão na Comunidade Européia e, em 1993, Glafcos Cléridès foi eleito presidente da república. A república turca ainda não foi reconhecida por nenhum outro Estado, mas os países que mantêm relações com Chipre (inclusive o Brasil) continuam a ter contatos informais com o líder turco. A chamada "Questão cipriota" tem sido freqüentemente incluída nas agendas das assembléias gerais das Nações Unidas. A população da ilha está dividida em 80% de greco-cipriotas e 20% de turcos. O nível de vida no setor grego é superior ao da Grécia continental.

Depois de uma nova crise em janeiro de 1997, causada pela compra de mísseis russos por parte do governo greco-cipriota, os presidentes Glafcos Klerides e Rauf Denktash, das duas coletividades, iniciaram um novo diálogo com o objetivo de chegar à reunificação de Chipre.

A República de Chipre aderiu formalmente à União Europeia no dia 1 de Maio de 2004 numa cerimónia realizada em Dublin. Ao mesmo tempo, se aplica um plano para a reunificação apoiado pelas Nações Unidas, apesar de um referendo em que 76% dos greco-cipriotas terem votado contra.



A tradição situa o início da história do Butão no século VII, quando o rei tibetano Songtsen Gampo construíu os primeiros templos budistas nos vales de Paro e de Bumthang. No século VIII, é introduzido o budismo tântrico pelo Guru Rimpoche, "O Mestre Precioso", considerado o segundo Buda na hierarquia tibetana e butanesa. Os séculos IX e X são de grande turbulência política no Tibet e muitos aristocratas vieram instalar-se nos vales do Butão onde estabeleceram o seu poder feudal.

Nos séculos seguintes, a actividade religiosa começa a adquirir grande vulto e são fundadas várias seitas religiosas, dotadas de poder temporal por serem protegidas por facções da aristocracia. No Butão estabeleceram-se dois ramos, embora antagônicos, da seita Kagyupa. A sua coexistência será interrompida pelo príncipe tibetano Ngawang Namgyel que, fugido do Tibet, no século XVII unifica o Butão com o apoio da seita Drukpa, tornando-se no primeiro Shabdrung do Butão, "aquele a cujos pés todos se prostram". Ele mandaria construir as mais importantes fortalezas do País que tinham como função suster as múltiplas invasões mongóis e tibetanas. A partir do seu reinado estabeleceu-se um sistema político e religioso que vigoraria até 1907, em que o poder é administrado por duas entidades, uma temporal e outra religiosa, sob a supervisão do Shabdrung.

Desde sempre que o Butão só mantinha relações com os seus vizinhos na esfera cultural do Tibet (Tibet, Ladakh e Sikkim) e com o reino de Cooch Behar na sua fronteira sul. Com a presença dos ingleses na Índia, no século XIX, e após alguns conflitos relacionados com direitos de comércio dá-se a guerra de Duar em que o Butão perdeu uma faixa de terra fértil ao longo da sua fronteira sul. Ao mesmo tempo, o sistema político vigente enfraquecia por a influência dos governadores regionais se tornar cada vez mais poderosa. O país corria o risco de se dividir novamente em feudos.

Um desses governadores, o "Penlop" de Tongsa, Ugyen Wangchuck, que já controlava o Butão central e oriental, conseguiria dominar os seus opositores de Thimbu e, assim, implantar a sua influência sobre todo o país. Em 1907 seria coroado rei do Butão, após consultas ao clero, à aristocracia e ao povo, e com a aliança dos ingleses. Foi assim criada a monarquia hereditária que hoje vigora.



A história de Cabo Verde inicia-se com a descoberta européia do arquipélago (1456), podendo dividir-se em duas grandes etapas: a colonial (até 1975) e a independente (até aos nossos dias).

A questão da autoria da descoberta de Cabo Verde é objeto de discussão historiográfica. No contexto dos Descobrimentos portugueses, admite-se que o arquipélago tenha sido alcançado em 1456 por Diogo Gomes, a serviço do Infante D. Henrique. Outros autores atribuem o comando da primeira expedição ao veneziano Alvise Cadamosto, em 1460, ano da morte do Infante. Recentemente, entretanto, tem-se afirmado a prioridade do genovês António da Noli - ainda em vida do Infante -, com base na Carta-régia de 19 de setembro de 1462, em finais de 1461 ou inícios de 1462 em nova viagem, o descobridor Diogo Afonso teria avistado as ilhas da Brava, São Nicolau, Santa Luzia, Santo Antão, São Vicente e os ilhéus Raso e Branco. De acordo com as narrativas coevas, essas ilhas encontravam-se desertas, sem qualquer indício de presença humana.

Como os Açores e a Madeira, estas novas ilhas também eram desabitadas e foram incorporadas ao património da Ordem de Cristo. Após a morte do Infante D. Henrique (1460), Afonso V de Portugal transferiu as ilhas ao seu irmão, o Infante D. Fernando, então administrador da Ordem, por doação de 3 de Dezembro de 1460, "perpétua e irrevogavelmente", passando esta a receber o dízimo real e o religioso. Pelos seus termos, o Infante passava a superintender na jurisdição civil e criminal, com reserva apenas nos casos de pena de morte e talhamento de membros, de alçada exclusiva da Coroa. Neste primeiro momento a doação abrangeu apenas as cinco primeiras ilhas e, dois anos mais tarde, em 19 de Setembro de 1462, a totalidade do arquipélago.

Anos mais tarde, por carta em resposta a seu irmão, o soberano reportou que "...havia quatro anos que começara a povoar a ilha de Santiago (...) que, por ser tão alongada de nossos reinos, a gente não quer a ela ir viver, senão com muitas liberdades e franquezas." (Carta de D. Afonso V ao Duque de Viseu, 12 de Junho de 1466.)

A sua colonização iniciou-se, portanto, ainda em 1462, pela ilha de Santiago, em sua parte sul, na Ribeira Grande. Foi empregado o sistema de capitania, com mão-de-obra escrava oriunda da vizinha costa da Guiné, para a cultura de cana-de-açúcar, algodão e árvores frutíferas. A ilha de Santiago foi dividida em duas circunscrições, sendo uma delas a Capitania do Sul, com sede na Ribeira Grande, doada a António da Noli. A outra foi doada a Diogo Gomes. Para colonizar o seu lote, Noli trouxe colonos do Alentejo e do Algarve.

A segunda ilha a ser povoada foi a de São Filipe, atual Fogo, única que apresentou condições para o plantio da vinha, em finais do século XV, embora só haja testemunho documental no início do século seguinte, por doação de Manuel I de Portugal ao 2o. conde de Penela, D. João de Vasconcelos e Menezes, referindo que os termos da doação eram "assim e tão inteiramente como os capitães da dita ilha de Santiago os hão e usam deles." As doações seguiram-se nos anos seguintes, como as das capitanias das ilhas Brava, Sal e Santa Luzia, doadas a João Pereira (22 de Outubro de 1545) e a de Santo Antão, a D. Gonçalo de Souza (13 de Janeiro de 1548). Desde o início do povoamento, as ilhas da Boavista e Maio foram destinadas à criação de gado, e doadas ao capitão da parte Sul da ilha de Santiago. Ainda assim a da Boavista foi novamente doada em 1490, vitaliciamente, a Rodrigo Afonso, com a determinação de que aquele capitão era obrigado ao pagamento do dízimo sobre as peles, sebo e carne dos animais ali criados, podendo matar os que bem entendesse, mas disso dando conhecimento ao escrivão da Fazenda. Acredita-se que a condição fosse idêntica na ilha de Maio, tendo o capitão vendido os seus direitos naquela ilha à família Coelho (10 de Junho de 1504.

Os capitães donatários pouco devem ter se deslocado às ilhas de Cabo Verde, exceto os descobridores, que nelas estiveram pontualmente, de passagem, sendo necessário o recurso a funcionários régios e a delegados insulares para gestão dos interesses quer da Coroa quer dos Donatários.

Com lentidão, devido aos rigores do clima, semelhante ao desértico, desenvolveu-se a colonização. A posição estratégica do arquipélago no âmbito das rotas atlânticas entre a Europa, a América e a África, contribuíram nos séculos seguintes para o seu desenvolvimento como entreposto comercial e de aprovisionamento, nomeadamente o tráfico de escravos para o Brasil, a região do Caribe e o sul dos Estados Unidos da América.

Visando incentivar o povoamento, em 1466 D. Afonso V concedeu a D. Fernando o privilégio do comércio de escravos em todas as regiões da então Costa da Guiné, exceptuando a feitoria de Arguim, cuja exploração era monopólio da Coroa. Dois anos mais tarde registra-se o início da coleta da urzela, utilizada como corante na manufatura de tecidos, cuja exploração foi concedida a dois castelhanos.

Anos mais tarde, em 1497, a Armada sob o comando de Vasco da Gama escala em Cabo Verde, a caminho da Índia, na baía da Ribeira Grande.

No século XVI, os principais itens da pauta de exportações das ilhas são peles, couros, sebo, algodão, cavalos, açúcar, e frutas como figos, uvas e melões, além da reexportação de tecidos ("panos") para o continente africano.

Por volta de 1513-1515 o comércio de escravos encontra-se em vigorosa expansão. O seu principal centro, a Ribeira Grande de Santiago (atual "Cidade Velha"), em 1533 foi elevado à categoria de cidade, tornando-se sede de um Bispado. A sua importância era de tal ordem que, já em 1541, foi assaltada por piratas da Barbária e, por duas vezes - em 1578 e em 1585 - pelo corsário Inglês Francis Drake.

Em 1587 Duarte Lobo foi nomeado primeiro governador de Cabo Verde, e, na Ribeira Grande, iniciam-se as obras do Forte Real de São Filipe.

Nesse final de século, o cronista Gabriel Soares de Sousa, em sua "Notícia do Brasil" (1587), registra a importância de Cabo Verde para o processo de colonização do Brasil, no tocante à aclimatação e introdução de diversas espécies de animais e plantas, essenciais à história económica deste último, a saber: "...as primeiras vacas que foram à Bahia levaram-nas de Cabo Verde e depois de Pernambuco, as quais se dão de feição, que parem cada ano e não deixam nunca de parir por velhas", "As éguas foram à Bahia de Cabo Verde, das quais se inçou a terra", "As ovelhas e cabras foram de Portugal e de Cabo Verde, as quais se dão muito bem", "E comecemos nas canas-de-açúcar, cuja planta levaram à capitania dos Ilhéus das ilhas da Madeira e de Cabo Verde", "As palmeiras que dão os cocos, se dão na Bahia melhor que na Índia...", "...foram os primeiros cocos à Bahia de Cabo Verde, donde se encheu a terra...", o arroz "é tão grado e formoso como o de Valência", "Levaram a semente do arroz ao Brasil de Cabo Verde", e ainda "Da ilha de Cabo Verde e de S. Tomé foram à Bahia inhames que se plantaram na terra logo, onde se deram de maneira que pasmam os negros da Guiné, que são os que usam mais deles".

Com a abertura do porto da Praia (1612), o antigo porto da Ribeira Grande entra em decadência.

Em 1650 Cabo Verde passa a administrar o território português da Guiné, situação que se estenderá até 1879.

Com a fundação da Companhia do Porto de Palmida (1664), voltada para o comércio de escravos, encerra-se o período dos arrendatários individuais e abre-se o das companhias escravagistas. Entre estas, destaca-se a Companhia de Cacheu e Rios da Guiné, que operou entre 1676 e 1682, sendo sucedida, em 1690 pela Companhia do Cacheu e Cabo Verde.

Ainda nesse século, na pauta de exportações de Cabo Verde, destaca-se a de óleo de baleia, com destino ao Brasil.

Corsários franceses sob o comando de Jacques Cassard assaltam e destroem grande parte da Ribeira Grande (1712), causando a transferência da capital para a cidade da Praia (1769).

A extração e comércio da urzela são declarados monopólio da Coroa Portuguesa (1732), reanimando-se essa tradicional atividade extrativa, que perdura até à década de 1840.

A Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão tem os seus privilégios ampliados com o exclusivo do comércio no arquipélago de Cabo Verde e na Guiné (1757).

A partir de 1794 intensifica-se o povoamento da ilha de São Vicente, com a chegada de casais de Madeirenses e outros.

É aberta a primeira escola primária oficial, na Praia (1817).

Nos anos de 1831 a 1833 registra-se uma grande fome no arquipélago, causando a morte de milhares de pessoas. A ajuda internacional chegou dos Estados Unidos da América, uma vez que o reino, à época, estava mergulhado na Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). Com o advento da navegação a vapor, os Ingleses instalam no Porto Grande (Mindelo, ilha de São Vicente), em 1838, um depósito de carvão. Em 1850 esse porto foi aberto à navegação, constituindo-se atualmente no maior do arquipélago.

Novas grandes fomes se sucedem, registrando-se a emigração maciça de cabo-verdianos.

Em 1874 os ingleses trazem os cabos telegráficos submarinos até ao porto de São Vicente, ligados à Madeira, à Europa e ao Brasil. Sete anos depois, os cabos foram estendidos até à Praia, ligando-a igualmente à Europa e à África Oriental.

Neste século, a pauta de exportações de Cabo Verde compreende também tartarugas, milho, aguardente, tabaco, âmbar, óleo, sementes de purgueira e sal. A exploração da urzela, do âmbar, do dragoeiro e das tartarugas era monopólio da Coroa.

Abolido o tráfico de escravos (1876), o interesse pelo arquipélago decresceu, situação que só se inverteria no século XX, após a Segunda Guerra Mundial.

A partir da década de 1950, com o surgimento dos movimentos de independência dos povos africanos, a colónia portuguesa do Cabo Verde vinculou-se à luta pela libertação da Guiné Portuguesa (actual Guiné-Bissau).

Em 1956 o intelectual cabo-verdiano Amílcar Cabral fundou em Bissau o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Exilado em Conacri, ali criou uma delegação e sede do partido. O líder foi assassinado em 1973.

Após a Revolução dos Cravos, que depôs a ditadura em Portugal (1974), Cabo Verde obteve a sua independência (5 de Julho de 1975).

Cabo Verde e a Guiné-Bissau formaram países separados mas governados pelo mesmo partido único de orientação marxista, o PAIGC. O líder do partido em Cabo Verde, Aristides Pereira, foi empossado como primeiro presidente do novo país.

O plano de unificação política de Cabo Verde com a Guiné-Bissau fracassou em 1980, devido ao golpe militar que, naquele país depôs o presidente Luís de Almeida Cabral - irmão de Amílcar Cabral. A ala cabo-verdiana do PAIGC rompeu com a da Guiné-Bissau e passou a se chamar Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV). As relações diplomáticas com Guiné-Bissau foram rompidas logo em seguida, para serem reatadas dois anos mais tarde.

Em 1990 começou a transição democrática com o fim do regime de partido único. Anteriormente, o PAICV renunciara às idéias marxistas. Em 1992 o país ganhou uma Constituição democrática.

Nas eleições parlamentares de 2001, o PAICV obteve 40 das 72 cadeiras da Assembléia Nacional. O líder do partido, José Maria Neves foi indicado como Primeiro-Ministro. Em eleição presidencial muito acirrada, Pedro Pires, do PAICV, derrotou Carlos Veiga, do Movimento para a Democracia, com uma diferença de apenas 17 votos para um eleitorado de mais de 151 mil pessoas.



Pode-se dizer que o comunismo surgiu no país de uma forma vinculada aos demais Estados regionais. Referimo-nos ao Partido Comunista da Indochina, de maioria vietnamita. Foi após a Segunda Guerra Mundial que o forte sentimento nacionalista, liderado pelo recém surgido Partido Popular Revolucionário do Kampuchea (KPRP/PPRK), sob os auspícios do Vietnã, levou a França a conceder a independência cambojana, em novembro de 1953. Em 1960 assumiu a liderança comunista Saloth Sar, que será o futuro Pol Pot (a partir de 1976). Ainda neste ano, o KPRP passa a chamar-se Partido dos Trabalhadores do Kampuchea (WPK/PTK) e, em 1966, assume a denominação que manterá inalterada: Partido Comunista do Kampuchea (KCP/PCK).

Norodom Sihanouk, cujo partido vence todas as eleições para a Assembléia Nacional, de 1955 a 1966, governa com amplo poder, mas enfrenta uma forte oposição de esquerda. A partir de 1964, com o surgimento do Khmer Vermelho, passa a se deparar com uma violenta rebelião comunista, que atinge o seu auge nos anos 1967/68. Em janeiro deste último ano é criado o Exército Revolucionário do Kampuchea (RAK/ERK). Esta ação de guerrilha foi enfrentada sem grande empenho pelo primeiro-ministro de Sihanouk, já que este encontrava-se na França. Ao retornar, passou a supervisionar pessoalmente a repressão contra-insurgência. Mesmo não tendo erradicado a guerrilha, este esforço custou perto de 10.000 vidas ao país. A insurreição espalhou-se rapidamente, alastrando-se da região de Batdambang para o Sul e Sudoeste do país, envolvendo onze das dezoito províncias administrativas.

Em 1970, enquanto Sihanouk viajava por Moscou e Pequim, seu primeiro-ministro, o Marechal Lon Nol, dá um golpe de Estado e, a 18 de Março, a Assembléia Nacional vota por unanimidade a deposição do governante ausente.

Em março de 1974, forças do Khmer Vermelho capturaram a cidade de Odongk, ao Norte de Phnom Penh, destruindo-a e dispersando os seus 20.000 habitantes pelo interior do país. Dando seguimento a estas "atividades de limpeza", passaram a executar os professores e funcionários públicos. Em uma pequena vila chamada Sar Sarsdam, 60 pessoas foram assassinadas, incluindo-se mulheres e crianças, dentre inúmeras outras ocorrências mencionadas. Estas histórias, na época, eram consideradas como sendo propaganda anticomunista, pela imprensa ocidental e muitas outras organizações internacionais. Nesta época, o território cambojano passa a ser utilizado como refúgio pelas tropas norte-vietnamitas e por guerrilheiros comunistas do Vietnã do Sul.

A 17 de Abril de 1975, as forças do Khmer Rouge (Khmer Krahom, na língua Khmer; em português, Khmer Vermelho) entram na capital, Phnom Penh, quase sem resistência, marcando o fim da administração Lon Nol. O novo governo fará milhares de prisioneiros e deslocará, à força, a população urbana para fazendas coletivas no campo, praticamente eliminando a indústria nacional. As conseqüências foram trágicas, levando à morte centenas de milhares de pessoas, fosse por doenças e fome, fosse em campos de extermínio.

Imediatamente após o domínio do governo pelo Khmer, foi iniciada a evacuação da população da capital, em direção ao campo. Eram cerca de 2,5 milhões de pessoas, incluindo-se 1,5 milhões de refugiados de guerra. Esta mesma atitude do governo foi observada nas cidades de Batdambang, Kampong Rham, Siemreab, Kam Pong Thun e muitas outras. Nestes procedimentos não havia exceções e até os hospitais eram esvaziados e os pacientes deportados para o interior. O governo comunista do Khmer Vermelho alegava como causa destas providências a necessidade de alimentar a população urbana, do que era impedido pelos bombardeios das forças norte-americanas, que tornava qualquer meio de transporte inviável.

Embora tenham sido lançadas 539.129 toneladas de bombas sobre o território cambojano, quase quatro vezes mais do que as 153.000 toneladas recebidas pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, este não foi o motivo desta "evacuação". Seguindo-se a isto, o governo prossegue em seu programa de execuções, quando foram mortos tantos funcionários, policiais e militares quantos puderam ser encontrados. Qualquer indivíduo que houvesse trabalhado, de alguma forma, vinculado ao governo deposto, teria morte certa, caso fosse identificado. O Khmer não executava apenas o "vinculado", mas todos os seus familiares, para eliminar qualquer possibilidade de uma futura vingança contra o regime. Por volta de julho de 1975 o ritmo da matança foi reduzido e os condenados passaram a ser enviados para os "centros de reeducação", onde fariam parte dos "batalhões de trabalhos forçados". No final deste ano, e início de 1976, houve um recrudescimento das execuções em massa, só que agora eram dirigidos aos mais cultos e intelectualizados, tais como professores e assemelhados.

Entre 1977 e 1978, a violência atingiu o seu auge, quando os assassinatos passaram a ser comuns entre os próprios elementos do Khmer, em intermináveis purgações em todos os níveis.

Durante todo este período em que o país passa a ser conhecido como "Kampuchea/Camboja Democrático" (Janeiro de 1976/79), o regime de Pol Pot exerceu o poder de vida e morte sobre toda a população, sem a menor contestação. Devido à necessidade de poupar munição, as armas de fogo poucas vezes eram utilizadas. As pessoas eram mortas por qualquer motivo: por não trabalharem com o desejado afinco, por reclamarem das condições de vida, por guardarem algum bem ou comida para utilização própria, por usarem alguma jóia, por terem relações sexuais não autorizadas, por chorarem a morte de algum amigo ou familiar e até por demonstrarem algum sentimento religioso. Os doentes eram, na maioria das vezes, eliminados. Esta matança ocorria, sempre, sem qualquer tipo de julgamento e prolongou-se, ininterruptamente, até a invasão do país pelas tropas do Vietname, em 1979.

A estimativa de mortes neste período varia muito de fonte para fonte. Os dados originários do Vietnã nos dão 3 milhões de mortos entre 1975 e 1979, porém, outros cálculos chegam a 2,3 milhões; a Amnistia Internacional calcula em 1,4 milhões e os norte-americanos, em 1,2 milhões. Qualquer que seja o valor correto, este foi o maior massacre proporcional à população de um país, ocorrido na história moderna da Ásia.

Inconformados com a barbárie, líderes do Vietnam ordenam a invasão do Camboja e a deposição do Líder maoísta Pol Pot. A partir de 1979, com a invasão vietnamita, Hanói assume o controle do Camboja e Pol Pot é deposto. O país passará a ser denominado República Popular do Camboja, sob a presidência de Heng Samrin. Daí em diante, ao longo dos anos, o regime se tornará menos opressor e tende, mesmo que levemente, à uma ordem democrática mais liberal, embora tenha adotado a base do regime marxista-leninista do Vietnã. Mesmo com toda esta redução dos massacres, pouco se conhece desta época, devido ao grande número de expurgos decorridos ao longo do período, tornado raras as testemunhas dos acontecimentos. O país passa a ser reconstruído e as suas instituições recompostas, embora o sistema coletivista e a economia planificada tenham continuado.

Depois de passar 18 anos escondido na selva e ter a sua morte anunciada diversas vezes, Pol Pot reaparece em julho de 1997. É acusado pelo Khmer Vermelho de mandar matar vários ex-companheiros e suas famílias. É condenado à prisão perpétua, a ser cumprida em sua casa. Lon Nol, ex-presidente do Camboja, diz que, dos 7 milhões de cambojanos, 3 milhões haviam morrido de fome, doenças ou devido a expurgos, desde a ascensão dos comunistas ao poder. O Camboja encerra o século com um regime de governo estabelecido por uma Monarquia Parlamentarista, sob a égide do já registrado Norodom Sihanouk.

Um acordo assinado entre o governo cambojano e a ONU, em maio de 2000, determina a criação de um tribunal para julgar os líderes do Khmer Vermelho por crimes contra a humanidade.



O Qatar é um dos muitos novos emiratos na Península Arábica. Depois de ser dominado pelos Persas durante milhares de anos e, mais recentemente, pelo Bahrain, os turcos otomanos e os britânicos, o Qatar transformou-se num país independente a 3 de Setembro de 1971. Ao contrário da maior parte dos emiratos vizinhos, o Qatar recusou tornar-se parte da Arábia Saudita ou dos Emirados Árabes Unidos.

A descoberta de petróleo, com início na década de 1940, transformou por completo a economia da nação. Antes, o Qatar era uma região pobre, dependente da pesca e das pérolas, com pobreza generalizada. Hoje, o país tem um nível de vida elevado e todas as amenidades de uma nação moderna.



A história do Benim é conhecida desde os descobrimentos e daí se pode ver que é muito mais antiga.

O território onde Benin se localiza era ocupado no período pré-colonial por reinos separados, dos quais o mais poderoso foi a do reinado Fon de Daomé. No entanto, o Reino do Benin foi igualmente grande na região, mantendo-se ainda hoje suas tradições e arte na vizinha Nigéria.

A partir do século XVII, os portugueses estabelecem entrepostos no litoral, conhecido então como Costa dos Escravos. Os negros capturados são vendidos no Brasil e no Caribe. No século XIX, a França, em campanha para abolir o comércio de escravos, entra em guerra com reinos locais. Em 1892, o reinado Fon é subjugado e o país torna-se protetorado francês, com o nome de Daomé. Em 1904 integra-se à África Ocidental Francesa. O domínio colonial encerra-se em 1960, quando Daomé torna-se independente, tendo Hubert Maga como primeiro presidente. A partir de 1963, o país mergulha na instabilidade política, com seis sucessivos golpes militares.

Em 1972, um grupo de oficiais subalternos toma o poder e institui um regime esquerdista, liderado pelo major Mathieu Kérékou, que governa até 1990. Kérékou nacionaliza companhias estrangeiras, estatiza empresas privadas de grande porte e cria programas populares de saúde e educação. A doutrina oficial do Estado é o marxismo-leninismo, mas a agricultura e o comércio permanecem em mãos privadas.

Em 1975, o país passa a se chamar Benim. O regime político entra em crise na década de 80, e o governo recorre a empréstimos estrangeiros. Uma onda de protestos, em 1989, leva Kérékou a promover uma abertura política e econômica. Com a instituição do pluripartidarismo, surgem mais de 50 partidos. Nicéphore Soglo, chefe do governo de transição formado em 1990, é eleito presidente em 1991. Em 1996, ele perde as eleições para Kérékou, que governa até Abril de 2006, quando decide não concorrer novamente, sendo substituído por Yayi Boni.



A Bolívia é um local onde se desenvolveram grandes civilizações, a mais importante das quais foi a Civilização Tiahuanaco. Tornou-se parte do império Inca no século XV. Quando os espanhóis chegaram no século XVI, a Bolívia, rica em depósitos de prata, foi incorporada no vice-reino do Pelo, e mais tarde no de La Plata.

Simón Bolívar conhecido como libertador, nasceu em Caracas, na Venezuela, no ano de 1783.

A luta pela independência começou em 1809, mas permaneceu parte da Espanha até 1825, quando foi libertada por Simón Bolívar, a quem o país deve o seu nome. Após uma breve união com o Peru, a Bolívia tornou-se totalmente independente. Nos anos seguintes, a Bolívia perdeu parte do seu território devido a vendas e à guerra.

As cordilheiras bolivianas eram parte da cultura dos Andes muito antes da chegada dos espanhóis. Dados não muito conclusivos sugerem que a agricultura lá teve início em aproximadamente 3.000 a.C. e a produção de metal, especialmente cobre, começou 1.500 anos mais tarde.

A região dos Andes já era provavelmente habitada há vinte mil anos. No começo do século II a.C., a civilização Tiwanaku se desenvolveu ao sul do lago Titicaca, centrada ao redor da grande cidade de Tiwanaku, desenvolvendo avançadas técnicas agrícolas e arquitetura, antes de desaparecer por volta de 1.200 d.C., possivelmente por causa de uma longa seca. Contemporâneas aos Tiwanaku, existiram também a civilização troxo, nas terras baixas do leste, e a civilização Mollo, ao norte da atual cidade de La Paz. Ambas desenvolveram técnicas agrícolas avançadas e se dissiparam no mesmo período.

O colapso da civilização Tiwanaka resultou no fortalecimento de sete reinos regionais dos Aymara, os mais fortes deles localizados ao redor do lago Titicaca. Os Aymara, um povo beligerante que vivia em vilas fortificadas no alto de colinas, tinham uma extraordinária habilidade em se adaptar ao clima inóspito da região, e mantinham seus estoques de comida através de técnicas de irrigação e congelamento e desidratação dos alimentos. Ao manter colonos nos vales tropicais a leste dos Andes e na costa do Pacífico, eram capazes de produzir tanto culturas tropicais quanto culturas de clima mais frio. A unidade social básica era o ayllu, grupo familiar que distribuía entre seus integrantes terra e trabalho.

Os Aymara dominaram por completo o povo Uru, outro grande grupo étnico da era pré-colombiana sempre foi pobre. A civilização Aymara, no entanto, não conseguiu conter a expansão dos Quechua, e terceiro maior grupo étnico da região. Após o colapso do império Tiahuanaca, um Estado Quechua emergiu na área ao redor da atual cidade de Cuzco (Peru). No começo do século XV, os Quechua, que ficaram conhecido como os Incas, quando adotaram o nome de seus imperadores, eram o mais poderoso grupo nos altiplanos do norte. A medida que os reinos Aymara no sul se tornavam mais fracos ao longo do século XV, os Incas começaram a conquistá-los.

A cordilheira boliviana ficou conhecida como o Kollasuyo, uma área densamente povoada com imensa riqueza mineral e poderosa economia que constituía uma das quatro unidades administrativas do Império Inca. O oficial superior do Kollasuyo só respondia ao imperador Inca, e supervisava um grupo de governadores locais, que em troca controlavam membros da nobreza Aymara. Sob um regime genérico chamado mita, os Incas obrigavam os nativos do Kollasuyo a trabalhar nas minas, na construção de projetos ou servir no exército, compensando-os pelo seu trabalho. Apesar de seu intento de centralizar o império, os Incas não mudaram muito o esquema de organização dos reinos Aymara, que permaneceram relativamente autônomos. Muitos dos antigos chefes locais mantiveram seus poderes, sob os auspícios das autoridades Incas. Eram também livres para manter sua cultura, religião e língua. A nobreza regional, ainda que forçada a enviar seus filhos para serem educados em Cuzco, continuavam a reter a propriedade privada. Além disso, o sistema de envio de colonos para os vales do leste e para a costa do Pacífico era tolerada sob o domínio Inca.

Em 1470, todavia, vários reinos Aymaras se rebelaram contra o domínio Inca. Estes derrotaram completamente dois reinos e pacificaram o resto da região, enviando mitimas, colonos falantes de Quechua, para o território Aymara, especialmente para os vales do sul e centrais (onde mais tarde foram fundadas Cochabamba e Sucre). Já no começo do século XVI, os Incas haviam restabelecido seu domínio sobre a região do Kollasuyo, fato que propiciou a predominância do Quechua em certas áreas da Bolívia, durando até os dias de hoje.

Os Incas falharam, no entanto, em conquistar as tribos nômades das baixadas a leste. Este fato sugere que os Incas encontravam grandes dificuldades em subjugar povos que não se apoiavam na agricultura.

Francisco Pizarro, Diego de Almagro e Hernando de Luque lideraram a conquista espanhola do Império Inca. Sua primeira incursão ao território aconteceu em 1524, quando navegaram ao longo da costa do Pacífico, partindo do atual Panamá, para confirmar a lenda da existência de uma terra rica em ouro chamada Biru.

A conquista espanhola do Império Inca não foi muito difícil, pois o Império se encontrava enfraquecido. Após a morte do imperador Huayna Capac em 1527, seus filhos Huascar e Atahualpa travaram uma briga pela sucessão. Embora Atahualpa tenha derrotado seu irmão, não havia ainda consolidado plenamente seu poder quando da chegada dos espanhóis em 1532. Subestimando o poderio espanhol, Atahualpa não tentou derrotá-los quando da sua chegada ao litoral, pois estava convencido de que aquele que comandava o altiplano também controlava o litoral. Pizarro forjou alianças com tribos inimigas dos Incas, iniciando a guerra contra os Incas. Na sangrenta Batalha de Cajamarca, em 16 de novembro de 1532, Pizarro matou os 12 guardas de honra de Atahualpa e o levou cativo para o chamado quarto do resgate. Um ano depois, a capital Inca, Cuzco, tombou, sendo refundada como um novo assentamento espanhol em 1534.

A despeito da rápida vitória espanhola, rebeliões indígenas logo começaram a surgir, eclodindo durante todo o período colonial. Em 1537, Manco Inca, que tinha sido feito "imperador" pelas mãos dos espanhóis, se rebelou contra os invasores e criou um novo Estado Inca. Rebeliões continuaram a desafiar a autoridade espanhola, mesmo depois de suprimido o novo Estado insurreto e de degolado Túpac Amaru em praça pública, em 1572. Outras revoltas era geralmente organizadas pelos nativos mais velhos, sem grandes conseqüências, com exceção da grande rebelião de Túpac Amaru II, no século XVIII.

Durante as duas primeiras décadas de domínio espanhol, o assentamento das cordilheiras bolivianas -- conhecidas hoje como Alto Peru ou Charcas -- foi objeto de disputa entre as forças de Pizarro e Diego de Almagro, também espanhol. Os dois haviam dividido o território Inca em áreas de influência, ficando o norte sob o controle de Pizarro e o sul sob domínio de Almagro. O conflito explodiu em 1537, tendo fim com a execução de Almagro por Pizarro em 1538. Três anos depois, o próprio Pizarro seria assassinado por antigos parceiros de Almagro. O irmão de Pizarro, Gonzalo Pizarro, assumiu o controle do Alto Peru, mas logo se viu envolvido numa rebelião contra a coroa espanhola. Somente após a execução de Gonzalo, em 1548, a Espanha conseguir reafirmar sua total autoridade sobre a região; e mais tardar naquele mesmo ano, autoridades coloniais estabeleceram a cidade de La Paz, que logo se transformou num importante centro comercial.

A conquista das baixadas bolivianas foram atrasadas pela resistência indígena. Somente em 1561 os espanhóis fundaram Santa Cruz de la Sierra, mas a região do Chaco permaneceu violenta durante todo o domínio colonial. Os índios da região, na sua maioria Chiriguanos, realizavam ataques esporádicos às bases espanholas.

Potosí se tornou uma imensa cidade, por algum tempo a maior do hemisfério ocidental. Mas a prata americana passava pelas mãos do império espanhol e logo se esvaia para as mãos dos credores do reino. Como diz Eduardo Galeano em seu livro As veias abertas da América Latina, "a Espanha tinha a vaca, mas os outros tomavam o leite".

O excesso de prata e ouro levados das Américas, provocou uma forte inflação na Espanha, onde era praticamente impossível obter bens e serviços que não pudessem ser importados. A nobreza e grande parte da população eram sustentadas pelos metais vindos do novo mundo, e ao inves de se industrializar, preferiam importar tudo, industrializando dessa forma outros países, principalmente a Inglaterra.

A longevidade do Império Espanhol na América do Sul pode ser explicada parcialmente pela bem sucedida administração das colônias. A Espanha estava inicialmente interessada em controlar os conquistadores de “mente independente”, mas o seu objetivo principal logo se tornou o de manter o fluxo de receita para a coroa e coletar os tributos e mercadorias e o trabalho das populações indígenas. Para esse fim, a Espanha logo criou uma intrincada rede burocrática no Novo Mundo na qual varias instituições serviam de vigias uma sobre a outra e oficiais locais tinham uma autonomia considerável.

O Alto Peru, inicialmente parte do Vice-reinado do Peru, juntou-se ao novo Vice-reinado do Rio da Prata (sendo a capital Buenos Aires) quando foi criado em 1776. O Vice-rei foi auxiliado pela "audiência" (assembléia), que simultaneamente era a maior corte de apelo na jurisdição e, na ausência do Vice-rei, também tinha poderes executivos e administrativos. A riqueza do Alto Peru e a grande distância de Lima convenceu as autoridades em Lima a criar uma audiência na cidade de Chuquisaca (atualmente Sucre) em 1558. Chuquisaca havia se tornado particularmente importante sendo o centro administrativo e fornecedor agrícola de Potosí. A jurisdição da audiência, conhecida como Charcas, cobria inicialmente uma área de 100 léguas (1,796 km²) envolta de Chuquisaca, mas logo incluiu Santa Cruz e territórios pertencentes atualmente ao Paraguai e, até 1568, todo o distrito de Cuzco. O presidente da audiência tinha autoridade jurídica, poderes administrativos e executivos na região, mas só para assuntos rotineiros; decisões mais importantes eram feitas em Lima. Essa situação culminou em uma atitude competitiva e em uma reputação positiva para o Alto Peru, uma condição reforçada pela importância econômica da região.

A Espanha exercia seu controle de unidades administrativas menores na colônia através de funcionário reais, como o corregidor, que representava o rei em governos municipais que eram eleitos por seus cidadãos. Durante o início do século XVII, havia quatro corregidores no Alto Peru.

No final do século dezoito, a Espanha iniciou uma reforma administrativa para aumentar a receita da coroa e para eliminar os inúmeros abusos. Criou o sistema de intendências, dando poderes extensivos para funcionários altamente qualificados que respondiam diretamente ao rei. Em 1784, a Espanha estabeleceu quadro intendências distritais no Alto Peru, cobrindo as atuais repartições administrativas de La Paz, Cochabamba, Potosí e Chuquisaca.

A Coroa Espanhola, inicialmente, controlou os governos locais indiretamente, mas centralizou seus procedimentos enquanto o tempo passava. Inicialmente, Vice-rei Francisco de Toledo assegurou os direitos dos nobre locais e os garantiu autonomia local. Mas a coroa eventualmente empregou funcionários espanhóis, ‘’corregidores de índios’’, para coletar tributos e impostos dos índios. Corregidores de índios também importaram mercadorias e forçaram os índios a compra-las, uma prática abusiva que provou ser uma enorme fonte de riqueza para esses funcionários mas causou um grande ressentimento entre a população indígena.

Com os primeiros colonizadores do Alto Peru, vieram os clérigos regulares e seculares para iniciar a conversão dos índios para o Cristianismo. Em 1552 o primeiro bispado no Alto Peru foi estabelecido em La Plata; em 1605. La Paz e Santa Cruz também se tornaram bispados. Em 1623 os Jesuítas estabeleceram a Universidade Real Maior e Pontifícia de São Francisco Xavier de Chuquisaca, a primeira universidade do Alto Peru.

Reações indígenas ao controle colonial e as conversões ao Cristianismo variaram. Muitos índios se adaptaram aos modos espanhóis, quebrando com suas tradições e ativamente tentando entrar na economia de mercado. Eles também fizeram uso das cortes para proteger seus interesses, especialmente contra novas determinações de taxas e tributos. Outros, entretanto, agarraram-se aos seus costumes o máximo possível, e alguns se rebelaram contra os líderes brancos. Rebeliões locais, em sua maioria desorganizadas, ocorreram através do domínio colonial. Mais de 100 revoltas ocorreram no século XVIII na Bolívia e no Peru.

Embora a Religião inca oficial tenha desaparecido rapidamente, os índios continuaram exercendo religiões locais sobre a proteção dos governantes locais. Mas com a influencia cristã nos índios aumentando, um novo catolicismo popular se desenvolveu, incorporando símbolos das religiões indígenas. Considerando que as rebeliões iniciais foram anticristãs, as revoltas no final do século XVI eram baseadas em simbolismo cristão messiânico que era Católico Romano e antiespanhol. A Igreja foi tolerante com religiões indígenas. Em 1582, por exemplo, o bispo de La Plata permitiu aos índios a construção de um santuário para Virgem negra de Copacabana nas margens do Lago Titicaca (Copacabana tem sido um tradicional centro religioso Aymara desde aquela época).

A Conquista e o domínio espanhol foram experiências traumáticas para as populações indígenas. Facilmente suscetíveis a doenças européias, a população nativa caiu rapidamente. A situação dos índios piorou no século dezoito quando a Espanha exigiu pagamentos de tributos cada vez mais altos e aumentou as obrigações da ‘’mita’’ na tentativa de melhorar a produção mineradora.

Essas profundas mudanças sociais e econômicas e a quebra da cultura nativa contribuíram no aumento do vicio de álcool entre os índios. Antes dos espanhóis chegarem, os Incas só consumiam álcool durante cerimônias religiosas. O uso pelos índios da folha de coca aumentaram, e, de acordo com um cronista, no final do século XVI “só em Potosí, o comércio de coca totaliza meio milhão de pesos por ano, consumindo 95.000 cestas.”

O aumento do descontentamento dos Índios com o governo colonial rebentou com a grande revolta de Túpac Amaru II. Nascido com o nome de José Gabriel Condorcanqui, este educado Americano nativo, fluente no Espanhol, adoptou o nome do seu antepassado Túpac Amaru. Durante os 1770s, tornou amargurado com o tratamento duro que os corregedores dos índios lhes submetia. Em Novembro de 1780, Túpac Amaru II e os seus seguidores capturaram e executaram alguns desses corregedores particularmente cruéis. Apesar de Túpac Amaru II insistir que o seu movimento era reformista e não procurava a queda da governação espanhola, as suas exigências incluiam a criação de uma região autónoma. O descontentamento rapidamente tornou-se uma revolta de grande escala. A ela juntaram-se aproximadamente 60,000 Índios dos Andes peruanos e bolivianos. Depois de algumas vitórias, que incluiram vencer um Exército Espanhol de 1,200 soldados, Túpac Amaru II foi capturado e morto em Maio de 1781; não obstante, a revolta continuou, principalmente no Norte do Peru. Aí, um apoiante de Túpac Amaru II, o chefe índio Tomás Catari, levou a cabo uma revolta em Potosí durante os primeiros meses de 1780. Catari foi morto pelos espanhóis um mês antes da morte de Túpac Amaru II. Outra grande revolta foi a levada adiante por Julián Apaza, um sacristão que adoptou os nomes dos dois mártires rebeldes e autodenominando-se Túpac Catari (também escrito Katari). Este cercou La Paz durante mais de 100 dias. Espanha apenas conseguiu acabar com as revoltas em 1783 e depois procedeu a execução de milhares de índios.

Nos finais de século XVIII, começou a crescer um descontentamento dentro dos crioulos (descendentes puros de Espanhóis nascidos no Novo Mundo). Os Crioulos começaram a assumir papéis activos na economia, especialmente nas produções mineira e agrícola, e assim começaram a ressentir-se das barreiras comerciais impostas pelas políticas mercantilistas da coroa Espanhola. Para somar a isto, os crioulos detestavam que os altos cargos administrativos estivessem reservados para os peninsulares (pessoas nascidas em Espanha mas a viver no Novo Mundo).

O Iluminismo, com sua ênfase na razão, questionando a autoridade e a tradição, e tendências individualistas, também contribuiu para o descontentamento criollo. A Inquisição não conseguiu manter os escritos de Nicolau Maquiavel, Benjamin Franklin, Thomas Paine, Jean-Jacques Rousseau, John Locke, e outros fora da América Espanhola; suas idéias eram frequentemente discutidas pelos criollos, especialmente aqueles que estudaram na universidade de Chuquisaca. Inicialmente os criollos do Alto Peru foram influenciados pela Revolução francesa, mas eles eventualmente a rejeitaram como muito violenta. Embora o Alto Peru fosse essencialmente leal a Espanha, os ideais do Iluminismo e de independência da Espanha continuaram a ser discutidos por grupos radicais dispersos.

Como a autoridade real enfraqueceu durante as Guerras Napoleônicas, o sentimento contra o domínio colonial cresceu. A independência foi proclamada em 1809, mas dezesseis anos de luta se seguiram antes do estabelecimento da república, nomeada em homenagem a Simón Bolívar, em 6 de agosto de 1825.

A invasão da Península Ibérica em 1807-08 pelas forças de Napoleão provou ser critica para a luta de independência da América do Sul. A derrubada da dinastia Bourbon e a colocação de José Bonaparte no trono espanhol testaram à lealdade das elites locais do Alto Peru, que rapidamente foram confrontados por autoridades conflitantes. A maioria permaneceu fiel à Espanha. Tomando uma atitude de "esperar para ver", eles apoiaram a Junta Central na Espanha, um governo no nome do abdicado Fernando VII. Alguns liberais avidamente viram com bons olhos as reformas no domino colonial propostas por José Bonaparte. Outros apoiaram as alegações de Carlota, irmã de Fernando, que governou o Brasil com seu marido, João VI de Portugal. Finalmente, um número de criollos radicais queriam a independência do Alto Peru.

Esse conflito de autoridades resultou em uma luta local de poder no Alto Peru entre 1808 e 1810 e constituiu a primeira fase dos esforços para alcançar a independência. Em 1808 o presidente da audiência, Ramón García León de Pizarro, ordenou afiliação com a Junta Central. Os juizes conservadores da audiência eram influenciados, entretanto, pela filosofia autocrática real e se recusaram a reconhecer a autoridade da junta porque eles a viram como uma conseqüência da rebelião popular. Em 25 de maio de 1809, as tensões cresceram quando criollos radicais, também se recusando a reconhecer a autoridade da junta por que eles queriam independência, levaram para as ruas. Essa revolta uma das primeiras na América latina, foi logo dispersa pelas autoridades.

Em 16 de julho de 1809, Pedro Domingo Murillo liderou outra revolta de criollos e mestiços em La Paz e proclamou como um estado independente do Alto Peru no nome de Fernando VII. A lealdade à Fernando foi um pretexto usado para legitimar o movimento de independência. Em novembro de 1809, Cochabamba, Oruro, e Potosí se juntaram a Murillo. Embora a revolta tenha sido derrubada pelas forças reais que foram mandadas a La Paz pelo Vice-rei do Peru e para Chuquisaca pelo Vice-rei do Rio da Prata, o Alto Peru nunca mais foi totalmente controlado pela Espanha.

Durante os sete anos seguintes, o Alto peru se tornou no campo de batalha das forças da Independente República da Argentina e das forças monarquicas do Peru. Embora os monarquistas tenham repelido quatro invasões argentinas, querrilheiros controlaram a maior parte do campo, onde formaram 6 maiores republiquetas, ou zonas de insurreição. Nessas zonas, o patriotismo local eventualmente se desenvolvia em luta pela independência. De acordo com a Enciclopédia Católica de 1907, “Bolívia...se tornou uma república autônoma em 6 de agosto de 1825, tomando seu nome em honra a Simon Bolívar, seu fundador. A Constituição sobre qual a república é governada atualmente data de 28 de outubro de 1880, e se foca em uma política rebublicana unitária.”

A independência não trouxe estabilidade. Por quase sessenta anos, golpes e constituições de curta duração dominaram a política boliviana. A fragilidade militar boliviana foi demonstrada durante a Guerra do Pacífico (1879 - 1883), quando perdeu seu litoral e seus campos ricos em nitrato para o Chile. Um crescimento do preço da prata no mundo trouxe para a Bolívia relativa prosperidade e estabilidade política no final do século XIX.

O território do Acre, na atualidade incorporado ao território brasileiro, pertencia à Bolívia. Em função do extrativismo da borracha, trabalhadores brasileiros adentraram no Acre em busca das seringueiras e foram povoando o mesmo, o que gerou conflitos fronteiriços entre a Bolívia e o Brasil (veja ciclo da borracha).

Para resolver a Questão do Acre (que é como ficaram conhecidos estes conflitos) preocupava, o governo da Bolívia lavrou com o governo brasileiro o Tratado de Petrópolis, assinado em 17 de novembro de 1903. Segundo o mesmo, a posse das terras e florestas do Acre passava definitivamente para o domínio do Brasil em troca de terras de Mato Grosso, do pagamento de 2 milhões de libras esterlinas e do compromisso de construir uma ferrovia que superasse o trecho encachoeirado do rio Madeira e que possibilitasse o acesso das mercadorias bolivianos (sendo a borracha o principal), aos portos brasileiros do Atlântico (inicialmente Belém do Pará, na foz do rio Amazonas).

Entre janeiro e abril de 2000, uma série de protestos antiprivatização ocorreram em Cochabamba, por causa da privatização do sistema de forncecimento de água municipal. O governo boliviano declarou lei marcial, prendendo líderes do protesto e fechando várias estações de rádio, mas depois de contínuos distúrbios e da pressão civil, o governo finalmente abril mão da privatização em 10 de abril. A deterioração do sistema político está ocasionando a “morte” das forças políticas tradicionais, incluindo os partidos ADN (do ex-presidente Hugo Banzer), MIR (do ex-presidente Jaime Paz Zamora) e MNR (dos ex-presidentes Victor Paz Estenssoro and Gonzalo Sánchez de Losada). Essa morte levou ao surgimento de uma confederação dispersa de movimentos sociais nativos (MAS) tendo Evo Morales como líder. Nas eleições de dezembro de 2005 Evo Morales e o MAS obtiveram uma vitória esmagadora atingindo 54% dos votos do eleitorado.



A partir do século VII, várias partes da região que hoje corresponde à Bósnia e Herzegovina foram tomadas pelos Sérvios, Croatas, Húngaros, Venezianos e Bizantinos. No século XII, o Reino da Hungria passou a governar o território, delegando o poder a vice-reis distritais de origem bósnia, croata e húngara.

No século XV, a região foi invadida pelos Turcos Otomanos e depois de várias batalhas, tornou-se uma província turca. Durante o século XVI e o século XVII, a Bósnia foi um ponto estratégico nos conflitos constantes contra os Habsburgos e contra Veneza. Durante este período, a maior parte da população converteu-se ao Islã.

Depois da Guerra Russo-Turca, entre 1877 e 1878, a Bósnia e a Herzegovina fizeram parte do Império Austro-Húngaro, tendo sido anexadas em 1908. A nova Constituição dividiu o eleitorado em ortodoxo, católico e muçulmano, o que contribuiu muito pouco para travar o crescente nacionalismo sérvio.

Em 1914, o arquiduque austríaco Francisco Ferdinando foi assassinado em Sarajevo por um nacionalista sérvio. Esse acontecimento foi a gota de água para o início da Primeira Guerra Mundial. Ao fim desta guerra, em 1918, a Bósnia e a Herzegovina foram anexadas à Sérvia, como parte do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos.

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1946, os dois territórios tornaram-se parte da República Socialista Federal da Jugoslávia (comunista) até 1992.

Com o colapso do comunismo, em 1989-1990, a Jugoslávia mergulhou numa onda de nacionalismo extremo. Depois de a Croácia abandonar a federação, em 1991, os croatas bósnios e os muçulmanos aprovaram um referendo a favor da criação de uma república multinacional e independente. Mas os sérvios bósnios recusaram separar-se da Jugoslávia, que nessa altura se encontrava sob o domínio da Sérvia. Em 1992, a Bósnia e Herzegovina foi arrastada a chamada Guerra da Bósnia, uma guerra civil sangrenta e devastadora, em que as populações acabaram por ser saneadas das regiões tomadas por cada nacionalidade. Desde 1995 as forças da Organização das Nações Unidas encontram-se no território para garantir o cumprimento dos acordos de paz.



A história do Botsuana é marcada pela influência da África do Sul. Protetorado britânico desde 1885 com o nome de Bechuanalândia, em 1966 a nação declara-se independente e passa a se chamar Botswana (ou seja, terra dos tsuanas).

No Botswana, realizam-se eleições regulares desde a independência e, por esse motivo, o país é considerado exemplo de estabilidade política no continente. Como um dos países que se opuseram ao regime de segregação racial na África do Sul, foi alvo de incursões do exército sul-africano, sob acusação de abrigar guerrilheiros do Congresso Nacional Africano. A partir de 1990, as relações bilaterais melhoram, com o fim do apartheid.

Em 1998, após quatro mandatos, o presidente, Ketumile Masire, do Partido Democrático de Botsuana (BDP), retira-se da política e é substituído pelo vice, Festus Mogae. O BDP vence as eleições parlamentares de 1999, e a Assembléia Nacional elege Mogae para presidente.

Na década de 80, o produto interno bruto (PIB) cresceu à média anual de 10,3%. A seca e a recessão mundial do início dos anos 90 levam o país à depressão econômica e revelam sua dependência da mineração, responsável por 70% das receitas de exportação.



O Brunei foi um sultanato poderoso nos séculos XVI a XIX, mas tornou-se um protetorado do Reino Unido em 1888, mais tarde na Segunda Guerra Mundial é invadido pelo Japão, em 1945 volta ser protetorado britânico. Em 1959, o país obtem a independencia, porém o Reino Unido fica responsável por sua defesa e relações exteriores.

Em 1962 é sufocada uma revolta contra o governo, por tentativa de unificação do país com a Malásia. Em 1984, o país se torna completamente independente, mas com governo ditadoral, pelo sultão Hassanal Bokiah.



O primeiro Estado búlgaro formou-se ao final do século VII.O Rei Boris I foi batizado assim convertendo todos seus súditos no ano 800. Nos séculos seguintes, entrou em guerra contra o Império Bizantino por diversas vezes, para garantir a sua existência. Porém, não logrou resistir à invasão do Império Otomano, ocorrida ao final do século XIV.

A Bulgária recuperou sua independência em 1878 após a revolta de Abril (1876), como um principado Autônomo e sua independência total foi proclamada em 1908. Pouco tempo depois, nos anos 1912 e 1913, envolveu-se na Guerra dos Balcãs. Durante a Primeira Guerra Mundial e, mais tarde, na Segunda Guerra Mundial, combateu ao lado das nações que vieram a ser derrotadas no conflito.

Finalizada a Segunda Guerra Mundial, ficou sob a influência da União Soviética e tornou-se uma República Popular em 1946. Durante este período, o país foi um dos mais alinhados com Moscovo, tendo dirigentes os linha-dura Gueórgui Dimitrov e Todor Jivkov, apoiados pela repressão da KDS. O governo comunista encerrou-se em 1990, quando o país teve eleições multipartidárias.

A Bulgária foi aceita na OTAN em 2004 e a 1º de Janeiro de 2007 entrou para a União Européia, conjuntamente com a Roménia.



Tal como toda a África ocidental, o Burkina Faso foi povoado em tempos remotos, com destaque para os caçadores-recolectores da parte noroeste do país (12 000 a 5 000 a.C.), cujas ferramentas (raspadeiras, cinzéis e pontas de seta) foram descobertos em 1973. Entre 3 600 e 2 600 a.C. surgiram povoamentos de agricultores, e os vestígios dessas estruturas deixam a impressão de edifícios relativamente permanentes. O uso do ferro, cerâmica e pedra polida desenvolveu-se entre 1 500 e 1 000 a.C., tal como a preocupação com os assuntos espirituais, como é demonstrado pelos restos de enterramento que têm sido descobertos.

O Burkina Faso foi uma região economicamente importante para o Império Songhai, que existiu entre o século XV e o século XVI.

Relíquias dos Dogon são encontradas nas regiões centro-norte, norte e noroeste. Este povo saiu da área entre os séculos XV e XVI a.C. para se ir instalar nas colinas de Bandiagara. Encontram-se restos de muros altos no sudoeste do Burkina Faso (e também na Costa do Marfim), mas o povo que os construiu ainda não foi definitivamente identificado.

Em 1896, o reino Mossi de Ouagadougou tornou-se protectorado francês depois de ser derrotado pelas forças francesas. Em 1898, a maior parte da região que corresponde hoje ao Burkina Faso foi conquistada. Em 1904, estes territórios foram integrados na África Ocidental Francesa, no coração da colónia do Alto-Senegal-Niger (Haut-Sénégal-Niger).

Os seus habitantes participaram na Primeira Guerra Mundial nos batalhões da Infantaria Senegalesa (Tirailleurs sénégalais). O território foi originalmente administrado a partir da Costa do Marfim, mas transformou-se numa colónia separada em 1919. A 1 de Março de 1919, François Charles Alexis Édouard Hesling transformou-se no primeiro governador da nova colónia do Alto Volta, que foi dissolvida a 5 de Setembro de 1932, sendo dividida entre a Costa do Marfim, o Mali e o Niger.

A 4 de Setembro de 1947, o Alto Volta foi recriado nas suas fronteiras de 1932. A 11 de Dezembro de 1958, alcançou o auto-governo, e tornou-se numa república membro da Comunidade Franco-Africana (La Communauté Franco-Africaine). A independência completa foi atingida em 1960. O primeiro golpe militar ocorreu em 1966, e o país regressou ao governo civil em 1978. Em 1980 deu-se outro golpe, liderado por Saye Zerbo, que foi derrubado em 1982. Um contra-golpe foi lançado em 1983, deixando no poder o capitão Thomas Sankara. O actual presidente é Blaise Compaoré, que chegou ao poder em 1987 depois de um golpe de estado que matou Thomas Sankara.



A história recente do Burundi começa em 1885, na Conferência de Berlim, quando as potências européias partilham a maior parte da África. O território do atual Burundi é entregue à Alemanha. A chegada dos colonos alemães, a partir de 1906, agrava antigas rivalidades entre os hutus (maioria da população) e a minoria tutsi, que exercia um poder monárquico. Os tutsis ganham status de elite privilegiada, com acesso exclusivo à educação, às Forças Armadas e a postos na administração estatal.

Após a I Guerra Mundial, o Burundi é unificado com a vizinha Ruanda, ficando sob tutela da Bélgica, que mantém as prerrogativas dos tutsis. Em 1946, a tutela passa para a Organização das Nações Unidas.

Em 1962, o país torna-se independente, sob monarquia tutsi. Com a saída da força militar belga, a luta pelo poder transforma-se em conflito étnico e alcança toda a sociedade. Os ressentimentos acumulados desde o período colonial explodem em 1965, quando uma rebelião hutu é esmagada pelo governo. No ano seguinte, a monarquia é derrubada por um golpe de Estado liderado pelo primeiro-ministro, Michel Micombero, que proclama a república e assume a Presidência. As décadas seguintes são marcadas por uma sucessão de golpes de Estado e intrigas palacianas entre os tutsis e pela perseguição aos hutus. Rebeliões entre 1972 e 1988 causam a morte de dezenas de milhares de pessoas.

Uma das piores matanças da história do Burundi tem início em outubro de 1993, quando oficiais tutsis fuzilam o primeiro presidente eleito democraticamente, o oposicionista hutu Melchior Ndadaye, no cargo havia quatro meses. Os hutus reagem e tem início a guerra civil, que dura até hoje, na qual morreram mais de 200 mil pessoas e mais de 1 milhão se tornaram refugiados, boa parte em Ruanda, Tanzânia e República Democrática do Congo.Em fevereiro de 1994, o hutu Cyprien Ntaryamira é escolhido para a Presidência. Dois meses depois, Ntaryamira e o presidente de Ruanda, Juvénal Habyarimana, são mortos num atentado que derruba o avião no qual viajavam. É o estopim para uma nova fase de violência em Burundi e sobretudo em Ruanda. É formado, em setembro de 1994, um governo de transição chefiado pelo hutu Sylvestre Ntibantunganya.

Os embates prosseguem até que o Exército, dominado por tutsis, dá um golpe de Estado, em 1996, e nomeia presidente o major Pierre Buyoya, que já governara de 1987 a 1993. Nações vizinhas impõem sanções econômicas e isolam o Burundi. Piora a situação do país, cuja base econômica, a agricultura, é arrasada pela guerra. O déficit público cresce e a dívida externa passa a consumir mais da metade do valor das exportações. Em 1998, começam as negociações para um processo de pacificação no Burundi.



As ilhas de Bahrein foram sempre cobiçadas desde a antiguidade primeiro devido à sua posição geoestrategica privilegiada na região do Golfo, que constituia as ilhas como escala obrigatória nas rotas comerciais entre primeiro os sumérios (estes designavam estas ilhas como Dilmun) e o Vale do Indo há três milénios e posteriormente entre todas rotas comerciais que por aí tinham que passar, mas também porque estas ilhas sempre detiveram recursos naturais muito importantes.

As suas grandes florestas (numa área rodeada de territórios deserticos), as suas pérolas (muito cobiçadas e produzidas nos bancos à volta das ilhas do arquipelago) e mais recentemente por causa do petróleo.

Os gregos já conheciam as ilhas como Tylos.

A população barenita converteu-se ao islamismo no séc. VII, sendo que antes disso a sua população seguia maioritariamente o cristianismo e tinha uma forte minoria religiosa judaica.

Em 685 os Najadat, dos Kharijitas, que constituíam um grupo moderado dos Azraquitas e que se desenvolveu na Arábia central (rejeitando o assassinato político), conquistam o Bahrein, bem como uma parte do Iémen e penetram no Omã.

O termo Bahrein foi usado durante o inicio da era islamica para designar a àrea que agora conhecemos como Golfo pérsico, que só foi assim designada depois de o Império Persa o ter controlado durante cerca de cento e cinquenta anos. Até aí as ilhas eram conhecidas apenas como Awal (alguns dizem Aval)

De 1521 a 1602, o país foi ocupado pelos portugueses após a política fortemente expansionista prosseguida a partir de 1510 pelo governador-geral, Afonso de Albuquerque, no Império Português do Oriente, datando desse período a construção do Forte do Bahrein (em árabe Qal’at al-Bahrain), actualmente classificado como Património Mundial pela UNESCO.

Em 1602 e com a ajuda dos ingleses as ilhas foram tomadas pelo Império Persa tornando-se numa sua base estratégica e militar muito importante.

Ahmad ibn Khalifa um principe oriundo da Arábia Saudita conquistou as ilhas e obteve a sua independência em 1783 do Império Persa, aproveitando o enfraquecimento da Dinastia safávida acossada por invasões e guerras constantes com a Russia e o Império Otomano e fundou a dinastia que reina o país até hoje.

Vários tratados forçados feitos no séc. XIX determinaram que o arquipélago se transforma-se num protetorado militar e comercial britânico.

O Bahrein conseguiu novamente a independência (saindo da situação colonial de protetorado ocupado militarmente) em 1971 e transformou-se em emirado.

Em 1973, foi promulgada uma constituição, que estabeleceu o regime monárquico tradicional e criou um sistema bicameral de concelhos, um concelho consultivo e um concelho dos representantes.



Do século IX até ao XIII a Bielorrússia foi parte da Rus' de Kiev - o estado eslavo.

No século XIII o país foi conquistado pela Lituânia.

Em 1385 a Lituânia e a Polónia assinaram o pacto da união pessoal, e em 1569 o pacto da união real (um parlamento, uma política interna e externa). A nobreza da Bielorrússia aceitou a língua polaca e o catolicismo. Na cidade de Brest (polaco Brześć) foi assinado o pacto da união entre a igreja católica e a igreja ortodoxa na Polónia. Foi fundada a igreja grecocatólica.

A cultura e a língua polaca dominaram na Bielorrússia até ao século XVIII e na Bielorrússia Ocidental até 1939. As mais importantes cidades eram Minsk e Hrodna (polaco Grodno). Minsk foi ocupada pela Rússia em 1793. Em 1795 o Estado Polaco-Lituano foi conquistado pela Rússia, a Áustria e a Prússia.

Na Bielorússia nasceu Adam Mickiewicz - o mais importante poeta polaco. Ele é chamado "o poeta das três nacionalidades: polacos, lituanos e bielorussos.

O século XIX foi um período do desnacionalização dos Bielorussos. Os russos destruiram a igreja grecocatólica.

Em 1919, após a Primeira Guerra Mundial, a Polónia recuperou a Bielorrússia. Entretanto, após a guerra com União Soviética ela perdeu Minsk. A Bielorrússia foi dividida pela Polónia e pela União Soviética em 1921. Em 1939 a Polónia foi invadida pelos alemães e pelos russos. Os russos anexaram a Bielorrússia polaca, e em 1945 expulsaram os habitantes polacos.

A Bielorrússia é um país independente desde 1991.



O território belga foi habitado desde o paleolítico inferior. As diversas culturas que se propagaram desde a Europa central até as ilhas britânicas, assim como as que ascenderam das margens do Mediterrâneo até o norte, pelo rio Reno, deixaram suas marcas nesse país de solo rico e cultivado desde o final do quinto milênio antes da era cristã. Os belgas eram uma antiga tribo celta. No entanto, a entrada do território da Bélgica na história só se deu com sua conquista por Júlio César.

No tempo de César, os belgas formavam na Gália do Norte uma confederação que os romanos submeteram definitivamente entre os anos 59 e 52 a.C., estendeu as fronteiras do Império Romano até as margens do Reno. O território recebeu o nome de Belgae, um dos povos da antiga Gália. A Gallia Belgica abrangia a atual Bélgica, o norte da França, Holanda e parte da Suíça.

Devido a sua situação fronteiriça, a Bélgica foi cedo afetada pelas invasões bárbaras. No século V os francos ocuparam o norte do país, enquanto na média e na alta Bélgica os romanos predominavam, dando origem aos atuais valões. Durante o período carolíngio a Bélgica foi repartida em condados. Os francos atingiram o maior poderio durante o reinado de Carlos Magno (768-814). No século IX, os tratados de Verdun (843), Meerssen e Ribemont dividiram o país em dois: a região a oeste do Escalda coube à França; a outra à Lotaríngia (Alemanha), depois à Germânia. Essa divisão constitui a origem remota da atual divisão lingüística.

Encravados entre o reino francês e o império alemão, os territórios que hoje formam a Bélgica e os Países Baixos foram objeto de disputas constantes ao longo da Idade Média. Quando o feudalismo triunfou, constituíram-se os condados de Flandres e de Hainaut e o ducado de Brabante. Principalmente em Flandres, surgiram cidades mercantis livres. A história da Bélgica confunde-se, desde então, com a dos Países Baixos. No final desse período o país viveu um notável florescimento comercial e também um desenvolvimento da vida urbana e das formas econômicas capitalistas que o transformaram em uma das regiões mais prósperas e povoadas da Europa. Filipe de Borgonha libertou o país da vassalagem ao rei da França no final do século XIV. No século XV tudo o que é hoje a Bélgica tornou-se parte do ducado de Borgonha.

A atual Bélgica conheceu seu maior esplendor sob os duques de Borgonha (séculos XIV-XV) e especialmente sob Filipe, o Bom. Em 1477, o casamento de Maria de Borgonha com o arquiduque e futuro imperador alemão Maximiliano I fez passar os Países Baixos (que incluíam a Bélgica) ao império Habsburgo, que foi posteriormente absorvido pelo império espanhol, e passou, em 1713, para a Áustria. Carlos, o neto de Maximiliano e filho de Filipe, o Belo e de Joana, a Louca, filha dos Reis Católicos, herdou os Países Baixos em 1506 e subiu ao trono da Espanha dez anos mais tarde com o título de Carlos I. Posteriormente, foi eleito imperador do Sacro Império Romano-Germânico com o nome de Carlos V. Em 1528, herdou os territórios do ducado de Borgonha. Em 1549, decretou que os Países Baixos se unissem formalmente a seus domínios espanhóis. Seu filho, Filipe II, tentou suprimir o protestantismo e estabelecer maior controle comercial nos Países Baixos. A intolerância de Filipe II e os excessos do duque de Alba tiveram como conseqüência a revolta das sete províncias do norte, que viriam a formar os Países Baixos, lideradas por uma burguesia em sua maior parte calvinista. Após longas e custosas lutas, as sete províncias do Norte conseguiram, finalmente, a independência, com o nome de Províncias Unidas (1579). As províncias do sul, tanto as de língua francesa quanto as flamengas, ficaram sob o poder da coroa espanhola, devido ao fato de serem majoritariamente católicas e por causa da importância política que ainda tinha a nobreza. Filipe II tentou reconquistar o norte sem sucesso.

A decadência econômica da Flandres espanhola foi paralela à da monarquia hispânica. A primazia comercial, que na Idade Média pertencera a Bruges, passou no século XVI para Antuérpia. Não obstante, a intolerância ideológica, as vicissitudes da guerra e a desacertada política econômica de Filipe II, fizeram de Amsterdã, capital das Províncias Unidas, o centro econômico da Europa.

Em 1609, Filipe III assinou uma trégua de 12 anos, mas perto do fim, explodiu a guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Em 1635, forças da Holanda e da França uniram-se para dividir os Países Baixos espanhóis. Uma série de vitórias franco-holandesas forçaram o monarca espanhol a firmar uma paz separada com a Holanda em 1648. O sul (atuais Bélgica e Luxemburgo), permaneceu sob domínio espanhol. Luís XIV não quis abandonar suas pretensões para com os Países Baixos holandeses; o Tratado dos Pireneus de 1659 concedeu-lhe áreas fronteiriças e depois ele mesmo ocupou várias cidades.

Os Países Baixos espanhóis foram um fator importante no contexto do posterior conflito europeu, a guerra de Sucessão Espanhola. A Bélgica, teatro de numerosas guerras no tempo de Luís XIV, passou a ser governada pelo ramo austríaco da casa de Habsburgo pela paz de Utrecht (1713) e pelo congresso de Rastatt (1714), que confirmou o tratado de Aachen (1748). Excetuando a guerra de Sucessão Austríaca, em 1744, o período de dominação austríaco na Bélgica foi pacífico. A nova organização que José II quis aplicar à Bélgica (terminar com a autonomia provincial nos Países Baixos austríacos) foi mal aceita e provocou uma insurreição (1789) e a proclamação dos Estados Belgas Unidos (1790). Leopoldo II, restaurou o controle e revogou os direitos do seu antecessor.

Com Francisco II, os austríacos, vencedores da revolução brabantina, viram quase imediatamente a Bélgica ser disputada pelo governo revolucionário da França (1792-1794). Em 1792, as tropas da república francesa revolucionária, em guerra com a Áustria, invadiram a Bélgica. Em março do ano seguinte os austríacos recuperaram o país, mas tiveram que abandoná-lo após nova ofensiva francesa. A Bélgica foi oficialmente anexada à França em 1795. A França fez desaparecer os traços do Antigo Regime, unificou administrativamente o país e deu impulso à sua economia. O regime instaurado pelos franceses não agradou, mas a Bélgica se expandiu com a conquista de Liège. As derrotas de Napoleão permitiram que, em 1814, o país fosse ocupado pelos exércitos aliados que enfrentavam Bonaparte e conseguisse sua autonomia, pela primeira paz de Paris, a 30 de maio de 1814. No ano seguinte teve lugar a campanha da Bélgica, na qual Napoleão derrotou em Ligny as tropas prussianas; em junho de 1815, ocorreu em solo belga a última das Guerras Napoleônicas, a decisiva batalha de Waterloo, onde Napoleão foi derrotado definitivamente pelos exércitos aliados.

Pelos acordos de paz do Congresso de Viena (1814-1815), a Bélgica foi reunida à Holanda no novo Reino dos Países Baixos, onde foi nomeado rei o holandês Guilherme I, da Casa de Orange; esta união artificial provocou uma oposição religiosa, cultural e lingüística da parte dos belgas. Os católicos belgas não queriam um soberano protestante e exigiam uma autonomia maior.

A dominação holandesa - tentativa de impor o holandês como língua oficial e a orientação protestante no ensino - provocou uma insurreição em Bruxelas em 1830. A revolução de 1830 levou à independência da Bélgica, que foi proclamada e aceita na Conferência de Londres em 1831, onde as grandes potências, lideradas pelo Reino Unido e pela França, promoveram a neutralidade perpétua do país.

Os belgas se constituíram em monarquia constitucional (1831) e redigiram uma Constituição com um poder legislativo bicameral, sendo eleito o príncipe Leopoldo de Saxe-Coburgo-Gota (1831-1865) o primeiro rei com o título de Leopoldo I. A constituição de 1831 definiu a Bélgica como uma monarquia unitária, em que o rei compartilhava o poder com as duas câmaras legislativas. O poder executivo cabe ao rei, que o exerce por intermédio de ministros, e o poder legislativo coletivamente ao rei, à Câmara de Representantes e ao Senado.

Os Países Baixos só reconheceriam a independência belga em 1839, após uma malsucedida invasão holandesa, com a assinatura do Tratado de Londres, pelo qual a Bélgica incorporou a seu território parte de Luxemburgo. Esse tratado internacional, que garantiu a neutralidade belga, foi reconhecido em 1870, mas não em 1914, quando a invasão alemã precipitou a entrada da Grã-Bretanha na Primeira Guerra Mundial. A vida política foi dominada até 1914 pela luta entre católicos e liberais.

Durante os reinados de Leopoldo I e Leopoldo II, foi considerável o desenvolvimento econômico da Bélgica, apoiado na tradicional indústria têxtil e na recente indústria siderúrgica, alimentada pelo carvão da Valônia. O pequeno reino assumiu a dianteira entre as nações industrializadas da época e seu poder econômico espraiou-se muito além de suas fronteiras. Os partidos católico e liberal disputaram o poder durante decênios

No reinado de Leopoldo II (1865-1909), a Bélgica enfrentou inúmeros conflitos internos por diferenças educacionais, por problemas sociais decorrentes da rápida industrialização e da falta de um idioma comum. Entre 1865 e 1909, o país foi atingido pela rivalidade entre a França e a Alemanha, mas manteve-se neutro durante a Guerra Franco-Prussiana, entre 1870 e 1871.

O reinado de Alberto I (1908-1934) ficou caracterizado pela agitação social que resultou numa greve geral em 1913.

O desenvolvimento capitalista da Bélgica exigia, no contexto internacional do século XIX, a conquista de territórios coloniais para a obtenção de matérias-primas a baixo custo. Leopoldo II financiou uma expedição ao rio Congo. Liderou a Associação Internacional do Congo (1876), seguindo-se a exploração do rio Congo por Henry Morton Stanley. A divisão da África entre as potências européias, consagrada na Conferência de Berlim (1884), outorgou ao monarca belga, como patrimônio pessoal, um extenso território, o Estado Livre do Congo, explorado pela Associação Internacional do Congo desde 1876. Como o Congo estava aberto para o comércio, atrocidades estarrecedoras foram cometidas contra os africanos. Em 1908, ante o protesto da opinião pública mundial pela brutal exploração empreendida pela administração congolesa a serviço de Leopoldo II, o controle pessoal do monarca sob o Estado Livre do Congo foi cedido ao Parlamento Belga, tornando-o colônia belga.

Os partidos católico e liberal disputaram o poder durante decênios; uma das principais fontes de litígio foi a do ensino, que acarretou até o rompimento de relações com o Vaticano, quando, em 1880, os liberais impuseram seus princípios laicos. O maior reduto do Partido Liberal era a Valônia, mais industrializada, enquanto os católicos, que governaram de 1884 até 1914, tinham apoio eleitoral nas regiões flamengas. Em face do domínio econômico e cultural valão, ganhou corpo na parte católica movimentos legislativos de apoio à paridade lingüística e outras reivindicações flamengas.

A partir de 1885 surgiu na arena política o Partido Operário Belga, como conseqüência da aliança entre socialistas e sindicalistas e da ação de um poderoso movimento cooperativo. Em 1893 se instituiu o sufrágio universal, mas a legislação estabelecia o voto plural (alguns eleitores podiam votar mais de uma vez), o que beneficiava as classes abastadas. Este voto plural só foi suprimido depois da primeira guerra mundial.

Iniciado o conflito europeu em 1914, a Bélgica proclamou sua neutralidade, conservada desde sua fundação como país independente, em 1831. Entretanto, tropas alemãs, ignorando sua neutralidade, invadiram o país em 2 de agosto, como manobra para surpreender o exército francês. No dia seguinte, o Reino Unido, através de um ultimato, exigiu a saída dos alemães e o respeito à neutralidade belga, determinando a entrada dos britânicos na guerra. Surpreso, o exército belga tentou resistir aos alemães mas estes ocuparam Liège, Namur e Bruxelas, apesar da heróica resistência de seu rei, Alberto I, que liderou o exército belga no front ocidental. O rei formou um gabinete de guerra com representantes dos principais partidos e transferiu a sede do governo para Antuérpia e posteriormente para o Havre. Somente uma pequena porção do território belga se livrou da ocupação alemã. Com o objetivo de conter a resistência nacional, os alemães impuseram uma separação formal entre as regiões flamenga e valã.

A Bélgica, cuja neutralidade, garantida pelos tratados de 1839, tinha sido violada, permaneceu quase em sua totalidade sob o domínio inimigo até novembro de 1918. Um milhão de belgas fugiram do país e mais de 80 mil morreram. A ofensiva dos aliados de setembro de 1918 libertou a costa do país. Pelo Tratado de Versalhes de 1919, a Bélgica incorporou 989,3 quilômetros quadrados de território e 64.500 habitantes.

No fim da primeira guerra mundial a Bélgica obteve, por um plebiscito que lhe foi favorável, a anexação de pequenos territórios alemães. Na África, a Liga das Nações lhe concedeu mandato sobre as colônias alemãs de Ruanda e Burundi, tomadas por tropas belgas durante o conflito.

Apesar dos enormes prejuízos causados pela guerra, a Bélgica alcançou uma notável recuperação. O voto para os homens foi introduzido no país. Pelo tratado de Versalhes, o estatuto da neutralidade fora abandonado e, em 1920, foi assinada uma aliança militar com a França. Dez anos mais tarde, o Parlamento belga transformou o país em duas regiões linguísticas com administrações diferentes.

O rei Alberto I foi sucedido por Leopoldo III (1934-1951). Diante do delicado panorama político europeu, a Bélgica voltou à neutralidade em 1936 e em 1937 conseguiu que a Alemanha, a França e o Reino Unido se comprometessem a garantir sua integridade territorial.

A "guerra-relâmpago" empreendida pela Alemanha na frente ocidental da Segunda guerra mundial fez com que, em maio de 1940, a Bélgica fosse atacada uma segunda vez pelos alemães e e ocupada até 1944. Após alguns dias de resistência, com a ajuda das tropas francesas e britânicas, as tropas aliadas foram derrotadas devido à superioridade das forças invasoras. Em 28 de maio o rei Leopoldo III capitulou e se entregou prisioneiro aos alemães. O gabinete belga, exilado em Paris, se negou a reconhecer a derrota, destituindo o rei dos seus direitos de governo. Após a queda da França, o governo belga que estava no exílio transferiu-se para Londres. O "governo-no-exílio" em Londres continuou a guerra, organizando um forte movimento de resistência à ocupação alemã, que durou até o outono de 1944, quando as tropas aliadas chegaram à fronteira holandesa. Os alemães tentaram ainda, em dezembro daquele ano, uma grande contra-ofensiva nas Ardenas, com o objetivo de ocupar novamente Antuérpia, que se convertera em base aliada. O ataque foi contido em janeiro de 1945, livrando definitivamente o território belga da guerra, embora algumas cidades ainda fossem bombardeadas por foguetes V-2 alemães.

Com a libertação da Bélgica, por se achar preso Leopoldo III, o príncipe Carlos, seu irmão, assumiu a regência como presidente. A Bélgica ficou politicamente desorganizada por causa do enfrentamento entre o partido Social Cristão (católicos) e a coligação de liberais, socialistas e comunistas, e a questão do regresso do rei Leopoldo. Em 1945, o Parlamento concordou em deixar Leopoldo, desprestigiado pela capitulação aos alemães, fora do poder. A Bélgica voltou a recuperar sua anterior posição entre as grandes nações mercantis do mundo.

Em 1950, foi convocado um plebiscito sobre o retorno do rei Leopoldo. Após obter a resposta afirmativa de 57,6% dos votantes, vários conflitos ocorreram, organizados pela oposição. O rei delegou, então, seus poderes ao príncipe herdeiro Balduíno (1930-1993) e, em 1951, abdicou em seu favor. Começou então uma época de grande desenvolvimento econômico no país e em toda a Europa.

Dominada politicamente pela luta ou pela colaboração entre os socialistas (PSB) e o partido social-cristão (PSC), a Bélgica, depois da guerra, foi perturbada por três problemas que se esforçou por resolver: escolar (pacto escolar, 1958), colonial (independência do Zaire, 1960) e lingüístico (oposição entre a população nortista de língua flamenga com os valãos de língua francesa, do sul).

A independência da colônia do Congo Belga (ex-Zaire, atual República Democrática do Congo) foi concedida em junho de 1960, mas foi imediatamente seguida de violência e banhos de sangue (crise do Congo). Em 1962, os administradores belgas da ONU, encarregados do território de Ruanda-Burundi, conseguiram a independência de Ruanda e Burundi. A independência das colônias representaram para a Bélgica um sério golpe, embora o país logo se recuperasse.

Após a Segunda Guerra Mundial, o principal empreendimento da Bégica foi a união dos valões e flamengos. A rivalidade entre valões e flamengos gerou freqüentes distúrbios durante a década de 1960, provocando a queda de vários governos nos anos seguintes. Em 1977, por meio de reformas na Constituição, o pacto de Egmont, introduzido pelo primeiro-ministro Leo Tindemans, reconheceu três regiões semi-autônomas (comunidades culturais), com base em suas línguas: Flandres ao norte, Valônia (Wallonia) ao sul, e Bruxelas. Em 1980, garantiram autonomia parcial a Flandres e Valônia. O crescente nacionalismo flamengo resultou no fracasso da proposta de reforma constitucional em 1991. Em 1992, o Parlamento aprovou o Estado federal, no qual o governo central fica responsável apenas pela defesa, segurança social, política monetária e relações exteriores. Em 1993, com a morte do rei Balduíno I (que não deixou descendentes), seu irmão Alberto subiu ao trono com o título de Alberto II.

A Bélgica foi membro constituinte, em 1952, da Comunidade Européia do Carvão e do Aço e contribuiu para a fundação, em 1957, da Comunidade Econômica Européia (hoje União Européia). A Bélgica ratificou o Tratado de Maastricht sobre a União Européia em 1992.



Até à chegada dos europeus, a região de Belize era habitada pelos maias. No meio do século XVII chegaram mateiros ingleses à costa. Os espanhóis não tinham chegado até essa zona. Em 1968, o E.U.A. foi juiz de arbitragem para que o Reino Unido e Guatemala reconhecessem a independência de Belize, o que se conseguiu em 1981. Guatemala reconheceu-a república no ano de 1992.



A ilha foi descoberta na primeira expedição de Cristóvão Colombo em 1492, mas não chegou a ser colonizada pelos espanhóis.

Entre 1536 e 1627 foi visitada por Portugueses, que a denominaram "Os Barbados" ou "O Barbudo", devido ao aspecto das figueiras nativas da ilha. Estes, de passagem para o Brasil, foram os responsáveis pela introdução dos porcos encontrados posteriormente no estado selvagem, pelos colonizadores ingleses.

Os primeiros britânicos encontraram a ilha desabitada em 14 de maio de 1625, e o seu capitão, John Powell, reclamou a posse da ilha em nome de Jaime I de Inglaterra.

Os primeiros colonos desembarcaram em 17 de fevereiro de 1627, na área da atual Holetown (anteriormente Jamestown), um grupo de 80 pessoas e dez escravos africanos sob o comando do mesmo capitão Powell. Esse estabelecimento foi financiado por Sir William Courteen, um rico comerciante de Londres, que arrematara à Coroa os direitos de exporação sobre Barbados e várias outras ilhas não reclamadas na região. Desse modo, os primeiros colonos eram arrendatários, e os lucros do empreendimento destinavam-se a Courteen e à sua empresa.

Mais tarde, Courteen perdeu os direitos de exporação para James Hay, 1o. conde de Carlisle no episódio conhecido como "Great Barbados Robbery". Carlisle, em seguida, nomeou como governador a Henry Hawley, que por sua vez estabeleceu a chamada "Casa da Assembleia" (1639), num esforço para apaziguar os ânimos dos plantadores, que poderiam opor-se à sua controversa nomeação.

Nos primeiros anos de colonização, a maioria da população era branca e do sexo masculino, com escravos africanos fornecendo pequena parte da mão-de-obra. Cultivava-se o tabaco, o algodão, o gengibre e o índigo plantados por trabalhadores europeus até ao início da agro-manufatura do açúcar.

Tendo obtido a independência em 1966, desde então, tem vivido conforme uma orientação socialista moderada, mantendo sempre uma grande estabilidade política. Membro da Comunidade Britânica, o país é governado por um primeiro-ministro apoiado pelo Senado e pela Assembléia.



O Azerbaijão, é invadido pelos russos no ano de 1920, posteriormente é integrado à União Soviética. Na Década de 80, a região de Nagorno-Karabakh, começa a ser questionada pelo Azerbaijão ao governo soviético, pois o território que está na vizinha Armênia, é composto de uma maioria muçulmanos (religião do Azerbaijão) e 78% armênios. Isso gera protestos do povo azeri.

Em 1990, são realizadas as primeiras eleições municipais azeris. A vitória é dos comunistas. Em 1991, Aiaz Mutalíbov se torna o primeiro presidente do país. As derrotas do Azerbaijão contra a Armênia tiram Mutalíbov do poder, em 1993, Abulfaz Elchibéi se torna presidente, mas renuncia no mesmo ano. Um cessar-fogo é obtido em 1994.



O arquipélago de Bahamas (nome derivado do espanhol marbaja, mar baixo), é habitado por índios arauaques antes da chegada de Cristóvão Colombo, em 1492. Ocupadas por ingleses desde o século XVI, as Bahamas servem de refúgio a piratas. A lavoura de algodão entra em declínio com o fim da escravidão, em 1834. Após a II Guerra Mundial, cresce o turismo no país.

Lynden Pindling, do Partido Liberal Progressista (PLP), de maioria negra, torna-se primeiro-ministro em 1967, depois das primeiras eleições legislativas no país. Em 1973, as Bahamas conquistam a independência. Nas eleições de 1992, o Movimento Nacional Livre (FNM) obtém maioria. Pindling, denunciado por corrupção, é substituído por Hubert Alexander Ingraham na chefia de governo. A vitória do FNM nas eleições de 1997 é atribuída aos resultados econômicos positivos e ao envolvimento do PLP em escândalos financeiros. A passagem do furacão Floyd pelo país, em 1999, provoca sérios danos e prejudica o turismo.



Existem evidências de ocupação da grande região de Bengala em mosteiros budistas de antes de 700 a.C.. Bengala adotou o islão no século XIII e prosperou como parte do Império Mogol durante o século XVI. Os navegadores europeus descobriram a região no final do século XV, mas só no final do século XVIII a Companhia Britânica das Índias Orientais dominou a região.

Com a independência da Índia, o Bengala ficou parte do Paquistão, com o nome de Bengala Oriental. Depois de uma guerra de libertação contra as forças do Paquistão Ocidental, em 1971 o Bangladesh finalmente se torna independente.



A Arménia é povoada desde os tempos pré-históricos e era o suposto local do Jardim do Éden bíblico. O país se localiza no planalto ao entorno da montanha bíblica do Ararat. Segundo a tradição judaico-cristã, foi o local onde a Arca de Noé encalhou após o Dilúvio. Arqueólogos continuam a descobrir que o planalto arménio está no meio de locais onde estariam civilizações primitivas e talvez sejam os mesmos locais onde nasceram a agricultura e a civilização. De 6000 a.C. a 1000 a.C., ferramentas como lanças, machados e ninharias de cobre, bronze e ferro eram comumente produzidos na Arménia e trocados nas terras vizinhas onde esses metais eram menos abundantes.

A Arménia é a principal herdeira do lendário país Aratta (Ararat), mencionado em inscrições sumérias. Na Idade do Bronze, muitos Estados floresceram na área da Grande Arménia (ou "Arménia histórica"), incluindo o Império Hitita (o mais poderoso), o Mitanni (sudoeste da Grande Arménia) e Hayasa-Azzi (1500-1200 a.C.). Na época, o povo de Nairi (XII ao IX séculos a.C.) e o reino de Urartu (1000-600 a.C.) sucessivamente estabeleceram suas soberanias no planalto Arménio. Cada uma das tribos e nações supracitadas participaram da etnogénese do povo arménio. Erevan, a moderna capital da República da Arménia, foi fundada em 782 a.C. pelo rei urartiano Argishti I.

Por volta do ano 600 a.C., o reino da Arménia estava estabelecido sob a dinastia dos Orôntidas (em arménio, Երվանդունիներ), a qual existiu sob diversas dinastias até o ano de 428. O reino chegou em seu maior tamanho entre 95 e 66 a.C. no reinado de Tigranes, o Grande, tornando-se um dos mais poderosos reinos da região. Ao longo da história, o reino da Arménia gozou de períodos de independência alternados com períodos de submissão aos impérios contemporâneos. A Arménia, por sua posição estratégica, localizada entre dois continentes, foi sujeita a invasões por diversos povos, incluindo assírios, gregos, romanos, bizantinos, árabes, mongóis, persas, turcos otomanos e russos.

O primeiro estado a surgir na Arménia foi o reino de Urartu, que nasceu à volta do Lago Van no século XIII a.C.. Depois do reino de Urartu ter sido conquistado pelos Assírios e ter sido dominado pelos Citas no final do século VII a.C. o planalto arménio foi invadido por populações indo-europeias que se autodenominavam "Hayk" (Arménios).

Em 189 a.C., depois da derrota do rei selêucida Antíoco III pelos Romanos na Batalha da Magnésia, dois dos seus generais, Artáxias e Zariadris, fundam com o consentimento de Roma dois reinos, a Grande Arménia e a Pequena Arménia respectivamente. Em 165 a.C., Artáxias tentou unir, sem sucesso, os dois reinos, tarefa que seria conseguida pelo seu sucessor Tigranes II (95-55 a.C.).

Em 301, a Arménia se tornou o primeiro país oficialmente cristão do mundo, tomando-o como religião oficial de Estado, quando um número de comunidades cristãs começaram a se estabelecer na região desde o ano 40. Havia várias comunidades pagãs antes do cristianismo, mas elas foram convertidas por influências de missionários cristãos. Tiridates III (ou Trdat, Dedrad. Em arménio: Տրդատ Գ), juntamente com Gregório, o Iluminador (em arménio: Գրիգոր Լուսաւորիչ) foram os primeiros reguladores oficiais do cristianismo ao povo, conduzindo a conversão oficial do país dez anos antes de Roma emitir sua tolerância aos cristãos por Galério e 36 anos antes de Constantino I ser batizado.

Antes do declínio do reino arménio em 428, muitos arménios foram incorporados no período masdeísta ao império dos sassânidas (dinastia persa), regido pelo deus Aúra-Masda. Após uma rebelião arménia em 451 (Batalha de Avarair), os arménios cristãos mantiveram sua autonomia religiosa e também autonomia e direito de ser regida por uma Arménia mazdeísta, enquanto o outro império era regido somente pelos persas. Os mazdeístas da Arménia duraram até anos anos 630, quando a Pérsia Sassânida foi destruída pelo califado árabe.

Após o período masdeísta (428-636), a Arménia emergiu como Emirado da Arménia, com uma relativa autonomia junto ao Império Árabe, reunindo terras arménias previamente tomadas pelo Império Bizantino como dele. A principal terra era regulada pelo príncipe da Arménia, reconhecido pelo califa e pelo imperador bizantino. Era parte da divisão administrativa Arminiyya, criada pelos árabes, que incluía partes da Geórgia e da Albânia Caucasiana e tinha a capital na cidade arménia de Tvin (ou Dvin, em arménio: Դվին). O Principado ou Emirado da Arménia terminou em 884, quando os arménios conseguiram a independência do já enfraquecido Império Árabe.

O Reino da Arménia reemergiu sob a dinastia dos Bagratuni (em arménio: Բագրատունյաց Արքայական Տոհմ, transl. Bagratunyac Arqayakan Tohm, "Real Dinastina dos Bagratuni"), até 1045. Neste tempo, diversas áreas da Arménia Bagrátida foram separadas como independentes reinos e principados, como o reino de Vaspurakan, regido pela Casa dos Artsruni, desde que reconhecendo a soberania e supremacia dos reis da Casa dos Bagratuni.

Em 1045, o Império Bizantino conquistou a Arménia Bagrátida. Logo, os demais Estados arménios também caíram sob o domínio bizantino. O domínio bizantino teve uma vida curta, pois em 1071, os turcos seljúcidas derrotaram os bizantinos e conquistaram a Arménia na batalha de Manzikert, estabelecendo o Império Seljúcida. Para escapar da morte ou da escravidão nas mãos daqueles que assassinaram o rei arménio Gagik II, rei de Ani, um arménio de nome Ruben (depois Ruben I), foi com alguns conterrâneos em direção as montanhas do Taurus e fundaram Tarso, na Cilícia. O governardor bizantino do palácio deu-lhes o abrigo onde o Reino Arménio da Cilícia foi então estabelecido. Este reino foi a salvação dos arménios, uma vez que a Grande Arménia fôra devastada pelos invasores.

O Império Seljúcida entrou em colapso. Nos anos 1100, os príncipes da nobre família arménia dos Zacáridas estabeleceram uma semi-independência dos principados arménios do norte e da Arménia oriental (agora chamada de Arménia Zacárida). A nobre família dos Orbeliadas compartilhava o controle com os Zacáridas em várias partes do país, especialmente em Syunik e Vayots Dzor.

Durante os anos de 1230, o Ilcanato mongol conquistou o principado dos Zacáridas, assim como o resto da Arménia. Os invasores mongóis vieram seguidos de outras tribos da Ásia Central, em um processo que durou dos anos 1200 até 1400. Após incessantes invasões, cada uma trazendo a destruição ao país, a Arménia ficou enfraquecida. Durante o século XVI, o Império Otomano e a Pérsia Safávida dividiram a Arménia entre si. Mais tarde, o Império Russo incorporou a Arménia oriental (que consistia de Yerevan e as terras de Karabakh, na Pérsia) em 1813 e 1828.

A Arménia tornou-se parte integrante do Império Otomano com o reinado de Selim II (1524 a 1574). No entanto, a anexação inicial começa com a anexação Mehmed II (século XV), que ofereceu apoio otomano para iniciar o Patriarcado arménio de Constantinopla. Esta situação perdurou por 300 anos até que a Guerra russo-turca de 1828-1829, quando a parte oriental do território foi cedida ao Império Russo. A parte restante, também conhecida como Armênia Ocidental ou Arménia Otomana, prosseguiu sob o dominio do Império Otomano até o final da Primeira Guerra Mundial.

Sob o jugo otomano, os arménios tiveram relativa autonomia em seus próprios enclaves e viviam em relativa autonomia com os demais grupos constituintes do império (incluindo os turcos). Entretanto, os cristãos viviam em um sistema social muçulmano estrito. Os arménios enfrentaram a discriminação que persistia. Quando eles reivindicaram por maiores direitos, o sultão Abdul Hamid II, em resposta, organizou massacres e deportação de arménios entre os anos de 1894 e 1896, resultando uma morte estimada de 300 mil arménios. Os massacres hamidianos, como ficaram conhecidos, deram a fama à Hamid II de "Sultão Vermelho" ou "Sultão Sangrento".

Quando o Império Otomano entrou em colapso, os Jovens Turcos assumiram o poder em 1908. Os arménios, que viviam em toda a parte do até então Império Otomano, depositaram as suas esperanças no Comitê União e Progresso, criado pelos Jovens Turcos, como caminho para o fim das mortes e perseguições aos arménios e que eles deixariam de ser cidadãos de segunda classe. Porém, o pacote de reformas para os arménios de 1914 apresentaria a solução definitiva para os ensejos arménios e para toda a questão arménia da pior forma possível.

Em 1813 e em 1828, a Arménia actual (que consistia dos canatos de Erevan e de Karabakh) foi temporariamente incorporada no Império Russo. Após a Guerra russo-persa (1826-1828), os territórios históricos da Arménia ficaram sob controle persa, enfocando Yerevan e o Lago Sevan, foram incorporadas na Rússia. Sob uma lei russa, a área que corresponde aproximadamente ao território armênio dos tempos modernos foi chamado de "Província de Yerevan." Os súditos arménios do Império Russo viveram em relativa segurança, em comparação com os otomanos, onde os enfrentamentos com Tártaros e curdos seriam freqüentes até o início do século XX.

Durante o século XIX e início do século XX, os russos desenvolveram um ambicioso plano de expansão nos territórios da Arménia, a fim de chegar às águas quentes do Mediterrâneo. Isto provocou um novo conflito entre russos e otomanos, que finalmente culminou na Guerra russo-turca (1828-1829). Tal como o rescaldo da guerra, o Império Otomano cedeu uma pequena parte da tradicional pátria arménia ao império russo. Esta área é conhecida como Armênia Oriental, enquanto a Arménia Ocidental permaneceu sob soberania otomana.

Com o advento da Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano e o Império Russo ocuparam o Cáucaso durante a "Campanha Persa", o novo governo turco começou a olhar para os arménios com dúvidas e suspeitas. Isso era conveniente com o fato do Império Russo ter em seu exército um contingente de voluntários arménios. Em 24 de abril de 1915, cerca de 600 intelectuais arménios foram presos e exterminados a mando de autoridades otomanas, e, com a lei Tehcir (29 de maio de 1915), uma grande parcela da população arménia que vivia na Anatólia começou a ser deportada e privada de seus bens, em um processo que levou a morte de cerca de 1,5 milhão de armênios.

Durante os anos finais do Império Otomano (1915-1923), As estimativas para o número de armênios que terão perdido a vida durante esses acontecimentos variam entre 1 milhão e 2 milhões, mas há um consenso entre historiadores do mundo todo na cifra de 1,5 milhão de armênios mortos. A morte dessas pessoas é lembrada pelos armênios em todo o mundo a 24 de Abril.Historia

Embora as reformas de 8 de fevereiro de 1914 não satisfizessem as exigências do povo armênio, pelo menos abriam o caminho para realizar o ideal pelo que haviam lutado durante gerações, com sacrifico de inumeráveis mártires. "Uma Armênia autônoma dentro das fronteiras do Império Otomano" era o alceio unânime de todos os armênios. Exatamente um mês mais tarde, em 28 de julho, começava a Primeira Guerra Mundial.

A Primeira Guerra Mundial resultou trágica para os armênios, pois deu oportunidade aos Jovens Turcos de realizarem seu premeditado projeto de liquidar o povo armênio. Na noite de 24 de abril de 1915 foram aprisionados em Constantinopla mais de seiscentos intelectuais, políticos, escritores, religiosos e profissionais armênios, que foram deportados ao interior do país e selvagemente assassinados no caminho. Depois de privar o povo de seus dirigentes, começou a deportação e o massacre dos armênios que habitavam os territórios asiáticos do Império. Mewlazada Rifar, membro do Comitê de União e Progresso, em seu livro "Bastidores obscuros da revolução turca", disse:

" Em princípios de 1915 a Comitê de União e Progresso, em uma sessão secreta presidida por Talat, decide o extermínio dos armênios. Participaram da reunião Talat, Enver, o Dr. Behaeddin Shakir, Kara Kemal, o Dr. Nazim Shavid, Hassan Fehmi e Agha Oghlu Amed. Designou-se uma comissão executora do programa de extermínio integrada pelo Dr. Nazim, o Ministro da Educação Shukri e o Dr. Behaeddin Shakir. Esta comissão resolveu libertar da prisão os 12000 criminosos que cumpriam diversas condenações e aos quais se encarregava o massacre dos armênios”.

O Dr. Nazim bei escreve: “Se não existissem os armênios, com uma só indicação do Comitê de União e Progresso poderíamos colocar a Turquia no caminho requerido”. O Comitê decidiu liberar a pátria desta raça maldita e assumir ante a história otomana a responsabilidade em que este fato implica. Resolveu exterminar todos os armênios residentes na Turquia, sem deixar vivo a um só deles; nesse sentido foram outorgados amplos poderes ao governo.”.

A cidade de Alepo caiu nas mãos dos ingleses e foram encontrados muitos documentos que confirmavam o extermínio dos armênios ter sido organizada pelos turcos. Um destes documentos é um telegrama circular dirigido a todos os governadores:

“À Prefeitura de Alepo: Já foi comunicado que o governo decidiu exterminar totalmente s armênios habitantes da Turquia. Os que se opuserem a esta ordem não poderão pertencer então à administração. Sem considerações pelas mulheres, as crianças e os enfermos, por mais trágicos que possam ser os meios de extermínio, sem executar os sentimentos da conseqüência, é necessário por fim à sua existência. 13 de setembro de 1915. O Ministro do Interior, Talat.”

Alguns testemunhos, René Pineau escreve: “Em geral, as caravanas de armênios deportados não chegavam muito longe. À medida em que avançavam, seu número diminuía com conseqüência da ação dos fuzis, dos sabres, da fome e do esgotamento... Os mais repulsivos instituo animal era feito com essas desgraçadas criaturas. Torturavam e matavam. Se alguns chegavam a Mesopotâmia, eram abandonados sem defesa, sem viveres, em lugares pantanosos do deserto: o calor , a umidade e as enfermidades acabavam, sem divida, com a vida deles”.

Uma viajante alemã escutou o seguinte de uma armênia, em uma das estações do padecimento de um grupo de montanheses armênios: “Por que não nos matam logo? De dia não temos água e nossos filhos choram de sede;e pela noite os maometanos vem a nossos leitos e roubam roupas nossas, violam a nossas filhas e mulheres. Quando já não podemos mais caminhar, os soldados nos espancam . Para não serem violentadas , as mulheres se lançam à água, muitas abraçando a crianças de peito”.

Além de todas as brutalidades exercidas contra o povo armênio, o governo cometeu outra vileza: a maioria dos jovem armênios mobilizados ao começar a guerra não foram enviados à frente, mas que integraram brigadas para construção de caminhos. Ao terminar o trabalho todos eles foram fuzilados por soldados turcos.

Jacques de Morgan assim se refere às deportações, aos massacres e aos sofrimento padecidos pelos armênios:

“Não há no mundo um idioma tão rico, tão colorido, que possa descrever os horrores armênios, para expressar os padecimentos físicos e orais de tão inocentes mártires. Os restos dos terríveis massacres, todos testemunhos da morde sues entes queridos, foram concentrados em determinados lugares a submetido a torturas indescritíveis e a humilhações que faziam preferir a morte”.

Nos anos de 1915-16 foi exterminado mais de um milhão de armênios, a Armênia Ocidental foi devastada e despovoada, e o povo armênio perdeu inúmeras riquezas e inapreciáveis tesouros culturais.

Depois da guerra tudo isto foi esquecido, e os criminosos turcos nunca tiveram seu Nuremberg.

O povo armênio não desapareceu quando estavam nos desertos da mesopotâmia as mães armênias ensinavam a ler aos seus filhos desenhando as letras do alfabeto armênio na areia

Até hoje é relembrado o dia 24 de abril. Eles nunca esqueceram do que aconteceu e sempre lutaram para recuperar as terras que foram dominadas pelos turcos.

A chamada República Democrática da Arménia foi o primeiro estado moderno arménio. Surgiu em 1918 com o colapso do Império Russo após a Revolução Russa de 1917 e após a dissolução da República Socialista Federativa Soviética Transcaucasiana. A nova república fazia fronteira com a República Democrática da Geórgia, ao norte, a República Democrática do Azerbaijão ao leste, o Império Persa ao sul, e o Império Otomano, a oeste. Eventualmente, o país estava em guerra com todos os seus vizinhos excepto a Pérsia, o produto de conflitos de limites. Estes conflitos significaram a perda de 50% do seu território original.

No final da I Guerra, foi decidido dividir o Império Otomano. Assinado entre as Forças Aliadas e o Império Otomano em Sèvres, em 10 de agosto de 1920, o Tratado de Sèvres prometeu manter a existência da RDA e unir os territórios da antiga Arménia turca para ela. Por causa das novas fronteiras da Arménia que estavam a ser criadas pelo presidente norte-americano Woodrow Wilson, a Arménia otomana é também conhecida como "Arménia Wilsoniana." Se considerou a possibilidade de se transformar a Arménia em um protetorado sob a tutela dos Estados Unidos. O tratado, porém, foi rejeitado pelo Movimento Nacional Turco, e nunca entrou em vigor. O movimento liderado por Mustafa Kemal (Atatürk), usou o tratado como a ocasião para declarar-se o governo legítimo da Turquia, em substituição da monarquia com o sua capital, em Istambul, para uma república com a sua em Ancara.

Em 1920, a Arménia e a Turquia se enfrentaram na Guerra Turco-Armênia, um violento conflito que terminou com o Tratado de Alexandropol em que os arménios entregaram a maior parte das armas e suas terras para os turcos. Ao mesmo tempo, a Arménia foi invadida pelo Exército Vermelho, o que levou à criação de uma dominação soviética na Arménia, em Dezembro de 1920. Durante vários meses, nacionalistas armênios permaneceram controlando Nagorno-Karabakh, que foi ocupada pelos comunistas. O Tratado de Alexandropol, assinado por funcionários armênios anterioreso (demitidos após o estabelecimento do dominio soviético), nunca foi ratificado pelo novo governo comunista.

Em 1922, o país foi incorporado à União Soviética como parte da República Socialista Federativa Soviética Transcaucasiana, a curto prazo, juntamente com a Geórgia e Azerbaijão. O Tratado de Alexandropol foi então substituído pelo Tratado de Kars, entre a Turquia e a União Soviética. Nele, a Turquia cedia a província de Adjara à União Soviética em troca da soberania sobre os territórios de Kars, Ardahan e Iğdır. A Arménia atual não reconhece este tratado como legítimo, porque os arménios não foram envolvidos no mesmo. Atualmente a Arménia não tem reivindicações territoriais sobre as províncias, que, depois, passaram para a Turquia.

A República Soviética Transcaucasiana existiu de 1922 até 1936, quando foi dividida em três repúblicas distintas: República Socialista Soviética da Armênia, República Socialista Soviética do Azerbaijão, incluindo a região autónoma de Nagorno-Karabakh e República Socialista Soviética da Geórgia. Os arménios desfrutaram de um período de relativa estabilidade sob domínio soviético. Receberam medicamentos, alimentos e outras disposições a partir de Moscou e a dominação comunista revelou-se um "bálsamo calmante" em contraste com os agitados anos finais do Império Otomano. A situação era difícil para a Igreja, devido as medidas anticlericais do domínio soviético. Após a morte de Lenin, Stalin tomou as rédeas da URSS, e começou uma época de medo e de terror renovado para arménios. Tal como ocorre com outras minorias étnicas e aos russos, passou pelo Grande Expurgo de Stalin: dez mil arménios foram deportados ou executados. Os receios diminuiriam quando Stalin morreu em 1953 e Nikita Khrushchev emergiu como o novo líder soviético.

O período de Gorbachev na década de 1980 foi marcado pela tensão desenvolvida entre a Arménia e o Azerbaijão sobre o território de Nagorno-Karabakh.

Na sequência do golpe de agosto de 1991 na URSS, realizou-se um referendo sobre a questão da secessão. Após uma votação esmagadora a favor, a plena independência foi proclamada em 21 de setembro de 1991. No entanto, o seu reconhecimento internacional, não ocorreu até o procedimento formal da dissolução da União Soviética em 25 de dezembro de 1991.

A Arménia continua envolvida num longo conflito com o Azerbaijão a propósito de Nagorno-Karabakh, um enclave povoado por arménios que foi incluído por Estaline no Azerbaijão soviético. A Arménia e o Azerbaijão começaram a lutar pelo enclave em 1998 e a guerra escalou depois de os dois países terem obtido a independência da União Soviética em 1991. Em Maio de 1994, quando um cessar-fogo foi implementado, as forças arménias controlavam não só o Nagorno-Karabakh mas também uma porção do próprio Azerbaijão. As economias de ambos os lados foram afectadas pela sua incapacidade em fazer um qualquer tipo de prograsso substancial no sentido da resolução pacífica do conflito, e por bloqueios económicos mútuos.

Ao entrar no século XXI a Arménia enfrenta grandes dificuldades. Mesmo assim, apesar dos altos índices de desemprego, conseguiu fazer algumas melhorias econômicas, entre as quais, uma plena mudança para uma economia de mercado e desde 2007, permanece a 32ª nação mais economicamente livre no mundo. Suas relações com a Europa, o Oriente Médio e a Comunidade dos Estados Independentes têm permitido o aumento do comércio da Arménia. Gás, óleo e outros suprimentos chegam por meio de duas rotas vitais: o Irão e a Geórgia, com os quais a Arménia mantém relações cordiais.



Por volta de 400 a.C., os celtas chegaram às regiões central e oriental da Áustria. Por volta de 15 a.C., os romanos dominaram a parte ao sul do Danúbio e tornaram esse território parte de seu Império. No final do século II d.C., tribos do norte começaram a invadir a Áustria romana. Em 476 d.C., o Império Romano ruiu. Durante o período de declínio, grupos asiáticos, germânicos e eslavos se estabeleceram na Áustria.

Do final do século VIII a 814, a região foi dominada por Carlos Magno. O rei da Germânia, Oto I, passou a reinar sobre a Áustria em 955, sendo coroado imperador em 962. Até 1806, o território governado por reis germânicos constituiu o Sacro Império Romano-Germânico, tendo a Áustria se tornado o Estado mais importante. Em 976, o imperador Oto II passou o controle do nordeste da Áustria a Leopoldo I, da família Babenberg. Em 1156, Frederico I declarou a região um ducado.

Em 1246, o rei Ottokar da Boêmia assumiu o controle dos ducados dos Babenberg. Os príncipes da Germânia elegeram, em 1273, Rodolfo I, da família Habsburgo, imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Rodolfo derrotou Ottokar.

No século XIV, os Habsburgo perderam a coroa do Sacro Império. Um dos maiores Habsburgo foi Maximiliano I. Em 1496, ele casou seu filho Filipe com a filha do rei da Espanha. Filipe foi pai do rei Carlos I da Espanha, em 1516, e imperador Carlos V do Sacro Império, em 1519. Em 1556, Carlos renunciou a seus tronos, e Fernando I, seu irmão, tornou-se imperador do Sacro Império.

A Áustria perdeu muitos territórios nas Guerras Napoleônicas do final do século XVIII e início do XIX. Napoleão conquistou grande parte do Sacro Império Romano-Germânico e, em 1806, aboliu o Império. O imperador Francisco II da Germânia mudou seu título de arquiduque para imperador da Áustria e governou como Francisco I. Napoleão foi finalmente derrotado em 1815.

O Congresso de Viena, que produziu o tratado de paz que se seguiu às Guerras Napoleônicas, restituiu à Áustria seus territórios, com exceção da Bélgica. Organizou a Confederação Germânica, uma união de Estados independentes. A Áustria e a Prússia iniciaram uma luta pela liderança da confederação. Em 1866, ocorreu a Guerra Austro-Prussiana, na qual a Itália e a Prússia em pouco tempo derrotaram a Áustria. A Confederação Germânica foi dissolvida. A Prússia formou uma nova confederação sem a Áustria.

Em 1867, os húngaros forçaram o imperador Francisco José I a dar à Hungria o mesmo status que a Áustria detinha no Império Austríaco, criando a dupla monarquia da Áustria-Hungria. Logo, os eslavos e outros grupos minoritários da Áustria-Hungria passaram a exigir o direito de se auto-governar. A Sérvia liderou o movimento nacionalista eslavo. Em 1914, os nacionalistas sérvios assassinaram, em Sarajevo, na então província da Bósnia e Herzegovina, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro. A Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia, dando início à Primeira Guerra Mundial. A Alemanha e outros países se uniram à Áustria-Hungria contra a Tríplice Entente, que compreendia a Grã-Bretanha, a França e a Rússia.

A Áustria-Hungria derrotada assinou o armistício em novembro de 1918, que entre outras coisas exigia sua dissolução. O Imperador Carlos I renunciou ao governo e partiu para o exílio e a Áustria tornou-se uma República, terminando assim o multissecular domínio dos Habsburgo. Este novo país teve o nome de Áustria Alemã (1918-1919) e só depois Áustria (1919-1938), período que corresponde à Primeira República Austríaca.

Em 1920, o país adotou uma Constituição democrática. Em 1938, as tropas alemãs se apoderaram do país. Adolf Hitler anunciou, então, a união da Áustria e da Alemanha Nazi, o chamado Anschluss.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Áustria foi dividida em zonas de ocupação americana, britânica, francesa e russa, que, no entanto, lhe permitiriam estabelecer um único governo provisório. Após as eleições de novembro de 1945, formou-se um governo nacional. Em 1955, os Aliados suspenderam sua ocupação do país. Na Conferência de Potsdam foi estabelecido que a a Áustria seria separada da Alemanha e não poderia aderir a tratados militares, o que implicou sua neutralidade na Guerra Fria.

Por ser capital de uma nação neutra e ocupar uma posição estratégica, Viena tornou-se a sede de algumas conferências sobre a Limitação de Armas Estratégicas (SALT), iniciadas em 1969 entre a União Soviética e os Estados Unidos. No princípio da década de 1970, foi iniciada a construção de uma sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Viena.

O país foi incorporado à União Européia (UE) em 1995. Em 1997, Franz Vranitzky renunciou ao cargo de chanceler, após 11 anos de mandato. Viktor Klima assumiu o cargo e governou até 1999.

Em 2000, o presidente Klestil autorizou a coalizão entre o Partido Liberal Austríaco (FPÖ), do líder de extrema-direita Jörg Haider, e o Partido Popular Austríaco (ÖVP), do chanceler Wolfgang Schüssel. Essa autorização foi decidida sob muitos protestos dos países da UE, que temiam uma ascensão nazista ao poder. Em 1999, o país aceitou adotar a moeda única européia, o euro, que entrou em circulação em 2002.

A coligação FPÖ-ÖVP foi desfeita em setembro de 2002, devido a divergências internas, que culminaram na dissolução do parlamento e na antecipação das eleições para novembro desse ano. O partido do primeiro-ministro saiu vencedor, seguido pelos social-democratas. A extrema-direita de Jörg Haider foi a grande derrotada, recebendo pouco mais de um terço dos votos obtidos na eleição anterior, em 1999. Sem maioria no parlamento, o ÖVP refez a coligação com o FPÖ em fevereiro de 2003, para compor o gabinete do chanceler Schuessel. Em meados de 2003, uma proposta de reforma da previdência, dificultando o acesso a aposentadoria, resultou nos maiores protestos dos últimos 50 anos no país.



Podemos considerar que o primeiro gérmen nacionalista afegão nasceu durante este período, com a reforma religiosa de Zoroastro (século IV a.C.), que originou um reino monárquico organizado de tribos arianas. Em 329 a.C., a região é conquistada por Alexandre da Macedónia que aí estabeleceu várias cidades designadas por Alexandria. Essas cidades terão dado origem, provavelmente, a Kandahar e a Cabul. A primeira Alexandria aí fundada, a “Alexandria dos Arianos” terá dado origem à actual Herat. Depois da morte de Alexandre, a Bactriana foi governada pelos Selêucidas até 250 a.C., ainda que as satrapias de Kandahar, Cabul, Herat e Balochistão tenham sido cedidas por Seleucas Nicator, em cerca de 305 a.C., a Chandragupta, fundador do império Maurya (Mauria) e avô de Açoka (Asoca). Este último, que adoptou o budismo como religião, é o autor do mais antigo documento escrito da história do Afeganistão, em grego e aramaico. Em 250 a.C. forma-se, durante o seu reinado, o reino independente de Bactriana que se estenderá até cerca de 125 a.C.. Este será um período particularmente florescente em termos culturais, com a afirmação de uma civilização greco-búdica nascida da troca de influências helénicas e indianas. A região terá tido, durante esta época, uma escrita própria. A partir do final do século II a.C. ou início do século I a.C. que invasões de tribos nómadas indo-europeias vindas da Alta Ásia (primeiro, os Citas, depois, os Partos) darão fim a esta civilização. Nos dois primeiros séculos da era Cristã, a região foi integrada no império dos Kushana, nómadas tornados sedentários vindos da China, que se estabeleceram a sul do Amu Dária. Os Kushana alargaram o seu domínio ao Noroeste da Índia, difundindo o budismo como religião de estado, e mantiveram-se na região até ao século VI. O império, que teve o seu auge no reinado de Kanishka, tornou-se num local de passagem de grande importância no intercâmbio entre o império Romano, a Índia e a China. As rotas das caravanas da Ásia Central, como a “Rota da seda”, ajudaram, por seu lado, à difusão do budismo na China.

A zona ocidental da região foi, desde o século III, acometida pelos Sassânidas, havendo a realçar a invasão de Shapur I ao império dos Kushana. No final do século IV, início do século V, a Báctria é assolada por uma horda de Hunos brancos que segue em direcção à Índia, onde os Sassânidas, aliados aos turcos, os derrotam em 568. A região é então partilhada por várias potências, de forma algo complexa. O bramanismo hindu terá nessa altura uma importância decisiva, sendo reafirmada com a dinastia dos Kabul Xá, substituindo o budismo. Quando os árabes conquistam a região, no século VII (a conquista de Herat dá-se a 651), encontrarão, assim, alguma resistência à implantação do islamismo que, contudo, impor-se-á definitivamente na primeira metade do século VIII. A região passará a ser designada pelos árabes como Khorassan (País de Leste).

Formaram-se, então, duas dinastias autónomas: os Safáridas e os Samânidas. Os últimos termiram o seu poderio no século X, passando a região a ser controlada por diversas dinastias turcas. No século XIII, os Mongóis invadem o território, liderados por Gengis Khan, causando uma devastação que será depois continuada por Tamerlão, à frente dos turco-mongóis. Estes últimos, contudo, serão absorvidos pela cultura islâmica, promovendo mais tarde um certo renascer civilizacional.

Com a descoberta do caminho marítimo para a Índia, a rota da seda deixa de ter a importância que tinha e leva ao abandono do Khorassan. O grupo étnico dos Pachtu começa então a ganhar alguma importância em relação às outras etnias, principalmente depois de Mir Waïss e do seu filho, Mir Mahmud, que conquistou a capital do Irão, Isfahan. O seu sucessor será considerado um tirano, de modo que é deposto por Nadir Xá, que prosseguirá a política de conquistas (Kandahar e Cabul, em direcção a Deli, na Índia).

Os ingleses transformaram-se na potência principal no sub-continente indiano depois do tratado de Paris de 1763, mas a coleção de pequenos príncipes e de tribos guerreiras que compunham o Afeganistão não lhes interessou até ao século XIX. Em 1809, sem saber em que direcção iam as ambições de Napoleão, ainda fizeram um pacto com o líder de uma das facções em que se tinha estilhaçado a dinastia Durani, na região. Foi então que o Império Russo começou a ganhar vantagem na região afegã para pressionar a Índia britânica.

A potência principal no Afeganistão era Dost Mohammed Khan. Entre 1818 e 1835 tinha unido a maioria dos povos afegãos sob o seu domínio. Em 1837, os Ingleses tinham-lhe proposto uma aliança por temerem uma invasão Russo-Persa do Afeganistão. Entretanto os Ingleses e Dost Mohammed desentenderam-se e os Ingleses decidiram invadir o país.

Em 1839, entre abril e agosto, os Ingleses conquistaram as planícies e as cidades de Kandahar no sul, Ghazni e Kabul, a capital. Dost Mohammed rendeu-se e foi exilado na Índia, e os britânicos colocaram Shah Shuja no poder. Mas grande parte do país continuava a opor-se ativamente aos Ingleses, sendo o filho de Dost Mohammed, Akbar Khan, o mais ativo.

Em novembro de 1841, um antigo oficial britânico, Sir Alexander 'Sekundar' Burnes, e os seus ajudantes foram mortos por uma multidão em Kabul. As forças britânicas acantonadas no exterior de Kabul não agiram de imediato. Nas semanas seguintes os generais britânicos Elphinstone e McNaghten tentaram negociar com o Akbar Khan, mas McNaghten foi morto numa das reuniões. Em janeiro de 1842, Elphinstone seguiu uma estratégia incomum: os Ingleses e os seus seguidores saíram de Cabul e tentaram voltar a Peshwar. A caravana era composta por 15 a 30.000 pessoas. Apesar de Akbar Khan ter dado garantias de segurança, os ingleses foram atacados durante toda a viagem. Oito dias após ter deixado Kabul um sobrevivente conseguiu chegar a Jalalabad. Shah Sujah foi assassinado e Dost Mohammed reconquistou o trono, governando até 1863.

Dost Mohammed foi sucedido pelo filho Sher Ali (Akbar Khan morreu em 1845). Depois de uma algumas lutas internas em 1860, Sher Ali aproximou-se da Rússia czarista, que tinha estendido sua influência ao Turquemenistão. Em consequência desta amizade política, em novembro de 1878 os Ingleses invadiram outra vez o Afeganistão e voltaram a tomar Cabul. Sher Ali fugiu para o norte do Afeganistão mas morreu em Mazar-i-Shariff antes que pudesse organizar todas as forças. Os Ingleses apoiaram o filho de Shir Ali, Yaqub Khan, como o sucessor e o forçaram a assinar o Tratado de Gandumak. Era um tratado extremamente desfavorável e colocou os povos afegãos contra aos ingleses.

Por volta de 1881 os ingleses tinham bastado a si mesmos e a despeito da vitoriosa carnificina na batalha de Maiwand, em julho de 1880, saíram. Os Ingleses dominaram algum território e mantiveram sua influência, mas em um golpe a seu favor, colocaram Abdur Rahman no trono. Um homem leal aceitável para Ingleses, russos e para o povo afegão. Governou o Afeganistão de forma firme até 1901 e foi sucedido por seu filho Habibullah.

Na convenção de São Petersburgo em 1907 a Rússia concordou que o Afeganistão ficasse fora de sua esfera de influência. Habibullah, que conseguiu manter a neutralidade do Afeganistão durante a Primeira Guerra Mundial e assistiu ao primeiro movimento pela adopção de uma constituição no país, foi assassinado por nacionalistas em 1919 e substituído por seu filho Amanullah Khan. Amanullah declarou a independência total e provocou a terceira guerra Anglo-Afegã. Após muita discordância, os ingleses concordaram com autonomia plena. Em agosto de 1919, o tratado foi assinado. Amanullah fez também reformas profundas na política interna do país, ao abolir a servidão. Chegou, inclusive, a tocar no estatuto da mulher, o que provocou descontentamentos e o obrigou a exilar-se.

Seguiu-se o reinado ditatorial de Nadir Xá, assassinado em 1933. O seu filho, Mohammad Zahir Xá, tentou seguir uma política mais aberta, tomando uma posição relativamente neutral, no âmbito da Guerra Fria, em relação aos EUA e à União Soviética. Com a saída dos britânicos do subcontinente indiano, o primo do rei, Daud Khan, aproxima-se da União Soviética, depois de resolvidas algumas questões em relação à fronteira com o recém formado Paquistão.

A formação de dirigentes e o fornecimento de armas passa a ser da competência dos soviéticos. Em 1964, o Afeganistão adopta a sua constituição, da competência do governo de Mohammad Yussuf, que estabelece um regime parlamentar (monarquia constitucional). As primeiras eleições, de sufrágio secreto, seguem-se a esta medida. É ainda de referir o trabalho do primeiro-ministro Hashim Maiwandwal, a nível da economia e da manutenção da política de neutralidade.

Em 1973, na sequência de uma crise económica provocada por anos seguidos de seca, o general Daud Kahn, organiza um golpe de Estado e proclama a República. As modificações manifestadas na sociedade afegã também ajudaram ao golpe de Estado: a família real tinha, insolitamente, estabelecido relações de colaboração com a esquerda contrária à monarquia tradicional, apoiada nos chefes das tribos mais influentes (principalmente, os Pashtuns). Daud prosseguirá uma política de aproximação aos países muçulmanos, principalmente com a Arábia Saudita, o que não será visto com agrado pela União Soviética e levará ao fim do seu governo, a 27 de Abril de 1978, com a ascensão ao poder do Partido Democrático e Popular, comunista - no que ficaria conhecido como a "Revolução do Saur" (período que vai de 22 de Abril a 22 de Maio).

O Afeganistão foi invadido e ocupado pela União Soviética em 27 de dezembro de 1979, em que Hafizullah Amin é morto num ataque soviético ao pálacio do governo e é substituído por Brabak Karmal pró-russo. Nos anos seguintes as forças governamentais e os 118 000 soldados soviéticos tomam o controle das principais cidades e vias de comunicação, mas todas as operações militares realizadas revelam-se insuficientes para derrotar os rebeldes mujahidin nas montanhas.

Apesar da destruição maciça provocada na região, os sovieticos foram forçados a retirar-se dez anos mais tarde (a 15 de fevereiro de 1989) devido a um exército desmoralizado e falta de sustentação logística. As forças anticomunistas dos mujahidin foram supridas e treinadas pelos Estados Unidos, Arábia Saudita, Paquistão, China e outros países da região. Lutas subseqüentes entre as várias facções do mujahadin, permitiram que os fundamentalistas dos Taliban pudessem se apropriar da maioria do país. Além da rivalidade civil continuada, o país sofre de enorme pobreza, de uma infraestrutura devastada, e da exaustão de recursos naturais.

Nos últimos dois anos o país sofre com a seca. Estas circunstâncias conduziram três a quatro milhões de afegãos a sofrerem de inanição.

Fracassam, em meados de 1999, as negociações de paz - patrocinadas pela Arábia Saudita - entre o governo fundamentalista islâmico do Taliban e a Frente Islâmica Unida de Salvação do Afeganistão (Fiusa), agrupamento de facções étnicas e tribais de oposição sob a liderança do ex-ministro da Defesa Ahmed Shah Massud.

A fase mais recente da guerra civil afegane - que já dura duas décadas - tem início em 1992, quando uma aliança de movimentos guerrilheiros derruba o regime pró-comunista de Mohammad Najibullah. As negociações para a formação de um governo de coalizão degeneram em confrontos, e, em 1996, o Taliban (milícia sunita de etnia patane, a mais numerosa do país) assume o poder e implanta um regime fundamentalista islâmico. Cerca de 1 milhão de pessoas morrem na guerra. Outros 2,5 milhões estão refugiados em países vizinhos.

Sob o governo do Taliban, o país corre o risco de transformar-se no epicentro de conflitos regionais. O Irã ameaçou deslocar tropas em defesa da minoria xiita afegane. O governo indiano acusa o Taliban de apoiar os separatistas muçulmanos na Caxemira. E a Federação Russa denuncia o envolvimento do Afeganistão com os separatistas muçulmanos da Chechênia e do Daguestão. Os EUA, que armaram os guerrilheiros islâmicos durante a invasão soviética do Afeganistão (1979-1989), agora pressionam o Taliban para que extradite o milionário saudita Osama Bin Laden, responsabilizado por ataques terroristas a suas embaixadas na África.

O colapso de um acordo de paz de 1999, que deveria levar a uma coalizão entre o Taliban e a Fiusa, reforça o isolamento do Afeganistão - cujo governo é apoiado apenas por Arábia Saudita, EAU e Paquistão, seu principal aliado. A ONU impõe sanções econômicas ao país em novembro de 1999 até que Bin Laden seja entregue a um tribunal internacional.

A 16 de abril de 2001, Mohamed Rabani, 2º da hieraquia Taliban, morre de câncer no fígado. A 10 de setembro, a oposição armada Frente Unida anuncia que o líder Ahmed Shah Massud sofreu o atentado no dia anterior por 2 falsos jornalistas árabes da Argélia; suspeita-se que o atentado foi ordenado pelo Bin Laden.

O atentado às Torres Gêmeas, cometido em Nova Iorque quando eram 17 h e 15m no Afeganistão, não é noticiado nesse país,tornando-se o único a não falar do assunto. Na madrugada do dia 12 de setembro, um bombardeio atribuído por forças da Frente Unida às 1 h e 45m, ataca o Aeroporto de Cabul, sendo transmitido pela CNN. Ele chegou ser atribuído por EUA, que negaram o ataque.

Os atentados de 11 de setembro são atribuídos a Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, protegido pelo Taliban. Os Estados Unidos pedem ao Taliban sua extradição, que é recusada. Assim, os Estados Unidos, forças aliadas e o grupo resistente afegão da Aliança do Norte lançaram uma campanha militar a 7 de outubro de 2001, às 20 h e 57m do Afeganistão. Os EUA começaram a bombardear posições militares, caçando e prendendo terroristas no Afeganistão e enviando-os para a base militar na Baía de Guantánamo em Cuba. O governo Bush afirmou que se tratava de combatentes ilegais, e que portanto eles não teriam direito ao tratamento de prisioneiros de guerra, que é regido pelas Convenções de Genebra e reconhece certos direitos básicos, que estariam sendo negados aos presos. Como Guantánamo, apesar de ser uma base norte-americana instalada em território de Cuba contra a vontade desse país, tecnicamente não é território dos Estados Unidos, arrasta-se na Corte Suprema dos Estados Unidos a discussão se os presos têm direito a advogado, a ver familiares e a serem submetidos a um julgamento justo, ou se podem ser sentenciados à morte por uma corte militar sem que a evidência utilizada seja submetida a um debate contraditório.

A operação norte-americana no Afeganistão teve mais sucesso que no Iraque, desmantelando boa parte do grupo terrorista Al Qaeda que estava sediado no país. Contudo, não devolveu a paz que a nação perdeu desde a invasão soviética. As províncias continuam dominadas pelos senhores da guerra, o Taliban reagrupa-se nas escolas islâmicas do outro lado da fronteira com o Paquistão e a administração local está longe de ser eficiente e honesta.



O nome Albânia deriva de uma tribo, os Albanoi, antepassados dos Albaneses atuais. Shqiperia é o nome do país em albanês.

A Albânia tem origem no antigo Reino da Ilíria. Conquistada pelos romanos em 168 a.C., é incorporada ao Império Bizantino em 395. No século XV cai em poder dos turcos otomanos, que convertem a população ao islamismo e adotam uma política despótica, despertando o nacionalismo albanês, duramente reprimido.

Antes do Século XX, a Albânia foi sempre dominada por estrangeiros, excepto entre 1443 e 1478, durante a revolta contra o Império Otomano. A Albânia declarou sua independência durante a primeira guerra dos balcãs, em 1912 e permaneceu independente após a Primeira Grande Guerra em grande parte devido à intervenção do Presidente Americano Woodrow Wilson na Conferência de Paz de Paris (1919).

Em 1939, a Itália, sob comando de Benito Mussolini, anexa a Albânia. Com o render das tropas italianas em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, tropas germânicas ocuparam o país. Guerrilheiros, incluindo os da comunista Frente Libertação Nacional (FLN), ganharam o controlo em 1944, após a retirada dos alemães. Desde a intervenção dos comunistas da Jugoslávia na criação do Partido Comunista Albanês do Operariado em Novembro de 1941, o regime da FLN, liderado por Enver Hoxha, tornou-se num satélite virtual juguslavo até ao rompimento entre Tito e Stalin em 1948. Consequentimente, o comunismo linha-dura começou a ter dificuldades crescentes com a União Soviética sob o comando de Nikita Khrushchov, tendo seu ápice em 1961 quando os líderes soviéticos abertamente denunciaram a Albânia em um congresso de partido. Os dois estados quebraram relações diplomáticas naquele ano; entretanto, a Albânia continuou membro nominal do Pacto de Varsóvia até a invasão da Checoslováquia em 1968.

Em 1945, uma missão não oficial dos Estados Unidos da América foi enviada à Albânia para estudar a possibilidade de estabelecer relações com o regime. Entretanto, o regime negou-se a reconhecer a validade dos tratados pré-guerra, aumentando as hostilidades com a missão americana até a sua retirada em novembro de 1946. O governo dos EUA não manteve contato com o governo da Albânia entre 1946 e 1990.

Durante os anos 1960, a China emergiu como leal aliada da Albânia e fonte primária de assistência econômica e militar. Entretanto, esse relacionamento próximo caiu em 1970, quando a China decidiu introduzir algumas reformas de mercado e procurar uma reaproximação com os EUA. Depois de anos de relações sólidas, a ruptura aberta veio em 1978, quando o governo chinês terminou seu programa de ajuda e cortou todo o comércio. O embargo econômico de outros países resultou na ruína financeira para a Albânia.

Por volta de 1990, mudanças em todos os lugares do bloco comunista começaram a influênciar o pensamento na Albânia. O governo começou a procurar laços com o Ocidente para melhorar as condições econômicas no país. A Assembléia do Povo aprovou uma constituição interina em abril de 1991. Governos de curta duração.

Introduziram reformas democráticas iniciais no decorrer de 1991. Em 1992, o vitorioso Partido Democrata sob o governo do presidente Sali Berisha começou um programa mais deliberado de reformas econômicas e democráticas. O progresso parou em 1995, resultando em um declínio da confiança pública no governo e uma crise econômica encorajou a ploriferação e colapso de muitos esquemas financeiros. A crise de autoridade no começo de 1997 alarmou o mundo, trazendo intensa mediação e pressão internacionais. Eleições antecipadas realizadas em junho de 1997 trouxeram à vitória uma coalizão de partidos liderados por socialistas. Os observadores internacionais julgaram as eleições legislativas em 2001 aceitáveis e um passo em direção ao desenvolvimento democrático, mas identificaram sérias deficiências que devem ser sanadas com reformas no código eleitoral albanês.



O principado de Andorra foi durante séculos um território essencialmente agrícola e de pastorícia, onde a prática da caça era frequente. Segundo algumas lendas, Carlos Magno foi o fundador de Andorra. O primeiro soberano conhecido de Andorra foi um nobre espanhol, o Conde de Urgel. O conde de Urgel dominou a região no século IX, passando-a então para diocese de Urgel. No século XI, o bispo de Urgel, na impossibilidade de governar Andorra sozinho, pediu então a um nobre espanhol, o senhor de Caboet, que defendesse a região. Um nobre francês, o conde de Foix, herdou através de casamantos os encargos do espanhol. O conde francês e o bispo, lutaram por Andorra, até que finalmente em 1278 encerraram suas disputas através de um tratado que os tornava governantes conjuntos.

Andorra permaneceu sob controle do bispo de Urgel, exceto durante a Revolução Francesa, quando revolucionários declararam a independência do país. Em 1806, os habitantes locais pediram a Napoleão Bonaparte que devolvesse ao território o estatuto de principado. Durante 700 anos, o principado prestou vassalagem ao bispo de Urgel e ao monarca francês (depois, com o regime de república em França, ao presidente).

Até 1970, o direito de voto era exclusivo dos homens de Andorra, a partir da terceira geração. Atualmente, o voto é extensivo a todos os andorranos de primeira geração, com idade igual ou superior a 28 anos, cujos pais sejam estrangeiros. O número de eleitores é diminuto, em relação ao total da população, cerca de 70% da qual é composta por residentes estrangeiros que têm vindo a reivindicar os seus direitos políticos e de cidadania. A imigração, controlada através de um sistema de quotas, é essencialmente proveniente, e por esta ordem, de Espanha, de Portugal e da França. Antes de 1993, o país não possuía qualquer constituição formal, tendo, à época, todas as moções e propostas submetidas a delegados permanentes (representantes dos dois chefes de estado) para aprovação.

Em 1976 foi criada uma organização política, tecnicamente ilegal, o Partido Democrático de Andorra, que forneceu as bases de um futuro sistema democrático. Oscar Riba Reig tornou-se no primeiro primeiro-ministro do país em 1981, e em 1982 foi nomeado um Conselho Executivo chefiado pelo Primeiro-Ministro. Tal provocou a separação entre os poderes legislativo e executivo. Em Julho de 1991 foram estabelecidos laços formais com a Comunidade Europeia.

Em Maio de 1993 foi adoptada uma nova Constituição, concedendo a independência ao país em todos os aspectos menos o da segurança externa, que continuou sob a responsabilidade da França e da Espanha. As primeiras eleições directas tiveram lugar em Dezembro de 1993, tendo sido formado um Governo de coligação liderado pelo Primeiro-Ministro, Oscar Riba Reig. Em 1994, Andorra tornou-se um membro de pleno direito das Nações Unidas e do Conselho da Europa. A coligação de Reig, o Grupo Nacional Democrático, perdeu o apoio dos independentes em Dezembro de 1994 e Marc Forné Molné, da União Liberal, substituiu-o no cargo.



Os Siboney foram os primeiros a habitar as ilhas de Antígua e Barbuda em 2400 aC, mas eram tribos de ameríndios arawaks e caribes que povoavam as ilhas quando Cristóvão Colombo lá desembarcou na sua segunda viagem em 1493. Aos primeiros povoamentos por espanhóis e franceses sucederam-se os ingleses que formaram uma colónia em 1667. A escravatura, estabelecida para dar uma força de trabalho para as plantações de cana-de-açúcar em Antígua, foi abolida em 1834. O Pais integrou a Federação Leeward de 1871 a 1956. Foi colonia autônoma do reino Unido (1956-1958), ate fazer parte da Federação das Indias Ocidentais (1958-1962). Entre 1967 e 1981, foi um estado associado ao Reino Unido. As ilhas transformaram-se num estado independente dentro da Commonwealth em 1981.



Exceto por algumas cidades e oásis significativos, o clima árido tem sido um obstáculo histórico ao estabelecimento de comunidades na Península Árabe. Povos de várias culturas tem vivido na península ao longo de mais de 5000 anos. A cultura Dilmun, ao longo da costa do Golfo, era contemporânea dos sumérios e os antigos egípcios, e a maior parte dos impérios do mundo antigo estabeleceu trocas comerciais com os estados da península.

A fundação do Islã por Maomé na década de 620 da era atual e a subsequente importância religiosa das cidades árabes de Makkah (Meca) e Medina concederam aos governantes desse território considerável influência além da península.

O Estado Saudita surge na Arábia Central em 1744. Um chefe local, Muhammad bin Saud, uniu forças a um reformador do Islã, Muhammad Abd Al-Wahhab, para criar uma nova entidade política. Por quase 150 anos, as riquezas da família Saud cresceram ou se perderam diversas vezes enquanto os chefes Saudis lutavam com o Egito, com o Império Otomano, e outras famílias da Arábia pelo controle da península. O moderno Estado Saudita foi fundado pelo último Rei Abdul Aziz Al-Saud (conhecido internacionalmente como Abdul Aziz Ibn Saud).

Em 1902, Abdul Aziz Ibn Saud capturou Riyadh, a capital ancestral da dinastia de Al-Saud à família rival Rashid . Continuando estas conquistas, Abdul Aziz subjugou Al-Hasa, o resto do Nejd e do Hijaz entre 1913 e 1926. A 8 de Janeiro de 1926 Abdul Aziz Ibn Saud torna-se Rei do Hijaz. A 29 de Janeiro de 1927 ele tomou o título de Rei do Nejd (seu título Nejdi anterior era de Sultão). Pelo Tratado de Jedda, assinado a 20 de Maio de 1927, o Reino Unido reconheceu a independência do reino de Abdul Aziz (então conhecido como Reino de Hijaz e Nejd). Em 1932, estas regiões foram unificadas como o Reino da Arábia Saudita. A descoberta de petróleo em 3 de Março de 1938 transformou o país.

As fronteiras com a Jordânia, o Iraque, e o Kuwait foram estabelecidas por uma série de tratados negociados nos anos de 1920, que criaram duas "zonas neutras" -- uma com o Iraque e outra com o Kuwait. A zona neutra Saudita-Kuwaitiana foi administrada conjuntamente em 1971, com cada Estado partilhando igualitariamente os recursos petrolíferos da zona. Tentativas de acordo para o compartilhamento da zona neutra Saudita-Iraquiana chegaram a um termo em 1981, sendo finalizadas em 1983. A fronteira sul do país com o Yemen foi parcialmente definida em 1934 pelo Tratado de Taif, pondo fim a uma breve guerra fronteiriça entre os dois Estados. Um tratado adicional assinado em Junho de 2000 delineou porções da fronteira com o Yemen. A localização e status da fronteira da Arábia Saudita com os Emirados Árabes Unidos não está finalizada; a fronteira de facto reflete um acordo de 1974. A fronteira entra a Arábia Saudita e o Qatar foi definida em Março de 2001. A fronteira com Oman ainda não está demarcada.

O Rei Abdul Aziz morreu em 1953 e foi sucedido pelo seu filho mais velho, Saud, que reinou por 11 anos. Em 1964, Saud abdicou em favor de seu meio-irmão, Faisal, que havia servido como Ministro do Exterior. Em função de dificuldades fiscais, o Rei Saud foi convencido a delegar, em 1958, a condução direta dos assuntos do governo Saudita a Faisal como primeiro-ministro; Saud retomou brevemente o controle do governo entre 1960 e 1962. Em Outubro de 1962, Faisal lançou um vasto programa de reformas que enfatizava o desenvolvimento econômico. Proclamado Rei em 1964 por membros mais velhos da família real e por líderes religiosos, Faisal continuou servindo também como primeiro-ministro. Esta prática tem sido utilizada pelos reis subseqüentes.

A metade dos anos de 1960 trouxe pressões externas geradas por divergências entre a Arábia Saudita e o Egito com relação ao Yemen. Quando a guerra civil eclodiu em 1962 entre iemenitas realistas e republicanos, forças egípcias entraram no Yemen para apoiar o novo governo republicano, enquanto a Arábia Saudita auxiliava os realistas. As tensões diminuíram apenas após 1967, quando o Egito retirou suas tropas do Yemen.

Apesar das forças sauditas não terem participado da Guerra (Árabe-Israelense) dos Seis Dias em Junho de 1967, o governo saudita proveu posteriormente o Egito, a Jordânia e a Síria com subsídios anuais apoiando suas economias. Durante a guerra árabe-israelense de 1973, a Arábia Saudita participou do boicote do petróleo árabe aos Estados Unidos e aos Países Baixos. Como membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a Arábia Saudita juntou-se a outros países-membros elevando moderadamente o preço do petróleo em 1971. Após a guerra de 1973, o preço do petróleo subiu substancialmente, aumentando de forma dramática a riquesa e a influência política da Arábia Saudita.

Em 1975 o Rei Faisal foi assassinado por um sobrinho que veio a ser executado depois que uma extensa investigação concluiu que ele havia agido sozinho. Faisal foi então sucedido por seu meio-irmão Khalid tanto como príncipe quanto como primeiro-ministro; o outro meio-irmão de ambos, Príncipe Fahd foi nomeado Príncipe Herdeiro e Principal Primeiro Ministro. O Rei Khalid delegou ao Príncipe Herdeiro Fahd a responsabilidade de supervisionar vários aspectos dos assuntos internacionais e domésticos do governo. O desenvolvimento econômico continuou rapidamente durante o reinado do Rei Khalid e o reino assumiu um papel mais influente tanto na política regional como nas áreas de assuntos fincanceiros e da economia internacional.

Em Junho de 1982 o Rei Khalid faleceu e Fahd tornou-se rei e primeiro ministro numa suave transição. Um outro meio-irmão, Príncipe Abdullah, Comandante da Guarda Nacional Saudita, foi nomeado Príncipe Herdeiro e Principal Primeiro Ministro. O irmão do Rei Fahd, Príncipe Sultan, então Ministro da Defesa e da Aviação, tornou-se Vice-Primeiro Ministro. Sob o Rei Fahd, a economia saudita ajustou-se a divisas petroleiras muito mais baixas resultantes do declínio do preço global do petróleo. A Arábia Saudita apoiou a navegação neutra no Golfo durante períodos da guerra Irã-Iraque e ajudou a economia do Iraque exausto pela guerra. O Rei Fahd empenhou um papel importantíssimo na realização do cessar-fogo de Agosto de 1988 entre o Iraque e o Irã assim como na organização e no fortalecimento do Conselho de Cooperação do Golfo (abrev. em inglês GCC), um grupo de seis países árabes dedicados à implementação da cooperação econômica regional e do desenvolvimento pacífico.

Em 1990-91, o Rei Fahd desempenhou um papel-chave antes e durante a Guerra do Golfo: A Arábia Saudita acolheu a família real kuwaitiana além de 400,000 refugiados e ao mesmo tempo permitiu a colocação de tropas ocidentais e árabes em seu território para a liberação do Kuwait no ano seguinte. A ação do Rei Fahd também consolidou a coalizão das forças contra o Iraque ajudou a definir o tom da operação como um esforço multilateral para o restabelecimento da soberania e da integridade territorial do Kuwait. Agindo como um ponto de encontro e porta-voz pessoal da coalizão, o Rei Fahd ajudou a reunir os aliados de seu país no GCC, aliados ocidentais e árabes, assim como nações não-alinhadas da África e as democracias emergentes da Europa Oriental. Ele usou sua influência como Guardião das Duas Mesquitas Sagradas para persuadir outras nações Árabes e Islâmicas a juntarem-se à coalizão.

O Rei Fahd sofreu um infarte em Novembro de 1995. Desde 1997, o príncipe herdeiro Abdullah da Arábia Saudita assumiu muitas das responsabilidades rotineiras da condução do governo.

Uma população crescente, a exaustão dos recursos hídricos, e uma economia muito dependente da exportação e do preço do petróleo são as principais preocupações do governo.



A Argélia tem sido habitada pelos berberes desde pelo menos 10.000 a.C. A partir de 1.000 a.C. os cartagineses passaram a exercer influência sobre os berberes ao instalarem assentamentos ao longo da costa. Os primeiros reinos berberes começaram a surgir,destacando-se o reino da Numídia, e aproveitaram a oportunidade oferecida pelas guerras púnicas para se tornarem independentes de Cartago. Sua independência, no entanto, não durou muito já que em 200 a.C. eles foram anexados por Roma, então uma república. Com a queda do Império Romano do Ocidente os berberes tornaram-se independentes outra vez retomando o controle da maior parte do seu antigo território, com exceção de algumas zonas que foram ocupadas pelos Vândalos que por sua vez foram expulsos pelos bizantinos. Com sua vitória o Império Bizantino manteve, ainda que com dificuldades, o domínio sobre a parte leste do país até a chegada dos Árabes no século VIII.

Os berberes que resistiram aos árabes por algumas décadas sob o comando de líderes como Kusayla e Kahina acabaram adotando o islã. Apesar a adoção do islã o califado foi rapidamente expulso da Argélia, que virou um estado ibadi sob o governo dos Rustamids. Com a ajuda da tribo Kutama da região da Kabylie os Fatimids xiitas derrubaram os Rustamids e conquistaram o Egito. Eles deixaram a Argélia e a Tunísia sob o controle da tribo berbere Zirid. Os Zirids acabaram por se rebelar e adotaram o a seita sunita no lugar da xiita, em resposta os Fatimids enviaram uma populosa tribo árabe, os Banu Hilal, com o intento de enfraquecer os Zirids o que acabou por dar início ao processo de colonização árabe do interior do país. As dinastias berberes dos Almoravids e dos Almohads trouxeram um período relativo de paz e desenvolvimento. Com a queda dos Almohads, no entanto, a Argélia tornou-se um campo de batalha dos conflitos pelo poder entre os Zayyanids da própria Argélia, dos Hafsids da Tunísia e dos Merinids de Marrocos. Nos séculos XV e XVI a Espanha realizou vários ataques a cidades costeiras tomando, inclusive, o controle de algumas. Estas ações levaram algumas a pedir auxilio ao Império Otomano.

A Argélia foi anexada ao Império Otomano por Khair-ad-Don e seu irmão Aruj que estabeleceram as atuais fronteiras argelinas ao norte e fizeram da costa uma importante base de corsários. As atividades dos corsários atingiram seu pico por volta do século XVII. Ataques constantes a navios norte americanos no mediterrâneo resultaram na primeira e segunda guerra berbere. Sob o pretexto de falta de respeito para com seu cônsul a França invade a Argélia em 1830. A forte resistência de personalidades locais e da população dificultou a tarefa da França, que só no século XX obtém o completo controle do país.

Mesmo antes da obtenção efetiva desse controle, a França já havia tornado a Argélia parte integrante de seu território, uma situação que só acabaria com o colapso da Quarta República. Milhares de colonizadores da França, Itália, Espanha e Malta se mudaram para a Argélia para cultivar as planícies costeiras e morar nas melhores partes das cidades argelinas, beneficiando-se do confisco de terras populares realizado pelo governo francês. Pessoas de descendência européia (conhecidos como pieds-noirs), assim como judeus argelinos eram considerados cidadãos franceses, enquanto que a maioria da população muçulmana argelina não era coberta pelas leis francesas, não tinha cidadania francesa e não tinha direito a voto. A crise social chegou ao seu limite neste período, com índices de analfabetismo subindo cada vez mais enquanto que a tomada de terras desapropriou boa parte da população.

A Argélia é obrigada a enfrentar uma guerra prolongada de libertação em virtude da resistência dos colonos franceses (apelidados na metrópole de pieds noirs, ou pés pretos), que dominam as melhores terras. Em 1947, a França estende a cidadania francesa aos argelinos e permite o acesso dos muçulmanos aos postos governamentais, mas os franceses da Argélia resistem a qualquer concessão aos nativos. Nesse mesmo ano é fundada a Frente de Libertação Nacional (FLN), para organizar a luta pela independência. Uma campanha de atentados antiárabes (1950-1953) desencadeada por colonos direitistas, tem como reação da FLN uma onda de atentados nas cidades e guerra de guerrilha no campo. Em 1958, rebeldes exilados fundam no Cairo um governo provisório republicano. A intervenção de tropas de elite da metrópole (Legião Estrangeira e pára-quedistas) amplia a guerra. Ações terroristas, tortura e deportações caracterizam a ação militar da França. Os nacionalistas e oficiais ultradireitistas dão um golpe militar na Argélia em 1958. No ano seguinte o presidente francês, Charles de Gaulle, concede autodeterminação aos argelinos. Mas a guerra se intensifica em 1961, pela entrada em ação da organização terrorista de direita OAS (Organização do Exército Secreto), comandada pelo general Salan, um dos protagonistas do golpe de 1958. Ao terrorismo da OAS a FLN responde com mais terrorismo. Nesse mesmo ano fracassam as negociações franco-argelinas, por discordâncias em torno do aproveitamento do petróleo descoberto em 1945. Em 1962 é acertado o Armistício de Evian, com o reconhecimento da independência argelina pela França em troca de garantias aos franceses na Argélia. A República Popular Democrática da Argélia é proclamada após eleições em que a FLN apresenta-se como partido único. Ben Bella torna-se presidente.

O presidente Abdelaziz Bouteflika obtém uma grande vitória, em janeiro de 2000, com o anúncio do desmantelamento do Exército Islâmico de Salvação (EIS), braço armado da Frente Islâmica de Salvação (FIS). A guerrilha fundamentalista fica restrita ao Grupo Islâmico Armado (GIA) e à facção Da´wa wal Jihad, menores que o EIS.

País mais afetado pelo fundamentalismo islâmico no norte da África, a Argélia mergulha na guerra civil em 1992, quando o governo anula as eleições parlamentares vencidas pela FIS. Até 2000, mais de 80 mil pessoas são mortas em massacres e atentados promovidos pela FIS, pelo GIA e pelas forças de repressão do governo argelino.

O presidente Bouteflika consegue 98,63% de votos favoráveis em plebiscito sobre seu plano de paz, em setembro de 1999. Mais de 1,5 mil guerrilheiros do EIS aceitam a anistia oferecida pelo governo, e que dura até janeiro de 2000. Os grupos rebeldes remanescentes prosseguem, porém, a campanha terrorista e cerca de 200 pessoas são mortas durante o Ramadã, mês sagrado para os islâmicos, que termina em janeiro.



O cientista argentino Florentino Ameghino (1854-1911) elaborou uma teoria que afirmava serem os Pampas o local de origem do homem moderno (o Homo Pampeus). Esta ideia foi posteriormente refutada pela comunidade científica.

Os primeiros seres humanos a chegar no atual território argentino parecem ter vindo pelo extremo sul da Patagônia, provenientes do que hoje é o Chile. A presença humana mais antiga se encontra em Piedra Museo (Santa Cruz) e remonta a 11.000 anos a.C. Junto com os sítios arqueológicos de Monte Verde (Chile) e Pedra Furada (Brasil) constituem, até o momento, os locais de povoamento mais antigos da América do Sul e sustentam a teoria de povoamento recente da América.

Outro remoto assentamento foi localizado em Los Toldos, também na província de Santa Cruz, com restos que datam do Décimo milénio a.C.

Estes primeiros habitantes do território argentino caçavam milodontes (Milodon darwinii) – semelhantes a um grande urso com cabeça de camelo; já extinto – e hipidions (Hippidion principale) – cavalos sul-americanos que desapareceram há 10.000 anos – além de guanacos, lhamas e emas.

Próximo dali também é possível ver as pinturas de mãos e guanacos estampadas 7300 a.C. na Cova das Mãos (Rio Pinturas, Santa Cruz). Trata-se de uma das expressões artísticas mais antigas dos povos sul-americanos e foi declarada Património Mundial pela UNESCO.

Por volta de 9000 a.C. já havia se iniciado o povoamento dos pampas, ao passo que a zona noroeste do território argentino começou a ser habitada em 7000 a.C.

Os povos primitivos argentinos se dividiram em dois grandes grupos: os caçadores e coletores, que habitavam a Patagônia, o Pampa e o Chaco; e os agricultores, instalados a noroeste, regiões próximas à Cordilheira dos Andes, as serras de Córdoba e, mais tarde, a Mesopotâmia argentina.

Os primeiros europeus chegaram à região com a expedição de Américo Vespúcio, que contornou a entrada do Rio da Prata em 1502. Posteriormente, o navegador espanhol Juan Díaz de Solís, em busca de uma passagem para o Pacífico, descobriu o Rio da Prata em 1516, e ao desembarcar no atual território do Uruguai foi atacado e morto pelos charruas. Os sobreviventes embarcaram novamente até a Espanha, mas muitos destes naufragaram e se refugiaram na Ilha de Santa Catarina, atual Florianópolis.

Fernão de Magalhães percorreu a totalidade do litoral argentino, encontrando-se com os Tehuelches, aos que por sua altura foram denominados Patagões, em relação a um personagem fictício da época, além de descobrir o estreito que leva seu nome. Acredita-se que navios de sua expedição, desviados por um temporal, haveriam chegado às Ilhas Malvinas; em sua expedição viajou Antonio Pigafetta, autor das primeiras descrições geográficas destas terras. Em 1526 uma expedição com o objetivo de repetir a viagem de Magalhães e Elcano, capitaneada pelo italiano Sebastião Caboto, encontrou-se com os náufragos de Santa Catarina, os quais os contaram histórias ocorridas nos locais, segundo os quais, remontando o chamado "Mar de Solís", chegava-se a uma terra chamada "Serra de Prata". Tentados por possíveis riquezas, os expedicionários decidiram ir em sua busca. Assim, internaram-se no "Mar de Solís" (o Rio da Prata), ao que nomearam "Mar Doce". Na ribeira do rio Paraná fundaram o forte Sancti Spiritu, próximo à atual cidade de Coronda (Santa Fé). Percorreu o Paraná, chegando ao Paraguai. Sem sucesso, voltou à Espanha em 1530, onde se difundiram as lendas da Serra de Prata e "O Rei Branco".

Após a conquista do Peru, a Coroa entregou as terras da América do Sul em "Capitanias", concedidas aos patronos. Em 1534 a parte norte da atual Argentina foi entregue a Pedro de Mendoza; a região que vai do Estreito de Magalhães até o Pólo Sul passava a ser outorgada a Pedro Sarmiento de Gamboa. Mendoza chegou ao Rio da Prata em 1536 e fundou o Porto de Santa María del Buen Ayre, em honra à virgem de Bonaria, da cidade de Cagliari, patrona dos navegantes. Acredita-se que a cidade havia assentado o atual Parque Lezama de Buenos Aires.

A relação com os pampas e querandies que habitavam a área foi cordial no começo, com o abastecimento de mantimentos na expedição graças a eles; mas como esses povos eram nômades e levavam uma economia de subsistência, logo houve tensões devido às demandas espanholas para o que os "índios" não tinham para dar. Assim, enquanto os capitães da expedição percorriam a região em busca de ouro e prata, aqueles que ficaram na cidade guerreavam constantemente com os locais. Nesta situação, devido a uma cruel matança de nativos, estes cercam a cidade, levando seus ocupantes à fome e ao canibalismo.

Juan de Ayolas percorreu o Paraná, nas margens do qual fundou o forte Corpus Christi, próximo às ruínas do Sancti Spíritus. Ao norte do Paraguai, sobre o rio de mesmo nome, fundou Candelaria, de onde saiu em direção ao Alto Peru, já governador delegado, visto que Mendoza voltou à Espanha devido à sua saúde — morrendo em alto-mar. De Candelaria Domingos Martínez de Irala e Juan Salazar de Espinosa continuaram a exploração, cujos resultados foram a fundação de Assunção (1537) e o descobrimento da desejada "Serra da Prata", à época já ocupada por espanhóis: Potosí.

Em 1537, com a morte de Mendoza, a coroa ditou a Real Cédula de 12 de setembro de 1537, dizendo que no caso da morte de Ayolas, o cargo de governador ficaria à disposição dos votos dos habitantes. Com a morte deste, Irala foi eleito governador, ordenando o despovoamento de Buenos Aires, ocorrido em 1541.

No caso de outra capitulação que cobria o território argentino, a cargo de Simón de Alcazaba e um grupo denominado "os leões", teve destino trágico. No início de 1535 a expedição chegou ao Golfo de São Jorge, atual Chubut, onde fundou o forte denominado Nueva León, de onde se realizaram várias expedições. Porém, devido às inclemências do clima e do terreno, os poucos sobreviventes se amotinaram, mataram Alcazaba e se dedicaram à pirataria.

Sarmiento de Gamboa fundou Filipolis (Ou Real Felipe) e Nome de Jesus no Estreito de Magalhães (atualmente sob jurisdição chilena), tendo pouco sucesso devido ao clima e atividade de corsários ingleses (Sarmiento de Gamboa foi sequestrado por eles). Com tais fatos, pode-se dizer que o processo de Capitanias falho — exceto por parte dos sobreviventes de Santa Maria de Buenos Aires: este foi o núcleo europeu que fundou Assunção do Paraguai e, a partir de Assunção, se repovoaria "O Litoral" e Buenos Aires, assim como a fundação de Santa Cruz de la Sierra.

O interior argentino começou a ser explorado pouco depois da conquista do Peru. Em 1536 Diego de Almagro percorreu o norte em busca de uma passagem para o Chile. Foi Diego de Rojas o primeiro a realizar uma exploração com destino ao território conhecido hoje como Tucumán. Entrando pela Quebrada de Huamahuaca em 1543, Rojas foi morto em um conflito com os indígenas em Santiago del Estero. A expedição continuou a mando de Francisco de Mendoza, com que chegaram ao Rio Paraná. Mendoza foi morto por seus homens devido ao seu tratamento despótico e os sobreviventes retornaram ao Peru. O governo peruano encomendou uma terceira expedição, iniciando sua marcha em 1549 com o objetivo de colonizar o território. A "entrada" deste teve sucesso em 1550 com a fundação da cidade Do Barco aos pés da Serra do Aconquija (atual Tucumán).

Pouco tempo depois chegou ao lugar Francisco de Villagra, representante de Pedro de Valdivia, alegando que aquelas terras correspondiam à jurisdição da Capitania Geral do Chile. Núñez del Prado decidiu transladar a cidade mais ao norte, nos Vales Calchaquies, de difícil acesso e onde haviam se refugiado várias tribos nativas da perseguição espanhola. A hostilidade dos diaquitas determinou que a cidade Do Barco fosse mudada uma segunda vez, novamente ao sul, estabelecendo-se nas margens do Rio Doce (atual Santiago del Estero). Informado de tal fato, Valdivia enviou Francisco de Aguirre para substituir Núñez del Prado, a quem despachou apressado ao Peru. Com a posse da cidade resolveu fazer um 3º traslado, 2 Km ao sul, em um lugar mais elevado, renomeando-a Santiago del Estero (1553).

A província de Tucumán seguiu dependente do Chile por 10 anos. Nesse período, fundaram-se três cidades como defesa de Santiago del Estero: Cañete, Londres e Córdoba del Calchaqui, mas a hostilidade do governador Castañeda com os índios gerou uma rebelião destes sob a direção de Juan Calchaqui, cacique do Omaguacas, que destruíram as cidades estabelecidas como defesa. Em 1563, quando Felipe II decretou que Tucumán seria dependente da Audiência de Charcas, foi nomeado governador novamente Francisco de Aguirre. Este decidiu reconstruir as cidades que haviam sido destruídas e, em 1565, Diego de Villaroel fundou San Miguel de Tucumán, onde antes havia existido Cañete. O sucessor de Aguirre buscou se desprender da tutela de Charcas, orientando a colonização para o Atlântico para se relacionar diretamente com a Espanha. Assim, em 1573, fundou a cidade de Córdoba de Tucumán.

No Rio da Prata, a colonização concentrou-se no Paraguai, onde os guaranis eram numerosos e sedentários, passíveis de ser encomendados. Ao longo do governo de Irala, o governador Juan de Garay tinha a mesma idéia que Cabrera, de forma que em 1573 marchou para repovoar Buenos Aires. No caminho para a foz do Paraná encontrou-se com Cabrera, a quem reconheceu o direito sobre a área. Garay decidiu então fundar no lugar uma cidade intermediária: Santa Fe da Vera Cruz. A tarefa de Garay completou-se em 1580, quando fundou a cidade de Trinidad e Porto de Santa Maria del Buen Ayre, que com o tempo seria conhecida como Buenos Aires.

Na região do Cuyo, à época sob autoridade do Chile, o governo fundou em 1561 a cidade de Mendoza, por Pedro de Castillo. Anos mais tarde, em 1594, seria fundada San Luis de la Punta de los Venados, atribuída a Luis Jofré de Loaysa, completando a colonização do Cuyo, habitada por pacíficos huarpes — que sofreram duramente o julgo imposto pelos conquistadores (trabalho e morte nas minas do Chile), até que uma mestiçagem quase completa com os europeus trouxe a paz.

A colonização continuou de maneira paulatina, fundando-se cidades que séculos mais tarde dariam origem às províncias argentinas: Hermando de Lerma fundou em 1582 a cidade de San Felipe de Lerma no vale de Salta; em 1588 o processo se estende à província do Rio da Prata, com a fundação de San Juan de Vera de las Siete Corrientes; em 1591 Juan Ramirez de Velasco funda a cidade de Todos los Santos de la Nueva Rioja e, em 1592, é fundada San Salvador de Jujuy por Francisco de Argañaraz. A última das cidades argentinas é San Fernando del Valle de Catamarca, fundada em 1683 por Fernando Mate de Luna.

Durante todo o período da conquista não se conseguiu penetrar nos Vales Calchaquies, onde haviam se refugiado os povos originais da Argentina. A escassa população espanhola em Tucumán deixou a situação mais dificil. A primeira das revoltas calchaquies iniciou-se em 1630 com a ascensão do caquique Chalemin, e manteve-se até 1643, com intensas lutas, o incêndio de La Rioja e a segunda destruição de Londres. A segunda rebelião começou por conta de um aventureiro andaluz que negociou com o governador Alonso de Mercado y Villacorta a exploração dos vales calchaquies com o título de Inca para conseguir dominar os indígenas — acordo este desaprovado pelo Vice-rei do Peru. Após lutas cruéis, Mercado y Villacorta derrotou o andaluz e dizimou as tribos, sendo a última a dos quilmes, derrotados em 1665 e deportados a uma missão próxima a Buenos Aires, onde hoje está a cidade de Quilmes.

A repressão dos indígenas nos vales Calchaquies, a entrega em mita de muitos deles para trabalhar nas minas de Potosí, o processo de mestiçagem e a grande aculturação fizeram que as encomiendas dessem lugar a um campesinato relativamente livre. Na segunda metade do século XVI, tanto o Alto Peru e Tucumán como o Paraguai exigiam a criação de um porto no Atlântico Sul para poder estabelecer laços de comércio mais próximos com a Espanha e diminuir seu isolamento. É por estes motivos — e pela ameaça de incursões estrangeiras no Rio da Prata — que a Coroa Espanhola autoriza a segunda fundação de Buenos Aires. Desde então a cidade se converteu na saída natural dos produtos altoperuanos (entre eles a prata) e do Paraguai. Estabeleceu-se então, na década de 1580, um lucrativo comércio entre Tucumán e o Brasil através da cidade. Porém, devido à saída não autorizada de metais preciosos por esta via, em 1594 a coroa proíbe o comércio no porto de Buenos Aires, com algumas exceções para evitar o desabastecimento da população: a autorização de embarcar duas embarcações anuais com produtos da região (couro, principalmente) e uma certa tolerância com o contrabando.

É justamente este último (o contrabando) o que seria a principal atividade econômica de Buenos Aires colonial pré-vice-reinado, e um constante objeto de perseguição de algumas autoridades. Entre estas destacou-se Hernando Arias de Saavedra (Hernandarias), primeiro governador do Rio da Prata nascido na América. Sua constante luta contra os contrabandistas criollos e portugueses na região foi em vão. É por ele que em 1617 ocorre a cisão da província em duas: O Paraguai e o Rio da Prata (territórios das atuais cidades de Buenos Aires, Santa Fe e Corrientes).

O contrabando se realizava de forma bastante aberta: geralmente um barco português, holandês ou francês ancorava nas proximidades da cidade e solicitava as reparações necessárias, as quais pagava como parte a carga que levava. Muitos comerciantes fizeram grandes fortunas em Buenos Aires, devido à necessidade de bens materiais e insumos que eram necessários em Tucumán e no Alto Peru — era altamente oneroso o transporte dos insumos através das fragatas e galeões, que deveriam atravessar o istmo do Panamá, embarcados até Lima e ainda cruzar os Andes (e várias aduanas secas). Uma aduana seca estabelecida em Córdoba em 1622 foi a reação para deter a demanda por bens contrabandeados.

A fundação da cidade de Colônia do Sacramento pelos portugueses à frente de Buenos Aires em 1680, veio reafirmar o crescimento do contrabando. Tomada meses depois pelo governador do Rio da Prata com um contingente de índios de Misiones, foi restituída à coroa Portuguesa no ano seguinte, através de um tratado. A Colônia foi tomada novamente em 1705, diante do afluxo da Guerra da Sucessão Espanhola, para ser devolvida novamente em 1715, desta vez sob a influência da Tratado de Utrecht. A briga entre Espanha e Portugal pelo Rio da Prata continuou em 1724, quando o governador espanhol Bruno Mauricio de Zavala funda a cidade de Montevideo para evitar a tomada da baía por um contingente proveniente do Brasil. Em 1750, a Espanha, pelo Tratado de Permuta, troca a Colônia pelo Mato Grosso e parte das missões jesuítas, originando uma guerra entre Bandeirantes (história) e guaranis, sendo este tratado revogado em 1761; em 1762, por conta da Guerra dos Sete Anos, o governador Pedro de Cevallos toma pela terceira vez a Colônia, que é devolvida no ano seguinte à coroa Espanhola em troca de Havana e Manila, tomadas pelos ingleses.

Em 1776 a Espanha se dá conta da necessidade em expulsar os portugueses do Rio da Prata, quando decide pela criação do Vice-Reinado da Prata, tendo como capital a cidade de Buenos Aires. Dessa forma, Pedro de Cevallos é enviado na chefia de um importante exército, que foi aumentado com um contingente de guaranis, acostumados a lutar contra os portugueses. Cevallos toma Colônia e a destrói, jogando sal no local de forma simbólica (a exemplo de Cartago), já que brevemente a cidade seria repovoada por criollos. Enquanto preparava o ataque à província do Rio Grande do Sul, firma-se em 1777 o Tratado de Santo Ildefonso, que repete as cláusulas do Tratado de Permuta.

Em 1609 foi fundada a primeira das Missões jesuítas guaranis. As trinta missões chegaram a ser, no século XVIII, um verdadeiro empório comercial, um "estado dentro do Estado", como denominavam seus detratores, que se estabeleceu como um sistema de organização econômica e social distinto ao das colônias que as rodeavam. Visto o respeito com que os jesuítas tiveram pela organização social comunitária dos guaranis, conseguiu-se que as missões tivessem a base do seu crescimento. As missões eram povos indígenas, administrados pelos mesmos guaranis (sob o olhar paternalista dos missionários), onde a terra se dividia em duas: a tupá mbaé (propriedade de Deus), comunitária, e a avá mbaé (propriedade do homem), para a exploração familiar. O excedente era comercializado por todas as colônias do entorno (Plata, Tucumán, Brasil e até Alto Peru e Espanha) e proporcionava aos jesuítas capital para a expansão das missões e a manutenção de seus colégios e universidades (como tinham em Córdoba, centro regional da Companhia de Jesus).

Os principais produtos comercializados pelas missões eram a erva-mate, o tabaco, o couro e as fibras têxteis. Houve um grande assédio às missões por parte dos bandeirantes — caçadores de índios e riquezas provenientes do Brasil — que pretendiam vendê-los em São Paulo, cidade que, ironicamente, era uma missão jesuíta em sua fundação. As missões tiveram um papel chave na defesa do Paraguai e do Rio da Prata da expansão portuguesa. Justamente, depois da batalha de Mbororé, em 1644 (que durou 10 dias), na qual um exército guarani derrotou uma bandeira, foi permitido aos indígenas o uso de armas de fogo (porém apenas as de menor calibre). Tais exércitos das Missões foram de grande utilidade durante os combates entre Espanha e Portugal no Rio da Prata.

Além do trabalho, reza e culpa, os jesuítas também ensinaram aos guaranis música e arte. Assim, após a expulsão dos jesuítas do território, muitos guaranis mudaram-se para as cidades coloniais, como Corrientes, Assunção ou Buenos Aires, onde se destacaram como compositores e maestros de música, joalheiros e pintores. Em 1767 a Espanha expulsa a Companhia de Jesus de suas possessões, com o qual os povos índios passaram a depender dos governadores civis espanhóis, que os exploraram à revelia, até ao ponto em que no proncípio do século XIX quase todas as missões estavam despovoadas e em ruínas.

Durante a época colonial e até o regulamento de comércio livre de 1778, a economia de Tucumán e Cuyo estava dedicada a produção de insumos e bens de consumo para os mercados do Alto e Baixo Peru, Buenos Aires e Paraguai. Assim, vinhos e aguardente de Cuyo, mulas de Córdoba, tecidos de Salta e Tucumán, carretas de Córdoba e Tucumán, etc. eram produzidos sob o amparo do protecionismo espanhol. No século XVIII, sob os Bourbons, a atividade começou a variar, buscando proteger os interesses comerciais dos produtores peninsulares nos mercados cativos coloniais.

Em um primeiro momento, a atitude foi eliminar a concorrência: na localidade de Aimogasta conserva-se a "oliva histórica", segundo a tradição, o único sobrevivente da tala ordenada por Carlos III para eliminar a concorrência das azeitonas espanholas em La Plata (curiosamente, o espanhol Antonio de Alcedo, em sua obra Dicionário Geográfico-histórico das Índias Ocidentais ou América, de 1786-1789, menciona que La Rioja "teve durante um tempo algumas olivas, e vendo os vizinhos a grande utilidade que os produzia o azeite deram em economizá-lo de modo que nem para as lamparinas da Igreja queriam o dar, colocando sebo em seu lugar; desde então foi castigo do Céu ou causalidade apenas que haja hoje vestígio delas").

O comércio livre teve consequências desastrosas para a economia do interior da atual república Argentina, sendo que poucos setores, como o da aguardente, tecidos de lã e peças de montaria puderam sobreviver. Por outro lado, os comerciantes de Buenos Aires tiveram súbito aumento de sua atividade, o que trouxe um auge comercial, populacional e cultural à capital do novo Vice-Reino. A transferência da aduana seca de Córdoba para Jujuy em 1696 estabeleceu, para sempre, a área econômica sob domínio portenho e a fronteira norte da futura Argentina. Nos pampas, durante a colônia, a principal atividade econômica era a criação de gado. No princípio, devido a existência de milhares de cabeças de gado cimarrão, esta atividade se efetuava através das "vaquerías", viagens que penetravam nas planícies para capturar e abater o gado bovino, muitas vezes deixando para trás as carnes de menor valor econômico. Quando o número deste gado começou a se reduzir, apareceram as estâncias e o gado marcado, e de uma maior utilização do animal, com o surgimento das fábricas de sebo e charqueadas.

A sociedade colonial apresentou aspectos dissonantes de acordo com a região. No interior, determinou-se uma sociedade de castas fortemente diferenciadas: os fazendeiros brancos eram o topo social e centralizados do poder nas cidades; eram educados e refinados, enquanto os campesinos mestiços estavam em condições quase servis. A população negra era muito escassa, reduzida quase em sua totalidade ao serviço doméstico, salvo em cidades mais mercantis como Córdoba. No momento da independência, existiam algumas encomiendas no Noroeste Argentino. Em contraponto, no litoral, e especialmente em Buenos Aires, os estancieiros não representavam a nata da sociedade, visto que eram produtores medianos, de caráter rude devido à atividade junto ao gado e que residiam na maior parte do tempo nas campanhas. A elite portenha estava representada pelos comerciantes.

Com a instalação do vice-rei e o comércio livre, instalou-se uma burocracia a quem só tinha acesso nativos da Espanha, exceto em posições mais baixas onde se admitiam crioulos; e a multiplicação do comércio com a Espanha levou à instalação de várias casas comerciais espanholas na cidade, competindo diretamente com os comerciantes crioulos, de menores recursos. Começava assim a dicotomia entre os crioulos e os espanhóis. Nesta época, quase um terço da população era negra em Buenos Aires, e se alguns se dedicavam a tarefas domésticas e outros a tarefas agropecuárias, a grande parte era instruída em algum ofício (como sapateiro, por exemplo), ou se dedicavam ao comércio ambulante, trabalhando desta forma para beneficiar a seus amos.

O grupo humano que predominantemente definiu a colônia Argentina (ainda que não estivesse presente em todas as regiões) foi o gaúcho, No ambiente dos pampas, onde a mestiçagem foi minoritária, e onde o foco estava centrado hegemonicamente na cidade e não no campo, como foi o mundo pampeano prévio à aparição da estância como modo econômico produtivo paradigmático, aqueles que levavam a marca no sangue do indígena estavam destinados a serem excluídos das cidades. Nascidos dos encontros das vaquerias e das tolderias, seu mundo era o campo. O gaúcho é um ser semi-nômade, que em ocasiões mantêm uma família em um lugar fixo, mas que na maior parte do tempo perambula, trabalhando de tempos em tempos — mais após o fim das vaquejadas, para logo partir quando já não necessita mais do trabalho para sobreviver. Desde o século XVIII é visto pelas autoridades como parte dos "vagos e vagabundos", criminosos a quem se deve combater. Mas será mais adiante que se plantará o problema do gaúcho, pois no universo colonial não é um problema, visto que é parte do modo de vida tradicional pampeano.

A criação do vice-reinado do Rio da Prata trouxe um auge à cidade de Buenos Aires, onde, em poucos anos, instalaram-se a administração burocrática vice-reinal, a aduana (1778), o Consulado (1794), obra de iniciativa de Manuel Belgrano, a Audiência (Tribunal de Justiça) em 1785, a Academia de Náutica e a Escola de Desenho (1798). O primeiro jornal nasceu em 1801, o Telégrafo Mercantil, que duraria pouco devido à censura do Vice-rei. O segundo, o Semanario de Agricultura, Industria y Comércio teve a mesma sorte. A população da cidade cresce de 9.568 habitantes em 1744 para 32.069 em 1778; mais de 40.000 em 1797 e quase 100.000 em 1810.

As guerras napoleônicas também repercutiram na Argentina. Em 1797 o vice-rei Antonio Olaguer y Feliú autorizou o comércio com países neutros, devido às dificuldades no comércio com a Espanha por conta das hostilidades. Isto trouxe ao comércio navios estadunidenses, e o aumento da presença britânica no comércio portenho. Com a entrada aberta da Espanha na guerra ao lado da França, a Grã-Bretanha começou a fazer planos para obter mais influência nas colônias espanholas. Em 1806, após a tomada da colônia holandesa no Cabo da Boa Esperança, o comandante Home Pophan, junto ao general William Carr Beresford zarparam até o Rio da Prata, aparentemente por iniciativa própria. A frota toma primeiro Montevideo, para depois se dirigir a Buenos Aires.

O vice-rei Rafael de Sobremonte, ao saber da tomada de Montevideo, especulou que os ingleses não iriam se atrever a se lançarem sobre a capital do vice-reino, e decidiu destinar a maior parte das tropas de Buenos Aires a Montevideo, para retomar a futura capital uruguaia. Quando foi anunciado o desembarque das tropas inglesas na capital, o vice-rei a abandonou junto às rendas do vice-reino, prontas para serem enviadas à Espanha (as quais terminaram barradas nos caminhos próximos à cidade de Luján), com a intenção de organizar um exército e retomar Buenos Aires.

Em junho de 1806 os ingleses tomam Buenos Aires, e em um primeiro momento são recebidos com entusiasmo pelos partidários da independência. Ao se darem conta que os ingleses pretendiam transformar La Plata em uma colônia britânica, somaram-se a grupos que formavam uma iminente rebelião. Santiago de Liniers, que até então era comandante do porto de Enseada, cruzou a Banda Oriental onde se organizava um exército que partiu para Buenos Aires. No caminho, somaram-se milhares de homens entusiasmados, participantes da batalha campal que tomou conta de distintas ruas bonairenses, até encurralar os ingleses no Forte da Cidade e os obrigar à rendição. Retomada a cidade, a Corte (Audiência) decide assumir o governo civil e entregar a Capitania Geral a Liniers, o qual o vice-rei acata retirando-se por precaução a Montevideo.

Em 1807 chega ao Prata uma segunda expedição inglesa, esta oficial, formada por 11 mil soldados ao mando do general John Whitelocke, que originalmente tinha por destino a tomada do Chile e o reforço de Buenos Aires, mas ao tomar conhecimento da derrota de Popham e Beresford decide retomar a cidade. Esta segunda expedição toma novamente Montevideo e ao desembarcar em Buenos Aires e desfazer as forças muito menores que faziam a resistência, ingressam na cidade por diversas ruas, confiantes de sua supremacia. Todavia encontraram resistência nos habitantes da cidade, que jogaram água fervente nas cabeças dos invasores, evitando assim a tomada da cidade. Com a derrota dos invasores, um cabildo aberto destitui Sobremonte de seu cargo e o envia para a Espanha para ser julgado. Substituindo-no, tomou posse como vice-rei interino Liniers, logo ratificado pelo rei.

Considera-se que geralmente as invasões inglesas são o prelúdio da Independência argentina por vários fatores, entre os quais a capacidade de auto-defesa, a criação de milícias crioulas e a convicção de que os argentinos estavam em condição de determinar seu próprio destino.

As notícias da Independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa insertaram idéias liberais na América Latina. A Argentina começou seu processo de independência da Espanha em 25 de maio de 1810, em um episódio denominado Revolução de Maio, empenhando-se em guerras contra os espanhóis e seus partidários (realistas); a revolução não teve uma calorosa acolhida em todo o vice-reino: outras regiões do Rio da Prata estavam tão interessadas em se tornarem independente de Buenos Aires como da Espanha. Em 1811 o Paraguai produziu sua própria declaração de Independência.

Em 1812 as vitoriosas batalhas em que Manuel Belgrano libertou Tucumán e Salta asseguraram o êxito da independência e permitiram que José Gervasio Artigas reunisse o primeiro Congresso da Independência em Arroyo de la China, atual Concepción, Uruguai, em março e abril de 1815. As campanhas militares lideradas pelo general José de San Martín e Simón Bolívar entre 1814 e 1817 incrementaram as esperanças de independência da Espanha, que foi declarada finalmente em Tucumán em 9 de julho de 1816 Esta é a data oficial da independência da Argentina apesar das comemorações se darem em 25 de Maio fazendo referência ao início do processo de independência que começou em 1810.

Em 1820, José de San Martín preparava um exército destinado a libertar o Chile e o Peru declarando sua independência. Em 26 de junho de 1822 celebrou-se a histórica reunião com Simón Bolívar. Os ventos (e os líderes) da Independência da Argentina sopraram para as demais colônias espanholas na América do Sul.

Os argentinos consideram San Martín — que realizou a campanha de independência da Argentina, Chile e Peru — como herói de sua emancipação e "Pai da Pátria".

Após a derrota dos espanhóis, as disputas internas se deram entre os 'unitários' e os 'federais'. Iniciou-se um longo conflito para determinar o futuro da Nação. Em 1820, com a Batalha de Cepeda, iniciou-se um período de autonomias provinciais e guerras civis sendo que a união entre as províncias só se manteve graças aos chamados tratados interprovinciais. Na prática as províncias eram autônomas por cerca de 40 anos. Os caudilhos provinciais dominaram o mapa político e manejavam seus redutos com exércitos próprios.

Em 1826 o Congresso nomeou o primeiro presidente constitucional, Bernardino Rivadavia. Rivadavia era um Centralista que já mostrara anteriormente seu modo de governar quando exerceu o cargo de ministro de governo da província de Buenos Aires em 1821. Neste período o governo provincial focou, principalmente, nos melhoramentos da cidade de Buenos Aires, freqüentemente repartindo o seu custo com todo o país, para torná-la uma cidade com ares mais europeus. Rivadavia construiu largas avenidas, escolas, calçamento de ruas e iluminação pública e fundou a Universidade de Buenos Aires, assim como dos cursos de teatro, geologia e medicina.

Durante seu governo federal a partir de 1826, ele criou diversos museus e expandiu a biblioteca nacional e protagonizou escandalos de corrupção. Na economia e política o governo ia mal, a guerra que ocorrria com o Brasil referente à Província Cisplatina, atual Uruguai, esvaziava os caixas e, ao mesmo tempo, várias rebeleões provinciais foram deflagradas já que o governo unitário estava longe de se estabelecer.

Rivadavia renunciou ao governo em 1827 e se exilou na Europa. Foi sucedido por Vicente López y Planes.

Alejandro Vicente López y Planes (1785 - 1856) assumiu interinamente entre 7 de Julho a 18 de Agosto de 1827 até que a legislatura provincial (de base federalista) elegeu Manuel Dorrego como governador em 12 de agosto.

Lopez y Planes, além de político, foi escritor e advogado e autor da letra do hino nacional argentino, adotado em 11 de Maio de 1813.

Dorrego adotou uma postura favorável à autonomia provincial durante seu governo. Formou seu governo por estancieiros conservadores e reconheceu, como general da milícia do sul, Juan Manuel de Rosas (futuro ditador argentino). Empenhou-se na restauração das relações com os caudilhos do interior e na construção de uma base política popular na província de Buenos Aires, o que resultou em uma vitória expressiva nas eleições provinciais de maio de 1828.

Este fato alarmou os unitários portenhos, que acusaram Dorrego de participação fraudulenta no processo eleitoral e, mediante a possibilidade de não recuperarem o poder ao federalista popular, conspiraram um golpe de Estado contra um governo legalmente constituído.

O fato que gerou a oportunidade para os golpistas foi a celebração do acordo entre Brasil e Argentina que reconheceu a independência do Uruguai assinado em 5 de setembro de 1828.

Ainda que o novo acordo fosse melhor que este anterior (que cedeu a província cisplatina para o Brasil), os unitários se mostraram insatisfeitos. Dentre estes estava Juan Galo Lavalle, ex-soldado e herói da independência argentina e que, no momento do acordo, era o comandante das tropas portenhas no Uruguai. Ao tomar conhecimento da assinatura do tratado, Lavalle organizou suas tropas e marchou rumo à Buenos Aires.

Com a chegada de Lavalle e sua tropa à Buenos Aires ao final de novembro de 1828, os unitários ignoraram os princípios de defesa da democracia institucional que, até então, defendiam na retórica, e se uniram ao movimento militar de Lavalle e derrubaram o governo em 1 de dezembro de 1828.

Lavalle assume o governo e Dorrego foge, porém é logo capturado e executado sumariamente pelo governo golpista em 13 de dezembro do mesmo ano. fato que deu início a uma nova guerra civil entre unitários e federais.

Juan Manuel José Domingo Ortiz de Rozas y López de Osornio encabeçou um levante popular que triunfou em Buenos Aires e no resto do litoral, enquanto que as províncias do interior permaneciam no campo unitarista. Depois de ter capturado o general unitário Paz, o interior foi reconquistado e a Argentina voltou à unidade.

Governou Buenos Aires entre 1829-1832. Este era um período de autonomia das províncias, entretanto os governadores de Buenos Aires tiveram status de presidente, principalmente os que atuaram pela unidade nacional mesmo que seja através de pactos federativos (como defendiam os ditos 'federais').

Renunciou por não lhe serem concedidos poderes absolutos, deixando o posto com um homem de sua confiança, Balcarce, que logo o trariria. Mesmo assim, Rosas seguiu dominando a situação como comandante em chefe do exército.

Juan Ramón Balcarce governou Buenos Aires entre 1832 e 1835, parte sob as rédeas de Juan Manuel de Rosas, pois houve um rompimento e Rosas novamente assumiu o poder. Seu governo não teve grandes realizações e sua falta de liderança propiciou um afastamento político entre as províncias argentinas neste período.

Em seu segundo governo, Rosas tenta legitimar seu governo através de um plebiscito onde ele obtem uma vitória esmagadora. Seu governo foi longo e ditatorial, de 1835 até 1852 quando foi deposto por um novo levante militar.

Nesse período a Argentina enfrentou o bloqueio da armada francesa (1838) e o enfrentamento à Confederação Peruano-boliviana, tentativas de golpe de Lavalle e intervenção da esquadra Britânica. Em 1842, com apoio dos governadores do interior e após conseguir um tratado com a França, alcançou um poder absoluto sobre o território argentino.

Apoiou-se nas massas federais (camponeses, gaúchos, negros), organizou o Partido Restaurador Apostólico e manteve o país numa perene cruzada contra os unitaristas , exterminando seus inimigos. Seu governo ditatorial conseguiu a estabilidade política interna, manteve a integridade nacional e favoreceu o crescimento econômico.

Em 1850 o General Urquiza, governador da Província de Entre Ríos, se rebelou com o apoio dos unitaristas e dos Governos do Brasil e de Montevidéu. Iniciou-se o golpe com a invasão de Santa Fé e a marcha sobre Buenos Aires e o concluiu com a vitória sobre as tropas de Rosas na Batalha de Monte Caseros em 1852.

Mediante a um conturbado ambiente interno, onde Buenos Aires praticamente se regia como um Estado Independente, O General Justo José de Urquiza y García organizou o Congresso Constituinte de Santa Fé (1853), que aprovou no ano seguinte uma Constituição de caráter republicano, representativo e federal.

Urquiza foi proclamado presidente da Confederação ainda à revelia de Buenos Aires em 1852. Em 1853 a Assembléia Constitucional promulgou uma constituição que permanece até então com pequenas modificações e se converteu no primeiro presidente constitucional em março de 1854.

Durante sua presidência foram melhoradas as relações exteriores, se impulsionou a educação pública, se promoveu a colonização e se iniciaram planos para a construção de ferrovias. Seu trabalho de organização nacional foi, entretanto, atrapalhado pela oposição de Buenos Aires, que saiu da Confederação, e iniciou uma guerra em 1859 que foi finalizada no ano seguinte com um acordo onde Buenos Aires fizeram emendas à constituição.

Desta forma foi eleito Santiago Derqui para presidente e Urquiza e Bartolomé Mitre foram nomeados governadores de Entre Ríos e Buenos Aires, respectivamente.

Seu breve governo — dezoito meses, entre 1860 e 1861— acabou com sua renúncia ao cargo depois da derrota da Confederação Argentina na Batalha de Pavón.

Os acordos passaram longe de amenizar os conflitos internos e guerra civil recomeçou. Na Batalha de Pavón. Bartolomé Mitre derrotou Urquiza e, em seguida foi eleito presidente constitucional por um período de seis anos.

Somente em seu governo que se obteve, de fato, unidade do país e se iniciou um período de relativo progresso. Durante sua presidência se organizou a administração da justiça, que deixou de ser um assunto privado (onde o caudilho regional vencedor decidia sobre a sorte dos vencidos) para passar a ser uma atribuição do Estado nacional.

Também marca seu período o início da Guerra do Paraguai, chamada de guerra da tríplice aliança pelos argentinos e grande guerra pelos paraguaios, onde a Argentina, aliada a Brasil e Uruguai, enfrentou o Paraguai.

Domingo Faustino Sarmiento foi eleito em 1868 e, em seu governo, duplicou o número de escolas públicas e construiu por volta de 100 bibliotecas públicas. A imigração européia também foi incentivada.

Durante sua presidência, concluiu-se a Guerra do Paraguai, na qual a Argentina anexou às custas do Paraguai, o território que hoje corresponde à província argentina de Formosa.

Em 1870, Justo José de Urquiza foi assassinado durante uma revolta contra o governo central. Em 1874, Sarmiento entregou a presidência ao seu sucessor, Nicolás Avellaneda. Posteriormente, Sarmiento iria se opor ao regime conservador e excludente liderado pelo general Julio Argentino Roca e seus últimos anos de vida foram de contestação política e intelectual, a famosa "La Vejez de Sarmiento".

O Partido Autonomista Nacional foi fundado em 1874 com a união do Partido Autonomista de Adolfo Alsina e Nacional de Nicolás Avellaneda.

Em 1874 assumiu a presidência em meio a acusações de fraude e enfrentou um levante de Bartolomé Mitre, o qual sufocou em poucos meses.

Enfrentou uma crise econômica com diminuição de gastos públicos, demissão de funcionários e redução de salários. Mais tarde iniciou-se a exportação de carne argentina nos primeiros navios frigoríficos. Em 1876 impulsionou a Campanha do Deserto do Ministro da Guerra, general Julio Argentino Roca, o qual avançou sobre terras indigenas ao norte e liberou milhões de hectares para a instalação de instâncias.

Em 20 de setembro de 1880, o Congresso Nacional declarou Buenos Aires capital da República Argentina.

Durante essas ultimas gestões de maior estabilidade política surgiu o que podemos considerar uma Argentina como estado moderno. Uma característica desse período é o incentivo massivo à imigração européia (principalmente italiana) e investimento vigoroso em educação primária que fez o pais ter a população com mais anos de educação formal da América Latina. A prosperidade econômica foi grande com o aumento da exportação de carnes, grãos e lã para a Europa e Estados Unidos.

Seguindo a política consolidada no período anterior, com 37 anos de idade, Roca foi o mais jovem presidente da Argentina em toda sua história. Seu governo levou a uma grande prosperidade da nação, alimentada por uma maciça imigração européia, a construção de ferrovias e o desenvolvimento das exportações agrícolas, e assentou as bases do moderno Estado argentino. Separou efetivamente a Igreja do Estado, sancionando as leis de Registro Civil e de Matrimônio Civil, o que levou a romper relações diplomáticas com o Vaticano. Deu um extraordinário impulso à educação mediante a Lei 1420 (iniciativa de Sarmiento, então diretor do Conselho Nacional de Educação) que estabelecia o ensino primário gratuito, obrigatório e laico para todos os habitantes do país. Entretanto, a especulação financeira e a corrupção se destacaram durante seu governo que se sustentou, em parte, por fraudes eleitorais.

Conduziu a mesma política de genocído aos indigenas e purificação étnica que já fora adotada nos pampas. Com um exército moderno e bem preparado, submeteu a Patagônia, vencendo a tenaz resistência dos povos originais de etnia mapuche, causando uma grande quantidade de vítimas e expulsando as populações restantes para áreas periféricas. Se estima que a campanha causou diretamente a morte de uns 20.000 indígenas.

Em 1886 assumiu Miguel Juaréz Celman, cunhado de Roca, que renunciou, sob pressão, em 1890.

Também mantendo a política educacional e de imigração dos governos anteriores, deu grande impulso às obras públicas, porém foi incapaz de manter a estabilidade econômica.

O Eurocentrismo se refletiu nas obras públicas que tinham o intuito de tornar Buenos Aires semelhante as capitais européias. Em seu governo foram erguidos o Teatro Colón, numerosas escolas, e expandida a infra-estrutura sanitária da cidade. O porto de Buenos Aires foi reformulado, de acordo com projeto do engenheiro Eduardo Madero. Celman promoveu também a privatização de ferrovias, julgando que tal serviço não devia permanecer em mãos estatais.

Criou um registro público de propriedades imóveis, sancionou as leis do Matrimônio Civil e os códigos de mineração, penal e de comércio. A face legalista do governo, porém, contrastava com acusações de corrupção, baseadas sobretudo na concessão de obras a pessoas de seu círculo íntimo, mas também na especulação imobiliária e financeira dos membros do governo, além do excesso de gastos públicos. Os excessivos gastos criaram uma situação de instabilidade financeira. Em fins da década de 1880 o banco Baring Brothers exigiu pagamentos que drenaram as reservas de ouro do país, levando à inconversibilidade da moeda e à inflação. Em 1890 numerosas greves exigiram melhorias salariais. Em 26 de julho daquele ano inicia a chamada Revolução do Parque comandada por Leandro N. Alem.

Apesar da repressão aos inssurreitos, Juárez Celman renunciou poucos dias depois, em 6 de agosto de 1890. Carlos Pellegrini, seu sucessor, teve que enfrentar uma situação na qual a dívida externa da Argentina superava 60% do Produto Interno Bruto, e onde a maioria dos bancos havia fechado suas portas.

Em 1891, Leandro N. Alem. Funda a UCR, (União Cívica Radial) que é o partido político de classe média mais antigo das Américas.

Nesse momento, a disputa política na Argentina se polariza entre os Radicais da UCR e os Autonomistas do PAN (Partido Autonomista Nacional).

O vice-presidente Carlos Pellegrini assume em 1890 após a renúncia de Celman e completou o mandato em 1892. Governou para sanear dívidas e criou o Banco de La Nacion Argentina.

Depois foi sucedido por Luis Sáenz Peña (1892), José Evaristo Uriburu (1895), Julio Argentino Roca (1898), Manuel Quintana (1904), José Figueroa Alcorta (1906), Roque Sáenz Peña (1910) e Victorino de la Plaza (1914).

O período de 1880 a 1929 o país teve grande prosperidade econômica, mas caiu na armadilha de ser apenas fornecedor de matérias primas e ficar dependente das importações dos produtos industrilizados.

Assim como também ocorreu no Brasil, os governos republicanos da época foram aliados das oligarquias latifundiárias e as forças conservadoras dominaram a política local até, pelo menos, 1916, quando a lei Sáenz Peña implantou o sufrágio universal que permitiu a eleição de Hipólito Yrigoyen.

Pode-se entender que o PAN é o partido que herdou a política dos antigos Federalistas, já que estes eram ligados aos grande produtores rurais que eram considerados caudilhos, pois controlavam seus territórios com força militar, que lhes permitiam uma certa autonomia em relação ao governo central que tentava se estruturar.

Apesar da prosperidade econômica argentina, o país estava marcado por grandes desigualdades regionais e sociais.

Em 1910 completou-se o centenário da Revolução de Maio, passo inicial para a independência. O Governo argentino, presidido por José Figueroa Alcorta, decidiu organizar as festividades da data, como um acontecimento internacional ao qual estiveram presentes personalidades de todo o mundo. Compareceram a Infanta Isabel, da Espanha; o presidente do Chile, Pedro Montt e representantes de numerosos países. Os presidentes da Bolívia e do Brasil estiveram ausentes devido às más relações diplomáticas com a Argentina. A capital, Buenos Aires, foi o centro dos festejos, com diversas cerimônias organizadas pelo governo e particulares.

Paralelamente às festividades, os sindicatos expressaram seu descontentamento com a desigualdade social e econômica. A CORA e a FORA, dirigidas por correntes socialista, sindicalista revolucionária e anarquista, realizaram protestos e ameaçaram promover uma greve geral. Pediam o fim da Lei de Residência, que dava ao governo a possibilidade de expulsar estrangeiros sem o devido processo legal. O governo impôs estado de sítio e a polícia reprimiu os manifestantes. Os partidos operários se fragmentaram e a greve não se realizou.

Para a elite argentina, o ato do Centenário foi uma demonstração do poder e grandeza que perduraria por alguns anos.

Os Radicais eram os políticos da UCR (união cívica radical).

Com a chegada dos radicais ao poder, houve uma declaração de princípios: a Causa contra o Regime Anterior, focado na classe alta e latifundiária, a Reparação Histórica, a recuperação da ética e o respeito ao Federalismo.

Com a unidade nacional já estabelecida o federalismo era algo consensual entre os partidos. O desafio era manter o respeito à autonomia constitucional das províncias já que existia uma tentação centralizadora dos presidentes que tanto geraram conflitos e guerras contra as províncias e suas lideranças regionais.

Com a promulgação da Lei Sáenz Peña, a Argentina teve suas primeiras eleições livres, com sufrágio universal e secreto. Yrigoyen foi eleito e assumiu a presidência em 1916. Este período é conhecido pela história argentina como "A Etapa Radical", que se segue até 1930, quando é interrompido por um golpe de Estado.

O governo privilegiou um setor anteriormente esquecido, a classe média. Entre as ações mais importantes do 1º mandato de Yrigoyen estão a criação da Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), a reforma universitária e a criação da Marinha Mercante Nacional.

O país teve grande fomento econômico neste período devido à Primeira Guerra Mundial quando os países em guerra importaram produtos primários em grande quantidade.

As eleições presidenciais ocorreram em 2 de abril de 1922. A UCR obteve 450.000 votos, equivalente a 50% dos votos. Os adversários eram os Conservadores da 'Concentração Nacional' os Socialistas do 'Partido Socialista' e os Liberais do Partido Democrata Progressista. que obtiveram respectivamente 200 mil, 75 mil e 75mil votos.

Marcelo Torcuato de Alvear desenvolveu uma presidência diferente de seu antecessor: as medidas de transformação econômica, política e social delineadas no governo de Yrigoyen foram atenuadas, quando não revertidas, como no caso da Reforma Universitária.

Houve grande conflito entre os partidários da UCR, fragmentando o partido. De um lado, os 'antipersonalistas', que apoiavam o presidente; do outro, os aliados de Yrigoyen, os 'personalistas'. As duas ramificações da UCR apresentaram candidatos distintos para a eleição presidencial de 1928, entre eles o próprio Yrigoyen, concorrendo a um segundo mandato, sendo reeleito com aproximadamente o dobro de votos de seu oponente.

Hipólito Yrigoyen é reconduzido ao cargo em 12 de outubro de 1928. No ano seguinte se inicia a Grande Depressão mundial. O novo governo não conseguiu reagir à crise. A divisão e o enfrentamento entre setores internos da UCR criou um nível de violência política inédito desde o fim das guerras civis.

O presidente ordena intervenção federal nas províncias de Mendoza e San Juan, governadas por movimentos radicais dissidentes. Ao final, um personalista assassinou um senador da Província de Mendoza. O crime causou comoção no país e, pouco tempo depois, Yrigoyen sofreu um atentado de um militante anarquista ao sair de sua casa em direção à sede do Governo. No início de 1930 houve um novo assassinato em uma província sob intervenção federal: o advogado Manuel Ignacio Castellano, oponente de Yrigoyen.

As eleições parlamentares de março causam uma derrota acachapante do radicalismo na cidade de Buenos Aires, onde o Partido Socialista Independente obtém a vitória. O radicalismo personalista foi derrotado pela oposição em todo o país por cerca de 40 mil votos.

Com a crise econômica e política, o governo de Yrigoyen ficou extremamente debilitado, faltando ainda quatro anos para novas eleições presidenciais. A UCR encontrava-se totalmente dividida e o governo não dialogava com a oposição.

Trinta e sete dias após a YPF intervir no mercado petroleiro, com a fixação do preço e rompimento dos trustes, ocorreu outro golpe de Estado, em 6 de setembro de 1930. Assim, o general José Félix Uriburu derrota o governo constitucional, iniciando uma série de golpes de estado e governos militares que se estenderão até 1983.

Os treze anos seguintes estariam dominados pelas consequências do golpe do general José Félix Uriburu, que ficou pouco tempo no poder, substituído brevemente por Agustín Pedro Justo, que ficou no cargo até 1938. No plano econômico mundial, o protecionismo impera entre os países. A Inglaterra anuncia a Convenção de Ottawa, que dá vantagens alfandegárias às suas colônias: devido à grande dependência argentina com o país, foi firmado o pacto Roca-Runciman em 1933, que privatizou o setor ferroviário do país em troca de vantagens na exportação de carne para o Reino Unido.

Esse novo grupo político que governou a Argentina durante a chamada Década Infame (governos Ortiz, Josto e Castillo) era uma aliança chamada 'Concordancia' que era composta pelo Partido Demócrata Nacional, A UCR antipersonalista e o Partido Socialista Independente.

Com o uso aberto de fraude eleitoral e repressão, a União Cívica Radical personalista foi sistematicamente excluída do governo. Surgiram então correntes nacionalistas apoiadoras de Yrigoyen, que formaram o 'FORJA' (Fuerza de Orientación Radical de la Joven Argentina). Também surgem os primeiros núcleos da intransingência radical, que conduzirá a UCR na década seguinte.

Lisandro de la Torre, do Partido Socialista, juntamente com seu aliado, o Partido Democrata Progressista, denunciaram no Congresso os sucessivos atos de corrupção em benefício da elite realizados pelo regime, o que incluiu o assassinato do senador Enzo Bordabehere dentro do Senado.

O movimento operário argentino também se organiza nesta época, formando a Confederação Geral do Trabalho (CGT).

Roberto Marcelino Ortiz governou de 1938 a 1942 e não negava as fraudes eleitorais. Era um radical "antipersonalista", ou seja, opositor a Yrigoyen). Durante seu governo intermediou o pacto de paz entre o Paraguai e a Bolívia, que haviam se enfrentado nos anos anteriores na Guerra do Chaco. Por motivos de saúde deu lugar a seu vice, Ramón Castillo ocupou a presidência até 1943.

A partir de 1940 o governo adotou um novo modelo econômico denominado(Industrialização por Substituição de Exportações). Formou-se a UIA (União de Industriais Argentinos), que foi tomando mais poder com o desenvolvimento da indústria, fomentado pelo governo.

Os setores que estavam a frente do governo privilegiaram as elites rurais e atrasaram significativamente o início da industrialização da Argentina que gerou um grande atraso no cenário internacional.

Em 1943 ocorre novo golpe de estado na Argentina, pelas mãos do GOU (Grupo de Oficiais Unidos), jovens militares de tendências filofascistas, anticomunistas e ultracatólicas. O golpe é levado por Arturo Rawson, que imediatamente foi substituído por Pedro Ramírez. O então coronel Juan Domingo Perón ocupa inicialmente um cargo como secretário no Ministério da Guerra, em seguida diretor do Departamento de Trabalho e mais adiante Ministro da Guerra e vice-presidente.

A política argentina entre 1943 e 1944 começou a dar demonstrações de apoio à Alemanha, que começava a ser derrotada na Europa mas sustentado com matérias primas de origem argentina. Também um breve apoio ao Japão. Somente em 1945, último ano do conflito, é que a Argentina fez declaração formal de guerra à Alemanha.

Edelmiro Farrel, outro militar governou de 1944 a 1946 e assumiu uma política de aproximação com os Estados Unidos, sofreu oposição interna de Juan Perón, que tinha uma linha política própria, que incluía elementos do chamado 'Populismo' (nacionalista, anti norte-americana, trabalhista e simpática aos países do eixo!?).

Farrel mandou prender Perón na ilha Martín García. Pode-se ter como data de início do movimento peronista 17 de outubro de 1945, quando as movimentações populares organizadas pela CGT conseguiram a libertação de Perón.

Nas eleições de 1946 Perón se apresentou como candidato do Partido Laborista (Trabalhista), tendo como vice um radical da dissidente Junta Renovadora. A aliança que Perón aglutinou era tão heterogênea e incoerente quanto suas idéias políticas. Estavam juntos: Os sindicalistas da CGT, Os Yrigoyenistas do FORJA e os conservadores das províncias do interior.

No outro lado também não tinha a coesão ideológica como forte: Estavam juntoas a UCR antipersonalista, a União Democrática, o Partido Socialista, O Partido democrata Progressista, O Partido Comunista, os conservadores da Província de Buenos Aires, e o embaixador dos Estados Unidos, Spruille Braden.

Perón foi eleito com 56% dos votos.

Após assumir a presidência, Perón começa rapidamente a consolidar seu poder. Internamente, dissolve o Partido Trabalhista e o integra ao novo Partido Peronista (chamado brevemente de Partido Único da Revolução), que contará com três vertentes: a sindical (da CGT, única associação sindical permitida), a política e, a partir de 1952, quando o direito de voto foi estendido às mulheres, a vertente feminina. Mais tarde se considerará a Juventude Peronista como quarta vertente do Movimento. Por outra parte, procedeu-se a remoção via juízo político dos membros da Corte Suprema e em 1949 convocou-se eleições para a Assembléia Constituinte que ditou uma nova Carta Constitucional de acordo com os princípios do mandatário.

O governo peronista foi particularmente duro com a oposição política e sindical: muitos dos seus dirigentes foram presos. Nas universidades do país removeram-se professores dissidentes e impulsionou-se a CGU — Central Geral Universitária — como representante dos estudantes em oposição à majoritária FUA (Federação Universitária Argentina). Com um critério similar, criou-se a UES (União de Estudantes Secundários). A partir de 1950, a situação econômica começa a piorar. Ainda assim, Perón volta a se eleger em 1951.

Em 1949 Perón reformou a Constituição de 1853, de maneira que pôde ser reeleito em 1951. Neste ano, Eva Perón tentou acender à nomeação de vice-presidente no segundo mandato de Perón. Apesar do respaldo da CGT, a oposição militar a conduziu à sua célebre renúncia em um ato na Avenida 9 de Julio. Evita morreu de câncer uterino, aos 33 anos, em 1952. Seu corpo foi embalsamado e mantido em exposição até o golpe militar que expulsou seu marido do poder em 1955. Clandestinamente o cadáver foi enviado à Itália e enterrado com nome falso em Milão. Em 1972 foi devolvido a Perón. Atualmente se encontra no cemitério de La Recoleta em Buenos Aires.

A chegada do peronismo ao poder pela democracia produziu-se em pleno período pós-guerra, o qual significava a debilidade econômica da Europa em ruínas e a forte liderança dos Estados Unidos no hemisfério ocidental. Neste cenário, a Argentina se encontrava pela primeira vez em sua história na posição de credor dos países centrais, graças a suas exportações de carne e grãos às potências beligerantes. O principal devedor era o Reino Unido, que diante da emergência declarou sua iliquidez, bloqueando a livre disponibilidade de seus montantes. O governo peronista optou por utilizar estes créditos para adquirir empresas de serviço públicas de capital britânico, que de qualquer forma seus proprietários desejavam transferir, visto a inaptidão de continuar intervindo capitais.

A bonança econômica da Argentina continuava, impulsionada pelo crecente mercado que se havia formado pela baixa das importações provenientes dos países em guerra. Isto permitiu ao governo aplicar uma vasta política de bem-estar que incluía a efetivação de novos direitos sociais, como períodos de férias e descanso, planos de moradia, investimentos em saúde e educação, etc. Ao passo que todos estes benefícios eram largamente expostos em publicidade e capitalizados pelas figuras de Perón e sua mulher, que comandava uma fundação de assistência social financiada basicamente com fundos estatais e aportes empresarias (geralmente de caráter obrigatório), também as nacionalizações e estatizações dos serviços públicos, como as ferrovias britânicas, eram proclamadas como conquistas de soberania e independência econômica.

O tempo, porém, evidenciou que o modelo econômico não era sustentável, já que o Erário se destinava quase exclusivamente à distribuição de benefícios diretos para os assalariados — o que impedia novos investimentos e o crescimento da produção. O contexto mundial deixou de ser favorárel, já que os Estados Unidos, mediante o Plano Marshall, colocava seus excedentes agrícolas na Europa, o que limitava o acesso ao mercado dos alimentos argentinos.

A partir de 1950 a situação econômica começa a piorar e um novo ministro de Economia, Alfredo Gómez Morales, aplicou medidas de corte ortodoxas, como o ajuste do gasto público. Perón, que havia declarado uma vez que "cortaria suas mãos" antes que endividasse a Nação comprometendo sua independência econômica, contraiu um empréstimo com o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento, além de firmar contratos de exploração pretolífera com companhias estadunidenses.

Com esta situação o governo começa a ter dificuldades políticas; um golpe militar (a Revolução Libertadora), liderado por Eduardo Lonardi, ocorre em 1955. Assim, Perón teve que se exilar, fixando-se por fim na Espanha — e mesmo no exílio continuou sendo popular para os argentinos.

Durante os anos 1960 e 1970 todos os governos eleitos foram derrubados por golpes militares. O conflito social e a violência política se intensificaramm. Paradoxalmente a economia registrou um dos mais altos índices de crescimento do mundo (Gerchunoff et al). A partir da segunda metade da década de 60 os problemas sociais se agravam e aparece a insurgência guerrilheira de ERP e Montoneros, além de outras organizações armadas. Em 1972 Perón volta ao país e o claro triunfo do Peronismo nas eleições de 1973 é afetado pela morte do mesmo no ano seguinte. O país caminhava para uma tragédia.

Em 6 de setembro de 1955 as Forças Armadas, a mando do general Eduardo Lonardi, derrubam Perón e estabelecem a chamada Revolução Libertadora. Poucos dias depois o general Pedro Eugenio Aramburu tirou Lonardi do cargo, tomou a presidência e revogou a Constituição Nacional reformada em 1949. O governo militar foi assessorado por uma Junta Consultiva Nacional, integrada por todos os partidos políticos com exceção dos que apoiavam o peronismo ou o comunismo.

Em 1956 o governo militar ordenou o fuzilamento de 31 militares e civis peronistas que haviam tentado dar um golpe de estado.

Em 1957 ocorrem eleições para reforma da Constituição, com o peronismo sendo ilegalizado. A União Cívica Radical do Povo, dirigida por Ricardo Balbín, obteve a primeira minoria, ainda que a quantidade de votos em branco do eleitorado peronista tivesse sido levemente superior. A União Cívica Radical Intransigente, dirigida por Arturo Frondizi, sustentou que a revogação da Constituição e a convocação de uma Constituinte com a proscrição do Peronismo eram atos ilegais, abandonando a Assembléia Constituinte em 1957. A Assembléia validou a revogação das reformas constitucionais de 1949, restabelecendo a Constituição de 1853 e agregou o artigo 14, sobre proteção ao trabalho.

Em 1958 Arturo Frondizi, pela União Cívica Radical Intransigente e com um projeto desenvolvimentista, ganhou as eleições presidenciais com apoio do peronismo ilegalizado. Seu governo foi economicamente alinhado com os Estados Unidos — fazendo parte da Aliança para o Progresso — e diplomaticamente independente, com apoio a Cuba após a imposição do embargo econômico estadunidense.

As reformas na indústria de base e infraestrutura implementadas durante o seu governo permitiram que a Argentina, na década seguinte, tivesse o mais alto índice de crescimento econômico do mundo. Devido à anulação da lei que proibia o Peronismo de existir legalmente e sua negativa em anular as eleições legislativas de 1962, onde o Peronismo teve grande vitória, foi destituído pelas Forças Armadas e preso.

O governo de Frondizi foi derrubado em 1962 por um golpe militar, depois da vitória do peronismo em várias eleições provinciais. Aproveitando a confusão, a Corte Suprema designou José María Guido, que era presidente provisório do Senado, como novo presidente do país, em seguida substituído por uma Junta de Comandantes.

Em 7 de julho de 1963 ocorrem novas eleições presidenciais, com a proscrição do peronismo, sendo eleito Arturo Umberto Illia, candidato da União Cívica Radical do Povo.

Illia assumiu em 12 de outubro de 1963. Seu primeiro ato de governo consistiu em eliminar as restrições que pesavam sobre o peronismo. Desde a Revolução Libertadora as manifestações deste partido estavam proibidas pelo Decreto 4161/56 — cinco dias após Illia ocupar o cargo, realizou-se um ato comemorativo pelo 17 de outubro na Praça Miserere sem nenhuma limitação. Também foram revogadas as restrições eleitorais, habilitando a participação do peronismo nos comícios legislativos de 1965. Também revogou-se a proibição ao Partido Comunista e se promulgou penalidades à discriminação e violência racial.

Em 15 de junho de 1964 é publicada a lei do salário mínimo, vital e móvel, que previa a constituição do Conselho do Salário, integrado por representantes do Governo, empresariado e sindicatos. Também foi promulgada a Lei de Abastecimento, destinada a controlar os preços da cesta básica e a fixação de valores mínimos de gratificações e pensões.

Arturo Frondizi iniciou em seu governo uma política de exploração petrolífera baseada na concessão de territórios a empresas privadas, reservando à empresa estatal YPF a atividade de exploração e compra da produção das empresas concessionárias. Illia em sua plataforma eleitoral agregava que a política de concessões era contrária aos interesses nacionais, comprometendo-se a anular os contratos de concessão, o que ocorreu em 15 de novembro de 1963.

A participação da educação nas despesas do Orçamento argentino subiu de 12% em 1963 para 23% em 1965. Em novembro de 1964 inicia-se o Plano Nacional de Alfabetização, com o objetivo de diminuir a taxa de analfabetismo que era à época cerca de 10% da população adulta. Em junho de 1965 o Programa contava com 12.500 centros de alfabetização e seu trabalho alcançava 350.000 alunos de dezoito a oitenta e cinco anos de idade.

Também foram promulgadas leis para o controle do preço dos medicamentos, além de impor limites para a remessa de divisas ao exterior e compra de insumos. As empresas também deveriam prestar contas de seus custos e formalizar todos os contratos que concediam regalias à produção. Tais leis tiveram grande peso político para a destituição de Illia da presidência da Argentina por meio de um golpe militar.

Illia promoveu políticas econômicas que visavam o ordenamento do setor público, diminuição da dívida externa e de impulso à industrialização. O Produto Interno Bruto argentino evoluiu −2,4% em 1963, 10,3% em 1964 e 9,1% em 1965. O desemprego diminui de 8,8% em 1963 para 5,2% em 1966.

As eleições legislativas sem restrição partidária ocorrem em 1965, com vitória do Peronismo sobre a União Cívica Radical por mais de meio milhão de votos. Isso agita a situação interna das Forças Armadas, tanto pela existência de facções militares e peronistas que tinham um estreito vínculo político como pela existência de setores militares fortemente antiperonistas.

Concomitantemente, agrega-se uma forte campanha de desmoralização do governo impulsionada por setores econômicos através de certos meios de comunicação. Estes jornalistas apelidam o presidente como "a tartaruga", caracterizando sua gestão como sem energia e lenta, com alento aos militares para eliminar a administração do partido militar. Desta forma, a política de Illia torna-se seriamente debilitada.

Em 28 de junho de 1966 ocorre o golpe — com protestos de setores da imprensa e do sindicalismo — em meio à indiferença da população. O general Julio Alsogaray se apresenta às 5 horas deste dia no despacho presidencial e convida Illia a se retirar, que a princípio se nega, mas às 7h20, ao ver o gabinete invadido por policiais com pistolas lança-chamas e a Casa Rosada cercada por tropas, opta por se retirar. No dia seguinte assume o General Juan Carlos Onganía.

O golpe conduziu uma série de presidentes apoiados pelo Exército. Alejandro Lanusse, em 1971, foi apoiado por vários setores e tentou restabelecer a democracia em um ambiente de contínuos protestos de peronistas da classe trabalhadora.

Em 11 de março de 1973 a Argentina teve eleições gerais pela primeira vez em 10 anos, com um acachapante triunfo do peronismo, ainda que o próprio Juan Perón tenha sido proibido de se apresentar como candidato. Poucos meses depois, em 13 de julho deste ano, o presidente Héctor José Cámpora renuncia para permitir novas eleições sem restrições, nas quais Perón, recentemente chegado do exílio, em 20 de junho de 1973 (mais conhecido como dia do Massacre de Ezeiza, cuja investigação judicial nunca chegou a se materializar), vence por ampla maioria nas eleições de segundo turno de 23 de setembro de 1973.

Perón morreu em 1 de julho de 1974. Sua mulher, María Estela Martínez de Perón, o sucedeu com uma administração cercada de problemas econômicos, conflitos dentro do partido e o crescente terrorismo praticado por insurgentes e movimentos paramilitares. Um novo golpe militar a retirou do poder em 24 de março de 1976.

O país se encontrava num caos político posteriormente à morte de Perón. Grupos extremistas realizavam seqüestros e assassinatos, levando a sociedade a um terror poucas vezes visto no país. Nesta situação surge o autodenominado Processo de Reorganização Nacional, presidido originalmente por Jorge Rafael Videla, que se caracterizou por acentuada repressão, levando a cabo constantes perseguições, torturas e execuções de presos políticos. Assim como os outros países do Cone Sul, o governo argentino integrou a Operação Condor.

A administração de Videla foi marcada por violações sistemáticas aos direitos humanos, principalmente nos meios estudantis, além de questões de limites de fronteira com o Chile, que estiveram próximas de um conflito armado — matéria diplomaticamente mediada por João Paulo II. Houve também desmantelamento dos sindicatos e polarização na divisão de classes sociais.

É durante o seu governo que surge, devido aos inúmeros detidos desaparecidos, as Mães da Praça de Maio, associação de mães que durante anos reivindicou do governo o paradeiro de seus filhos. As caminhadas ocorriam todas as quintas-feiras e só deixaram de ser realizadas em 2006.

A economia do país, porém, cresceu, tornando-se mais competitiva e moderna, adaptando-se às correntes mundiais. Houve também um grande incremento nas obras públicas.

Em 1982, durante a presidência de Leopoldo Galtieri, iniciou-se a Guerra das Malvinas contra o Reino Unido, disputando-se a soberania das ilhas. O absoluto fracasso das tropas argentinas e a morte de aproximadamente 600 jovens soldados propulsionou o golpe definitivo ao regime militar. Com a volta da democracia em 10 de dezembro de 1983, estimou-se que o número de vítimas do governo era de cerca de 10 mil pessoas. A marca mais profunda das ditaduras foi a repressão sobre setores específicos da sociedade, especialmente os elementos politicamente mais ativos, como jornalistas e sindicalistas.

Cabe destacar que como em quase toda a América Latina, e devido à grande confusão anterior, graças ao temor que organizações armadas geraram na população, o Processo de Reorganização Nacional foi apoiado pela maioria do povo argentino, assim como também se realizaram festejos pela Guerra das Malvinas. Na atualidade este processo é condenado por grande parte da população.

A derrota na Guerra das Malvinas obrigou o regime militar a convocar eleições democráticas. Contudo, as violações massivas aos direitos humanos realizadas entre 1976 e 1983, assim como uma ampla tradição em golpes militares, farão complexo o processo de transição à democracia, com reiteradas insurreições militares. Em 1989, pela primeira vez na história, um presidente de um partido entregou o poder a um presidente de outro partido. A situação voltou a se repetir em 1999, mostrando uma notável consolidação da democracia na Argentina.

Neste período a Argentina protagonizará uma importante mudança político-institucional e econômica, ao fundar junto com o Brasil, Paraguai e Uruguai o Mercosul, Mercado Comum da América do Sul.

Apesar do avanço democrático, os governos eleitos pelo povo têm se mostrado insuficientes para atender os problemas socio-econômicos da população. A pobreza, que em 1974 era de 5%, subiu a 25% em 1983, atingindo o pico de 56% da população em 2002. O desemprego, que era de 6% em 1975 e 18% em 1995, chegou a espantosos 31% em 2002.

Em 30 de outubro de 1983 realizaram-se eleições para escolha das autoridades democráticas. Raúl Alfonsín, candidato pela União Cívica Radical, foi eleiito com 52% dos votos, contra 40% do Partido Justicialista (peronista). O radicalismo também obteve maioria na câmara dos Deputados, porém o peronismo a conseguiu no Senado. Em 10 de dezembro de 1983 assumiu o novo governo democrático.

O governo de Raúl Alfonsín teve que enfrentar o problema da transição à democracia em um país com grande tradição de governos militares que havia chegado à tragédia do terrorismo de estado e da guerra.

Em 15 de dezembro de 1983, o presidente sanciona os decretos 157 e 158. Pelo primeiro, ordenava-se acusar os dirigentes das organizações guerrilheiras ERP e Montoneros; o segundo ordenava processo contra as três juntas militares que dirigiram o país desde o golpe militar de 24 de março de 1976 até a Guerra das Malvinas. No mesmo dia criou uma Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), integrada por diferentes personalidades com a missão de relevar, documentar e registrar casos e provas de violações aos direitos humanos, para fundar a acusação às juntas militares.

Em setembro de 1984 a CONADEP produz o informe "Nunca Más". Em 4 de outubro de 1984 a Câmara Federal (tribunal civil) toma a decisão de retirar do tribunal militar que estava acusando as juntas para fazer cargo diretamente ao mesmo. A acusação realizou-se entre 22 de abril e 14 de agosto de 1985, cuidando-se de 281 casos. Em 9 de dezembro publicou-se a sentença, condenando Jorge Videla e Eduardo Massera à prisão perpétua; Roberto Viola a 17 anos de prisão; Armando Lambruschini a 8 anos de prisão e Orlando Ramón Agosti a 4 anos de reclusão. Pelas características que teve, a condenação das juntas militares realizada por um governo democrático constitui um feito sem precedentes no mundo, que contrastou fortemente com as transições negociadas ocorridas no Uruguai, Chile, Brasil, Espanha, Portugal e África do Sul.

O governo de Alfonsín esteve permanentemente ameaçado por setores das Forças Armadas que se negavam a aceitar a acusação por violações dos direitos humanos durante o regime militar anterior. Na Semana Santa de 1987 produziu-se uma grande rebelião militar encabeçada por jovens oficiais que se denominavam "caras pintadas". Ao mesmo tempo que os chefes militares demostravam que não estavam dispostos a obedecer as ordens do presidente Alfonsín e reprimir a insurreição, milhões de pessoas saíram às ruas para se opor ao levante militar. Durante vários dias o país esteve à beira da guerra civil. Finalmente Alfonsín, sem poder militar para frear um golpe de estado, negocia secretamente com os líderes militares uma série de medidas para evitar que se realizassem novos julgamentos contra militares por violações aos direitos humanos. Estas medidas se concretizaram nas leis de Obediência Devida e Ponto Final, não sem antes sofrer outras duas insurreições militares durante 1988 (18 de janeiro e 1º de dezembro) e um permanente estado de insubordinação das Forças Armadas.

Durante o governo de Alfonsín restabeleceu-se a autonomia universitária quebrada em 1966, pôs-se em marcha o Plano Nacional de Alfabetização e o Plano Alimentar Nacional (PAN), além da sanção de leis de guarda compartida e divórcio matrimonial. Em 1987 o Congresso sanciona uma lei de transferência da capital do país para Viedma — capital da província de Rio Negro — como parte de um projeto para mudar o eixo político-econômico centralista que caracteriza o país, que fracassou.

No plano internacional destacou-se o protagonismo argentino no impulso ao Grupo Contadora (da América Central) para unificar a posição dos devedores frente aos credores e negociar a dívida externa; os acordos com o governo democrático do Brasil, que incluiriam posteriormente na formação do Mercosul (1991); a política externa de apoio aos processos de paz na América Latina e ajuda aos governos democráticos para consolidar o processo de transição à democracia na região; a firmação do Tratado de Paz e Amizade com o Chile (1985), que pôs fim a uma disputa de limites territoriais com aquele país, e com o qual a Argentina esteve a ponto de ir à guerra em 1978 e a presidência da 43ª Assembléia Geral das Nações Unidas (1989).

Na área econômica Alfonsín assume seu governo no momento em que produzia-se a grande crise mundial da dívida externa. Durante o governo militar a dívida externa argentina havia crescido de 7 bilhões de dólares em 1976 para 66 bilhões de dólares em 1983. Somado a isso, grande parte do aparato produtivo, sobretudo do setor industrial, havia quebrado. Diante dessa situação, Alfonsín decidiu aplicar em 1985 um plano econômico, o Plano Austral, que ele mesmo qualificou como "economia de guerra".

O Plano Austral conseguiu conter a inflação durante algum tempo, mas não pôde resolver os problemas estruturais da economia argentina no período. O congelamento dos salários, a decisão inicial de Alfonsín de atacar os sindicatos, a persistência da lei sindical fascista da ditadura e a identificação dos sindicatos com a oposição peronista levaram a um grande impasse entre o governo radical e a Central Geral dos Trabalhadores (CGT), expressa com 13 greves gerais. Por fim, o governo radical negocia com os sindicatos e sanciona por unanimidade a nova Lei Sindical.

Os graves problemas econômicos expressam-se em uma taxa de inflação de 343% em 1988 e o início de um processo hiperinflacionário a partir de fevereiro de 1989 superior a 3000% ao ano, o que fez aumentar a pobreza a um nível histórico até então: 47,3% em outubro de 1989 na Grande Buenos Aires.

É neste contexto econômico que se realizaram as eleições presidenciais de 14 de maio de 1989, com a vitória do candidato opositor, o peronista Carlos Menem, com 51% dos votos. A magnitude do caos econômico-social obrigou Alfonsín a antecipar a passagem do cargo, renunciando em 8 de julho daquele ano.

Pela primeira vez na história da Argentina realizava-se uma sucessão entre dois mandatários civis constitucionais de diferentes partidos políticos.

Menem governou a Argentina entre 1989 e 1999. Seu primeiro mandato começou em 1989, após vencer seu concorrente da União Cívica Radical por 15 pontos porcentuais. Recebeu o governo em 8 de julho de 1989, com o país mergulhado no caos econômico e inflacionário iniciado no governo de Alfonsín.

Durante seu primeiro mandato, Menem se concentrou em estabilizar a situação inflacionária do país. Para tanto, sancionou a Lei de Convertibilidade, impulsionada pelo seu ministro da economia Domingo Cavallo, que tinha o objetivo de equilibrar a equivalência entre o dólar e o peso argentino. Além disso, privatizou inúmeras empresas, abriu o mercado e firmou o Tratado de Assunção, que deu origem ao Mercosul, na intenção de formar um forte bloco econômico sul-americano e estabelecer um mercado comum entre seus membros. Também em seu primeiro mandato ocorreram os atentados à Embaixada de Israel (1992) e à Associação Mutual Israelita Argentina — AMIA (1994), em que morreram quase 100 pessoas.

Com a reforma constitucional de 1994, Menem se lançou à reeleição em 1995, vencendo seu opositor — José Octavio Bordón, da FREPASO — com 20 pontos porcentuais de diferença

O segundo mandato de Menem esteve caracterizado pelo aumento dos indicadores negativos, como o desemprego, a pobreza e o trabalho sem registro. Além disso a dívida externa aumentou em quase 82 bilhões de dólares. Estes problemas continuaram crescendo até a queda do sucessor de Menem, Fernando de la Rúa, em 2001. Ao final de 1998, quando a Corte Suprema decide que Menem não pode ser presidente pela terceira vez consecutiva, iniciou-se uma recessão de quatro anos que se tornaria a mais longa e destrutiva da história Argentina.

De forma interina, assume a Presidência do país o presidennte provisório do Senado, Ramón Puerta. Em 23 de dezembro a Assembléia Legislativa se reúne, e nomeia presidente provisório o então governador da província de San Luis pelo Partido Justicialista Adolfo Rodríguez Saá. Em seu discurso no Congresso argentino, o novo presidente anuncia a moratória, ou suspensão do pagamento das obrigações por empréstimos a diferentes organismos internacionais de crédito, e a particulares que estivessem em posse de títulos da dívida externa argentina.

A estabilidade do novo governo e das forças de segurança é novamente posta em xeque diante do surgimento de novos conflitos nas proximidades da Casa Rosada e do Congresso Nacional: os manifestantes continuavam se aproximando dos edifícios do governo. São ouvidas repulsas contra os membros da Corte Suprema de Justiça, contra membros do novo gabinete e contra senadores e deputados, que não contavam com apoio popular. O lema mais retomado pelos manifestantes era o "Que se vayan todos", o que resumia o descontentamento que sofriam os políticos por parte de grande maioria da população. Alguns conflitos ocorreram dentro do Congresso Nacional, onde houve pequenos incêndios e quebra de cristais e mobiliário. Sem o apoio de importantes governadores, e também de integrantes de seu partido, Rodríguez Saá decide apresentar a renúncia ao cargo em 30 de dezembro de 2001.

Assume a presidência de forma interina o então presidente da Câmara de Deputados Eduardo Camaño até que a Assembléia Legislativa aprova, em 31 de dezembro de 2001, a substituição pelo peronista (partido justicialista) Eduardo Duhalde, que tornou-se o quinto presidente em apenas duas semanas (De la Rúa; Ramón Puerta; Adolfo Rodríguez Saá; Eduardo Camaño e Duhalde). Seu mandato provisório foi marcado por um foco assistencialista no âmbito interno e pela desvalorização do peso e o protencionismo à produção interna.

Duhalde permanece no governo até maio de 2003 quando passa a faixa para o, também peronista, Néstor Kirchner.

Em 27 de abril de 2003 realizou-se o primeiro turno das eleições presidenciais. Cinco candidatos reuniram a maioria dos votos: Carlos Menem (24%), Néstor Kirchner (22%), Ricardo López Murphy (16%), Adolfo Rodríguez Saá (14%) e Elisa Carrió (14%).

Carlos Menem, o candidato vencedor do primeiro turno, não se apresentou ao segundo turno — com sua queda contínua nas pesquisas, intencionava "deslegitimar" a eleição de seu oponente. Assim, foi declarado eleito presidente Néstor Kirchner, que assumiu seu mandato em 25 de maio de 2003.

Kirchner assumiu confirmando Roberto Lavagna e outros membros do gabinete de Duhalde no seu governo. A linha política e econômica de centro-esquerda foi apresentada como uma única alternativa, já que o país ainda passava por uma moratória que não estava em curso por opção de governo, mas sim por falta de uma outra alternativa.

Nesse contexto foi feita a desvalorização do peso e, após a estabilidade das contas internas, foi iniciada a política de superávit primário para acúmulo de reservas internacionais. Com isso as exportações foram impulsionadas e o Produto Interno Bruto cresceu cerca de 9% ao ano e atualmente as perdas do ápice da crise já foram recuperadas.

A Argentina confirmou sua dificuldade em alternar visões políticas e econômicas nas últimas eleições onde Néstor Kirchner foi sucedido por sua própria esposa, Cristina Kirchner em 10 de dezembro de 2007. Sua eleição representa um marco histórico por ser a primeira mulher a frente do governo nacional, mas que não conseguiu mostrar identidade própria até então, confirmando um continuísmo.

Os governos democráticos argentinos não suportaram as crises internacionais devido as dificuldades políticas que se tornavam insustentáveis toda vez que a economia não prosperava. Atualmente a Argentina sofre as consequencias da crise econômica iniciada com a quebra do sistema financeiro nos EUA. Uma das medidas decretadas foi a estatização do sistema de previdência privada. Como ponto positivo existe o fato de que a economia de toda a américa do sul possui um mercado interno crescente e uma grande demanda reprimida e poucos riscos de novas intervenções militares. Com essas bases a Argentina pretende superar mais esse momento histórico.



Apesar de haver alguns indícios arqueológicos que sugerem a ocupação humana do México desde há mais de 20 000 anos, a primeira prova sólida desta ocupação tem origem em dois locais de caça no norte da Bacia do México. Segundo as evidências encontradas, estes caçadores-recolectores alimentavam-se de mamutes e outros animais. Os antigos mexicanos começaram a cultura selectiva de plantas de milho cerca de 8 000 a.C. Há evidências de uma explosão na quantidade de trabalhos em cerâmica cerca de 2300 a.C. e do início da agricultura intensiva entre 1800 e 1500 a.C.

Entre 1800 a.C. e 300 a.C., começaram a formar-se culturas complexas. Algumas evoluíram para avançadas civilizações mesoamericanas pré-colombianas tais como: olmeca, teotihuacan, maia, zapoteca, mixteca, huasteca, purepecha, tolteca, e mexica (ou asteca), as quais floresceram durante cerca de 4000 anos até ao primeiro contacto com Europeus.

Atribuem-se a estas civilizações indígenas várias criações e invenções: templos-pirâmide, cidades, a matemática (sendo o primeiro povo do mundo a usar o zero), astronomia, medicina, escrita, calendários precisos, belas artes, agricultura intensiva, engenharia, um ábaco, teologia complexa, o chocolate e a roda.

Inscrições antigas em rochas e paredes rochosas por todo o norte do México (especialmente no estado de Nuevo León) demonstram desde muito cedo uma propensão para contar no México. Estas marcas de contagem muito antigas estavam associadas a acontecimentos astronómicos e sublinham a influência que as actividades astronómicas tinham sobre os nativos mexicanos, mesmo antes do desenvolvimento de civilizações. De facto, todas as civilizações mexicanas mais tardias construiriam cuidadosamente as suas cidades e centros cerimoniais de acordo com acontecimentos astronómicos específicos.

Em alturas diferentes, houve três cidades mexicanas que eventualmente se tornaram nas maiores cidades do mundo: Teotihuacan, Tenochtitlan e Cholula. Estas cidades – entre várias outras - foram centros florescentes de comércio, idéias, cerimônias e teologia. Por outro lado, espalharam a sua influência a culturas vizinhas.

Ainda que muitas cidades-estado, reinos e impérios competiram uns com os outros por poder e prestígio, pode-se dizer que o México teve quatro civilizações principais e unificadoras: a olmeca, teotihuacan, a tolteca e a mexica. Estas quatro civilizações estenderam a sua influência por todo o México – e para além deste - como nenhuma outra. Consolidaram poder e influenciaram o comércio, arte, política, tecnologia e teologia. Outras potências regionais fizeram alianças políticas e económicas com estas quatro civilizações ao longo de 4000 anos. Muitas foram as que entraram em guerra com elas. Mas todas elas se viram dentro destas quatro esferas de influência.

Em 1519, as civilizações nativas do México foram invadidas pela Espanha, e dois anos mais tarde em 1521, a capital dos astecas, Tenochtitlan, foi conquistada por uma aliança entre espanhóis e tlaxcaltecas (os inimigos principais dos astecas). Francisco Hernandez de Córdoba, descobridor do Iucatão, explorou as costa do sul do México em 1517, seguido por Juan de Grijalva em 1518. O mais importante dos conquistadores foi Hernan Cortés, que entrou no país em 1519, a partir de uma vila nativa costeira que ele rebaptizou de Puerto de la Villa Rica de Vera Cruz (hoje a cidade de Veracruz).

Contrariamente ao que geralmente se pensa, a Espanha não conquistou a totalidade do México em 1521 e passariam ainda dois séculos antes que tal sucedesse, havendo durante esse período rebeliões, ataques e guerras continuadas por parte de outros povos nativos contra os espanhóis.

Os astecas, a potência dominante no país, acreditavam (de acordo com mitos antigos) na tradição do regresso de Quetzalcóatl num ano Ce-Acatl. O calendário Pré-Colombiano era dividido em ciclos ou períodos de 52 anos. Cada 52º ano era um ano Ce-Acatl sendo 1519 um desses anos. Os astecas acreditavam que os conquistadores espanhóis eram enviados dos deuses (de acordo com os estudiosos ortodoxos), tendo oferecido pouca resistência aos seus avanços. (Ironicamente, Cortés não menciona este episódio nas suas cartas ao Rei Carlos V de Espanha.)

Os estudiosos modernos começam a questionar esta forma de interpretar o que se passou. Reputados estudiosos dos astecas, como Ross Hassig da Universidade de Oklahoma, demonstraram que Quetzalcóatl era na realidade uma ordem religiosa de sacerdotes durante a anterior era tolteca. Esta ordem, sob tutela do seu líder Ce Acatl Topiltzin Quetzalcoatl é famosa pelo seu exílio na zona oriental do México (no que é hoje o Iucatão). Os astecas poderão ter pensado que os espanhóis eram possivelmente da linhagem da Ordem de Quetzalcoatl e como tal merecedores tratamento diplomático.

Para aumentar ainda mais a confusão sobre este assunto, existe o facto de a língua náuatle dos astecas estar repleta de termos para humildade e polidez, especialmente para convidados. Os embaixadores estrangeiros eram sempre tratados com reverência e convidados para a capital Tenochtitlan, onde experimentavam todos os aspectos da alta diplomacia esperada entre nações. Acabariam por se opor aos espanhóis, depois de se ter tornado evidente que estes não pertenciam à linhagem dos sacerdotes de Quetzalcóatl e que tão pouco eram deuses.

Após uma importante batalha em 1519, na qual as forças espanholas foram derrotadas e obrigadas a bater em retirada, os espanhóis reagruparam-se fora do Vale do México. Passados oito meses estavam de regresso, tendo ao seu lado um contingente ainda maior de nativos seus aliados. Por esta altura a varíola, trazida pelos espanhóis, havia dizimado a população asteca, reduzindo drasticamente a capacidade de combate das forças astecas. A capital Tenochtitlan foi sitiada, tendo este facto conduzido à derrota total dos astecas em 1521. Apesar das suas armas de metal, cavalos, canhões e milhares aliados indígenas, os espanhóis levaram sete meses inteiros para conseguir a capitulação dos astecas. Tratou-se de um dos mais longos cercos continuados da história mundial.

Foram três os principais factores contribuintes para a vitória espanhola. Em primeiro lugar, os espanhóis possuíam tecnologia militar superior, incluindo armas de fogo, bestas, armas de ferro e aço e cavalos. Outros aliados dos espanhóis foram as várias doenças do Velho Mundo que haviam levado com eles (principalmente a varíola), para as quais os nativos não tinham qualquer imunidade e que acabariam por tornar-se pandémicas, dizimando uma grande parte da população nativa. Por último, os espanhóis conseguiram fazer seus aliados vários povos sob o domínio do Império Asteca que viam os espanhóis como o meio de se libertarem do poder asteca, destacando-se de entre eles os tlaxcaltecas.

Após a queda de Tenochtitlan, o governo foi liderado por Hernán Cortés, auto-Capitão-geral do que foi renomeado o Nova Espanha. Ele foi então estabelecida a Audiência de México, sob o espanhol Crown com o objectivo de alcançar uma melhor administração. O vice-reinado foi criado em 1535, e foi o primeiro Vice-Rei Antonio de Mendoza.

A base da economia foi novohispana mineira. Certamente, os Vice-reinado do Peru era muito mais elevado na produção de metais preciosos (ouro e prata) nos primeiros anos do reinado espanhol nas Américas. No entanto, a descoberta de novas jazidas de Sonora para a província do sul dos Estados Unidos, permitiu que a Nova Espanha gradualmente tomou o lugar de privilégio. O mineiro permitiu o desenvolvimento de outras actividades conexas, especialmente aquelas obragens e agricultura, o que transformou partes do Bajío e vales do México e Puebla, em regiões prósperas actividade agrícola e industrial emergente.

O vice-reinado do comércio foi realizado através de duas portas: Veracruz (Golfo do México) e Acapulco (Pacífico). Em relação a este último chegou Nao da China que transportem mercadorias de Filipinas para a Nova Espanha e, em seguida, transportado por via terrestre, chegando na cidade de Puebla, no caso de a influência oriental é evidente, no seu artesanato e tradições tais como o "china poblana", o município de Veracruz, México onde foi enviado para a Espanha ou portos de Atlanta. O comércio contribuiu para o florescimento desses portos, Cidade do México e regiões intermédias. Note-se que até ao final de século XVIII, com a introdução de reformas borbónicas, as trocas comerciais entre os vice-reinados espanhois não era permitido.

A empresa professos novohispana maioritariamente religião católica A Santa Inquisição - que garantiu a retirada de idolatrias e canibalismo - tiveram seus escritórios instalados no território. O território da Nova Espanha era suficientemente grande de modo que existe um grande número de povos indígenas e uma diversidade de línguas, sem excluir os europeus. Durante os três cem anos da Nova Espanha tomou várias leis que afetam o comércio e da prosperidade das novohispana. No seu nível geral de prosperidade era a mais alta Américas, especialmente os moradores do município de México, Puebla de Los Angeles, Villa Rica de la Veracruz, Acapulco e Zacatecas, no entanto, algumas regiões sofreram grandes dificuldades que os californianos pela falta de europeização vestuário, que, no entanto, havia suficiente gado e grãos para a sua manutenção.

Apesar de que a regra geral que foi proposta uma integração política, a realidade política que instituiu a concessão de posições importantes para o espanhol da burocracia (sobretudo desde a chegada dos Bourbons, que defendeu o modelo francês de colonização, contra a qual Crioulos ou filhos de espanhóis nascidos no México começou a sofrer). E, juntamente com a pobreza enfrentam a maior parte da população indígena e mestiço divisões foram criadas tão grave como casta de Yucatán. Durante o período virreinal é gestaron muitas das tradições e instituições que têm evoluído de acordo com o caráter do povo mexicano, muitas das características dos mexicanos de hoje.

A luta pela independência começou em 16 de Setembro de 1810, liderada por Miguel Hidalgo, um padre de ascendência espanhola (ver Grito de Dolores). Após a invasão da Espanha por Napoleão I e a colocação do irmão deste no trono espanhol, os conservadores mexicanos e os ricos proprietários, apoiantes da família real espanhola da Casa de Bourbon mostraram-se contrários às políticas napoleónicas comparativamente mais liberais . Assim nasceu no México uma aliança à primeira vista improvável: dum lado os liberales, ou liberais, que defendiam um México democrático; do outro os conservadores que pretendiam um México governado por um monarca de Bourbon, que restaurasse o anterior status quo. As duas partes acabaram por concordar que o México deveria tornar-se independente e decidir o seu próprio destino.

As figuras mais proeminentes da guerra da independência do México foram o padre José Maria Morelos y Pavón, Vicente Guerrero e o general Agustín de Iturbide. A guerra prolongar-se-ia por onze anos até à entrada do exército de libertação na Cidade do México em 1821. Assim, ainda que proclamada em 1810, a independência só foi conseguida em 1821, com a assinatura do Tratado de Córdoba, que ratificava o Plano de Iguala, no dia 24 de Agosto de 1821, em Córdoba. Foram signatários deste tratado o vice-rei espanhol Juan O'Donojú e Agustín de Iturbide.

Em 1821 Agustín de Iturbide, um antigo general espanhol que havia passado para o lado das tropas independentistas, autoproclamou-se imperador (oficialmente tratava-se de uma medida temporária, até que se conseguisse persuadir um membro da realeza europeia a tornar-se monarca do México – ver Império Mexicano para mais informação). Uma rebelião contra Iturbide em 1823 levou à criação dos Estados Unidos Mexicanos. Em 1824 Guadalupe Victoria tornou-se o primeiro presidente do novo país; o seu nome de baptismo era Félix Fernandez tendo escolhido o seu novo nome por motivos simbólicos: Guadalupe como agradecimento pela protecção da Nossa Senhora de Guadalupe, e Victoria pela vitória obtida.

Sem ser encontrado um candidato à Coroa do México, foi instalada uma Junta de Governo Provisória. Em 1822, Agustín de Iturbide proclamou-se Imperador do México. Faziam parte do território mexicano os vice-reinos de Nova Espanha e a Capitania Geral de Guatemala. O Primeiro Império Mexicano durou poucos meses. Envolto em crises dado os prejuízos financeiros causados por onze anos da Guerra da Independência e dos enfrentamentos com os republicanos. Em 1823, Antonio López de Santa Anna proclamou o Plano de Casamata, que não reconhecia o governo de Iturbide e instalava a República. Derrotado, o imperador foi para o exílio.

Depois de um pequeno intervalo e de outra Junta Provisória, em 1824 o Congresso Constituinte proclamou a Constituição Federal dos Estados Unidos Mexicanos. O México passava a ter um governo central com divisão de poderes. O Congresso convocou eleições e o vencedor foi Guadalupe Victoria, para o período de 1824-1828. Depois desse mandato, os desequilíbrios voltaram com os enfrentamentos da antiga aristocracia e os pequenos grupos de liberais. Nessa instabilidade, Antonio López de Santa Anna assumiria o poder por onze vezes: cinco com os liberais e seis vezes com os conservadores.

Em 1833 houve a primeira reforma liberal do Estado, liderada por Valentín Gómez Farías (que estava como presidente interino enquanto Santa Anna se retirara para sua fazenda) e José María Luis Mora. Foi instalada uma República Centralista. Em 1835 promulgaram-se As Sete Leis, nome da Constituição cuja vigência levou à declaração de independência de Zacatecas e Texas, este último pertencente ao estado de Coahuila e Texas e que se separaria do México em 1836. Em 1841 a República de Yucatán declarou sua independência, não se reincorporando ao México até 1848.

O desastre da primeira república levou ao reestabelecimento da Constituição de 1824, mas em 6 de janeiro de 1843 foi proclamada a Segunda República Centralista, com Santa Anna à frente. Incapaz de enfrentar a invasão dos americanos, o governo central foi substituído novamente por um governo federal, iniciado em 22 de agosto de 1846. Nessa época, o México estava em Guerra contra os Estados Unidos da América, que anexou a República do Texas em 1841 e em 1846 reclamou a possessão da faixa entre o Rio Bravo (Rio Grande) e Nueces. A ocupação americana durou de 1847 até 1848 e foi concluída com a assinatura do Tratado de Guadalupe-Hidalgo, que levou à perda de mais da metade do território mexicano.

Os primeiros anos depois do conflito com os americanos foram de certa tranquilidade, mas novos atritos entre liberais e conservadores fariam com que Santa Anna voltasse ao poder (1853-1855). Santa Anna nomeou-se Ditador de México e governou com o título de Sua Alteza Sereníssima por lei constitucional. O país estava arruinado e o governo era afligido pela corrupção. Em 1854 os liberais pegaram em armas, amparados pelo Plano de Ayutla, liderados por Juan Álvarez e Ignacio Comonfort. A Revolução de Ayutla derrubou Santa Anna e colocou interinamente Álvarez no poder. Seu sucessor, Comonfort, promulgou várias leis liberais (Leis da Reforma) que estabeleceram a separação entre o Estado e a Igreja Católica e anulou os privilégios da corporações. Seguidores do Plano de Tacubaya não reconheceram o governo de Comonfort e nomearam um presidente provisório, o que fez que estourasse a chamada Guerra da Reforma (ou Guerra dos Três Anos), pois em seu transcurso foram promulgadas Leis de Reforma.

Com a renúncia de Comonfort, Benito Juárez ocupou a presidência interina da República em 15 de janeiro de 1858. Convocou uma nova constituinte que promulgou uma nova constituição Mexicana, de inspiração liberal. A Guerra da Reforma terminou com a vitória dos liberais em janeiro de 1861. Nesse mesmo ano o governo interrompeu os pagamentos da dívida externa. A França, um dos principais credores, forçou a Espanha e a Inglaterra a pressionarem militarmente o governo mexicano. A marinha dos aliados chegou a Veracruz em fevereiro de 1862. O governo passou a negociar pela via diplomática e conseguiu a retirada dos espanhóis e dos ingleses.

Os franceses, contudo, iniciaram as hostilidades militares com o desembarque de tropas em Veracruz. O primeiro confronto foi na batalha de Puebla, vencida pelo exército de Ignacio Zaragoza e as milícias populares. A capital, todavia, foi ocupada pelos franceses em junho de 1863. O governo republicano foi perseguido pelos estrangeiros até se estabelecer em Paso del Norte. Em 10 de julho a Assembleia de Notáveis reunida na capital nomeou como imperador Maximiliano de Habsburgo. OSegundo Império Mexicano durou até 1867, terminando com a derrota dos franceses e a rendição dos conservadores e o fuzilamento do imperador em Santiago de Querétaro.

Juárez ficou no poder até sua morte em 18 de julho de 1872. Os últimos anos de governo foram duramente criticados pelas diversas facções em que se haviam divididos os liberais. Alguns não aceitavam que um governo democrático durasse 14 anos. A morte de Juárez levou a presidência a ser ocupada por Sebastián Lerdo de Tejada, que transformou em leis constitucionais as leis radicais da reforma, promulgadas entre 1855 e 1856. Lerdo tentou reeleger-se, mas os porfiristas pegaram em armas e o derrotaram. Porfirio Díaz ocupou a presidência em 1876.

Foi iniciado o período da história do México conhecido como Porfiriato. Nessa período as Leis da Reforma (em especial, a Lei Lerdo) serviram de marco para favorecer a concentração de terras. Os camponeses foram recrutados para trabalhar nas fazendas (haciendas) e alguns grupos indígenas se mostraram particularmente rebeldes, como os iáquis e os maias, que foram expulsos de seus lugares de origem e obrigados a trabalhar até a morte em lugares como o Vale Nacional.

O governo de Díaz privilegiava a especulação estrangeira. A maior parte do capital investido no México era francês, seguido dos ingleses, americanos, alemães e espanhóis. Quando Díaz disse que o México estava pronto para a democracia em uma entrevista, algumas pessoas se apressaram a preparar as eleições de 1910. Francisco I. Madero, o provável ganhador do pleito, foi aprisionado em São Luís Potosí. Díaz foi eleito junto com Ramón Corral, e a disputa sobre a legitimidade deste eleição levou ao estalar da Revolução Mexicana.

Em 1910, Díaz, então com 80 anos de idade, decidiu convocar eleições com vista à sua reeleição como presidente. Pensava ter há muito eliminado qualquer oposição capaz de lhe fazer frente no México; contudo, Francisco Madero, um académico oriundo de uma família rica, decidiu concorrer contra ele tendo obtido rapidamente o apoio popular apesar de Díaz ter ordenado a sua prisão.

Quando os resultados oficiais da eleição foram anunciados, Díaz foi declarado vencedor quase unanimemente, com Madero a receber apenas algumas centenas de votos em todo o país. Esta fraude cometida pelo Porfiriato era demasiado gritante para ser ignorada pelo povo. Madero procedeu então à elaboração de um documento, conhecido como Plano de San Luis Potosí, no qual incitava o povo mexicano a pegar em armas contra o governo de Porfírio Díaz em 20 de Novembro, de 1910.

Assim teve início o que ficou conhecido como Revolução Mexicana. Madero foi detido em San Antonio, Texas, mas o seu plano surtiu efeito apesar de ele se encontrar preso. O exército federal foi derrotado pelas forças revolucionárias comandadas por, entre outros, Emiliano Zapata no sul, Pancho Villa e Pascual Orozco no norte e Venustiano Carranza. Porfírio Díaz renunciaria ao cargo de presidente em 1911 em prol da paz nacional, tendo-se exilado na França, onde morreria em 1915.

Os líderes revolucionários tinham muitos objectivos diferentes; as figuras revolucionárias iam de liberais como Madero a radicais como Emiliano Zapata e Pancho Villa. Como consequência, provou ser muito difícil conseguir um acordo sobre a organização de um governo emanado dos grupos revolucionários vitoriosos. O resultado foi uma luta pelo controlo do governo mexicano, um conflito que se estendeu por mais de vinte anos. Este período de luta é geralmente considerado parte da Revolução Mexicana embora possa também ser visto como uma guerra civil. Durante este período seriam assassinados, entre muitos outros, os presidentes Francisco I. Madero (1911), Venustiano Carranza (1920), bem como os líderes revolucionários Emiliano Zapata (1919) e Pancho Villa (1923).

À resignação de Díaz sucedeu-se um breve interlúdio reaccionário, com a eleição de Madero como presidente em 1911. Foi deposto e morto em 1913 por Victoriano Huerta. Venustiano Carranza, um antigo general revolucionário que se tornou um dos vários presidentes neste período conturbado, promulgou uma nova constituição em 5 de Fevereiro de 1917. A Constituição Mexicana de 1917 ainda hoje rege o México.

Álvaro Obregón torna-se presidente em 1921. Agradava a todos os grupos da sociedade mexicana, com excepção das franjas mais reaccionárias do clero e dos grandes proprietários, tendo sido bem sucedido na catalisação da liberalização social, em particular reduzindo o papel da Igreja Católica, melhorando a educação e tomando medidas visando a instituição dos direitos civis das mulheres.

Ainda que a Revolução Mexicana e a guerra civil estivessem terminadas depois de 1920, os conflitos armados continuaram. O conflito mais abrangente desta época foi a luta entre os que queriam uma sociedade secular com separação entre Igreja e Estado e, por outro lado, os que defendiam a supremacia da Igreja Católica e que acabaria por resultar num levantamento armado por parte de apoiantes da Igreja, no que se chama a Guerra Cristera.

O Partido Nacional Mexicano, ou PNM, foi formado, em 1929, pelo então presidente general Plutarco Elías Calles. Este partido tornar-se-ia mais tarde o Partido Revolucionário Institucional ou PRI, que governou o país durante o que restava do século XX. O PNM foi bem sucedido na tentativa de convencer a maioria dos generais revolucionários que ainda restavam a desmobilizar os seus exércitos pessoais que passaram a integrar o recém-criado Exército Mexicano. A fundação do PRI é considerada por alguns como o verdadeiro fim da Revolução Mexicana.

Em 1934 chega ao poder o presidente Lázaro Cárdenas, transformando o México: em 1 de Abril de 1936 enviou Calles, o último general com ambições ditatoriais, para o exílio; conseguiu ainda unir as diferentes facções dentro do PRI, estabelecendo as regras que permitiriam ao seu partido governar sozinho durante décadas, sem perturbações internas. No dia 18 de Março de 1938, procedeu à nacionalização das indústrias petrolíferas e eléctricas; criou o Instituto Politécnico Nacional, concedeu asilo aos refugiados da Guerra Civil de Espanha, iniciou a reforma agrária, a distribuição gratuita de livros escolares e, em geral, prosseguiu políticas que, para o bem e para o mal, marcaram o desenvolvimento do México até aos nossos dias.

Manuel Ávila Camacho, o sucessor de Cárdenas, foi presidente durante um período de transição entre a era revolucionária e a era da política de aparelho sob o domínio do PRI que duraria até ao ano 2000. Afastando-se da autarquia nacionalista, propôs-se criar um clima favorável ao investimento estrangeiro favorecido, havia duas gerações, por Madero. O regime de Camacho congelou os salários, reprimiu as greves e perseguiu os dissedentes com base numa lei que proibia o crime de dissolução social. Assim, o PRI traía a herança da reforma agrária. Miguel Alemán Valdés, o sucessor de Camacho, chegaria mesmo a emendar o Artigo 27º da Constituição Mexicana de forma a proteger a elite dos proprietários.

Apesar de os regimes do PRI terem conseguido crescimento económico e uma prosperidade relativa durante quase três décadas após a Segunda Guerra Mundial, a economia sofreu vários colapsos e a agitação política aumentou no final dos anos 60, culminando no massacre de Tlatelolco, em 1968. Duas crises económicas ocorreram em 1976 e 1982, após o que se procedeu à nacionalização da banca, considerada culpada dos problemas económicos, num período que ficou conhecido como a Década Perdida. Nestas duas crises o peso mexicano foi desvalorizado e, até ao ano 2000, era normal ocorrer a desvalorização da moeda e um período de recessão no final de cada mandato presidencial, ou seja, de seis em seis anos. A crise de Dezembro de 1994, iniciada por uma desvalorização do peso mexicano, atirou o México para o caos económico, despoletando a mais grave recessão económica do país em mais de meio século.

No dia 19 de Setembro de 1985, um terramoto de aproximadamente grau 8 na escala de Richter e epicentro ao largo da costa de Michoacán causou grandes danos na Cidade do México. As estimativas para o número de mortos variam de 6500 a 30000. (Ver Terramoto da Cidade do México de 1985.



O Japão é um arquipélago formado por quatro ilhas principais: Hokkaido, Honshu, Shikoku e Kyushu e mais de três mil ilhas menores. Estende-se a Terra do Sol Nascente de norte a sul, no Extremo Oriente, ao longo da costa do continente asiático, no hemisfério setentrional. O arquipélago está separado do continente por um braço de mar, que tem a denominação do mesmo pais, e o lado oposto acha-se banhado pelo maior oceano do mundo: o Pacifico.
Esta separação colocou barreiras em torno do pais, mantendo o Japão isolado, por muitos séculos, da influência total dos povos e das culturas do continente. Pode-se dizer, portanto, que o mar e o oceano participaram também na formação étnica e cultural do atual povo nipônico, pois foram eles que o conservaram até os fins do século XIX, sem que nenhum povo viesse violar a sua formação todo especial. Além disso, o mar e o oceano contribuíram decisivamente na alimentação dos habitantes do arquipélago, suprindo-os, até hoje, com os seus produtos. Deve-se também àquelas barreiras marítimas o desenvolvimento atual da construção naval, em que o Japão é a primeira potência do mundo.
O território nipônico mede, aproximadamente, 370 mil quilômetros quadrados de superfície, porém apenas um quinto desse total é plano. Uma série de cordilheiras estende-se de norte a sul, ao longo do território estreito, como uma espinha dorsal.
Essas cordilheiras consistem nos 250 montes com mais de 2.000 metros de altura, sendo o seu ponto culminante o famoso Monte Fuji, que mede 3.776 metros. Tais acidentes geográficos são devidos ao fato de ser o Japão um país vulcânico; existem 192 vulcões, 58 dos quais em atividade.
Diante desse fato, os japoneses tiveram de enfrentar o problema populacional, visto que a área cultivável é muito limitada para a produção de víveres. Este aspecto acidentado do território pode oferecer algumas vantagens aos habitantes, mas lhes causa constantemente danos e ameaças.
Além de ser acidentado, o território nipônico é também estreito. Por isso, seus rios, que são numerosos, apresentam um percurso curto e de correnteza rápida. Contribuíram ele bastante no cultivo do arroz. No entanto, por outro lado, causam periodicamente, inundações catastróficas, tragando vidas, arrasando viveres e, muitas vezes, espalhando epidemias.
Entretanto, nos dias de hoje, os rios vieram oferecer aos japoneses uma fonte inestimável de riqueza: a energia elétrica. Em 1963, contavam-se 1554 usinas hidroelétricas, que participavam no progresso do parque industrial nipônico.
O clima do Japão é ameno, sendo as quatro estações bem distintas. A primavera é o descortinar das maravilhas da natureza: o desabrochar das flores, entre as quais a cerejeira, símbolo da nação, o verde mimoso a brotar nos ramos despidos das árvores. O verão, quente e úmido, começa após uma temporada de chuvas contínuas, em meados de junho. O outono é a estação mais agradável; o céu límpido de um azul mais profundo e as matas, após as primeiras geadas, cobrem-se com o colorido vivo das folhagens, que estão destinadas a cair ao entrar o inverno.
O inverno, rigorosíssimo ao norte do território, é acompanhado de nevascas violentas; porém, nas regiões sulinas, é mais suave e, muitas vezes, agradável, com os dias de sol a brilhar.
As condições climáticas são, em parte, favoráveis, mas, por outro lado, o povo vem sofrendo periodicamente os castigos do sol abrasador, das chuvas excessivas, dos rígidos invernos, dos impiedosos tufões e de outros fenômenos da natureza, que deixam a marca de suas garras sobre o Pais do Sol Nascente. Todavia, essas condições climáticas não deixaram de oferecer também as suas vantagens: as transformações das paisagens pitorescas, de acordo com a mudança das estações.Esta beleza natural criou, no íntimo dos japoneses, a admiração, o amor, o bom gosto e a inspiração para com a arte em geral.
Estas condições geográficas criaram, naturalmente, no povo nipônico, um caráter inteiramente especial.



A história política do Egito Antigo é tradicionalmente dividida em duas épocas:Pré-Dinástica (até 3200 a.C.): ausência de centralização política.

População organizada em nomos (comunidades primitivas) independentes da autoridade central que era chefiada pelos nomarcas. A unificação dos nomos se deu em meados do ano 3000 a.C., período em que se consolidaram a economia agrícola, a escrita e a técnica de trabalho com metais como cobre e ouro.
Dois reinos Alto Egito (sul) e Baixo Egito (norte) surgiram por volta de 3500 a.C. em conseqüência da necessidade de se unir esforços para a construção de obras hidráulicas.Dinástica: Forte centralização política Menés, rei do Alto Egito, subjugou em 3200 a.C. o Baixo Egito. Promoveu a unificação política das duas terras sob uma monarquia centralizada na imagem do faraó, dando início ao Antigo Império, Menés tornou-se o primeiro faraó. Os nomarcas passaram a ser “governadores” subordinados à autoridade faraônica.

Periodização Histórica

A Época Dinástica é dividida em três períodos:

Antigo Império (3200 a.C. – 2300 a.C.)

Capital: Mênfis foi inventada a escrita hieroglífica.Construção das grandes pirâmides de Gizé, entre as quais as mais conhecidas são as de Quéops, Quéfrem e Miquerinos. Esses monumentos, feitos com blocos de pedras sólidas, serviam de túmulos para os faraós. Tais construções exigiam avançadas técnicas de engenharia e grande quantidade de mão-de-obra.Invasão dos povos nômades: fragmentação do poder Médio Império (c. 2040-1580 a.C.)Durante 200 anos o Antigo Egito foi palco de guerras internas marcadas pelo confronto entre o poder central do faraó e os governantes locais – nomarcas. A partir de 2040 a.C., uma dinastia poderosa (a 12ª) passou a governar o País iniciando o período mais glorioso do Antigo Egito: o Médio Império. Nesse período:
Capital: Tebas
Poder político: o faraó dividia o trono com seu filho para garantir a sucessão ainda em vida
Poder central controlava rigorosamente todo o país
Estabilidade interna coincidiu com a expansão territorial
Recenseamento da população, das cabeças de gado e de terras aráveis visando a fixação de impostos
Dinamismo econômico

Os Hicsos

Rebeliões de camponeses e escravos enfraqueceram a autoridade central no final do Médio Império, permitindo aos hicsos - um povo de origem caucasiana com grande poderio bélico que havia se estabelecido no Delta do Nilo – conquistar todo o Egito (c.1700 a.c.). Os hicsos conquistaram e controlaram o Egito até 1580 a.C. quando o chefe militar de Tebas derrotou-os. Iniciou-se, então, um novo período na história do Egito Antigo, que se tornou conhecido como Novo Império.
As contribuições dos hicsos foram:
fundição em bronze
uso de cavalos
carros de guerra
tear vertical

Novo Império - (c. 1580- 525 a.C.)

O Egito expulsou os hicsos conquistando, em seguida, a Síria e a Palestina.
Capital: Tebas.
Dinastia governante descendente de militares.
Aumento do poder dos sacerdotes e do prestígio social de militares e burocratas.
Militarismo e expansionismo, especialmente sob o reinado dos faraós Tutmés e Ramsés.
Conquista da Síria, Fenícia, Palestina, Núbia, Mesopotâmia, Chipre, Creta e ilhas do Mar Egeu.
Afluxo de riqueza e escravos e aumento da atividade comercial controlada pelo Estado.
Amenófis IV promoveu uma reforma religiosa para diminuir a autoridade dos sacerdotes e fortalecer seu poder implantando o monoteísmo (acrença numa única divindade) durante seu reino.
Invasões dos “povos do mar” (ilhas do Mediterrâneo) e tribos nômades da Líbia conseqüente perda dos territórios asiáticos.
Invasão dos persas liderados por Cambises.
Fim da independência política.
Com o fim de sua independência política o Egito foi conquistado em 343 a.C. pelos persas. Em 332 a.C. passou a integrar o Império Macedônio e, a partir de 30 a.C., o Império Romano.



A primeira civilização a aparecer na Grécia foi a civilização minóica (ou minoana, ou mínia) no Mar Egeu. Essa cultura tomou lugar aproximadamente entre 2600 a.C. e 1450 a.C. Comparativamente a períodos mais recentes da história grega, pouco se sabe a respeito dos minoanos, de quem até mesmo o nome é um termo moderno, provindo de Minos, lendário rei de Creta. Aparentemente eram um povo pré-Indo-Europeu; sua língua, conhecida como Eteocretense e desprovida de relação com o idioma grego, é provavelmente o que se vê no sistema de escrita denominado Linear A, encontrado na ilha, mas que ainda não se conseguiu decifrar.

Os minóicos eram um povo principalmente mercante, engajados no comércio marítimo, isto é, eram de cultura talassocrática. Características da vida religiosa minóica incluem principalmente o simbolismo, a ausência de templos e a proeminência de divindades femininas.

Apesar das causas da queda desse povo serem incertas, é sabido que terminaram por serem invadidos pelos micênicos, um povo da Grécia continental.

A Grécia Micênica, também conhecida como "Grécia da Idade do Bronze", é o nome dado à civilização da Idade do Bronze do período Heládico Antigo (este último, geralmente estabelecido como o intervalo 2.500-1.900 a.C.). A cultura grega desse período durou desde a chegada dos gregos no Egeu, por volta de 1.600 a.C. até o colapso de sua civilização da Idade do Bronze por volta de 1.100 a.C.. É a esse período que refere-se o trabalho épico de Homero, bem como muito da mitologia grega. O período Micênico teve seu nome adotado a partir do sítio arqueológico de Micenas, cidade situada no nordeste da Argólida, uma região do Peloponeso (enorme península no sul da Grécia). Atenas, Pilos, Tebas e Tirinto também são importantes sítios arqueológicos do período micênico grego.

A civilização micênica era dominada por uma aristocracia guerreira. Por volta de 1.400 a.C. os micênios estenderam seu controle a Creta, o centro da civilização Minóica (cf. item anterior, Civilização do Egeu), e adotaram uma forma da escrita minóica para que pudessem registrar sua primitiva variante da língua grega. Ao novo sistema de grafia (símbolos minóicos representando a nova língua grega), o sistema de escrita micênico, se convencionou chamar de Linear B.

Os micênicos enterravam seus nobres em θόλοι (thóloi, singular thólos; literalmente "cúpula" ou "em forma de cúpula"), grandes câmaras de sepultamento circular com um alto teto abobadado e uma passagem de entrada aberta em forma retangular, alinhada com as pedras das quais era feito o sepulcro. Márgio Giordani define um exemplo clássico de tholos como sendo "a tumba encontrada em Micenas e conhecida como Tesouro de Atreu." Era comum enterrarem adagas ou qualquer outro equipamento militar com o falecido. A aristocracia era freqüentemente enterrada com máscaras de ouro, tiaras, armaduras e armas incrustadas de jóias. Os micênios eram enterrados na posição sentada, e alguns indivíduos da aristocracia foram mumificados.

Por volta de 1.100 a.C. a civilização micênica entrou em colapso. Várias cidades foram saqueadas e a região entrou no que os historiadores denominam Idade das Trevas. Durante esse período a Grécia viveu um declínio tanto populacional como literário. Os próprios gregos costumavam atribuir a causa desse declínio à invasão duma nova vaga de gregos, os Dórios. Todavia, as evidências arqueológicas que poderiam comprovar esse ponto de vista são escassas.

A Idade das Trevas na Grécia (c. 1200 a.C.-800 a.C.) refere-se ao período da pré-história grega começando com a presumida invasão dórica, ocasionando o fim da civilização micênica no século XI a.C., e terminando na ascensão das primeiras cidades-estados gregas no século IX a.C., com os poemas épicos de Homero e com as primeiras instâncias da escrita alfabética grega no século VIII a.C..

O colapso dos micênicos coincidiu com a queda de vários outros grandes impérios no Oriente Próximo, especialmente o império hitita e o egípcio. O motivo pode ser atribuído a uma invasão da população talassocrática de posse de armas de ferro. Quando os dórios apareceram na Grécia, também eles estavam equipados com armas de ferro de qualidade superior, facilmente dando cabo dos já fracos micênicos. O período que se seguiu a esses acontecimentos é chamado de Idade das Trevas na Grécia ou Idade das Trevas Grega.

A arqueologia mostra que a civilização do mundo grego sofreu um colapso nesse período. Os grandes palácios e cidades dos micênicos foram destruídos ou abandonados. A língua grega deixou de ser escrita. A arte cerâmica da Grécia durante a idade das trevas mostra desenhos geométricos simplistas, desprovida da rica decoração figurativa dos produtos micênicos. Os gregos do período da idade das trevas viviam em habitações menores e mais esparsas, o que sugere a fome, escassez de alimentos e uma queda populacional. Não foram encontrados em sítios arqueológicos nenhum artigo importado, mostrando que o comércio internacional era mínimo. O contato entre poderes do mundo exterior também foi perdido durante essa época, resultando num progresso cultural vagaroso, bem como uma atrofia em qualquer tipo de crescimento.

Os reis desse período mantiveram sua forma de governo até que foram substituídos por uma aristocracia. Mais tarde, nalgumas áreas, essa aristocracia foi substituída por um setor aristocrático dentro de si próprio - a elite da elite. As técnicas militares de guerra tiveram seu foco mudado da cavalaria para a infantaria, e devido ao barato custo de produção e de sua disponibilização local, o ferro substituiu o bronze como metal, sendo usado na manufatura de ferramentas e armas. Lentamente a igualidade cresceu entre os diferentes estratos sociais, resultando na usurpação de vários reis e na ascensão da família (γένος, genos).

As famílias (γένοι, génoi) começaram a recontruir seu passado, na tentativa de traçar suas linhagens a heróis da Guerra de Tróia, e ainda mais além - principalmente a Hércules. Enquanto a maior parte daquelas histórias eram apenas lendas, algumas foram separadas por poetas da escola de Hesíodo. Alguns desses "contadores de histórias", como eram chamados, incluíam Hecateu de Mileto e Acusilau de Argos, mas a maioria desses poemas foram perdidos.

Acredita-se que os poemas épicos de Homero contêm um certo montante de tradição preservada oralmente durante o período da Idade das Trevas. A validade histórica dos escritos de Homero têm sido disputada vigorosamente (cf. a "questão homérica").

Ao fim desse período de estagnação (uma das principais características da Idade das Trevas) a civilização grega foi tomada por um período de renascença que se espalhou pelo mundo grego chegando até o Mar Negro e a Espanha. A escrita foi reintroduzida pelos fenícios, retomada e modificada pelos gregos e, depois, pela Itália e pelos gauleses.

O período arcaico vai do século XII ao VIII a.C. Geralmente chama-se "Grécia Antiga" a todo o período da história grega anterior ao Império Romano, enquanto "Grécia Arcaica", termo usado pelos historiadores, refere-se especificamente a um dos períodos da antigüidade grega.

Alguns escritores incluem as eras das civilizações minóica e micênica no período arcaico grego, enquanto outros defendem a tese de que essas civilizações eram tão diferentes das culturas gregas posteriores que deveriam ser classificadas separadamente. Tradicionalmente convencionou-se afirmar que o período arcaico grego teve início com a data dos primeiros Jogos Olímpicos em 776 a.C., mas a maioria dos historiadores atualmente retrocedem esse intervalo até o ano de 1.000 a.C. aproximadamente. A data tradicional para o fim desse período é a morte de Alexandre, o Grande em 323 a.C., que marcou o início do período classificado como Helenístico. Todavia, nem todos observam essa regra de distinção entre a Grécia Arcaica e a Helenística: alguns escritores preferem considerar a civilização grega antiga como um continuum estendendo-se até o advento do Cristianismo no século III d.C..

A Grécia arcaica é considerada pela maioria dos historiadores como uma cultura que representou o fundamento da civilização ocidental. A cultura grega foi uma influência poderosa no Império Romano, que levou a muitas partes da Europa uma versão dessa cultura. A civilização da Grécia arcaica foi de influência pujante no mundo moderno, em diversos aspectos culturais, como língua, política, educação e escolaridade, filosofia, arte e arquitetura, principalmente durante a Renascença na Europa Ocidental, e, novamente, durante vários revivals néo-Clássicos no séculos XVIII e XIX d.C. tanto na Europa como nas Américas.

A unidade política básica na Grécia arcaica era a pólis (πόλις), geralmente traduzida como cidade-estado. A própria palavra "política" (em grego, τα πολιτικά, assuntos públicos ou assuntos do Estado) significa "assuntos da pólis". Cada cidade era independente, ao menos em teoria. Algumas cidades poderiam ser subordinadas a outras (como uma colônia tradicionalmente acedendo à sua cidade-mãe), outras poderiam adotar formas de governo inteiramente dependentes de outras cidades (os Trinta Tiranos de Atenas foram impostos por Esparta ao fim da Guerra do Peloponeso), mas o título de poder supremo de cada cidade encontrava-se nelas próprias. Isso significa que quando a Grécia entrava em guerra (p.ex., contra o Império Persa), era como se uma aliança entrasse em guerra. Tal característica, por outro lado, também deu ampla oportunidade para guerras dentro da própria Grécia, entre cidades diferentes.

A maioria dos nomes gregos conhecidos de leitores de mundo atual vem dessa época. Entre os poetas, Homero, Hesíodo, Píndaro, Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Aristófanes e Safo eram ativos. Políticos famosos incluem Temístocles, Péricles, Lisandro, Epaminondas, Alcebíades, Felipe II da Macedônia e seu filho Alexandre, o Grande. Ainda neste período, Sócrates, Platão e Aristóteles deixaram seu legado, bem como Heráclito de Éfeso, Parmênides, Demócrito, Heródoto, Tucídides e Xenofonte. Quase todo o conhecimento e estudo matemático formalizado n' Os Elementos de Euclides, publicado no período Helenístico, foi desenvolvido durante a era arcaica.

Duas guerras de importância-mor marcaram o mundo grego antigo: as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso. As Guerras Médicas (500-448 a.C.) são contadas em "Histórias" de Heródoto. As cidades gregas jônicas revoltaram-se contra o Império Persa e foram apoiadas por algumas cidades do continente, por fim sendo lideradas por Atenas (as batalhas mais memoráveis dessa guerra incluem a Batalha de Maratona, a Batalha das Termópilas, a Batalha de Salamina e a Batalha de Platéia).

Em função de levar a cabo a guerra - e, subsequentemente , de defender a Grécia de ataques posteriores por parte dos Persas - Atenas fundou a Liga, ou Confederação de Delos em 477 a.C.. Inicialmente cada cidade da confederação contribuiria com soldados e navios a um exército grego comum, mas, com o passar do tempo, Atenas permitiu (e, depois, obrigou) cidades menores a contribuir com capital em vez de construir navios. Qualquer revolução com o intuito de deixar ou modificar a confederação seria punida. Após os conflitos com os persas, o tesouro terminou por ser transferido de Delos para Atenas, o que resultou no fortalecimento dessa cidade sobre o controle da confederação. A Liga de Delos terminou sendo referida pejorativamente como "o Império Ateniense".

Em 458 a.C., mesmo enquanto as Guerras Médicas ainda tomavam lugar, irrompeu-se a guerra entre a Confederação de Delos e a Confederação do Peloponeso, que compreendia Esparta e seus aliados. Depois de batalhas inconclusivas, os dois lados assinaram um tratado de paz em 447 a.C..

Estipulara-se que o tratado deveria durar trinta anos, mas, em vez disso, sobreviveu apenas até 431 a.C., quando estourou a temível Guerra do Peloponeso, que mudaria para sempre o mundo grego. As fontes principais acerca do ocorrido nessa famosa guerra são a "História da Guerra do Peloponeso" de Tucídides e a "Helênica" de Xenofonte.

Tucídides relata que uma das causas primeiras da guerra foi a disputa entre Córcira e Epidamno. Essa última era uma cidade de estatura menor, que o próprio Tucídides considera necessário informar o leitor acerca de onde se localiza. Corinto, que também reclamava controle sobre a cidade (Epidamno), interveio na disputa, tomando o lado dos epidamnenses. Receiosa de que Corinto pudesse capturar a marinha corciréia (que, em tamanho, ficava atrás somente da ateniense), Córcira buscou a ajuda de Atenas, que terminou por intervir, impedindo Corinto de desembarcar na Córcira durante a Batalha de Sibota, sitiando Potidéia e proibindo todo e qualquer comércio de Corinto com Mégara, sua mais próxima aliada (cf. decreto megárico).

Houve desacordo entre os gregos quanto a que partido teria violado o tratado entre as confederações de Delos e do Peloponeso, devido a fato de Atenas estar defendendo uma aliada (que o próprio tratado de paz permitia). Os coríntios pediram ajuda a Esparta. Com receio do poder crescente de Atenas, e observando como os atenienses estavam dispostos a usar-se desse poder para subjugar os megáricos (o embargo ateniense do decreto megárico teria arruinado o estado), Esparta finalmente declarara que o tratado de paz havia sido violado, dando início à Guerra do Peloponeso.

A primeira fase da guerra (conhecida "Guerra dos Dez Anos" ou, menos freqüentemente, como "Guerra de Arquidamo", devido ao rei espartano Arquidamo II) estendeu-se até 421 a.C., quando tomou lugar o Tratado de paz de Nícias. O general e líder ateniense Péricles afirmava que sua cidade lutava uma guerra defensiva, evitando a batalha contra as forças terrestres de força superior dos espartanos, importando todo o necessário através da poderosa marinha ateniense: o plano era simplesmente resistir por mais tempo do que Esparta podia lutar - os espartanos temiam ausentar-se de sua cidade por muito tempo devido às revoltas suscitadas pelos hilotas. Para que essa estratégia funcionasse, Atenas teve que agüentar sítios regulares, até que em 430 a.C. a cidade sofreu com o aparecimento duma praga terrível, que terminou por dizimar aproximadamente um quarto de sua população, incluindo o próprio Péricles.

Com a ausência de Péricles no governo e na liderança militar, elementos menos conservadores ganharam poder e Atenas partiu para a ofensiva. A cidade capturou cerca de 300 a 400 hoplitas espartanos na Batalha de Pilos. Essa quantia representava uma fração significante da força ofensiva espartana, que terminou por decidir que não poderiam se dar ao luxo de perder. Enquanto isso, Atenas havia sofrido derrotas humilhantes em Decélia e em Anfípolis. O Tratado de Nícias foi concluído com a recuperação espartana de seus reféns e a recuperação ateniense da cidade de Anfípolis. Atenas e Esparta assinaram o Tratado de Nícias em 421 a.C., prometendo mantê-lo por cinqüenta anos.

A segunda fase da Guerra do Peloponeso teve início em 415 a.C., quando Atenas embarcou na Expedição à Sicília (415-413 a.C.) para apoiar Segesta, cidade que pedira a ajuda ateniense ao ser atacada por Selinonte, líder da cidade de Siracusa, que tentava obter a hegemonia sobre a Sicília. Inicialmente, Esparta estava disposta a não ajudar sua aliada siracusana, da mesma forma que Nícias pedira a Atenas para não se intrometer no assunto, uma vez que o tratado de paz ainda estava de pé. Porém, Alcibíades, general ateniense de grande influência entre os jovens da época, terminou por convencer os atenienses a intervir no conflito, resultando na inflamação de Esparta, que o acusou de atos ímpios incrivelmente grosseiros e terminou por tomar parte, ela também, no conflito, uma vez que não poderia permitir que Atenas subjugasse Siracusa (isso acarretaria no domínio ateniense sobre o mercado ocidental de cerais, além de abrir caminho para a Etrúria). A campanha terminou sendo um completo desastre, e provavelmente a maior derrota sofrida pelos atenienses até então, com Nícias morto e Alcibíades desertando Atenas e juntando forças com Esparta.

Com o apoio do novo general espartano Alcibíades, as possessões jônicas de Atenas rebelam-se. Em 411 a.C., por meio duma revolução oligárquica em Atenas, chegou a entrever-se paz, mas a marinha ateniense, que permanecia fiel ao sistema democrático de governo, recusou-se a aceitar a mudança e continuou lutando em nome de Atenas. Alcibíades, que desejava voltar a Atenas, planejava aliar-se aos persas para derrotar os espartanos, mas, como não havia meios, e, mais tarde, devido à suposta tentativa de seduzir a mulher do rei Ágis II, rei espartano, terminou deixando Esparta, dirigindo-se às forças atenienses estacionadas em Samos, onde foi acolhido como general. A oligarquia em Atenas terminou por ruir e Alcibíades entrou em marcha para reconquistar o que havia sido perdido.

Em 407 a.C., contudo, Alcibíades seria substituído devido a uma derrota naval na Batalha de Nótio. O general espartano Lisandro, fortalecendo o poder naval de sua cidade, conquistou vitória atrás de vitória. Depois da Batalha de Arginusa, nas ilhas Arginusas, cuja vitória pertenceu aos atenienses, mas que, devido ao mau tempo, teve suas tropas navais impedidas de resgatar alguns de seus náufragos e feridos, Atenas cometeu o erro de executar e ostracizar oito de seus melhores comandantes. Lisandro obteve uma vitória esmagadora na Batalha de Egos Potamós (Rio das Cabras) em 405 a.C., que virtualmente destruiu a frota ateniense. Atenas terminou por render-se um ano depois, finalmente colocando um fim à Guerra do Peloponeso.

A guerra deixou um rastro de devastação. Descontentes com a hegemonia espartana que se seguiu (incluindo o fato de que Esparta havia cedido a Jônia e o Chipre ao Império Persa com o fim da Guerra Corintiana (395-387 a.C.); cf. Tratado de Antalcidas), Tebas resolveu atacar. Seu general, Epaminondas, esmagou Esparta na Batalha de Leuctra em 371 a.C., inaugurando o breve período do dominação tebana na Grécia. Em 346 a.C., incapaz de prevalecer em seu conflito com a Fócida, que já durava dez anos, Tebas pediu auxílio a Filipe II da Macedônia, o que resultou no rápido domínio macedônico sobre grande parte da Grécia, que estava enfraquecida depois de 27 anos de luta entre si. A unidade política básica daquele momento em diante foi o império, que terminou por dar início ao período helenístico grego.

O período helenístico da história grega começa com a morte de Alexandre em 323 a.C. e termina com a anexação da península e ilhas gregas por Roma em 146 a.C.. Apesar do fato de que o estabelecimento do governo romano não quebrou a continuidade da sociedade e cultura helenísticas - que permaneceram essencialmente as mesmas até o advento do Cristianismo -, ele marcou, contudo, o final da independência política grega.

Durante o período helenístico, a importância da Grécia "em si" (ou seja, o território representado pela Grécia atual) dentro do mundo grecófono delinou nitidamente. Os grandes centros de cultura helenística eram Alexandria e Antioquia, capitais do Egito ptolemaico e da Síria selêucida respectivamente. Outros centros importantes eram Esmirna, Selêucida do Tigre, Éfeso e Pérgamo, todas fora da Grécia continental (cf. Civilização Helenística para a história da civilização grega fora da Grécia durante esse período.)

Atenas e suas aliadas (todas as populações da Grécia Central e do Peloponeso, com exceção de Esparta), ao receberam notícia da morte de Alexandre, revoltaram-se contra a Macedônia, mas foram derrotadas dentro de um ano, na Guerra Lamíaca. Enquanto isso, uma contenda pelo poder deixado por Alexandre irrompeu entre seus generais, resultando no desmembramento de seu império e no estabelecimento dum número de novos reinos (cf. Diádocos). Ptolomeu ficou com o Egito, Seleuco com o Levante, a Mesopotâmia e algumas cidades a leste. O controle da Grécia, Trácia e Anatólia foi contestado, mas por volta de 298 a.C. a dinastia dos Antigônidas suplantara a antipátrida.

O controle macedônio das cidades-estados gregas foi intermitente, com o aparecimento de revoltas. Atenas, Rodes, Pérgamo e outros estados gregos mantiveram uma independência substancial, juntando-se à Confederação da Etólia (ou "Liga da Etólia") com a intenção de defender essa independência. A Confederação da Acaia (ou "Liga da Acaia") ainda que teoricamente sujeita à dinastia ptolemaica (também chamada de dinastia dos Lágidas), agia, de fato, independentemente, controlando a maioria do sul da Grécia. Esparta também continuou independente, mas recusou-se a fazer parte de confederações.

Em 267 a.C. Ptolomeu II persuadiu as cidades gregas a revoltarem-se contra a Macedônia, resultando na Guerra de Cremônides, assim chamada devido ao líder ateniense Cremônides. As cidades gregas foram derrotadas e Atenas perdeu sua independência, bem como suas instituições democráticas. Isso marcou o fim de Atenas como agente política, ainda que continuasse sendo a maior, mais rica e mais cultivada cidade da Grécia. Em 255 a.C. a Macedônia derrotou a frota egípcia em Cós e estendeu seu domínio à todas as ilhas do Egeu, com exceção de Rodes.

Esparta continuou hostil aos Aqueus, e em 227 a.C. terminou por invadir a Acaia, ganhando o controle da Confederação. Os aqueus restantes preferiram distanciar-se da Macedônia e aliar-se a Esparta. Em 222 a.C. o exército Macedônio derrotou os espartanos e anexou a cidade - era a primeira vez que Esparta era ocupada por um poder estrangeiro.

Filipe V da Macedônia foi o último governante grego a dispor tanto de talento como de oportunidade para unir a Grécia e preservar sua independência contra o poder de Roma, que não parava de crescer. Sob seus auspícios, a Paz de Naupacte (217 a.C.) trouxe um fim aos conflitos entre a Macedônia e as confederações gregas, trazendo popularidade ao rei macedônico. Nesse momento ele possuía o controle de toda a Grécia, excetuando-se Atenas, Rodes e Pérgamo.

Em 215 a.C., contudo, Filipe forjara uma aliança com o inimigo romano, Cartago. Imediatamente, Roma seduziu as cidades aquéias, fazendo com que abandonassem a antiga lealdade a Filipe, e fez alianças com Rodes e Pérgamo - esse último, o maior poder da Ásia Menor. A Primeira Guerra Macedônica eclodiu em 212 a.C., terminando inconclusivamente em 205 a.C.. A Macedônia, contudo, havia sido marcada como inimigo de Roma.

Em 202 a.C. Roma derrotou Cartago, ficando livre para dar atenção ao oriente. Em 198 a.C. estourou a Segunda Guerra Macedônica - por razões ainda obscuras, mas basicamente porque Roma via a Macedônia como um aliado em potencial dos Selêucidas, o maior poder do oriente. Os aliados de Filipe na Grécia deserdaram-no, e em 197 a.C. ele foi finalmente derrotado na Batalha de Cinoscéfalos pelo cônsul romano Titus Quinctius Flaminius.

Para a sorte dos gregos, Flaminius era um homem de moderação e um confesso admirador da cultura grega, além de conhecer e falar o idioma - razão pela qual, na verdade, muitos dos aliados de Filipe haviam se aliado a Flaminius. Filipe teve que capitular sua frota e tornar-se um aliado romano, de forma que foi poupado. Durante os Jogos Ístmicos, realizados no istmo de Corinto em 196 a.C., Flaminius declarou, em meio ao entusiasmo geral, a independência das cidades gregas, tornando-as livres, apesar de guarnições romanas ainda se encontrarem em Corinto e na Calcídica. A liberdade prometida por Roma, contudo, era uma ilusão. Todas as cidades, exceto Rodes, faziam parte duma nova Confederação controlada pela própria Roma, e a democracia foi substituída por regimes aristocráticos aliados a Roma.

Militarmente a Grécia havia entrado num declínio tal que os romanos conquistaram todo o seu território (168 a.C. em diante) - ainda que a cultura grega, em contrapartida, houvesse conquistado os romanos.

Apesar do início do governo romano sobre a Grécia ser datado convencionalmente com o saque de Corinto por Lucius Mummius em 146 a.C., a Macedônia já havia caído sob o controle romano com a derrota de seu rei, Perseu, por Aemilius Paullus na cidade de Pidna em 168 a.C. Os romanos dividiram a região em quatro repúblicas menores, e em 146 a.C., a Macedônia se tornou oficialmente uma província romana, fazendo de Tessalônica sua capital. O restante das cidades-estados gregas gradualmente, e por fim, prestaram homenagem a Roma, finalmente enterrando sua autonomia de jure. Os romanos deixaram a administração local ao encargo dos gregos sem nem tentar abolir o padrão de política tradicional. A ágora em Atenas continuou a ser o centro da vida civil e cultural.

O édito de Caracalla em 212 d.C., chamado de Constitutio Antoniniana, concedia a cidadania romana a áreas fora da Itália a todos os adultos do sexo masculino em todo o Império Romano, de forma que populações provinciais tiveram seu status igualado ao da própria cidade de Roma. A importância desse decreto é histórica, mais que política: ele serviu de base para a integração onde os mecanismos econômicos e judiciais do estado poderiam ser aplicados através de todo o Mediterrâneo da mesma forma como houvera sido com o Lácio em toda a Península Itálica. Na prática, naturalmente, a integração não ocorreu de maneira uniforme. As sociedades já integradas a Roma, como a Grécia, foram favorecidas pelo edito, comparadas às sociedades mais distante, às muito pobres ou às que simplesmente eram muito diferentes, como a Britânia, a Dácia e a Germânia.

O édito de Caracalla não colocou em movimento o processo que levou à transferência de poder da Itália e do ocidente à Grécia e ao oriente, mas sim, acelerou-o, estabelecendo a base para a ascensão da Grécia como poder maior na Europa e no Mediterrâneo durante a Idade Média.

A história do Império Bizantino é descrita pelo acadêmico August Heisenberg como a história "do Estado romano da nação grega que tornou-se cristão." A divisão do império em ocidente e oriente e o subseqüente colapso do Império Romano do Ocidente foram desenvolvimentos que acentuaram constantemente a posição dos gregos no império e terminaram permitindo que fossem identificados com ele de forma completa. O papel principal de Constantinopla começou quando Constantino, o Grande transformou Bizâncio na nova capital do Império Romano, cujo nome veio a ser mudado para Constantinopla. A cidade, localizada no coração do helenismo, tornou-se um ponto de referência para os gregos até a era moderna.

Os imperadores Constantino e Justiniano exerceram seu domínio sobre roma durante o período de 324 a 610. Assimilando a tradição romana, os imperadores buscavam prover a base para subseqüente melhorias e para a formação do Império Bizantino. Esforços para salvaguardar as fronteiras do império e para restaurar os territórios romanos marcaram os primeiros séculos. Ao mesmo tempo, a formação definitiva e o estabelecimento da doutrina ortodoxa, bem como uma série de conflitos resultantes de heresias desenvolvidas nas fronteiras do império, marcaram o período inicial da história bizantina.

No primeiro período da metade da era bizantina (610-867) o império foi atacado tanto por antigos inimigos (persas, lombardos, ávaros e eslavos) como por novas parestas que apareciam pela primeira vez na história (árabes, búlgaros). A principal característica desse período consiste no fato de que os ataques inimigos não se resumiam às áreas fronteiriças do estado, mas estendiam-se muito além, chegando a ameaçar a própria capital. Ao mesmo tempo, tais ataques perdiam seu caráter periódico e temporário, transformando-se em instalações permanentes que se tornavam novos estados - claro, hostis a Bizâncio. Mudanças também podiam ser observadas na estrutura interna do império, ditadas por condições tanto externas como internas. A predominância dos pequenos agricultores livres, a expansão dos estados militares e o desenvolvimento do sistema de temas deram o toque final ao processo evolutivo que começara no período anterior. Mais mudanças também podiam ser vistas no setor administrativo: a administração e a sociedade tinham se tornado gregas de forma imiscível, enquanto o processo de restauração da ortodoxia após o movimento iconoclástico permitiu com sucesso a retomada de ações missionárias entre os povos vizinhos e seus posicionamentos na esfera de influência cultural bizantina. Durante esse período o Estado foi geograficamente reduzido e economicamente prejudicado, uma vez que haviam perdido regiões produtoras de riquezas; o Estado obteve, contudo, uma homogeneidade lingüística, dogmática e cultural muito maior.

O ano de 1204 marca o início do período bizantino tardio, quando teve lugar o acontecimento de maior importância para o Império. Constantinopla foi perdida para os gregos pela primeira vez, e o império houvera sido conquistado por cruzados do mundo latino, sendo substituído por um novo império onde o latim seria a língua ativa, período que perdurou por 57 anos. Além disso, o período de ocupação latina influenciou de forma definitiva os desenvolvimentos internos do império, uma vez que elemento feudais começaram a fazer parte do modo de vida bizantino.

Em 1261 o império grego encontrava-se dividido entre os membros da antiga dinastia comnena greco-bizantina (Épiro) e entre a dinastia Paleologos (a última dinastia até a queda de Constantinopla). Após o enfraquecimento gradual das estruturas do estado grego bizantino e a redução de seu território devido às invasões dos turcos, o Império Bizantino Grego veio finalmente ao fim nas mãos dos otomanos, em 1453, data considerada como o fim do perído bizantino.

É importante notar que o termo "bizantino" é uma idéia contemporânea, convencionado por historiadores. O povo da época costumava chamar o império do século XX em diante simplesmente como "Império Grego", bem como "Império Romeo-Grego" antes disso. Por esta razão os gregos às vezes chamam-se a si próprios de "Romioí" (Ρωμιοί) numa forma coloquial. O termo "romeo" ('relacionado a Roma') era por vezes usado devido à tradição legada a muitos aspectos da administração política do império. Deve-se dizer também que muitos impérios em toda a Europa usaram-se do termo, além dos bizantinos gregos, como por exemplo os Carolíngios ou o Heiliges Römisches Reich (Latin Sacrum Romanum Imperium) germânico, que se consideravam como herdeiros legítimos do Império Romano.

Quando os otomanos chegaram, duas migrações gregas tiveram lugar. A primeira compreendia a camada intelectual grega, que migrou para a Europa ocidental, influenciando o advento da Renascença. A segunda migração foi a dos gregos deixando as planícies da península da Grécia e instalando-se nas montanhas. O país, formado, em sua maior parte, por terrenos montanhosos, impediu a conquista pelos otomanos de toda a península grega, uma vez que não chegaram a desenvolver uma presença militar ou administrativa nas montanhas. Houve muitos clãs gregos das montanhas por toda a península e pelas ilhas. Os esfaquiotas de Creta, os suliotas do Épiro e os maniotas do Peloponeso estavam entre os clãs das montanhas mais resilientes durante toda o período do Império Otomano. Entre final do século XVI e o século XVII, muitos gregos começaram a migrar das montanhas para as planícies. O sistema do millet contribuiu para a coesão étnica dos gregos ortodoxos ao segregar a população do império otomano de acordo com a religião de cada um. A igreja ortodoxa grega, uma instituição etno-religiosa, prestou auxílio aos gregos de todas as áreas geográficas da península (i. é, montanhas, planícies e ilhas) para que preservassem sua herança étnica, cultural, lingüística e racial durante os severos anos de domínio otomano. Os gregos que viviam nas planícies durante a ocupação otomana eram ou cristãos que sofriam com o governo estrangeiro ou criptocristãos (muçulmanos gregos que praticavam em segredo a fé da igreja ortodoxa). Muitos gregos tornaram-se criptocristãos com o intuito de evitar pesadas taxações, enquanto, ao mesmo tempo, expressavam sua identidade por manter relações com a igreja ortodoxa grega em segredo. Contudo, os gregos que convertiam-se ao Islã e que não eram criptocristãos eram considerados turcos aos olhos dos gregos ortodoxos, ainda que não adotassem a língua turca. Por outro lado, a camada convertida teve imenso papel na criação da cultura grega moderna, uma vez que tradições e costumes turcos foram aprendidos durante todo o período ocupacional. Os traços mais óbvios da influência turca sobre a cultura grega atual pode ser vista na música e na cozinha gregas.

Os otomanos dominaram a Grécia até o início do século XIX. Em 1821 os gregos insurgiram-se, declarando sua independência na Guerra de Independência da Grécia, apesar de só conseguiram real emancipação em 1829. As elites das nações européias de poder viram a guerra de independência grega - devidamente acompanhada dos exemplos de atrocidades cometidas pelos turcos - de modo romântico (cf. o quadro "Massacre de Quios" de 1824, por Eugène Delacroix). Uma imensa quantidade de voluntários não-gregos lutaram pela causa (incluindo, por exemplo, Lord Byron) e, ainda assim, por vezes os otomanos encontravam-se a ponto de suprimir a revolução grega de maneira quase total, não fosse a intervenção da França, Inglaterra e Rússia. Ioánnis Kapodístrias, o ministro russo de relações exteriores, ele próprio um grego, retornou à pátria-mãe como presidente da nova república, após a oficialização da independência grega. A república desapareceu alguns anos depois, quando poderes ocidentais ajudaram a transformar a Grécia numa monarquia, cujo primeiro rei veio da Baviera, e o segundo, da Dinamarca. Durante o século XIX e o começo do XX, numa série de guerras contra os otomanos, a Grécia buscou estender suas fronteiras a fim de incluir a população étnica do Império Otomano, lentamente alargando seu território e população até alcançar sua configuração atual em 1947. Na Primeira Guerra Mundial a Grécia juntou-se aos poderes da Aliança para lutar contra a Turquia e os outros Poderes Centrais. Depois da guerra foram concedidas a Grécia partes da Ásia Menor, incluindo a cidade de Esmirna, cuja população era, em grande parte, grega. Na época, porém, os nacionalistas turcos liderados por Mustafa Kemal Atatürk derrubaram o governo otomano, organizaram um ataque militar às tropas gregas e derrotaram-nas. Imediatamente, centenas de milhares de turcos vivendo no território da Grécia continental deslocaram-se, indo para a Turquia, numa troca de centenas de milhares de gregos vivendo na Turquia, que deveriam ser mandados à Grécia.

Apesar das forças armadas do país serem numericamente pequenas e mal equipadas, a Grécia contribuiu de forma decisiva com os Aliados na Segunda Guerra Mundial. No início da guerra a Grécia juntou-se aos Aliados e recusou-se a aceder às exigências italianas. Em 28 de outubro de 1940 a Itália invadiu a Grécia, mas as tropas gregas expulsaram os invasores após sangrenta batalha (cf. Guerra Greco-Italiana), marcando a primeira vitória da Aliança na guerra. Hitler envolveu-se relutantemente, com o objetivo principal de garantir o domínio sobre o seu flanco sul: tropas da Alemanha, Hungria, Bulgária e Itália invadiram a Grécia com sucesso, obtendo triunfo sobre as unidades gregas, britânicas, australianas e neo-zelandesas.

Contudo, quando os alemães tentaram tomar Creta num ataque maciço de paraquedistas - com o objetivo de reduzir a ameaça dum possível contra-ataque das forças aliadas no Egito - os Aliados, bem como os cretenses, ofereceram feroz resistência. Apesar da resistência cretense terminar vindo por terra, a batalha retardou os planos alemães de maneira significativa, de modo que a invasão alemã direcionada à União Soviética teve seu início fatalmente próximo do inverno. Um viés alternativo recente acerca do acontecimento é que as tropas alemãs envolvidas na batalha de Creta não eram tão numerosas a ponto de trazerem impacto ao ataque de proporções muito maiores contra a União Soviética.

Durante muitos anos da ocupação nazista, milhares de gregos morreram em combate direto, em campos de concentração ou por pura inanição. Os ocupantes assassinaram grande parte da comunidade judaica apesar das tentativas da igreja ortodoxa grega e de muitos gregos cristãos de proteger os judeus. A economia assumiu ares de landuidez. Após a libertação, a Grécia viveu uma guerra civil - entre comunistas e realistas (monarquistas) - igualmente cruel, que durou três anos (1946-1949).

Durante as décadas de 50 e 60 a Grécia continuou em lenta evolução, primeiramente com o auxílio dos Estados Unidos, através das doações e empréstimos do Plano Marshall, e, posteriormente, com o aumento do setor turístico. Em 1967 as forças armadas gregas tomaram o poder através dum golpe de estado, derrubando o governo de direita de Panayiotis Kanellopoulos e estabelecendo a junta militar grega de 1967-1974, que viria a se tornar um regime de coronelismo. Suspeito-se inclusive que a Agência de Inteligência Central (CIA) estaria envolvida no golpe, e o novo regime em Atenas foi apoiado pelos Estados Unidos. Em 1973 o regime aboliu a monarquia grega. Em 1974 o ditador Papadopoulos negou ajuda aos E.U.A, conjecturando-se que, como resultado, os Estados Unidos, através da cooperação de Henry Kissinger, colocou em andamento um segundo golpe de estado. O coronel Demétrios Ioannides foi apontado como novo chefe de estado.

Muitos consideram Ioannides responsável pelo golpe contra o presidente Makarios do Chipre - o golpe seria um pretexto para a primeira onda de invasões turcas ao Chipre em 1974 (cf. a crise de 1974 entre Grécia e Turquia). Os acontecimentos no Chipre e as manifestações que se seguiram à violenta repressão da insurreição da Politécnica (Η Εξέγερση του Πολυτεχνείου) de Atenas levou à eclosão dum regime militar. Um carismático político exilado, Konstantínos G. Karamanlís, retornou de Paris como primeiro-ministro interino e depois ganhou nas re-eleições para dois mandatos como líder do partido conservador Nova Democracia (Νέα Δημοκρατία). Em 1975, após o plebiscito que confirmou a deposição do rei Constantino II, uma constituição republicana democrática foi estabelecida. Outro político previamente exilado, Andreas Papandreou, também retornou à Grécia e fundou o partido socialista PASOK, que ganhou as eleições em 1981, dominando o curso político do país por quase duas décadas.

Desde a restauração da democracia a estabilidade e a prosperidade econômida da Grécia tem crescido. O país tornou-se parte da União Européia em 1981 e adotou o Euro como moeda em 2001. Novas infraestruturas, fundos da UE e rendimentos turísticos em ascensão, sua marinha mercante, seus serviços, suas indústrias elétrica e de telecomunicações trouxeram aos gregos um padrão de vida sem precedente. Tensões continuam a existir entre a Grécia e a Turquia acerca do Chipre e da delimitação de fronteiras no Mar Egeu, mas as relações entre esses dois países degelaram consideravelmente depois de uma série de terremotos - primeiro na Turquia e depois na Grécia - e de freqüentes amostras de simpatia e generosa assistência pela parte de ambos os lados.



Antes do século I, as terras vastas do Sul da Rússia pertenciam a tribos que não eram unidas entre si, como os Proto-Indo-Europeus e os Citas. Entre os séculos III e VI, as estepes foram esmagadas por ondas sucessivas de invasões de bárbaros e povos nómadas, conduzidas por tribos bélicas como os hunos, entre outros.

Entre os séculos X e XI, o principado de Kiev (a partir do qual se formaram grande parte dos países eslavos actuais) era o maior da Europa e um dos mais prósperos, devido ao comércio diversificado tanto com a Europa como com a Ásia.

Durante o século XI e XII, a incursão constante de tribos turcas nómadas, como os cumanos e os pechenegues, levou à migração maciça das populações eslavas do Sul às regiões pesadamente arborizadas do norte, conhecidas como Zalesye.

Por volta do século XIII os cazares governaram o Sul da Rússia. Foram aliados importantes do Império Bizantino e originaram uma série de guerras sangrentas contra os califados árabes. Nessa era, o termo Rhos ou Rus passaram a ser aplicados aos eslavos que dominavam a região.

Os estados medievais da República de Novgorod e Vladimir-Súzdal emergiram como sucessores do antigo e grande principado de Kiev naqueles territórios, enquanto que metade do rio Volga veio a ser dominada pelo estado muçulmano do Volga, a Bulgária.

Em muitas outras partes da Euroásia os territórios foram atravessados pelos invasores mongóis, que formaram o estado da "Horda de Ouro", e pilharam os principados russos durante mais de três séculos.

Depois, os tártaros governaram os territórios do Sul e do centro da Rússia actual, enquanto os territórios da Ucrânia actual e da Bielorússia foram incorporados no Grão-Ducado da Lituânia da Polónia, dividindo assim a população russa.

É sob o comando de Moscovo que Moscóvia (também conhecida como Principado de Moscovo ou Grão-Ducado de Moscovo) reanima-se e organiza a sua própria guerra da reconquista, voltando a anexar os seus territórios. Depois da queda de Constantinopla em 1453, Moscóvia permaneceu como o único estado cristão mais ou menos funcional na fronteira oriental da Europa, permitindo reclamar a sucessão do Império Romano Oriental. No começo do século XVI, o principado decide que o objectivo nacional seria recuperar todos os territórios russos perdidos durante a invasão dos Tártaros e proteger a região fronteiriça do Sul contra contra-ataques dos Tártaros da Crimeia e dos Turcos. Os nobres foram obrigados a servir nas forças militares para esta reconquista.

Em 1547, Ivan, o Terrível, foi oficialmente coroado o primeiro czar da Rússia. Durante o seu reinado, Ivan I reconquista os territórios aos tártaros e cria uma Rússia multi-cultural e multi-religiosa. No fim do século XVI, Ivan consegue criar as primeiras sementes na Sibéria. Ivan também será lembrado pelas suas atrocidades durante o século XVII.

As barreiras criadas pelos muçulmanos na zona da Turquia e do médio-oriente fizeram que as especiarias oriundas da Índia destinadas para a Europa passassem pela zona norte-este da Europa: Moscóvia. O principiado soube aproveitar esta tendência e criou grandes rotas comerciais entre a Índia, a Moscóvia e, por fim, a Europa.

Porém, as novas vias comerciais marítimas com o Oriente abertas pelos portugueses durante os Descobrimentos, contribuíram para o declínio da riqueza que então viera a ser gerada através dessas rotas comerciais.

É com a Dinastia Romanov (iniciada em 1613) que se inicia o grande processo de "imperialização" da Rússia. Pedro, o Grande ou Pedro I da Rússia, derrotou a Suécia e na Grande Guerra do Norte forçando o inimigo a ceder partes do seu território. E é na Íngria que se forma uma nova capital: São Petersburgo (nome em homenagem a Pedro). Com as ideias do Oeste Europeu, Pedro I faz evoluir a Rússia que antes se encontrara numa situação de pobreza extrema e prepara o caminho para o auge do país. O território do império aumenta e, em 1648, o líder cossaco Semyon Dezhnyov descobre o estreito que separa a América da Ásia: o actual Estreito de Bering. Nasce assim o maior império da história da Rússia.

A czarina Catarina, a Grande continuou o trabalho de Pedro, derrotando a Polónia e anexando a Bielorrússia e a Ucrânia - outrora o principado de Kiev. Catarina assina um acordo com o reino da Geórgia de modo a evitar invasões árabes do império turco - a Geórgia passa a ser protegida militarmente pela Rússia.

Em 1812, a grande armada de Napoleão entra em Moscovo, mas vê-se forçada a abandoná-la pois ao chegar a esta cidade, esta estava vazia. Os russos tinham preparado uma armadilha contra o imperador francês. O frio e a falta de recursos foram responsáveis pela morte de 95% das tropas francesas. Durante o regresso de Napoleão a Paris, os russos perseguiram-no e dominaram Paris trazendo para o império as ideias liberais que estavam em marcha na França e na Europa Ocidental. Ainda devido à perseguição sobre Napoleão, a Rússia conquista a Finlândia e a Polónia. O golpe final sobre Napoleão foi dado em 1813 quando o império e os seus aliados - os austro-húngaros e os prussianos - venceram a armada de Napoleão na batalha de Leipzig.

Sucessivas guerras e conflitos vão acompanhando a Rússia até ao fim da era czarista. Sai derrotada na Guerra da Crimeia que durou entre 1853 e 1856. Mais tarde, vence a Guerra Russo-Turca (1877-1878) e obriga o Império Otomano a reconhecer a independência da Roménia, da antiga Sérvia e a autonomia da Bulgária.

A ascensão de Nicolau I trava o desenvolvimento da Rússia nos fins do século XIX com a criação da lei da servidão obrigando os camponeses a lavrar as terras sem poder as possuir. O sucessor, Alexandre II (1855-1881), ao ver o atraso da Rússia em relação à Europa, cria reformas que vão fazer com que a Rússia volte ao caminho do crescimento. Porém, as sucessivas derrotas da Rússia ao longo do século XIX e durante a o início do século XX levaram à instabilidade e ao descrédito em relação ao poder do czar na época. Os custos da guerra começavam a avultados e a população era quem suportava os custos dos soldados nas campanhas ao enviarem tudo o que produziam nos seus terrenos agrícolas.

Apesar da Rússia se ter tornado num dos países mais poderosos do mundo, apenas uma fina parte da população (os nobres) tinham boas condições de vida. Os camponeses eram terrivelmente pobres e trabalhavam de sol-a-sol os seus terrenos sem poder possuí-los. As sucessivas derrotas em várias guerras e batalhas durante a Primeira Guerra Mundial e o descontentamento geral da população fizeram com que a economia interna começasse a deteriorar-se. A instabilidade e a pobreza tiveram como consequência a Revolução Bolchevique. Esta revolução ocorreu em duas datas significativas, 1905 e 1917.

Na revolução ocorrida em 1905 começa o fim da era czarista, após a Rússia ser derrotada pelo Japão durante um conflito entre os dois países. O fato do Japão ainda ser considerado um país pequeno e fraco tecnologicamente abalou o czar Nicolau II, bem como a sua popularidade. Também em 1905, um grupo de trabalhadores elaborou um abaixo-assinado ao Palácio Imperial, em São Petesburgo, exigindo melhores condições de trabalho. O movimento foi violentamente repreendido pelas tropas do czar, que mataram a sangue frio vários dos trabalhadores. Esse episódio ficou conhecido como "Domingo Sangrento", e a partir dele se formaram os Sovietes.

A revolução de 1917 iniciou-se em Fevereiro, com pouca participação bolchevique; com a criação da República Liberal Russa (dirigida por Kerensky) o governo ficou nas mãos dos mencheviques. O czar foi derrubado e terminou a era dos Romanov. Em Outubro do mesmo ano, os bolcheviques, liderados por Lenin e Trotsky assumiram o poder e criaram o Partido Comunista onde foram dados os primeiros passos para a formação da URSS.

Após a vitória dos bolcheviques, a Rússia sofreu uma guerra civil (1918-1922) entre os bolcheviques (Exército Vermelho) e os antiditadura bolchevique, divididos em "czaristas", o "grupo da assembleia constituinte de Samara Omsk, com mencheviques, eseristas e liberais" e o "grupo dos anarquistas". Alguns desses grupos tinham ajuda estrangeira. Lenin adopta o Comunismo de Guerra, confiscando a produção agrícola de modo a abastecer os soldados. Com a vitória do Exército Vermelho, grandes empresas privadas foram fechadas como, por exemplo, a empresa Smirnoff.

Em 1917, na sequência da Revolução Russa, é introduzido pela primeira vez em todo o mundo um regime de aspecto marxista (socialista revolucionário), tendente ao estabelecimento de um Estado comunista. Durante mais de 80 anos, a Rússia esteve submetida a esse regime, que erradicou o capitalismo e repartiu o antigo Império Russo em Repúblicas Socialistas Soviéticas, as quais formaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) a partir de 1922. A Rússia tornou-se então numa destas repúblicas (como República Socialista Federada Soviética da Rússia, ou RSFSR), detendo uma posição hegemônica em função da sua história, língua (oficial em toda a União Soviética, a par das línguas regionais) e capital (a capital da Rússia era também a da União Soviética).

Vladimir Ilitch Lenin torna-se o primeiro líder comunista da URSS. Introduziu regras que eram contraditórias à sua filosofia. Enquanto que apoiava o "Tudo pertence ao Estado", criou políticas que apoiavam a iniciativa privada de modo a reconstruir o país que fora devastado pelas sucessivas revoluções.

Após a morte de Lenin, em 1924, surge um georgiano chamado Josef Stalin, que passa do comunismo moderado ao comunismo extremo criando um poder ditatorial. Aliás, todos aqueles que apoiavam Lenin como, por exemplo, Leon Trótski e todos os outros bolcheviques que viviam antes da Revolução de 1917 foram mortos. No fim dos anos 30, Stalin lança o Grande Expurgo liquidando grande parte dos membros do Partido Comunista sem qualquer explicação. Todos aqueles que eram considerados ameaças eram mortos ou enviados para campos de concentração chamados gulag na Sibéria.

Dois anos mais tarde, Stalin obriga o país a passar por uma industrialização rápida. Em 1928, põe em marcha o seu plano dos cinco anos que consistia na modernização da economia soviética através, sobretudo, da introdução da indústria pesada. Rapidamente, a indústria soviética atinge grandes proporções de riqueza em pouco tempo, tornando-se uma grande potência mundial. Paradoxalmente e com a lei das colectivizações em marcha, o povo vivia na pobreza extrema. Além do mais, as consequências políticas de Stalin provocaram grandes ondas de fome que assolaram as repúblicas, principalmente na Ucrânia onde esta foi designada como o Holodomor.

Na Segunda Guerra Mundial, Stalin vence as tropas alemãs com terríveis baixas: pelo menos nove milhões de soldados perderam a vida. Daí a Segunda Guerra Mundial ser conhecida em russo também como A Grande Guerra Patriótica. No total, a URSS perdeu 27 milhões de pessoas.

A partir de 1945, a URSS estende o seu domínio à Polónia (massacrada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial) e à parte oriental da Alemanha, criando a República Democrática da Alemanha. A URSS passa a ter um domíno absoluto em quase toda a Europa de Leste. Nestes países, Stalin instaurou governos leais a Moscovo e "usou-os" como espiões do Ocidente. São criadas várias barreiras entre as quais a psicológica Cortina de Ferro e o Muro de Berlim.

Stalin morre em 1953 e pensa-se que não deixou nenhum nome para lhe suceder no poder. A sua sucessão fora controversa. Os políticos mais próximos decidiram governar juntos a URSS, mas o chefe da polícia secreta (KGB) Lavrenty Beria decidiu tomar o poder sem consentimento dos outros políticos. O general Nikita Khrushchev juntamente com alguns políticos juntaram-se e detiveram Beria. Este viria a ser executado no mesmo ano. Khrushchev é então considerado o sucessor oficial de Stalin.

Nikita Sergueivich Khrushchev lança a URSS na aventura espacial. Iuri Gagárin foi a personagem principal do programa espacial soviético criado por Khrushchev ao ser o primeiro ser humano lançado para o espaço e por realizar uma órbita completa à volta da Terra em 1961.

É também criada a KGB, a polícia secreta que vigiava a população em todo o domínio da URSS bem como fora dela. Khrushchev vai a ser a primeira pessoa a tentar um relacionamento com os EUA e com a China. Mas em vez de um diálogo entre as duas super-potências, uma guerra psicológica começara: a Guerra Fria. A nível interno, Khrushchev começa a efectuar reformas para as agriculturas mas muito delas nem sequer eram executadas. Foi demitido em 1964 por tentar um relacionamento com os EUA e ser considerado perigoso para a URSS.

Sucede-lhe Leonid Brejnev (em russo Леонид Ильич Брежнев), cuja época deste governador fora muito controversa. Alguns historiadores pensam que foi responsável por uma estagnação da economia; outros pensam que Brejnev, embora o seu carácter ditactorial, fora uma lufada de ar fresco para as populações que viviam na miséria. Morreu em 1982 e Gorbachev sucede o seu lugar após os breves governos de Yuri Andropov e Konstantin Chernenko.

Mikhail Sergueievitch Gorbatchev começa a abertura da Rússia para o mundo através de dois programas: glasnost ("abertura") e perestroika ("reestruturação"), de modo a modernizar a economia russa com a abertura das fronteiras para os investidores estrangeiros. A glasnost tinha o significado de liberdade de expressão, que fora ignorada durante todo o império soviético; já a perestroika consisitia na reestruturação económica da URSS pois esta gastava muito dinheiro em armamento e defesa.

Boris Nikolayevich Iéltsin foi eleito directamente primeiro Presidente da Rússia na era pós-comunista. Em Outubro de 1991, Iéltsin afirmou que a Rússia teria que passar por uma terapia de choque económica. De facto, após o comunismo, a Rússia entrou numa crise profunda, contraindo avultadas dívidas ao mundo e que ainda estão a ser liquidadas actualmente. Iéltsin privatiza quase tudo de forma a obter lucro: até a grande empresa de petróleo LUKoil foi vendida. Só que o obtido não correspondia ao valor real das empresas obtendo apenas 600 milhões de dólares americanos.

Estas medidas, bem como as suas consquências, levaram aos comunistas que estavam em maioria no Congresso dos Sovietes a tentarem impedir a continuidade do presidente no dia 21 de Setembro de 1993 - 600 tinham votado a favor e 72 votaram contra. Nesse mesmo dia, as Forças Armadas tinham sido mobilizadas e originou-se a Crise constitucional de 1993. Com o apoio militar, consegue manter o controlo e conseguiu colocar em referendo a actual constituição da Federação da Rússia que viria a ser aprovada e adoptada a 12 de Dezembro de 1993.

Em 1996, Iéltsin foi reeleito , se pensa que tenha sido contratada uma empresa de publicidade política dos EUA para conseguir a vitória.

Em 1998 é eleito sob influência directa de Iéltsin Vladimir Putin, que actualmente é muito criticado, quer dentro da Rússia, quer fora dela, por falta de democracia e de liberdade de expressão. Os assassinatos de Anna Politkovskaia e de Alexander Litvinenko (a primeira com um tiro, o segundo através de Polónio-210) chocaram o mundo e levaram muitos analistas a pensarem na maneira como Putin tem considerado a liberdade de expressão. Contudo, Putin continua a ter uma grande popularidade na Rússia já que tem um apoio de 70% da população segundo uma sondagem recentemente feita.

A Rússia pós-comunista está numa fase complicada de adaptação à democracia, embora os jovens (considerados a geração de Ouro) estejam a adaptar-se muito bem pois esta geração tem direito a tudo o que os seus antepassados não tinham durante a era soviética. O país evolui de forma muito acelerada graças às políticas introduzidas que permitiram o fecho do fluxo importador e a venda do petróleo a baixo custo, embora se registem alguns indícios preocupantes de pobreza nas regiões provincianas.



Os historiadores postularam que ao longo da Antiguidade Tardia diversos grupos étnicos povoaram a região atualmente conhecida como Polónia. A exata etnia e afiliação linguística destes grupos ainda é motivo de acalorados debates; a data e a rota tomada pelos colonizadores originais eslavos nestas regiões, em particular, desperta grande controvérsia.

O mais famoso achado arqueológico da pré-história da Polónia é a colônia fortificada de Biskupin (reconstruída atualmente como um museu), que remonta à cultura lusaciana (uma etnia que habitava perto do Rio Neisse) da Idade do Ferro, por volta de 700 a.C.

A Polónia foi fundada em meados do século X, pela dinastia Piast. O primeiro governante polaco historicamente verificado, Mieszko I, foi batizado em 966 e adotou então o catolicismo como religião oficial do seu país. No século XII, a Polónia fragmentou-se em diversos Estados menores, que foram posteriormente devastados pelos exércitos mongóis da Horda Dourada em 1241, 1259 e 1287. Em 1320, Ladislau I tornou-se rei de uma Polónia reunificada. Seu filho, Casimiro III, é lembrado como um dos maiores reis polacos da história. A Peste Negra, que afetou grande parte da Europa de 1347 a 1351, não chegou à Polónia.

Sob a dinastia Jaguelônica, a Polónia forjou uma aliança com seu vizinho, o Grão-Ducado da Lituânia. Começou então, após a União de Lublin, uma idade do ouro que se estendeu ao longo do século XVI e que deu origem à Comunidade Polaco-Lituana. A szlachta (nobreza) da Polónia, muito mais numerosa do que nos países da Europa Ocidental, orgulhava-se de suas liberdades e de seu sistema parlamentar. Durante este período próspero, a Polónia expandiu suas fronteiras de modo a tornar-se o maior país da Europa.

Em meados do século XVII, uma invasão sueca (o chamado "Dilúvio") e a revolta cossaca de Chmielnicki, que devastaram o país, marcaram o final da idade do ouro. A gradual deterioração da Comunidade, que passou de potência europeia a uma situação de quase anarquia controlada pelos vizinhos, foi marcada por diversas guerras contra a Rússia e pela ineficiência governamental causada pelo Liberum Veto (segundo o qual cada um dos membros do parlamento tinha o direito de dissolvê-lo e de vetar projetos de lei). As tentativas de reformas foram frustradas pelas três partilhas da Polónia (1772, 1793 e 1795) que condenaram o país a desaparecer do mapa e seu território a ser dividido entre Rússia, Prússia e Áustria.

Os polacos ressentiram-se desta situação e rebelaram-se em diversas ocasiões contra as potências que partilharam o país, em especial no século XIX. Em 1807, Napoleão reestabeleceu um Estado polaco, o Ducado de Varsóvia, mas em 1815, após as guerras napoleônicas, o Congresso de Viena tornou a partilhar o país. A porção oriental coube ao tsar russo, e era regida por uma constituição liberal. Entretanto, os tsares logo trataram de restringir as liberdades polacas e a Rússia terminou por anexar de facto o país. Posteriormente no século XIX, a Galícia (então governada pela Áustria) e, em particular, a Cidade Livre de Cracóvia, tornaram-se um centro da vida cultural polaca.

Durante a Primeira Guerra Mundial, os Aliados concordaram em restabelecer a Polónia, conforme o ponto 13 dos Catorze Pontos do presidente norte-americano Woodrow Wilson. Pouco depois do armistício alemão de novembro de 1918, a Polónia recuperou sua independência, numa fase histórica conhecida como "Segunda República Polaca". A independência foi reafirmada após uma série de conflitos, em especial a Guerra Polaco-Soviética (1919-1921), quando a Polónia infligiu uma derrota acachapante ao Exército Vermelho.

O golpe de maio de 1926, por Józef Piłsudski, entregou as rédeas da república polaca ao movimento Sanacja (uma coalizão em busca da "limpeza moral" da política do país). Este movimento controlou a Polónia até a eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, quando tropas nazistas (em 1º de setembro) e soviéticas (em 17 de setembro) invadiram o país. Varsóvia capitulou em 28 de setembro. Conforme o Pacto Ribbentrop-Molotov, a Polónia foi partilhada em duas zonas, uma ocupada pela Alemanha e outra, a leste, ocupada pela União Soviética.

De todos os países envolvidos na guerra, a Polónia foi o que mais perdeu em vidas, proporcionalmente à população total: mais de seis milhões de habitantes morreram, metade deles judeus. Foi da Polónia a quarta maior contribuição em tropas para o esforço de guerra aliado, após a URSS, o Reino Unido e os EUA. Ao final do conflito, as fronteiras do país foram movidas na direção oeste, de modo a levar a fronteira oriental para a linha Curzon. Entrementes, a fronteira ocidental passou a ser a linha Óder-Neisse. A nova Polónia emergiu 20% menor em território (menos 77.500 km²). O redesenho dos limites forçou a migração de milhões de pessoas, principalmente polacos, alemães, ucranianos e judeus. O país foi um dos que mais sofreu com o Holocausto nazista.

A União Soviética instituiu um novo governo comunista na Polónia, semelhante ao do restante do bloco soviético, o que levou a um alinhamento militar com o Pacto de Varsóvia ao longo da Guerra Fria. Em 1948, instalou-se um regime totalitário de molde estalinista. A República Popular da Polónia (Polska Rzeczpospolita Ludowa) foi oficialmente proclamada em 1952. Em 1956, o regime de Władysław Gomułka tornou-se temporariamente mais liberal, ao libertar diversas pessoas da prisão e aumentar algumas liberdades individuais, situação que se repetiu nos anos 1970 com Edward Gierek, embora persistisse a perseguição contra a oposição aos comunistas.

As agitações trabalhistas de 1980 levaram à formação do sindicato independente "Solidariedade" (Solidarność) que, com o tempo, tornou-se uma força política. Em 1989, venceu as eleições parlamentares. Lech Wałęsa, um candidato do Solidariedade, venceu as eleições presidenciais em 1990. O movimento Solidariedade prenunciou o colapso do comunismo na Europa Oriental.

Um programa econômico de choque conduzido por Leszek Balcerowicz no início dos anos 1990 dotou o país de uma economia de mercado. Apesar de retrocessos temporários em índices sociais e econômicos, a Polónia foi o primeiro país pós-comunista a atingir o seu nível de PIB pré-1989. Os direitos individuais foram ampliados, como a liberdade de expressão. Em 1991, a Polónia tornou-se membro do Grupo de Visegrád; em 1999, da OTAN, juntamente com a República Checa e a Hungria. A Polónia aderiu à União Europeia em 1 de maio de 2004.



A etnogênese das tribos germânicas assume-se que ocorreu durante a Idade do Bronze Nórdico ou, ao mais tardar, durante a Idade do Ferro pré-romana. A partir do sul da Escandinávia e do norte da Alemanha, as tribos começaram a expandir-se para o sul, leste e oeste no século I a.C., e entraram em contato com as tribos celtas da Gália, assim como tribos iranianas, bálticas, e tribos eslavas na Europa Oriental. Pouco se sabe sobre história germânica antes disso, exceto através das suas interações com o Império Romano, pesquisas etimológicas e achados arqueológicos.

Por ordens do imperador Augusto, o general romano Públio Quintílio Varo começou a invadir a Germânia (um termo usado pelos romanos para definir um território que começava no rio Reno e ia até os Urais), e foi neste período que as tribos germânicas se tornaram familiarizadas com as táticas de guerra romana, mantendo no entanto a sua identidade tribal. Em 9 d.C., três legiões romanas lideradas por Varo foram derrotadas pelo líder Querusco Armínio na Batalha da Floresta de Teutoburgo. O território da atual Alemanha, assim como os vales dos rios Reno e Danúbio, permaneceram fora do Império Romano. Em 100 d.C., na época do livro Germania de Tácito, as tribos germânicas assentadas ao longo do Reno e do Danúbio (a Limes Germanicus) ocupavam a maior parte da área da atual Alemanha. O século III viu o surgimento de um grande número de tribos germânicas ocidentais: Alamanos, Francos, Catos, Saxões, Frísios, Francos sicambrianos, e Turíngios. Por volta de 260, os povos germânicos romperam as suas fronteiras do Danúbio e expandiram a Limes para as terras romanas.

O império medieval foi criado com a divisão do Império Carolíngio em 843, fundado por Carlos Magno em 25 de Dezembro de 800, e em diferentes formas existiu até 1806, se estendendo desde o Rio Eider no norte do país até o Mediterrâneo, no litoral sul. Muitas vezes referida como o Sacro Império Romano (ou o Antigo Império), foi oficialmente chamado de o Sacro Império Romano da Nação Alemã ("Sacro Romanum Imperium Nationis Germanicæ" em latim) a partir de 1448, para ajustar o nome para o seu território de então.

Sob o reinado dos imperadores Otonianos (919-1024), os ducados da Lorena e da Saxônia, a Francônia, a Suábia, a Turíngia, e a Baviera foram consolidadas, e o rei alemão, Oto I, foi coroado Sacro Imperador Romano dessas regiões, em 962. Sob o reinado dos imperadores Salianos (1024-1125), o Sacro Império Romano absorveu o norte da Itália e a Borgonha, embora o imperador tenha perdido parte do poder através da Questão das investiduras com a Igreja Católica Romana. Sob os imperadores Hohenstaufen (1138-1254), os príncipes alemães aumentaram a sua influência para o sul e para o leste e extremo leste(Ostsiedlung), territórios habitados por povos eslavos, bálticos e estonianos antes da ocupação alemã na região.

Com o colapso do poder imperial em 1250, devido à constante briga com a Igreja de Roma, fez-se necessário a criação de um novo sistema de escolha do imperador. Criou-se, com a edição da Bula Dourada o conselho dos 7 príncipes-eleitores, que tinham o poder de escolher o comandante do Sacro Império. Durante esse período conturbado, as cidades comerciais se uniram para proteger seus interesses comuns; a mais conhecida delas foi a Liga Hanseática, que reunia poderosas cidades do norte alemão como Hamburgo e Bremen. A partir do século XV, os imperadores foram eleitos quase exclusivamente a partir da dinastia Habsburgo da Áustria.

O monge Martinho Lutero publicou suas 95 Teses em 1517, desafiando as práticas da Igreja Católica Romana, e dando início à Reforma Protestante. A igreja Luterana tornou-se a religião oficial de muitos estados alemães após 1530 o que levou a conflitos religiosos resultantes da divisão religiosa no império, que geraram a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), que devastou os territórios alemães. A população dos Estados Alemães foi reduzida em cerca de 30%. A Paz de Vestfália (1648) acabou com a guerra religiosa entre os estados alemães, mas o império estava de facto dividido em inúmeros principados independentes. De 1740 em diante, o dualismo entre a Monarquia austríaca dos Habsburgo e o Reino da Prússia dominou a história alemã. Em 1806, o Imperium foi dissolvido com o resultado das Guerras Napoleônicas.

Depois da queda de Napoleão Bonaparte, o Congresso de Viena reuniu-se em 1814 e sua resolução fundou a Confederação germânica (Deutscher Bund em alemão), a união de 39 estados soberanos.

Desentendimentos com a restauração política proposta pelo Congresso de Viena, parcialmente levou ao surgimento de movimentos liberais, exigindo unidade e a liberdade. Estes, porém, foram reprimidas com novas medidas de repressão por parte do estadista austríaco Metternich. O Zollverein, uma união tarifária, profundamente buscava uma unidade econômica dos estados alemães. Durante esta época, muitos alemães tinham sido agitados com os ideais da Revolução Francesa, e o nacionalismo passou a ser uma força mais significativa, especialmente entre os jovens intelectuais. Pela primeira vez, o preto, o vermelho e o dourado foram escolhidos para representar o movimento, e mais tarde se tornaram as cores da bandeira da Alemanha.

Em função da série de movimentos revolucionários na Europa, que estabeleceram com êxito uma república na França, intelectuais e burgueses começaram a Revolução de 1848 nos Estados alemães. Os monarcas inicialmente aceitaram as exigências dos revolucionários liberais para conter a movimentação popular. Ao Rei Frederico Guilherme IV da Prússia foi oferecido o título de Imperador, mas sem poder absoluto. Ele rejeitou a coroa e a proposta de Constituição, o que conduziu a um revés temporário no movimento.

O conflito entre o rei Guilherme I da Prússia e o parlamento cada vez mais liberal foi rompido durante a reforma militar em 1862, quando o rei nomeou Otto von Bismarck o novo Primeiro-ministro da Prússia. Bismarck travou com sucesso uma guerra com a Dinamarca, em 1864. A vitória prussiana na Guerra Austro-prussiana de 1866 permitiu criar a Confederação Norte-Germânica (Norddeutscher Bund), que excluía a Áustria, ex-líder dos estados alemães, dos assuntos dos Estados alemães restantes.

O estado conhecido como Alemanha foi unificado como um moderno Estado-nação, em 1871, quando o Império alemão foi criado, com o Reino da Prússia sendo o seu maior constituinte. Após a derrota francesa na guerra franco-prussiana, o Império alemão foi proclamada no Versalhes em 18 de Janeiro de 1871. A Dinastia de Hohenzollern da Prússia declarou o novo império, cuja capital era Berlim, a capital prussiana. O império era uma unificação de todas as partes da Alemanha com exceção da Áustria (Kleindeutschland, ou "Alemanha Menor"). A partir do início de 1884, a Alemanha começou a estabelecer diversas colônias fora da Europa. Durante o esse período, a Alemanha passou por um grande crescimento econômico, com uma forte industrialização, especialmente das indústrias de mineração, metalúrgica, e derivadas das engenharias elétrica, mecânica e química.

No período Gründerzeit, seguinte à unificação da Alemanha, a política externa do Imperador Guilherme I garantiu a posição do Império Alemão como uma grande nação européia por fazer alianças comerciais e políticas com outros países europeus, isolando a França por meios diplomáticos, e evitando assim a continuação da guerra. Mas o Imperador Guilherme II, no entanto, como outras potências européias, tomou um curso imperialista devido ao atrito com os países vizinhos. A maior parte das alianças que a Alemanha tinha feito não foram renovadas, e as novas alianças excluíam o país. Especificamente, a França estabeleceu novas relações com a assinatura da entente cordiale com o Reino Unido e garantiu os laços com o Império russo. Além de seus contatos com a Áustria-Hungria, a Alemanha se tornou cada vez mais isolada.

O Imperialismo Alemão ultrapassou as fronteiras do seu próprio país e juntou-se a muitos outros poderes na Europa, que reivindicavam a sua quota na África. A Conferência de Berlim dividiu a África entre as potências européias. A Alemanha obteve vários pedaços da África, incluindo a África Oriental Alemã, o Sudoeste Africano Alemão, a Togolândia e Camarões. A partilha da África causou tensão entre as grandes potências, que contribuiu para as condições que levaram à I Guerra Mundial.

O assassinato do príncipe da Áustria em 28 de Junho de 1914 desencadeou a I Guerra Mundial. A Alemanha, como parte dos Impérios Centrais foi derrotado pelos Aliados num dos mais sangrentos conflitos de todos os tempos. A revolução alemã eclodiu em novembro de 1918, e o imperador alemão William II e todos os príncipes concordaram em abdicar. Um armistício que pôs fim à guerra foi assinado em 11 de Novembro e a Alemanha foi forçada a assinar o Tratado de Versalhes em junho de 1919. A sua negociação, ao contrário da diplomacia tradicional de pós-guerra, excluiu os derrotados Poderes Centrais. O tratado foi tratado na Alemanha como uma humilhante continuação da guerra por outros meios, e sua dureza é freqüentemente citada como tendo mais tarde facilitado a ascensão do nazismo no país.

Após o sucesso da Revolução alemã em novembro de 1918, uma república foi proclamada. A Constituição de Weimar entrou em vigor com a sua assinatura pelo Presidente Friedrich Ebert em 11 de Agosto de 1919. O Partido Comunista Alemão foi criado por Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, em 1918, e o Partido dos Trabalhadores Alemão, mais tarde conhecido como Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores ou Partido Nazista, foi fundado em janeiro de 1919.

Sofrendo as conseqüências da Grande Depressão, as duras condições ditadas pelo Tratado de Versalhes, e uma longa sucessão de governos mais ou menos instáveis, cada vez mais faltava identificação às massas políticas na Alemanha com seu sistema político de democracia parlamentar. Isso foi agravado por uma ampla disseminação de um mito político pela direita (monarquistas,völkischs, e nazis), a Dolchstoßlegende, que alegava que a Alemanha tinha perdido a Primeira Guerra Mundial devido à Revolução alemã, não por causa da derrota militar. Por outro lado, os radicais de esquerda comunistas, tais como a Liga Espartaquista, queriam abolir aquilo que eles entendiam como "governo capitalista" e estabelecer um Räterepublik. Tropas paramilitares foram criadas por diversos partidos e houve diversos assassinatos por motivos políticos. Os paramilitares intimidavam eleitores e semeavam a violência e a raiva entre o povo, que sofria de uma elevada taxa de desemprego e de pobreza. Depois de uma série de gabinetes frustrados, o presidente Paul von Hindenburg, vendo poucas alternativas e empurrado pelos seus assessores de direita, nomeou Adolf Hitler como Primeiro-Ministro da Alemanha em 30 de janeiro de 1933.

Em 27 de Fevereiro de 1933, o Reichstag pegou fogo. Alguns direitos democráticos fundamentais foram rapidamente revogados posteriormente sob um decreto de emergência. Uma Lei de plenos poderes Hitler deu ao governo o pleno poder do legislativo. Apenas o Partido Social-Democrata da Alemanha votou contra ele; os comunistas não foram capazes de apresentar oposição, pois seus suplentes já haviam sido assassinados ou presos. A centralização totalitária estadual foi criado por uma série de jogadas e decretos políticos tornando a Alemanha um Estado de partido único. Houve queima de livros de autores considerados contra a nação e a perseguição a artistas e cientistas, sendo que muitos emigraram, principalmente para os Estados Unidos. A indústria foi fortemente regulamentada com cotas e requisitos, para mudar a economia para uma base produtiva de guerra. Em 1936 as tropas alemãs entraram na desmilitarizada Renânia, e as políticas de apaziguamento do primeiro-ministro Neville Chamberlain se revelaram insuficientes. Entusiasmado, Hitler seguiu em diante a partir de 1938 com sua política de expansionismo e estabelecer a Grande Alemanha. Para evitar uma guerra de duas frentes, Hitler concluiu o Pacto Molotov-Ribbentrop com a União Soviética, um pacto que ele mesmo romperia mais tarde.

Em 1939, as crescentes tensões de nacionalismo, militarismo, e questões territoriais levaram os alemães ao lançamento da blitzkrieg ("guerra relâmpago") em 1 de setembro contra a Polônia seguido por dois dias depois pelas declarações de guerra da Grã-Bretanha e da França, marcando o início da II Guerra Mundial. A Alemanha rapidamente ganhou controle direto ou indireto da maioria da Europa.

Em 22 de Junho de 1941, Hitler quebrou o pacto com a União Soviética, abrindo a Frente Oriental e a invadindo a União Soviética. Pouco tempo depois o Japão atacou a base americana em Pearl Harbor, a Alemanha declarou guerra aos Estados Unidos. Embora inicialmente o exército alemão tenha rapidamente avançado sobre a União Soviética, a Batalha de Stalingrado marcou uma virada importante na guerra. Depois disso, o exército alemão começou a recuar a Frente Oriental. O Dia-D marcou uma virada importante sobre a Fronte Ocidental, quando as forças aliadas desembarcaram nas praias da Normandia e avançaram rapidamente sobre o território alemão. A derrota da Alemanha ocorreu em seguida. Em 8 de Maio de 1945, as forças armadas alemãs se entregaram após o Exército Vermelho ocupar Berlim.

No que mais tarde ficou conhecido como o Holocausto, o regime do Terceiro Reich elaborou políticas governamentais que subjugavam diretamente muitas partes da sociedade: judeus, comunistas, ciganos, homosexuais, mações, dissidentes políticos, padres, pregadores, adversários religiosos, deficientes, entre outros. Durante a era nazista, cerca de onze milhões de pessoas foram assassinadas no Holocausto, incluindo seis milhões de judeus e dois milhões de poloneses. A Segunda Guerra Mundial e o genocídio nazista foram responsáveis por cerca de 35 milhões de mortos na Europa.

A guerra resultou na morte de quase dez milhões de soldados alemães e civis; grandes perdas territoriais, a expulsão de cerca de 15 milhões de alemães dos antigos territórios orientais e de outros países, e a destruição de várias grandes cidades. O restante do território nacional e Berlim foram divididos com a ocupação militar dos Aliados em quatro zonas.

Os setores controlados pela França, pelo Reino Unido, e pelos Estados Unidos foram fundidos em 23 de Maio de 1949, para formar o República Federal da Alemanha; em 7 de Outubro de 1949, a Zona Soviética criou a República Democrática da Alemanha. Eles foram informalmente conhecidos como "Alemanha Ocidental" e "Alemanha Oriental" e as duas partes de Berlim como "Berlim Ocidental" e "Berlim Oriental". As partes oriental e ocidental optaram por Berlim Oriental e Bonn como suas respectivas capitais. No entanto, a Alemanha Ocidental declarou que o status de Bonn como sua capital era provisório, a fim de enfatizar a sua postura que a coexistência de dois Estados alemães foi uma solução artificial status quo que seria necessário superar um dia.

A Alemanha Ocidental, estabelecida como uma república federal parlamentar com uma "Economia social de mercado" - foi aliada com os Estados Unidos, o Reino Unido e a França. O país chegou a se beneficiar de crescimento econômico prolongado a partir dos anos 1950 (em alemão: Wirtschaftswunder). A Alemanha Ocidental ingressou na OTAN em 1955 e foi membro fundador da Comunidade Econômica Européia, em 1958.

A Alemanha Oriental foi um estado do bloco oriental sob controle político e militar da URSS através de suas forças de ocupação militar e o Pacto de Varsóvia. Enquanto dizia ser uma democracia, o poder político foi executada exclusivamente pelos principais membros (Politburo) do SED (Partido Socialista Unificado da Alemanha) controlado pelos comunistas. Seu poder foi assegurado pelo Stasi, um serviço secreto de grande dimensão, e uma variedade de sub-organizações do SED que controlavam todos os aspectos da sociedade, tendo um grande número de informantes dentro da própria população. Por sua vez, as necessidades básicas da população foram preenchidas por custos baixos pelo Estado. A economia planificada pró-soviética foi criada, e mais tarde a RDA passou a ser um estado do Comecon. Apesar da propaganda da Alemanha Oriental ter sido baseada nos benefícios dos programas sociais da RDA e na alegada ameaça constante de uma invasão por parte da Alemanha Ocidental, muitos dos seus cidadãos olhavam para o Ocidente em busca de liberdades políticas e da prosperidade econômica. O Muro de Berlim, construído em 1961 para impedir a fuga dos alemães do Leste para a Alemanha Ocidental, se tornou um símbolo da Guerra Fria.

As tensões entre as Alemanha do Leste e do Oeste foram ligeiramente reduzidas no início dos anos 1970 pelo Chanceler Willy Brandt Ostpolitik, que incluiu a aceitação de facto das perdas territoriais da Alemanha na II Guerra Mundial.

Em face de uma crescente migração de alemães do Leste para a Alemanha Ocidental através da Hungria e manifestações em massa durante o verão de 1989, inesperadamente as autoridades do Leste alemão facilitaram as restrições nas fronteiras em novembro, permitindo que cidadãos do Leste alemão pudessem a viajar para o Ocidente. Originalmente concebida como uma válvula de pressão para manter a Alemanha Oriental como um estado, a abertura da fronteira na realidade levou a uma aceleração do processo de reforma na Alemanha Oriental, que finalmente foi concluído com o Tratado Dois Mais Quatro um ano mais tarde, em 12 setembro de 1990 e a reunificação alemã ocorreu em 3 de Outubro de 1990. Segundo os termos do tratado, as quatro potências ocupantes renunciavam os seus direitos sob o Instrumento da Renúncia, e a Alemanha recuperava a plena soberania do seu território. Com base na Lei Bonn-Berlim, aprovada pelo parlamento em 10 de Março de 1994, a capital do Estado unificado foi escolhido para ser Berlim, enquanto Bonn obtinha o status único de Bundesstadt (cidade federal) e reteve alguns ministérios federais. A mudança do governo foi concluída em 1999.

Desde a reunificação, a Alemanha tem tido um papel de liderança na União Européia e na OTAN. Participou do exército que garantiu a estabilidade nos Balcãs, e enviou tropas para o Afeganistão como parte de um esforço da OTAN para proporcionar a segurança neste país após expulsar o Talibã. Estes deslocamentos eram controversos, visto que após a guerra, a Alemanha era obrigada por lei a manter tropas apenas para fins de Defesa. As investidas em territórios estrangeiros foram entendidas como não estando abrangidas pela lei de Defesa; entretanto, a votação parlamentar sobre a questão legalizou efetivamente a participação em um contexto de manutenção da paz.



A história da Itália influenciou fortemente a cultura e o desenvolvimento social, tanto na Europa como no resto do mundo.

A população da Itália remonta aos tempos pré-históricos, época da qual foram encontrados importantes vestígios arqueológicos.

Entre os diversos povos da Antigüidade são dignos de menção, em particular, os Lígures, os Vênetos e os Celtas no norte, os latinos e os etruscos Samnitas no centro, enquanto no sul prosperaram colônias Gregas (Magna Grécia), e na Sardenha desde o segundo milênio a.C. floresceu a antiga civilização dos Sardenhos.

Uma das mais importantes culturas antigas desenvolvidas em solo italiano foi a Etrusca (a partir do século VIII a.C.), que influenciou profundamente Roma e sua civilização, na qual muitas tradições importantes de origem Mediterrânea e Eurasiática encontraram a mais original e duradoura síntese política, econômica e cultural. Nascida na Península Itálica, desde sempre terra de origem e de encontro entre diversos povos e culturas, a civilização romana foi capaz de explorar as contribuições provenientes dos etruscos e de outros povos itálicos, da Grécia e de outras regiões do Mediterrâneo Oriental (Palestina - o berço do Cristianismo - Síria, Fenícia e Egito). Graças ao seu império, Roma difundiu a cultura Heleno-romana pela Europa e pelo Norte de África que foram os limites de sua civilização.

Após a queda do Império Romano do Ocidente, o território da península se dividiu em vários estados, alguns independentes, alguns parte de estados maiores (inclusive fora da península Itálica). O mais duradouro entre eles foram os Estados Pontifícios, que resistiram até a tomada italiana de Roma em 1870 e que foi mais tarde reconstituído como o Vaticano, no coração da capital italiana. Depois da queda do último imperador romano do Ocidente, seguiu-se a o domínio dos Hérulos e, em seguida, dos Ostrogodos. A reanexação da Itália ao Império Romano do Oriente realizado por Justiniano, em virtude das Guerras Góticas, na metade do século VI d.C., foi curta, uma vez que, já entre 568 e 570, os lombardos, povos germânicos provenientes da Hungria, ocuparam parte do país, mas representaram uma formidável continuidade política e cultural e a garantia da prosperidade económica da península e de toda a Europa por muitos anos.

Depois a área sob domínio romano-bizantino foi sujeita a fragmentações territoriais, mas conseguiu resistir até o final do século XI, enquanto os lombardos tiveram que se submeter aos Francos comandados por Carlos Magno a partir da segunda metade do século VIII. No ano 800, a Itália central tornou-se parte do Sacro Império Romano-Germânico, embora pouco depois a Sicília tenha passado ao domínio árabe. O desenvolvimento de cidades-estado (a partir do século XI) deu novo impulso à vida econômica e cultural do norte e centro da Itália, enquanto no Sul, com a invasão normanda, formou o Reino da Sicília um dos mais modernos, tolerantes e mais bem administrados da Europa naquela época. Dos municípios formaram-se as repúblicas marítimas e mais tarde, as signorias.

Durante a época das cidades-estado começou o Humanismo e o Renascimento, caracterizado por uma grande renascimento das artes, que teve grande influência no resto da Europa. A ocupação estrangeira e as diversas transformações dos estados que tinham se formado continuaram até a primeira metade do século XIX, quando se desenvolveu, influenciados pela Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, uma série de movimentos a favor da criação de uma Itália independente e unificada; este período é chamado de Risorgimento.

A Itália contemporânea nasceu como um estado unitário, quando em 17 de março de 1861, a maioria dos estados da península e as duas principais ilhas foram unidas sob o comando do Rei da Sardenha Vittorio Emanuele II da casa de Sabóia. O arquiteto da unificação da Itália era o primeiro-ministro da Sardenha, conde Camillo Benso de Cavour, que apoiou (embora não reconhecendo diretamente) Giuseppe Garibaldi, permitindo a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha-Piemonte.

O processo de unificação teve a ajuda da França, que - juntamente com o Reino Unido - tinha um interesse em criar um estado anti-Habsburgo comandado por uma dinastia amiga (Sabóia) e capaz de impedir o surgimento de um estado republicano e democrático na Itália (desejada por alguns "patriotas", como Mazzini e como já tinha acontecido em parte, em Roma, Milão, Florença e Veneza durante o movimento revolucionário de 1848).

A primeira capital foi Turim, a antiga capital do Reino de Sardenha e ponto de partida do processo de unificação da Itália. Depois da Convenção de setembro (1864), a capital foi transferida para Florença.

Em 1866, a Itália adquiriu do Império Austríaco, o Vêneto, após a guerra, na qual a Itália era aliada à Prússia de Bismarck. Na unificação, permaneceram excluídos a Córsega e a região de Nice, cidade natal de Garibaldi, assim como Roma e os territórios vizinhos que estavam sob o controle do Papa e protegido por Napoleão III. Graças à derrota da França pelos Prussianos, após uma rápida ação militar em 20 de setembro de 1870, também fora anexada Roma e proclamada a capital do reino. Mais tarde, com o Tratado de Latrão em 1929, o Papa obteve a soberania da Cidade do Vaticano. Outra entidade autônoma dentro das fronteiras italianas é a República de San Marino.

Mas mesmo após a conquista de Roma em 1870, a Unificação da Itália ainda não estava completa, pois faltavam ainda as chamadas "terras irredentas": O Trentino, Trieste, a Ístria e a a Dalmácia que os nacionalistas clamavam como pertencentes à Itália. O Trentino, Trieste, a Ístria e Fiume foram anexados depois dos tratados de paz, após a Primeira Guerra Mundial, impostos pela França, Inglaterra e Estados Unidos aos Impérios Centrais, perdedores da guerra.

Após a Primeira Guerra Mundial, instalou-se a ditadura fascista, que envolveu a perda da liberdade política por mais de vinte anos e a desastrosa participação do país na Segunda Guerra Mundial junto com a Alemanha. Após o fim da guerra, em 2 de junho de 1946, um referendo estabeleceu o abandono da monarquia como uma forma de governo e a adoção de uma república parlamentar. No mesmo dia os cidadãos italianos foram convidados a votar para a eleição de uma Assembléia Constituinte, que em dezembro de 1946, começou a trabalhar na elaboração de uma Constituição. A nova Constituição entrou em vigor em 1° de Janeiro de 1948.

A Itália é um membro fundador da OTAN e da União Européia, tendo criado junto com Bélgica, França, Alemanha Ocidental, Luxemburgo, Países Baixos em 18 de abril de 1951 (através do Tratado de Paris), a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e tem participado de todos os principais tratados de unificação da Europa, incluindo a entrada na zona do euro em 1999, quando substituiu a antiga lira italiana.



A Historia da Espanha é a própria de uma nação européia, que compreende o período entre a pré-história e a época atual, passando pela formação e queda do primeiro Império espanhol. Os primeiros humanos chegaram à Península Ibérica no território da atual Espanha há 35 mil anos. Durante os milênios seguintes o território foi invadido e colonizado por cotas, fenícios, cartagineses, gregos e pelo ano 200 a. C. a maior parte da Península Ibérica começou a formar parte do Império Romano. Após a queda de Roma, a península foi dominada pelo Reino visigodo, o embrião da atual Espanha. Tal reino foi estabelecido no século V e se manteve até os começos do século VIII. No ano 711 aconteceu a primeira invasão de muçulmanos, vindos desde o Norte da África, e que em poucos anos dominaram grande parte da Península Ibérica. Durante os 750 anos seguintes, se estabeleceram pequenos reinos independentes, chamados ‘‘Taifas’‘, ainda que a área total de controle muçulmano se conhecia com o nome de Al-Andalus. Enquanto o resto da Europa permanecia na Idade das Trevas, Al-Andalus florescia cultural, científica e artisticamente. As contínuas disputas entre muçulmanos e cristãos tiveram como conseqüência a Reconquista, começando no século VIII com a resistência cristã no norte da Espanha e através dos seguintes séculos com o avanço dos reinos cristãos ao o sul, culminando com a conquista de Granada e com a expulsão dos últimos mouros em 1492. Durante este período os reinos e principados cristãos se desenvolveram notavelmente, incluídos os mais importantes, o Reino de Castela e o Reino de Aragão. A união destes dois reinos através do casamento em 1469 da Rainha Isabel I de Castela e o Rei Fernando II de Aragão levou à criação do Reino da Espanha.

O ano 1492 é também lembrado como o ano em que os reis católicos enviaram o explorador Cristóvão Colombo através do oceano Atlântico em busca de uma nova rota comercial com a Ásia. A chegada de Colombo ao Novo Mundo e o posterior desenvolvimento do Império espanhol levaram a Espanha a uma era dourada. Durante os seguintes séculos, a Espanha como uma potência colonial se alçou como a mais importante nação européia no cenário mundial, assim como ator principal nos assuntos europeus. A literatura e as belas artes na Espanha floresceram de maneira muito significativa durante este período, conhecido pela expulsão dos judeus e dos muçulmanos e pelo estabelecimento da Inquisição. Durante os seguintes trezentos anos, o império colonial espanhol cobriu a maior parte de América do Sul, grandes porções de América do Norte, as Filipinas na Ásia, assim como porções de costa na África, convertendo-se em um dos maiores impérios da historia. Financiado sobremaneira pelas riquezas obtidas em suas colônias, a Espanha entrou em guerras e intrigas na Europa continental, incluindo, por exemplo, a obtenção e perda de posses nos atuais Países Baixos e Itália, e mantendo guerras com Inglaterra (incluindo o famoso fracasso da conhecida como Armada Invencível) e França. Com a morte de Carlos II a dinastia de Habsburgo se extinguiu para deixar lugar aos Borbões, após a Guerra de Sucessão. Como conseqüência desta guerra a Espanha perdeu sua preponderância militar e após sucessivas bancarrotas o país foi reduzindo paulatinamente seu poder convertendo-se, no final do século XVIII, em uma potência menor.

O século XIX foi testemunha de grandes mudanças na Europa, acompanhadas pela Espanha. Na primeira parte desse século, a Espanha sofreu a independência da maioria de suas colônias no Novo Mundo. O século também esteve marcado pelas intervenções estrangeiras e os conflitos internos. Napoleão chegou a colocar seu irmão José Bonaparte no governo da Espanha. Após a expulsão dos franceses, a Espanha entrou em um extenso período de instabilidade: se sucederam continuas lutas entre liberais, republicanos e partidários do Antigo Regime.

A chegada da Revolução Industrial nas últimas décadas do século, levou algo de riqueza a uma classe média que se ampliava em alguns centros principais, porém a Guerra Hispano-Americana, em 1898 levou à perda de quase todas as colônias restantes, restando apenas os territórios na África. Apesar de um nível de vida crescente e uma integração maior com o resto de Europa, no primeiro terço do século XX, seguiu a instabilidade política. Espanha permaneceu neutral durante a Primeira guerra mundial. Em 1936 Espanha se submergiu em uma terrível guerra civil. A guerra deu lugar a uma ditadura fascista, conduzida por Francisco Franco que controlou o país com mão de ferro até 1975. A Espanha foi oficialmente neutral durante a Segunda Guerra Mundial; as décadas seguintes à guerra foram relativamente estáveis a pesar da tremenda pobreza e destruição, e ainda que durante as décadas dos 60 e os 70 o país experimentou um crescimento econômico assombroso permaneceu culturalmente e politicamente reprimido. Após a morte de Franco em 1975, a quem sucedeu o Rei Juan Carlos I, e a aprovação da Constituição de 1978, no transcurso do que historicamente se é conhecido como a Transição, foi realizada uma transformação sem precedentes do país. Essa transformação levou a Espanha a ser atualmente uma democracia consolidada e uma das maiores potencias econômicas do mundo (a pesar de graves problemas como podem ser o terrorismo do ETA e a crescente pressão da imigração). Nesta época, além disso, a Espanha entrou na Comunidade Econômica Européia e organizou a Copa do Mundo de Futebol. Em 1992 foram celebrados os Jogos Olímpicos em Barcelona e a Exposição Universal em Sevilha, ao mesmo tempo em que se celebrava o 5º Centenário do Descobrimento da América por Cristóvão Colombo. Em 2002 foi adotado o Euro como moeda oficial. Em 2004, nas vésperas das eleições, ocorreram os Atentados de Madri. Nestes atentados, bombas colocadas pela Al-Qaeda em vários trens da cidade e região de Madri vitimaram 192 pessoas e deixaram centenas de feridos. Em consequência deste acontecimento, o PSOE venceu as eleições, governando o país desde então. Em 2005 a Espanha permitiu aos homossexuais o casamento civil e o direito de adoção. Em 2008 aconteceu em Saragoça mais uma Exposição Universal, cujo tema foi a água.



Desde a Antigüidade a ilha da Grã-Bretanha é ocupada por humanos, entre eles os que construíram os monumentos de Stonehenge. A Inglaterra formou-se pela aglutinação gradual dos reinos anglos, saxões e jutos entre os séculos VII e IX.

A certa altura da história o Império Romano dominou a Grã-Bretanha até a muralha de Adriano. Essa dominação foi encerrada com o enfraquecimento do Império, que se retirou para fugir dos ataques bárbaros, pelo fato de tribos germânicas estarem invadindo a Britânia. Essas tribos eram provenientes da atual Alemanha e trouxeram sua língua e seus costumes que misturados com os britânicos deram origem à Inglaterra. Destacaram-se os Anglos, que deram nome ao país England (Eng de Anglo e land de terra, ou seja, terra dos Anglos).

Egbert de Wessex, rei do Wessex (m. 839) é em geral considerado o primeiro rei de toda a Inglaterra, se bem que o seu título oficial fosse Bretwalda (literalmente "Sobressenhor da Bretanha"), e fosse tecnicamente um "primeiro entre iguais" com os outros líderes ingleses. O título de "Rei de Inglaterra" surgiu duas gerações mais tarde com Alfredo, o Grande (que governou entre 871 e 899).

Algumas versões da história de Inglaterra iniciam-se com a subida ao trono de Guilherme, o Conquistador em 1066. A verdade é que, embora Guilherme tenha reorganizado (e, em grande parte, substituído) a aristocracia inglesa, não se pode dizer com verdade que ele tenha "fundado" ou "unificado" o país. Com efeito, muita da infraestrutura anglo-saxã que existia sobreviveu à conquista de Guilherme e persiste ainda hoje.

Durante a Guerra civil inglesa, Oliver Cromwell subiu ao poder e foi o único representante de um breve período republicano na Inglaterra. Já estabilizado no poder, decretou o Ato de Navegação, favorecendo a economia inglesa e o desenvolvimento posterior de sua marinha.



Os francos foram uma tribo germânica, provavelmente originária da Panônia, uma região do território onde hoje se situa a Hungria, e que mais tarde se mudaram para o oeste, para ocupar a região da Frísia, onde atualmente estão os Países Baixos. Em meados do século IV da nossa era, na época da decadência do Império Romano, o imperador Juliano, para pacificar estas tribos, lhes cedeu a Gália, e os francos se incorporaram ao império como um aliado federado.

Na época do seu apogeu, o reino dos francos abarcou a maior parte do atual território da França e parte do que hoje é a Alemanha (Francônia). Este povo germânico uniu-se aos povoadores celtas do lugar, os gauleses, e ambos os grupos indo-europeus constituíram a origem do que séculos mais tarde seria a nação francesa.

No entanto, os francos deixaram uma marca mais forte que a dos gauleses, pelo menos no nome do país: etimologicamente, França significa ´terra dos francos´.

As fronteiras da França moderna são muito semelhantes às fronteiras da antiga Gália, território habitado pelos gauleses, de origem celta. A Gália foi conquistada pelos Romanos no século I a.C., e os gauleses acabaram por adoptar a cultura e a língua latinas.

O Cristianismo instalou-se durante os séculos II e III. As fronteiras do leste da Gália ao longo do rio Reno foram atravessadas por tribos germânicas - principalmente os Francos, dos quais o antigo nome "Francie" vem - durante o século IV.

Apesar de a monarquia francesa ser muitas vezes datada do século V, a existência contínua da França como uma entidade separada começa com a divisão do império franco de Carlos Magno em uma parte leste e uma parte oeste. A parte do leste pode ser considerada como o começo do que é a atual Alemanha, a parte oeste como a França.

Os sucessores de Carlos Magno dirigiram a França até 987, quando Hugo Capeto, Duque de França e conde de Paris, foi coroado Rei da França. Seus sucessores, a dinastia dos Capetos, dirigiram a França até 1789, quando a Revolução Francesa instalou uma República, em uma época de mudanças radicais que começou em 1789.

Após diversas mudanças, a França chegou ao século XX como um país em transição política constante, passando, diversas vezes, por diferentes regimes políticos, piorando sua imagem no mundo (sendo que não possuía tantas colônias como a Inglaterra, que tinha um vasto império que agregava 1/4 do mundo). Com eclosão da II Guerra Mundial (1939-1945), em 1940 a Alemanha declarou guerra à França e invadiu o país. Após apenas 43 dias de combates, os franceses se renderam e precisaram da ajuda dos aliados (em destaque, o Reino Unido e os EUA) para sua libertação (iniciada no Dia D, 6 de Junho de 1944).

Apesar disso, no final da guerra, a França obteve o estatuto de membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, conseguiu entrar no restrito clube de potências nucleares e foi, juntamente com a Alemanha, o principal incentivador da criação da Comunidade Europeia.

A França atual, país de língua latina, ocupa a maior parte das antigas tribos gaulesas célticas, conquistada por Júlio César, mas que leva seu nome dos francos uma tribo germânica, cujo nome significa "homens livres", que foi formada tardiamente e instalada em uma parte do terreno do Império Romano.



A pré-história de Portugal é partilhada com a da Península Ibérica. A região foi povoada por pré-celtas e celtas, dando origem a povos como os Galaicos, Lusitanos, Celtas e Cinetes, visitada pelos fenícios e cartagineses, e os romanos incorporaram-na no seu Império (como Lusitânia, depois de 45 a.C.), invadida posteriormente pelos Suevos, Búrios e Visigodos, e conquistada pelos mouros. Em 868, durante a Reconquista, foi formado o Condado Portucalense.

Muito antes de Portugal conseguir a sua independência, já tinha havido algumas tentativas de alcançar uma autonomia mais alargada, e até mesmo a independência, por parte dos condes que governavam as terras do Condado da Galiza e de Portucale. Para terminar com esse clima independentista da nobreza local em relação ao domínio leonês, o Rei Afonso VI de Leão e Castela entregou o governo do Condado da Galiza (que nessa altura incluía as terras de Portucale) ao Conde Raimundo de Borgonha. Após muitos fracassos militares de D. Raimundo contra os mouros, Afonso VI decidiu dar em 1096 ao primo deste, o Conde D. Henrique, o governo das terras mais a sul do Condado da Galiza, fundando assim o Condado Portucalense. Com o governo do Conde D. Henrique, o Condado Portucalense conheceu não só uma política militar mais eficaz na luta contra os mouros, como também uma política independentista mais activa, apesar de nunca ter conseguido alcançar a independência. Só após a sua morte, quando o seu filho D. Afonso Henriques subiu ao poder, Portugal conseguiu a sua independência com a assinatura em 1143 do Tratado de Zamora, ao mesmo tempo que conquistou localidades importantes como Santarém, Lisboa, Palmela e Évora aos mouros.

Terminada a Reconquista do território português em 1249, a independência do novo reino viria a ser posta em causa várias vezes por Castela. Primeiro, na sequência da crise de sucessão de D. Fernando I, que culminou na Batalha de Aljubarrota, em 1385.

Com o fim da guerra, Portugal deu início ao processo de exploração e expansão conhecido por Descobrimentos, entre cujas figuras cimeiras destacam o infante D. Henrique, o Navegador, e o Rei D. João II. Ceuta foi conquistada em 1415. O cabo Bojador foi dobrado por Gil Eanes em 1434, e a exploração da costa africana prosseguiu até que Bartolomeu Dias, já em 1488, comprovou a comunicação entre os oceanos Atlântico e Índico dobrando o cabo da Boa Esperança. Em rápida sucessão, descobriram-se rotas e terras na América do Norte, na América do Sul, e no Oriente, na sua maioria durante o reinado de D. Manuel I, o Venturoso. Foi a expansão no Oriente, sobretudo graças às conquistas de Afonso de Albuquerque que, durante a primeira metade do século XVI, concentrou quase todos os esforços dos portugueses, muito embora já em 1530 D. João III tivesse iniciado a colonização do Brasil.

O país teve o seu século de ouro durante este período. Porém, na batalha de Alcácer-Quibir (1578), o jovem rei D. Sebastião e parte da nobreza portuguesa pereceram. Sobe ao trono o Rei-Cardeal D. Henrique, que morre dois anos depois, abrindo a Crise de sucessão de 1580: esta resolve-se com a subida ao trono português de Filipe II de Espanha, o primeiro de três reis espanhóis (Dinastia Filipina). Esse domínio foi terminado a 1 de Dezembro de 1640 pela nobreza nacional que, após ter vencido a guarda real num repentino golpe-de-estado, depôs a condessa governadora de Portugal, coroando D. João IV como Rei de Portugal.

Após a restauração da independência de Portugal, seguiu-se uma guerra com Espanha que terminaria apenas em 1668, com a assinatura de um tratado de paz em que Espanha reconhecia em definitivo a restauração de Portugal.

O final do século XVII e a primeira metade do século XVIII assistiram ao florescimento da exploração mineira do Brasil, onde se descobriram ouro e pedras preciosas que fizeram da corte de D. João V uma das mais opulentas da Europa. Estas riquezas serviam frequentemente para pagar produtos importados, maioritariamente de Inglaterra (por exemplo, quase não existia indústria têxtil no reino e todos os tecidos eram importados de Inglaterra). O comércio externo baseava-se na indústria do vinho e o desenvolvimento económico do reino foi impulsionado, já no reinado de D. José, pelos esforços do Marquês de Pombal, ministro entre 1750 e 1777, para inverter a situação com grandes reformas mercantilistas. Foi neste reinado que um violento sismo devastou Lisboa e o Algarve, a 1 de Novembro de 1755.

Por não quebrar a aliança com a Inglaterra e recusar-se a aderir ao Bloqueio Continental, Portugal foi invadido pelos exércitos napoleónicos em 1807. A Corte e a família real portuguesa refugiaram-se no Brasil, e a capital deslocou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceria até 1821, quando D. João VI, desde 1816 rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, regressou a Lisboa para jurar a primeira Constituição. No ano seguinte, o seu filho D. Pedro IV era proclamado imperador do Brasil, mantendo-se, no entanto o Império do Brasil e o Reino de Portugal unidos durante cerca de dez anos.

Portugal viveu, no restante século XIX, períodos de enorme perturbação política e social (a guerra civil e repetidas revoltas e pronunciamentos militares, como a Revolução de Setembro, a Maria da Fonte, a Patuleia, etc.) e só com o Acto Adicional à Carta, de 1852, foi possível a acalmia política e o início da política de fomento protagonizada por Fontes Pereira de Melo. No final do século XIX, as ambições coloniais portuguesas chocam com as inglesas, o que está na origem do Ultimato de 1890. A cedência às exigências britânicas e os crescentes problemas económicos lançam a monarquia num descrédito crescente, e D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe são assassinados em 1 de Fevereiro de 1908. A monarquia ainda esteve no poder durante mais dois anos, chefiada por Manuel II, mas viria a ser abolida em 5 de Outubro de 1910, implantando-se a República.

A República é pouco depois instaurada, em 5 de Outubro de 1910, e o jovem rei D. Manuel II parte para o exílio em Inglaterra. Após vários anos de instabilidade política, com lutas de trabalhadores, tumultos, levantamentos, homicídios políticos e crises financeiras (problemas que a participação na I Guerra Mundial contribuiu para aprofundar), o Exército tomou o poder, em 1926. O regime militar nomeou ministro das Finanças António de Oliveira Salazar (1928), professor da Universidade de Coimbra, que pouco depois foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros (1932).

Ao mesmo tempo que restaurou as finanças, instituiu o Estado Novo, regime autoritário de corporativismo de Estado, com partido único e sindicatos estatais, com afinidades bem marcadas com o fascismo pelo menos até 1945. Em 1968, afastado do poder por doença, sucedeu-lhe Marcelo Caetano.

A recusa do regime em descolonizar as províncias ultramarinas resultou no início da guerra colonial, primeiro em Angola (1961) e em seguida na Guiné-Bissau (1963) e em Moçambique (1964). Apesar das críticas de alguns dos mais antigos oficiais do Exército, entre os quais o general António de Spínola, o governo parecia determinado em continuar esta política. Com o seu livro Portugal e o Futuro, em que defendia a insustentabilidade de uma solução militar nas guerras do Ultramar, Spínola seria destituído, o que agravou o crescente mal-estar entre os jovens oficiais do Exército, os quais, no dia 25 Abril de 1974 desencadearam um golpe de estado.

A este sucedeu-se um período de confronto político muito aceso entre forças sociais e políticas, designado como Processo Revolucionário em Curso, com especial ênfase durante o Verão de 1975, a que se chamou Verão Quente, no qual o país esteve prestes a cair num novo período de ditadura, desta vez de orientação comunista. Neste período Portugal concede a independência de todas as suas antigas colônias em África.

A 25 de Novembro de 1975 diversos sectores da esquerda radical (essencialmente pára-quedistas e polícia militar na Região Militar de Lisboa), provocados pelas notícias, levam a cabo uma tentativa de golpe de estado, que no entanto não tem nenhuma liderança clara. O Grupo dos Nove reage pondo em prática um plano militar de resposta, liderado por António Ramalho Eanes. Este triunfa e no ano seguinte consolida-se a democracia. O próprio Ramalho Eanes é no ano seguinte o primeiro Presidente da República eleito por sufrágio universal. Aprova-se uma Constituição democrática e estabelecem-se os poderes políticos locais (autarquias) e governos autónomos regionais nos Açores e Madeira.

Entre as décadas de 1940-60, Portugal foi membro co-fundador da NATO, OCDE e EFTA, saindo desta última em 1986, para aderir à União Europeia. Em 1999, Portugal aderiu à Zona Euro, e ainda nesse ano, entregou a soberania de Macau à República Popular da China. Desde a sua adesão à União Europeia, o país presidiu o Conselho Europeu por três vezes, a última das quais em 2007, recebendo a cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa.



Os abrigos sob as rochas da Idade da Pedra com pinturas em Bhimbetka, em Madhya Pradesh, são os vestígios de vida humana mais antigos conhecidos na Índia. Os primeiros agrupamentos permanentes conhecidos apareceram há mais de nove mil anos e desenvolveram-se gradualmente na civilização do vale do Indus, datando do Século XXXII a.C. na Índia ocidental. Foi seguido pelo período Védico, que deu as fundações do hinduísmo e outros aspectos culturais da primitiva sociedade indiana, e que foi até o século VI a. C. Por volta de 550 a. C., muitos reinos e repúblicas independentes conhecidos como os Mahajanapadas foram estabelecidos ao longo do país.

No terceiro século a. C., a maior parte do sul da Ásia foi unida no império de Maurya por Chandragupta Maurya e floresceu sob Ashoka, o grande. Desde o terceiro século d. C., a dinastia de Gupta dominou o período referido pelos antigos como a "Idade dourada da Índia"; impérios no sul da Índia incluíram aqueles do Chalukyas, do Cholas e do império de Vijayanagara. A ciência, a engenharia, a arte, a literatura, a astronomia, e a filosofia floresceram sob o patrocínio destes reis.

Às incursões por exércitos árabes e centro-asiáticos nos séculos VIII e XIII seguiram-se as de comerciantes da Europa, a partir do final do século XV. A Companhia Inglesa das Índias Orientais foi fundada em 1600 e iniciou, desde 1757, a colonização de partes da Índia. Na altura de 1858, após derrotar uma confederação sique no Panjabe em 1849, a coroa britânica assumira o controle político de virtualmente todo o subcontinente. Tropas indianas no exército britânico desempenharam um papel vital em ambas as guerras mundiais. A resistência não-violenta ao colonialismo britânico, chefiada por Mahatma Gandhi, Vallabhbhai Patel e Jawaharlal Nehru, levou à independência frente ao Reino Unido em 1947. O subcontinente foi partilhado entre a República da Índia, secular e democrática, e a República Islâmica do Paquistão. Como resultado de uma guerra entre aqueles dois países em 1971, o Paquistão Oriental tornou-se o Estado independente de Bangladesh. No século XXI, a Índia tem obtido ganhos expressivos em investimento e produção econômicos, constituindo-se na maior democracia do mundo, com uma população de mais de 1,1 bilhão de pessoas, e na quarta maior economia do planeta (critério PPP).

Fora do sul da Ásia, a história, a cultura e a política da Índia freqüentemente se sobrepõem aos países vizinhos. A cultura, economia e política indianas exerceram influência ao longo de milênios na história e na cultura de países no sudeste asiático, no leste e no centro da Ásia, como Indonésia, Cambodja, Tailândia, China, Tibete, Afeganistão, Irã e Turquestão. Após incursões árabes na Índia no início do segundo milênio d.C., missões semelhantes em busca da lendária riqueza indiana influenciaram fortemente a história da Europa medieval, a partir da chegada de Vasco da Gama. Cristóvão Colombo descobriu a América quando procurava uma nova rota para a Índia, e o Império Britânico obteve grande parte de seus recursos após a incorporação da Índia (a "Jóia da Coroa") do final do século XVIII até 1947.



A Austrália faz parte do continente mais novo do mundo - a Oceania. Apesar de ser habitada por aborígines há mais de 40 mil anos, somente há dois séculos iniciou-se sua colonização por europeus. Geograficamente para o mundo, a Austrália era um continente invisível, uma vasta terra que estranhamente foi desconsiderada pelos cartógrafos sem nada que justificasse a sua ausência nos mapas-múndi.

Segundo algumas versões, portugueses e holandeses, bem como outros povos, passavam ao largo da costa e, no entanto, nunca acharam convidativa uma possível colonização.

Dois séculos depois o capitão inglês James Cook foi enviado para fazer uma expedição científica neste desconhecido lugar. Conta a história que a 28 de Abril de 1770, após circunavegar o continente, ele finalmente desembarcou na costa leste australiana. Continuou viagem para norte, e, a 22 de Agosto, proclamou a posse do território, a que se deu o nome de New South Wales, (Nova Gales do Sul). Iniciava-se assim a colonização inglesa da Austrália, no começo feita apenas com o objectivo de "esvaziar" as cadeias britânicas. Os condenados, após cumprirem a sua pena em solo australiano, recebiam uma pequena parcela de terra, desde que não houvesse habitantes nativos nelas. Aos poucos foi-se ampliando o domínio dos ex-saqueadores ingleses naquele vasto e desprotegido continente, até, por volta de 1950, o censo mundial estimar a população australiana em menos de 5 milhões de habitantes.

O país é uma nação multicultural que recebeu e recebe imigrantes desde o início do processo de colonização européia de forma efetiva e duradoura, no século XVIII, pelo Reino Unido. Por isso, a maioria étnica da populaçao é de origem britânica, porém é significativa a presença de outras minorias étnicas, como gregos, asiáticos e os marginalizados nativos (restam 2% do total da população), dizimados pela implantação da "moderna" sociedade branca européia. A Austrália tornou-se independente do Império Britânico em 1942, mas faz parte do Commonwealth (Comunidade Britânica das Nações).



Os primeiros navegadores europeus, portugueses principalmente, chegaram à África do Sul no século XV. Diogo Cão alcançou a costa sul-africana em 1485 e em 1488 foi a vez de Bartolomeu Dias.

A História do país, propriamente dita, começa no século XVII com a ocupação permanente da região do Cabo da Boa Esperança pelos holandeses. Em 1909, a união das colónias britânicas de Cabo, Natal, Transval e Orange River origina a nação da África do Sul.

De 1948 a 1993/1994, a estrutura política e social é baseada no apartheid, o sistema legalizado de discriminação racial que manteve o domínio da minoria branca nos campos político, económico e social.

Em 1983, é adotada uma nova constituição que garante uma política de direitos limitados às minorias asiáticas, mas continua a excluir os negros do exercício dos direitos políticos e civis. A maioria negra, portanto, não tem direito de voto nem representação parlamentar. O partido branco dominante, durante a era do apartheid, é o Partido Nacional, enquanto a principal organização política negra é o Congresso Nacional Africano (ANC), que durante quase 50 anos foi considerado ilegal.

Mais tarde, em 1990, sob a liderança do presidente F. W. de Klerk, o governo sul-africano começa a desmantelar o sistema do apartheid, libertando Nelson Mandela, líder do ANC, e aceitando legalizar esta organização, bem como outras antiapartheid.

Os passos seguintes no sentido da união nacional são dados em 1991. A abertura das negociações entre os representantes de todas as comunidades, com o objetivo de elaborar uma Constituição democrática, marca o fim de uma época na África do Sul.

No dia 10 de abril de 1993, um dos principais líderes do movimento negro da África do Sul, Chris Hani, tombou vítima de dois tiros, diante da própria residência. O que seus assassinos não previram é que essa morte acabaria por acelerar o fim do apartheid.

Em 1993, o governo e a oposição negra acordam nos mecanismos que garantam a transição para um sistema político não discriminatório. É criado um comité executivo intermediário, com maioria negra, para supervisionar as primeiras eleições multipartidárias e multirraciais, e é criado, também, um organismo que fica encarregado de elaborar uma Constituição que garanta o fim do Apartheid.

Em Abril de 1994 fazem-se eleições multirraciais para o novo Parlamento. O ANC ganha as eleições e Nelson Mandela, formando um Governo de unidade nacional, torna-se o primeiro presidente sul-africano negro. Em 2004, ano em que Thabo Mbeki completou cinco anos como sucessor de Nelson Mandela, o presidente da república da África do Sul prometeu acabar com toda a violência de carácter político que ainda possa existir no país. Mbeki demitiu-se do cargo em 20 de Setembro de 2008 após pressões do seu próprio partido sob acusação de interferência no poder judicial. Dois dias depois o ANC apontou Kgalema Motlanthe para chefe-de-estado.



Apesar da chegada dos portugueses à costa dos Camarões datar do século XV, a malária impediu os europeus de se instalarem e conquistarem os territórios do interior até ao final da década de 1870, quando grandes quantidades de quinino se tornaram disponíveis. No início, os europeus estavam sobretudo interessados em comerciar, o que faziam na zona costeira, e adquirir escravos. O comércio de escravos foi reprimido a meio do século XIX, ainda na parte final deste século instalaram-se nos Camarões missões cristãs, as quais continuam a desempenhar um papel na vida do país.

No dia 5 de Julho de 1884 a totalidade do território camaronês e alguns territórios vizinhos tornaram-se a colónia alemã de Kamerun, com a capital situada primeiramente em Buea e depois em Yaoundé. Após o final da Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido e a França dividiram esta colônia, cabendo à França a maior área, sendo as zonas mais distantes transferidas para o domínio de outras colônias francesas, e governando o restante a partir de Yaoundé.

Os Camarões franceses alcançaram a independência em 1960 sob a denominação de República dos Camarões, no território conhecido como Camarões do Norte e Camarões do Sul. No ano seguinte, a maioria muçulmana do norte, que dominava dois terços dos Camarões britânicos, votou pela adesão à Nigéria, enquanto que no sul a maioria cristã, votou de forma que o outro terço dos Camarões britânicos aderisse à República dos Camarões, formando a República Federal dos Camarões. Permanece no entanto em aberto o conflito da Ambazónia (Camarões do Sul).



O Canadá era anteriormente habitado por diversos povos aborígenes, tais como os hurões, os iroqueses, os sioux e os inuit, que habitavam imensas regiões do país por dez mil anos. Vikings fundaram um assentamento localizado na atual província de Terra Nova e Labrador, no século X, que seria abandonada alguns anos depois.

A colonização européia começou no século XV, quando os britânicos, e principalmente, os franceses estabeleceram-se pelo Canadá. Os britânicos não tiveram uma forte presença no antigo Canadá, instalando-se originalmente na Terra de Rupert — uma gigantesca área que posteriormente daria origem aos Territórios do Noroeste, Manitoba, Saskatchewan e Alberta — sendo que a região dos Grandes Lagos e do Rio São Lourenço, bem como a região que atualmente compõe as atuais províncias de Nova Escócia e Nova Brunswick, estavam todas nas mãos dos franceses. A Nova França (Nouvelle-France) e a Acádia continuavam a se expandir. Essa expansão não foi bem aceita pelos iroqueses e, principalmente, pelos britânicos e os colonos das Treze Colônias, desencadeando uma série de batalhas que culminou, em 1763, no Tratado de Paris — no qual os franceses cederam seus territórios da Nova França e da Acádia aos britânicos.

Os britânicos, que já então dominavam as imensas Terras de Rupert — que à época incluía também as atuais (ou parte das) províncias canadenses de Alberta, Saskatchewan, Manitoba — bem como os territórios de Nunavut, Territórios do Noroeste e Yukon — passaram o Quebec Act, que permitiu aos franceses estabelecidos no antigo Canadá que continuassem a manter seu código civil e sancionou a liberdade de religião e de idioma — permitindo que a Igreja Católica e a língua francesa continuassem a sobreviver no Canadá até os dias atuais.

Com a Guerra de Independência dos Estados Unidos da América, que durou de 1775 até 1783, o Canadá recebeu levas de colonos leais aos britânicos, provenientes das Treze Colônias britânicas rebeldes. Tais colonos se estabeleceram no que é a atual província de Ontário. Com isso, os britânicos decidiram separar o Canadá em dois, criando o Canadá Superior (atual Ontário) e o Canadá Inferior (atual Quebec), além do território de Nova Brunswick (antiga Acádia — parte dos territórios antigamente colonizados pelos franceses).

Os Estados Unidos, em 1812, invadiram o Canadá Inferior e o Canadá Superior, na tentativa de anexar o resto das colônias britânicas na América do Norte, desencadeando a Guerra de 1812. Os Estados Unidos não tiveram sucesso, recuando ao tomarem conhecimento da chegada de tropas britânicas enviadas para combatê-los — mas ocuparam temporiamente as cidades de York (atual Toronto) e Quebec, queimando-as ao recuarem. Em retaliação, tropas canadenses e britânicas perseguiram os americanos em fuga, invadindo o nordeste dos Estados Unidos, atacando e queimando várias cidades, inclusive a capital, Washington, DC.

Em 1837, houve uma grande rebelião de colonos, tanto no Baixo Canadá quanto no Alto Canadá. Isso levou os britânicos a uma tentativa de assimilar a cultura francesa à britânica — entre outras coisas, o Baixo Canadá e o Alto Canadá foram unidos em uma única província do Canadá.

Confederação

O medo de uma segunda invasão americana, gerou imensas despesas em relação ao quesito de defesa (mais tropas, armamentos, suprimentos, etc), aliado ao fracasso britânico em assimilar os franceses em 1830, fez com que a idéia da Confederação Canadense (idealizada por colonos canadenses), cujo objetivo era integrar o Canadá e defender melhor a região de um eventual ataque dos Estados Unidos, fosse aprovada pelos britânicos. Em 1 de julho de 1867, as províncias do Canadá, Nova Brunswick e Nova Escócia tornaram-se uma federação, e tornando-se em parte politicamente independentes do Reino Unido — porém, os britânicos ainda teriam controle sobre o Ministério das Relações Exteriores do Canadá por mais 64 anos.

Depois de 1867, lentamente outras colônias britânicas aceitaram se unir à Confederação Canadense, sendo que a primeira foi a Colúmbia Britânica, e em 1880, os Territórios do Noroeste — cedidos pela Companhia da Baía de Hudson. Posteriormente, os Territórios do Noroeste seriam dividos nas atuais províncias de Alberta, Saskatchewan e Manitoba, além dos territórios de Yukon e Nunavut. O oeste canadense foi totalmente integrado ao território canadense, não sem a geração de conflitos de cunho étnico, social e econômico, dos quais destaca-se a Rebelião de Red River, ocorrida entre 1869 e 1870, e a Rebelião de Saskatchewan, ocorrida em 1885, ambas lideradas pelo líder Métis Louis Riel. Este seria posteriormente executado por traição.

O Canadá participou da Primeira Guerra Mundial, como aliado dos britânicos, tendo um importante papel ao decorrer da guerra. A guerra gerou também um forte nacionalismo quebequense, uma vez que os canadenses de origem francesa não queriam ir à guerra, diferentemente dos canadenses de origem britânica.

Outro efeito da Primeira Guerra Mundial foi a discriminação canadense com os imigrantes (principalmente de origem asiática). Isso é devido ao fato que a economia canadense diminuiu, devido ao término da guerra — os soldados que haviam participado na guerra, ao invés de encontrarem reconhecimento, encontraram desemprego. Com tamanha discriminação, o Canadá proibiu a entrada de imigrantes vindos da China ou restringiu bastante a entrada e imigrantes vindos de outros países.

Após a guerra, a dependência do Canadá para com os britânicos diminuiu em 1931, pelo Estatuto de Westminster — onde nenhum ato parlamentar do Reino Unido teria efeito no Canadá, além de dar soberania aos canadenses sobre seu Ministério das Relações Exteriores. Nesses anos, a Grande Depressão já mostrava seus efeitos devastadores no país — desemprego, miséria, fome — esses efeitos apenas terminariam com o início da Segunda Guerra Mundial, na qual novamente o Canadá desempenhou um importante papel no decorrer da guerra.

Com o término da guerra, a economia do Canadá continuou a crescer, crescimento que continua até os dias atuais — em grande parte, devido ao surgimento dos Estados Unidos como uma superpotência mundial. As leis que restringiam a entrada de imigrantes (e proibiam a entrada de imigrantes chineses) foram removidas em 1954, graças à importante participação de soldados de ascendência chinesa. Em 1964, todas as leis que restringiam a entrada de imigrantes baseados em raça ou etnia foram removidas. Atualmente, o Canadá possui uma das populações mais diversificadas etnicamente.

Entre 1963 e 1968, o primeiro-ministro Lester Bowles Pearson introduziu uma série de serviços governamentais como planos de pensão e um sistema de saúde público. Além disso, também instituiu o francês como idioma oficial do país, e criou uma nova bandeira nacional, a Maple Leaf Flag, a atual bandeira do país. Ao longo da década de 1960 e de 1970, Toronto havia substituído Montreal como a capital financeira do país.

Porém, desde o fim da guerra, o movimento a favor da independência Quebec ganhou força na província francófona. Em 1977, a província do Quebec, sob o governo de René Lévesque, sob os termos da Lei 101, tornou o francês a única língua oficial da província, e em 1980, Quebec realizou um referendo para a independência da mesma — no plesbecito realizado no Quebec, 60% dos votantes não aprovaram o referendo, e o Quebec continuou oficialmente no Canadá. Numa segunda votação por um segundo referendo para a independência da província, em 1995, o número de votantes quebequenses que votaram por continuar no Canadá havia caído para 50,3%. Mesmo assim, o Quebec continuou a fazer parte do Canadá. Em 1997, a Suprema Corte julgou que a secessão unilateral de uma província canadense é inconstitucional.



O Império Kanem-Bornu, próximo ao Lago Chade, dominou a parte norte da Nigéria por mais de 600 anos, prosperando como rota de comércio entre os bárbaros norte-africanos e o povo da floresta. No começo do século XIX, Usman dan Fodio reuniu a maior parte das áreas do norte sob o controle de um império islâmico tendo como centro Sokoto, e foi nesse período que a Jyhàd de conversão foi massiva - muitos "pagãos" tiveram suas culturas originais destruídas totalmente pelo Islã arabo-centrista antipoliteísta, e como tal foram levados como escravos para o mundo islâmico num comércio bem mais pioneiro que o Euro-judaico com as tribos nativas já islamizadas ou não.

Ambos os reinos de Oyo, no sudoeste, e Benin, no sudeste, desenvolveram sistemas elaborados de organização política nos séculos XV, XVI e XVII. Ife e Benin são notas pelas suas grandes obras artísticas em marfim, madeira, bronze e metais.

Entre os séculos XVII e XIX, comerciantes europeus estabeleceram portos costeiros para o aumento do tráfico de escravos(prisioneiros de guerra das tribos africanas mais fortes e dominadoras regionais) para as Américas, concorrendo fortemente com os árabes neste comércio. O comércio de commodities substituiu o de escravos no século XIX.

A Companhia Real de Niger foi criada pelo governo britânico em 1886. A Nigéria tornou-se um protetorado britânico em 1901, e uma colônia em 1914. Em resposta ao crescimento do nacionalismo nigeriano ao final da Segunda Guerra Mundial, o governo britânico iniciou um processo de transição da colônia para um governo próprio com base federal, concedendo independência total em 1960, tornando-se a Nigéria uma federação de três regiões, cada uma contendo uma parcela de autonomia.

Em 1966, dois golpes sucessivos por diferentes grupos militares deixaram o país sob uma ditadura militar. Os líderes do segundo golpe tentaram aumentar o poder do governo federal, e substituíram os governos regionais por 12 governos estaduais. Os ibos, grupo dominante etnicamente na região leste, declararam independência como a República de Biafra em 1967, iniciando uma sangrenta guerra civil que terminou com sua derrota.

Em 1975, um golpe pacífico levou Murtala Ramat Mohammed ao poder, que prometeu um retorno ao estado civil. Entretanto, ele foi morto em seguida, tendo como sucessor Olusegun Obasanjo. Uma nova constituição foi promulgada em 1977, e eleições foram realizadas em 1979, sendo ganhas por Shehu Shagari.

A Nigéria retornou ao governo militar em 1983, através de um golpe que estabeleceu o Supremo Conselho Militar como o novo órgão regulamentador do país. Depois das eleições de 1993, que foram canceladas pelo governo militar, o general Sani Abacha subiu ao poder. Quando ele morreu subitamente em 1998, Abdulsalami Abubakar tornou-se o líder do SMC, agora conhecido como o Conselho Provisório de Regulamentação. Ele anulou a suspensão da constituição de 1979 e, em 1999, a Nigéria elegeu Olusegun Obasanjo como presidente nas suas primeiras eleições em 16 anos. Obasanjo e seu partido também ganharam as turbulentas eleições de 2003.



Na Lunda, no Zaire e no Cuangar foram encontrados instrumentos de pedra e outros, dos homens do Paleolítico. No Deserto do Namibe forem encontradas gravuras rupestres nas rochas. Trata-se das gravuras do Tchitundu-Hulo atribuídas aos antepassados dos khoisan.

Nos primeiros 500 anos da era actual, os povos bantu da África Central, que já dominaram a siderurgia do ferro, iniciaram uma série de migrações para leste e para sul, a que se chamou a expansão bantu.

Um desses povos veio-se aproximando do Rio Congo (ou Zaire), acabando por atravessá-lo já no século XIII e instalar-se no actual Nordeste de Angola. Era o povo quicongo (ou kikongo).

Outra migração fixou-se inicialmente na região dos Grandes Lagos Africanos e, no século XVII, deslocou-se para oeste, atravessando o Alto Zambeze até ao Cunene: era o grupo ngangela.

No ano de 1568, entrava um novo grupo pelo norte, os jagas, que combateram os quicongos que os empurraram para sul, para a região de Kassanje.

No século XVI ou mesmo antes, os nhanecas (nyanekas ou vanyanekas) entraram pelo sul de Angola, atravessaram o Cunene e instalaram-se no planalto da Huíla.

No mesmo século XVI, um outro povo abandonava a sua terra na região dos Grandes Lagos, no centro de África, e veio também para as terras angolanas. Eram os hereros (ou ovahelelos), um povo de pastores. Os hereros entraram pelo extremo leste de Angola, atravessaram o planalto do Bié e depois foram-se instalar entre o Deserto do Namibe e a Serra da Chela, no sudoeste angolano.

Também no século XVI os portugueses instalam-se na região e fundam São Paulo da Assunção de Luanda, a actual cidade de Luanda.

Já no século XVIII, entraram os ovambos (ou ambós), grandes técnicos na arte de trabalhar o ferro, deixaram a sua região de origem no baixo Cubango e vieram estabelecer-se entre o alto Cubango e o Cunene.

No mesmo século, os quiocos (ou kyokos) abandonaram o Catanga e atravessaram o rio Cassai. Instalaram-se inicialmente na Lunda, no nordeste de Angola, migrando depois para sul.

Finalmente, já no século XIX apareceu o último povo que veio instalar-se em Angola: os cuangares (ou ovakwangali). Estes vieram do Orange, na África do Sul, em 1840, chefiados por Sebituane, e foram-se instalar primeiro no Alto Zambeze. Então chamavam-se macocolos. Do Alto Zambeze alguns passaram para o Cuangar no extremo sudoeste angolano, onde estão hoje, entre os rios Cubango e Cuando.

As guerras entre estes povos eram frequentes. Os migrantes mais tardios eram obrigados a combater os que se estavam estabelecidos para lhes conquistar terras. Para se defenderem, os povos construíam muralhas em volta das sanzalas. Por isso, há em Angola muitas ruínas de antigas muralhas de pedra. Essas muralhas são mais abundantes no planalto do Bié e no planalto da Huíla, onde se encontram, também, túmulos de pedra e galerias de exploração de minério, testemunhos de civilizações mais avançadas do que geralmente se supõe.

Os portugueses, sob o comando de Diogo Cão, no reinado de D. João II, chegam ao Zaire em 1484. É a partir daqui que se iniciará a conquista pelos portugueses desta região de África, incluindo Angola. O primeiro passo foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o de Ndongo e o de Matamba, os quais não tardam a fundir-se, para dar origem ao reino de Angola (c. 1559).

Explorando as rivalidades e conflitos entre estes reinos, na segunda metade do século XVI os portugueses instalam-se na região de Angola. O primeiro governador de Angola, Paulo Dias de Novais, procura delimitar este vasto território e explorar os seus recursos naturais, em particular os escravos. A penetração para o interior é muito limitada. Em 1576 fundam São Paulo da Assunção de Luanda, a actual cidade de Luanda. Angola transforma-se rapidamente no principal mercado abastecedor de escravos para as plantações da cana-de-açúcar do Brasil.

Durante a ocupação filipina de Portugal (1580-1640), os holandeses procuram desapossar os portugueses desta região, ocupando grande parte do litoral (Benguela, Santo António do Zaire, as barras do Bengo e do Cuanza). Em 1648 tropas luso-brasileiras expulsam os holandeses, possibilitando o reatamento das linhas de comércio entre Salvador e Rio de Janeiro com Luanda.

Até finais do século XVIII, Angola funciona como um reservatório de escravos para as plantações e minas do Brasil ou de outra colônias do continente americano.

A ocupação dos portugueses não vai muito mais além das fortalezas da costa.

A colonização efectiva do interior só se inicia no século XIX, após a independência do Brasil (1822) e o fim do tráfico de escravos (1836-42), mas não da escravatura. Esta ocupação do interior tinha o caráter de uma resposta às pretensões de outras potências europeias, como a Inglaterra, a Alemanha e a França, que reclamavam na altura o seu quinhão em África. Diversos tratados são firmados estabelecendo os territórios que a cada uma cabem, de acordo com o seu poder e habilidade negocial.

Uma boa parte desses colonos são presos deportados de Portugal, como o célebre Zé do Telhado. Paralelamente são feitas diversas viagens com objectivos políticos e científicos para o interior do território angolano, tais como: José Rodrigues Graça (1843-1848) - Malanje e Bié; José Brochado - Huambo, Mulando, Cuanhama; Silva Porto - Bié.

Devido à ausência de vias de comunicação terrestes, as campanhas de ocupação do interior são feitas através dos cursos fluviais: Bacia do Cuango (1862), Bacia do Cuanza (1895, 1905 e 1908); Bacia do Cubango (1886-1889, 1902 e 1906); Bacia do Cunene (1906-1907); Bacia do Alto Zambeze (1895-1896); Entre Zeusa e Dande (1872-1907), etc.

As fronteiras de Angola só são definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos ambundos, a cuja língua o termo Angola anda associado.

A colonização de Angola, após a implantação de um regime republicano em Portugal (1910), entra numa nova fase. Os republicanos haviam criticado duramente os governos monárquicos por terem abandonado as colónias. O aspecto mais relevante da sua ação circunscreveu-se à criação de escolas. No plano económico, desde muito tempo era legal 1916 na região de Luanda.

O desenvolvimento económico só se inicia de forma sistemática, em finais da década de 1930, quando se incrementa a produção de café, sisal, cana do açúcar, milho e outros produtos. Trata-se de produtos destinados à exportação.

A exportação da cana do açúcar, em 1914, pouco ultrapassava as 6 milhões de toneladas. Em 1940 atingia já 4 bilhões de toneladas exportadas. As fazendas e a indústria concentraram-se à volta das cidades de Luena e de Benguela.

A exportação de sisal desenvolve-se durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1920, foram exportadas pouco mais que que 62 toneladas , mas em 1941 atingia-se já as 3.888. Dois anos depois, 12.731 toneladas. Em 1973 situavam-se nas 53.499. Estas plantações situavam-se no planalto do Huambo, do Cubal para Leste, nas margens da linha férrea do Dilolo, Bocoió, Balumbo, Luimbale, Lepi, Sambo, mas também no Cuinha do norte e Malange.

Abre-se um novo ciclo económico em Angola, que se prolonga até 1972, quando a exploração petrolífera em Cabinda começar a dar os seus resultados. A subida da cotação do café no mercado mundial, a partir de 1950, contribuiu decisivamente para o aumento vertiginoso desta produção. Em 1900, as exportações pouco ultrapassaram as 5.800 milhões de toneladas. Em 1930 atingiam as 14.851.Em 1943 subiam para 18.838. A partir daqui o crescimento foi vertiginoso. Em 1968 forma exportadas 182.954 e quatro anos depois, 218.681 toneladas.

Para além destes produtos, desenvolve-se a exploração dos minérios de ferro. Em 1957 funda-se a Companhia Mineira do Lobito, que explorava as minas de Jamba, Cassinga e Txamutete. Exploração que cedeu depois à Brasileira Krupp.

O desenvolvimento destas explorações, foi acompanhado por vagas de imigrantes incentivados e apoiados muitas vezes pelo próprio Estado. Entre 1941 e 1950, saíram de Portugal cerca de 110 mil imigrantes com destino às colónias, a maioria fixou-se em Angola. O fluxo imigratório prosseguiu nos anos 50 e 60.

Na década de 1950, a questão da descolonização das colónias africanas emerge no plano internacional e torna-se uma questão incontornável. Em 1956 é publicado o primeiro manifesto do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

No princípio dos anos 60, três movimentos de libertação (UPA/FNLA, MPLA e UNITA) desencadearam uma luta armada contra o colonialismo português.

O governo de Portugal (uma ditadura desde 1926), recusou-se a dialogar e prosseguiu na defesa até ao limite do último grande império colonial europeu. Para África foram mobilizados centenas de milhares de soldados. Enquanto durou o conflito armado, Portugal procurou consolidar a sua presença em Angola, promovendo a realização de importantes obras públicas. A produção industrial e agrícola conheceram neste território um desenvolvimento impressionante. A exploração do petróleo de Cabinda iniciou-se em 1968, representando em 1973 cerca de 30% das receitas das exportações desta colónia. Entre 1960 e 1973 a taxa de crescimento do PIB (produto Interno Bruto) de Angola foi de 7% ao ano.

No princípio dos anos 60, três movimentos de libertação (UPA/FNLA, MPLA e UNITA) desencadearam uma luta armada contra o colonialismo português.

O governo de Portugal (uma ditadura desde 1926), recusou-se a dialogar e prosseguiu na defesa até ao limite do último grande império colonial europeu. Para África foram mobilizados centenas de milhares de soldados. Enquanto durou o conflito armado, Portugal procurou consolidar a sua presença em Angola, promovendo a realização de importantes obras públicas. A produção industrial e agrícola conheceram neste território um desenvolvimento impressionante. A exploração do petróleo de Cabinda iniciou-se em 1968, representando em 1973 cerca de 30% das receitas das exportações desta colónia. Entre 1960 e 1973 a taxa de crescimento do PIB (produto Interno Bruto) de Angola foi de 7% ao ano.

Na sequência do derrube da ditadura em Portugal (25 de Abril de 1974), abriram-se perspectivas imediatas para a independência de Angola. O novo governo revolucionário português abriu negociações com os três principais movimentos de libertação (MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola, FNLA – Frente Nacional de Libertação de Angola e UNITA – União Nacional para a Independência Total de Angola), o período de transição e o processo de implantação de um regime democrático em Angola (Acordos de Alvor, Janeiro de 1975).

A independência de Angola não foi o início da paz, mas o início de uma nova guerra aberta. Muito antes do Dia da Independência, a 11 de Novembro de 1975, já os três três grupos nacionalistas que tinham combatido o colonialismo português lutavam entre si pelo controlo do país, e em particular da capital, Luanda. Cada um deles era na altura apoiado por potências estrangeiras, dando ao conflito uma dimensão internacional.

A União Soviética e principalmente Cuba apoiavam o MPLA, que controlava a cidade de Luanda e algumas outras regiões da costa, nomeadamente o Lobito e Benguela. Os cubanos não tardaram a desembarcar em Angola (5 de Outubro de 1975). A África do Sul apoiava a UNITA e invadiu Angola (9 de Agosto de 1975). O Zaire, que apoiava a FNLA, invadiu também este país, em Julho de 1975. A FNLA contava também com o apoio da China, mercenários portugueses e ingleses mas também com o apoio da África do Sul.

Os EUA, que apoiaram inicialmente apenas a FNLA, não tardaram a ajudar também a UNITA. Neste caso, o apoio manteve-se até 1993. A sua estratégia foi durante muito tempo dividir Angola.

Em Outubro de 1975, o transporte aéreo de quantidades enormes de armas e soldados cubanos, organizado pelos soviéticos, mudou a situação, favorecendo o MPLA. As tropas sul-africanas e zairenses retiraram-se e o MPLA conseguiu formar um governo socialista uni-partidário.

O Brasil rapidamente estabeleceu relações diplomáticas com a nova República que se instalara. Fez isso antes mesmo de qualquer país do bloco comunista. Nenhum país ocidental ou mesmo africano seguiu o seu exemplo. A decisão de reconhecer como legítimo o governo de Agostinho Neto foi tomada pelo então presidente Ernesto Geisel ainda em 6 de Novembro, antes da data oficial de Independência de Angola.

Já em 1976, as Nações Unidas reconheciam o governo do MPLA como o legítimo representante de Angola, o que não foi seguido nem pelos EUA, nem pela África do Sul.

No meio do caos que Angola se havia tornado, cerca de 800 mil portugueses abandonaram este país entre 1974 e 1976, o que agravou de forma dramática a situação económica.

A 27 Maio de 1977, um grupo do MPLA encabeçado por Nito Alves, desencadeou um golpe de Estado que ficou conhecido como Fraccionismo, terminando num banho de sangue que se prolongou por dois anos. Em Dezembro, no rescaldo do golpe, o MPLA realizou o seu 1º Congresso, onde se proclamou como sendo um partido Marxista-Leninista, adoptando o nome de MPLA-Partido do Trabalho.

A guerra continuava a alastrar por todo o território. A UNITA e a FNLA juntaram-se então contra o MPLA. A UNITA começou por ser expulsa do seu quartel-general no Huambo, sendo as suas forças dispersas e impelidas para o mato. Mais tarde, porém, o partido reagrupou-se, iniciando uma guerra longa e devastadora contra o governo do MPLA. A UNITA apresentava-se como sendo anti-marxista e pró-ocidental, mas tinha também raízes regionais, principalmente na população Ovimbundu do sul e centro de Angola.

Agostinho Neto morreu em Moscovo a 10 de Setembro de 1979, sucedendo-lhe no cargo o ministro da Planificação, o engenheiro José Eduardo dos Santos.

No início da década de 1980, o número de mortos e refugiados não parou de aumentar. As infra-estruturas do país eram consecutivamente destruídas. Os ataques da África do Sul não paravam. Em agosto de 1981, lançaram a operação "Smokeshell" utilizando 15.000 soldados, blindados e aviões, avançando mais de 200 km na província do Cunene (sul de Angola). O governo da África do Sul justificou a sua acção afirmando que na região estavam instaladas bases dos guerrilheiros da SWAPO, o movimento de libertação da Namíbia. Na realidade tratava-se de uma acção de apoio à UNITA, tendo em vista a criação de uma "zona libertada" sob a sua administração. Estes conflitos só terminaram em Dezembro de 1988, quando em Nova Iorque foi assinado um acordo tripartido (Angola, África do Sul e Cuba) que estabelecia a Independência da Namíbia e a retirada dos cubanos de Angola.

A partir de 1989, com a queda do bloco da ex-União Soviética, sucederam-se em Angola os acordos de paz entre a UNITA e o MPLA, seguidos do recomeço das hostilidades. Em Junho de 1989, em Gbadolite (Zaire), a UNITA e o MPLA estabeleceram uma nova trégua. A paz apenas durou dois meses.

Em fins de Abril de 1990, o governo de Angola anunciou o reinício das conversações directas com a UNITA, com vista ao estabelecimento do cessar-fogo. No mês seguinte, a UNITA reconhecia oficialmente José Eduardo dos Santos como o Chefe de Estado angolano. O desmoronar da União Soviética acelerou o processo de democratização. No final do ano, o MPLA anunciava a introdução de reformas democráticas no país. A 11 de Maio de 1991, o governo publicou uma lei que autorizava a criação de novos partidos, pondo fim ao monopartidarismo. A 22 de Maio os últimos cubanos saíram de Angola.

Em 31 de maio de 1991, com a mediação de Portugal, EUA, União Soviética e da ONU, celebraram-se os acordos de Bicesse (Estoril), terminando com a guerra civil desde 1975, e marcando as eleições para o ano seguinte.

As eleições de Setembro de 1992, deram a vitória ao MPLA (cerca de 50% dos votos). A UNITA (cerca de 40% dos votos) não reconheceu os resultados eleitorais. Quase de imediato sucedeu-se um banho de sangue, reiniciando-se o conflito armado, primeiro em Luanda, mas alastrando-se rapidamente ao restante território.

A UNITA restabeleceu primeiramente a sua capital no Planalto Central com sede no Huambo (antiga Nova Lisboa), no leste e norte diamantífero.

Em 1993, o Conselho de Segurança das Nações Unidas embargou as transferências de armas e petróleo para a UNITA. Tanto o governo como a UNITA acordaram em parar as novas aquisições de armas, mas tudo não passou de palavras.

Em Novembro de 1994, celebrou-se o Protocolo de Lusaka, na Zâmbia entre a UNITA e o Governo de Angola (MPLA). A paz parecia mais do que nunca estar perto de ser alcançada. A UNITA usou o acordo de paz de Lusaka para impedir mais perdas territoriais e para fortalecer as suas forças militares. Em 1996 e 1997 adquiriu grandes quantidades de armamentos e combustível, enquanto ia cumprindo, sem pressa, vários dos compromissos que assumira através do Protocolo de Lusaka.

Entretanto o Ocidente passara a apoiar o governo do MPLA, o que marcou o declínio militar e político da UNITA, com este movimento a ter cada vez mais dificuldades em financiar as suas compras militares, perante o avanço no terreno das FAA, e dado o embargo internacional e diplomático a que se viu votada.

Em Dezembro de 1998, Angola retornou ao estado de guerra aberta, que só parou em 2002, com a morte de Jonas Savimbi (líder da Unita).

Com a morte do líder histórico da UNITA, este movimento iniciou negociações com o Governo de Angola com vista à deposição das armas, deixando de ser um movimento armado, e assumindo-se como mera força política.



A história do Gabão foi influenciada, durante os últimos 7 séculos, por grupos de bantus provenientes de várias regiões. Pouco se sabe sobre a vida destas tribos antes da chegada dos europeus, porém a arte tribal oriunda desta época indica que eram ricas culturalmente.

Os primeiros europeus a a chegarem ao atual Gabão foram os comerciantes portugueses, que chegaram à região no século XV, e deram à região o nome de "gabão" (uma espécie de casaco, cujo formato lembrava o do estuário na foz do rio Komo). A costa gabonesa tornou-se um entreposto de escravos. Logo vieram, no século seguinte, os comerciantes holandeses, britânicos e franceses.

A França assumiu o status de "protetora" do território após assinar tratados com os chefes tribais locais em 1839 e 1841. No ano seguinte, missionários norte-americanos estabeleceram uma missão em Baraka (a atual cidade de Libreville, capital do país) em 1842. Em 1849, os franceses capturaram um navio de escravos e libertaram-nos na embocadura do rio Komo. Os escravos libertos batizaram o assentamento de Libreville - (cidade livre).

Os exploradores franceses penetraram as densas selvas gabonesas entre 1862 e 1887. A França ocupou formalmente o Gabão em 1885 mas só começou efetivamente a administrá-lo em 1903. Em 1910, o Gabão se tornou um dos territórios da África Equatorial Francesa, uma federação que existiu até 1959. Os territórios se tornaram independentes a 17 de agosto de 1960, dando origem à República Centro-Africana, ao Chade, ao Congo-Brazzaville, e ao Gabão.

O primeiro presidente eleito do país foi Leon M'Bá, em 1961. Quando M'Bá morreu, em 1967, foi substituído por Omar Bongo.



A Gâmbia ficou independente do Reino Unido em 18 de fevereiro de 1965, como uma monarquia dentro da Commonwealth. Em 24 de abril de 1970, Dawda Jawara se converteu no primeiro presidente do novo estado e foi reeleito em 1972 e 1977.

Depois da independência, Gâmbia melhorou seu desenvolvimento econômico graças ao alça nos preços de sua principal matéria de exportação, o amendoim, e ao desenvolvimento do turismo internacional. Em 1982, a Gâmbia e o Senegal formaram a Confederação da Senegâmbia, através de um pacto que unia instituições comuns e uma integração das forças armadas e de segurança. A Senegâmbia foi dissolvida em 1989 por divergências entre os dois países.

O presidente Jawara foi derrotado em 1994 por Yahya Jammeh, que estabeleceu uma ditadura. Jammeh foi reeleito em 2001 e derrogou a lei que proibia a existência de partidos opositores.



A história do Gana anteriormente à chegada dos europeus deriva essencialmente da tradição oral, que refere as migrações dos antigos reinos do Sahel, hoje regiões da Mauritânia e do Mali.

As mais antigas notícias escritas referentes às culturas ao sul do deserto do Sahara provém de fontes islâmicas, de autores quase todos radicados na península Ibérica, cujos textos circularam pela Europa ainda na Idade Média. Entre eles destaca-se Abu Ubayd al-Bakri, filólogo, poeta, geógrafo, historiador e erudito religioso, que viveu em Córdoba, Almeria e Sevilha, onde veio a falecer em 1094. Embora nunca se tenha deslocado ao sul do Sahara, conversou com viajantes e comerciantes, consultou inúmeras obras de geógrafos muçulmanos elaborando a obra "Descrição da África" (1087), principal fonte para a história da região até ao último quartel do século XV.

O primeiro contacto de Gana com os europeus datam do ano de 1470, quando um grupo de portugueses desembarcaram e começaram a negociar com o Rei de "Elmina". Em 1482, os portugueses construiram o Castelo de São Jorge da Mina e tornou-a uma importante feitoria permanente. Em 1557 a 1578, os portugueses dominaram até Acra. Durante os três séculos seguintes, os ingleses, portugueses, suecos, dinamarqueses, holandeses e alemães controlaram várias partes da costa de Gana, naquele tempo chamada de Costa do Ouro. Os portugueses perderam grande parte da sua área de controlo (incorporada na Costa do Ouro Portuguesa) em 1642 e foi cedida aos holandeses. No início do século XIX, os ingleses conseguiram dominar toda a Costa do Ouro, tornando-a numa colónia, afastando todos os concorrentes europeus e derrotando os reinos nativos (localizados no interior do país).

O país foi renomeado para Gana na sequência da sua independência em 1957 devido às indicações que os atuais habitantes descendam de emigrantes que se movimentaram para Sul do Império Gana. Uma das partes interessantes da história do Gana é o retorno de libertos afro-brasileiros, formando uma comunidade chamada Tabom, que inicialmente estabeleceu-se na capital Acra, no bairro de Jamestown.



Dois reinos georgianos na Antiguidade, Ibéria a leste do país e Cólquida ao oeste foram as primeiras nações da região a adotarem o cristianismo (317 e 523, respectivamente). Egrisi presenciou batalhas frequentes entre os rivais o Império Bizantino e a Pérsia, os quais pretendiam conquistar a Geórgia, de tempos a tempos.

Como resultado, estes reinos foram divididos em várias regiões feudais nos primeiros anos da Idade Média. Isso facilitou aos árabes na conquista da Geórgia, no século VII. No início do século XI, as regiões rebeldes foram liberadas e unidas ao reino da Geórgia. No inicio do século XII, o domínio da Geórgia se estendeu sobre grande parte do sul do Cáucaso, incluindo as zonas do norte e quase toda a costa norte que atualmente pertence à Turquia.

Este reino da Geórgia, que era tolerante com seus súditos muçulmanos e judeus, foi subordinado pelo mongóis no século XIII. Resultado foi que os vários governantes locais lutaram pela independência da Geórgia do governo central até a total desintegração do Reino, no século XV. Reinos vizinhos aproveitaram a situação e, desde o século XVI, a Persia e o Império Otomano subjugaram o leste e oeste da Geórgia, respectivamente. Os governadores dessas regiões, que parcialmente preservaram a sua autonomia, organizaram rebeliões em diversas ocasiões. As sucessivas invasões persas e otomanas enfraqueceram os reinos e rebeliões locais. Como resultado das guerras contra os Estados islâmicos a população da Geórgia foi reduzida para 250 000 habitantes.

No período de 1769 a 1772, tropas russas do general Totleben batalharam contra os invasores turcos nos reinos georgianos de Imereti e Kartl-kakheti.

Em 1783, o Império Russo e o reino leste de Kartl-Kakheti (que já havia sido devastado pelas invasões da Turquia e da Pérsia) assinam o Tratado de Georgievsk, no qual Kartl-Kakheti teria a proteção russa.

Em 8 de janeiro de 1801, o Czar Paulo I da Rússia, alegando pedidos do rei Jorge XII da Geórgia, asina um decreto incorporando a Geórgia (Kartl-Kakheti) ao seu império, tratado reafirmado pelo Czar Alexandre I em 12 de setembro de 1801.

O enviado georgiano a São Petersburgo reagiu com uma nota de protesto ao vice-chanceler Príncipe Kurakin. Em maio de 1801, o general russo Carl Heinrich Knorring destronou o herdeiro do trono da Geórgia, David Batonishvili, e instituiu o governo russo do General Ivan Petrovich Lasarev.

Parte da nobreza georgiana não aceitou o decreto até abril de 1802 quando o general Knorring a cerca na Catedral Sionista de Tbilisi e a força a fazer um juramento de lealdade ao Império Russo. Aqueles que se negaram foram temporariamente presos.

O país estava totalmente tomado pelos russos em 1804. No verão de 1805, tropas russas no Rio Askerani próximo de Zagam derrotam o exército persa, salvando Tbilisi de um ataque. Em 1810, o Reino de Imereti foi anexado ao Império Russo após sufocarem a resitência do Rei Salomão II. De 1803 a 1878, como resultado de inúmeras guerras contra a Turquia e o Irã, diversos territórios georgianos foram anexados ao território russo. Estas áreas (Batumi, Artvin, Akhaltsikhe, Poti, e Abecásia) fazem parte, nos dias de hoje, do território da Geórgia.

Insatisfeitos com a autocracia czarista e de sua dominação econômica, os locais iniciam movimentos nacionalistas na segunda metade do século XIX. Uma grande revolta de agricultores, ocorrida em 1905, levam ao início de reformas políticas que acalmam a tensão do período. Durante este tempo, o Partido Trabalhista Social Democrata Russo (de característica marxista) se torna o movimento político dominante na Geórgia, ocupando todos os assentos do país na Duma, o congresso russo estabelecido em 1905. Josef Vissarionovich Djugashvili (conhecido como Josef Stalin), um bolchevique georgiano, se torna o líder do movimento revolucionário (e anti-menchevique) no país.

A Revolução Russa de outubro de 1917 mergulhou a Rússia numa sangrenta Guerra Civil durante o qual dezenas de territórios anexados conseguiram suas independências. A Geórgia foi um deles, proclamando a República Democrática da Geórgia em 26 de maio de 1918. O novo país foi governado pela facção menchevique do Partido Trabalhista Social Democrata Russo, que estabeleceu um sistema multi-partidário em contraste com a "ditadura do proletariado" estabelecida pelos bolcheviques na Rússia. O Estado foi reconhecido pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) pelo Tratado de Moscou e a maioria dos Estados ocidentais em 1921.

Em fevereiro de 1921, o Exército Vermelho invade a Geórgia e, após uma curta guerra, ocupa o seu território. O governo georgiano foi forçado ao exílio. Guerrilhas de resistência em 1921-1924 foram seguidas por uma rebelião patriótica em agosto de 1924. O Coronel Kakutsa Cholokashvili foi um dos mais conhecidos guerrilheiros desta fase.

Em 9 de abril de 1991, pouco após o colapso da URSS, a Geórgia declarou independência. Em 26 de maio desse ano Zviad Gamsakhurdia foi eleito como o primeiro presidente da Geórgia independente. No entanto, Gamsakhurdia foi deposto por um sangrento golpe de estado entre 22 de dezembro de 1991 a 6 de Janeiro de 1992. O golpe foi instigado pela Guarda Nacional da Geórgia e uma organização paramilitar chamada "Mkhedrioni", a qual se dizia ser apoiada por unidades militares russas baseadas em Tbilisi. O país esteve envolvido em uma guerra civil que durou quase até 1995. Chevardnadze retornou à Geórgia em 1992 e se juntou aos líderes do golpe - Tengiz Kitovani e Dzhaba Ioseliani - para encabeçar um triunvirato chamado o "Conselho do Estado".

Em 1995, Chevardnadze foi oficialmente eleito como presidente, enquanto que duas regiões, a Abcásia e a Ossétia do Sul, rapidamente encontraram-se em disputa com separatistas locais, o que levou à guerra e à violência inter-étnica. Apoiada pela Rússia, a Abcásia ea Ossétia do Sul permanecem de fato independentes da Geórgia. Mais de 250.000 georgianos sofreram limpeza étnica na Abcásia por separatistas abcazes e voluntários norte-caucasianos, principalmente chechenos, entre 1992 e 1993 - mais de 25.000 georgianos foram expulsos de Tskhinvali, e muitas famílias ossetas foram obrigadas a abandonar as suas casas na região de Borjomi e se deslocaram para a Rússia.

Em 2003 Chevardnadze foi deposto por um golpe de forma pacífica e sem derramamento de sangue, conhecido como a "Revolução Rosa" liderada por Mikhail Saakashvili, Zurab Zhvania e Nino Burdzhanadze, os membros fundadores e líderes do partido majoritário. Nino Burdzhanadze assumiu poder interino até a eleição de Saakashvili, que tomou posse como presidente da Geórgia, em 25 de janeiro de 2004. Restaurar a integridade territorial nacional, reverter os efeitos da limpeza étnica e o regresso dos refugiados aos seus lares foram promessas pré-eleitorais do governo de Saakashvili. Após a revolução, uma série de reformas foram lançados para reforçar as milícias e a capacidade económica do país. Os esforços do governo para restabelecer a autoridade da Geórgia, no sudoeste da república autónoma da Adjara levou a uma grave crise no início de 2004. O sucesso na Adjara incentivou Saakashvili a intensificar seus esforços, mas não teria sucesso na separatista Ossétia do Sul. Apesar disso, Saakashvili segue gozando de grande popularidade no país. O líder da Igreja Ortodoxa tinha recomendado a monarquia e o advento de Jorge de Bagration, no exílio na Espanha, como um meio para a harmonia e estabilidade necessárias para a regiões separatistas se sentirem segura em uma Geórgia forte e unida.

Em 7 de agosto de 2008 as forças armadas da Geórgia começaram a Operação Campo Limpo, a fim de "restabelecer ordem constitucional" na Ossétia do Sul. Os combates começaram na periferia da capital da Ossétia Sul, com a batalha de Tsjinval. Logo esta operação se converteria numa guerra entre a Geórgia de um lado, e as repúblicas separatistas pró-russas da Ossétia do Sul e da Abcásia e a Rússia de outro. A Geórgia foi derrotada militarmente e depois da Batalha no vale de Kodori, perdendo o controle do Vale Kodori na Abcásia.

A Rússia, assina em 26 de agosto de 2008 um decreto que reconhece a independência da Abkhazia e da Ossétia do Sul, duas regiões que tinham sido declaradas no início da década de 1990. A Rússia justificou o ataque pela Geórgia sobre a Ossétia do Sul como a principal razão para o reconhecimento da independência das regiões separatistas.

Estes reconhecimentos internacionais não foram imitados por qualquer outro Estado, com a exceção da Nicarágua, (a Bielorrússia declarou a sua intenção de seguir os passos da Rússia "dentro de dias") e além de não ter o apoio da ONU e sendo rejeitada pela União Europeia, Estados Unidos e seus aliados. Alguns analistas internacionais viram neste caso como uma resposta do Kremlin à independência do Kosovo, em Fevereiro de 2008, apoiado em grande parte pelos Estados Unidos e vários países europeus.

Na Geórgia, estradas e ruas do país foram cortadas por manifestantes exigindo a unidade do país georgiano. Entretanto, nas repúblicas separatistas, a população saiu às ruas para comemorar o reconhecimento da sua independência.



A ilha de Granada foi descoberta por Cristóvão Colombo a 15 de Agosto de 1498, sendo no entanto dominada pelos índios Caraíbas até à chegada dos Franceses em 1650. A Coroa francesa passou a ter controlo efectivo na ilha a partir de 1672. A Inglaterra viria a expulsar os Franceses em 1762, sendo o domínio britânico sobre Granada formalizado em 1783. O fim do século XVIII ficou marcado pela importação maciça de escravos africanos para a ilha, o que explica a predominância da etnia negra na sociedade contemporânea de Granada. De 1885 a 1958, Granada foi a sede das ilhas Britânicas das Caraíbas, sendo posteriormente membro da Federação das Índias Ocidentais, que acabou em 1962. A 3 de Março de 1967, Granada passou a ter um governo próprio, embora associado com a Inglaterra. Em Agosto desse ano realizaram-se eleições gerais cujos resultados deram a vitória ao Partido Trabalhista Unido de Granada (GULP), liderado por Eric Gairy. Granada assumiu o estatuto de Estado independente, membro da Commonwealth, a 7 de Fevereiro de 1974, data à qual se seguiu um período de instabilidade social e política que viria a estar na base do golpe de Estado levado a cabo pelo Movimento da Jóia Nova em 1979, proclamando o Governo Revolucionário Popular (PRG) sob a liderança de Maurice Bishop. Este Governo, apesar da oposição dos governos ocidentais, iniciou um programa de recuperação económica que viria a ser interrompido em Outubro de 1983, quando ocorreu um golpe de Estado militar durante o qual Bishop foi assassinado. Poucos dias depois, a 25 de Outubro, os Estados Unidos invadiram a ilha, derrotando os golpistas e devolvendo o poder ao representante da Coroa britânica, o governador-geral Sir Paul Scoon. Até à realização de eleições, em Dezembro de 1984, que deram a vitória ao Novo Partido Nacional de Herbert Blaize, o país foi governado por um Conselho Governativo encabeçado por Nicholas Braithwaite (por nomeação do governador), que viria a constituir o Congresso Nacional Democrático (NDC), o partido vencedor das eleições de Março de 1990. Já em 1994, Braithwaite afirmou que não se candidataria às eleições gerais previstas para Março de 1995, o que constituiu um rude golpe na já debilitada popularidade do NDC, derivada da política de austeridade praticada pelo Governo. Desde 22 de Junho de 1995 o chefe do Governo é o primeiro ministro Keith Mitchell.



Do século IV ao século XI, as terras baixas da região de Petén foram o coração da florescente civilização Maia. Depois do colapso dos estados das terras baixas, os estados Maias do altiplano central continuaram existindo mais ou menos organizados. Embora os conquistadores espanhóis tenham chegada à região em 1523, houve uma feroz resistência das cidades-estado maias e a última só foi efetivamente conquistada em 1697

A Guatemala, até 1821 foi uma colônia do Império Espanhol. Durante a segunda metade do século XX, experimentou uma variedade de governos militares e civis bem como uma guerra civil que durou 36 anos. Em 1996, o governo assinou um acordo da paz terminando formalmente com o conflito, que levou à morte de mais de cem mil pessoas e tinha criado um milhão de refugiados.



Explorada por navegantes espanhóis a partir de 1499, a Guiana passou a ser ocupada por holandeses no início do século XVII. Em 1814, a Holanda cedeu a região aos ingleses, que a batizaram oficialmente de Guiana Inglesa em 1831. As autoridades coloniais, diante das dificuldades encontradas para recrutar trabalhadores braçais entre os indígenas, decidiram substituí-los por escravos negros. Com a abolição da escravidão em 1837, os trabalhadores indianos substituíram os negros nas plantações do interior. Esses traslados de consideráveis contingentes humanos são responsáveis pela pouca homogenidade da população do país.

Cheddi Jagan fundou em 1950 o Partido Progressista Popular, grupo político formado principalmente, pela população de origem mestiça, e apresentou um programa de profundas reformas sociais, ao mesmo tempo que se mostrava partidário da independência. O Congresso Nacional Popular, partido dos negros, dirigido por Forbes Burnham e menos radical em suas demandas, conseguiu o apoio da população branca, formada principalmente por descendentes de ex-trabalhadores contratados, vindos da Ilha da Madeira no século XIX. Jagan ganhou as eleições de 1961, mas vários distúrbios de caráter racial retardaram a Independência. Jagan venceu as novas eleições em 1964. Pouco depois, o governador inglês nomeou Burnham como primeiro-ministro. Em 1966 o país alcançou sua Independência dentro da Commonwealth.



O período colonial da Guiné se iniciou quando tropas francesas penetraram na região em meados do século XIX. A dominação francesa foi assegurada ao derrotarem as tropas de Samory Touré, guerreiro de etnia malinke, o que deu aos franceses o controle do que é hoje a Guiné, e de regiões adjacentes.

A França definiu, em fins do século XIX e início do XX, as fronteiras da atual Guiné com os então territórios britânico e português que hoje formam, respectivamente, Serra Leoa e Guiné-Bissau. Negociou ainda a fronteira com a Libéria. Sob domínio francês, a região passou a ser o Território da Guiné dentro da África Ocidental Francesa, administrada por um governador-geral residente em Dakar (atualmente, capital do Senegal). Tenentes-governadores administravam as colônias individuais, incluindo a Guiné.

Liderados por Ahmed Sékou Touré, líder do Partido Democrático da Guiné (PDG), que ganhou 56 das 60 cadeiras nas eleições territoriais de 1957, o povo da Guiné decidiu em plebiscito, por esmagadora maioria, rejeitar a proposta de pertencer a uma Comunidade Francesa. Os franceses se retiraram rapidamente, e em 2 de Outubro de 1958, a Guiné se tornou um país independente, com Sékou Touré como presidente.

Sob o governo de Touré, a Guiné se tornou uma ditadura de partido único, com uma economia fechada de caráter socialista, e intolerante a direitos humanos, liberdade de expressão ou oposição política, a qual foi brutalmente suprimida. Antes acreditado por sua defesa de um nacionalismo sem barreiras étnicas, touré gradualmente passou a depender de seu próprio grupo étnico, os malinke, para preencher posições em sue governo. Alegando tentativas de golpe oriundas do exterior e do próprio país, o regime de Touré visou inimigos reais e imaginários, aprisionando milhares em prisões similares aos gulag soviéticos, onde centenas pereceram. A repressão do regime levou mais de 1 milhão de pessoas ao exílio, e a paranóia de Touré arruinou as relações com países estrangeiros, incluindo países africanos vizinhos, aumentando o isolamento econômico da Guiné e, posteriormente, devastando sua economia.

Sékou Touré morreu a 26 de Março de 1984, e uma junta militar encabeçada pelo coronel Lansana Conté tomou o poder a 3 de Abril de 1984. O país continuou sem eleições democráticas até 1993, quando foram realizadas e Lansana Conté ganhou-as numa disputa apertada. O presidente foi reeleito em 1998. O presidente foi severamente criticado ao prender, em 1999, um importante líder de oposição. As tensões com a vizinha Serra Leoa ainda persistem.



Os rios da Guiné e as ilhas de Cabo Verde estiveram dentre as primeiras regiões da África a serem exploradas pelos portugueses. O navegador português Álvaro Fernandes chegou à Guiné em 1446 (Nuno Tristão segundo outras fontes) e reclamou a posse do território, porém, poucas feitorias de comércio foram estabelecidas antes de 1600.

A ocupação do território pela Coroa portuguesa só se deu sob a Dinastia Filipina, com a fundação da vila de Cacheu (1588) sujeita administrativamente ao arquipélago de Cabo Verde. No mesmo contexto, foi estabelecida, em 1630, a Capitania-Geral da Guiné Portuguesa para a administração do território.

Após a Restauração Portuguesa (1640), foi retomado o povoamento na região, tendo-se fundado as povoações de Farim e Ziguinchor. A irradiação da colonização portuguesa fez-se a partir da foz dos rios Casamansa, Cacheu, Geba e Buda. Durante séculos a região constituiu-se em um ponto estratégico para o comércio de escravos.

Em finais do século XVII edificou-se a fortaleza de Bissau, período em que os franceses começavam a afirmar a sua presença na região. Em 1753 foi restabelecida a Capitania de Bissau.

Em 1879 procedeu-se a separação administrativa de Cabo Verde, constituindo-se a Guiné Portuguesa. Pouco mais tarde, no contexto do Congresso de Berlim (1884-1885), diante do retalhamento da África pelas potências coloniais européias, a Guiné-Bissau, agora com as suas fronteiras delineadas, é confirmada a Portugal. Entretanto, as subsequentes tentativas de ocupação e colonização portuguesas não se fizeram sem resistência das populações locais. A última delas ocorreu em 1936 com a revolta dos bijagós de Canhabaque.

Durante três séculos a região constituiu a colónia da Guiné Portuguesa.

Em 1951, a Guiné-Bissau mudou de estatuto, tornando-se numa Província Ultramarina de Portugal.

Em 1956, intelectual cabo-verdiano Amílcar Cabral, que estava no exílio em Conacri, e mais cinco correligionários fundaram o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Em 1963, face à intransigência de Portugal quanto à independência, com o apoio de outros países, o PAIGC iniciou a luta armada de guerrilha, visando pôr termo ao colonialismo português.

A guerrilha do PAIGC consolidou o seu domínio do território em 1973, mas, no mesmo ano, Amílcar Cabral foi assassinado em Conacri, tendo sido substituído pelo irmão Luís de Almeida Cabral.

A independência, declarada unilateralmente a 24 de setembro de 1973, chegou com a Revolução dos Cravos em Portugal (1974). A 10 de setembro de 1974, a Guiné-Bissau foi a primeira colónia portuguesa na África a ter reconhecida a sua independência, constituindo-se na República da Guiné-Bissau.

Luís Cabral foi empossado como o primeiro presidente da República da Guiné-Bissau, instituindo-se um governo de partido único de orientação marxista controlado pelo PAIGC e favorável à fusão com a também ex-colónia de Cabo Verde. O seu governo enfrentou sérias dificuldades que chegaram a provocar a escassez de alimentos no país.

Luís Cabral foi deposto em 1980 por um golpe de estado militar conduzido por João Bernardo "Nino" Vieira que assumiu a liderança do PAIGC, instituindo um regime autoritário. Com o golpe, a ala cabo-verdiana do PAIGC se separou da ala guineense do partido, o que fez malograr o projeto de fusão política entre Guiné-Bissau e Cabo Verde. Ambos os países romperam relações, que somente seriam reatadas em 1982.

O país foi controlado por um conselho revolucionário até 1984, ano em que Guiné-Bissau ganhou sua actual Constituição. Nesse período, todas as alas de extrema-esquerda do PAIGC foram dissolvidas.

A transição democrática iniciou-se em 1990. Em maio de 1991, o PAIGC deixou de ser o partido único com a adoção do pluripartidarismo. As primeiras eleições multipartidárias tiveram lugar em 1994. Na ocasião, o PAIGC obteve maioria na Assembléia Nacional Popular e João Bernardo Vieira foi eleito presidente da República.

Em junho de 1998, uma insurreição militar liderada pelo general Ansumane Mané, conduziu à deposição do presidente Vieira e a uma sangrenta guerra civil. Mais de 3 mil estrangeiros fugiram do país. O conflito somente se encerrou em maio de 1999, quando Ansumane Mané entregou a presidência provisória do país ao líder do PAICG, Malam Bacai Sanhá, que convocou eleições gerais.

Em 2000 realizaram-se as eleições e Kumba Yalá, do Partido da Renovação Social (PRS), foi eleito, derrotando Sanhá com 72% dos votos. Yalá formou um governo de coalizão entre o PRS e a Resistência da Guiné-Bissau/Movimento Bafatá. Em novembro de 2000 Ansumane Mané foi morto por tropas oficiais em uma fracassada tentativa de golpe.

Em setembro de 2003 teve lugar um novo golpe encabeçado pelo general Veríssimo Correia Seabra, durante o qual os militares prenderam Kumba Yalá por ser "incapaz de resolver os problemas" do país. Henrique Rosa foi colocado como presidente provisório até às novas eleições. Em março de 2004 o PAIGC venceu as eleições na Assembléia Nacional ficando com 45 das 100 cadeiras em disputa. O PRS, segundo mais votado, obteve 35 cadeiras. O líder do PAIGC, Carlos Gomes Júnior, foi indicado como primeiro-ministro.

Em outubro de 2005 João Bernardo Vieira foi reconduzido à presidência, mas não completou o seu mandato por ter sido assassinado no dia 2 de Março de 2009.



Foram navegantes portugueses os primeiros europeus que com certeza exploraram o golfo de Guiné em 1471. Fernão do Pó situou a ilha de Bioko nos mapas europeus nesse ano, procurando uma rota para a Índia, a qual baptizou Formosa (no entanto, foi no início conhecida pelo nome de seu descobridor).

Para 1493, D. João II de Portugal proclamou-se juntamente ao resto dos seus títulos reais como Senhor de Guiné e o primeiro Senhor de Corisco. Os portugueses colonizaram as ilhas de Bioko, Annobón e Corisco em 1494, e converteram-nas em postos para o tráfico de escravos.

Em 1641 a Companhia das Índias Holandesas estabeleceu-se sem o consentimento português na ilha de Bioko, centralizando ali, temporariamente, o comércio de escravos do golfo de Guiné, até os portugueses voltarem a fazer sentir a sua presença na ilha em 1648, substituindo a Companhia Holandesa por uma própria Companhia de Corisco dedicada ao mesmo comércio, construindo uma das primeiras edificações européias na ilha, o forte de Ponta Joko.

Portugal vendeu mão de obra escrava a partir de Corisco com contratos especiais à França, a qual contratou até 49000 guineenses escravos, à Espanha e à Inglaterra em 1713 e 1753, sendo os principais colaboradores neste comércio os bengas, que tinham boas relações com as autoridades coloniais européias (as quais por sua vez não intervinham na política interna do país, o que sem dúvida ajudava), e que também possuíam um sistema económico esclavista próprio, sendo geralmente seus os servidores particulares os pamues e os nvikos.

As ilhas permaneceram em mãos portuguesas até março de 1778, depois dos tratados de San Ildefonso (1777) e do Pardo (1778), pelos quais cediam-se a Espanha as ilhas, juntamente com os direitos de livre comércio num sector da costa do Golfo de Guiné entre os rios Níger e Ogooué, a mudança da disputada Colónia do Sacramento.

A 17 de abril de 1778 o Conde de Arjelejo, sai de Montevideu rumo a Bioko, para tomar posse dos territórios do Golfo de Guiné em nome de Espanha, mas morrerá quatro meses mais tarde. O segundo governador será Fernando Primo de Rivera, que o foi circunstancialmente de 14 de Novembro de 1778 a 30 de Outubro de 1780, momento no qual a missão espanhola decide regressar, desistindo de actuar no território e abandonando o estabelecimento de Concepção, primeiro e provisório centro administrativo.

Os britânicos ocuparam a ilha de Bioko entre 1827 e 1832 para lutar contra o tráfico de escravos fundando o estabelecimento de Port Clarence, posteriormente chamada Santa Isabel e hoje Malabo. Em 1836 o navegante espanhol José de Moros, visita Annobón, governada a ilha por Pedro Pomba. Os britânicos depois da sua saída de Bioko regressam em 1840, atacando várias dependências espanholas na ilha depois de propor a sua compra a Espanha. Para garantir os direitos de Espanha, envia-se a expedição de Juan José Lerena e Barry, que em Março de 1843 alçou o pavilhão espanhol em Santa Isabel (actual Malabo), recebendo a submissão de vários chefes locais, como o rei dos Bengas (ilha de Corisco), Bonkoro I.

A 13 de setembro de 1845, faz-se pública a Ordem Real pela qual a Rainha Isabel II autoriza a transferência para a região a todos os negros e mulatos livres de Cuba que voluntariamente o desejassem.

A partir de 1855 produz-se uma agitada época de lutas internas entre os bengas pela questão das lideranças locais, lutas que terminam em 1858 com a chegada do primeiro governador espanhol, Carlos de Chacón e Michelena, que nomeia tenente governador de Corisco, Munga I (enfrentado Bonkoro II) em 1858, deixando, de 1859 a 1875 uma guarnição espanhola na ilha que depois seria mudada para a ilha de Elobey Chico; dentro desta política de intervencionismo em 1864 o governador Ayllón nomeia o Rei de Elobey Grande, Bodumba. A 20 de Junho de 1861, publica-se a Ordem Real pela qual se converte a ilha de Bioko numa prisão espanhola. Em Outubro do mesmo ano dita-se a Ordem Real pela qual, os negros emancipados de Cuba ao não se oferecerem voluntariamente para imigrar a Guiné, iriam ser obrigados a embarcar de igual forma. Assim a estes 260 negros cubanos, unir-se-ão posteriormente prisioneiros políticos. A região será amplamente explorada por Manuel de Iradier y Bulfy, que teve a seu cargo duas expedições (em 1875 e 1884) que também teria por missão acabar com os levantamentos de várias vilas-estado Fang. Durante o período 1887-1897, vários representantes espanhóis estabelecem relações com o rei Moka de Bioko, que na segunda metade do Século XIX unificou todos os clãs bubi (seguir-lhe-ão Sas Ebuera entre 1899-1904 e Malabo entre 1904-1937, ano no qual o rei é encarcerado pelas autoridades espanholas). A porção continental, Rio Muni, converteu-se em protectorado em 1885 e em colónia em 1900, ano em que um tratado assinado em Paris determinou os limites do território reconhecido como espanhol.

Em 1909, as colónias espanholas de Elobey, Annobón, Corisco, Fernando Póo e Guinea Continental Española foram unidos sob uma administração única, formando os Territorios Españoles del Golfo de Guinea ou Guinea Española. Em 1935, a colónia foi subdividida em dois distritos: Fernando Póo (com a capital, Santa Isabel, incluindo a ilha de Annobón) e Guinea Continental (com a capital Bata, incluindo Corisco e Elobey). Em 1960, os dois distritos tornaram-se províncias ultramarinas de Espanha e designadas Fernando Póo e Río Muni. Em 1963 as províncias foram combinadas na região autónoma da Guinea Ecuatorial e, finalmente, em 12 de Outubro de 1968 tornaram-se num país independente, a Guiné Equatorial.

Em 1973 a ilha e província de Fernando Póo teve o seu nome mudado para Macías Nguema Biyogo (ou apenas Macías Nguema); o nome Río Muni mudou para Mbini; o nome da ilha de Annobón mudou para Pagalu; e o nome da capital mudou de Santa Isabel para Malabo. Em 1979, o nome de Macías Nguema Biyogo mudou para Bioko, o de Mbini voltou a ser Río Muni e Pagalu novamente Annobón (ou Ano Bom).

Em 1990, as províncias passaram a designar-se regiões e foram subdivididas em sete províncias.



Depois da chegada de Colombo, os espanhóis estabeleceram fortes no litoral da ilha; depois da segunda viagem de Colombo à ilha, a colonização foi estendida para toda a ilha, ocorrendo a escravização de indígenas para a agricultura e cerâmica. A partir de 1520 a colonização espanhola no Haiti teve sua decadência. Depois da decadência espanhola, a partir de 1625, a ilha teve grande influência francesa. Em 1697 a Espanha e a França assinaram o Tratado de Ryswick, que determina a passagem do controle da ilha para a França. Por essa época praticamente toda a população nativa havia sido dizimada pela força e pelas doenças.

Abrigados na estratégica ilha de Tortuga, os piratas franceses passaram a ocupar partes da ilha. As tropas enviadas para combatê-los acabaram por se estabelecer na sua porção ocidental. Os conflitos com os espanhóis duraram pelo menos até 1776, quando o terço ocidental da ilha passou definitavamente ao domínio francês. Durante todo o século XVIII os franceses incrementaram a formação da lavoura açucareira na região, importando escravos africanos em grande quantidade. Ao começar a Revolução Francesa, viviam na colônia cerca de 500 mil negros, 24 mil mestiços e 32 mil brancos. O Haiti, proporcionalmente a seu território e sua rentabilidade, podia ser considerado como uma das mais ricas colônias da América, a "pérola das Antilhas".

O Haiti foi o primeiro país latino-americano a declarar-se independente. Os movimentos insurrecionais da população escrava, numericamente com uma superioridade esmagadora, começaram a se tornar frequentes. Em 1754 havia 465 mil escravos, e a classe dominante era composta por apenas 5 mil brancos, sendo o restante de negros e mulatos livres e brancos pobres. Nesse ano desencadeou-se a revolta do escravo Mackandal, que utilizou os ritos do vodu para aterrorizar os senhores e unir os escravos contra eles. Após quatro anos de guerrilhas, Mackandal foi preso e condenado à fogueira como feiticeiro, mas diz-se que fugiu pouco antes da execução. Em consequencia, os franceses passaram a reprimir o vodu.

A Revolução Francesa, com seus ieais de liberdade, foi o estopim para outra revolta, liderada pelo mulato Vicente Ogé, que acabou preso e supliciado na roda. Mas a rebelião se espalha e os escravos passam a fugir em massa e masacrar seus senhores, estimulados pela própria dissenção entre os brancos sobre o apoio aos revolucionários na França ou a independência da colônia. Financiados pelos ingleses e espanhóis, inimigos dos franceses, negros e mulatos se unem sob a liderança de Toussaint L'Ouverture, um escravo negro que aprendera a ler e adquirira certa cultura intelectual. Em 1794, a França declara a abolição da escravidão nas colônias, conseguindo que Toussaint passasse a apoiar as autoridades francesas. Pouco a pouco seu prestígio foi crescendo entre brancos e negros. Em 1801, após derrotar os ingleses e espanhóis, Toussaint preparou a independência do Haiti como um estado associado à França revolucionária. Em seguida, cuidou da volta dos ex-escravos à lavoura do país quase devastado e preparou um projeto de constituição. Entretanto, o novo governo revolucionário francês, sob o comando do cônsul Napoleão Bonaparte, rejeitou a proposta de Toussaint e mandou o general Leclerc para recuperar a rica colônia. Valendo-se da traição, Leclerc enviou Toussaint para a França, onde morreu prisioneiro. Porém, um dos generais de Toussaint, o ex-escravo e analfabeto Jean-Jacques Dessalines continuou a rebelião e expulsou as tropas tropas francesas, proclamando a independência em 1 de janeiro de 1804. Nomeado governador da ilha, Dessalines se proclama imperador, como Napoleão e unifica a ilha. Dois anos depois, é deposto e morto e o país tem o controle dividido entre Henri Christophe, que funda um reino ao norte, e Alexandre Pétion, liderando uma república ao sul, e voltando o leste aos espanhóis. A unificação do país só acontece em 1820 sob o governo de Jean-Pierre Boyer, que governou como ditador até 1843.

Entre a deposição de Boyer e a intervenção dos Estados Unidos, o Haiti conheceu vinte e um governantes que tiveram final trágico. Digno de nota foi Faustin Soulouque, que, nomeado presidente em 1847, conquistou a República Dominicana em 1849 e foi proclamado imperador, promovendo um renascimento das práticas vodus e apoiando-se nos negros. A luta pela independência dos dominicanos levou à derrocada de seu governo, tendo sido deposto em 1858 e exilado. Dos demais governantes, um presidente foi envenenado, outro morreu na explosão de seu palácio outros foram condenados á morte e um deles, Vilbrum Sam foi linchado pelo povo. A economia caótica e a instabilidade institucional levaram os EUA a intervir no país, a fim de cobrar a dívida externa. Em 1905 passaram a controlar as alfândegas, e em 1915, invadiram militarmente a ilha e assumiram o governo. A intervenção reorganizou as finaças e impulsionou o desenvolvimento da nação. Os americanos impuseram uma nova constituição e se comprometem a respeitar a soberania do país. Seguem-se sucessivos governos da elite mulata. A presença das tropas americanas impediam a anarquia e a guerra civil, porém não puderam conter a fragilidade dos governos nem a constante oposição dos nacionalistas, que não desejavam a continuidade das tropas estrangeiras. Em 1934, os EUA retiram suas tropas, e, em 1941, abdicam do controle alfandegário.

Em 1946 uma rebelião popular derruba o presidente mulato Elis Lescot, levando ao poder o negro Dumarsais Estimé, que é destituído por um golpe militar liderado por Raoul Magloire (1950) Durante o governo de Magloire é promulgada uma nova constituição, que, pela primeria vez, dá ao povo haitiano o direito de eleger diretamente o presidente. Magloire, porém, decide perpetuar-se no poder, com o apoio do Exército, o que provoca uma violenta reação popular, resultando na renúncia do presidente. Segue-se novo período de instabilidade, sendo que nos nove meses seguintes à queda de Magloire, o Haiti conhece sete governantes diferentes. Finalmente, em 1957, após eleições algo discutíveis, é eleito o intelectual negro François Duvalier.

O período mais sombrio na história do Haiti iniciou-se em 1957 com a ditadura de François Duvalier. Médico sanitarista com certo prestígio mundial, devido a suas ligações com o movimento negro, realizara excelente trabalho junto às populações ruarais no combate à malária, sendo apelidado de Papa Doc(papai médico). O regime montou um aparato de repressão militar que perseguiu seus opositores, torturando-os e assassinando muitos deles. A repressão era encabeçada pela milícia secreta dos tontons macoutes, cuja tradução é "bichos papões". Apoiado no vodu, O Papa Doc morreu em 1971, após ter promulgado uma constituição (em 1964) que lhe dava um mndato vitalício e ter conseguido que seu filho menor fosse declarado seu sucessor. Seu filho Jean Claude Duvalier, o baby doc, que assumuiu o poder aos 19 anos, deu continuidade ao regime de terror imposto pelo pai, governando até 1986, quando foi deposto por um golpe comandado pelos militares, que assumiram o poder, sucedendo-se no governo por vários anos. A esperança de redemocratização surgiu em 1990, quando ocorreram eleições livres e a população elegeu o padre Jean Bertrand Aristide para presidente.

O Haiti de 1986 a 1990 foi governado por uma série de governos provisórios. Em 1987, uma nova constituição foi feita. Em dezembro de 1990, Jean-Bertrand Aristide foi eleito com 67% dos votos. Porém poucos meses depois, Aristide foi deposto por um novo golpe militar e a ditadura foi restaurada no Haiti.

Em 1994, Aristide retornou ao poder, com auxílio do Estados Unidos. Mesmo assim, o ciclo de violência, corrupção e miséria não foi rompido. Em dezembro de 2003, sob pressão crescente da ala rebelde, Aristide prometeu eleições novas dentro de seis meses. Os protestos contra Aristide, em janeiro de 2004, fizeram várias mortes na capital do Haiti, Porto Príncipe. Em fevereiro, com o avanço dos rebeldes, o ex-presidente foge para a África e o Haiti sofre intervenção internacional pela ONU.



Durante o reinado de Ciro, o Grande, rei da Pérsia, a Mesopotâmia foi transformada numa satrapia (como eram chamadas cada uma das províncias em que estava dividido o império persa) da Pérsia. Ciro permitiu que alguns judeus exilados na Babilônia voltassem à Palestina, mas muitos hebreus preferem ficar na Babilônia, onde se estabelece o segundo grande centro hebraico, sendo superado apenas por Jerusalém. No período, registrou-se um florescimento cultural, em que a literatura, a religião e as tradições sumerias e babilônicas eram preservadas nas escolas dos templos.

A região saiu do domínio persa com a derrota do rei persa Dario III pelo imperador macedônico Alexandre, o Grande (ou Alexandre Magno), em 331 a.C. Esse fato marcou o inicio da colonização macedônica na região. A Babilônia tornou-se importante centro cultural, verdadeiro ponto de encontro entre as culturas grega e oriental. Depois da morte de Alexandre, a dinastia selêucida, da Grécia, reinou na Mesopotâmia por, aproximadamente, duzentos anos. Nos anos em que a Mesopotâmia estava incorporada ao Império Selêucida, a religião mesopotâmica sofreu influencias da cultura helenística. Por volta de 140 a.C., a Mesopotâmia foi incorporada ao Império Parta.

Os romanos fracassaram na primeira tentativa de conquistar o país, entre 54 e 53 a.C., mas de 114 a 117 da era cristã o imperador Trajano submeteu a região até Singara, tornando-a uma província de Roma. Depois de abandonado mais uma vez aos partos em 165, o Iraque voltou a ter sua região nordeste ocupada pelos romanos.

A partir do século III d.C., a luta de Roma dirigiu-se contra as pretensões sassânidas (dinastia que reinou na Pérsia de 224 a 651 d.C.) na Mesopotâmia. Em meio à desordem política generalizada, a Mesopotâmia converteu-se, por 10 anos, em parte do reino de Palmira (Síria), até a derrota de Zenóbia, rainha de Palmira, pelo imperador Aureliano. A luta contra os persas prosseguiu até o ano de 298 d.C., quando o imperador Diocleciano submeteu a Mesopotâmia ao poder de Roma. A luta, todavia, continuou e, em 363, os romanos conseguiram uma trégua, mas tiveram que ceder a região de Singara e Níbsis.

Depois da queda de Roma, os habitantes da Mesopotâmia ficararam repartidos entre o Império Bizantino (o Império Romano do Oriente, que sobreviveu mil anos à queda dos césares na Cidade Eterna) e o Império Persa, situação esta que se traduziu numa divisão religiosa. Sob o domínio de Roma, foi gradativa a difusão do cristianismo, por intermédio dos cristãos da Síria, que fundaram o bispado de Èdessa. Esse bispado converteu-se depois à heresia nestorianista, cujos integrantes se congregaram em Nísibis, em meio a uma complicada situação religiosa, na qual as decisões contra o monofisismo do Concílio de Calcedônia (451) acabaram por provocar a cisão dos cristãos em três grupos: nestorianos, jacobitas e melquitas. Os jacobitas e melquitas estavam na esfera de Constantinopla e os nestorianos e zoriostrianos orbitavam em torno dos vizinhos do Leste.

Depois de recuperar suas antigas fronteiras, perdidas durante o avanço de Cosroes I Anocharvan (rei sassânida também conhecido como Khosrô), por volta de 530 a Mesopotâmia do bizantina foi obrigada a enfrentar o agravamento do conflito com os persas, com a perda de diversas cidades e o exílio de um grande número de cristãos. No século VII, os árabes conquistaram a Mesopotâmia e daí até o século VIII a história da região se caracterizou não só por uma série de transformações culturais e sociais e pela fundação de grandes cidades, mas também por intrigas, violência e desordens. Nos séculos seguintes, as cidades iraquianas tornaram-se importantes centros culturais do Islã, e o país se viu envolvido nos choques entre as três grandes famílias étnicas do mundo muçulmano: árabes, iranianos e turcos.

A conquista do que hoje é o Iraque começou em 633 e culminou em 636, na Batalha de Qadisiyah, uma vila no Eufrates a sul de Bagdá. Nessa batalha, um exército árabe-muçulmano, liderado pelo califa (chefe dos crentes, título de soberano muçulmano) Omar, derrotou decisivamente um exército persa seis vezes maior. O exército árabe moveu-se rapidamente até Ctesiphon, a capital do Império Persa, onde, em 637, venceu os sassânidas e capturou um grande tesouro deles. A maioria dos habitantes logo se tornou muçulmana, inclusive os curdos, embora pequenas comunidades de cristãos e judeus tenham permanecido na região mediante o pagamento de uma taxa. Instala-se, assim, a dinastia dos Omíadas. Esta dinastia, no auge do seu poder, governaria o maior império muçulmano de sempre – da Península Ibérica às portas da China.

Durante o predomínio muçulmano, teve inicio um período de tolerância religiosa e o idioma árabe passou a predominar sobre o siríaco. Em 750, disputas entre as facções muçulmanas dos abácidas e dos omíadas ameaçavam a estabilidade da região. Os omíadas abandonaram Damasco e instalaram-se em Harran, enquanto os abácidas fixaram-se no atual Iraque e passaram a governar o Islã.

Por volta do anos 762, o califa Al-Mansur (o segundo governante da recém implantada dinastia dos abácidas) chamou dois renomados astrônomos, um persa e outro judeu, para que projetassem uma nova cidade do seu império na mesma latitude da cidade de Damasco 33,33º entre as margens do Tigre e Eufrates . Em pouco tempo, eles apresentaram ao califa o projeto urbanístico. Tratava-se de uma urbanização circular semelhante a uma grande mandala vista do cosmo e cujas portas voltavam-se para os quatro cantos do mundo. O nome a ser dado era Madinat Al-Salãm (Cidade da Paz), e seria construída onde outrora ficava a aldeia de Bagdá. Esta cidade foi construída as margens do Tigre, num local onde esse rio se aproxima do Eufrates. A sua posição geográfica era exemplar, pois permitia o controle das férteis terras ribeirinhas, o domínio da desembocadura de ambos os rios (o Canal Chatt-el-Arab), bem como o porto de Bassora, situada quatrocentos quilômetros mais abaixo. Em 762 a capital foi transferida de Damasco para Bagdá, dando início ao Califado de Bagdá. De 762 a 1258, Bagdá foi a capital do califado dos abácidas. Durante esse período, idade de ouro da cultura e do poder islâmico, Bagdá se tornou a segunda maior cidade do mundo conhecido, atrás apenas de Constantinopla, e o mais importante centro de ciência e cultura. Por um tempo, o reino dos abácidas foi uma poderosa potência militar. Suas fronteiras alcançaram o sul da França, à oeste, e as fronteiras da China, à leste.

Em pouco tempo a cidade tornou-se centro de uma interminável peregrinação de estudantes que vinham de todas as partes do Islã para sentar-se próximos aos faylasuf, os filósofos, para beber-lhes a ciência. O saber deles era enciclopédico: homens como Al-Kindi (796-899) e Al-Farabi (870-950) podem ser considerados como os fundadores de um conhecimento verdadeiramente universal, enquanto Ibn Kaldun consagrou-se na história e Al-Khwarizmi (introduziu o conceito de álgebra na matemática). Apesar dos sábios de Bagdá forjarem toda a terminologia técnica da Kalam, a teologia islâmica, sofreram acirrada oposição de fundamentalistas como Ibn Hanbal, um reacionário que rejeitava todas as descobertas da ciência exata e da especulação filosófica por considerá-las heréticas e próximas do ateísmo. Mas os trabalhos da Casa da Sabedoria (instituição especializada em traduções) continuaram e serviram de base para que, em 1066, o vizir persa Nizam al-Mulk fundasse a primeira universidade árabe, que recebeu o nome de Nizamya.

O reinado do califa abássida Harun Al-Rachid representa o culminar da história da civilização islâmica, a hora mágica dos segredos da memória cuja perda os árabes de hoje ainda lamentam. Os contos As Mil e Uma Noites evocam essa era em que a cultura se refinou e floresceram as artes e as letras – num contraste brutal com as trevas da Europa da mesma época, apenas ligeiramente iluminadas pela claridade cintilhante do renascimento carolíngio. Com efeito, na época em que Carlos Magno reinava sobre as aldeias e as pequenas vilas muralhadas do Ocidente, Bagdad contava mais de um milhão de habitantes. Do porto de Baçorá, a sul, terra de Sindbad, o marinheiro, ficcionado pelos contistas orientais, partiam navios mercantes a comerciar por todo o Índico – os mesmos que Vasco da Gama encontraria volvido meio milênio.

O califado dos abácidas começou a declinar na segunda metade do século IX, quando os escravos africanos deram início à Guerra de Zanj, que durou de 869 a 883. Contribuíram para enfraquecer o poder a organização dos Mamelucos (escravos guerreiros turcos que se tornaram tão proeminentes na corte do califa que quase monopolizaram o poder), as pretensões do Egito quanto a soberania da região de Jazirah e uma restauração da influencia bizantina na dinastia macedônica.

Em 945, a dinastia iraniana xiita dos buáiidas, conquistou Bagdá. Eles permitiram, contudo, que o Califado Abássida continuasse como um símbolo de continuidade e legitimidade. Em 1055, os Seljúcidas, um clã turco sunita, ocupam Bagdá. Os turcos Seljúcidas respeitaram o califa abácida, mas só o permitiram ser um fantoche. No final do século XI o poder dos sejúlcidas começou a declinar.

Ao agravamento da crise, em conseqüência das incursões dos turcos e das cruzadas, seguiu-se a vitória de Saladino (sultão do Egito e da Síria, cujo nome em árabe é Salah Al-Din Jusuf) sobre os cristãos, com o estabelecimento da supremacia egípcia no norte da Mesopotâmia.

A prosperidade do Sul da Mesopotamia se manteve até o reinado do califa Nisir, que governou de 1180 a 1242. Com grandes ambições políticas, o soberano contratou mercenários mongóis, mas a decisão mostrou-se fatal para sua dinastia pois, em 1258, as hordas mongóis infrenes de Hulagu Khan, neto de Gêngis Khan, apoderaram-se de Bagdá. Hulagu passou pela espada 90 mil de seus habitantes, entre eles o 37º e último califa Nisir. Os mongóis saquearam Bagdá e destruíram todo o atual Iraque, inclusive o extraordinário sistema de irrigação da Baixa Mesopotâmia que os abácidas tinham constuído. Hulagu matou todos os estudiosos da cidade e ergueu uma pirâmide com seus crânios. No ano seguinte, o Norte também foi atacado e a Mesopotâmia teve assim, toda sua estrutura econômica e social arrasada. Douglas Clark escreveu sobre o saque de Bagdá em seu livro Hulagu's Ride:

"Começou então o saque de Bagdá/ Magníficas mesquitas/ Imensas bibliotecas da literatura persa e árabe/ A maior universidade do mundo/ Palácios, palácios, palácios/ Queimados e os homens assassinados/ Mulheres e crianças levadas para Caracorum como escravas".

A atual região do Iraque tornou-se uma das mais pobres províncias do Império mongol, uma negligenciada área de fronteira, abalada por conflitos internos e pela inépcia dos governantes enviados pelos mongóis, incapazes de reconstruir suas cidades e de manter o controle sobre a região. Em 1335 o último grande governante mongol morreu e a anarquia prevaleceu na Mongólia.

Em 1258-1515, o atual Iraque estava devastado. As desgraças de Bagdá, no entanto, não acabam por aí. Enquanto a Europa recuparava-se da Peste Negra mas permanecia ainda mergulhada na Guerra dos Cem Anos, as vagas humanas do conquistador turco Tamerlão (como os Europeus chamavam Timur Leng ou Timur, o coxo, conhecido ainda Príncipe da Destruição pelos asiáticos), restaurador do império mongol, saquearam Bagdá em 1401, massacraram muito de seus habitantes e destruíram a cidade por completo, não deixando pedra sobre pedra na que fora a jóia do Tigre. Por isso, nada resta do plano circular que caracterizava a Bagdá dos califas. Tamerlão também construiu uma pirâmide de crânios. A invasão e conquista de Bagdá marcou o fim de sua grandeza.

No século XIV, turcos otomanos e iranianos (persas) disputaram entre si a supremacia da região até que o império otomano assegurou seu controle no século XVII, o qual durou até o século XIX. Os turcos otomanos, não-árabes originários da Ásia Central e convertidos ao Islã sunita, há muito tempo vinham pressionando o Império Bizantino, acabando por instalara sua capital na cobiçada Constantinopla, a antiga Bizâncio, então rebatizada de Istambul (Ver: Tomada de Constantinopla pelos turcos liderados por Maomé II).

O Império Otomano conquistou a região mesopotâmica em 1410. Em 1508 os persas, liderados pelo xá Ismail I, o fundador da dinastia dos safávidas, conquistaram a região, iniciando uma série de prolongadas batalhas com os otomanos. Em 1514 o sultão Selim, o Severo, atacou as forças de Ismail e, em 1534, os Otomanos, sob a liderança do sultão Solimão, o Magnífico (ou Suleiman), acabaram por dominar grande parte da região. O sultão soube conquistar a lealdade das populações fronteiriças e não encontrou resistência em seu ataque decisivo à capital. Os safávidas, sob a liderança do xá Abbas, recapturaram Bagdá e grande parte do atual território iraquiano em 1623, e as manteve até 1638, quando foram expulsos depois de várias manobras militares inteligentes do sultão Murad IV. O atual território do Iraque fez parte do Império Turco-Otomano por quase três séculos.

O maior impacto do conflito entre otomanos e safávidas sobre a história iraquiana foi o aprofundamento das desavenças entre xiitas e sunitas. Otomanos e safávidas usavam, respectivamente, sunitas e xiitas para mobilizar apoio interno. Assim, a população sunita sofreu bastante durante o breve reinado safávida (1623-1638), enquanto que os xiitas foram completamente excluídos do poder durante o longo período da supremacia otomana (1623-1916). Durante o período otomano, os sunitas ganharam experiência administrativa que lhes permitiu monopolizar o poder no século XX. Eles foram hábeis em se aproveitar das oportunidades econômicas e educacionais enquanto os xiitas, marginalizados do processo político, permaneceram politicamente impotentes e economicamente deprimidos.

De 1638 até a primeira guerra mundial, o território iraquiano fez parte do império turco-otomano. A chamada Arábia Turca, formada predominantemente por árabes, era integrada pelos distritos ou waliatos de Bassora, Bagdá e Mossul.

A história moderna do Iraque começa com a ultima fase da regência Otomana, durante o século XIX. Até a década de 1830, o sultão otomano, a partir do serralho de Topkapı (Istambul), governava tênuamente uma área vastíssima, que ia das portas de Viena aos molhes de Baçorá. Não fossem os tributos a pagar pelos povos, e quase se diria que essas províncias eram independentes, tão amplo se apresentava o grau de autonomia dos pachás locais. O verdadeiro poder no atual Iraque estava entre os poderosos líderes tribais e os governantes mamelucos. No Norte do atual Iraque, os emires curdos beneficiaram sobremaneira com a situação. Muitas das tribos nômades nunca chegaram a estar sobre pleno controle dos Otomanos. Os conflitos entre as diversas tribos nômades árabes da região, junto com as hostilidades entre persas e turcos, que persistiu até o século XIX, constituíram obstáculos a uma eventual unificação política.

Na segunda metade do século XVII, os mamelucos estabeleceram um controle efetivo sobre o território que vai desde Bassora até as montanhas do Curdistão. Os mamelucos impuseram a autoridade do governo central e introduziram um governo funcional. O último líder mameluco, Daud (1816-1831), iniciou importantes programas de modernização, que incluíram a construção de canais, indústrias, o treinamento de 20 mil soldados e o começo de uma imprensa. O período mameluco terminou em 1831, quando uma grave enchente devastou Bagdá, possibilitando que o sultão otomano Mahmut II restabelecesse a soberania sobre o atual Iraque. O governo otomano foi instável. Bagdá, por exemplo, teve mais de dez governadores entre 1831 e 1869.

Em 1869, no entanto, os otomanos reconquistaram a autoridade quando Midhat Pasha foi indicado governador de Bagdá. Midhat imediatamente iniciou um processo de modernização do atual Iraque nos moldes ocidentais. Os objetivos primordiais das reformas, chamadas de tanzimat, eram reorganizar o exército, criar códigos penais e comerciais, secularizar o sistema educacional e melhorar a administração provincial. Ele criou assembléias representativas provinciais para ajudar os governadores e estabeleceu conselhos municipais eleitos nas cidades maiores. Midhat estimulou a sedentarização das tribos nômades com a venda de terras aos xeques, o que reduziu a influencia dos grupos que continuavam errantes. Os árabes começaram a experimentar as consequências dos novos e mais eficientes métodos administrativos otomanos, principalmente no recolhimento de impostos. O grande crescimento do Império Otomano fez surgir na ressentida população um forte espírito nacionalista árabe, encorajado pela estupidez das potências européias.

Na última parte do século XIX, o Reino Unido e a Alemanha tornaram-se rivais no desenvolvimento comercial da área da Mesopotâmia. Os britânicos primeiramente se interessaram pela região. Em 1861 estabeleceram uma companhia de barcos à vapor no porto de Bassora. Enquanto isso, os alemães de Bismarck estavam planejando a construção de uma estrada de ferro no Oriente Médio. Apesar da oposição britânica, conseguiram uma concessão, a troco de concessões petrolíferas, para a construção de uma ferrovia ligando Bagdá a Baçora (Golfo Pérsico). Apesar da derrota, o governo britânico conseguiu consolidar sua posição no Golfo Pérsico fazendo tratados de proteção com os xeques árabes locais. O Reino Unido, a pretexto de defender a rota terrestre para o seu Império das Índias, ocupou não apenas aquele porto do Golfo Pérsico mas também as costas de Omã, o Catar e os pequenos emirados agora unidos sob uma bandeira única. Londres estendeu a seguir a mão para o Kuwait, um emirado dependente de Baçorá separado à força do seu tronco. O protesto turco de nada valeria, nem tão pouco o esforço de uma pequena tropa de voluntários da Mesopotâmia, prontamente desbaratada pelo fogo dos britânicos. Financistas britânicos obtiveram sucesso em conseguir uma concessão para, em 1901, explorar campos petrolíferos no Irã.

A entrada, em novembro de 1914, da Turquia na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) ao lado dos dos Impérios Centrais, formadores da Tríplice Aliança (Alemanha, Itália e Áustria-Hungria), motivo para que o Reino Unido enviasse tropas à região de Chat-al-Arab, para proteger seus interesses petrolíferos em Abadan e assegurar o controle de Bassora.

Uma divisão de exército britânica ocupou Bassora. Esta cidade foi ocupada porque os britânicos precisavam proteger os campos e as refinarias de petróleo iranianas. O exército britânico marchou gradativamente para o Norte, sob forte oposição otomana, até alcançar Bagdá em Março de 1917.

Os turcos otomanos e os britânicos assinaram um armistício em Outubro de 1918, mas o exército britânico continuou a mover-se para o norte até capturar Mosul no início de Novembro. Com a captura de Mosul, a Grã-Bretanha externa seu controle sobre quase todo o atual Iraque, que passaram a chamar de Mesopotâmia.

Ainda na Guerra, com o intuito de garantir o interesse dos Árabes numa revolta contra os turcos, o governo britânico prometeu a um grupo de líderes árabes que seu povo receberia a independência se uma revolta tivesse sucesso. Em Junho de 1916, irrompeu a Grande Revolta Árabe, liderada pelo saudita Hussein Ibn Ali, xerife de Meca. Sob a liderança do general britânico Edmund Allenby e com a direção do comando tático nas mãos do coronel britânico T. E. Lawrence (imortalizado como Lawrence da Arábia), as forças árabes e britânicas varrem de surpresa a infantaria otomana, libertando a maior parte dos territórios beduínos. Claro que isto só foi possível graças à ação da espionagem inglesa, e sobretudo das manobras do coronel Lawrence, dos serviços secretos.

Depois da assinatura o armistício com o governo otomano em 1918, o governo britânico e o francês emitiram uma declaração conjunta emitindo a intenção de assistir no estabelecimento de nações árabes independentes nas áreas que eram controladas pelo Império Otomano.

Na conferencia de Paz de Paris (1919), os aliados (a coalizão das nações vencedoras da Guerra, entre elas a França e a Grã-Bretanha), fez do Iraque um mandato Classe A, confiado aos britânicos. Sobre o sistema de mandatos, um território que fora ocupado pelos otomanos ou pelos alemães, eram nominalmente colocados sob a supervisão da Liga das Nações. A administração dos mandatos era delegada a uma das nações vitoriosas até que o território pudesse governar-se. Esperava-se dos mandatos classe A que alcançassem a independência em poucos anos. Em Abril de 1920 os governos aliados confirmaram a criação de um mandato britânico numa conferencia em São Remo, na Itália.

Em Julho de 1920, os árabes iraquianos começaram, revoltados com a quebra das promessas de Lawrence da Arábia, uma sublevação armada contra o exército britânico que ocupava o Iraque. A revolta foi esmagada em sangue pela incipiente mas já traquejada Real Força Aérea. Os britânicos foram forçados a gastar enormes quantidades de dinheiro para suprimir a revolta e o governo britânico concluiu que seria melhor acabar com seu mandato na Mesopotâmia. Ao comissário civil britânico (o mais alto administrador no Iraque) traçou um plano para instalar um governo provisório no novo estado do Iraque: um reino com um governo dirigido por um conselho de ministros árabes, sob a supervisão do Alto Comissionado Britânico. A Grã-Bretanha ofereceu-se para reconhecer o filho de Hussein, o emir Ahd Allah Faissal (casa hachemita do Hedjaz), como governante do novo Estado.

No plebiscito de Agosto de 1921, controlado pelo Colonial Office, a população das margens do Tigre e do Eufrates guiou, com 96% dos votos, Faisal (ou Faiçal) às alturas de rei do Iraque – uma designação que surge nessa altura, e que em árabe significa "a bem plantada", numa alusão à fertilidade dos terrenos mesopotâmicos.

O novo monarca precisava construir sua base de apoio no Iraque. Ele concluiu essa tarefa principalmente ganhando apoio dos militares nascidos no Iraque que serviram no exército Otomano e dos árabes sunitas, líderes religiosos e comerciais em Bagdá, Bassora e Mosul. Para ganhar apoio dos xiitas do Sul, das tribos sunitas do centro-norte e dos curdos, o rei, com apoio dos britânicos, deu aos chefes tribais amplos poderes sobre suas tribos, incluindo poderes judiciais e de coleta de impostos nos seus domínios tribais. Os líderes urbanos árabes sunitas e alguns chefes curdos dominaram o governo e o exército, enquanto que os chefes árabes xiitas e, em menor extensão, chefes árabes sunitas dominaram o parlamento, decretando leis que os beneficiavam. As classes mais baixas não tinham participação nos negócios de Estado. Faziam parte dessa classe os camponeses pobres e, nas cidades, a grande camada de jovens educados no ocidente, que eram economicamente vulneráveis e dependiam do governo para arranjar emprego. Esse último grupo, conhecido como os efendiyya, tornou-se mais numeroso e inquieto. Tanto a elite governante quanto os efendiyya abraçaram a idéia do movimento pan-arabista, que sonhava juntar todas as regiões árabes em um único e poderoso Estado. O Pan-arabismo era visto como meio de unir a maioria da diversificada população através de uma identidade árabe comum. A elite defendia alcançar o pan-arabismo através da diplomacia, com o consentimento britânico, enquanto que os efendiyya desenvolveram uma ideologia radical, revolucionária e anti-britânica.

A integridade do recém-instalado Estado foi desafiada por vários grupos com aspirações separatistas, como os xiitas da área do rio Eufrates e as tribos curdas do norte. Esses grupos agiram em conjunto com as forças armadas turcas, num esforço de tomar a região de Mosul para a Turquia. Deste modo, a Grã-bretanha foi obrigada a manter um exército no Iraque, e as agitações contra o mandato britânico continuaram. O rei Faisal I (ou Faiçal I) requereu solenemente que o mandato sobre o qual o Iraque era mantido fosse transformado em um tratado de aliança entre duas nações. Apesar da Grã-bretanha não ter terminado o mandato, em Junho de 1922 foi assinado um tratado de aliança entre o Iraque e a Grã-bretanha. O tratado requeria que o rei ouvisse os britânicos em todos os assuntos que afetassem os interessem britânicos e que oficiais britânicos servissem em postos governamentais específicos. Em retorno, os britânicos forneceram assistência militar e outros auxílios para o Iraque. Os britânicos também criaram um exército nacional Iraquiano, que se transformou numa indispensável ferramenta de controle interno da elite governante.

Na primavera de 1924 uma assembléia constituinte se reuniu. Uma lei orgânica estabelecendo a forma de governo permanente no Iraque passou. Ao rei foi dado grande poder, porém não absoluto. Ele podia dissolver o parlamento, convocar novas eleições e apontar o primeiro-ministro. Eleições para o primeiro parlamento iraquiano foram feitas em Março de 1925. No mesmo ano, a província de Mossul é incorporada ao Iraque. Ainda em 1925 foi dada a uma companhia petrolífera estrangeira uma concessão de exploração das reservas de petróleo da região de Bagdá e Mosul. Em 1927, a Iraq Petroleum Company, sediada em Londres, inicia a exploração de petróleo. No mesmo ano Faisal pediu ajuda do governo britânico para amparar a solicitação de ingresso do Iraque na Liga das Nações. A Grã-bretanha recusou-se a fazê-lo no momento, mas, em Junho de 1930, um novo tratado de aliança entre a Grã-bretanha e o Iraque incluía uma recomendação britânica para que o Iraque fosse admitido na Liga como um Estado livre e independente. A recomendação foi feita no mesmo ano e o mandato britânico terminou oficialmente – sem que isso implicasse, de qualquer modo, a retirada da potência ex-mandante, que continuou a administrar o país através de Faiçal até à morte deste.

Com o fim do mandato, o Iraque oficialmente conseguiu também sua independência. Em Outubro de 1932 o Iraque entrou na Liga das Nações como um Estado livre e soberano. Faisal I morreu em 1933 e foi sucedidas por seu filho, Ghazi, que governou de 1933 a 1939. O reinado de Ghazi caracterizou-se pela instabilidade política e pela intervenção cada vez maior dos militares no governo do país. Em 1936, começou a se desenvolver no Iraque um movimento em busca da união de todos os árabes, conhecido como pan-arabismo.

O novo rei, uma radical figura pan-arabista e antibritânica, morreria por sua vez em 1940, aos 28 anos, num acidente automobilístico de recortes suspeitos, tanto mais que eram notórias as suas ligações à oposição kuwaitiana, que propugnava a reintegração do pequeno emirado à Mesopotâmia a que sempre pertencera. Em 1939, subiu ao trono o pequeno Faiçal II, que tinha quatro anos, motivo pelo qual se estabeleceu uma regência. Coube ao tio deste, Abdulillah (Abdel Ila), que entregou-se ainda mais à Grã-Bretanha e seus interesses pretolíferos.

De acordo com o tratado de aliança com os britânicos, o Iraque rompeu as relações diplomáticas com a Alemanha no início de Setembro de 1939, no começo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Durante os primeiros meses da guerra o Iraque tinha um governo pró-britânico, com o General Nuri as-Said como primeiro-ministro. Em Março de 1940, entretanto, Saíd foi substituido por Rashid Ali al-Gailani, um nacionalista radical, que instaurou de imediato uma política de não-cooperação com os britânicos. Estes pressionaram os iraquianos para que retomassem a cooperação. Essa pressão precipitou uma revolta militar nacionalista em 30 de Abril de 1941, e foi formado um novo governo, pró-Alemanha, encabeçado pelo germanófilo Gailani. Alarmados ante a política de não cooperação com a Grã-Bretanha, os britânicos desembarcaram tropas em Baçorá. Declarando esse ato como uma violação do tratado entre o Iraque e a Grã-Bretanha, Gailani mobilizou o exército iraquiano, e a guerra entre os dois países começou em Maio. Como agravamento da crise, os sublevados haviam pedido auxílio à Alemanha de Hitler e à Itália de Mussolini. Do ponto de vista local, todas as formas de combater o jugo britânico eram válidas. No final daquele mês, entretanto, o governo iraquiano reconheceu sua derrota. Os termos do armistício reestabeleceram o controle britânico sobre o transporte iraquiano. Faiçal II foi reconduzido ao poder. Seguiu-se a formação do governo do regressado Abdullilah, chefiado quase em permanência durante os quinze anos seguintes pelo chefe de gabinete Nuri Saíd, cuja política era pró-britânica. A Grã-Bretanha ocupou o Iraque até 1945. Esta realidade constitui o mundo fictício de Hergé e das aventuras de Tintin.

Em 1942 o país ransformou-se em um importante centro de suprimento para as forças dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha que operavam no Oriente Médio e de transbordo de armas para a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em 17 de Janeiro de 1943 o Iraque declarou Guerra à Alemanha, sendo o primeiro país islâmico independente a fazê-lo.

Durante 1945-1946, as tribos curdas do nordeste estavam num estado de inquietação - apoiadas´, acreditava-se, pela União Soviética (URSS). Os britânicos, temendo uma intromissão soviética nos campos petrolíferos iraquianos, deslocou tropas para o Iraque. Em 1947, Saíd começou a defender uma nova proposta para uma federação de Estados Árabes. Ele sugeriu que a Transjordânia (atual Jordânia) e o Iraque fosse unidos e começou negociações com o rei da Transjordânia a respeito de sua proposta. Em Abril de 1947 um tratado de afinidade e aliança foi assinado pelos dois reinos, estabelecendo auxílio militar e diplomático mútuo. Em 1948, o Iraque aderiu à Liga Árabe.

Ao declarar-se a independência de Israel, em maio de 1948, os exércitos do Iraque e Transjordânia invadiram o novo Estado. Durante todo o restante do ano as forças armadas iraquianas continuaram a combates os israelenses, e a nação continuou os trabalhos diplomáticos com o reino da Transjordânia. Em Setembro, o Iraque juntou-se a Abdullah ibn Hussein, rei da Transjordânia, na denúncia de que estabelecer um Estado árabe na Palestina era igual a reconhecer a partilha da Palestina em Estados árabe e judeu, que o Iraque era contra.

Com a derrota geral das forças árabes que atacavam Israel, entretanto, o governo iraquiano preparou-se para negociar um armistício, representado pela Transjordânia. Em 11 de Maio de 1949, um cessar-fogo entre Israel e Transjordânia foi assinado, mas o Iraque continuou a combater os israelenses área árabe ocupada no centro-norte da Palstina. Tropas da Transjordânia subistituíram as unidades do Iraque nessa área, nos termos do armistício assinado em 3 de Abril de 1949. Terminado o conflito, a maioria dos 80 mil judeus da Mesopotâmia emigraram para o Estado hebraico.

Em fevereiro de 1955, o Iraque concluiu com a Turquia o Pacto de Bagdá, um acordo de segurança mútua. Os planos para transformar a aliança em um sistema de defesa do Oriente Médio fizeram com que os dois países convidassem os outros Estados árabes, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e o Paquistão a aderir ao pacto. A Grã-Bretanha juntou-se a aliança em Abril, o Paquistão tornou-se um signatário em Setembro e o Irã, em Novembro. Naquele mês, as cinco naões estabeleceram a Organização do Tratado do Oriente Médio. O Iraque alinhou-se formalmente com os ocidentais, pondo fim a veleidade de aproximação com a URSS e o Egito não-alinhado de Gamal Abdel Nasser (cuja revolução dos Oficiais Livres triunfara recentemente no Cairo, pondo termo ao regime pró-britânico do corrupto rei Faruk). A Pax-Britânica estava condenada.

Em julho de 1959, a Jordânia (como a antiga Transjordânia fora renomeada) acusou Israel de estar preparando e organizando tropas de invasão perto de Jerusalém. O Iraque, então, deslocou tropas para a fronteira jordaniana. No mesmo mês, em resposta a nacionalização por parte dos egipsios do canal de Suez - que os britânicos e franceses controlavam -, o governo iraquiano expressou um claro apoio ao Egito. No desenrolara da Crise do Suez, o Egito foi invadido por Israel, Grã-Bretanha e França em outubro de 1956. Dentro de uma semana, entretanto, a ONU, estimulada pelos EUA e URSS, exigiu um cessar-fogo, forçando a Grã-Bretanha, França e Israel a recuarem das terras que tinham capturado. No começo de Novembro, tropas iraquianas e sírias ocuparam posições na Jordânia, de acordo com os termos do tratado de mútua defesa.

Em janeiro de 1957, o Iraque apoiou a recém-promulgada Doutrina Eisenhower. Essa doutrina determinava que os EUA daria ajuda militar a qualquer governo do Oriente Médio cuja estabilidade estivesse ameaçada por agressão comunista.

Em fevereio de 1958, depois de uma conferência entre Faisal II e Hussein I (rei da Jordânia), o Iraque e a Jordânia confederaram-se. A nova união, posteriormente chamada de União Árabe da Jordânia e Iraque (Arab Union of Jordan and Iraq), foi estabelecida como uma medida defensiva contra a República Árabe Unida (RAU), uma federação do Egito e Síria formada em fevereiro do mesmo ano. A constituição da confederação recém formada foi promulgada sumultaneamente em Bagdá e em Amã, em 19 de Março, e o documento foi ratificado pelo parlamento iraquiano em 12 de Maio. Ainda em Maio, Nuri as-Said, ex-primeiro-ministro do país, foi nomiado premier da União Árabe.

Em 1953, foram feitas as primeiras eleições parlamentaristas por sufrágio direto. Restabeleceu-se o governo constitucional e Faiçal II cedeu o trono formalmente.

A tendência pró-ocidental da União Árabe (federação da Jordânia e Iraque), a repressão que sofriam os grupos opositores e o entusiasmo que a criação da República Árabe Unida (RAU), da federação do Egito e da Síria levantou entre os dirigentes nacionalistas do Iraque, (que viam a possibilidade de levar a cabo seus ideais de pan-arabismo), acabaram com a monarquia.

A República Árabe Unida, amargamente antagonista á União Árabe pró-ocidente, despachou repetidas chamadas de rádio incitando a população, polícia e exército do Iraque a derrubarem o governo do país. No dia 14 de Julho de 1958 o exército Iraquiano fez um repentino golpe de estado pan-arabista, liderado pelo general iraquiano Abdul Karim Kassem. O rei rei Faisal II, de 23 anos de idade, foi assassinado, juntamente com a sua família. O primeiro-ministro Nuri as-Said, que era tido como uma figura símbolo da ligação ao Reino Unido foi linchado nas ruas de Bagdad. A União com a Jordânia foi terminada e o novo governo anunciou uma aproximação com a RAU e a dissolução da União Árabe. Foi posto fim à monarquia, fundando-se a República do Iraque.

No seguimento do golpe de Estado de 1958 tiveram lugar algumas reformas sociais e democráticas. Foi aprovada uma nova Constituição, foi permitida a formação de partidos e de sindicatos.

O petróleo foi nacionalizado, bem como outras indústrias, e uma reforma agrária incipiente foi lançada. Ao mesmo tempo era denunciado o pacto de Bagdá e estabelecidas relações próximas com a República Árabe Unida (15 de Julho). Kassem, entretanto, fez tentativas de ganhar a confiança do Ocidente mantendo a oferta de petróleo. Em março de 1959 o Iraque abandonou o pacto de Bagdá, que foi então renomeado de Organização do Tratado Central (Central Treaty Organization). Em junho de 1959 o Iraque abandonou o bloco esterlino - grupo de países cuja moeda corrente era vinculada a libra esterlina britânica.

Após o término do mandato britânico no Kuwait (junho de 1960), o Iraque reivindicou o território, declarando que a área fazia parte do Estado Iraquiano na época de sua formação. Convidadas pelo governante kuwaitiano, forças britânicas entraram no Kuwait em Julho. O Conselho de Segurança da ONU rejeitou um pedido iraquiano ordenando sua retirada.

Em 1961, houve uma rebelião da minoria curda. O governo do Iraque afirmou que suprimiu a rebelião no Norte do país em 1961-1962. A agitação curda persistiu, entretanto. O longo conflito foi temporariamente apaziguado no começo de 1970, quando o governo prometeu formar uma região curda autônoma e admitiu ministros curdos no gabinete.

Na luta pelo poder que se seguiu entre os golpistas, Qasim levou a melhor sobre Arif, que foi preso. Qasim prosseguiu inicialmente as reformas (reforma agrária de 30 de Setembro de 1958), passou no entanto a governar de forma cada vez mais autoritária. Em pouco tempo tinha-se estabelecido um regime militar autoritário.

Entre 1963 e 1966 registraram-se golpes palacianos sangüinários. Em 8 de Fevereiro de 1963, Kassem foi deposto por um grupo de oficiais, muitos deles pertencentes ao partido Baath, e assassinado no dia seguinte. O coronel Abdel Salem Aref (Abdul Salam Arif) tronou-se presidente e as relações com o ocidente melhoraram. Arif implantou um regime socialista de feição nasserista (Gamal Abdel Nasser era então o presidente do Egito). Em abril de 1966, Aref morreu num acidente de helicóptero e foi sucedido por seu irmão, o general Abdel Rahman Aref (Abdul Rahman Arif).

Durante a Guerra árabe-israelense dos Seis Dias (1967), tropas e aviões iraquianos foram mandados para a fronteira da Jordânia-Israel. Mais adiante, declarou guerra a Israel e fechou seus oleodutos, cortando a provisão de petróleo aos países ocidentais, enquanto rompia relações diplomáticas com os Estados Unidos.

Em julho de 1968 houve um golpe militar, a ala direita do partido Baath (o qual tinha sido fundado por Michel Aflaq na Síria) assume o poder e o general Ahmad Hassan Al-Bakr, um ex-primeiro-ministro, se colocou a frente do Comando Supremo da Revolução. Al-Bakr tornou-se presidente da República, sendo o seu braço-direito Saddam Hussein al-Takriti (então com 31 anos).

O predomínio militar foi abalado em 1971, quando o líder baathista Saddam Hussein destituiu da vice-presidência o general Salek Mahdi Amas. As relações entre os partidos Baath e Comunista, até então hostis, melhoraram bastante.

Nacionalista, a nova equipe dirigente nacionaliza totalmente o petróleo e as companhias petrolíferas estrangeiras operantes no Iraque (1972 à 1975). Dentre as companhias nacionalizadas estava a companhia petrolífera nacional iraquiana (nacionalizada em Junho de 72), que era até aí propriedade de consórcios britânicos, franceses e americanos, bem como da Fundação Gulbenkian. Ainda em 1972, o Estado ratificou o tratado de amizade com a União Soviética.

O país desfrutou do massivo aumento dos rendimentos do petróleo que começaram no final de 1973, quando o preço internacional do produto aumentaram exorbitantemente. À essa altura, tornou-se um país rico. A grande descoberta de petróleo nas adjacências de Bagdá foi divulgada publicamente em 1975.

Na política internacional, o Iraque distanciou-se neste período das nações ocidentais e passou a ser apoiado pela União Soviética. A equipe dirigente assina um tratado de amizade com Moscou e convida dois comunistas para o Executivo.

A posição de certos países árabes com relação à Israel causou alguns atritos entre o Iaque e seus vizinhos. Em 1971, o Iraque fechou sua fronteura à Jordânia e pediu a expulsão desse país da Liga Árabe por causa do esforço dos jordanianos em esmagar o movimento guerrilheiro palestino operante dentro de suas gronteiras.

O Iraque ajudou a Síria com tropas e equipamentos durante a Guerra árabe-israelense de 1973 (Guerra do Yom Kippur). Clamando por ações militares contínuas contra Israel, o Iraque denunciou o cessar-fogo que acabou com o conflito e se opôs ao acordo negociado interinamente com Israel entre Egito e Síria em 1974 e 1975.

No início de 1974, irrompeu uma luta no Iraque setentrional entre as forças governamentais e os nacionalistas curdos, que achavam inadequada a nova lei de autonomia curda baseada no acordo de 1970. Os curdos, liderados por Mustafa al-Barzani, receberam armamento e outros suprimentos do Irã. Em 1975, um acordo com o Irã (fazendo concessões para acabar com disputas de fronteira) obtêm armistício com os curdos.

A aliança entre os partidos Baath e Comunista rompeu-se em 1978, quando vários dirigentes comunistas acusados de traição foram fuzilados.

Em 15 de Julho de 1979, data da demissão de Ahmed Hasan Al-Bakr por motivos de saúde, o general sunita Saddam Takriti Hussein assumiu o poder, cercando-se imediatamente de uma dezena de oficiais leais, os quais colocou em cargos de responsabilidade. É então que o poder se torna verdadeiramente autocrático, com os primeiros anos de goveno do auto-intitulado El-Raïs el-Monadel (o Presidente Combatente) a serem marcados pela execução de centenas de oposicionistas e o gaseamento de 5.000 curdos em Halabja.

Surpreendido (tal como o Ocidente e as Monarquias do Golfo) pela derrubada do Xá do Irã, Reza Pahlevi, através da revolução fundamentalista do aiatolá Khomeini, Saddam (que também desejava recuperar o controle do Chatt al-Arab) lançou-se, em 22 de Setembro de 1980, numa guerra com o Estado vizinho (Guerra Irã-Iraque).

Terminada a Guerra Irã-Iraque, Saddam Hussein estava fortemente endividado. Um dos principais credores era o vizinho Kuwait. A anexação do Kuwait - e dos seus poços de petróleo - apresentou-se então ao Raïs como uma solução genial. Há décadas que Bagdá reivindicava a reabsorção do emirado arrancado pelos ingleses.

Em 2 de agosto de 1990 as tropas de Bagdá entraram em Kuwait City e recusam-se a abandonar o país, apesar da condenação da ONU. Em Janeiro, quinhentos mil soldados de treze países, encabeçados pelos Estados Unidos e apoiados pela ONU e pela OTAN, restituem o pequeno país ao emir, irrompem no Iraque e aceitam a rendição do exército de Saddam. As forças iraquianas no Kuwait foram derrotadas facilmente, muitas delas rendendo-se voluntariamente à coligação. Antes disso, a coligação bombardeara toda a velha Mesopotâmia durante seis semanas, destruindo as infra-estruturas que os seus próprios governos haviam ajudado a criar e fazendo milhares de vítimas civis.

Após o cessar fogo e o acordo de paz, o governo iraquiano utilizou os restos de seu exército para acabar com a rebelião dos xiitas no sul e dos curdos no norte. Centenas de milhares de curdos se refugiaram na Turquia e no Irã e tropas dos Estados Unidos, França e Grã-Bretanha se instalaram no norte do Iraque para estabelecer campos de refugiados.

Uma zona de exclusão aérea, no Norte, foi imposta pela ONU para proteger os curdos. Em 1993, outra zona, ao sul, foi criada para proteger os xiitas. O poder central se limita a metade do território do Iraque. Essas duas vastas zonas de exclusão aérea são interditas a aparelos locais e constantemente patrulhadas por caças-bombardeiros norte-americanos e ingleses. Periodicamente, ao longo da década de 90, a RAF e a USAF lançaram ataques ao solo, e a própria cidade de Bagdá foi por mais de uma vez alvejada. Em 1994, Saddam Hussein reconhece oficialmente a independência do Kuwait.

A 6 de Agosto de 1990 o conselho de Segurança das Nações Unidas adoptou a resolução 661, a qual impunha sanções económicas ao Iraque, incluindo o embargo comercial, excluindo material médico, alimentação e outros itens de necessidade humanitária, a serem determinados pelo comité de sanções do conselho de segurança.

O Iraque foi autorizado, de acordo com o programa das Nações Unidas Oil-for-Food (Resolução 986), a exportar 5,2 bilhões de dólares de petróleo todos os seis meses (ou seja 10,4 biliões de dólares por ano) para poder comprar os itens de sustento da população. No entanto, apesar do programa, de acordo com estimativas da ONU, cerca de um milhão de crianças iraquianas morreram durante o embargo, devido à malnutrição e falta de medicamentos.

Com a imposição do embargo econômico, a nação de Saddam Hussein viveu uma profunda crise interna, nomeadamente econômica, mas mesmo assim o regime de Saddam manteve-se inabalável. Em eleições supostamente livres, realizadas em 1995, o povo optou pela permanência de Saddam Hussein no poder.

Na primavera de 1996, a ONU pôs fim ao embargo que pesava sobre o petróleo iraquiano. Em outubro de 1997, a Grã-Bretanha ameaçou usar a força quando o Iraque não permitiu a entrada de uma equipe da ONU no país.

Houve um período de delicado equilíbrio nas relações, mas, em setembro de 1998, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) votou por unanimidade uma resolução, mantendo as sanções contra o Iraque até que Bagdá voltasse a cooperar com os inspetores do desarmamento. Atendendo ao apelo da China, da França e da Rússia, o Conselho acenou com a possibilidade de retomar a cooperação, o que previa um exame conjunto das relações do Iraque com a ONU.

Após a carta entregue in extremis ao secretário geral da ONU, Kofi Annan, pelo vice-primeiro-ministro do Iraque, Tarif Aziz, foi suspensa pelo presidente norte-americano Bill Clinton a intervenção militar no Iraque. Na carta, o presidente iraquiano Saddam Hussein decidia, finalmente, voltar a cooperar com o desarmamento do país, permitindo a volta dos inspetores da Comissão Especial da ONU. Em dezembro de 1998, ao final de uma série de inspeções fundamentais para testar a cooperação do Iraque, duas equipes de inspetores integrantes da comissão encarregada do desarmamento iraquiano deixaram Bagdá. O chefe dos inspetores, Richard Butler, declarou ter sido impedido de entrar em alguns prédios em Bagdá, o que considerou, em seu relatório, "um fato grave". Poucos dias depois, começou a operação militar de represália contra o Iraque, levada a cabo durante quatro dias pelas forças dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, motivada pela negativa do presidente iraquiano, Saddam Hussein, de colaborar com os inspetores do desarmamento da ONU. Uma comissão de desarmamento (Unmovic) foi criada pelo Conselho de Segurança da ONU em dezembro de 1999. Em 17 de janeiro de 2000, Kofi Annan, designou Rolf Ekeus para dirigir a comissão. O Iraque manteve sua recusa de cooperar com a Unmovic.

Em 2003, norte-americanos e britânicos (com concurso de outros países), alegando que o Iraque detinha armas de destruição massiva, invadiram o Iraque, sem o aval da Organização das Nações Unidas, que não se convenceu com as "provas" mostradas pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, e em total desrespeito à justiça internacional invadiram o Iraque.

A decisão de invadir o Iraque teve declarada oposição de muitas nações entre as quais sobretudo a França, cuja empresa estatal Total-Fina-Elf detinha contratos com Sadam Hussein para a exploração de campos de petróleo de Majnoon e Nahr Umar, os quais representam cerca de 25% do petróleo do Iraque, para além de ser credor de uma larga dívida do ditador. A França era antes da invasão do Iraque também um dos principais parceiros comerciais do ditador, sendo responsável por cerca de 13% das importações de armas entre 1981 e 2001, de acordo com o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI).



Embora as Ilhas Marshall tenham sido povoadas por micronésios no segundo milénio a.C., pouco se sabe da história primitiva das ilhas. O explorador espanhol Alonso de Salazar foi o primeiro europeu a avistar as Ilhas Marshall, mas as ilhas permaneceram virtualmente sem ser visitadas durante vários séculos, até à chegada do capitão inglês John Marshall em 1788, que deu o seu nome às ilhas.

Uma companhia comercial alemã fixou-se nas ilhas em 1885, e alguns anos mais tarde elas tornaram-se parte do protectorado da Nova Guiné Alemã. O Japão conquistou as ilhas na Primeira Guerra Mundial e passou a administrá-las sob mandato da Liga das Nações.

Na Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos da América invadiram as ilhas (1944) e, depois da derrota do Japão, ficou a administrá-las dentro do Território Fiduciário das Ilhas do Pacífico. Os EUA começaram a realizar testes nucleares nas ilhas logo depois da guerra, prolongando-os até à década de 1960. Devido aos testes, muitos marshalleses adoeceram com elevados níveis de radiação, e até hoje há pedidos de compensação.

Em 1979, foi estabelecida a República das Ilhas Marshall e foi assinado um Acordo de Livre Associação com o governo dos EUA, que se tornou efectivo em 1986.



Encontram-se vestígios no arquipélago indonésio que indiciam a presença humana desde o período Neolítico, embora o conhecimento preciso da História da Indonésia remonte ao princípio da Era Cristã, altura em que se iniciou o relacionamento comercial entre os diferentes reinos do arquipélago com a China e a Índia, relacionamento esse que abriu as portas às influências hinduístas e budistas. Mais tarde, com a chegada de navegadores árabes provenientes do Omã e Índia, o islamismo chegou ao arquipélago, por volta do Século X, e com ele, a expansão do Ummah Islâmico. Quando o califado passou para as mãos dos Otomanos, foi iniciado um grande câmbio cultural entre as duas partes do oceano Índico e entre o Atlântico e o distante oceano Pacífico. Com a derrota dos safávidas em Tabriz e a aliança com os Moguls na Índia, os otomanos abriram as portas para o extremo oriente, e as fecharam diante do ocidente.

O bloqueio comercial otomano provocou uma incasável busca por um caminho para as terras onde eram produzidas as especiarias. Quando os europeus ali chegaram em princípios do século XVI (em 1511, Francisco Serrão juntamente com António de Abreu chegam as Ilhas Molucas), e começaram a lutar contra os diversos sultanatos islâmicos(coisa que encaravam quase que como uma cruzada, uma vez que tais sultanatos eram submetidos economicamente e culturalmente, apesar da imensa distância, ao califado otomano) na sua vontade de monopolizar o comércio das especiarias. Após a morte do Solimão(Momento em que o califado acabou dividido em 3), o caminho ficou livre para a Companhia Holandesa das Índias Orientais a conseguir estabelecer-se na região, sediando o seu domínio em Batávia (actual Jacarta). A colonização holandesa, que só se completou no final do século XVII, começou a ser posta em causa a partir de 1927, com a formação do Partido Nacionalista Indonésio, liderado por Sukarno.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Holanda, que foi ocupada pela Alemanha, perdeu a sua colónia para os japoneses. Com o fim da guerra, Sukarno, que tinha cooperado com os japoneses, declarou a independência da Indonésia, mas os aliados apoiaram o exército holandês a tentar recuperar a sua colónia. A guerra pela independência, denominada Revolução Nacional Indonésia, durou 4 anos e, sob pressão internacional, a Holanda foi forçada a reconhecer o novo país.

Nos anos 50 e 60, Sukarno alinhou pelo socialismo e entrou em guerra com a Malásia. Em 1965 deu-se uma tentativa de golpe de estado e o general Suharto, que tinha ajudado a conter o golpe, tomou o poder depois de grandes massacres. Suharto foi reeleito 5 vezes e governou o país com a ajuda dos militares mas, com a crise económica asiática de 1997, o país voltou à rebelião e o presidente foi obrigado a renunciar e entregou o poder ao seu Vice-Presidente, B. J. Habibie. No entanto, nas eleições de 1999, Habibie perdeu-as para Megawati Sukarnoputri, filha de Sukarno, que não chegou a ser empossada, tendo sido substituída pelo seu partido político por Abdurrahman Wahid. A crise de Timor-Leste virou as cartas e Megawati voltou à presidência em 2001. Em 2004, nas primeiras eleições directas, foi eleito o actual presidente, Susilo Bambang Yudhoyono.

A 26 de Dezembro desse mesmo ano, uma catástrofe natural abalou o país. Nesse dia, registou-se o maior terramoto dos últimos tempos (8,9 graus da escala de Richter) com epicentro ao largo da ilha indonésia de Samatra. Este sismo originou maremotos que assolaram a costa de vários países do sudeste asiático, como o Sri Lanka (o mais afectado), seguido da própria Indonésia, Índia, Tailândia, Malásia, Maldivas e Bangladesh, tendo provocado milhares de mortos e de desalojados.



Durante o I milênio d.C., a parte ocidental de Honduras constituiu o extremo sudeste da grande civilização maia, cujo alto grau de desenvolvimento é demonstrado pelas ruínas de Copán. Em 1502, quando Cristóvão Colombo, em sua quarta viagem, chegou a costa hondurenha, a civilização maia estava em decadência e os remanescentes da outrora gloriosa civilização habitavam Copán, Quiriguá e outros locais. Só após um período de guerra contra os índios (1523-1539), é que os Espanhóis conseguiram assegurar o controle da colônia. Ante a brutalidade dos invasores, os maias fugiram para a península de Yucatán. Em 1525, Hernán Cortés, o conquistador do México, chegou à região, cuja conquista caracterizou-se por sangrentas lutas entre os diversos centros de poder espanhol, localizados no México, no Panamá e em Santo Domingo. Colonizou a região auxiliado por seus prepostos Cristóbal de Olid, Francisco de Las Casas e Pedro de Alvarado, que fundou a cidade de San Pedro Sula.

A primeira capital de Honduras, Comayagua, foi fundada por Alonso de Cáceres. Esse período de conquista foi marcado por violenta repressão aos indígenas, que, sob comando do chefe Lempira, resistiram bravamente ao avanço dos espanhóis em direção ao interior, até serem impiedosamente massacrados.

Em 1539 Honduras foi incorporada à Capitania Geral da Guatemala (também colônia espanhola) e ficou nessa condição durante todo o período colonial. Com a descoberta de minas de ouro e prata em seu território, entre 1570 e 1580, numerosos grupos de imigrantes chegaram ao país, transformando-o num centro de intrigas e conflitos, embora as jazidas fossem menores do que se acreditava. Enquanto o litoral do mar do Caribe era transformado em ponto de encontro de piratas. As Honduras começaram a ser alvo de ataques perpetrados pelos piratas e pelos ingleses, empurrando os Espanhóis para o interior, situação constante até ao século XVIII, durante a qual a Espanha empreendeu uma recuperação territorial culminada em 1779. Mais tarde a região foi invadida por madeireiros ingleses, que já em fins do século XVIII controlavam a costa do Mosquito.

Em 1821, já com o México independente da Espanha, as províncias integrantes da Capitania Geral da Guatemala romperam seus vínculos com a Metrópole e, no ano seguinte, passaram a integrar o Império Mexicano de Agustín de Iturbide, do qual separaram-se um ano depois, para formar a República Federal das Províncias Unidas da América Central. A federação foi governada inicialmente por Manuel José Arce, e posteriormente por Francisco Morazán. Divergências entre os países membros provocaram sua dissolução, e os estados-membros tornaram-se independentes (1838). Em 5 de novembro de 1838 Honduras proclamou-se Estado soberano e independente e, no começo do ano seguinte uma assembléia constituinte aprovou sua primeira Constituição. No entanto, diversas vezes, Honduras apoiou tentativas de reconstituição parcial ou total da antiga união centro-americana.

A situação de Estado independente data de quando a união se rompeu e uma ininterrupta sucessão de caudilhos dominou o país no restante do século XIX. Os ditadores liberais, que dominaram o país entre o fim do século XIX e o início do XX, voltaram a atenção para a necessidade de aumento das exportações. No século XX, várias empresas dos Estados Unidos tornaram a banana o principal produto de exportação do país, convencendo o governo da necessidade de concessões favoráveis ao setor. A United Fruit Company desempenhou papel capital na vida econômica e política hondurenha. Por sua posição geográfica, Honduras tem-se visto afetada pelas agitações políticas da América Central.

O primeiro presidente constitucional foi o conservador Francisco Ferrera, que foi eleito presidente da República em 1841.Os conservadores mantiveram-se no Poder até 1876, aquando da eleição do liberal Marco Aurelio Soto, que abriu caminho, quatro anos depois, à promulgação de uma nova Constituição em que os princípios liberais estavam presentes. Nas últimas décadas do século XIX Honduras sofreu interferências da Guatemala em seus assuntos internos.

Progressos no processo político ocorreram gradativamente ao longo do século XX. Ditadores militares continuaram ocupando a presidência em maior escala que os civis. Nos primeiros anos do século XX, o presidente da Nicarágua, José Santos Zelaya, impôs Manuel Bonilla como presidente de Honduras, fato que mergulhou o país num período de rebeliões internas, entre 1911 e 1912. A pretexto de controlar a anarquia, os Estados Unidos intervieram no país e enviaram tropas para proteger os interesses das empresas bananeiras. A influência da Nicarágua sobre a vida política hondurenha teve seu ponto alto a eleição de Miguel Dávila para presidente das Honduras.

A conjuntura de instabilidade continuou até 1932, ano em que foi eleito o general Tiburcio Carías Andino que, como presidente, realizou reformas constitucionais que lhe permitiram instituir uma ditadura. Apesar da acentuada crise econômica existente causada pelos excedentes de exportação (que provocou uma explosão nos níveis de desemprego) e das constantes tentativas de golpe de Estado, Tiburcio Carías se manteve no Poder até 1949, quando a ditadura terminou com uma revolta política. Em 1949, foi sucedido por Juan Manuel Gálvez, que tentou restaurar a normalidade. Mas entre 1954 e 1956 o país recaiu na ditadura sob a administração de Júlio Lozano Díaz, deposto por uma junta chefiada pelo coronel Hector Caraccioli.

O país só voltou a ter uma eleição pacífica em 1957. O vencedor foi o liberal Ramón Villeda Morales, que promulgou uma nova Constituição. Apesar dessa eleição ter desencadeado esperanças em relação ao futuro, a política liberal do novo presidente provocou a desconfiança da oligarquia hondurenhaque, assustada pelo triunfo do comunismo em Cuba, apoiou, em 1963, um golpe de Estado. O presidente foi derrubado pelo exército hondurenho antes que pudesse implementar o programa de reformas que havia conseguido aprovar no Congresso. O líder do golpe, o coronel Osvaldo López Arellano, cuja ascensão à presidência formalizou-se em 1965, manteve-se no poder até 1974. Em 1965 foi promulgada mais uma Constituição. Em 1969, o entrincheiramento militar foi ainda mais solidificado durante o conflito de fronteira com El Salvador: os dois países entraram em guerra por causa de um jogo de futebol (que as Honduras tinham ganho), terminando os combates cinco dias depois do seu início com a vitória militar de El Salvador que, no entanto, se retirou do território hondurenho. A chamada "guerra do futebol", fora solucionada com a intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA). A frágil economia hondurenha ficou ainda mais debilitada devido ao conflito.

Em 1971, Ramón Ernesto Cruz foi eleito presidente, mas no ano seguinte o general López Arellano voltou ao poder após um golpe de Estado. Em 1975 López Arellano foi deposto pelo coronel Juan Alberto Melgar Castro, por sua vez obrigado a renunciar em 1978, quando o general Policarpo Paz García assumiu o poder. Em 1979, a América Central passou a viver um período de forte instabilidade provocada pelas guerras civis na Nicarágua e em El Salvador.

Em 1981, após nove anos de regime militar, Roberto Suazo Córdova, do Partido Liberal, venceu as eleições presidenciais. Em 1982, uma nova Constituição, apoiada pelos EUA, almejava o aumento da atividade democrática. Como condição para o apoio norte- americano, no entanto, o país forneceu a base para os "contras" da Nicarágua. O país foi incluido, em 1983, nos planos de defesa da região proposto pelos EUA, servindo de base para treinamento de soldados, mas em 1984 o governo pediu revisão do Tratado de Aliança com esse país. Em 1985, aumentou a tensão com a Nicarágua.

Em 1986 ocorreu a primeira transferência de poder na história do país sem interferência militar direta, com a eleição do liberal José Azcona del Hoyo (1986-1990). O novo presidente abraçou um movimento pacifista levado a cabo pelos países da América Central. Ameaçou interromper a atividade dos "contras", assim como diminuir o poder dos militares. Honduras, no entanto, manteve-se economicamente dependente dos EUA, e, em 1989, Rafael Leonardo Callejas, do Partido Nacional, foi eleito presidente com o apoio norte-americano e no ano seguinte um plano de ajuste econômico provocou a greve dos plantadores de banana, que terminou com a intervenção do Exército. O início da década de 1990 encontrou o país ainda agitado por divergências internas, agravadas pela luta contra três grupos guerrilheiros. A crise econômica, a atividade guerrilheira de esquerda e as forças de segurança ficaram fora de controle, com 40 assassinatos e mais de 4 mil violações dos direitos humanos. Em 1991, o governo anunciou anistia e iniciou negociações com guerrilheiros de esquerda. Em 11 de setembro de 1992, o conflito com El Salvador terminou com a intervenção da Corte Internacional de Justiça, que traçou definitivamente os limites territoriais dos dois países.

O candidato de oposição ao neoliberalismo, Carlos Roberto Reina, um grande defensor dos direitos humanos, venceu as eleições de novembro de 1993 e tornou-se presidente em 27 de Janeiro de 1994. Desde então, Carlos Reina tem orientado a sua política (através de medidas preventivas dos direitos humanos) na busca de estabilidade social que lhe permita avançar com programas económicos que desenvolvam o país, como, por exemplo, a reestruturação da administração estatal sobre as florestas e a definição do papel do setor privado neste campo.



O registo da história do Uruguai se inicia com a chegada dos primeiros europeus à área no início do século XVI. Tanto a Espanha como Portugal procuraram colonizar o futuro Uruguai. Portugal tinha por base a Colônia do Sacramento (na margem oposta a Buenos Aires, no rio da Prata), enquanto a Espanha ocupava Montevidéu, fundada no século XVIII e que veio a se tornar a capital do futuro país.

O início do século XIX viu o surgimento de movimentos de independência por toda a América do Sul, incluindo o Uruguai, cujo território constituiu parte da Banda Oriental do Uruguai (isto é, "faixa a leste do rio Uruguai"), cujo território foi disputado pelos estados nascentes do Brasil, herdeiro de Portugal, e das Províncias Unidas do Rio da Prata, atualmente República Argentina, com capital em Buenos Aires, herdeira do Vice-reinado do Prata da Espanha.

O Brasil sob domínio de Portugal, havia ocupado a área em 1811 e a anexado em 1821 (ler Incorporação da Cisplatina em História do Brasil). Mas uma nova revolta iniciou-se a 25 de Agosto de 1825. O Uruguai se tornou numa nação independente com o Tratado de Montevidéu, de 1828. As negociações para a independência tiveram o auxílio de George Canning, então chefe do Foreign Office ou Ministério do Exterior britânico, para consolidar a livre navegação do rio da Prata. Foi José Artigas, entretanto, a pessoa capaz de aglutinar internamente as expectativas uruguaias de independência, cabendo-lhe o mérito da independência.

A partir daí, o país experimentou uma série de presidentes eleitos e nomeados e entrou em conflitos com estados vizinhos, flutuações e modernizações políticas e econômicas e grandes fluxos de imigrantes, provenientes especialmente da Europa. Os militares tomaram o controle da administração em 1973 e o governo civil só regressou em 1985, um ano depois de vastos e violentos protestos contra os regimes militares na América do Sul, inclusive no Uruguai.

Época pré-colombiana e a colonização

Os únicos habitantes do Uruguai antes da colonização europeia eram os Charruas, uma pequena tribo encaminhada para sul pelos Guaranis do Paraguai.

Os espanhóis chegaram ao território onde presentemente é o Uruguai em 1516, mas a feroz resistência por parte dos índios, em combinação com a escassez de ouro e prata, limitaram a colonização do território durante os séculos XVI e XVII. Os espanhóis começaram a criar gado no ano de 1603, o que acabou por se tornar a fonte de riqueza da região. O primeiro povoado de carácter permanente foi fundado pelos espanhóis em 1624 em Soriano perto do Rio Negro, em 1669-71, os portugueses construíram um forte na Colônia do Sacramento, tendo os espanhóis intensificado a colonização para limitar a expansão portuguesa das fronteiras do Brasil.

Montevidéu foi fundada pelos espanhóis nos primórdios do século XVIII, para servir como fortaleza militar, tendo o seu porto rapidamente passado a ser um centro comercial capaz de competir com Buenos Aires.

A história da primeira parte do século XIX uruguaio molda-se ao sabor das lutas existentes entre o Reino Unido, Espanha, Portugal e as forças coloniais, pelo domínio da região compreendendo a Argentina, o Brasil e o Uruguai. Em 1806 e 1807, o exército britânico tentou cercar Buenos Aires no decorrer da sua guerra com Espanha, como resultado, no início de 1807, Montevidéu estava ocupada por uma força britânica composta por 10.000 homens, que apenas saiu a meio do ano, quando foi atacar Buenos Aires.

Luta pela independência

Em 1811, é nomeado Vice-rei e Capitão Geral da região, Xavier de Elio, gerando insatisfação devido a uma série de medidas adotadas por ele. Em fevereiro se dá o "grito de Asencio" e um capitão chamado José Gervasio Artigas, ao retornar de Buenos Aires, aonde fora oferecer seus serviços torna-se líder dos autonomistas. Em 18 de maio de 1811, os autonomistas tomam o país, exceto Montevidéu. Elio solicita e recebe apoio da Corte portuguesa instalada no Brasil que lhe envia o exército "pacificador" sob o comando de Diogo de Souza.

Em 23 de setembro junta-se a ele o governo de Buenos Aires. Artigas levanta o cerco a Montevidéu e refugia-se no interior, até o rio Ayuí, e junto com ele vão os habitantes da área rural. No começo de 1812 as tropas portuguesas se retiram.

Sem conseguir vencer Artigas, que tinha obtido já o alliance da província de província de Entre Ríos, em 1814 seus inimigos iniciam mediações em favor da paz. Montevidéu é conquistada em 20 de junho de 1814 por Carlos María de Alvear, general enviado por Buenos Aires. Este quando retorna, abre caminho para a sublevação do Lado Oriental sob o comando de Artigas, o qual terminaria seus dias exilado devido à oposição dos escravocratas portugueses e dos comerciantes de Buenos Aires y de Montevideo, tornando-se, no entanto, um herói nacional do Uruguai.

Em 1821, a Província Oriental del Rio de la Plata, o atual Uruguai, passou a ser parte do Brasil e portanto também colónia de Portugal, sob o nome de Província Cisplatina. Em 1825 forma-se o chamado "grupo dos 33 Orientales" contra a ocupação luso-brasileira que logo se transforma em um pequeno exército e invade a província vindos de Buenos Aires. Após a tomada de Montevidéu em 14 de junho, instala-se um governo provisório que vota a independência do Brasil a 25 de Agosto de 1825 (depois de numerosas revoltas em 1821, 1823 e 1825), mas decidiu aderir a uma federação regional com a Argentina.

Esta federação regional derrotou o Brasil depois de 500 dias de combates. O Tratado de Montevideu, datado de 1828 e patrocinado pelo Reino Unido, criou o Uruguai como estado independente, sendo a primeira constituição do recém-formado país adoptada a 18 de Julho de 1830. No resto do século XIX vários presidentes foram eleitos para lidarem com os conflitos com os Estados vizinhos, as flutuações políticas e económicas e um grande afluxo de imigrantes, oriundos sobretudo da Europa.

O espectro político no Uruguai ficou dividido entre dois partidos, os conservadores Blancos ("brancos", Partido Nacional) e os liberais Colorados ("vermelhos"). Os Colorados eram liderados por Fructuoso Rivera e representavam os interesses económicos de Montevideu, enquanto que os Blancos eram liderados por Manuel Oribe e representavam os interesses dos agricultores e promoviam o proteccionismo. Os grupos herdaram os nomes das cores das braçadeiras que usavam, inicialmente os Colorados eram azuis, mas depois de a braçadeira esbater ao Sol adoptaram o vermelho.

Os partidos uruguaios associaram-se às facções políticas que guerreavam na vizinha Argentina. Os Colorados eram a favor dos exilados liberais, Unitarios, muitos dos quais tinham buscado refúgio em Montevideu, enquanto o líder Blanco, Manuel Oribe, era um amigo próximo do ditador argentino, Juan Manuel de Rosas. Oribe ficou ao lado de Rosas quando a marinha francesa bloqueou Buenos Aires em 1838, o que levou os Colorados e os exilados Unitarios a procurarem ajuda francesa contra Oribe e, a 15 de Junho de 1838, um exército liderado por Fructuoso Rivera, derrubou o presidente que refugiou-se na Argentina.

Os Unitarios formaram um governo exilado em Montevidéu e, com o apoio secreto dos franceses, Rivera declarou guerra a Rosas em 1839. Este conflito iria durar treze anos e ficar conhecido como a Guerra Grande.

Em 1840, um exército de Unitarios exilados tentou invadir o norte da Argentina vindos do Uruguai mas com pouco sucesso. Dois anos depois o exército argentino invadiu o Uruguai a favor de Oribe. Tendo tomado o controlo da maior parte do país, embora não tenham conseguido capturar a capital. O cerco de Montevideu começou em Fevereiro de 1843 e iria durar nove anos e captar as atenções e a imaginação do mundo inteiro. Alexandre Dumas, filho comparou-o com uma nova guerra de Tróia.

Os Uruguaios cercados pediram ajuda aos estrangeiros residentes, tendo-se formado uma legião francesa e outra italiana. A italiana era liderada por Giuseppe Garibaldi, que estava a leccionar matemática em Montevideu quando a guerra estalou, Garibaldi foi ainda nomeado chefe da marinha uruguaia e esteve envolvido em muitas actos famosos durante a guerra, nomeadamente a batalha de San Antonio, que o fez obter uma reputação de nível mundial como formidável líder de guerrilha.

O bloqueio argentino a Montevideu foi ineficaz pois Rosas tentou não interferir com o trânsito internacional de navios no Rio da Prata. Mas em 1845, quando o acesso ao Paraguai foi bloqueado, o Reino Unido e a França aliaram-se contra Rosas, capturaram a sua frota e iniciaram um bloqueio a Buenos Aires, enquanto o Brasil se aliava à Rosas. Rosas conseguiu negociar acordos de paz com a Grã-Bretanha (em 1849) e com a França (em 1850), tendo esta última concordado em retirar a sua legião se as tropas de Rosas saíssem do Uruguai.

Oribe manteve um cerco pouco apertado à capital. Em 1851, o caudilho argentino Urquiza virou-se contra Rosas e assinou um pacto com os exilados Unitarios, os uruguaios Colorados e com o Brasil, que também passou a posicionar-se contra Rosas. Urquiza, com o apoio do exército brasileiro sob o comando do Duque de Caxias, entrou no Uruguai, derrotou Oribe e levantou o cerco a Montevideu, seguidamente derrubou Rosas na Batalha de Monte Caseros, a 3 de Fevereiro de 1852. Com Rosas derrotado e exilado a Guerra Grande chegou finalmente ao fim.

Em 1855, um novo conflito estalou entre os partidos, e atingiu o seu ponto alto durante a Guerra da Tríplice Aliança (ou Guerra do Paraguai). Em 1863, o general dos Colorados Venancio Flores organizou um levantamento armado contra o presidente Blanco, Bernardo Prudencio Berro. Flores saiu vitorioso, com o apoio do Brasil e da Argentina, que lhe cederam tropas e armas, enquanto Berro forjou uma aliança com o líder paraguaio Francisco Solano López. Quando o governo de Berro foi derrubado, em 1864, com o apoio brasileiro, López declarou guerra ao Brasil.

O resultado foi a Guerra da Tríplice Aliança, um conflito de cinco anos onde o Uruguai, o Brasil e a Argentina combateram o Paraguai, em que Flores acabou por sair vencedor, mas perdendo 95% das suas tropas. Flores não saboreou a sua vitória pírrica por muito tempo, pois foi assassinado em 1868, no mesmo dia que o seu rival Berro.

Ambos os partidos estavam conscientes do caos. Em 1870 chegaram a um acordo para definir as esferas de influência de cada um: os Colorados controlariam Montevideu e a região costeira, já os Blancos controlariam o interior com os seus espaços agrícolas. Além disto, os Blancos receberam meio milhão de dólares para os compensar pela perda de Montevideu. Contudo a figura do caudilho foi difícil de apagar do Uruguai e os feudos políticos continuaram.

Depois da Guerra Grande, houve um aumento assinalável da imigração, sobretudo de Espanha e Itália, em 1860 os imigrantes representavam 48% da população, e 68% em 1868. Na década de 1870 entraram no Uruguai mais de 100.000 europeus, pelo que em 1879 viviam cerca de 438.000 pessoas no Uruguai, um quarto das quais em Montevideu.

Em 1857 o primeiro banco abriu, três anos depois iniciou-se a construção de um sistema de canais e em 1860 a primeira linha de telégrafo foi instalada e construíram-se ligações ferroviárias entre a capital e a província.

A economia viveu um acelerado crescimento depois da Guerra Grande, sobretudo na criação e exportação de gado. Entre 1860 e 1868, o número de ovelhas passou de três para dezassete milhões, devendo-se o aumento sobretudo aos novos métodos trazidos pelos imigrantes europeus.

Montevidéu tornou-se um grande centro económico, graças ao seu porto natural tornou-se um entreposto para mercadorias da Argentina, do Brasil e do Paraguai. Também as cidades de Paysandú e Salto, ambas situadas no Rio Uruguai, viveram um desenvolvimento semelhante.

José Batlle y Ordóñez, presidente nos períodos 1903-1907 e 1911-1915, lançou as bases do Uruguai actual, fazendo grandes reformas políticas, sociais e económicas, como o estabelecimento da intervenção governamental em vários sectores da economia, o lançamento de um sistema de segurança social e a criação de um executivo plural. Algumas destas reformas foram continuadas pelos seus sucessores.

No final da década de 1950, em parte devido ao decréscimo da procura no mercado mundial por produtos agrícolas, o Uruguai começou a registar problemas económicos, onde se inclui a inflação, desemprego em massa e uma queda abrupta do nível de vida dos trabalhadores uruguaios, o que levou ao aparecimento de protestos estudantis e conflitos laborais.

Os Tupamaros, um movimento de guerrilha urbana, formaram-se no início da década de 1960, inicialmente assaltavam bancos e distribuíam comida e dinheiro nos bairros pobres, posteriormente passaram a atacar as forças de segurança e a executar raptos políticos. Destas acções resultou o embaraço e depois a destabilização do governo.

O Office of Public Safety (OPS) dos Estados Unidos da América começou a operar no Uruguai no ano de 1965. O OPS trouxe à polícia e aos serviços secretos uruguaios novas técnicas de policiamento e interrogatório. O chefe dos serviços secretos policiais, Alejandro Otero, reportou em 1970 a um jornal brasileiro que o OPS, sobretudo o responsável do OPS no Uruguai, Dan Mitrione, instruiu a polícia uruguaia como torturar suspeitos, sobretudo com aparelhos eléctricos.

O presidente Pacheco Areco declarou o estado de emergência em 1968, seguida de uma ainda maior suspensão das liberdades civis em 1972 pelo seu sucessor, o presidente Juan Maria Bordaberry, que colocou o exército a combater as guerrilhas. Depois de derrotarem os Tupamaros, os militares tomaram conta do poder, em 1973, levando o Uruguai a deter, em pouco tempo, a maior taxa per capita de presos políticos do mundo.

Em 1984 estalaram protestos massivos contra a ditadura militar. Após uma greve geral de vinte e quatro horas, iniciaram-se conversações e as forças armadas anunciaram um plano para devolver o poder à sociedade civil. Nas eleições de 1984, o líder Colorado, Julio María Sanguinetti ganhou a presidência do país e cumpriu as suas funções entre 1985 e 1990. O primeiro mandato de Sanguinetti implementou reformas económicas e consolidou a democracia depois dos anos que o país esteve dominado sobre a repressão militar.

As reformas económicas de Sanguinetti visavam atrair o investimento e capital estrangeiro e tiveram algum sucesso na estabilização da economia. Para a promoção da reconciliação nacional e facilitar o retorno ao funcionamento democrático das instituições, Sanguinetti conseguiu aprovar por plebiscito uma controversa amnistia geral aos líderes militares acusados de violações dos direitos humanos durante a ditadura, e acelerou a libertação dos antigos guerrilheiros.

As eleições de 1989 foram vencidas por Luís Alberto Lacalle, do Nacional, que governou no perído de 1990 a 1995. Lacalle, além de fazer o Uruguai aderir ao Mercosul em 1991, empreendeu grandes reformas estruturais liberalizando e privatizando a economia, apesar de algum sucesso económico, estas medidas deram origem a uma grande oposição política, que chegou a conseguir anular algumas das reformas por referendo.

Nas eleições de 1994 Sanguinetti voltou a ser eleito, embora sem maioria no parlamento, tendo por isso o Colorado e o Nacional encetado uma coligação governamental. As reformas económicas continuaram e o sistema eleitoral, a segurança social, a educação e a segurança pública foram também revistos. A economia cresceu de forma estável durante a maior parte do mandato até que os baixos preços das mercadorias e dificuldades económicas nos maiores mercados para os quais o Uruguai exportava conduziram a uma recessão em 1999 que continuou até 2002.

As eleições de 1999 decorreram-se sob as alterações introduzidas pela revisão constitucional de 1996. Primárias em Abril decidiram candidatos únicos para cada partido e as eleições decorridas em Outubro determinaram a representação para a legislatura. Como nenhum candidato obteve maioria, em Novembro houve uma segunda volta na qual Jorge Batlle Ibáñez do Colorado e com o apoio do Nacional, derrotou Tabaré Vázquez o candidato da Frente Amplio. Os partidos vencedores continuaram a sua coligação legislativa, pois isoladamente não conseguiam ultrapassar os 40% da Frente Amplio, esta coligação acabou em Novembro de 2002, quando os blancos se retiraram dos seus ministérios, embora continuassem a apoiar os colorados na maioria dos temas.

O mandato de Batlle foi marcado pela recessão e incerteza económica, pela desvalorização do real no Brasil em 1999, os surtos de febre aftosa em 2001 e finalmente com o colapso político-económico da Argentina. O desemprego elevou-se para perto dos vinte por cento, o valor real dos salários diminuiu e o peso desvalorizou-se, tendo sido relegados para a pobreza quase quarenta por cento dos uruguaios.

Com o piorar das condições económicas a opinião pública virou-se contra as políticas económicas de mercado comum, adoptadas pelo governo de Batlle e os seus antecessores, levando à rejeição em plebiscito das propostas para a privatização da companhia estatal de petróleo em 2003 e da companhia estatal de água em 2004.

Em 2004 os uruguaios elegeram Tabaré Vázquez como presidente, dando à Frente Amplio, a maioria nas duas câmaras do parlamento. O governo comprometeu-se a continuar os pagamentos da dívida externa do Uruguai e também prometeu combater fortemente os problemas generalizados da pobreza e do desemprego.

A construção de uma fábrica de papel em Fray Bentos - o maior investimento da história do país, feito pela empresa finlandesa Botnia, de 1,7 bilhões de dólares - às margens do rio Uruguai provocou grande tensão entre o governo dos dois países ao longo de 2006. A Argentina levou representação contra a instalação da indústria ao Tribunal Internacional de Haia em 2006; todavia, a decisão favoreceu o Uruguai. Moradores da localidade argentina de Gualeguaychú, localizada na outra margem do rio, bloquearam por diversas vezes a ponte que une os dois países, alegando prejuízo ambiental e turístico diante da poluição gerada no processamento da celulose.



Os primitivos vietnamitas eram um dos povos mongólicos que viviam, antes de começo da era cristã, no sul da China e no norte do Vietnã. Em 221 a.C., a dinastia Qin da China completou a conquista dos estados vizinhos; sem dúvida, sobreviveu pouco tempo à morte de seu fundador Qin Shi Huangdi.

No fim do século III antes da era cristã, um chefe chinês no sul, de um grupo etnolingüístico que representa o primeiro antecedente da nacionalidade vietnamita, construiu o reino de Nam Viet (Viet do Sul) no delta do rio Vermelho.

Em 111 a.C., o exército chinês conquistou o reino e o integrou ao império da dinastia Han. Os governantes enviaram administradores chineses para substituir a nobreza local, as instituições políticas seguiam o modelo chinês e o confucionismo se converteu na ideologia nacional e se introduziu a língua chinesa.

Uma série de levantamentos se sucederam e, depois de um milênio de submissão, os vietnamitas conquistaram a independência sob a dinastia Ngo, no ano 939, criando um reino o qual se estendeu até a Cochinchina pela dinastia Lê. A inícios do século XI, fundou-se a dinastia nacional dos Ly, que governou de 1010 até 1225.

Sob as dinastias Ly e Tran (1225-1400), o Vietnã se converteu em uma força ativa do sudeste asiático. Nessa ocasião, quando o Império Mongol alcançou o poder na China no século XIII, os exércitos de Kublai Kan atacaram o Vietnã. Os vietnamitas conseguiram derrotar os invasores.

As tensões entre o Vietnã e o reino de Champa, um Estado marítimo situado ao largo da costa central, não cessaram até que, no século XV, as forças vietnamitas praticamente destruíram o reino.

Durante as gerações seguintes, o Vietnã enfrentou o Império Khmer, situado no atual Camboja. No fim do século XVII, o Vietnã havia ocupado o baixo delta do Mekong e começado a avançar até o oeste.

As repetidas tentativas de invasão pela China no século XIII haviam fracassado. Em 1407, o Vietnã foi invadido novamente pelo exército chinês da dinastia Ming, dessa vez com êxito. Um movimento de resistência, comandadas por Le Loi, os expulsou da região 21 anos depois e restaurou a independência do país (1428). Le Loi tornou-se o primeiro imperador da dinastia Le (1428-1793).

Um governo burocrático nos moldes chineses foi estabelecido durante a dinastia Le. A partir de seu território original, no delta do rio Vermelho, o reino avançou gradualmente suas fronteiras em direção ao sul, até ocupar o delta do Mekong. No século XVI, teve início sua decadência. Em 1620, o clã dos Trinh chegou ao poder. Em 1757 esse clã concedeu aos Nguyen, o clã rival, um feudo no sul e isso dividiu o Vietnã em duas zonas.

No final do século XVIII, os camponeses descontentes e dirigidos pelos irmãos Tay Son assassinaram os Nguyens, derrubaram os Trinh e rechaçaram uma invasão da dinastia Tsing da China. Com a ajuda dos franceses, o general Nguyen Anh derrotou os exércitos de Tay Son e tomou o poder. Proclamou-se imperador em 1802 adotando o nome de Gia Long, instaurou a dinastia Nguyen e estabeleceu a capital imperial em Hue, no centro do país.

Colonização francesa e lutas de independência

A influência européia data do século XVI, mas apenas na segunda metade do século XIX as tropas francesas iniciaram a conquista do país. As expedições enviadas por Napoleão III, a partir de 1858, para proteger as missões francesas, levaram ao estabelecimento de um protetorado no Cambodja (1863); com os tratados de Saigon (1862) e Hue (1867), a Conchinchina, no extremo sul do Vietnam, foi cedida à França; em 1883, depois à criação de protetorados no Anam e no Tonquim, todo o país se tornou protetorado francês. Em 1887, esses protetorados foram reunidos na União Indochinesa.

A ocupação total da Indochina foi concluída em 1907. A antiga organização do Estado vietnamita foi destruída e substituída por uma burocracia francesa. Estes fizeram investimentos no país, já em 1920. Desenvolveram a agricultura e a extração mineira, criando uma ideia de aparente prosperidade. Essa política colonial, entretanto, favoreceu apenas a classe burguesa francesa e uma elite de vietnamitas ricos, sendo negativa para o progresso do país, sacrificando de forma extraordinária a população. Se antes do domínio francês, a maioria do povo vietnamita era alfabetizada, em 1939, essa proporção caíra para 15%, e a população empobreceu. As injustiças sociais iriam mais tarde desencadear os movimentos nacionalistas.

No início do século XX, foram criados partidos nacionalistas. O movimento nacional de resistência, que surgiu em 1905 e tinha como núcleo intelectuais formados no Japão e na França, fez rápidos progressos depois da Primeira Guerra Mundial. Em 1930, Ho Chi Minh formou o Partido Comunista Indochinês. A depressão econômica da década de 1930 precipitou a revolta da Indochina. Na liderança do movimento, o Partido Comunista ganhou terreno entre os camponeses e promoveu revoltas agrárias, guerra, lutas de guerrilhas e desordens de rua, apesar da intensa repressão.

Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses ocuparam o Vietnã, ainda colônia francesa. Os comunistas organizaram uma ampla Frente Vietminh (Liga para a Independência do Vietnã) com a ajuda dos Estados Unidos. Com a derrota do Japão em 1945, o exército Viet Minh declarou a independência da república em Hanói e assumiu o governo. O Vietminh, chefiado por Ho Chi Minh, passou a controlar o governo e o imperador Bao Dai foi forçado a abdicar. Em 1946, a França reconheceu o governo do Viet Minh no norte e deu à República Democrática do Vietnam o status de Estado livre no seio da União Indochinesa, mas se recusou a aceitar a inclusão da Cochinchina (conferência de Fontainebleau, 1946). Apesar da cooperação tática entre franceses e o Viet Minh, suas políticas eram inconciliáveis, já que os franceses tinham o objetivo de restabelecer o regime colonial e Hanói exigia independência total.

As seguidas agitações em Haiphong, acompanhadas do bombardeio da cidade por barcos de guerra franceses em novembro de 1946, causando a morte de seis mil civis, desencadearam a Guerra da Indochina, que durou quase oito anos. Os nacionalistas se retiraram para o interior do país e retomaram as guerrilhas. Os franceses formaram um governo com o imperador Bao Dai. No começo da década de 1950, os franceses, apesar da maciça ajuda americana, estavam na defensiva. Em 7 de maio de 1954, Dien Bien Phu, poderosa base dos colonialistas, teve que se render depois de um cerco de 55 dias pelas tropas do Viet Minh, lideradas pelo general Vo Nguyen Giap.

Após a batalha de Dien Bien Phu, o governo francês iniciou negociações para finalizar a guerra. Em 21 de julho de 1954, representantes da França e do Viet Minh, na Conferência de Genebra, firmaram um acordo dividindo o país na altura do Paralelo 17° N: República Democrática do Vietnam (Vietnam do Norte) e República do Vietnam (Vietnam do Sul). O Vietnam do Norte, apoiado pela União Soviética, ficou sob o governo do Viet Minh; o Vietnam do Sul, sob o governo do imperador Bao Dai e com o apoio dos Estados Unidos, conservou uma economia de mercado. Pelo acordo, em 1956 seriam realizadas eleições em todo o Vietnam para efetuar sua reunificação.

No norte, começou a reconstrução do país, com a firme convicção do Viet Minh de que sairia vitorioso nas eleições. No sul, porém, o imperador Bao Dai, que voltara ao trono com o apoio da França, foi deposto. O primeiro-ministro Ngo Dinh Diem tomou o poder, aboliu a monarquia e proclamou a república em 26 de outubro de 1955. Negou-se depois a realizar eleições livres como estipulado. Instalou um governo autoritário, sob a proteção dos Estados Unidos, que estavam decididos, em plena guerra fria, a frear os avanços do comunismo em todo o mundo.

A partir de 1961, intensificou-se, com o apoio das forças norte-vietnamitas, a atividade da guerrilha no Vietnam do Sul, dirigida pelo Viet Cong, braço armado da Frente de Libertação Nacional. A intolerância, especialmente pelas perseguições aos budistas, e o fracasso da política de Diem fizeram crescer a impopularidade do regime, gerando revoltas, que contaram com o apoio dos comunistas do Norte. Em novembro de 1963, Diem foi deposto por um golpe militar e assassinado. Vários golpes de Estado se sucederam e ditaduras militares efêmeras ocuparam o poder até que em 1967 o general Nguyen Van Thieu, que já governava à frente de um Comitê Nacional de Liderança, foi eleito presidente.

O envolvimento militar americano na região, iniciado na década de 1950 com o envio de ajuda aos franceses em equipamentos e observadores militares, cresceu a partir de 1960. Em 1965, a iminente queda de Saigon nas mãos do Viet Cong, levou o presidente americano Lyndon Johnson a ordenar uma operação sistemática de bombardeio aéreo do Vietnam do Norte. Quatro semanas depois, as primeiras tropas americanas de combate desembarcaram no Vietnam.

Daí em diante a escalada militar não parou de crescer, numa campanha que deixaria marcas profundas na sociedade americana. Em janeiro de 1973, convictos da impossibilidade de conquistar a vitória no campo de batalha, os americanos firmaram um acordo de cessar-fogo com os vietnamitas para retirada completa das tropas americanas e Hanói acordou aceitar o regime de Nguyen Van Thieu. Contudo, em 1975, após dois anos de resistência, uma ofensiva dos guerrilheiros sul-vietnamitas e das forças regulares do Vietnam do Norte ocupou Saigón. Em abril Saigon assinou a rendição incondicional e um governo provisório comunista se instalou no sul. No ano seguinte instalou-se a República Socialista do Vietnã, com capital em Hanói, e Saigón se chamou Ho Chi Minh. Constituído o Estado reunificado, foi eleito presidente da República Ton Duc Thang; assumiu o cargo de primeiro-ministro Pham Van Dong.

As terríveis condições do país no pós-guerra se agravaram com diversas questões internacionais. Em 1978, as relações do Vietnam com o Camboja e a China se agravaram e milhares de habitantes da minoria chinesa foram obrigados a deixar o país. No ano seguinte, as forças vietnamitas, apoiando os opositores dos khmeres vermelhos, invadiram o Camboja, onde o governo de Pol Pot realizava uma política de extermínio da população. O país continua a manter um pesado exército que intervém na vida da nação. Depois desta intervenção, a Europa de Leste foi a única fonte de auxílio externo que o Vietname recebeu.

Em 1979, tropas chinesas invadiram o norte do Vietnam e devastaram uma faixa de aproximadamente 45 quilômetros ao longo da fronteira norte, numa campanha de 17 dias que encontrou enorme resistência do Exército vietnamita (Guerra Sino-vietnamita).

As tropas do Vietnam mantiveram o controle sobre o Camboja, onde instalaram um governo aliado e lutaram contra uma guerrilha bem organizada e apoiada pela China. Em 1989, o Vietnã retirou praticamente todas as tropas do Camboja, terminando com a ocupação, que custara ao Vietnam a perda do apoio dos países vizinhos e uma contínua sangria material e humana.

O secretário-geral do Partido Comunista, Le Duan, morreu em julho de 1986. Os reformistas da economia alcançaram o poder e proclamaram uma nova política de doi moi (renovação). Em dezembro, o PC nomeou um reformador da economia, Nguyen Van Linh, para o posto de secretário-geral. O governo adotou uma postura mais pragmática em relação às atividades econômicas e, a exemplo da China, abriu o mercado, sem mudar o regime político, e permitiu investimentos estrangeiros no país. Essa posição, aliada às profundas mudanças ocorridas no cenário internacional a partir de 1989, com o fim da guerra fria, favoreceu a aproximação entre o Vietnam e os países de economia de mercado.

Com a crise da antiga URSS, o Vietnam passou por dificuldades políticas e econômicas. Linh renunciou e foi substituído por Do Muoi em 1991. No fim da ajuda da antiga União Soviética, em 1991, acelerou-se a reforma econômica. A nova Constituição (1992) criou condições para uma economia de mercado, mas não alterou o monopólio político do P.C., apesar de permitir candidatos independentes nas eleições. Em 1992, Le Duc Anh assumiu a presidência da República, tendo como primeiro-ministro Vo Van Kiet. O governo adotou uma linha de liberalização da economia, com adoção de mecanismos de mercado, mas manteve a vida política sob férreo controle. Em 1994, 19 anos depois do fim de seu envolvimento militar direto na guerra, os Estados Unidos suspenderam o embargo econômico e comercial, imposto ao Vietnam do Norte em 1964 e mantido após a reunificação do país sob um regime comunista. O ponto final no episódio foi posto em julho de 1995, quando Washington restabeleceu laços diplomáticos plenos com o Vietnam. Em 1995 o governo comemorou 20 anos sobre a vitória comunista em Saigon.



O Vaticano é uma cidade-estado e o menor Estado independente do mundo, encravado na zona norte de Roma.

O Vaticano foi dado pelo Tratado de Latrão, assinado por Benito Mussolini e o Papa Pio XI em 11 de Fevereiro de 1929. As terras tinham sido doadas em 756 por Pepino, o Breve, rei dos francos. Durante um período de quase mil anos, que teve início no império de Carlos Magno no século IX, os papas reinavam sobre a maioria dos Estados temporais do centro da península itálica, incluindo a cidade de Roma, e partes do sul da França.

Durante o processo de unificação da península, a Itália gradativamente absorveu os Estados Pontifícios. Em 1870, as tropas do rei Vítor Emanuel II entram em Roma e incorporam a cidade ao novo Estado. Em 13 de março de 1871, Vítor Emanuel II ofereceu como compensação ao Papa Pio IX uma indenização e o compromisso de mantê-lo como chefe do Estado do Vaticano, um bairro de Roma onde ficava a sede da Igreja (as leis de garantia). O papa, consciente de sua influência sobre os católicos italianos e desejando conservar o poder da Igreja, recusa-se a reconhecer a nova situação e considera-se “prisioneiro” do poder laico. Além disso, proibiu os católicos italianos de votar nas eleições do novo reino.

Essa incómoda questão de disputas entre o Estado e a Igreja, chamada Questão Romana só terminou em fevereiro de 1929, quando o ditador fascista Benito Mussolini e o Papa Pio XI assinam o Tratado de Latrão, pelo qual a Itália reconhece a soberania da Santa Sé sobre o Vaticano, declarado Estado soberano, neutro e inviolável.

Em 12 de fevereiro de 2009 Bento XVI participou das comemorações pelo 80º aniversário da fundação do Estado da Cidade do Vaticano. A RTE Orchestra acompanhada pela Our Lady's Choral Society, ambas de Dublín (Irlanda), interpretaram o oratório O Messias de Georg Friedrich Händel na "Aula Paulo VI". No final o Papa pronunciou um breve discurso dizendo que "se tratava de um pequeno território para uma grande missão".

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